quarta-feira, 31 de julho de 2013

IDH (da ONU) mostra a evolução do Brasil

Richard Jakubaszko 
Evolução do IDHM mostra "progresso impressionante" do Brasil, diz representante da ONU.
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil


O IDH com diferença de 20 anos mostra que o Brasil mudou, é inegável.
Conforme a ONU "foi um progresso impressionante".
Os dados apresentados em 29 de julho pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) mostram “melhora significativa” nos indicadores brasileiros, segundo o coordenador do sistema Nações Unidas (ONU) no Brasil e representante do Pnud no país, Jorge Chediek.

Na comparação entre os dados de 1991 e 2010, o IDHM no Brasil subiu de 0,493 para 0,727, avanço de 47,5% em duas décadas. O índice considera indicadores de longevidade, renda e educação e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor o desenvolvimento do município.


Os 3 mapas do Brasil (acima) mostram quem foi o responsável
pelas mudanças, de forma clara. Só não vê quem não quer. 
Não era nem preciso desenhar. Mas a grande mídia não mostra e nem
esclarece nada sobre o mapa intermediário.

Na avaliação do representante na ONU, nos últimos 20 anos, o país registrou “progresso impressionante” na redução das desigualdades e melhoria do desenvolvimento humano. “Olhamos o Brasil como exemplo de país que tinha passivos históricos de desigualdade econômica, regional e racial. O relatório mostra que, com uma ação clara e forte compromisso da política pública, é possível atacar desigualdades históricas em pouco tempo”, avaliou.

O IDHM faz parte do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, ferramenta online de consulta do índice municipal e de mais 180 indicadores, construídos com base nos Censos de 1991, 2000 e 2010. O atlas foi produzido pelo Pnud em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

Depois de mapear indicadores do 5.565 municípios, a próxima etapa do levantamento, segundo Chediek, será agrupar com maior nível de detalhamento dados das 14 maiores regiões metropolitanas do país. Além disso, o Pnud deverá lançar um relatório com análise qualitativa das informações – e não apenas quantitativa – com sugestões para elaboração de políticas públicas.

“Os atlas podem e devem ser usados com instrumentos para o planejamento. O documento dá dicas do que precisa ser feito. Gostaríamos que virasse um instrumento para construção de um país melhor, baseado em informações fortes”, sugeriu o representante da ONU.

O ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, disse que o IDHM é um indicador de muita relevância para a população, por fornecer informações sobre o local onde elas vivem e por agrupar todas etapas do ciclo da vida na composição do índice. “O IDHM é só um começo. O trabalho tem pelo menos mais 770 outros indicadores que vão permitir captar e entender outras dimensões”, disse, em referência a outros dados disponíveis no atlas.

Edição: Beto Coura
Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-07-29/evolucao-do-idhm-mostra-progresso-impressionante-do-brasil-diz-representante-da-onu
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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Motoristas russos: que perigo!

Richard Jakubaszko
No vídeo abaixo cacetadas mil nas avenidas e estradas russas. A razão de tantos flagrantes parece ser a exigência das seguradoras para os carros segurados terem uma câmara de vídeo frontal acoplada ao painel do carro, por causa da mania russa de ingerir vodka, digamos assim, um pouco acima do normal...
Outras causas evidentes estão nos pisos cheios de gelo (e escorregadios) e na pouca prática dos russos em dirigir seus possantes, pois essa moda burguesa é nova por lá. Antes, a mobilidade socialista era tudo via trem ou ônibus.

Divirtam-se com as trapalhadas russas, tem cada uma mais incrível que a outra, parece até desenho animado, depois do acidente a gente jura que o cara virou um guisadinho, mas ele sai andando...

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sábado, 27 de julho de 2013

Só um bom bocejo paga o cafezinho

Richard Jakubaszko
Imagine um mundo onde tudo o que você teria que fazer para ganhar uma xícara de café delicioso, livre de pagamento, do café Douwe Egberts, seria bocejar. É isso mesmo. Só um bom bocejo e sua dose de cafeína excepcional aparece bem na sua frente. A máquina não aceita dinheiro, só bocejos... Esse mundo mágico da propaganda, volta e meia, nos surpreende.
Boa ideia, né não?
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Torno marroquino, genial!

Richard Jakubaszko
Certas coisas antigas são absolutamente geniais. O torno marroquino é uma dessas maravilhas. Seu uso no cotidiano caiu em desgraça pelas facilidades da eletricidade, ou no esquecimento, provavelmente pelos perigos que envolve de decepar pés ou mãos de operadores distraídos ou com pouca prática. Mas funciona que é uma beleza.
O vídeo abaixo, enviado por e-mail por Helena Uemaras, a quem não conheço, mas estou, por alguma razão, em seu (dela) mailing, mostra em detalhes o torno marroquino e sua operacionalidade. Como registrei, é simples e genial.

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Por que precisa democratizar a mídia?

Richard Jakubaszko 
É por notícias tendenciosas e mentirosas, como essa que está abaixo. Foi reproduzida do Estadão, e depois no Yahoo, nesta data. Vale a intenção dos editores em chamar a atenção para o “lado ruim” da notícia, distorcendo e desmentido o fato, mesmo que não existam fatos ruins, o que é parte do cotidiano da mídia oposicionista, especialmente nas editorias de política e economia. Dá vergonha, nessas horas, de ser chamado de jornalista.

Na notícia abaixo, como não havia lado ruim, pelo contrário, é uma boa notícia, pegaram os números e "espremeram", compararam coisa com coisa, até “achar” o que consideraram negativo.
Mas a leitura da "notícia" desmente o título. Com quase toda certeza o jornalista que fez a matéria deu outro título, mas o editor distorceu e mandou trocar, o mancheteiro de "bom senso" obedeceu o chefe e descobriu algo ruim para colocar na chamada.

Por essas e outras é que o governo tem de votar no Congresso uma lei de democratização da mídia, a chamada "Lei de médyos", a lei de responsabilidade da mídia.



(grifos em vermelho são do blogueiro)


Demissões em junho são recorde para o mês, indica Caged.

Estadão Conteúdo

O número de demissões em junho foi o maior para o mês, informou o Ministério do Trabalho e Emprego na tarde desta terça-feira, 23. Os desligamentos no mês passado resultaram em 1.648.358. As contratações, por outro lado, somaram 1.772.194, o segundo maior resultado para meses de junho, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O saldo líquido de empregos formais gerados em junho, de 123.836 vagas, foi 24,13% menor do que um ano atrás, considerando a série com ajuste. Pela série ajustada, que considera os registros fora do prazo, em junho do ano passado foram abertas 163.227 vagas de trabalho com carteira assinada.

Segundo o ministério, o saldo líquido de empregos no mês dá continuidade à trajetória de crescimento. O resultado está acima dos dados de maio, quando foram geradas 72.028 vagas. De acordo com o governo, tradicionalmente os dados do Caged mostram um comportamento em maio mais favorável que em junho, com exceção de 2008. "Isso que parece confirmar a hipótese da postergação de uma parte das contratações daquele mês (maio)", afirmou o documento.

A agricultura, pelo segundo mês consecutivo, liderou as aberturas de vagas formais, com 59.019 postos. O setor de serviços teve um saldo líquido de empregos formais de 44.022, mostrando reação em relação ao mês anterior. No comércio, foram abertos 8.330 novos postos de trabalho e, na indústria de transformação, 7.922.
COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
E assim vamos levando, de notícia ruim em notícia ruim, o Brasil mostra através da mídia sua "crise de pleno emprego". Os jornais estão cheios dessas notícias distorcidas e mentirosas. É para fazer oposição, à sorrelfa, sorrateira e vergonhosamente.
O Estadão de hoje, tem outra notícia sobre o desemprego no Brasil, que aumentou de 5,9% para 6,0%. Que horror! Estamos perdendo para a Espanha, que já está com mais de 20% de desemprego na população, e com mais de 45% de desemprego entre os jovens: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,desemprego-tem-leve-alta-e-chega-a-6-em-junho-maior-taxa-desde-abril-de-2012,159967,0.htm
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

O médico e a ética

Mauro Santayana *
Em 1956, conheci, na cidade do Serro, em Minas, o médico Antonio Tolentino, que era o profissional mais idoso ainda em atividade no Brasil. Ele chamava a atenção por dois motivos: coubera-lhe assistir ao parto de Juscelino, em 1902, e não alterara o valor da consulta, que equivalia, então, a cinco cruzeiros. Entrevistei-o, então, para a Revista Alterosa, editada em Minas e já desaparecida.

Em razão da matéria, o deputado federal Vasconcelos Costa obteve, da Câmara, uma pensão vitalícia da União para o médico, que morreu logo depois. Ele tinha, na época, 94 anos – e setenta de atividade. Seus descendentes criaram um museu, em sua casa e consultório. Uma das peças é o anúncio que fez, logo no início da carreira: “aos pobres, não cobramos a consulta”.

Confesso o meu constrangimento. Estou em idade em que dependo, e a cada dia mais, de médicos, e de bons médicos, é claro. Tenho, entre eles, bons e velhos amigos. O que me consola é que os meus amigos estão mais próximos da filosofia de vida do médico Antonio Tolentino, do que dos que saíram em passeata, em nome de seus direitos, digamos, humanos.

Mais do que outros profissionais, os médicos lidam com o único e absoluto bem dos seres, que é a vida. Os enfermos a eles levam as suas dores e a sua esperança. É da razão comum que eles estejam onde se encontram os pacientes – e não que eles tenham que viver onde os médicos prefiram estar.

De todos os que trataram do assunto, a opinião que me pareceu mais justa foi a de Adib Jatene. Um dos profissionais mais respeitados do Brasil, Jatene acresce à sua autoridade o fato de ter sido, por duas vezes, Ministro da Saúde. Ele está preocupado, acima de tudo, com a qualidade do ensino médico no Brasil. Se houvesse para os médicos exames de avaliação, como o dos bacharéis em direito, exigido pela OAB para o exercício profissional, o resultado seria catastrófico.

Jatene recomenda a formação de bons clínicos e, só a partir disso, a especialização médica. Os médicos de hoje estão dependentes, e a cada dia mais, dos instrumentos tecnológicos sofisticados de diagnóstico, e cada vez menos de seu próprio saber. O vínculo humano entre médico e paciente – salvo onde a medicina é estatizada – é a cada dia menor. Assim, Jatene defende o sistema do médico de família. Esse sistema permite o acompanhamento dos mesmos pacientes ao longo do tempo, e a prática de medidas preventivas, o que traz mais benefícios para todos.

Entre outras distorções da visão humanística do Ocidente, provocadas pela avassaladora influência do capitalismo norte-americano, está a de certo exercício da medicina e da terapêutica. A indústria farmacêutica passou a ditar a ciência médica, a escolher as patologias em que concentrar as pesquisas e a produção de medicamentos. A orientação do capitalismo, baseada no maior lucro, é a de que se deve investir em produtos de grande procura, ou, seja, para o tratamento de doenças que atinjam o maior número de compradores. Dentro desse espírito, a medicina, em grande parte, passou a ser especulação estatística e probabilística.

Os médicos protestam contra a contratação de profissionais estrangeiros, pelo prazo de três anos, para servir em cidades do interior, onde há carência absoluta de profissionais. Não seriam necessários, se os médicos brasileiros fossem bem distribuídos no território nacional, mesmo considerando a má preparação dos formados em escolas privadas de péssima qualidade, que funcionam em todo o país.

Ora, o governo oferece condições excepcionais para os que queiram trabalhar no interior. O salário é elevado, de dez mil reais, mais moradia para a família, e alimentação. É muitíssimo mais elevado do que o salário oferecido aos engenheiros e outros profissionais no início de carreira. Ainda assim, não os atraem. E quando o governo acrescenta ao currículo dois anos de prática no SUS, no interior e na periferia das grandes cidades, vem a grita geral.

Formar-se em uma universidade é, ainda hoje, um privilégio de poucos. Os ricos são privilegiados pelo nascimento; os pais podem oferecer-lhe os melhores colégios e os cursos privados de excelência, mas quase sempre vão para as melhores universidades públicas, bem preparados que se encontram para vencer a seleção dos vestibulares. Os pobres, com a ilusão do crescimento pessoal, sacrificam os pais e pagam caro a fim de obter um diploma universitário que pouco lhes serve na dura competição do mercado de trabalho.

Um médico sugeriu que a profissão se tornasse uma “carreira de estado”, como o Ministério Público e o Poder Judiciário. Não é má a ideia, mas só exequível com a total estatização da medicina. Estariam todos os seus colegas de acordo? Nesse caso não poderiam recusar-se a servir onde fossem necessários.

Temos, no Brasil, o serviço civil alternativo que substitui o serviço militar obrigatório, e é prestado pelos que se negam a portar armas. Embora a objeção possa ser respeitada em tempos de paz, ela não deve ser aceita na eventualidade da guerra: a defesa da nação deve prevalecer. Mas seria justo que não só os pacifistas fossem obrigados, pela lei, depois de formados pelos esforços da sociedade como um todo, a dar um ou dois anos de seu trabalho à comunidade nacional, ali e onde sejam necessários. Nós tivemos uma boa experiência, com o Projeto Rondon, que deveria ser mais extenso e permanente como instituição no Brasil.

As manifestações recentes mostram que todos, em seus conjuntos de interesses, querem mais do Estado em seu favor. Não seria o caso de oferecerem alguma coisa de si mesmos à sociedade nacional? Dois anos dos jovens médicos trabalhando no SUS – remunerados modestamente e com os gastos pagos pelo Erário – seriam um bom começo para esse costume. E a oportunidade de aprenderem, com os desafios de cada hora, a arte e o humanismo que as más escolas de medicina lhes negaram.
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domingo, 21 de julho de 2013

Veja clonou o blog do Paulo Moreira Leite

Richard Jakubaszko
Sabemos que a briga por audiência na mídia é uma guerra implacável. Na Internet também é assim. Nenhuma novidade nisso.

Mas agora a Veja ultrapassou todas as barreiras éticas.
Explico melhor isso: em casa tenho 2 micros. Os 2 possuem, basicamente, os mesmos links para navegação na internet, gravados nas respectivas pastas dos "Favoritos".

Hoje de manhã, durante uma navegação normal, sem qualquer tipo de problema ou sobressalto, depois de visitar os blogs e sites de sempre, chegara a hora de ir ao blog do Paulo Moreira Leite, no site da Isto É. Ao clicar no link aparece a página do blog do Paulo e depois entra a página da revista Veja, website que nem está na minha lista de links favoritos. O redirecionamento é automático.

Saí da página, antes que fosse contaminado. Fiz limpeza do cachê e do histórico e repeti a operação. Cliquei no link do Paulo, e o micro retornou ao site da Óia. Fechei todos os programas, passei o CCleaner. Desliguei o micro, religuei, cliquei de novo no link do Paulo, e fui parar na Veja, de novo... Ou seja, já estou contaminado... Pacientemente "limpei" tudo de novo.

Digitei no browser o endereço do site da Isto É: www.istoe.com.br O micro foi direto pra lá, sem escalas. Aqui em casa, em pleno bairro do Bixiga, na pulsante São Paulo, a internet é "a jato", por fibra ótica. Entrou normal o site da Isto É. Na lateral direita da página do site estão os links dos colunistas da revista. Ao clicar no link do Paulo, que tem a foto dele, entra a página do blog, e segundos depois ocorre o redirecionamento, de novo indo parar no site da Veja... Repeti a operação, clicando em outros blogs da Isto É, as páginas entram normalmente, não há nenhum redirecionamento, que só acontece na página do Paulo.

Em resumo: a Veja está com saudades e clonou o blog do Paulo Moreira Leite. Ou então está censurando o Paulo.

Tem sacanagem nisso aí. Não é coincidência, os redirecionamentos repetiram-se no 2º micro. Alguém que me lê, quer repetir essa experiência?

E se alguém sabe como eliminar essa coisa, por gentileza, me informe. Não gosto de ser redirecionado, e nem de ser obrigado a visitar locais que não desejo ir. Isso é um desrespeito, é antiético, é baixaria!
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sábado, 20 de julho de 2013

Quem foi o 1º Estilista de Moda do mundo?

Richard Jakubaszko
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A resposta a esta pergunta dá margem à uma infinidade de documentários e textos com referências a muitos personagens de renome no mundo fashion, via de regra com a fama e riqueza.

Os primeiros pedaços de couros costurados com agulhas de marfim datam cerca de 40.000 a.C. E o primeiro tear inventado há cerca de 9.000 a.C. No entanto, a expansão de moda instaurou-se no fim da idade média (século XIV) em virtude de processos históricos.


O termo estilista de moda engloba o conhecimento de moda vivenciada no decorrer dos séculos, bem como o talento natural, bom gosto, irreverência, harmonia.

Destas, a fundamental sempre será o bom gosto, o que podemos classificar como "dom natural" de certos indivíduos. Exemplificando: quando apanhamos uma peça de roupa em que a aprovação pública favorável é unânime, é porque há simetria, ou seja, 'tudo é harmônico'. Em outras palavras, ela está bem combinada entre seus cortes e acessórios.

O conceito de moda nos padrões humanos é sempre atrelado a grandes lucros, mas o que poucos sabem é que o primeiro Estilista do Universo foi o Próprio Deus, pois foi Ele quem criou as primeiras vestimentas aos primeiros habitantes no mundo, e com fibras naturais. Os humanos apenas deram sequência a isto, quer no estilo da roupagem como nas demais categorias de trabalho.

Se tiver dúvidas disso, veja a primorosa harmonia da vestimenta de algumas das aves apresentadas abaixo, observe as nuances perfeitas e a diversidade da roupagem para deliciar a todos os gostos!

Diante da exuberante natureza, todos os profissionais, de qualquer categoria, nunca serão mais que meros imitadores.






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quinta-feira, 18 de julho de 2013

A insustentável herança maldita

Richard Jakubaszko
Desta vez não consegui me segurar nos pés detrás e dou resposta ao “pseudo-intelectual” Arnaldo Jabor, pela publicação do artigo cheio de imbecilidades adjetivas que está no Estadão de 16-7-2013. Que o leitor não estabeleça confusões e nem mal entendidos: reproduzo abaixo o texto do Jabor, com o texto dele grafado em preto, intercalado por meus comentários grafados em vermelho, e em itálico, para troçar, ironizar ou contestar o neoliberal burguês Jabor. Ao final faço um desafio honesto ao Jabor.
Que o leitor tenha uma boa diversão.

A insustentável herança maldita
por Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo - 16 de julho de 2013 http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-insustentavel--heranca-maldita--,1053948,0.htm
O que aconteceu com esse governo foi mais um equívoco na história das trapalhadas que a esquerda leninista comete sempre, agora dentro do PT. O fracasso é o grande orgulho dos revolucionários masoquistas. Pelo fracasso constrói-se uma espécie de 'martírio enobrecedor', já que socialismo hoje é impossível. Erraram com tanta obviedade (no mensalão por exemplo ou no escândalo dos 'aloprados'), (o intelectual Jabor não aprendeu que, “por exemplo”, se escreve sempre entre vírgulas. Erro imperdoável num escrevinhador de sua estirpe e renome. Mas não tem importância, né não? A classe “mérdia” alta para quem ele escreve, e a elite raivosa, acham que ele escreve divinamente. É o roto adorando o esfarrapado.) com tanto desprezo pelas evidências de perigo, tanta subestimação do inimigo, que a única explicação é o desejo de serem flagrados. Sem contar o sentimento de superioridade que se arrogaram sobre nós, os 'alienados burgueses neoliberais'. (Até agora, nove linhas de texto, com 540 caracteres, e o alienado neoliberal burguês e inimigo confesso utilizou cerca de 20 adjetivos com mera opinião pessoal, cheias de desideratos alucinógenos.)

Conheço a turminha que está no poder hoje, desde os idos de 1963, e adivinhava o que estava por vir. Conheci muitos, de perto. (Além de surfar na maionese, Jabor agora se acha um predestinado adivinhador futurista “de tudo isso que está aí”, ai, ai, ai...)

Nos meus 20 anos, era impossível não ser 'de esquerda'. Nós queríamos ser como os homens heroicos que conquistaram Cuba, os longos cabelos de Camilo Cienfuegos, o charuto do Guevara, a 'pachanga' dançada na chuva linda do dia em que entraram em Havana, exaustos, barbados, com fuzis na mão e embriagados de vitória. (Único momento de honestidade – será? -, em que admite ter sido um dia “de esquerda”.)

A genialidade de Marx me fascinava. Um companheiro me disse uma vez: "Marx estudou economia, história e filosofia e, um dia, sentou na mesa (ai, Jabor, você tropeçou no vernáculo de novo: “sentou na mesa”? Ou seria "sentou-se à mesa"? Além de tudo você é grosseiro com a figura histórica de Marx, e dá para apostar que você jamais leu “O Capital”, pois não?) e escreveu um programa racional para reorganizar a humanidade". Era a invencível beleza da Razão, o poder das ideias 'justas', que me estimulava a largar qualquer profissão 'burguesa'. Meu avô dizia: "Cuidado, Arnaldinho, os comunistas se acham médiuns, aquilo parece tenda espírita...". Eu não liguei e fui para os 'aparelhos', as reuniões de 'base' e, para meu desespero, me decepcionei. (Pronto, tropeçou de novo, e ainda deseja desmentir na maior cara-de-pau o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, quando este afirmou que “Quem aos 20 não tem um ideal, depois dos 40 será um crápula”. O Jabor atual admite a decepção de antes, “aconselhado” por seu avô, que já era um lobo em pele de ovelha, e que se decepcionou, olha só... Ou seja, confessa que o “ideal” era uma mentira, e que a decepção se deu logo no primeiro contato com os “da esquerda”).

Em vez do charme infinito dos cubanos, comecei a ver o erro, plantado em duas raízes: ou o erro de uma patética organização estratégica que nunca se completava e, a 'margarida que apareceu' agora com todo esplendor: a Incompetência (com 'i' maiúsculo), a mais granítica, imaculada incompetência que vi na vida. (Jabor, por favor, defina se vale o primeiro dois pontos ou o segundo, é feio escrever assim, dois pontos aqui, mais dois pontos acolá, tudo dentro da mesma frase. Vê se aprende a ser competente, e a escrever corretamente...). Por quê? Porque a incompetência do comuna típico é o despreparo sem dúvidas, é a burrice alçada à condição de certeza absoluta. É um ridículo silogismo: "Eu sou a favor do bem, logo não posso errar e, logo, não preciso estudar nem pesquisar". Por que essa incompetência larvar, no DNA do comuna? Porque eles não lutam pelo 'governo' de algo; lutam pelo poder de um futuro que não conhecem. O paradoxo é que odeiam o que têm de governar: um país capitalista. Como pode um comuna administrar o capitalismo? O velho stalinista Marcos Stokol confessou outro dia no jornal: "O PT entrou no governo porque queremos mudar o Estado". Todos os erros e burrices que eu via na UNE e nas reuniões do PC eram de arrepiar os cabelos. Eu pensei horrorizado quando vi o PT no poder: vão fornicar tudo. Fornicaram. (É, Jabor, os neoliberais não conseguem admitir a própria incompetência ao governar, porque fracassaram rotundamente, e odeiam ter de admitir que os caras do PT melhoraram a vida dos brasileiros. Por isso recorrem, como você, neste texto, a acusações adjetivadas, pseudo intelectualizadas. Você é uma piada, Jabor, contenha-se. Seus parceiros neoliberais nem aprenderam ainda a ser oposição. Como podem pretender ser governo?)

E olhem que estou me referindo apenas ao 'rationale' básico, psicológico, de uma 'boa consciência' incompetente que professam. Sem mencionar a roubalheira justificada pela ideologia - "desapropriar os bens da burguesia para nossos fins". A fome de uma porcada magra invadindo o batatal - isso eu não esperava. (Isso, Jabor, o povo é uma porcada magra com fome, invadindo seu batatal, é uma confissão antológica de como você vê as coisas. Reconheça apenas que foram seus parceiros neoliberais que deixaram a porcada assim, né não?)

Como era fácil viver segundo os escassos 'sentimentos' catalogados pelos comunas: ou o companheiro estava sendo 'aventureiro' ou 'provocador' ou então era 'oportunista, hesitante, pequeno-burguês' ou sectário ou 'obreirista' ou sei lá o quê. (Agora foi ato falho, Jabor, sua raiva contra o povo é atávica, e recidiva, você nem consegue escrever “trabalhador”. Deve provocar coceiras em você esse negócio de trabalhar, não é? Obreirista? Quem obra é trabalhador, “obreirista” é um neologismo de burguês neoliberal como você, que deve odiar trabalhadores e o trabalho. Bom, tem gente que obra, ou melhor, defeca, o que é algo humano, mas você obra verdadeiras e fétidas diarreias intelectuais. Esse neologismo foi fraco, Jabor, e me desculpe, tive de adjetivar um pouco, esse negócio de fazer crítica é contagiante, sabe?).  Era fácil viver; ignorávamos os ignorantes, os neuróticos, os paranoicos, os psicopatas, os burros e os sempre presentes filhos da p... Nas reuniões e assembleias, surgia sempre a voz rombuda da burrice. Aliás, burrice tem sido muito subestimada nas análises históricas. No entanto, ela é presença obrigatória, a convidada de honra: a burrice sólida, marmórea. Vivíamos assediados por lugares-comuns. O imperialismo era a 'contradição principal' de tudo (vejam o ardor com que condenaram a 'invasão americana' de nossos segredos de Estado há pouco. Quais? Quanto a Delta levou, onde está o Lula?). As discussões intermináveis, os diagnósticos mal lidos da Academia da URSS sempre despencavam, esfarinhavam-se diante do enigma eterno: "O que fazer?". E ninguém sabia.

E veio a sucessão de derrotas. Derrota em 64, derrota em 68, derrota na luta armada, derrotas sem-fim.

Até que surgiu, nos anos 70, uma homem novo: Lula, (Tá desculpado como erro de digitação esse uma homem, Jabor, mas faz favor, na próxima vez, respeita o leitor, e revisa duas, três vezes o texto, tá?) diante de um mar de metalúrgicos no ABC. Aí, começou a romaria em volta da súbita aparição do messias operário, o ungido. Lula foi envolvido num novelo de ideologias e dogmas dos comunas desempregados, desfigurando de saída o que seria o PT. (Vixe, isso é coisa de homem ciumento, Jabor: mar de metalúrgico? Pra você seria um pesadelo, né não?)

Quando comecei a criticar o PT e o Lula, 'petralhas' me acusaram de ser de direita, udenista contra operários. (E não é? Que isso, Jabor? Sai do armário, cara! Confessa!) Não era nada disso; era o pavor, o medo de que a velha incompetência administrativa e política do 'janguismo' se repetisse no Brasil, que tinha sido saneado pelo governo de FHC. (Ora, vai mentir em sanatórios, Jabor! FHC sanou o país? Ou ele quebrou o país pelo menos 3 vezes, e foi ao FMI de penico na mão?). Não deu outra. O retrocesso foi terrível porque estava tudo pronto para a modernização do País; mas o avião foi detido na hora da decolagem. Hoje, vemos mais uma 'revolução' fracassada; não uma revolução com armas ou com o povo, mas uma revolução feita de malas pretas, de dinheiro subtraído de estatais, (Sobrou estatal, Jabor? Eu tinha a quase certeza que o FHC e o Serra tinham vendido todas! Que eu saiba temos empresas públicas, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, e a Petrobras, que seu FHC já tinha renomeado Petrobrax, e ia entregar pros gringos, não foi assim?) da desmoralização das instituições republicanas. Hoje, vemos o final dessa epopeia burra, vemos que a estratégia de Dirceu e seus comparsas era a tomada do poder pelo apodrecimento das instituições burguesas, uma espécie de 'gramscianismo pela corrupção' ou talvez um 'stalinismo de resultados'.

O perigo é que os intelectuais catequizados ainda pensam: "O PT desmoralizado ainda é um mal menor (?) que o inimigo principal - os tucanos neoliberais". (Essa é uma antológica verdade, admito isso, mesmo não sendo petista. Dá parabéns pros seus intelectuais ironizados, mas admita pra eles que o catequizado é você, pega melhor ser um pouco humilde nessas horas, sabe? Você é arrogante demais pro meu gosto, cara. Outra coisa, faltou um “do”, uma combinação da preposição de com o artigo o, depois do menor e antes do que... Definitivamente, Jabor, você escreve muito mal, vai acabar indo pra Academia Brasileira de Letras, e fazer companhia ao Merval, ele também escreve muito mal, mas escrevinha melhor que você...)

Como escreveu minha filha Juliana Jabor, mestra em antropologia, "ajudado por intelectuais fiéis, Lula poderá se apropriar da situação com seu carisma inabalável, para ocupar a 'função paterna' que está vaga desde o fim do seu governo. Pode ser eleito de novo e a multidão se transformará, aí sim, em 'massa'. O 'movimento' perderá o seu caráter de produção de subjetividades e se transformará numa massa guiada por um líder populista". (Agora acho que entendi, esse é o medo de todos vocês, os neoliberais burgueses depostos do poder pelo voto dos trabalhadores brasileiros, de que Lula se reeleja presidente. Vai não, Jabor, o Lula já disse e já escreveu que a palavra é da Dilma, e ela dá mostras de que deseja e vai conseguir a reeleição. Por mim, Lula devia é se candidatar ao governo do estado de São Paulo, pra acabar com a raça dos tucanos de uma vez por todas. Seria divertido assistir isso.).

COMENTÁRIOS ADICIONAIS DO BLOGUEIRO:
1 - Arnaldinho, vá se tratar, pegue um bom psiquiatra, ou seu caso vai desandar. Nesse ritmo que você anda, daqui a pouco vai pirar total. Se amanhã o seu patrão mandar você vai se desmentir de novo, como fez no caso das passeatas?

2 - Pra seu governo, Arnaldinho, durante os governos de Lula e Dilma, foram criados 18 milhões de empregos formais, contra 5 milhões dos anos FHC; o desemprego se reduziu pela metade e o Brasil nunca mais voltou ao FMI, pelo contrário, somos credores. Temos até Fundo Soberano, e reservas cambiais como nunca dantes se viu na história deste país. Então, cadê a "herança maldita do Lula" de que você fala? Ficou só no título? Você vomitou adjetivos, acusou, repetiu falsas e mentirosas corrupções, e esqueceu dos trambiques no governo FHC, as privatizações corruptas da Vale e das telefônicas, a compra do Congresso pra votar a reeleição, o "sucesso" da entrega do Banespa. Quer mais? O dólar a R$ 4,00 reais, Selic de 40% a.a. Inflação de 12% a.a., dívida externa de US$ 160 bilhões, que o Lula já pagou...

3 - Arnaldinho, me aponte um único indicador social ou econômico, compare os governos de FHC e Lula, e me diga um indicador em que o tucano leve vantagem. Unzinho só, Jabor, ou então cale a boca, e engesse esses dedos pra não escrever bobagens! Você nem jornalista é, sô! Pare de fingir ser o que não é. Você é um cineasta rejeitado! Só isso...
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Coceira nas costas

Luis Fernando Veríssimo
A CCC, coceira crônica nas costas, longe do alcance das nossas unhas, é um martírio constante. Quem sofre de CCC vive pedindo que alguém lhe coce as costas e, na falta de alguém, recorrendo a qualquer meio para acabar com o tormento. É conhecido o caso trágico daquele agente do governo dos Estados Unidos encarregado de negociar com os índios peles-vermelhas no oeste americano e que depois do acordo concluído, quando o cachimbo da paz com sua haste longa lhe foi passado, não aguentou e usou o cachimbo para coçar as costas. Dos seus restos comidos por lobos só sobrou o escalpo.

* * *

A CCC provoca situações embaraçosas. É comum ver-se pessoas esfregando as costas numa quina de parede ou, em casos extremos, rolando pelo chão para aliviar a coceira. O que, obviamente, prejudica sua vida social.

- Cheguem para trás. É um ataque epilético!

- Não, não. É coceira nas costas

A CCC também causa mal-entendidos. Como no caso daquele casal cujas vozes eram ouvidas em todo o prédio.

- Aí, aí. Um pouco mais para o lado.
 
- Assim?

- Mais rápido.

- Está bom assim?

- Está. Está!

- Mais rápido?

- Não, assim está bom. Só um pouco mais para...
 
- Assim?

- Isso! Ai meu Deus. Sim! Sim!

O casal ficou com fama de ter uma vida sexual movimentadíssima, quando se tratava apenas de CCC.
* * *

Pelo menos você sabe que presentes dar para alguém que tem CCC: qualquer objeto que lhe permita coçar as próprias costas. Uma colher de madeira comprida, um telescópio portátil, um pedaço de antena... Até um cachimbo da paz.
 
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Catálogo (Da série Poesia Numa Hora Dessas?!)

Deus, vaidoso como qualquer artista

Pensa em publicar um catálogo da sua obra

De Gênesis até anteontem.

Só ainda não sabe o que botar na capa:

As Cataratas do Iguaçu, uma noite de luar

Ou a Patrícia Pillar.

* Publicado em O Estado de São Paulo, 07/07/2013: 
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,coceira-nas-costas-,1051070,0.htm
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terça-feira, 16 de julho de 2013

A culpa é da Dilma !!!

Richard Jakubaszko
Nova charge do Alpino, publicada no Yahoo, reflete o estado geral de pessimismo e descontentamento da classe média emergente, que anda endividada, por culpa da Dilma, é claro...
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/alpino/n%C3%BAmero-fam%C3%ADlias-com-d%C3%ADvidas-volta-subir-em-julho-165538099.html 

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quem Topa a Aventura?

Marcos Coimbra

Primeira e última vez em que os
cinco estiveram juntos?
Em meio ao desprezo pelos políticos, emergem estrelas como Marina Silva e Joaquim Barbosa, que nem sequer partido têm. Mas os candidatos “não políticos” costumam ser preteridos nas urnas.
Constitui verdade acaciana afirmar que é ruim a imagem dos políticos no Brasil. Até as crianças do grupo o sabem e, aliás, compartilham a opinião. Não é idiossincrasia nossa e tampouco decorre de alguma peculiaridade da evolução política brasileira. Mundo afora o mesmo ocorre em países ricos e pobres, de democracia mais ou menos consolidada. Os políticos andam em baixa em todos os lugares.

Mas o fenômeno assume aqui feições características. Passamos 20, dos últimos 50 anos, sob uma ditadura, que se instaurou com o pretexto de extirpar a corrupção e a subversão. Seus alvos imediatos foram os partidos e as lideranças políticas, acusadas de uma ou outra. Os generais se fantasiavam de os mais honestos e respeitadores das leis, e melhores como administradores. Durante o autoritarismo, político era quase sinônimo de corrupto e incompetente.

Mesmo que já tenha transcorrido três décadas desde a redemocratização, os ecos daquele período ainda estão vivos. Uma parte ponderável de nossa sociedade foi formada em uma cultura que olhava com repúdio aqueles que se dedicavam à política. Muitos entre os muitos jovens aprenderam com seus pais a desconfiar deles e a menosprezá-los.

Em junho, nas manifestações de rua da classe média conservadora, os bordões que se ouviam expressavam tais sentimentos. É claro que são muitos os exemplos de políticos que só pensam em ganhar dinheiro ilicitamente, locupletar-se e se eternizar no poder. Assim como são inúmeros os casos de incompetência. O problema brasileiro é, no entanto, maior que no resto do mundo? Terá se agravado recentemente?

Pelo que se conhece da experiência internacional e de nossa trajetória, parece que nem uma coisa nem outra. Tivemos, por exemplo, um presidente que sofreu impeachment, mas o mesmo aconteceu nos EUA. Nossos partidos foram acusados de se financiar de maneira irregular, algo, porém, que volta e meia ocorre em democracia maduras, como a Alemanha e a França. E nem temos famílias reais que traficam influência, como a Espanha e a Holanda.

Dizer que a corrupção e a incompetência dos políticos brasileiros aumentaram nos últimos anos é simples ignorância ou ação política deliberada. Ao contrário do que pensa o cidadão pouco informado, os mecanismos de controle do uso dos recursos públicos são mais eficazes hoje que no passado e são melhores as safras mais recentes de administradores em municípios, estados e União. Ao contrário de ter piorado, avançamos nesse aspecto.

Então, o que ocorre? Por que a grita contra “os políticos”? Por que diminui a aprovação de prefeitos, governadores e da presidenta? Por que sobem nas pesquisas de intenção de voto para a próxima eleição presidencial apenas os candidatos não políticos e caem os candidatos de verdade? Por que as estrelas das últimas pesquisas foram Marina Silva e Joaquim Barbosa, que nem sequer partido têm?

Nossa vida política é curiosa. No segundo mandato de FHC, o país ficou em sobressalto permanente: uma crise cambial aguda, trocas atabalhoadas de presidentes do Banco Central, denúncias de que autoridades econômicas passaram informações a bancos particulares, a ameaça de um calamitoso apagão elétrico, a inflação voltando a ser voraz. Tudo em um governo suspeito de ter comprado votos na Câmara de Deputados para conseguir permanecer no poder. Onde estava a “grande mídia”? O que escreveram os colunistas que hoje se proclamam indignados? Onde estavam os ministros da Suprema Corte? E a Procuradoria-Geral da República? E a classe média “manifestante”?

Quietos e calados.

No fundo, tudo o que querem, desde quando começaram a gritar de um ano para cá, é derrotar o “lulopetismo”. Mas não sabem dosar a munição. Atingem o conjunto do sistema político e abrem o caminho para aventuras de alto risco. Resta-nos lembrar de que a maioria do eleitorado brasileiro até finge que vota em gente que não é do ramo. Quem não se recorda da dianteira de Celso Russomano na eleição municipal de São Paulo, em 2012? Ou de Ratinho Junior em Curitiba? Mas quem foi que ganhou nas duas cidades?

Na hora de escolher alguém para um cargo executivo importante, o eleitor pensa com seriedade. A menos que o impeçam, é o que fará em 2014.

“Vou ganhar essa eleição sem precisar trabalhar muito” (De Aécio Neves, provocando risos em um grupo de tucanos. Não se sabe se riam de prazer ou de ironia).


* Publicado em Carta Capital, julho 2013.
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domingo, 14 de julho de 2013

Comercial japonês de cerveja

Richard Jakubaszko 
O comercial japonês da cerveja Sapporo, além de muito bonito, plástico e criativo, e de conter uma linguagem universal (tradição e qualidade), com uma produção cinematográfica hollywoodiana, mostra as profundas diferenças culturais entre o ocidente e o oriente. Aqui, loiras, peitos e bundas, humor desafinado, mas lá é outra coisa...

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Apple conspirou para elevar preços de e-books

Richard Jakubaszko
Gente, ou fiquei débil mental ou estou cada vez mais burro. Não dá para entender a notícia abaixo, que está publicada na versão online do Estadão de hoje. Não há lógica nenhuma acusar uma empresa (a Apple) de "aumentar os preços dos e-books", porque isso beneficia a concorrente direta, a Amazon, que aumentou os seus preços. Tem alguma coisa errada nessa lógica jurista, sem pé e nem cabeça.

Da minha parte ando irritadíssimo com a Amazon. É que acabei assinando um contrato com a Editora UFV (Universidade Federal de Viçosa, MG), muito contrariado, diga-se de passagem, para a publicação de uma versão eletrônica do livro "Meu filho, um dia tudo isso será teu", que na versão impressa anda na 3ª impressão. Justo pelo sucesso da versão impressa, a Editora UFV escolheu esta obra, junto com outros 15 títulos, entre centenas de obras editadas, disponíveis em seu acervo, para se tornar edição eletrônica.

Cabe aqui a explicação da minha contrariedade e irritação. É que na versão impressa tenho 20% de direitos autorais, junto com meu parceiro no livro, o advogado Fábio Lamônica. Já na versão eletrônica Lamônica e eu teremos de dividir assombrosos 5% de direitos autorais sobre as vendas.

No calor da batalha, antes de assinar o contrato dos direitos autorais, ponderei à UFV que era absurdo a Amazon cobrar 50% de "comissão" sobre o preço de venda do livro, por conta de ser o fornecedor do aplicativo que permite a leitura do livro apenas por quem o comprou, e que torna quase impossível a sua pirataria, muito comum em tudo o que se faz na internet.

Minhas reclamações caíram no vazio, seria pegar ou largar. Como tenho outro livro em andamento, no qual venho trabalhando há alguns anos, resolvi pagar o preço da experiência prévia e aceitei as péssimas condições impostas pela Amazon, para nós autores e para a própria Editora UFV. Se der certo a experiência com a Amazon é lá que vou bater para ter edição eletrônica do meu futuro livro, mas se der errado é lá que não vou, com toda a certeza.

De toda forma, é absurdo o que fazem essas empresas do e-book: elas sufocam a galinha dos ovos de ouro, ou seja, os autores e escritores de livros. Sem autores não há livros, certo mano? E sem livros o que é que elas vão vender?

Sobre a briga da Justiça americana com a Apple, em minha desconfiada opinião, a imbecilidade está na acusação de que a Apple conspirou para aumentar os preços (e os lucros) da concorrente Amazon... Ora, a Velhinha de Taubaté reencarnou na juíza distrital americana? Leiam abaixo, para se certificar. E me digam que estou errado, ficarei mais aliviado em saber que estou mal informado do que me sinto neste momento, um verdadeiro débil mental por não "entender" a lógica da juíza, que decidiu, do Estadão que repercutiu, e da Reuters, que distribuiu a notícia.

Publicado na versão eletrônica de O Estado de São Paulo, em 10 de julho de 2013: 
http://blogs.estadao.com.br/link/apple-conspirou-para-elevar-preco-de-e-books/

Justiça considerou que a empresa ajudou as editoras a elevar os preços nos EUA, para combater dominância da Amazon.
NOVA YORK – Em uma rejeição à estratégia da Apple para vender livros digitais, uma juíza federal dos Estados Unidos decidiu que a empresa conspirou com as cinco maiores editoras de livros do país para elevar os preços dos e-books no varejo.
Livros na iBooks Store foram usados para aumentar
preços. Foto: Shannon Stapleton /Reuters
A juíza distrital Denise Cote disse que há “provas convincentes” de que a Apple violou a lei de concorrência dos EUA ao fazer um “papel central” de uma conspiração com as editoras para eliminar o preço do varejo da concorrência e aumentar os valores dos livros digitais.
A decisão pode expor a Apple a danos substanciais. É uma vitória para o Departamento de Justiça dos EUA e 33 Estados e territórios dos EUA que abriram o caso civil de antitruste.
A Apple foi acusada de conspirar para reduzir a dominância da varejista online Amazon no mercado de e-books, provocando um aumento de preços. O valor de alguns livros, que antes custavam US$ 9,99 na Amazon, subiram para US$ 12.99 ou US$ 14,99. Na época, a varejista tinha 90% do mercado, em parte por causa de ter introduzido o leitor Kindle no mercado, aparelho pioneiro dos e-books.
“A Apple decidiu juntar forças com os representantes das editoras para aumentar os preços dos e-books e forneceu a elas meios para fazê-lo”, disse a juíza no documento de 159 páginas com a sua decisão. “Sem a orientação da Apple na conspiração, isso não teria sucedido como ocorreu.”
A decisão desta quarta-feira, 10, não foi uma surpresa total, dado que a juíza havia indicado em 3 de junho, antes do início do julgamento de duas semanas e meia, que a defesa da Apple poderia falhar. Cote pediu a abertura de um julgamento para definir as punições.
“Esse resultado é uma vitória para milhões de consumidores que escolheram ler os livros eletronicamente”, disse Bill Baer, diretor da divisão antitruste do Departamento de Justiça, em comunicado. “Essa decisão da corte é um passo importante para reverter os danos causados pelas ações ilegais da Apple.”
Apelação. Em comunicado, a Apple manteve sua defesa de que as acusações são falsas e disse que vai apelar da decisão desta quarta-feira.
“A Apple não conspirou para fixar os preços de e-books”, disse o porta-voz da Apple Tom Neumayr. “Quando nós lançamos a iBookstore em 2010, demos aos consumidores mais opção, acrescentando mais inovação e concorrência que este mercado tanto necessitava, quebrando o monopólio da Amazon sobre a indústria editorial. Não fizemos nada de errado.”
No ano passado, a Apple fez um acordo em uma outra ação antitruste sobre o preço de livros digitais com a Comissão Europeia, sem admitir ter adotado práticas erradas.
O suposto conluio das empresas começou no fim de 2009 e continuou até o início de 2010, e coincidiu com o lançamento do iPad no mercado. Somente a Apple foi a julgamento, enquanto as editoras concordaram em pagar mais de US$ 116 milhões em compensações aos consumidores. As editoras incluem o Grupo Hachette , a HarperCollins, a Pearson, a Simon & Schuster e a Macmillan.
/ REUTERS
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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Espiados e indignados

Jânio de Freitas *
Vamos fingir que nos sentimos surpresos e indignados. Vamos à ONU com um protesto contra a espionagem com que o governo dos Estados Unidos invadiu mensagens eletrônicas no Brasil. Vamos cobrar do governo americano explicações sobre a central de espionagem instalada em Brasília pelo combinado CIA-NSA.

Faz parte da boa educação cívica mostrar-se surpreso e indignado. Tal como os franceses do presidente François Hollande, pouco antes de ele se sujeitar aos EUA e proibir o sobrevoo da França pelo avião em que supunham estar Edward Snowden, o revelador das espionagens americanas naquele, no nosso e em numerosos outros países.

Cumprido o ritual da surpresa e da indignação, podemos reconhecer que estamos entre os países de maior hospitalidade, senão a maior de todas, a agentes de informação, de subversão antidemocrática e de espionagem dos EUA. Qualidade nacional de que há provas sem conta. Mas, para ficar só em exemplos poucos e notórios, lembremos que o golpe de 1964 foi articulado em três frentes --a militar, a empresarial e a política.

A primeira foi montada pelo adido militar da embaixada dos EUA, general Vernon Walters, especialista em golpes mandado ao Brasil para mais um.

A segunda foi executada pelo próprio embaixador Lincoln Gordon, junto ao grande empresariado e a meios de comunicação. E a terceira ficou a cargo de uma entidade da CIA chamada Ibad, montada e dirigida por um tal Ivan Hasslocher, deslocado para a Suíça logo depois do golpe.

Antes disso, outro embaixador americano, Adolf Berle Jr., orientou, com sua equipe, uma conspiração militar para derrubada de Getúlio.

Repórteres americanos como John Gerassi e ex-agentes da CIA como Phillip Agee, entre muitos outros, publicaram artigos, reportagens e livros sobre a atividade de agentes na América Latina e, em particular, no Brasil. Foram muito pouco publicados aqui.

Não se esperariam atitudes, contra essa liberdade de invasão da CIA, por parte dos seus aliados-beneficiários brasileiros, fossem ainda conspiradores ou já governo. Mesmo os alvos da ação, porém, jamais usaram dos seus poderes legais para contê-la. Todo o governo Jango sabia das atividades de Gordon e de Walters. Em Pernambuco e em Goiás foram identificados agentes insuflando lavradores. O governo nada fez. Desde sempre consta da legislação brasileira que os militares são responsáveis pela soberania nacional. Nenhum dos seus chefes se moveu contra as violações praticadas pelos americanos.

Mais recentemente, a criação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi entregue à Raytheon, empresa que presta serviços ao Departamento de Defesa (nome do departamento que superintende o planejamento e a execução dos ataques militares e invasões de países pelos EUA). A concorrência foi tão limpa, que a precedeu até a invasão dos escritórios da então Thomson no Rio, multinacional francesa que era a mais provável vencedora e teve todos os seus estudos e projetos roubados.

Declarada "vencedora" a Raytheon, Fernando Henrique telefonou ao presidente Bill Clinton para informá-lo a respeito. Depois explicaria o resultado e o telefonema: "O Clinton pediu pela Raytheon...".

Desde então, todos os dados sobre espaço aéreo, solo e subsolo da Amazônia são transmitidos, em rede e equipamentos criados pela Raytheon, para a central do Sivam. Se você quiser, pode acreditar que a transmissão termina aí.

Os espiões e agentes de americanos são íntimos nossos. Mas cumpramos o ritual de fingir-nos surpresos e indignados com a espionagem agora revelada.


* publicado na FSP, http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2013/07/1308284-espiados-e-indignados.shtml
Jânio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve na versão impressa do caderno "Poder" aos domingos, terças e quintas-feiras.
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