quinta-feira, 2 de abril de 2015

Brasil, o país da hipocrisia.

Richard Jakubaszko
Admitamos, o Brasil é o país da hipocrisia. É, mas sempre foi assim. E sempre nos perdoamos.
Já tivemos um presidente eleito cujo símbolo publicitário era uma vassoura, para varrer a corrupção.

Já ouvimos defesa viral publicitária de outro político, que pedia votos aos eleitores, explicando que "rouba, mas faz". Gerou filhotes este mote...
Já tivemos político eleito presidente com promessa de acabar com os marajás, ele próprio um marajá que foi depois devidamente impilchado do poder.

Até hoje ouvimos nas TVs e lemos nos jornais que houve uma "revolução" neste país em 1964, como eufemismo para o golpe civil-militar que durou 21 anos, e a mídia hipocritamente diz que foi uma "ditabranda".
Admitamos, o Brasil ama o "me engana que eu gosto". Prostituta tem orgasmos, e traficante é dependente.

Neste país, um de nossos heróis mais cultuados é Macunaíma, mau caráter típico, e confesso.
No judiciário, juízes condenam sem provas, porque a literatura assim o permite.
Outro juiz prende uma agente de trânsito, que o flagrou em delito, acusa a agente de desacato, e um segundo juiz condena a agente a pagar multa a título de indenização moral.
Juízes do STF condenam acusados, sem provas, por "domínio do fato", pois "tinham de saber".

Neste país, um ex-condenado por corrupção, liberto de pena porque atenuada por delação, agora de novo preso por reincidência, faz "delação premiada" ao mesmo juiz de antes, e sua palavra vale mais do que a de cidadãos livres.

Neste país, campeão internacional da hipocrisia, um juiz federal escreve artigo em jornais preconizando ação de flagrante inconstitucionalidade, para prender "suspeitos", antes mesmo de provar a culpabilidade. Não existe mais, conforme a opinião do juiz, "presunção da inocência". Coitada da Constituição!

Neste país, as leis são para todos, menos para aqueles que não são iguais.
Neste país, juiz do STF pede "vista" num processo já parcialmente votado e decidido, em placar parcial de 6 votos a favor da inconstitucionalidade, e 1 contra, uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para acabar com doações de empresas corruptas a partidos políticos corruptos, mas o ministro, depois de 1 ano, nem tchum para a corrupção, ou seja, não vota, não fala nada, esquece que seu voto, diante do placar existente, é moral. Como ele é contra, e é voto perdido, espera que o Congresso tome uma decisão por ele.

Agora, a mais nova hipocrisia institucional brasileira: o ministro Gilmar Mendes, um ex-presidente do STF, é o autor. Travou a votação da ADIN com seu pedido de "vista". Faz mais de doze meses...

Devolve a ADIN, ministro Gilmar, e vote como quiser, aí a gente vai saber se de fato o seu voto é para acabar com a corrupção, ou se é para continuar, oficializando a corrupção e a hipocrisia, para que todos nós nos locupletemos.

Sai do armário, ministro Gilmar, hipocrisia explícita, não!


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