domingo, 27 de fevereiro de 2011

Propaganda enganosa?

Richard Jakubaszko 
Ao primeiro olhar e leitura parece propaganda enganosa. Mas apenas no sentido de atrair a atenção. A mensagem, quando lida por inteiro, revela de forma inequívoca que não há propaganda mentirosa, pelo menos neste caso...
Para ler melhor as letras menores clique em cima da foto.
Alguém discorda? 
                                                                                             
O lendário e inesquecível "O Pasquim", em 1971, também cometeu das suas:
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pois o futuro está chegando...

Richard Jakubaszko
Em constante mutação, em permanente evolução, assim é o universo, e o "futuro" chega para nós a todo momento, por vezes parece chegar devagarinho, por vezes chega muito rápido. Algumas coisas demoram a chegar, mas chegam. Assista o vídeo a seguir, produzido pela Corning, empresa americana, que mostra como o futuro tecnológico está chegando, exatamente agora, para os países desenvolvidos, e de como vai chegar para nós uns dois ou três a seguir...


Um espanto o que vem por aí, seja no futuro breve, e ainda mais no porvir de uma década. Adivinhar o que vai acontecer dentro de 50, ou 80 e até 100 anos, é hoje uma missão absolutamente impossível...
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A tautologia no cotidiano

Richard Jakubaszko 
O que é tautologia?
É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. É um dos erros mais comuns, cometidos pela pessoas no uso do vernáculo, seja na comunicação escrita ou oral. Consiste na repetição de uma ideia com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. Tautologia tem o mesmo significado que pleonasmo, ou redundância.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como se pode ver na lista a seguir:


- elo de ligação (todo elo é de ligação, pois não?)
- acabamento
final (se é de acabamento, é o final...)
- certeza
absoluta (a certeza é sempre absoluta!)
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive. (inclusive o que?)
- juntamente
com (impossível é juntamente sem...)
- expressamente
proibido (então é proibido, mesmo?)
- em duas metades
iguais (é divertido ver metades diferentes)
- sintomas
indicativos (se é sintoma, é porque indica algo)
- há anos atrás (é impossível "há anos à frente")
- vereador da cidade (uns ganham salários, outros não...)
-
outra alternativa (das melhores, só perde para subir pra cima)
- detalhes
minuciosos (imagine detalhes gerais)
- a razão é porque (é porque não tem razão....)
- anexo
junto à carta (e se o anexo perdeu o trem?)
- de sua
livre escolha (imagine se fosse obrigatória)
- superávit
positivo (caso contrário seria prejuízo)
- todos
foram unânimes (a unanimidade continua burra)
- conviver
junto (porque se vive junto, mas separado...)
- fato real (a ficção desmente a realidade...)
- encarar
de frente (tem olho na nuca, ou tá de soslaio!)
- multidão de pessoas (muitos idiotas...)
- amanhecer
o dia (prefiro a noite, que é uma criança...)
- criação
nova (ou é cópia nova do antigo?)
- retornar
de novo (hors concours, campeoníssimo!!!)
- empréstimo temporário (que Deus te pague...)
- surpresa inesperada (foi fofoca, contaram antes...)
- escolha
opcional (não sabe definir o que quer...)
- planejar antecipadamente (não planejou, aí dançou...)

- abertura
inaugural (sem discursos, pelo menos isso)
-
continua a permanecer (é insistente, mesmo!!!)
- a
última versão definitiva (se fosse opção definitiva)
-
possivelmente poderá ocorrer (essa é mineirice...)
- comparecer
em pessoa (pois irá em espírito...)
- gritar
bem alto (prefiro os sussurros...)
- propriedade
característica (essa é tautológica arraigada...)
-
demasiadamente excessivo (outra mineira...)
- a seu critério
pessoal (quem sabe critério animal?)
- exceder
em muito (tautologicamente pleonástica...)
- eu pessoalmente (idem acima, mas embute egolatria)

- urgência urgentíssima (campeã da tautologia, é oficial) 

Portanto, fique atento às expressões você que utiliza no seu dia-a-dia. Não deixe acontecer com você o que se passou com um deputado federal, aliás, recentemente eleito, ao circular pelos corredores da Câmara dos Deputados. Ele estava com um olho inchado, por causa de uma infecção. Ao encontrar um colega, este perguntou-lhe: - o que é isso no seu olho, nobre deputado? Respondeu que era uma conjuntivite. Mais adiante outro deputado perguntou o que era aquilo, e ele respondeu que era uma conjuntivite no olho, mas o deputado, que era um linguista, corrigiu-lhe, afirmando que poderia ser conjuntivite, mas que, antes de tudo, aquilo era um pleonasmo. O novato deputado ainda não entendeu nada sobre seus novos companheiros...
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bach em copos de cristais, com muito talento.

Richard Jakubaszko 
Bach executado em copos de cristais com água, com muito talento e criatividade. O vídeo da toccata e fuga in D menor de Bach foi enviado por . Vale a pena ouvir e assistir:

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Humor no consultório

Richard Jakubaszko

- Doutor, quando eu era solteira tive que abortar seis vezes. Agora que casei, não consigo engravidar.

- Seu caso é muito comum: você não reproduz em cativeiro.
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- Doutor, tenho tendências suicidas. O que faço?
- Em primeiro lugar, pague a consulta.
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- Doutor, sou a esposa do Zé, o que sofreu um acidente; como ele está?
- Bem, da cintura para baixo ele não teve nem um arranhão.
- Puxa, que alegria. E da cintura para cima?
- Não sei, ainda não trouxeram essa parte.
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Após a cirurgia:
- Doutor, entendo que vocês médicos se vistam de branco. Mas por que essa luz tão forte?
- Meu filho, eu sou São Pedro.
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No psiquiatra:
- Doutor, tenho complexo de feia.
- Que complexo que nada.
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- Doutor, o que eu tenho?
- Ainda não sei, mas vamos descobrir na autópsia.
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- Meu médico é um incompetente. Tratou do fígado de minha esposa por vinte anos e ela morreu do coração.

- O meu é muito melhor. Se trata você do fígado, você morre do fígado.
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Um psicanalista no consultório de outro:

- Doutor, venho ao colega para me aconselhar em um caso impossível.
- De que se trata, colega?
- Estou atendendo um argentino com complexo de inferioridade!
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O psiquiatra incentiva o paciente:
- Pode me contar desde o princípio...
- Pois bem, doutor! No princípio eu criei o céu e a terra....
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O psiquiatra para o paciente:
- Meu amigo, eu tenho uma boa e uma má notícia para você. A má é que você tem fortes tendências homossexuais.
- Meu Deus, doutor! E qual e a boa notícia?
- A boa notícia é que acho você um gato
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- Sabe como diferenciar o psiquiatra do seu paciente?

- O psiquiatra é aquele que tem a chave do consultório.
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O paciente chega ao psiquiatra, tímido e cabisbaixo:
- Doutor, eu tenho dupla personalidade.
- Esquenta não, meu filho. Senta aí e vamos conversar nós quatro...
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Paciente chega ao médico e se queixa:
- Doutor, estou com dor aqui do lado direito da barriga e meus olhos ficaram amarelados!
O médico responde:
- Muito bem, e o sr.. bebe?
- Obrigado, eu aceito uma dosezinha!
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Quando chega um paciente babando e fazendo sons esquisitos no consultório do neurologista, ele exclama:

- Ai, meu Deus! O que eu faço?
Já quando chega um paciente babando e fazendo sons esquisitos no consultório do neurocirurgião, ele exclama:
- Ai, meu Deus! O que foi que eu fiz?
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No consultório psiquiátrico:
Paciente:
- Doutor, vou lhe contar um segredo: eu sou um galo!
O psiquiatra resolve aprofundar a anamnese:
- E desde quando o senhor acha que é um galo?
Paciente:
- Ah, desde que eu era um pintinho.
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Sabem qual a diferença entre um clínico, um cirurgião-geral, um psiquiatra e um patologista?

O clínico: Sabe tudo e não resolve nada.
O cirurgião: Não sabe nada, mas resolve tudo.
O psiquiatra: Não sabe nada e não resolve nada.
O patologista: Sabe tudo, resolve tudo, mas sempre chega atrasado
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O cara sofria de amnésia e procurou o médico:
- Doutor, estou com uma terrível amnésia.
- Desde quando?
- Desde quando, o quê, doutor?
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Psiquiatra para o paciente bebum:

- O senhor vai parar de beber cerveja, durante um ano só vai beber leite.
- Outra vez, doutor?
- O que, o senhor já fez esse tratamento?
- Já, durante os primeiros 12 meses da minha vida...

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não planejaram e erraram...

Richard Jakubaszko 
Sabe por que deve-se planejar o que se vai fazer, quando praticamos um esporte ou trabalhamos em grupo? Para que não aconteçam coisas como essa, assistam e me digam se não é verdade:


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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pigeon: Impossible (Pombo: Impossível)

Richard Jakubaszko 
Um desenho animado que está fazendo o maior sucesso. Contabiliza mais de 6 milhões de visitas no Youtube. É de um animador de cinema, Lucas Martell, me parece que de origem canadense, e que tem uma área de vídeos no Youtube. Em outros desenhos ele explica as suas técnicas de edição, vale a pena assistir, além de muito bem feito, e altamente criativo, é bastante engraçado.

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Definições das coisas da vida

Richard Jakubaszko
Por vezes, a distância entre a filosofia e a pieguice pode ser mínima. Seja uma coisa, ou outra, sempre deixa um ensinamento, desde que consigamos separar o joio do trigo.

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta.

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo.

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Doutrinação: É quando a gente conversa com o Espírito colocando o coração em cada palavra.

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente estando apressado não reclama.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração.

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.

: É quando tudo parece perdido, mas a alma ainda tem esperança.

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossa mão e recomenda cuidá-la

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.

Inveja: É quando o egoísmo e a competição fecham as janelas do amor solidário e da admiração.

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.

Mediunidade com Jesus: É quando a gente serve de instrumento em uma comunicação mediúnica e a música tocada parece um noturno de Chopin.

Morte: Quer dizer viagem, transferência ou qualquer coisa com cheiro de eternidade.

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.

Obsessor: É quando o espírito adoece, manda embora a compaixão e convida a vingança para morar com ele.

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente os seus deveres.

Perdão: É uma alegria que a gente se dá e que pensava que jamais a teria.

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece.

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.

Reencarnação: É quando a gente volta para o corpo, esquecido do que fez, para se lembrar do que ainda não fez.

Saudade: É, estando longe, sentir vontade de voar, e, estando perto, querer parar o tempo.

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio.

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.

Solidão: É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.

Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra, geralmente pior.

Do Livro: "O homem que veio da sombra", de Luiz Gonzaga Pinheiro
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Caí no mundo e não sei como voltar

Eduardo Galeano
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando
coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos,
pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.

E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos
se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os
defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.

Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum
momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que
acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para
usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta
dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
 

E mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

E acontece que em nosso nem tão longo matrimônio, tivemos mais
cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca,
se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.

Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém
viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? O afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e
mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno,
pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava...

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é
fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário,
és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!

Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de
meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma
mulher, e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca
nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a
poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era
para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos! Tuudo! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!
Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar
acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette – até partidas ao meio – se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.

E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao
telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos do que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de
borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de
carne! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o
ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de
nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem ‘matá-los’ tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em
base, e nos disseram: ‘Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora’, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se
descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!

Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis;
também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória
coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.

Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco
e ao caduco fizeram eterno.

Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a
falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do
contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à ‘bruxa’, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a ‘bruxa’ me ganhe a mão e seja eu o entregue...

* Jornalista e escritor uruguaio


Comentário de Richard Jakubaszko:
Eduardo Galeano é um jornalista e escritor uruguaio, por vezes genial como na presente crônica, um texto inigualável e saboroso. Evidentemente eu já havia pensado no tema sobre o qual ele discorre no texto acima, apenas não tive a paciência de escrever algo a respeito, por entender que é absolutamente contrário ao que as pessoas pensam e fazem hoje em dia. Muitos dos que têm hoje mais de 40 anos já perceberam que essas coisas mudaram, e como, nos tempos modernos. Quantos de nós já não reclamamos? Apenas não escrevemos com a graça e simplicidade de Galeano.
O que se aplica adequadamente na questão é o absurdo do consumismo moderno (e sobre isso Galeano também já escreveu) e a imperiosa necessidade de reaproveitarmos e reciclarmos para conquistar a sustentabilidade.

NOTA ADICIONAL DO BLOGUEIRO: conforme comentário abaixo, consta que a autoria do texto acima não é de Eduardo Galeano, e sim de Marciano Durán, outro autor uruguaio ( http://www.marcianoduran.com.uy/?p=176 ).
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fotos premiadas

Richard Jakubaszko 
Mais uma safra de fotos especiais, premiadas.
  
Melhor foto “ao ar livre”






Melhor foto natural de “ambiente fechado”









Melhor foto "humano"
Melhor foto “conexão"
Melhor foto “Mundo animal”
Melhor foto de “pintura urbana”
Melhores fotos públicos masculino
e feminino

Melhor foto do público (infantil)
Melhor foto sobre “urbanização” 
Melhor imagem  (golfinhos)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Emília: "A vida é um pisca-pisca".

Richard Jakubaszko
Recebi do amigo e zootecnista Renato Vilella, redator da DBO, o texto abaixo, retirado de um trecho de livro de Monteiro Lobato. Fora do contexto da conversa empreendida na história, a mensagem de Emília tem vida própria.

- "A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
(...) A vida das gentes nesse mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"
(Monteiro Lobato, 1936, trecho de “Memórias da Emília”)
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nada a comemorar: 7 bilhões de pessoas.

Richard Jakubaszko
A humanidade nada tem a comemorar: já somos 7 bilhões de pessoas no planeta, consumindo e degradando o meio ambiente, urbano e natural.
O vídeo abaixo, da National Geographic, é explícito, cristalino.
Para os leitores contumazes deste blog, nenhuma novidade. Desde 2007 venho escrevendo sistematicamente sobre o tema e das consequências que essa superpopulação toda trouxe ao planeta. E do que vai piorar quando chegarmos aos 9 bilhões. 

A National Geographic nos sugere e pede para pensarmos a respeito. 
E você, caro leitor do blog? O que acha que podemos fazer? Conter consumo? Reciclar? Economizar, acabar com o consumo perdulário? Ou podemos incentivar a redução do crescimento demográfico?
Isso nos inclui? Ou são apenas os outros, os nossos vizinhos, que devem fazer a sua parte? Que tal a ideia de se instituir uma ONG para incentivar os governos a implantarem programas de controle de natalidade, como já anda fazendo a China? Você sabia que a India, onde não há controle demográfico, irá ultrapassar a China em população, dentro de 7 a 8 anos?
A existência do vídeo me foi informada pelo amigo e visitante deste blog, o engenheiro agrônomo Odo Primavesi.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OVNIs em Jerusalém?

Richard Jakubaszko
OVNIs em Jerusalém?  Não seria de admirar, a região é o "umbigo mundo", por lá nasceram três da mais importantes religiões do planeta: judeus, católicos e muçulmanos consideram Jerusalém como um de seus mais sagrados locais, em termos históricos. Na madrugada do dia 28/01/2011, alguns turistas, intrigados por luzes estranhas no céu de Jerusalém filmaram estas imagens abaixo. Os vídeos podem ser falsificações, muito boas, aliás, feitas por malandros? Claro que sim. Mas algo interferiu e dois turistas registraram simultaneamente o fato, filmando o acontecido em pontos distantes como se pode ver nos dois vídeos abaixo, postados no Youtube.
Publicado no blog de Walter Jr, o Universae, http://universae.blogspot.com/2011/02/jerusalem-alguem-explica-esses-videos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+universaefeed+%28Universae%29 são curiosas e intrigantes as cenas registradas pelos turistas, vale a pena assistir:

Segundo vídeo, filmado à uma distância maior:

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quando a “Mãe-Natureza” está de TPM


A “Mãe-Natureza” está de TPM e a NASA tem um serviço de informações sobre calamidades naturais no seu Obervatório da Terra: http://earthobservatory.nasa.gov/NaturalHazards/ 
Na linguagem deles, “natural hazards”, ou riscos naturais em tradução livre.  Hazards é a denominação geral de qualquer situação que resulte em algum nível de risco para a vida humana, a saúde, a propriedade e o meio ambiente.  Esse tipo de risco pode ser efetivo ou potencial (como no caso de terremotos).  E podem criar uma situação de emergência, isto é, requerer uma resposta emergencial.

Neste exato momento em que este texto está sendo escrito, os australianos estão se preparando para a chegada do ciclone Yasi, que já está formado e pode atingir a costa nordeste do país com a mesma força destruidora do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005.  Cidades turísticas e até comunidades rurais já foram evacuadas. País sério é outra coisa.

O Observatório da Terra contém imagens de baixa ou altíssima resolução (em formato Tiff com até 16 MB e possibilidade de aproximação para observação de detalhes) sobre incêndios, tempestades, poeira e fumaça, enchentes, vulcões, secas com impactos sobre a produção agrícola e outras.  Vale visitar a página e passear pelas imagens.  O sistema pode ser útil para um sistema de informações desse tipo de eventos em escala nacional, que há tempos vem sendo anunciado e cuja implantação foi novamente jogada para “um dia” no futuro, como a educação básica.

Das imagens contidas na última Newsletter, algumas são mais impressionantes.  Inicialmente, uma das últimas enchentes na Austrália, ocorridas ao final de dezembro de 2010 e em janeiro de 2011, que pode ser vista abaixo.
Não consta que essa área tenha sido considerada – antes ou depois – como “área de risco ambiental” ou que alguém tenha proposto a criação de um “parque fluvial linear” em lugar nenhum.  As chuvas foram muito intensas, anormais.  A cidade de Brisbane, com cerca de 2 milhões de habitantes, ficou sob as águas, mas o número de mortos não excedeu a duas dezenas. Pelo menos 40.000 propriedades foram afetadas, além de toda a infraestrutura rodoviária, ferroviária e muito mais, numa área correspondente aos territórios da França e da Alemanha somados.

Outra imagem impressionante, encontrada na página citada, mostra as enchentes em áreas agrícolas no Paquistão. As imagens, da metade do mês de dezembro de 2010 – o pico das inundações ocorreu em setembro –, indicam bolsões de água que ainda não haviam sido esvaziados, com indícios de se tornarem um problema mais ou menos persistente.  Uma calamidade para a segurança alimentar do país já que as enchentes atingiram a infraestrutura de irrigação de uma região altamente produtiva.
Não consta que alguém tenha sequer sugerido que esses imensos danos se deveram ao descumprimento de leis da bondosa mãe-natureza.

Na última newsletter do Observatório da Terra, incêndios espontâneos em áreas de pastagens em Oklahoma, nos EUA, ao final do mes de janeiro de 2011.  A página da NASA permite o download da imagem em alta resolução num tamanho de arquivo que não cabe neste blog, mas possibilita aproximações (zooms) muito interessantes.
O Greenpeace dos EUA e o WWF-US não propuseram a adoção de reservas legais ou de outros dispositivos do Código Florestal brasileiro para evitar que tais incêndios espontâneos voltem a ocorrer.  O Itamaraty não tomou a iniciativa de convidar representantes dos EUA para conhecer os detalhes da mais avançada “legislação ambiental” do mundo.  Ainda está em tempo de pensar em oferecer assistência técnica jurídica-institucional brasileira ao nosso irmão do Norte, em particular quando estamos próximos da primeira visita de Obama ao Brasil, acompanhado de um séquito de “homens de negócios”, acadêmicos e outros.

Há na newsletter citada imagens do lago Baikal congelado.  O Baikal, na Rússia, é o mais antigo e o mais volumoso lago de água doce do mundo – 20% da água doce superficial do planeta -, com quase 32.000 quilômetros quadrados e profundidades de 740 metros.  Como o lago encontra-se a uma altitude de 1.640 metros, com mais 160 metros ele seria totalmente considerado área de preservação permanente pelos parâmetros da mais avançada legislação ambiental da galáxia.

Há, também, imagens de tempestades de areia no Egito, de erupções vulcânicas, e de ciclones tropicais, que são sempre impressionantes.  Nos dias 27 e 28 de janeiro de 2011, o ciclone tropical Bianca deu “umas lambidinhas” na costa da Austrália.
Há dias, a bondosa mãe-natureza apenas deu amostras de sua potencial bondade com os australianos.  Neste momento, ninguém ainda sabe se ela será benevolente com os seus amados filhos nas próximas horas ou dias.  Na dúvida, a evacuação de população já foi feita e as pessoas aguardam em abrigos com estoques de alimentos básicos, como se pode ver no UOL Fotos: http://noticias.uol.com.br/album/110201australia_album.jhtm?abrefoto=5#fotoNav=5  

Comentários de Richard Jakubaszko:
1 – As ONGs internacionais, todas elas, a começar por Greenpeace e WWF, deveriam apresentar soluções imediatas aos países acima citados, como Austrália, EUA, Rússia, Paquistão, Turquia, Egito, pois já possuem experiência midiática e jurídica desenvolvida aqui no Brasil. Deveriam propor a esses países a implantação de um Código Florestal, como o brasileiro. Por que não o fazem lá, como questiona o autor Luiz Prado? Afinal, precisamos exportar serviços e tecnologias, pois isso gera mais divisas do que exportar commodities como grãos de soja ou café.
2 – Não apenas propor essas soluções, mas deveriam interferir, sempre é tempo, na questão do vazamento de petróleo da British Petroleum no golfo do México. Foi o maior vazamento da história do petróleo. Nada fizeram e tampouco criticaram a BP. Por que só no Brasil eles fazem o que fazem?
3 – Afinal, quem financia, realmente, essas ONGs? Ou será que fazem tudo por amor à natureza e ao Brasil?

No vídeo abaixo o leitor pode divertir-se, ou apavorar-se, com a força da natureza. Aconteceu também na Austrália, em Toowoomba, agora em janeiro:
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Inesquecíveis canções III - Don't Cry for me Argentina

Richard Jakubaszko
Desde o musical Evita (na Broadway), e depois no filme interpretado por Madonna, a música Don't Cry for me Argentina explodiu mundo afora. Aqui no blog, já que andamos em tempos de visitas à Argentina, mostro três interpretações inesquecíveis e magistrais, mas no Youtube o leitor vai encontrar uma dezena de outras:
Madonna (do filme Evita, em que Banderas aparece no "meio do povo").

Sinead O'Connor

Sarah Brightman
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