sábado, 20 de junho de 2015

O estupro é inevitável

Richard Jakubaszko
A partir da Encíclica do Papa Francisco o estupro ambientalista contra a humanidade é inevitável. Não falta mais nada.
Não se conhecem as razões que levaram o Vaticano a aderir à causa ambientalista. A chantagem de Al Gore, com a promessa de conversão ao catolicismo, certamente não foi a motivação principal. É provável que conquistar novos adeptos de fé no catolicismo tenha sido uma das mais importantes intenções de o Papa Francisco publicar a Encíclica esta semana, pois a Igreja Católica Apostólica Romana tem perdido fiéis para outros ramos do cristianismo. Aderir ao ambientalismo traria simpatias. Entretanto, não vejo com bons olhos essa tomada de posição da Igreja, mesmo sendo um praticante de fé católica. Até porque, somos todos ambientalistas.

Como profissional de comunicação, entretanto, me preocupa a "leitura" que será feita da Encíclica pela mídia, e de como está sendo divulgada, distorcendo o apelo papal ao bom senso, fazendo parecer que o Papa e o Vaticano aderiram à causa dos que divulgam o aquecimento e as mudanças climáticas. Na verdade, escritas de próprio punho, as palavras do Papa Francisco são sábias, serenas, e de uma clareza "franciscana", como se costuma dizer. O Papa Francisco critica o mau uso dos recursos naturais, a poluição irresponsável, a agressão que se faz à natureza, o consumismo, a exacerbada exploração financeira de tudo o que diga respeito ao meio ambiente, como os créditos de carbomo, e até mesmo recomenda uma menor velocidade do crescimento social e econômico do planeta. Talvez, aqui, o perigo esteja presente.

Ocorre que o AGA - Aquecimento Global Antropogênico, popularmente conhecido como "aquecimento", e ainda as "mudanças climáticas", são plataformas publicitárias de agendas com interesses políticos e comerciais, e a Encíclica Papal, interpretada pelo lado ideológico, deixou os ambientalistas eufóricos.

Estudo o assunto há mais de 8 anos, e não tenho receios de afirmar que o aquecimento e as mudanças climáticas são a grande mentira do século XXI, conforme registro em meu livro “CO2, aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, a sair de gráfica em julho próximo, e o fato de o Papa Francisco abençoar a questão ambientalista dará ânimo redobrado aos adeptos do aquecimentismo.
Haverá um estupro da humanidade no futuro breve, e prevejo a exacerbação do assunto, da seguinte forma:

1 – Vai recrudescer a luta ambientalista: tornará mais fácil aprovar legislação de interesse dos ambientalistas em todo o mundo, trazendo novas restrições às atividades produtivas;
2 – O Código Florestal brasileiro será rediscutido, ampliando as proibições e limitações já existentes;
3 – O comércio de venda de créditos de carbono será retomado, pois a hipocrisia financeira das indulgências terá a benção Papal;
4 – A COP 21, em Paris, em dezembro próximo, terá mais facilidades para alavancar a AIA -Agência Internacional Ambiental, sob o jugo da ONU, com poderes supranacionais à soberania das nações. Países em desenvolvimento que não se submeterem à vontade dos ambientalistas poderão sofrer sanções econômicas, políticas, e até mesmo de caráter militar;
5 – A Amazônia terá apoio mundial para ser internacionalizada. O Brasil perderá esse patrimônio e a soberania de explorar suas riquezas;
6 – Os países desenvolvidos se tornarão donos da água potável no mundo. Aliás, foi uma das críticas do Papa Francisco, que pediu o fim da “Guerra da Água”. Já existem áreas gigantescas de terras, aqui no Brasil e no continente sul-americano, adquiridas por capitais especulativos, bem em cima do aquífero Guarani. Ao mesmo tempo, a guerra permanente entre Israel e a Palestina é pela água, e não tem outro propósito, se não a desculpa de que seja religiosa.
7 – A construção de usinas nucleares (a grande financiadora da mentira ambientalista do aquecimento) será facilitada pela benção Papal;
8 – Oficializa-se, com a Encíclica, a política recomendada por Thomas Malthus de “deixar os pobres do planeta se exterminarem”. A FAO poderá implementar a política do “Decrescimento”, sonho acalentado pelo Clube de Roma desde os anos 1990.
9 – Os países desenvolvidos obterão sucesso, finalmente, em frear os países emergentes em seu crescimento econômico e social.
10 – Pelo fato de que alguns países em desenvolvimento se negarão a obedecer os mandamentos da AIA, teremos guerras que irão reduzir o excesso populacional planetário, pois a Igreja Católica Romana não admite reavaliar o dogma de que é contra a existência de quaisquer políticas públicas de controle da natalidade.

O principal problema da humanidade é o excesso populacional. Todos os pontos críticos decorrem dessa premissa. Todavia, o expressivo crescimento demográfico nunca é colocado em debate público. O Vaticano nega-se a apoiar medidas que incentivem a redução da velocidade desse crescimento. As guerras, a fome e as doenças das populações mais pobres e desassistidas, em maior amplitude do que já existem hoje, permitirão uma população inferior a 6 bilhões de pessoas ao final do século XXI.

Do ponto de vista humano, de fé, de ideais protecionistas da natureza, a Encíclica de Francisco é perfeita e irretocável, digna do representante de Deus entre nós. Do ponto de vista político a Encíclica é um desastre, porque terá distorções no seu uso e na sua divulgação, e provocará um tsunami planetário, um estupro político inevitável da humanidade.

Quem viver, assim verá.
Pai, perdoa esses humanos. Eles não sabem o que fazem.
.

2 comentários:

  1. Prezado Richard: Uma reflexão que pode ser feita como contraponto dessa escolha de "menos presença humana" é o Manifesto Ecomodernista (http://www.ecomodernism.org/manifesto/ ). Vale a pena a leitura.
    Um abraço, Milton Rego

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  2. Mário Pedroso, SP20 de junho de 2015 20:16

    Richard,
    não entendi, se a enciclica é boa, como vc escreve, qual o pecado político do papa?
    Pedroso

    RESPOSTA DO BLOGUEIRO:
    Em minha opinião, ao aderir à causa ambientalista, fora da seara religiosa, indiretamente, o Papa Francisco endossa a causa ambientalista. Em si, é uma boa causa, o problema está na demonização do CO2 e dos chamados (injustamente) GEE - gases de efeito estufa, pois aí há interesses comerciais e políticos. O Papa nada falou de GEE, mas a leitura ambientalista já abraçou a ideia, porque é conveniência deles.
    Mas os detalhes e as razões você poderá conhecer ao ler o meu livro, porque é uma tramoia de cachorro grande.

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