terça-feira, 28 de julho de 2015

Dia do produtor de alimentos

Richard Jakubaszko 
28 de julho pode ser o dia do agricultor, mas deveria ser o dia de todos nós, como forma de manifestar a solidariedade e as homenagens de todos os seres urbanos aos agricultores do mundo inteiro, especialmente os brasileiros, com quem convivemos no dia a dia em nossas mesas, seja no café da manhã, almoço ou jantar, e ainda nos lanchinhos extemporâneos.

Isto, porque este ser iluminado, o homem que fala diariamente com Deus, através de observar e tentar entender a natureza, maior exemplo de manifestação da criação divina, não é apenas agricultor e provedor de alimentos para os cidadãos urbanos, um tipo de gente distraída que mora em cidades altamente poluídas, compra alimentos nos supermercados, e roupas em lojas, julga-se independente e autossuficiente, e não tem a mínima ideia de como o mundo caminha; eles imaginam que os alimentos são produzidos logo ali, atrás da gôndola, ou que são colocados dentro das embalagens nas fábricas.

Os agricultores não são apenas agricultores, pois são verdadeiros ambientalistas, cuidam do meio ambiente, do solo e da água, das quais sabem que dependem hoje e no futuro; eles são também engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, porque são especialistas naquilo que plantam, ano após ano. Também são economistas, porque planejar e projetar plantios requer conhecimentos de economia, eis que negociar empréstimos e seguros com os bancos é tarefa para gente entendida no assunto; o agricultor é também meteorologista, e dos bons, caso contrário ele quebra. Ou seja, para ser um agricultor de verdade são requeridas competências de muitas outras profissões e atividades, faltando apenas a expertise comercial dos comerciantes. Porque agricultor, quando compra, pergunta quanto custa, e, quando vende, pergunta quanto estão pagando, comprovando a velha máxima de que todo mundo tem um calcanhar de Aquiles.

Agricultor, quando erra, a terra mostra, esta a diferença com os médicos, pois destes a terra encobre os erros. Agricultor não usa currículo, não cria “diferencial competitivo”, e é um dos raros profissionais do mercado produtivo que divide fraternalmente seus conhecimentos e descobertas com os vizinhos, seus amigos e “concorrentes”, pois é solidário nas alegrias e tristezas do dia a dia.

Ser agricultor é tudo isso e um pouco mais, é ter a humildade da labuta diária, a coragem para enfrentar os humores da natureza, ora amiga, ora inimiga, entender a ganância infinita dos intermediários, reconhecer que as tecnologias modernas podem ajudar ou prejudicar se não forem bem empregadas, se apoderar de uma esperança infinita e permanente de que a próxima safra será melhor, mas não tão boa e tão farta a ponto de fazer os preços desabarem.
 

Ser agricultor hoje foi a evolução do homem pré-histórico de ontem, o caçador que nunca se fixava à terra, pois quando a fauna rareava ele migrava para novas paragens em busca da sua comida.

Quando o homem caçador percebeu que poderia plantar sua comida, e viver sossegado com sua família num cantinho de terra, nasceu o agricultor, que produzia alimentos para si e trocava o excedente por mercadorias que necessitava.

De lá para cá a agricultura evoluiu de forma notável. Um século atrás, cada hectare produzia alimentos para 8 ou 10 pessoas, e hoje cada hectare consegue suprir alimento para 155 pessoas, em função do aumento da produtividade. Essa evolução se deve ao uso de tecnologias e modernidades, pois o agricultor é um empreendedor e sabe que para sobreviver como profissional produtor de alimentos precisa estar sempre evoluindo e atualizado. Mesmo que nas cidades o chamem de Jeca Tatu, como que querendo dizer que o agricultor é um sujeito atrasado e conservador.

Aliás, o agricultor tem a humildade de ficar quieto, e nem se defende, quando o acusam injustamente de ser ganancioso se os preços dos alimentos sobem nos supermercados, decorrência de safra frustrada, porque choveu de menos ou de mais, ou porque as pragas e doenças destruíram as plantações.

Quando os urbanos rotulam os agricultores de serem devedores do Tesouro Nacional, o agricultor fica quieto, e apenas paga suas contas e os juros, ou quebra e entrega suas terras aos bancos. Porque esses dramas não saem nos jornais ou revistas, e nem nas TVs.

Pior ainda é quando os urbanos xingam e acusam o agricultor de ser um criminoso ambiental, aí parece que não vai dar para aguentar tanta mentira e injustiça, mas o agricultor fica quieto, pois quem fala não tem a mínima ideia do que acontece nas lavouras.

O agricultor sabe que o negócio dele é uma indústria a céu aberto, é a atividade que mais exporta neste país, que proporciona os saldos positivos da nossa balança comercial, ano após ano, é a indústria da agricultura que gera mais de 1/3 dos empregos no país, e que isso é fácil de perceber e conferir nas muitas cidades brasileiras com atividade essencialmente agrícola e que possuem os mais elevados IDH – Índice de Desenvolvimento Humano de todo o Brasil, porque onde o agricultor trabalha as riquezas são distribuídas de forma mais justa entre todos os trabalhadores.

Por todas essas qualidades e características dos agricultores deste país, a revista Agro DBO registra neste texto suas homenagens e o reconhecimento a esse incansável trabalhador, e envia o nosso “parabéns, agricultor!”, pelo seu dia, pois todo dia é tempo de a gente se alimentar com o fruto do seu trabalho. Obrigado a você, pelo pão nosso de cada dia. É assim que se fala e se faz!


Publicado originalmente da revista Agro DBO, nº 68, julho/2015 
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