terça-feira, 3 de junho de 2014

Vai ter Copa, sim! Versão III

Richard Jakubaszko 
Estão politizando o futebol, os brasileiros andam com medo de mostrar sua paixão pelo futebol, poucos têm a coragem de mostrar o verde-amarelo na iminência da Copa das Copas, que se inicia semana que vem. Acho deplorável que brasileiros se deixem utilizar por interesses políticos e saiam às ruas, seja para protestar ou para depredar. 

Acho que Ronaldo, o fenômeno, está certíssimo, pelo menos nisso concordo com ele, tinha de baixar o cacete nesses maus brasileiros. É gente com interesses políticos que exacerba sua condição de cachorro vira-lata.
O "melhor" da hipocrisia é a regra criada pelo governador de São Paulo, que proibiu a Polícia Militar de baixar o cacete nos manifestantes do "Não vai ter Copa". Perguntem a qualquer policial militar que encontrarem: É proibido bater em quem protesta, mesmo se for pro quebra-quebra! 

Proteste, sim! É necessário, quando feito por algo importante, em nome de grupos sociais e por causas justas. Protestar por protestar, com causas políticas e inúteis? Nem pensar! Ou eles "imaginam" que vão cancelar a Copa?
Então: pra que polícia? Pra que governador?


A propósito, mostro abaixo dois comentários publicados no site J&Cia, em textos assinados por dois jornalistas veteranos, dois ícones da profissão:


Atrás das verbas do governo”
Audálio Dantas, escritor, diretor de Redação da revista Negócios da Comunicação e presidente da Comissão Nacional da Verdade dos Jornalistas.
Para mim ficou claro que a cobertura do assunto Copa está contaminada pelo processo eleitoral que se aproxima. Atraso em obras, superfaturamento e outras verdades são cobertas como se jornais, revistas, rádios e tevês tratassem uma pelada de ponta de rua e não de um acontecimento esportivo que qualquer país gostaria de sediar.

E quanto mais os jogos se aproximam mais toma corpo um jornalismo, digamos, pouco exigente, sem compromisso com a apuração dos fatos. Um dia, um jornal diz o contrário do que adversários do governo gritam sobre os gastos, que dariam para resolver todas as nossas mazelas: os gastos com a Copa não serão do tamanho apregoado; no outro, dão a glória da manchete ao ex-jogador e hoje negociante esportivo Ronaldo, que diz estar morrendo de vergonha pelo atraso das obras. E revistas semanais fazem jornalismo de futurismo ficcional sobre a bagunça que os visitantes estrangeiros encontrarão por aqui.
Mas um fato é verdadeiro: a mídia inteira, mesmo a que condena os gastos com a Copa, corre atrás das verbas que o governo gastador reservou para a propaganda do evento.

Cara estressada”
Clóvis Rossi, colunista da Folha de S.Paulo
Eu sou avesso ao patriotismo, até porque concordo, em parte, com Samuel Johnson quando diz que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” (em parte, porque há patriotismos do bem e do mal).
Por essa convicção íntima, confesso que fiquei perplexo ao ver o surto patrioteiro que invadiu a comitiva brasileira que participou do ato em que a Fifa escolheu o Brasil para sediar o Mundial.
Mas, na época, não sabia que minha perplexidade só iria aumentar agora que a Copa é iminente. O que parecia bom (o Brasil mostrar a cara) virou uma dor de cabeça porque a cara que o País anda mostrando está muito estressada. Só espero que não piore. É tudo o que o Brasil não precisa.

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