quarta-feira, 25 de julho de 2012

Quem são nossos heróis?

Richard Jakubaszko
Quem são nossos heróis? Depende cada um, não é verdade? Nossa busca por heróis parece ser construída por um determinismo genético, desde criancinha nos apegamos a eles, e esses ideais míticos mudam conforme avançamos na escala etária da vida, estão sempre próximos daquilo que mais vivenciamos. Nos primórdios da vida os pais estão sempre incluídos entre esses heróis. A partir daí, na "segunda infância", avançamos para os super-heróis dos desenhos animados, ou das revistas em quadrinhos, ou ainda amigos, primos ou irmãos mais velhos, esportistas, e já na juventude retiramos temporariamente os pais da nossa lista de heróis, para recolocá-los no pedestal somente na vida adulta. O quando isso acontece depende de cada um. O que sei é que o retorno dos pais à lista é quase inevitável, são raras as exceções.

Na vida adulta alguns novos heróis podem surgir, na figura de estadistas, artistas talentosos ou escritores, líderes carismáticos, empresários notáveis etc. De minha parte tenho como heróis pessoas comuns, de carne e osso, todos meus contemporâneos, com os quais convivo, ao alcanço do braço ou do telefone. Volta e meia um deles me abandona, e sei vai, muitas vezes sem aviso prévio, chamado compulsoriamente por novos desafios do Divino.

Na verdade, a grande maioria de meus heróis de fato já se foram, restaram poucos ao meu convívio cotidiano, e expressei isto de forma a mais sincera que me foi possível no "dedicatória in memoriam" do livro Marketing da Terra. Uma lista quase interminável de heróis-amigos que perdi, mas que nunca deixei de admirar. No livro "Meu filho, um dia tudo isso será teu" fiz outras digressões sobre o tema dos nossos heróis, estabelecendo as diferenças sob o guarda-chuva das heranças patrimonialistas, pois concretas, e as abstratas, como são as lembranças e os exemplos.

Algumas semanas atrás troquei vários e-mails com um desses meus heróis, o conhecido, reconhecido, e respeitado engenheiro agrônomo da turma de 1936 da gloriosa ESALQ, o Dr. Fernando Penteado Cardoso, com quem tenho a alegria de usufruir contemporaneamente alguns dos prazeres e lutas desta nossa vida de batalhar pela produção de alimentos. Não me lembro exatamente a razão, mas num determinado momento, entre tantos e-mails que se foram e voltaram, que estivemos discordando ideologicamente de uma posição, ou opinião sobre determinado assunto, e passamos ao confronto.

Pois o Dr. Fernando enviou-me então algumas frases, ao estilo de aforismos, ou verdades incontestáveis, desafiando-me a identificar seus autores, também seus heróis, e me pediu os nomes dos meus heróis, os quais desejava conhecer. Respondi que meus heróis eram terrenos, palpáveis, todos ao alcance de meu abraço, e que, entre esses, ele estava incluído na minha short list. Talvez por sincera modéstia o Dr. Fernando nada respondeu ao citado e-mail, e assim continuamos nossas vidas e lutas, sempre juntos, inclusive neste espaço da blogosfera, onde ele se mantém assíduo frequentador, seja como comentarista de temas variados publicados, seja como autor de vários posts campeões de audiência.

Tudo isso para dizer aos amigos do blog que descobri na internet, lá no Youtube, um vídeo interessante, que vale a pena assistir, e que contém uma dessas inesquecíveis manifestações humanas de quem são nossos improváveis heróis do cotidiano, feita pelo testemunho do talentoso pianista João Carlos Martins, em homenagem a também um dos meus amigos-heróis desta passagem terrena. Assistam o vídeo, provavelmente vocês também conhecem o herói do Martins, é um desses de "carne e osso" que constróem com a gente a concreta poesia da vida real, tijolo por tijolo.

Desmistificando o assunto, lembro que não precisamos obrigatoriamente concordar com tudo o que dizem e fazem nossos heróis, devemos apenas admirá-los, e participar com eles de algumas batalhas.

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4 comentários:

  1. Caro Richard:
    Muito obrigado pela amável referência com qualificativos que só podem desvanecer.
    Fiquei curioso quanto a frases apócrifas no passado. Poderia me relembrar?
    Grande abraço
    Fernando P. Cardoso

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  2. Dr. Fernando,
    alegria de ser seu contemporâneo, discordo apenas em relação ao desvanecimento, se for no sentido de apagar-se e dissipar-se.
    As frases vou encaminhar-lhe por e-mail.
    abs

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  3. José Carlos de Arruda Corazza25 de julho de 2012 23:54

    Richard, belo e ilustrativo texto, palavras simples que a gente deveria dizer aos nossos heróis de todos os dias, o que a gente nunca faz. Quando "crescer" desejo escrever como você! Não conheço o Doutor Fernando Penteado Crdoso, só sei que é um octogenário, fundador da Manah (Adubando, dá!), e o Tejon (é esse o nome?) tem uma história, segundo o relato do João Carlos Martins, comovente.
    Um amplexo!
    José Carlos de Arruda Corazza, BH

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  4. Roberto Silveira Stringer14 de outubro de 2012 10:15

    Richard,
    formidável o seu texto! Não, formidável, não, isso só é aplicável a eventos gigantescos da natureza, como um incêndio, um raio, ou erupção de um furacão... Mas é formidável, sim, maravilhoso o seu texto, na sua manifestação humana, sem ser piegas, reconhecendo nossos heróis e mitos vivos, que os temos sim, falta é coragem para reconhecer.
    Roberto Silveira Stringer, de Santa Maria, RS

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