terça-feira, 18 de junho de 2013

Estamos em guerra!

Richard Jakubaszko
Sim, estamos em guerra! E, nas guerras, a primeira vítima é a verdade. Esse aforismo comprovou-se verdadeiro na atual situação.
Num primeiro momento os protestos dos jovens brasileiros contra o aumento das tarifas dos transportes públicos foi considerado extemporâneo, tanto pela mídia como pelos governos, em todas as instâncias. Num segundo momento, a grande mídia insuflou as PMs a acabar com a "baderna", e autorizou as polícias a "descer o cacete". A PM mandou ver e os manifestantes tornaram-se vítimas, só faltou um mártir morto, mesmo sem o mártir os jovens ganharam a simpatia do povo, das pessoas, lideranças, artistas, etc.

Como em política não existe espaços vazios, e por causa da ausência de lideranças explícitas no movimento MPL, Movimento do Passe Livre, o que exacerbava a falta de comunicação com a população e os governos, pseudo-intérpretes de grupos partidários e ideológicos tomaram para si a palavra e a tradução do que representa o MPL. Os Jabor da vida já caíram do cavalo, e ele talvez tenha sido o único "honesto", ao admitir que foi apressado e avaliou mal suas percepções sobre as reivindicações. Não apenas por Jabor, mas pela sua conduta e postura nos noticiários, a Rede Globo foi uma das mais criticadas no protesto de ontem, com sonoras vaias dos jovens a cada vez que seu robocop surgia nos céus, com um sonoro "Rede Globo, vai tomar no cu". A Globo sentiu o impacto, seus apresentadores estavam carrancudos ontem, desconfortáveis, e alguns dos repórteres esconderam o logotipo da Globo, impressos em seus microfones.

A mídia, entretanto, ocupa os espaços, interpreta as mensagens, partidariza o debate, puxa a brasa para a sua sardinha, e ao MPL aderiram, nestes últimos momentos, quase todos os partidos políticos, antecipando o que será a campanha eleitoral em 2014.

A mídia vai além e tenta interpretar o MPL como um movimento de insatisfação geral, como se fôssemos uma Grécia cheia de desempregados e em plena crise. Compara-se o Brasil a outros países em crise e tenta-se jogar a responsabilidade nos governos de plantão, nivelando a política na sua mais baixa estatura, interesseira e rasteira, e à qual se acrescenta, conforme os interesses de conveniência, um problema "caótico" a mais, seja a votação da PEC 37, seja a não prisão dos "mensaleiros" condenados, seja a "corrupção generalizada", e até a "inflação galopante", ou a desvalorização do dólar em 0,02 centavos coloca os mercados em "pânico", tudo comprovado pelas vaias contra Dilma, e, especialmente, pela queda de seus "índices de popularidade" nas pesquisas.

Dilma, por sua vez, declarou à mídia que:


Meu governo está comprometido com a transformação social’, disse. E ainda:

“Os que foram ontem (17/6/2013) às ruas deram uma mensagem direta ao conjunto da sociedade, sobretudo aos governantes de todas as instâncias. Essa mensagem direta das ruas é por mais cidadania, por melhores escolas, melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à participação. Essa mensagem direta das ruas mostra a exigência de transporte público de qualidade e a preço justo. Essa mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário. Essa mensagem direta das ruas é de repudio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público”, afirmou.

E continuou:
“O Brasil tem orgulho deles. Devemos louvar o caráter pacifico do atos públicos. O caráter pacífico dos atos públicos de ontem evidenciou também o correto tratamento dado pela segurança publica à livre manifestação popular”, afirmou.

Bonito discurso, mas ainda é pouco, presidente Dilma. Precisa mais. Seu governo peca pela má comunicação com o povo, neste e em outros momentos. Há muita coisa boa em seu governo para informar ao povo.

Ora, ora, se a verdade é a primeira vítima das guerras, esta guerra não será diferente. Os líderes do MPL precisam ter a consciência de que aproveitadores de plantão irão ocupar os espaços vazios do vácuo de liderança explícita do movimento, com o viés de conveniência de simplesmente protestar por protestar. O desenrolar das reivindicações  (e que serão, a partir de agora, mais incentivados pela grande mídia a abrir o leque de temas - leia-se Veja, por exemplo), levará o país a ter eleições tumultuadas em 2014, com possibilidades de surpresas inimagináveis aos acomodados ou distraídos de hoje. Foi assim que a Espanha voltou a eleger políticos de direita como Aznar, ou que a Itália reconduziu Berlusconi ao poder, e por isso hoje a situação anda tão ruim para eles, a começar pelo desemprego, crises, dívidas impagáveis e perspectiva zero de futuro.

Barbas de molho, minha gente!
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