quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Como fazer uma horta em casa

Richard Jakubaszko     
Ideias simples que ensinam aos urbanos como montar uma horta ou jardim, em casa ou apartamento. Desde o preparo do substrato, uso de vasos, adubação, e cuidados elementares.

Gosto muito da atividade, é lúdica, relaxante e gratificante.
Em casa tenho umas 10 jardineiras e pelo menos uns 100 vasos, de todos os tamanhos, na frente e nos fundos da casa, com roseiras, primaveras, azaleias, alamandras, samambaias, begônias, antúlios, quaresmeiras, espadas de São Jorge, de Santa Bárbara, orquídeas, dinheirinho em penca, margaridas, mini rosas, e vai por aí, entremeadas por joaninhas, araras, sapos, abelhas, anões, galinhas de angola e bruxas, caramujos...

No vídeo abaixo, enviado pela amiga Silvia Nishikawa, lá de São Gotardo, MG, um agrônomo e seu filho, Gabriel, mostram os preparativos.
Boa diversão a quem ingressar na atividade.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Filhote de beija-flor

Richard Jakubaszko   
Mãe é sempre mãe, insubstituível na proteção dos filhos, e a regra vale para toda a natureza, com exceção dos insetos e peixes. O vídeo abaixo, que me foi enviado pela doutorinha das letras lá de casa, Daniela Jakubaszko, mostra que a mãe beija-flor não deixou de cuidar do filhote que caiu do ninho, mesmo que ela tenha de se submeter a riscos, vejam no vídeo.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ela está viva, linda e finita...

Richard Jakubaszko  
A Terra ainda está viva e linda, mas é finita e tem milhões de problemas em decorrência do excesso demográfico. Em consequência do consumismo exacerbado há previsões entre alguns geógrafos de que o fim da humanidade deve acontecer no máximo dentro de um ou dois séculos.

O vídeo abaixo, ancorado no Youtube, tem pouco mais de 4 minutos, e mostra as belezas no planeta em confronto com sua destruição. Foi enviado pela doutorinha lá de casa, a Daniela Jakubaszko.
Boa reflexão, após assistir ao vídeo.

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domingo, 27 de outubro de 2013

Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País)

Richard Jakubaszko  
Que falta nos faz Stanislaw Ponte Preta e o seu Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País), justamente em momentos como esse em que as imbecilidades andam à solta, mediocridades criadas pela atividade leviana feita por ONGs e procuradores públicos, ou até mesmo a Justiça, e que a mídia, acrítica e também imbecilizada, dá divulgação.

Não há bom senso. Não existem lideranças políticas para dar um basta nas imbecilidades que circulam e são divulgadas justamente pela grande mídia, onde deveria haver informação, debate, mas notícia e debate fundamentado, e isso não há.


A notícia abaixo, que o Estadão repercutiu, é um dos 3 exemplos que mostro a seguir. Tanto os procuradores, como o Estadão, vão outorgar às Lojas Americanas a “obrigação” de fazer fiscalização trabalhista em seus mais de 100 mil fornecedores. Será que eles (procuradores e o Estadão) pressupõem que isso é constitucional, transferir para uma empresa privada o que é função do Ministério do Trabalho? Será que os diligentes procuradores e o jornalista do Estadão conseguem sequer imaginar os custos envolvidos nessa notícia “politicamente correta”? E quem vai pagar esse aumento de custos? A população?

Lojas Americanas pagará R$ 250 mil por trabalho escravo
Cinco bolivianos foram flagrados em condições precárias em uma oficina clandestina de costura, na cidade de Americana (SP).
02 de outubro de 2013
Ricardo Brandt - Agência Estado

http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios-comercio,lojas-americanas-pagara-r-250-mil-por-trabalho-escravo,166288,0.htm

CAMPINAS - A Lojas Americanas vai ter de fiscalizar seus fornecedores para coibir a ocorrência de trabalho análogo à escravidão em sua cadeia produtiva e pagar uma multa de R$ 250 mil. A decisão faz parte do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) divulgado nesta quarta-feira, 02, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após a descoberta de cinco bolivianos flagrados em condições precárias em uma oficina de costura, em Americana (SP), em janeiro deste ano.

Segundo a nota divulgada pelo MPT, o TAC indica que a Lojas Americanas terá que "verificar se a empresa contratada é constituída como pessoa jurídica e se os seus empregados estão devidamente registrados em carteira de trabalho, mediante vistorias e solicitação de documentos".
ONGs no páreo
Já a revista Exame, porta-voz do empresariado brasileiro, aceita o lixo da “sugestão de pauta” emitida por uma ONG estrangeira, que pretende incentivar os consumidores a não comprar produtos da Coca Cola e da Pepsi Cola, porque essas empresas "supostamente apoiam usineiros acusados de grileiros".

Coca e Pepsi ignoram roubo de terras no Brasil, diz Oxfam.
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/coca-e-pepsi-ignoram-roubo-de-terras-no-brasil-diz-oxfam
Segundo a ONG, as empresas que mais compram açúcar não impedem que pequenos agricultores tenham as terras roubadas para aumentar o cultivo de cana deve ser adotado antes de a empresa efetuar os pedidos de compra.

Londres - As empresas que mais compram açúcar, como Coca-Cola e PepsiCola, ignoram os roubos de terras de pequenos lavradores por parte de grandes plantadores de cana, denuncia nesta quarta-feira a Oxfam.

A ONG internacional divulgou em Londres o relatório "Não há nada de doce nisto: como o açúcar alimenta o roubo de terras", que conclui que "os grandes nomes da indústria de alimentos e bebidas não faz o suficiente para impedir que gente pobre tenha suas terras e casas roubadas para aumentar o cultivo" de cana-de-açúcar.

Oxfam cita casos de terras roubadas nos estados de Pernambuco e Mato Grosso do Sul. Em Pernambuco, a Oxfam denuncia que 53 famílias que viviam nas ilhas do estuário de Sirinhaem foram expulsas em 2002, "após décadas de pressão intermitente da Usina Trapiche, uma empresa que fornece açúcar à Coca-Cola e à PepsiCola".

"Todos precisam assegurar que o que consumimos não contribui para que os mais vulneráveis sejam retirados de suas terras sem consentimento e sem indenização. As grandes corporações devem garantir que seus produtos não estejam manchados por estes escândalos que ocorrem em lugares remotos...", disse o diretor-executivo da Oxfam, Mark Goldring.

“Associated British Foods, Coca-Cola e PepsiCola estão entre os maiores compradores e produtores de açúcar e têm uma posição privilegiada para acabar com as apropriações de terra garantindo que o açúcar que utilizam não vêm de terras adquiridas contra a vontade da comunidade".

Segundo dados proporcionados pela Oxfam, a produção de açúcar cresceu 25% em 2020. Em 2012, foram produzidas 176 milhões de toneladas de açúcar, com a metade sendo destinada à indústria de comidas e bebidas.


Aqui no blog reproduzi recentemente artigo do jornalista Mauro Santayana

http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2013/09/a-justica-e-infraestrutura.html
onde ele vitupera contra a ação indevida da Justiça e dos procuradores, impedindo o desenvolvimento do País:

“É preciso arranjar uma forma de a justiça se pronunciar, definitivamente, a propósito da construção de grandes projetos, antes do início das obras, e não quando já estão em andamento.”

A constante interrupção - por longos períodos e por repetidas vezes - de obras tocadas pelo Governo Federal ou pelos estados, que são fundamentais para o desenvolvimento nacional, é o principal fator de insegurança, hoje, para os investidores.

Ainda anteontem, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região determinou a suspensão imediata da construção da hidrelétrica de Teles Pires, ameaçando o consórcio responsável de multa de 500.000 reais por dia, em caso de desobediência.

Essa decisão – alega-se agressão à natureza e à cultura indígena – deveria ter sido tomada antes que fossem investidos os quatro bilhões de reais gastos até agora.

O que o consórcio vai fazer? Demitir os 6.000 trabalhadores que contratou, treinou, instalou no meio da selva, para recontratar depois outros quando a liminar for cassada?

Aí, quando a obra termina, com o dobro de tempo esperado e duas ou três vezes o custo inicialmente previsto, muita gente vai para a internet – uns por desinformação, e outros por má fé mesmo – para colocar, a torto e a direito, a culpa na corrupção e no ‘desgoverno’.”


COMENTÁRIOS ADICIONAIS DO BLOGUEIRO
Tem alguma coisa muito errada com os brasileiros. A imbecilidade se generaliza, como se pode depreender pelas notícias acima publicadas. Falta bom senso para frear essas imbecilidades? Ou isso seria um dos efeitos colaterais da nossa democracia claudicante, temperada pela falta de cultura política do povo? O tema é abrangente, suscita centenas de argumentos contrários ou a favor. Entretanto, a meu ver, demonstra que a humanidade chegou num ponto em que a diversidade de opiniões e interesses, estimulada por necessidades difusas, chegou a uma encruzilhada. Ou pega uma estrada para ir em frente, ou vai para o precipício, hipóteses mais provável diante do crescimento demográfico.


Não há como administrar no mundo inteiro qualquer cidade com mais de meio milhão de habitantes, imagine megalópoles como São Paulo (quase 20 milhões) ou Rio de Janeiro. Não existem impostos suficientes para atender a demanda de necessidades básica (hospitais, escolas, transporte urbano, rede de água e esgoto etc. e etc.) da imensa maioria que se encontra nas Classes D e E. As classes B e C cresceram muito nesses últimos anos, e padecem de alguns dos mesmos problemas, acrescentados nesses os maus serviços prestados pelos seguros saúde, provedores de internet e telefonia, transportes públicos.

O poder público é omisso, em todas as suas esferas (Federal, Estadual e Municipal), pela absoluta incapacidade de planejar e prover as necessidades básicas da população. Mas a mídia, que deveria ser o interlocutor intermediário desses processos, estimula a competitividade política e partidária, com baixo nível de entendimento do que de fato acontece. Quando conveniente para seus interesses políticos a grande mídia é crítica, e desanca os governos aos quais faz oposição. Ou simplesmente se omite quando apoia algum governo do qual é partidário, ou a atitude dos agentes desse governo.

Entendo que foram proféticas as palavras de Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma."
Joseph Pulitzer

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sábado, 26 de outubro de 2013

O domador de cavalos

Richard Jakubaszko   
Absolutamente genial o que o índio pampaneiro faz com o cavalo no vídeo abaixo. É de uma interatividade inimaginável. São chamados de encantadores de cavalos, ou ainda, de "sussurradores".

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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

As 11 casas sustentáveis mais incríveis do mundo

Richard Jakubaszko   
Sabemos que a nossa dependência de combustíveis fósseis como meio de gerar energia não é um fato com o qual deveríamos nos acostumar. No futuro, nossos filhos, netos e bisnetos podem encarar grandes dificuldades pela depredação dos recursos naturais não-renováveis que a humanidade tem provocado. Contudo, há boas e interessantes iniciativas para que possamos viver em mais harmonia com a natureza, principalmente quando o assunto é construção civil. O site Gizmodo fez uma seleção das casas “verdes” mais bacanas do planeta.

O site Gizmondo, entretanto, não detalha as características de cada casa, ou seja, se a questão "sustentabilidade" das casas envolve somente o uso de energia solar ou se reciclam, por exemplo, seu próprio lixo orgânico, aspecto em que, aí sim, seriam "sustentáveis". De outro lado, me pareceram simples exibições de arquitetos com pretensão de se mostrarem criativos.


Confira abaixo as 12 moradias sustentáveis mais descoladas.

1 CASA ECOLÓGICA, UNIVERSIDADE DE TONGJI, EM SHANGHAI, CHINA

2 RESIDÊNCIA QUE NÃO ESTÁ LIGADA À REDE ELÉTRICA. NOVO MÉXICO
3 PRÉDIO PROJETADO NO REINO UNIDO, QUE NÃO EMITEM POLUENTES.
4 CONDOMÍNIO AUTOSSUSTENTÁVEL GREENWICH ECO-VILLAGE, LONDON
5 CASA TUBULAR, POR RICHARD CARBONNIER, NUNAVUT, CANADÁ.
6 FAB LAB HOUSE, CONCEITO DESENVOLVIDO PELO INST. 
ARQUITETURA AVANÇADO DA CATALUNHA, ESPANHA.
7 ECORRESIDÊNCIA COM PAINÉIS SOLARES, WOUBRIGGE, HOLANDA.
8 ECOHOME, POR WILL COLLINS, EM TALLEBUDGERA, AUSTRÁLIA.
9 PROTÓTIPO DE CASA “VERDE” DA SCI-ARC - CALTECH PARA A
CONFERÊNCIA SOLAR DECATHLON 2011, NA CAPITAL DOS EUA.
10 EDIFICAÇÃO ESTILO “EARTHSHIP” QUE USA SOMENTE
ENERGIA SOLAR, EM BRIGHTON, NO REINO UNIDO.
11 MORADIA C/TELHADO “VIVO” EM ITHACA, NO ESTADO DE NOVA YORK.
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Diálogos impossíveis: homem versus mulher.

A evolução darwiniana do homem que bebe...



Richard Jakubaszko

Diálogo entre Homem que bebe e Mulher que não bebe....

Mulher
- você bebe?

Homem
- sim

Mulher
- quanto por dia?

Homem
- 3 doses de uísque

Mulher
- quanto paga pela dose de uísque?

Homem
- cerca de R$10,00

Mulher
- há quanto tempo você bebe?

Homem
- 20 anos

Mulher
- uma dose de uísque custa R$10,00 e você bebe 3 por dia = R$900,00 por mês = R$10.800,00 por ano, certo?

Homem
- correto

Mulher
- se em um ano você gasta R$10.800,00, sem contar a inflação em 20 anos você gastou R$216.000,00, certo?

Homem
- correto

Mulher
- você sabia que com esse dinheiro aplicado e corrigido com juros compostos durante 20 anos você poderia comprar uma Ferrari?

Homem
- você bebe?

Mulher
- não

Homem
- Então cadê a sua Ferrari?

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domingo, 20 de outubro de 2013

Ruralista: você não nos alimenta e não nos representa!

Richard Jakubaszko   
Adeptos da egolatria e de modismos.
Algum filho de uma cadela sarnenta, e que não tem coragem de se identificar, criou, produziu e publicou de forma anônima um vídeo no Youtube, e que, contrariado, indico o link abaixo para que possa ser assistido. Divulgo para que as pessoas fiquem indignadas, assim como eu fiquei. Ao vídeo foi atribuído o abominável título deste post: "Ruralista: você não nos alimenta e não nos representa".

Assistir a esse vídeo é repugnante, pelas mentiras ideológicas equívocas, cheias de falsidades e distorções em seus 7 minutos de raciocínios escrotos. Vídeo que não tem autoria de postagem e nem assinatura ao seu final. A propósito, por que o Youtube permite isso? O vídeo demonstra um comportamento covarde, panfletário, é maniqueísmo da pior espécie, e por isso mesmo necessita de respostas e atitudes.

Precisa-se de um procurador público que cumpra suas funções como defensor da sociedade e que determine pela Justiça a retirada desse vídeo do Youtube. E que processe criminalmente seus autores. Defendo a democracia até a última instância, mas há limites para a liberdade de expressão, porque se ataca covardemente a honra e a dignidade de milhares de produtores rurais nesse vídeo. Vilipendiar sobre a honra das pessoas, tal como previsto no Código Criminal, é passível de ação processual na Justiça. Que seja tomada de imediato essa atitude pelas autoridades competentes, sob o risco de se jogar no lixo a integridade e credibilidade da democracia que os brasileiros desfrutam.

Essa palhaçada ideológica me lembra da urgente necessidade de os produtores rurais constituírem uma associação nacional que seja representativa de seus direitos. Que os produtores não sejam mais representados como estão hoje em dia, seja por uma bancada ruralista no Congresso Federal, onde apenas três ou quatro legisladores trabalham de fato, ou por entidades sindicais politizadas (autênticos pelegos de interesses políticos e econômicos inconfessos), e que não são de fato representativas dos verdadeiros produtores rurais, mas de apenas alguns latifundiários, rastaqueras dos cofres da viúva.

O discurso apresentado no vídeo usa argumentos falaciosos dos indigenistas; recorre, especialmente, a argumentos funestos e distorcidos do MST (Movimento dos Sem Terra), usa críticas e ignomínias de vários segmentos ambientalistas, e ainda de ONGs internacionais que manipulam jovens urbanos que ignoram completamente o que seja a atividade de produzir alimentos. Com certeza nenhum desses imbecis mentecaptos bebe leite, ou come arroz e feijão com carne, salada, nem toma suco de laranja ou cafezinho com açúcar. E ainda pensam, se é que possuem essa característica cerebral, que frangos e porcos se alimentam de milho caipira. Pelos neurônios descalibrados e mal informados dos autores desse vídeo, quem sabe 
eles imaginam, como já afirmei neste espaço em passado remoto, que comida nasce na gôndola dos supermercados. É só ir até lá e comprar, o agricultor nada tem a ver com isso...

O vídeo abaixo é coisa de gente que não dá para xingar nem de filho de mulher de "utilidade pública", pois é gente sem mãe, sem caráter e mal intencionada, é gente que cospe no prato em que come.
Dá nojo e me revolta ver brasileiros agindo dessa maneira, atuando contra o país. Contra todos os brasileiros, instigando até mesmo guerrilhas. E ainda falam na tal da sustentabilidade... Acho que o mundo seria sustentável, sim, sem a existência desses biscates parasitas, que trabalham a serviço dos capitais internacionais e de ideologias exóticas. É necessário explicar: não sou de esquerda e muito menos de direita, não tenho filiação partidária alguma, sou humanista, e não aceito essas mentiras.

Reitero, portanto, como tenho feito há anos na revista Agro DBO e neste blog, que os líderes conscientes do agro tomem providências de estabelecer respostas convincentes a esses párias sem apetite, que provavelmente não se alimentam, e andam fracos das ideias.

Com certeza essas respostas não devem e não podem ser através da propaganda e publicidade na TV, porque isso custa muito caro e já vimos que não funciona. Se precisarem estou à disposição.

Mais importante que tudo, é tempo dos produtores rurais brasileiros se indignarem, e de mostrarem isso à sociedade e ao governo.
Estou revoltado, pessoas assim abalam minha fé e a crença na humanidade.

O vídeo acima me foi enviado por Paulo Miguel Nedel.
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

As novas fronteiras agrícolas e urbanas

Richard Jakubaszko   
O mundo contemporâneo tem reservado surpresas incômodas e insólitas tanto para produtores rurais como para os cidadãos urbanos na questão da posse e uso da terra.
Máquinas na Agrishow, Ribeirão Preto/2012, que
descortina  uma visão inédita para urbanos e ruralistas.
Na região de Ribeirão Preto (ao norte de SP), também conhecida como a "califórnia brasileira", as fronteiras agrícolas e urbanas andam chegando aos limites do inimaginável até poucos anos atrás. Não se sabe mais quem "invade" o espaço do outro.

No campo, os produtores rurais costumam comentar que as cidades crescem de forma enlouquecida, "andam se expandindo além da conta". Culpa do crescimento demográfico, explicam os sociólogos e geógrafos, e argumentam que esse fenômeno não é exclusivo de Ribeirão Preto, mas acontece Brasil adentro, em todas as regiões. No Brasil Central, por exemplo, cidades novas surgem do nada quase que de um dia pro outro. De um pequeno aglomerado de casas evolui para povoado, logo é um município e tem até prefeito, eleição. Se a região é dominada pela agricultura, onde as riquezas circulam afoitas, rapidamente aparece infraestrutura básica como ruas, luz elétrica, telefonia, canalização de água e esgoto, comércio, escolas, hospitais.

Conflitos
Torna-se exemplar o caso da jornalista Bete Cervi, moradora no município de Santa Rosa do Viterbo, norte do Estado de São Paulo, na área de influência de Ribeirão Preto, onde reside em uma casa há mais de 20 anos, construída então na periferia da pequena cidade, de 23 mil habitantes.

De seu quintal Bete podia vislumbrar as atividades agrícolas da Usina Amália, então pertencente ao Grupo Matarazzo, no plantio e colheita da cana, além de outros produtores de laranja e hortaliças. A vida corria tranquila e sem maiores percalços até a Usina Amália ser arrendada, parte para a Usina da Pedra (Serrana) e parte para a Usina Santa Rita, de Santa Rita do Passa Quatro.

As usinas chegaram com novas tecnologias e conceitos agronômicos e o canavial cresceu, ficou mais próximo da casa de Bete Cervi. Antes ficava a uns 500 a 700 metros de distância, atualmente está a menos de 300 metros. 
Em abril último pulverizaram o canavial com um maturador e os problemas começaram, pois houve deriva. As laranjas e pitangas do quintal de Bete Cervi não frutificaram, outras perderam floradas, e também os vizinhos produtores de hortaliças registraram inúmeros prejuízos por causa da deriva das pulverizações. A jornalista diz que seu pomar ficou estéril pelo uso de maturador no canavial da usina.

Questionada sobre quem chegara primeiro, Bete Cervi foi enfática: “eu cheguei primeiro, o canavial veio muito tempo depois”. Com isso, o que seria um corriqueiro e pequeno problema, e que se repete no Brasil inteiro, em todas as fronteiras agrícolas, torna-se um drama que deve crescer de proporções para os antigos moradores da nova fronteira agrícola de Santa Rosa Viterbo.

Mas Bete Cervi é apenas um pequeno exemplo. Diariamente os pequenos, mas importantes acidentes, ocorrem e delineiam um novo patamar de relacionamento e convivência entre produtores rurais e cidadãos urbanos. A população urbana cresce a olhos vistos, as cidades incham e espalham-se notavelmente com seus novos moradores. Estes precisam de alimentos, e agora também de biocombustíveis, aos quais os produtores rurais respondem plantando, não apenas em novas e cada vez mais distantes fronteiras agrícolas, lá onde o dito cujo perdeu as botas e onde não existe infraestrutura de nada. Mas a produção agrícola cresce também em novas áreas, cada vez mais próximas às urbes, reduzindo a distância entre essas fronteiras.

Há também uma curiosa diferença da linguagem e do entendimento, um vizinho fala em hectare (100 x 100 = 10 mil m2), o outro em metro quadrado. O diálogo torna-se difícil em razão dos interesses e necessidades. A questão reside não na ótica de quem chegou primeiro, ou de quem tem mais direitos, mas em como conviver de forma pacífica e harmoniosa nessas novas fronteiras, de parte a parte.

Ao mesmo tempo, era  previsível que o novo Código Florestal, aprovado em 2012, iria limitar o uso de tradicionais áreas de produção agrícola, reduzindo alternativas e encarecendo o valor das terras.
Conforme o advogado, agropecuarista e corretor de imóveis rurais Atílio Benedini, de Ribeirão Preto, o preço de venda de 1 hectare de terra nua para lavoura na região de Ribeirão Preto varia de forma espantosa, entre R$ 25 a R$ 40 mil reais o que depende se a área tem benefícios como água, asfalto na porteira, luz elétrica ou distância da cidade.

Ao mesmo tempo o Código Florestal criou a figura agronômica-jurídica da Reserva Legal, obrigando os produtores de cada bioma a manterem intactos 20% da área da propriedade, para efeito de conservação ambiental, mesmo sendo essas reservas localizadas fora da propriedade. Nesses casos, os produtores rurais de Ribeirão Preto adquirem áreas em topos de morro, onde a agricultura é impraticável, e o local é indesejado pelos urbanos. Lá, pagam de R$ 8 até R$ 20 mil por 1 hectare, para cumprir a lei. Para se ter uma ideia, não longe dali, no Sul de Minas Gerais, 1 hectare de terra nua para lavoura custa de R$ 12 até R$ 15 mil reais. Criou-se, assim, como diz Benedini, "um mercado ficcional de terras. Terra improdutiva, uso exclusivo do meio ambiente, mas muito valorizada".

Os vizinhos fronteiriços terão novos e futuros problemas. Parecem ignorar que um precisa do outro, mas prefeririam, se pudessem, manter-se à distância.

Cada vez mais as fronteiras das lavouras e das urbes reduzem espaços. É um conflito que deve crescer de proporções para os habitantes dessas novas fronteiras agrícolas.
Não é exagero prever que no médio prazo ambos os lados serão perdedores nessa disputa.
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Toros perseguem caminhão na Espanha

Richard Jakubaszko   
As corridas de toros na Espanha são famosas. A Volvo pegou o mote e fez um comercial antológico.  No filme, um caminhão Volvo é perseguido por touros miúra em uma desabalada corrida pela cidade medieval espanhola Ciudad Rodrigo. 

“É incrível que seja possível atravessar uma cidade tão pequena com um caminhão deste tamanho” diz Rob Hunt, piloto de precisão que dirigiu o Volvo FL.


“A cidade é antiga, as ruas são estreitas e dirigimos em paralelepípedos escorregadios”, conta Hunt. Durante o teste o caminhão tinha que manter velocidade de no mínimo 30 km por hora, para ficar fora do alcance dos touros. Em certos trechos do percurso as ruas eram tão estreitas que Hunt teve que recolher seus espelhos retrovisores para evitar raspar o caminhão em uma parede.

“Os touros mantiveram uma alta velocidade de forma constante e algumas vezes chegaram muito perto. Então, era apenas uma questão de dirigir".
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Rio de Janeiro descobriu Cabral

Richard Jakubaszko
A marchinha de Carnaval do Seo Cabral já tem previsão de estourar a boca do balão nas próximas festividades momescas do Rio de Janeiro. Desconheço o nome do autor, mas ele aparece já já...
Confiram o bom humor carioca:

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A humanidade e a utopia de Mujica

Richard Jakubaszko  
Um dos discursos mais lúcidos que já li ou ouvi, verdadeira poesia de humanismo. 
Lindo, e ao mesmo tempo utópico, lamentavelmente. Humano, inegavelmente, mas tornar-se-á uma espécie de antevisão do fim, ou, exemplo de aviso prévio para a humanidade, que caminha para o precipício de forma coletiva, em vista do crescimento populacional, que não apenas polui, mas que esgota e consome todos os recursos disponíveis do planeta.
Transcrevo abaixo.

Discurso de José Mujica, na ONU.
Presidente uruguaio criticou o capitalismo e o individualismo em discurso que empolgou nas Nações Unidas
Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de mudanças funestas, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.

Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — porque, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.
Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferenças e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.
A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até auto exclusão.
O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.

Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.
O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.
Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.
Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.

A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.

O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.

Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.
Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.

Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fóruns e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e nada transforma em decisões...

Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pelo enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos "reclamáveis", que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.

Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegando a nossos limites biológicos.

Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

A cobiça, tão negativa e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.

Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é "tudo", essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.

Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.

Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os governos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra quando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.
Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então, cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.

As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.

Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.
A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.

Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.

Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.

Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.

Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos nas causas profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso "nós".
Obrigado.

Tradução: Fernanda Grabauska
Publicado em Zero Hora, Porto Alegre, 26/9/2013.


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domingo, 13 de outubro de 2013

Descréditos de carbono (e o gás de folhelhos)

Richard Jakubaszko
A declaração de amor ao CO2 é
do blogueiro.
Coloco em debate, a relevante questão do gás de xisto, mostrando a visão de dois especialistas respeitados, Evaristo de Miranda, da Embrapa, e Geraldo Lino, geólogo e escritor, cético das apocalípticas e falaciosas questões ambientais, como o aquecimento e mudanças climáticas.
Um autor prenuncia mudanças, e o outro coloca em dúvida a possibilidade dessa mudança radical para dentro em breve, e ambos estão baseados em fatos e notícias.

Como vemos, há uma guerra permanente na economia. Nas guerras, a primeira vítima sempre foi a verdade. E isto deveria ser um axioma para todo jornalista que se preze.
Após a leitura dos dois artigos, que reproduzo abaixo, é vital uma profunda reflexão sobre o tema, além de continuar a acompanhar o assunto, pois não há dúvidas de que teremos desdobramentos profundos daqui para a frente na questão da energia.

Descréditos de carbono
Evaristo Eduardo de Miranda *
O planeta buscava um substituto para o petróleo. Parece ter encontrado: o gás de xisto e o carvão mineral. O crescimento da produção norte-americana do gás de xisto mudou o panorama da geração de energia. Esse gás substitui a cada dia mais carvão, cujo excedente é exportado para a Europa a baixo preço. Isso derrubou o preço do carvão em todo o mundo, principalmente na Ásia. O mundo prepara-se para trocar um combustível fóssil por outro, mais abundante e barato.

As termoelétricas europeias a carvão mineral aumentam seus lucros. Sobra carvão e, com preços tão baixos, empresas como a norueguesa Statkraft, a alemã E·ON, a checa CEZ e a britânica SSE fecham e hibernam centrais a gás, incluindo plantas moderníssimas. Os lucros caíram mais de 90% no primeiro semestre de 2013 em usinas com ciclo combinado de gás. A RWE, a maior geradora da Alemanha, obtém 62% de sua produção do carvão mineral e incrementou a produção em 16% em 2012.

A Xstrata, a maior empresa exportadora de carvão mineral, baixou em 17,3% seus contratos para a geradora japonesa Tohoku. Depois de Fukushima, o Japão substitui a energia elétrica atômica pelo carvão. O adicional de emissões de dióxido de carbono (CO2), tanto no Japão como na Alemanha, pelo fechamento das usinas atômicas, é enorme.

O uso do carvão aumentou as emissões de CO2 na União Europeia (UE), tão engajada no discurso ambiental. Os países europeus não cumpriram as metas de redução de CO2 previstas no Protocolo de Kyoto, apesar da crise econômica e da substituição de sua produção industrial pela China. A importação de carvão estadunidense pela Europa cresceu 23% e atingiu 66,4 milhões de toneladas em 2012. Nos 27 países da UE, a geração de energia a partir de carvão ultrapassou o gás e atingiu seu nível máximo dos últimos 17 anos.

O chamado mercado de carbono, essencialmente europeu, veio abaixo. Sobram cotas de carbono e ninguém se interessa. Em abril o Parlamento Europeu votou uma sentença de morte para o mercado de carbono: rejeitou limitar as autorizações de emissões de CO2 propostas pela Comissão Europeia. Uma tonelada de CO2 valia 30 em 2008. Caiu para 2,75, seu nível histórico mais baixo. Para completar, a European Union Emissions Trading Scheme envolveu-se em escândalos, como roubo de licenças de emissão de CO2 e fraudes fiscais. O descrédito do mercado de carbono freou investimentos em alternativas de geração de energia. A UE aliviou as exigências ambientais para a indústria, em face da crise econômica. Ocorre uma renacionalização da política climática e o abandono da política de bloco.

No futuro os EUA exportarão gás em volume capaz de mudar o panorama mundial. A reserva americana é suficiente para abastecer o mercado por mais de cem anos, segundo cálculos da Administração de Informação de Energia. O avanço tecnológico na extração do gás de xisto prossegue e deve reduzir diversos problemas ambientais, como a contaminação hídrica e as emissões de metano.

As 48 reservas de gás de xisto encontram-se em 28 Estados americanos e 26 estão em exploração. Na Pensilvânia, em Nova York, Ohio e Virgínia Ocidental há 6 mil poços em operação, só na formação geológica de Marcellus. O gás de xisto, menos poluente, deslocará o carvão na geração de energia elétrica nos EUA, onde metade da eletricidade ainda é gerada em térmicas a carvão.

O gás de xisto já substitui o diesel em ônibus e caminhões. São poucos postos com o combustível nos EUA, mas a rede de gasodutos tem 38 mil quilômetros. O gás será um combustível cada vez mais competitivo e, ao levar ao túmulo o mercado de carbono, talvez carregue junto o sonho do etanol como commodity internacional, destinando-o a ser, basicamente, um produto de consumo interno nos países produtores. Se tanto.

Como essa nova realidade interfere na política brasileira de produção de biocombustíveis? E no mercado internacional de etanol? Uma equipe da Embrapa Gestão Territorial estuda seus impactos na agroenergia, mas o alcance da mudança pode ser muito maior. Por causa da produção crescente de gás de xisto nos EUA e de seu baixo preço, companhias brasileiras já suspenderam projetos de construção de hidrelétricas na América Central. Em outras situações, a energia hidrelétrica poderá perder competitividade com a termoelétrica.

O gás de xisto pode afetar o futuro do pré-sal. Já é real a fuga de investimentos produtivos no setor petroquímico do Brasil para os EUA, onde o preço da matéria-prima é menor. Apesar de a Agência Nacional do Petróleo ter marcado o primeiro leilão de blocos de gás de xisto para o fim de outubro, ainda falta o País conhecer e dominar a tecnologia envolvida nessa exploração.

Muitos no agronegócio brasileiro discutem combustíveis renováveis, redução das emissões de CO2, pegadas de carbono, agricultura de baixo carbono e propõem programas ambientais em cenários ultrapassados. A era da energia fóssil está longe de acabar. Esses cenários viraram carvão. O Brasil está destinado a compensar e fixar o carbono emitido pela China e países desenvolvidos? Deve renunciar ao pré-sal e à exploração de suas reservas de gás de xisto? Os carbonários do carbono ignoram os impactos desse gás e das novas tecnologias e mudanças associadas a ele.

A surpreendente emergência do gás de xisto ilustra o quanto é fundamental a inovação tecnológica e desafia o planejamento nacional. Ao ser alertado sobre o possível esgotamento das reservas de petróleo pela intensidade de sua exploração, uma autoridade saudita declarou: "A prioridade é vender as reservas antes da emergência de novas tecnologias". A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra.

* engenheiro agrônomo, doutor em Ecologia, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e membro do Conselho Editorial da revista Agro DBO.


Artigo originalmente publicado na Agro DBO / nº 49 / outubro 2013: www.agrodbo.com.br


Gigantes petroleiras desistem do gás de folhelhos nos EUA
Geraldo Lino *
Em iniciativas que devem servir para arrefecer o entusiasmo com as perspectivas do setor, as empresas petrolíferas Royal Dutch Shell e BP estão encerrando as suas atividades de exploração do gás de folhelhos (shale gas) nos EUA. Os motivos são reservas superestimadas e um rápido esgotamento de muitos poços, devido a problemas da tecnologia de exploração – para não mencionar os graves problemas ambientais (Alerta Científico e Ambiental, 18/07/2013 e 25/07/2013). As consequências foram prejuízos superiores a 3 bilhões de dólares, apenas para as duas gigantes.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o executivo-chefe da Shell, Peter Voser, afirmou que a aposta maciça da empresa nos folhelhos estadunidenses será um dos maiores arrependimentos do seu mandato, que se encerra ao final do ano. Segundo ele, a Shell investiu mais de 24 bilhões de dólares no chamado gás não-convencional na América do Norte, empreitada que, em suas palavras, “não saiu exatamente como planejado”. Em agosto, depois de perfurar quase 200 poços cuja produção não atingiu os níveis esperados, a empresa anunciou uma depreciação de 2,1 bilhões de dólares nos seus ativos de folhelhos. Com isto, a intenção é livrar-se deles o mais rapidamente possível (Financial Times, 6/10/2013).

Por sua vez, a BP e a BP Group anunciaram prejuízos conjuntos de 2,3 bilhões de dólares, enquanto a canadense EcCana Company perdeu 2 bilhões de dólares (The Voice of Russia, 2/10/2013).

O analista-chefe da consultora UNIVER Capital Company, Dmitry Alexandrov, é categórico:

O surto de interesse no gás de folhelhos está claramente encerrado. Devido aos problemas do orçamento nos EUA, as companhias de produção de gás de folhelhos não devem esperar conseguir mais financiamento. Portanto, os depósitos de gás de folhelhos não são mais financeiramente atrativos. E, finalmente, os sítios que tinham custos favoráveis têm sido esgotados. Então, para levar adiante a produção de gás, ou eles têm que recorrer a um monte de perfurações adicionais ou questionar a produção de gás existente.

Se a implementação do orçamento for suave, muito provavelmente, a produção de gás começará a crescer novamente, mas não tão rapidamente que garanta exportações de gás, apenas para abastecer o mercado interno. Eu estou confiante de que os EUA não irão procurar reduzir os preços mundiais do gás nos próximos anos, devido à política estadunidense de reindustrialização. Não há como vender o seu próprio gás de folhelhos barato, seja para a Europa ou a Ásia.

Segundo Alexandrov, a maioria dos especialistas acredita que, na melhor das hipóteses, a produção de gás de folhelhos manterá os níveis do pico atingido em 2011.

Outro especialista, o diretor-geral da Fundação Nacional de Segurança Energética russa, Konstantin Simonov, adverte que países que têm apostado nos folhelhos, como a Polônia e a Ucrânia, deveriam prestar atenção à experiência estadunidense:

A Polônia perfurou um poço de gás de folhelhos no ano passado e o batizou como “Chama de esperança”. Mas a situação do projeto está piorando, em termos comerciais. O projeto não é econômico e as empresas estrangeiras, como a ExxonMobil, já começaram a se retirar dele. A situação é bastante parecida na Ucrânia, que pode, certamente, esperar alguns progressos técnicos, mas o seu projeto de gás de folhelhos, dificilmente, será um sucesso comercial, pelo menos não nos próximos dez anos.

A Ucrânia pretende iniciar a produção de gás de folhelhos em 2015, mas o Ministério de Energia e da Indústria de Carvão do país já anunciou que os custos de produção não serão conhecidos antes de dois anos, o que coloca ainda mais dúvidas sobre as perspectivas de que a produção não-convencional possa vir a contribuir significativamente para a redução da grande dependência das importações de gás da Rússia (expectativa compartilhada pela Polônia).

Curiosamente, o governo ucraniano acaba de anunciar um acordo para a exploração de gás natural convencional na costa do Mar Negro, com um consórcio internacional encabeçado pela Shell e a ExxonMobil (AFP, 26/09/2013).

No início de 2012, outra gigante petrolífera, a Chevron, já havia abandonado a exploração dos folhelhos nos EUA, por motivos semelhantes aos agora alegados pelas suas “irmãs”.

Nesse contexto, é no mínimo curioso que, enquanto as gigantes anglo-americanas (cuja ausência quase total no leilão do campo de Libra do pré-sal brasileiro foi tão lamentada) se retiram do setor, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já fale em licitar a exploração dos folhelhos brasileiros. Em face das circunstâncias, é no mínimo medida de prudência aguardar um pouco mais pelo amadurecimento e a consolidação – ou não – da exploração dos hidrocarbonetos de folhelhos, para se decidir a liberá-la no País.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A agricultura tem sede

Richard Jakubaszko  
Agro DBO nº 49, de outubro/13, anda circulando, e firma-se como revista de referência para os agricultores profissionais.

Registrei no "Carta ao leitor":
Mudanças podem ser boas ou ruins. Trazemos informações consistentes na presente edição da Agro DBO que podem ser preocupantes para uns e estimulantes para outros. Trata-se da evolução e entrada no mercado do gás de xisto, a nova e mais barata fonte de energia fóssil, que já provocou perdas nos preços do carvão, ameaça o petróleo no médio prazo, e também o etanol de milho nos EUA, além do nosso etanol de cana. O leitor encontrará detalhes dessas perspectivas no artigo “Descréditos de carbono”, de Evaristo de Miranda e ainda na entrevista exclusiva com o produtor Walter Horita. No 

Como matéria de capa Agro DBO traz uma interessante e profunda análise sobre a irrigação no Brasil, "Estamos com sede", autoria do jornalista José Maria Tomazela, e de como os ambientalistas e órgãos de regulação e fiscalização dessa área andam tratando os agricultores.

Na reportagem do jornalista Ariosto Mesquita, “Hora de diversificar” o leitor encontrará alternativas para o plantio de grãos de inverno, a se pensar na safra em sequência à próxima safra de verão, pois tudo o que se fizer nesta safra poderá direcionar novos caminhos na safrinha.

A jornalista Marianna Peres assina a reportagem "Corrida contra o tempo" sobre as perspectivas de diversos produtores do Brasil Central para a próxima safra de verão, e quais as estratégias de plantio que cada um tem projetado para enfrentar as inúmeras dificuldades, como ataques das pragas e os altos custos de produção.

O jornalista Glauco Meneguethi descobriu e nos reporta que em Roraima começaram a colher a soja agora em setembro, plantada em abril/maio deste ano, pois lá eles se encontram no Hemisfério Norte.

Já o engenheiro agrônomo Hélio Casale nos mostra o “Safra Zero” no café, uma estratégia de poda radical no cafezal para reduzir em termos definitivos as agruras da bienalidade da rubiácea.

Portanto, informação de qualidade e atualidade para o leitor, análise abalizada, “escrita por quem é do ramo”. Conteúdo que o leitor não encontrará em qualquer esquina ou workshop.
Quem desejar ler a revista de forma virtual é só clicar no fac símile da capa, ou ir ao site da revista: www.agrodbo.com.br

No vídeo abaixo dou depoimento de viva-voz e explico didaticamente os problemas que o gás de xisto pode trazer ao agro brasileiro e mundial:

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