segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Rengueando cusco


Rogério Arioli Silva *

Lá pelos lados do Rio Grande do Sul quando o frio é muito intenso os gaúchos usam o termo “frio de renguear cusco”. Para os menos conhecedores do vocabulário campeiro seguem as devidas explicações aurelianas: renguear é um verbo transitivo indireto que significa tornar-se coxo ou mancar-se, ou ainda, claudicar. Cusco, por sua vez, significa cão pequeno, de raça comum, podendo até mesmo incluir-se na categoria de “guaipeca”. Pois é esse friozinho que deve acontecer na América do Norte neste início de 2014.

Segundo algumas previsões meteorológicas nos próximos dias poderão acontecer temperaturas abaixo de 34°C negativos e, em alguns locais onde venta muito, como a cidade de Chicago, por exemplo, é possível que a sensação térmica atinja temperaturas ao redor de 50°C negativos. Mais de 800 voos já foram cancelados no território americano, sendo que 94 deles apenas no aeroporto JFK em Nova Iorque. Para desespero dos catastrofistas ambientais que, há bem pouco tempo, previram ondas de calor insuportáveis e o término da agricultura em muitos locais do planeta, esse frio é ainda mais dolorido.

Em 2012 aconteceram recordes de temperaturas baixas na Europa, inclusive causando a morte de centenas de pessoas em países como a Polônia, Ucrânia, Bulgária, Romênia além da Grécia, Itália e França. O Rio Danúbio ficou congelado em vários quilômetros, algo que não acontecia há 30 anos. Também a região da Sérvia e Montenegro registraram as temperaturas mais baixas dos últimos 50 anos. O verão de 2013 foi considerado um dos mais frios dos últimos 200 anos na Europa, o que causou desânimo a muitos arautos dos fins dos tempos que, certamente, foram obrigados a reutilizarem cachecóis e sobretudos já quase aposentados.

Informações da NASA (Agência Espacial Norte Americana) registram que nos invernos de 2010 e 2013 a Antártida ficou ainda mais fria, segundo uma tendência que vem acontecendo nos últimos 35 anos. Na região de Vostok, na Antártida, houve registro de temperatura de 93,2 °C negativos na data de 10/08/2010, a menor desde que a mesma vem sendo medida. A superfície gelada daquela região também vem crescendo há um quarto de século. Negligenciando essas informações, o barco de bandeira russa “Academic Shokalsky” tripulado por uma equipe de estudiosos do aquecimento global e capitaneados pelo professor australiano Chrys Turney, aventurou-se naquele continente em busca de dados sobre o aquecimento global. Não deu outra: encalhou no gelo e seus ocupantes precisaram ser resgatados pelo quebra-gelo “Polar Star” da guarda costeira americana. Novamente, para vergonha dos aquecimentistas globais, os fatos insistem em pregar-lhes peças constrangedoras.

O cientista britânico James Lovelock, criador da hipótese de Gaia – nesta teoria a terra é considerada um superorganismo onde todos os eventos se inter-relacionam entre si ̶ realizou seu mea culpa em 2012 após prever, no ano de 2004, que milhões de pessoas morreriam em decorrência do aquecimento global. Reconheceu, com a humildade que falta a muitos cientistas modernos, que ainda sabe-se muito pouco sobre o clima da terra e que o alarmismo nem sempre gera bons frutos.

Na queda de braço entre os cientistas muitos também defendem a teoria de que a terra estaria entrando em uma nova era glacial. Os efeitos das explosões solares cada vez mais são considerados como fundamentais para a modificação do clima terrestre e ainda são muito pouco conhecidos. Nós leigos, muitas vezes confundimos o clima com o tempo, justificando mudanças de temperaturas diárias como se fossem “sinais” das alterações climáticas.

A paranoia do aquecimento global gerou negócios milionários pelo mundo afora e os países em desenvolvimento foram injustamente responsabilizados pelas consequências deste fenômeno. Os Estados Unidos e a China, respectivamente primeiro e segundo maiores emissores de gases de efeito estufa, não embarcaram muito nessa onda, sobrando para o Brasil a vanguarda nas ações contra o aquecimento. Essa proatividade brasileira ainda não rendeu nenhum arrefecimento no patrulhamento que o país sofre, pois ainda segue sendo rotulado, injustamente, como o inimigo público número um do meio-ambiente mundial.

Nesse início de ano, com o prenúncio das baixíssimas temperaturas da América do Norte, sugiro que aqueles que tanto divulgaram o aquecimento global escolhessem Nova Iorque para realizar seus protestos. Só recomendo que, assim como os gaúchos, procurem enfrentar esse baita frio com um grande e grosso poncho, além deixarem seus cuscos em casa, em nome do bem estar animal.

* O autor é engenheiro agrônomo e produtor rural no MT.
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