sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Placas de propaganda no Brasil

Richard Jakubaszko      
Há milhares dessas placas de propaganda e avisos afixadas em todas as ruas do Brasil. Algumas nos chamam a atenção pelo assassinato ao vivo do vernáculo, outras pela argumentação utilizada, realmente convincentes, mais até do que alguns criativos publicitários seriam capazes de criar.
Placa em homenagem à minha mulher, que
não é mineira, mas é pão-de-queijo-dependente.
Ligeira confusão, ato falho que nem Freud explicaria, sobre
se é raça canina ou é ofensa aos cachorros dos agricultores
O cover de Renato é o femonemo dos ésses trocados...
Se a fruta, legume / hortaliça tá feia, vende-se como
legítimo orgânico, e ainda aumenta o preço pra dar
credibilidade na propaganda.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cultura e consumismo

Richard Jakubaszko    
Quino, o caricaturista argentino criador da personagem Mafalda, desiludido com o rumo que o mundo está tomando quanto a valores e educação, expressou seu sentimento a respeito. A genialidade do artista produziu uma das melhores críticas sociais sobre a educação das crianças nos tempos atuais, na forma de criativos cartoons.

Devemos fazer profundas reflexões a respeito das ideias de Quino sobre o consumismo e o egocentrismo.
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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dúvidas sobre fraturamento e xisto

Richard Jakubaszko  
Capturei o texto abaixo, Dúvidas sobre fraturamento e xisto, publicado no site do Greenpeace, ONG que atua no Brasil e no mundo inteiro com interesses econômicos e políticos nunca revelados. Reproduzo o texto, conforme foi publicado, e faço comentários diversos ao longo do mesmo, grafados em vermelho e em itálico, para diferenciar a minha opinião da opinião da Greenpeace, mas que eles publicaram como se fosse uma notícia séria. Que o leitor julgue a tendenciosidade dessa ONG internacional na defesa de seus patéticos postulados.
Ao leitor paraquedista, ou desavisado: este blogueiro, definitivamente, anda cada vez mais sociofóbico, e não aguenta mais tanta hipocrisia, sem contar a incompetência de gente como o pessoal do Greenpeace, que mete o bico em tudo o que vê.

Dúvidas sobre fraturamento e xisto:
ANP permitirá uso da técnica de fraturamento em 12ª Rodada de Licitações sem ter regulamentação ambiental
Legenda da ONG: Estima-se que a construção de gasodutos
dobrou na Pensilvânia, EUA, devido aos
investimentos na exploração do gás de xisto.
Legenda do blogueiro: por que essa ONG é contra
 investimentos, que geram empregos?
Terminou ontem (22/11/2013) a consulta pública (Ao que nos consta a ONG Greenpeace não fez nenhuma intervenção na área da consulta pública, e apenas prefere escandalizar na mídia) realizada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para a resolução que estabelece os critérios para perfuração de poços seguida do emprego do fraturamento hidráulico não convencional. A técnica que consiste na perfuração de rochas de folhelho – mais conhecido como ‘xisto’ – para a extração de gás natural poderá ser utilizada pelas empresas que ganharem a 12ª Rodada de Licitações. Mas o que está sendo pouco discutido (pouco discutido? E o que é uma consulta pública, se não um debate público?) é que esta tecnologia envolve riscos ambientais sem que haja uma regulamentação (regulamentação, não, é mentira, a ONG quer é proibir, né não? É só o que eles sabem fazer. No Brasil a gente devia imitar os russos e mandar prender todos esses ongueiros!) ambiental para o tema.

A ASIBAMA (Associação dos Servidores do Ibama), SINDIPETRO (Sindicato dos Petroleiros) e FIST (Frente Internacional dos Sem-Teto) denunciaram os impactos da fraturação, cobraram mais transparência (querem mais transparência do que a existente numa consulta pública? Mas o que é isso que desejam? Transparência translúcida?) da ANP e pediram diálogo (e a consulta pública o que é, não é diálogo com a sociedade? Ora, cáspita, reclamam de que?) sobre o tema com a sociedade civil. A audiência (onde houve mais debate...) aconteceu às vésperas da 12ª Rodada que acontecerá nos dias 28 e 29 de novembro.

Serão ofertados 240 blocos exploratórios localizados em 13 bacias sedimentares diferentes que poderão ter seus recursos naturais convencionais e não convencionais explorados. Segundo a própria ANP, a resolução “tem como objetivo permitir que a atividade seja realizada de forma segura, resguardando o meio ambiente, sobretudo as formações hídricas.”

No entanto (aqui começam as contrariedades dessa ONG...), diversas organizações ambientais, entre elas o Greenpeace (até parece que são sérios...), identificaram problemas tanto no processo do leilão (que problemas serão esses, ó caras pálidas do Greenpeace?, vocês não dizem, só insinuam, e de forma maledicente...) quanto no uso da tecnologia que será utilizada. “Embora as primeiras experiências com fracking datem da década de 1940, o uso em larga escala desta tecnologia ocorreu apenas nos anos 2000 e seus impactos ainda foram pouco estudados”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenadora (sic) da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. (agora começa a ficar claro, eles são contra o fracking; não sabem o que é, mas "suspeitam" que seja algo ruim... Bom, até pode ser, mas é uma tecnologia dos anos 40, né? Deve ter envelhecido...).

As técnicas utilizadas têm resultado na contaminação de lençóis freáticos (mentira! Até agora se desconhece qualquer contaminação, são apenas suspeitas de que "pode" contaminar; então proíba-se, seguindo o dogma da maledeta da precaução?) devido às substâncias químicas utilizadas – mais de 600 produtos químicos, (quem contou todos esses produtos? Que exagero!) areia (e areia é ruim? Essa é boa...) e outros elementos pouco testados – como bário e arsênio. Além do uso intensivo de água, há também questões relacionadas à proximidade dos blocos exploratórios a conjuntos significativos de territórios tradicionais, indígenas, quilombolas e campesinos (outra mentirinha inocente... É isso que incomoda? Ah! E quem são esses campesinos? No Brasil não existe isso, gente do Greenpeace, aqui é Agricultura Familiar).

“Estas populações não foram consultadas (e a consulta pública é o quê? Nem o Greenpeace e nem essas "populações" foram lá opinar, não é? Agora querem manchetes, criticam e escandalizam. Que vitimosidade é essa?) sobre a instalação destes empreendimentos em seus territórios, agravando os conflitos socioambientais (conflitos que o Greenpeace cria, todo dia inventam uma novidade...) que já existem devido à cadeia de petróleo e gás”, disse Baitelo. Há que se considerar também que a exploração do gás de xisto permite vazamento do gás metano (metano não é gás poluente, é da natureza, existe em vulcões, em lixões, nas florestas tropicais, em arrozais, na flatulência bovina e humana...), colaborando para o aumento das emissões de gases estufa e contribuindo para o aquecimento global (essa é  maior mentira, não há aquecimento global, o ambientalista James Lovelock já admitiu que exagerou, mas o Greenpeace não deu bola e continua mentindo. Qual é o interesse? É que eles só são a favor da energia nuclear, sabia disso leitor?).

O Plano Decenal de Energia publicado prevê o aumento em 40% do gás natural na matriz energética para abastecer as termelétricas. “O gás convencional seria mais do que suficiente (Essa é mais uma opinião do Greenpeace, e ninguém pediu a opinião furada deles) para abastecer a matriz nacional e não há a necessidade de investir em fraturamento, uma tecnologia insegura, desconhecida (ué, mas não é tecnologia velha, existente desde 1940, e ninguém conhece?) e que não conta com regulamentação”, concluiu Baitelo. (ó Baitelo: vai encher o saco dos americanos, quero ver se vocês tem coragem disso.)

No link a seguir o leitor encontrará o post “Desconfie sempre das ONGs” publicado neste blog em 16/4/2011: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2011/04/desconfie-sempre-das-ongs.html
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domingo, 24 de novembro de 2013

Rita Pavone, símbolo dos anos 1960

Richard Jakubaszko    
Existem raros símbolos vivos dos agitados anos 1960, e Rita Pavone é um deles. Cada um dos mitos que se poderia citar, seja a guerra fria, The Beatles, João XXIII, Pelé, James Bond, Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, John Kennedy, Fidel Castro e Che Guevara, Mao Tsé Tung, não encarnaria nem de longe o espírito de rebeldia juvenil vividos naqueles anos, como era o clima da representatividade contestatória de Rita Pavone, ao lado da pílula anticoncepcional, da minissaia, do movimento da contracultura hippie (lá fora), ou do tropicalismo e da jovem guarda aqui no Brasil, além dos protestos de maio 68 em Paris. Foram tempos agitados...

Rita Pavone representou e encarnou o estilo da juventude daqueles tempos, depois sossegou, casou, teve filhos, viveu uma vida de dona de casa típica da classe média alta italiana, com raras aparições na TV.

Rita Pavone andou pelo Brasil, nos anos 1980, numa tentativa da indústria fonográfica de reativar sua carreira. Não deu certo, seus fãs já haviam envelhecido, e o mito havia superado a artista. Abaixo 2 vídeos de Rita: primeiro, no clássico e inesquecível "Datemi un martello" e depois numa apresentação mais recente na tv italiana; para recordação de seus fãs, e para conhecimento dos mais jovens.

Interessante registrar que, naqueles tempos, os jovens não eram chamados de "aborrescentes".


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Plantio direto em xeque

Richard Jakubaszko     
Clique na capa da revista
para ler o conteúdo.
Carta ao leitor / editorial:
Desde sempre, entendemos que os produtores rurais estão no negócio de produzir alimentos para ganhar dinheiro. Assim, deixemos de lado ilusões politicamente corretas ou fantasias idílicas sobre a suposta e santíssima atividade missionária de agricultores para salvar o mundo da fome.

O reconhecimento dessa assertiva por parte dos produtores rurais brasileiros é necessário para que se possa desmistificar uma verdade intangível aos olhos da sociedade urbana e do próprio governo quanto à importância e ao notável nível de profissionalização e competência técnica dos ruralistas brasileiros, diante da próxima safra de grãos, que ameaça atingir 195 milhões de toneladas.

Entretanto, reconheçamos que agricultores – e também pesquisadores, bem como todos os seres humanos, erram sim, no individual e no coletivo. Erram feio ao se distrair com questões mundanas e ao não prestar a devida atenção ao seu próprio negócio, ao não dar importância ao maior valor de qualquer atividade produtiva, que é a informação. Informação pertinente e relevante como vimos publicando na Agro DBO pode anular o maior perigo para a sobrevivência dos produtores rurais, por tirá-los da distração e da desinformação.

Posto isto, como um alerta, é fundamental a leitura da matéria de capa desta edição, “Plantio direto em xeque”, do jornalista José Maria Tomazela, e ainda da reportagem “A crise anunciada”, do jornalista Ariosto Mesquita, sobre os erros cometidos com a Helicoverpa, para que os produtores deixem “cair a ficha”, como se diz no jargão popular, daquilo que estão fazendo de errado em prejuízo do seu próprio negócio e da atividade de produzir alimentos. As duas matérias exibem a crueza das péssimas consequências do que se está fazendo de errado com a agricultura brasileira, desvirtuadas pelo objetivo humano de ter lucros, apesar de justos. Erros que comprometem as gerações futuras ao atropelar a sobrevivência econômica dos produtores de hoje.

Negligenciar informação é uma espécie de suicídio empresarial. Portanto, agricultor, leia Agro DBO, revista editada para ser a sua referência na agricultura e na produção de alimentos, pois quem precisa ser sustentável é o produtor. O resto é consequência: www.agrodbo.com.br
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A ingenuidade petista e o fator Márcio Thomaz Bastos

Por Motta Araújo 
Nenhum governo pode se escusar por ingenuidade no poder. O PT cometeu erros em sequência, a fatura desses erros chegou agora no martírio desse processo digno de um Kafka, uma catarse para os réus e uma tragicomédia felliniana pelo absurdo do conjunto da obra, exaltada pela transmissão ao vivo, algo inédito no mundo jurídico do planeta.
1 - Nomear um "amigo" sem ideal político para o Ministério da Justiça, uma pessoa "nefasta", vocacionada apenas pelo ego, pela vaidade e pela ambição de ter ligações para inflar seu papel de advogado criminalista mais caro do País.

Quando chegou a Ministro disse que "estava adorando ser Ministro", frase vulgar e frívola, ninguém é Ministro para "adorar" o usufruto do cargo e sim para prestar serviços ao País. Depois disse que estava aposentado e não iria mais advogar, revelou publicamente. Mal deixou o cargo voltou a advogar até para o Carlinhos Cachoeira e para quem mais lhe pagasse. Depois do estrago que legou para o PT continua desfilando por festas, coquetéis etc. como se nada houvesse acontecido e como se o mensalão não fosse com ele, que já faturou direta ou indiretamente seus honorários que são estratosféricos.

2 - Por ter um Ministro da Justiça sem visão e muito menos estratégia política, esse personagem essencialmente negativo para o projeto do PT deixou passar frangos inacreditáveis para cargos chaves da governabilidade, como dois Procuradores Gerais e três Ministros do STF que só agiram contra o PT, nunca a favor, nem para disfarçar.

Um dos Ministros, sem vida pregressa conhecida, cheio de cursos no exterior, mas sem experiência de juiz, de perfil incógnito e sem que alguém conhecesse mesmo superficialmente sua personalidade nebulosa.

Roosevelt nomeou 7  juízes da Suprema Corte de sua absoluta confiança, frequentadores de sua casa de campo em Hyde Park, como Félix Frankfurter. Foi inacreditável Lula nomear Ministros do STF sem que ele nunca tivesse conversado com eles, quer dizer, sem ao menos vê-los face a face, algo que uma patroa faz até antes de contratar uma cozinheira.

Pior ainda foram os Procuradores Gerais, os maiores carrascos do PT, a manobra de juntar 37 sem foro privilegiado a 3 com foro foi uma rasteira que o PT (a partir do Ministro da Justiça) deixou passar batido. É esse o DNA da condenação. Naquele momento o "Deus" (só se for de confraria de vinhos) tinha força política para impedir essa loucura e não o fez. Mais ainda, depois do Procurador Geral montar a arapuca ainda foi reconduzido ao cargo.

Na bissecular democracia americana o Procurador Geral é de ABSOLUTA confiança do Presidente, que pode demiti-lo a qualquer instante, não só ele como qualquer um dos 75 Procuradores Federais. Bush demitiu 8 em um só dia e quando lhe perguntaram porque, respondeu "Porque eu quis. Posso nomeá-los e demiti-los". E ninguém contesta que os EUA são uma democracia, de tal forma sólida que elegeu um fulano filho de muçulmano do Quênia e não branco.

3 - O PT chegou ao poder em 2003 sem conexões ou relações do meio jurídico. Se tivesse não teria feito essas nomeações sem lógica, fiou-se exclusivamente nesse MTB que levou os melhores lideres do PT para um alçapão.

O PT tinha que nomear Procuradores Gerais e Ministros do STF alinhados com o PT, como fazem todos os Presidentes dos Estados Unidos e da França. É prerrogativa de governos preencherem esses cargos com nomes de sua confiança, MAS o inefável homem das meias de seda suíças, sua marca registrada (e que recomendou a Lula) inventou uma bobageira de que ele se orgulhava "o republicanismo" para nomear titulares de cargos-chaves como Diretor da PF, Procuradores e Ministros de Tribunais Superiores, "ah, eu sou republicano" se gabava enquanto preparava a corda para o PT com o tal republicanismo fajuto de surfadores da "Democracia da Constituição de 88", aquela que impede o Brasil de ter governabilidade e que saiu dos corredores da OAB (que ele presidiu)  em combinação com o MDB.

Banksy - ratagirl
NÃO EXISTE REPUBLICANISMO, isso é uma falácia. Governo existe para governar, não para escolher gente sem compromisso algum com quem o nomeou, em homenagem de um teórico REPUBLICANISMO, de que se orgulhava esse Zé Colmeia sem noção e que inventou os personagens que crucificaram o PT com prisão de seus maiores lideres.

4 - A conta dos erros chegou, com um julgamento-show de péssimo gosto onde poucos se salvam, alguns por papéis de carrascos, outros por omissão e falta de coragem para enfrentar aberrações jurídicas... E o show vai continuar mesmo na execução das penas, a Globo passando horas a fio sobre o embarque dos presos em um avião, uma coisa de virar o estômago pela estupidez e mau gosto, convocando "professores de direito", sempre os mesmos dois para falar obviedades, a linha-merval é de sempre demonizar o PT e nunca contestar o absurdo das penas e da destruição de pessoas laterais como Simone Vasconcelos e Katia Rabelo, esta uma frágil bailarina condenada a pena muito maior do que o assassino Pimenta Neves. Mas será que ninguém vê o absurdo disso? Qual o imenso perigo que Simone Vasconcellos e Katia Rabelo representam para a sociedade? Katia passou a dirigir o banco pela morte trágica da irmã Júnia, que foi estraçalhada pelas pás de um helicóptero, precedida pela morte do pai, Sabino Rabelo, um respeitado empresário. Qual imenso erro ela praticou? Dirigentes dos bancos que provocaram a crise de 2008 não tiveram esse tipo de pena.

Simone é uma funcionaria da agência, nem sócia menor é, condenada a uma pena que nem Stalin daria a um personagem secundário. Como isso passou batido por 11 sumidades do Direito? Traficantes, estupradores, contrabandistas, receptadores de carga, assaltantes a mão armada, não têm penas tão longas, como isso não ressalta aos olhos? Ou será que o medo de enfrentar o bullying forense foi maior? Quando TODOS foram chamados de chicaneiros, porque não individualizado o xingamento, por que ficaram todos quietos? Essa questão é muito maior e muito mais grave do que o próprio julgamento do mensalão, em que mãos o PT nos colocou?

E o processo-símbolo vai servir como exemplo para ACABAR COM A CORRUPÇÃO? Aonde? Na Índia? Ora, francamente.

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O júbilo e a hipocrisia

Mauro Santayana
(JB) - O Ministro Joaquim Barbosa escolheu a data de 15 de novembro, Proclamação da República, para ordenar a prisão e a transferência para Brasília, em pleno feriado, e sem carta de sentença, de parte dos réus condenados pela Ação-470.

O simples fato de saber que os “mensaleiros” - como foram batizados pela grande mídia - viajaram algemados e em silêncio; que estão presos em regime fechado, tomando banho com água gelada, e comendo de marmita, encheu de regozijo parte das redes sociais.É notável o ensandecido júbilo, principalmente nos sites e portais frequentados por certa minoria que se intitula genericamente de “classe média”, e se abriga nas colunas de comentários da mídia mais conservadora.
Parte da população, a menos informada, é levada a comemorar a prisão do grupo detido neste fim de semana como se se tratasse de uma verdadeira Queda da Bastilha, com a ida de “políticos” “corruptos” para a cadeia.

Outros, menos ingênuos e mais solertes, saboreiam seu ódio e tripudiam sobre cidadãos condenados sob as sombras do “domínio do fato”, quando sabem muito bem que dezenas, centenas de corruptos de outros matizes políticos - alguns comprovadamente envolvidos com crimes cometidos anos antes desse processo – continuam soltos, sem nenhuma perspectiva de julgamento.

Esses, para enganar os incautos, já anteveem a queda da democracia. Propõem a formação de grupos de “caça aos corruptos”, desde que esses tenham alguma ligação com o governo. Sugerem que cidadãos se armem. Apelam para intervenções golpistas. Torcem para que os presos de ontem, que estejam doentes morram, ou que sejam agredidos por outros presos.

Ora, não existe justiça sem isonomia. Já que não se pode exigir equilíbrio e isenção de quem vive de manipular a opinião pública, espera-se que a própria população se manifeste, para que, na pior das hipóteses, o furor condenatório e punitivo de certos juízes caía, com a sutileza de um raio lançado por Zeus, sobre a cabeça de outros pecadores.

Há casos dez, vinte vezes maiores, que precisam ser investigados e julgados. Escândalos que envolvem inclusive a justiça de outros países, milionários e recentes ou que se arrastam desde a época da aprovação do instituto da reeleição - sempre ao abrigo de gavetas amigas, ou sucessivas manobras e protelações, destinadas a distorcer o tempo e a razão, como se estivéssemos em órbita de um buraco negro.

Seria bom, no entanto, que tudo isso se fizesse garantindo o mais amplo direito de defesa, no exclusivo interesse da Justiça. Ou a justiça se faz de forma equânime, desinteressada, equilibrada, justa, digna e contida, ou não pode ser chamada de Justiça
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Publicado no site http://www.maurosantayana.com/2013/11/o-jubilo-e-hipocrisia.html
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Plebiscito de 1963 e o "não" do povo.

Richard Jakubaszko   
Faz mais de 50 anos (6 de janeiro de 1963) que se realizou o Plebiscito que disse "Não" ao parlamentarismo. Os maiores nomes artísticos da época, como Bibi Ferreira, Elizeth Cardoso, Ivon Cury, Isaurinha Garcia, Jorge Goulart, e outros, foram contratados para apresentar uma das principais peças publicitárias do presidencialismo. O rádio era a maior força de comunicação com o povo, a TV engatinhava no Brasil.

Diferentemente de 1963, vive-se hoje no Brasil um clima de Plebiscito. Na plena democracia que usufruímos há um clima de ódio e revolta no ar. Prevalece o desinteresse pelo bem público, estabeleceu-se um clima de revanche, impróprio das democracias, digno apenas de ditaduras (de esquerda ou direita), pois não há oposição representativa do povo. Há confrontos, que antecedem estágios beligerantes, o que é muito ruim para o pleno exercício da democracia, do estado de direito e justiça igualitária.
Para pensar, nada mais do que isso.
 

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O poder da Arte (BBC) - Jacques Louis David

Richard Jakubaszko     
Um interessante documentário da BBC sobre a Arte de Jacques Louis David, nos tempos em que a guilhotina trabalhava em regime de hora extra na França. Aliás, interessante é pouco, é notável, inteligente, profundo. No Brasil ainda não temos essas competências trabalhando para a televisão.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem é o rei do Barcelona: Messi ou Ronaldinho?

Richard Jakubaszko    
Afinal, quem é o rei do Barcelona, Messi ou Ronaldinho? O vídeo abaixo, ancorado no Youtube, com mais de 32 milhões de visitas, ajuda você a se decidir, e mostra alguns dos lances mais incríveis "cometidos" por esses dois jogadores incríveis.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Direito à vida.

Luiz Inácio Lula da Silva   
Em todo o mundo, seja nos países ricos, em desenvolvimento ou pobres, o acesso a tratamentos médicos mais avançados está cada vez mais desafiador. Muitos dos doentes não conseguem se beneficiar dos medicamentos que poderiam curá-los ou pelo menos prolongar as suas vidas.

A questão não é mais se existe cura para uma doença — porque, em muitos casos, ela existe — mas de saber se é possível para o paciente pagar a conta do tratamento. Milhões de pessoas encontram-se hoje nessa situação dramática, desesperadora: sabem que há um remédio capaz de salvá-las e aliviar o seu sofrimento, mas não conseguem utilizá-lo, devido ao seu custo proibitivo.

Há uma frustrante e desumana contradição entre admiráveis descobertas científicas e o seu uso restritivo e excludente.

De um lado, temos as empresas farmacêuticas, que desenvolvem novas drogas, com investimentos elevados e testes sofisticados e onerosos. De outro, temos aqueles que financiam os tratamentos médicos: os governos, nos sistemas públicos, e as empresas de planos de saúde, na área privada. No centro de tudo, o paciente, lutando pela vida com todas as suas forças, mas que não tem condição de pagar para sobreviver.

Nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama trava há anos uma batalha com a oposição conservadora para estender a cobertura de saúde a milhões de pessoas. Na Europa, mesmo em países ricos o sistema público muitas vezes não consegue garantir o pleno acesso aos novos medicamentos.

No Brasil, cada vez o governo precisa de mais recursos para os medicamentos que compra e fornece gratuitamente, inclusive alguns de nova geração. E na África, o HIV atinge contingentes enormes da população, ao mesmo tempo que doenças tropicais como a malária, perfeitamente evitáveis, continuam causando muitas mortes e deixaram de ser priorizadas pelas pesquisas dos grandes laboratórios.

Um vídeo que circula na Internet, feito por uma companhia de celular, tem emocionado o mundo ao mostrar os dramas entrelaçados de um garoto pobre da Tailândia que tem que roubar para obter remédios para sua mãe, e o de uma jovem tendo que lidar com as contas astronômicas de hospital para salvar o seu pai.
Conheço o drama de ter entes queridos sem um tratamento de saúde digno. Em 1970, perdi minha primeira esposa e meu primeiro filho numa cirurgia de parto, devido ao mau atendimento hospitalar. Os anos que se seguiram, de luto e dor, foram dos mais difíceis da minha vida.

Por outro lado, em 2011, já como ex-presidente, enfrentei e superei um câncer graças aos modernos recursos de um hospital de excelência, cobertos pelo meu plano privado de saúde. O tratamento foi longo e doloroso, mas a competência e atenção dos médicos, e o uso dos medicamentos de ponta, me permitiram vencer o tumor.

É fácil ver as empresas farmacêuticas como as vilãs desse processo, mas isso não resolve a questão. Quase sempre são empresas de capital aberto, que se financiam principalmente através de ações nas bolsas de valores, competindo entre si e com outras corporações, de diversos setores econômicos, para financiar os custos crescentes das pesquisas e testes com novas drogas. O principal atrativo que oferecem aos investidores é a lucratividade, mesmo que essa se choque com as necessidades dos doentes.

Para dar o retorno pretendido, antes que a patente expire, a nova droga é vendida a preços absolutamente fora do alcance da maioria das pessoas. Há tratamentos contra o câncer, por exemplo, que chegam a custar 40 mil dólares cada aplicação. E, ao contrário do que se poderia imaginar, a concorrência não está favorecendo a redução gradativa dos preços, que são cada vez mais altos a cada nova droga que é produzida. Sem falar que esse modelo, guiado pelo lucro leva as empresas farmacêuticas a privilegiarem as pesquisas sobre doenças que dão mais retorno financeiro.

O alto custo desses tratamentos tem feito com que planos privados muitas vezes busquem justificativas para não dar acesso a eles, e que gestores de sistemas públicos de saúde se vejam, em função dos recursos finitos de que dispõem, frente a um dilema: melhorar o sistema de saúde como um todo, baseado em padrões médios de qualidade, ou priorizar o acesso aos tratamentos de ponta, que muitas vezes são justamente os que podem salvar vidas?

O preço absurdo dos novos medicamentos tem impedido a chamada economia de escala: em vez de poucos pagarem muito, os remédios se pagariam — e seriam muito mais úteis — se fossem acessíveis a mais pessoas.

A solução, obviamente, não é fácil, mas não podemos nos conformar com o atual estado de coisas. Até porque ele tende a se agravar na medida em que mais e mais pessoas reivindicam, com toda a razão, a democratização do acesso aos novos medicamentos. Quem, em sã consciência, deixará de lutar pelo melhor tratamento para a doença do seu pai, sua mãe, seu cônjuge ou seu filho, especialmente se ela traz grande sofrimento e risco de vida?

Trata-se de um problema tão grave e de tamanho impacto na vida — ou na morte — de milhões de pessoas, que deveria merecer uma atenção especial dos governos e dos órgãos internacionais, e não só de suas agências de saúde. Não pode na minha opinião continuar sendo tratado apenas como uma questão técnica ou de mercado. Devemos transformá-lo em uma verdadeira questão política, mobilizando as melhores energias dos setores envolvidos, e de outros atores sociais e econômicos, para equacioná-lo de um modo novo, que seja ao mesmo tempo viável para quem produz os medicamentos e acessível para todos os que precisam utilizá-los.

Não exerço hoje nenhuma função pública, falo apenas como um cidadão preocupado com o sofrimento desnecessário de tantas pessoas, mas acho que um desafio político e moral dessa importância deveria ser objeto de uma conferência internacional convocada pela Organização Mundial de Saúde, com urgência, na qual os vários segmentos interessados discutam francamente como compartilhar os custos da pesquisa científica e industrial com o objetivo de reduzir o preço do produto final, colocando-o ao alcance de todos que necessitam dele.

Não há dúvida de que todos os setores vinculados à medicina avançada devem ter os seus interesses levados em conta. Mas a decisão entre a vida e a morte não pode depender de preço.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil

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domingo, 10 de novembro de 2013

Banho de bebês

Richard Jakubaszko   
O "Thalasso Bain Bébé" é um método original de banho de bebês recém nascidos, e de até uns 3 ou 4 meses, desenvolvido por Sonia Rochel, assistente de puericultura em Paris, como resultado de muitos anos de observação e reflexão. O vídeo "ternura", de 5 minutos, mostra alguns momentos de uma sessão, que dura de 10 a 15 minutos, e é absolutamente encantador.
O bebê parece voltar ao útero, dorme, sonha, e...
Enviado pela doutorinha Daniela Jakubaszko.

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sábado, 9 de novembro de 2013

Bate estacas baiano

Richard Jakubaszko    
A criatividade é mais do que evidente nas imagens do vídeo, que mostra um autêntico e eficientíssimo bate estacas nordestino, mais precisamente baiano, em funcionamento, animado pelo entusiasmo dos participantes. A Nasa deveria ficar de olho nessa turma, porque gerar tecnologia a partir do zero, hoje em dia é coisa rara.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O plantio direto acordou o Brasil para a sustentabilidade

Agro DBO de NOV/13, traz
relevantes e pertinentes
informações sobre o uso
inadequado do SPD no
Brasil. Clique na capa
para ler a revista.
Antonio Roque Dechen *
O Paraná, um dos mais importantes e desenvolvidos estados da Federação, ofereceu ao país, no âmbito da agricultura, uma contribuição inigualável, iniciando a aplicação do Sistema de Plantio Direto (SPD) na palha.

O pioneiro dessa técnica é Herbert Arnold Bartz, que utilizou os fundamentos da técnica no município paranaense de Rolândia, na safra de 1972. O Sistema de Plantio Direto é compreendido por três ações fundamentais de cultivo, que englobam a cobertura permanente, o mínimo revolvimento do solo e, sempre que possível, a rotação de culturas.


Um dos desdobramentos mais relevantes dessa técnica revolucionária é que, na verdade, esse Sistema sofisticou muito a agricultura. A permanência da palha após as colheitas, por exemplo, fixa-se como uma proteção que mantém no solo micro-organismos essenciais. Quando ocorre a incidência do sol, ele não atinge diretamente o solo, pois é como se esbarrasse em uma capa protetora. Dessa forma, se a água no solo não evapora, facilita a ação desses micro-organismos que, ao decomporem a camada de resíduos, estimulam a formação de húmus no terreno a ser plantado. Trata-se, obviamente, de importante reforço à permeabilidade do solo e à redução da velocidade dos escorrimentos, evitando, sobretudo, a erosão e subsequente deposição de resíduos em águas lacustres e riachos.

Complementarmente, pode-se creditar ao SPD a recuperação de solos degradados, já que a decomposição da cobertura morta protege a terra e municia, como alimento, bactérias, plantas e animais. Outro fator de grande relevância no plantio direto é facilitar a rotatividade de culturas ao abreviar novas semeaduras.

A adoção do Sistema de Plantio Direto agrega não somente valores conservacionistas, notadamente quanto à qualidade, conservação e biologia do solo, mas, complementarmente, adiciona outros benefícios relevantes à economia agrícola ao otimizar o uso de fertilizantes e diminuir variados custos de produção. No entanto, a contribuição inestimável que o SPD proporciona aos seus adeptos é a conservação perene do seu bem maior, que é o solo onde trabalham. Na contramão ao recomendado zelo no dia a dia desta atividade, a falta de cuidados com o solo reservado ao plantio acarreta prejuízos de tal magnitude que sequer permitem a mensuração precisa dessas perdas.

* O autor é engenheiro agrônomo, Vice Reitor Executivo de Administração da Universidade de São Paulo, Professor Titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Presidente da Fundação Agrisus e Membro do Conselho Científico de Agricultura Sustentável (CCAS).

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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Purgante salino

Rogério Arioli Silva *   
A bula do produto ao lado mencionado o recomenda para constipações e repleção gastrointestinal nos bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos e cães. O Google, atual “pai dos burros”, agora informatizados, ensina que constipação, intestinalmente falando, nada mais é do que prisão de ventre. Repleção gastrointestinal, por sua vez, é o conhecido empanzinamento ou timpanismo, ou ainda, uma distensão do rúmen bovino devido à incapacidade do animal expulsar os gases produzidos na fermentação dos alimentos. Feitas essas considerações veterinárias passo a defender, ardorosamente, a utilização desse produto para certo tipo de seres humanos.

Ao assistir na semana passada um programa televisivo onde foi promovido o debate sobre a situação do pré-sal, suas consequências e desdobramentos ao futuro do país, tive a certeza de que aqueles os quais ainda defendem o bônus político dessa descoberta devem ser tratados com o dito purgante. Explico: É oportunista e demagógica a postura marquetizada de que o Brasil será transformado a partir da descoberta do petróleo no pré-sal. Segue em curso uma discussão eleitoreira sobre a aplicação de lucros que, é bom que se diga, ainda são virtuais, para essa riqueza adormecida nas profundezas da costa brasileira.

O ufanismo sempre fez parte do ideário brasileiro. Passando pela brasilidade do Deus até o gigantismo pela própria natureza, nem sempre essa mania de grandeza trouxe bons frutos ao país. Ainda mais quando incentivada pelos próprios governos que, cada um a seu modo, pela mediocridade dos seus feitos, apelam para esse pseudo “destino manifesto” tropical. Nesse roteiro, comédia e drama se alternam e, como dependentes químicos, passamos da euforia à depressão como num passe de mágica, queimando neurônios que farão falta num futuro próximo.

O debate ao qual me refiro teve, de um lado, a abordagem técnica dos altos custos envolvidos na retirada do petróleo em águas profundas e, do outro, aquele viés nacionaloide que caracterizou (e ainda o faz) os governos populistas da América Latina. A palavra “estratégica” apareceu tantas vezes que já nem se conseguia mais diferenciar qual o seu verdadeiro significado: a representação de uma importância que transcende o aspecto econômico ou um conceito abstrato infame, travestido de inconfessável dividendo político.

Aos leigos, categoria na qual me incluo sem nenhum tipo de preconceito, pareceu que a riqueza do pré-sal pode ser maior ou menor dependendo de como se consolidarem, no futuro, as novas opções de energia pesquisadas atualmente. O gás de xisto norte-americano pode ser um divisor de águas importante, assim como a energia eólica, solar e nuclear para as quais a Europa está se voltando. Também o biodiesel e o etanol, embora dependentes da disponibilidade de extensões territoriais, por certo resultarão numa menor demanda por combustíveis fósseis. Ao saber que o petróleo a ser extraído no pré-sal somente terá viabilidade econômica com a cotação do barril acima de U$ 80,00 não existe ainda a garantia de grandes lucros a quem o explorar. Dependerá do barateamento das tecnologias geradas para sua extração a viabilidade do negócio. Daí o excesso de otimismo mostrar-se contraproducente.

Apesar da minha assumida laicidade (qualidade do que é leigo) aprendi que o timpanismo também ataca os seres humanos. O abdômen inchado nem sempre é sinal de sobrepeso, mas também pode ser característica de quem engole ar, além de outras coisas é claro. Nesse caso, para aqueles que não conseguem se livrar do excesso de arrogância e sempre vinculam fatos positivos a essa ou aquela vertente política, é perfeitamente indicado o purgante salino. O que não é nem um pouco recomendável, pelo bem da salubridade, é permanecer ao lado desses cujos, no momento em que o expurgo estomacal vier a consolidar-se.

De todo modo, em não havendo viabilidade econômica no petróleo de águas profundas, certamente haverá abundância de sal, o que, por si só, já é uma riqueza considerável. Talvez não seja suficiente para curar todas as mazelas brasileiras alçando-nos ao clube dos ricos como alguns querem fazer crer, mas certamente promoverá, na sua associação ao purgante, uma desobstrução intestinal fabulosa capaz de conferir leveza aos pensamentos arrogantes de muita gente.

* o autor é Engº Agrº e Produtor Rural no MT
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domingo, 3 de novembro de 2013

Professores: desistam dessa profissão!

Alessandro Lyra Braga   
Foto: http://www.shutterstock.com/
Todo mundo já sabe que professores, em todo o país, ganham muito mal, apesar de serem os profissionais mais importantes de uma sociedade. Todo mundo sabe que o único profissional que no Japão não precisa se curvar diante do imperador é o professor. Todo mundo já sabe que nossas escolas públicas não têm recursos ou estão, muitas delas, em péssimo estado de conservação. Todo mundo já sabe de tudo sobre os professores. O mais triste, é que todo mundo já sabe que nossos políticos detestam os professores e o que eles significam: a lucidez do povo, mas ninguém faz nada! O povo não luta pelos professores e/ou pelo ensino. O povo luta contra aumento de passagem, pede o fim da corrupção e até diz que luta em favor do ensino, mas na prática não faz nada! Provo isto porque nunca vi alguém sair de sua casa, não sendo aluno ou professor, para ir a uma manifestação, exigir que os professores tenham salários dignos e plenas condições de trabalho.

Lamento muito no que a profissão de professor se transformou. Para boa parte da sociedade, professor, hoje, é profissão de pobre. Pais de classe média querem que seus filhos sejam tudo na vida, menos professores, já que desejam um futuro de conforto, prosperidade e realização para seus filhos, e entendem que isto será impossível de se atingir sendo professores. Já os políticos, principalmente prefeitos e governadores, consideram todos os professores “comunistas chatos” que reclamam o tempo todo. No entanto, esquecem que sua limitada visão da realidade (por só ficarem em gabinetes) e ilimitada ganância fizeram com que o ensino não pudesse ser bom. Um povo instruído sabe que é preterido pela classe política e não acreditaria em praticamente nada do que lhes é prometido em tempos de eleição. Um povo instruído se negaria a votar em urnas eletrônicas que só os TREs e o TSE consideram, no mundo inteiro, um processo seguro e impossível de ser fraudado.

O Brasil vive numa séria encruzilhada. Sabemos que nossa classe política está destruindo o que falta do ensino público, já que desejam se perpetuar no poder. Um povo sem instrução jamais entenderá o que é um embargo infringente e nem que os principais nomes do Mensalão poderão escapar da cadeia. Já o “pobre miserável”, quando levado à Justiça, é condenado em primeira instância e apodrece na cadeia por não saber que tem direito a recorrer, por exemplo. Este pobre, nos tempos de escola, nunca aprendeu nada sobre cidadania porque não tinha professor que o ensinasse. Entendendo o que o nosso país precisa, temos a consciência de que teremos que lutar sozinhos, sem os governos, que se mostram inimigos do povo e não “pelo povo e para o povo”. A sociedade é que terá que se organizar para se instruir, com o cuidado de que politiqueiros baratos não tentem se aproveitar das iniciativas. Que é uma proposta utópica, eu sei. Mas não se idealiza um país sem propostas utópicas, porque sempre desejamos o máximo, e não o meio termo daquilo que é possível.

O que aconteceu no Rio de Janeiro de professores, em legítima manifestação contra ditames insanos do prefeito, serem espancados por tropas da Polícia Militar a mando de governos com várias e sérias denúncias de corrupção e má gestão da coisa pública, foi um exemplo de barbárie política e social sem precedentes em nossa história recente. É curioso como governadores e prefeitos alegam que não há verba para equipar escolas ou remunerar dignamente os professores, mas há verbas em abundância para equipar forças de repressão policial e usar esta verba para esmagar aqueles que de fato alicerçam uma nação. É assim que os governos brasileiros entendem o ensino, como digno de ser espancado!

Em alguns estados e municípios a evasão de professores públicos é imensa. Professores optam por sobreviver e/ou não mais se frustrarem profissionalmente e ou desistem das salas de aula ou migram para o ensino privado, que é inviável para a grande parte da população. Não que o ensino privado seja excelente em seu todo, mas ainda é uma possibilidade de melhoria de trabalho para aqueles que nele ingressam. Devemos também entender que a opção de um modelo baseado em apenas haver ensino de qualidade na rede privada tem consequências absurdamente sérias para a estrutura social do país. É a perpetuação e a concentração do poder de análise (e do próprio conhecimento formal) nas mãos de poucos, o que impede qualquer alteração do status quo político, econômico e social do país. É como manter uma escravidão camuflada, onde o pobre sem condições de questionar, assim permanecerá por toda a vida. Assim, não se muda um país.

Eu não quero que aconteça de ninguém desistir de ser professor. Eu quero é que todos sejam professores. Uns serão professores de História, Geografia ou Matemática. Outros serão de civismo ou “amor ao próximo”. Uns estudarão formalmente para exercer seu ofício, outros viverão plenamente para aprender como exercer sua cidadania. Todos seremos professores. E quando todos formos professores na vida, aí sim teremos um grande país. Até lá, só temos uma piada ou um projeto, como queiram chamar.

É óbvio que quem deseja e pode alterar alguma coisa e ameaçar todo um projeto de poder, será visto como uma ameaça. É óbvio que nossos dominantes políticos não querem que professores atuem com qualidade e eficiência. É obvio que eles querem que todos desistam. Para nossos governantes, a ordem que deveria ser dada é ”Professores, desistam dessa profissão!”. Para nós, que somos o povo, o pedido que fazemos é ”Professores, não desistam do país!”.

* o autor é carioca, por engano. De formação é historiador e publicitário, radialista por acidente e jornalista por necessidade de informação. Vive vários dilemas religiosos, filosóficos e sociológicos. Ama o questionamento.

** Publicado originalmente no site Adital

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO: sou pai de duas professoras universitárias, uma com doutorado (letras) e outra com mestrado (Antropologia), a caminho do doutorado, e sei bem o que é essa vida dos professores.
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sábado, 2 de novembro de 2013

O que é o CO2? É tão ruim como dizem?

Richard Jakubaszko   
O que é o CO2? É tão ruim como dizem? 
Sem o CO2 morreremos todos?
Ou seria ele o gás da vida?
Pinheiros cultivados em estufas com
maiores doses de Co2 cresceram mais.
Por vezes, um simples verbete ou pequeno resumo escolar sobre determinado assunto pode ser mais esclarecedor do que um aprofundado tratado de vários volumes.

A popular enciclopédia digital Wikipedia, no verbete “Dióxido de Carbono” – o famoso CO2 – fornece informações que um aluno recebe na escola, mas que os “aiatolás” da religião verde fingem desconhecer.

“O dióxido de carbono é essencial à vida no planeta. É um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese – processo pelo qual os organismos vegetais transformam a energia solar em energia química.”

“Esta energia química, por sua vez, é distribuída para todos os seres vivos por meio da teia alimentar e é vital para a manutenção dos seres vivos.”

“O carbono é um elemento básico na composição dos organismos, tornando-o indispensável para a vida no planeta.”

“O CO2 é um dos gases do efeito estufa que menos contribui para o aquecimento global, já que representa apenas 0,03% da atmosfera.”

CO2: indispensável para a vida no planeta e base da
cadeia alimentar. Mercado em LaBoqueria, Barcelona.

“Nas últimas décadas, devido à enorme queima de combustíveis fósseis, a quantidade de gás carbônico na atmosfera tem aumentado muito, mas isto não prova que o gás carbônico contribui com relevância para o aquecimento do planeta.”

“A concentração de CO2 na atmosfera começou a aumentar no final do século XVIII, quando ocorreu a revolução industrial. Desde então, a concentração de CO2 passou de 280 ppm (partes por milhão) no ano de 1750, para os 393 ppm atuais.”

“Este acréscimo implica o aumento da capacidade da atmosfera em reter calor e, mas não consequentemente, da temperatura do planeta, pois houve decréscimos de temperatura também neste período.”

Em suma, se por absurdo o mundo ficasse sem CO2, a vida da Terra seria extinta e o Planeta se assemelharia à Lua ou a Vênus.

Que classe de “humanistas” são esses que combatem o CO2? Se conseguissem acabar com ele – coisa aparentemente impossível – não seriam eles os culpados pelo maior genocídio da história universal?


COMENTÁRIOS ADICIONAIS DESTE BLOGUEIRO:
O post acima foi publicado no blog do aguerrido pessoal da TFP, que patrocina o site ecologia-aquecimento. Demorou para descobrir isso, mas sempre é tempo, não é mesmo? Publiquei neste blog, em outubro 2009, um artigo escrito em parceria com Odo Primavesi, que diz exatamente a mesma coisa e ainda algumas coisas a mais, confiram: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2009/10/co2-unanimidade-da-midia-e-burra.html


E se o leitor quiser mais informações, pesquise nas Tags (na aba lateral direita, lá embaixo...) deste blog por "CO2" ou "aquecimento", há mais de 3 dezenas de artigos sobre esse tema. Recentemente, em setembro último, publiquei uma apresentação de minha autoria sobre o CO2, o gás da vida. A apresentação está no sistema Prezi, que tem uma dinâmica e um visual muito criativo, chama-se CHONSP, a sigla da vida:
http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2013/10/palestra-sobre-co2-no-prezi.html
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Épico

Luis Fernando Veríssimo   
O futebol de calçada era com narração, e o próprio jogador fornecia a narração. Jogava e descrevia sua jogada ao mesmo tempo, e nunca deixava de se autoentusiasmar. "Sensacional, senhores ouvintes!" (Naquele tempo os locutores tratavam o público de "senhores ouvintes".)

"Sensacional! Mata no peito, põe no chão, faz que vai mas não vai, passa por um, por dois... Fau! Foi fau do beque! O juiz não deu! O juiz está comprado, senhores ouvintes!"

Fau era "foul" e beque era "back", na língua daquela terra estranha, o passado. E o juiz, claro, era imaginário. Tudo era imaginário no futebol de calçada, a começar pela nossa genialidade. A bola era de borracha, quando não era qualquer coisa remotamente redonda. A bola número cinco oficial de couro ganha no Natal não aparecia na calçada, tá doido? Estragar uma bola de futebol novinha jogando futebol?

Mas éramos gênios na nossa própria narração.

"Lá vai ele de novo. Cabeça erguida! Passa a bola e corre para receber de volta... Que lance! O passe não vem! Não lhe devolvem a bola! Assim não dá, senhores ouvintes... Só ele joga nesse time!"

A narração dava um toque épico ao futebol. Lembro que na primeira vez em que fui a um campo, acostumado a só ouvir futebol pelo rádio, senti falta de alguma coisa que não sabia o que era. Tudo era maravilhoso, o público, o cheiro de grama, os ídolos que eu conhecia de fotografias desbotadas no jornal ali, em cores vivas... Mas faltava alguma coisa. Faltava uma voz me dizendo que o que eu estava vendo era mais do que estava vendo. Faltava a narrativa heroica. Faltava o Homero.

Na calçada éramos os nossos próprios heróis e os nossos próprios Homeros.

"Atenção. Ele olha para o gol. Vai chutar. Lá vai a bomba. O goleiro treme. Ele chuta! A bola toma efeito. Entra pela janela. E lá vem a mãe, senhores ouvintes! A mãe invade o campo. Ele tenta se esquivar. Dá um drible espetacular na mãe. Dois. A mãe pega ele pela orelha. Pela orelha! E o juiz não vê isso!"

Mesmo se nem tudo merecesse o toque épico.

Publicado em O Estado de S.Paulo / 26 de setembro de 2013
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,epico-,1078961,0.htm

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