quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Samba do crioulo doido

Richard Jakubaszko  
Estamos em tempos diferentes, politicamente corretos, menos de meio século depois. Hoje em dia essa história não se repetiria. Seria pior.

O escritor, jornalista, radialista, humorista e compositor Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo), morreu em 30/9/1968. “O samba do crioulo doido" foi o título de uma de suas músicas, de muito sucesso nos anos 1960. A expressão é usada até hoje para se referir a coisas sem sentido.

Lalau Ponte Preta tinha "as garotas do Lalau", exibidas em fotos ousadas para a época, de biquínis, publicadas no jornal Última Hora (Rio Janeiro), e na revista Fatos & Fotos (Bloch Editores), eram mulheres "boazudas", a maioria artistas de teatro, sendo que algumas delas ainda hoje estão por aí, já assim, digamos, todas vovós. Lalau compôs muitas músicas (Garoto Linha-Dura, Tia Zulmira e Eu, Rosamundo e os Outros, Primo Altamirando e Elas e o FEBEAPÁ), e tinha em seus textos de jornal o especial FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País).


O Samba do Crioulo Doido é uma paródia composta em 1968, para o Teatro de Revista, em que procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A expressão do título é usada ainda hoje, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo.


Histórico:
A composição fez parte do musical Pussy Pussy Cats, estrelado pelo Quarteto em Cy, juntamente com Sérgio Porto, o autor. A paródia do samba-enredo ia de encontro à obrigatoriedade imposta pelo então Departamento de Turismo da Guanabara aos compositores desses sambas de tratarem dos temas da História do Brasil, e que produziam os maiores disparates.
Do teatro rebolado a canção recebeu gravações pelo Quarteto em Cy e Demônios da Garoa.

Enredo: 
A música descreve histórias estapafúrdias, como "Chica da Silva obrigou a Princesa Leopoldina a se casar com Tiradentes, e este depois eleito como Pedro Segundo, quando procurou o padre José de Anchieta e, juntos, Anchieta e D. Pedro, proclamaram a escravidão" - dentre outros disparates que reúnem num contexto personalidades de épocas e lugares distintos, em condições absurdas.


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4 comentários:

  1. Prezado,
    cuidado com os patrulheiros do politicamente correto. Hoje, "crioulo" é ofensivo; por isso, é mais seguro chamá-lo "Samba do afrodescendente mentalmente prejudicado" (estou certo de que o Sérgio Porto aprovaria, entre uma gargalhada e outra...).
    E-braço.
    Geraldo Lino

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  2. Sensacional, Richard! Não imaginava que a expressão tinha origem na música. Só não entendi - desenha? - a que você se refere.

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    Respostas
    1. Renato,
      é que os imbecis ainda estão por aí, demograficamente aumentando, mediocrizando. E ainda votam! Fiz uma enquete rápida com 15 pessoas, só duas conheciam as expressões FEBEAPÁ, Stanislaw Ponte Preta e "Samba do Crioulo Doido".

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  3. Eu que sou idoso lembro muito bem do Febeapá do Stanislaw e do crioulo doido. Dona Leopoldina virou trem e por aí ia. Hoje, depois da Dilma rasgando contratos, tá dando saudades do Lula.

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