quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Meus desideratos para 2015



Richard Jakubaszko 
Se os fatos abaixo acontecerem em 2015 teremos um ano ótimo, será o melhor da década (não precisam ser todos, pelo menos 60% já estaria de bom tamanho):


1 – que chova no sistema Cantareira, 30 dias sem parar...

2 – que o ministro Gilmar Mendes devolva a ação da OAB ao plenário do STF para acabar de vez com as campanhas financiadas por empresas.

3 – que os corruptos da Petrobras sejam julgados e condenados, e que a eles façam companhia todos os políticos comprovadamente envolvidos.

4 – que o mensalão mineiro dos tucanos vá a julgamento.

5 – que o trensalão do Metrô de São Paulo seja levado à Justiça.

6 – que o meu Internacional seja Campeão da Taça Libertadores da América.

7 – que o Carnaval de 2015 seja cancelado, mas o feriadão seja mantido.

8 – que as águas do rio São Francisco verdejem o Nordeste.

9 – que o Bolsonaro seja caçado por falta de decoro parlamentar.

10 – que os biólogos, agrônomos e as prefeituras reconheçam que têm de abrir mais espaço com terras para as árvores poderem absorver água nas calçadas do Brasil, e aí não desabem mais.

11 – que Fernando Henrique Cardoso fique tímido definitivamente e nunca mais dê entrevistas ou pitacos sobre política, e desista de escrever.

12 – que a revista Óia seja vendida para os herdeiros de Joseph Pulitzer.

13 – que a construção da Usina de Belo Monte não seja interrompida pela 24ª vez pelos ambientalistas e procuradores irresponsáveis.

14 – que haja uma reforma política pra valer no Brasil.

15 – que se descubra a cura dos cânceres, do Alzheimer e do Parkinson.

16 – que as minhas alergias cessem, como por milagre.

17 – que se moralize o futebol no Brasil, acabando com os agentes de jogadores, e que a Globo pare de transmitir futebol, assim teremos jogos à noite a partir de 20 ou 21 horas.

18 – que apareça o verdadeiro dono do jatinho acidentado em que morreu Eduardo Campos

19 – que se faça e aprove no Congresso Federal a regulamentação da mídia.

20 – que algum brasileiro ganhe o prêmio Nobel, vale qualquer área.

Este blogueiro deseja a todos os amigos do blog um ano de muita paz, saúde e produtividade.

E quem desejar pode me enviar seus desideratos, na caixa de comentários aí embaixo.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O instrumento eletrônico que imita a voz humana

Richard Jakubaszko
A antena redonda à esquerda controla o volume, enquanto a vertical controla a frequência.

O Theremim é um dos primeiros instrumentos musicais completamente eletrônicos, controlado sem qualquer contato físico pelo músico. O ouvinte tem a nítida sensação de ouvir uma voz humana.

No vídeo abaixo uma demonstração do instrumento.



Seu nome vem da versão ocidental do nome do seu inventor, o russo Léon Theremin, que patenteou seu dispositivo em 1928. O instrumento é controlado através de duas antenas de metal, que “percebem” a posição das mãos do músico e controlam osciladores de frequência com uma das mãos, e com a outra o volume, de forma que não seja preciso tocar no instrumento.


O Theremim usa o princípio do heteródino para gerar um sinal de áudio. O circuito responsável pela frequência inclui dois osciladores de rádio. Um deles opera em uma frequência fixa, enquanto a do outro é controlada pela distância da mão do músico em relação à antena de frequência. A mão funciona como uma placa aterrada (sendo o corpo do músico a conexão com a terra) de um capacitor variável em um circuito LC (indutor-capacitor), que é parte do oscilador e determina sua frequência. A diferença entre as frequências dos dois osciladores a cada momento permite a criação de diferentes tons na faixa de frequências audíveis, resultando em sinais de áudio que são amplificados e enviados para um autofalante.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

Opinião

Richard Jakubaszko
Podem me matar, podem me prender, que eu não mudo de opinião...
Genial!
Há que se ter opinião. Mas opinião própria, não a opinião terceirizada, o pensamento politicamente correto. Da opinião do senso comum, eis que a unanimidade é burra.
Podemos mudar de opinião, porque pensamos. Não devemos ter vergonha disso.
Mas não porque outros nos pressionaram.
Reavalie-se, sempre!!!

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sábado, 27 de dezembro de 2014

Luz para combater bactérias, ao invés de antibióticos.

Espécie de lanterna com lâmpadas de led, equipamento foi testado pelo exército americano.
Richard Jakubaszko
Ao invés de antibióticos que agridem o estômago, luzes, que se mostram capazes de tratar infecções. Essa foi a ideia desenvolvida pelo estudante pernambucano Caio Guimarães, que durante um estágio no Wellman Center, laboratório de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), desenvolveu a tecnologia capaz de tratar infecções através da irradiação de luz nos tecidos humanos.

Veja abaixo o vídeo produzido pelo Diário de Pernambuco.

Em uma frequência que mata até mesmo as bactérias mais resistentes, os equipamentos são capazes de eliminar a infecção em cerca de uma hora. Bem mais eficiente que os antibióticos que existem no mercado farmacêutico, o mecanismo já foi testado em uma pesquisa patrocinada pelo exército norte-americano para eliminar uma bactéria encontrada em ferimentos de soldados que foram ao Iraque.

Como uma lanterna portátil, o equipamento conta com lâmpadas de led calibradas para irradiar uma frequência exata de luz, que é visível a olho humano e não tem efeitos colaterais. Uma microagulha guia a luz da fonte para dentro dos tecidos humanos, atingindo até mesmo áreas mais profundas. Em fevereiro de 2015, o trabalho será apresentado no Photonics West, em São Francisco, na Califórnia.


Publicado em http://asboasnovas.com/tecnologia/invencao-de-estudante-brasileiro-substitui-antibiotico-por-luz
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Por que as árvores caem?

Richard Jakubaszko
Árvores caem porque estão maltratadas. As fotos deste post ilustram bem isso. No campo ou em florestas isso não acontece.
Não existem raízes. Elas deveriam ter a largura e altura da copa.
Só na véspera de Natal, em São Paulo, caíram 33 árvores. Uma pessoa morreu dentro de um taxi. No dia de Natal mais 8 árvores foram abaixo.

Impedidas de ter raízes, nas grandes cidades, as nossas queridas árvores desabam sobre automóveis, matam pessoas, causam transtornos e prejuízos.
Culpa das prefeituras ou da imbecilidade dos cidadãos urbanos? De todos nós!
Cidadãos urbanos, que têm saudosismos e sonhos idílicos do campo, idolatram florestas, mas parecem ter nojo e aversão de pisar na terra, cercam os troncos das árvores com cimento ou asfalto, impedindo a infiltração da água das chuvas. Impedem, assim, os alimento das árvores.
Olha só, que imbecilidade!!!
Consequência: as árvores não têm raízes grandes o suficiente para suportar seus tamanhos e desabam quando as ventanias as balançam.
Já as águas correm para as áreas mais baixas, onde moram os mais pobres, inundam tudo, alagam ruas, avenidas, casas, levam sonhos e vidas ladeiras abaixo. Porque todos os espaços, os quintais, varandas, jardins, são azulejados, cimentados e impermeabilizados.
Imbecilidade urbana, modernidade imbecil.

Todas as grandes cidades brasileiras padecem desse mal contemporâneo, de sufocar as árvores, de exterminar áreas verdes com grama e árvores, especialmente nas calçadas, que "emolduram e ornamentam" as ruas e avenidas por onde trafegam as imbecilidades de quatro rodas, cujos motoristas ainda reclamam dos buracos e irregularidades dos alfaltos, pois detestam os eficientes paralelepípedos. Asfaltos que são feitos com dois ou três centímetros de espessura, e que em suas rachaduras penetram águas, que lavam as areias secas por debaixo de sua "sustentabilidade", provocando crateras imensas (ver foto abaixo, a marca do recapeamento) onde afundam os tais animais de quatro rodas e matam os donos de duas patas.
Capa asfáltica recente, de 2 cm, afundou; na calçada, outra árvore...
Por baixo do asfalto a terra fica seca, vira areia. 
Se houver infiltração a água vai minando, vai minando, 
e viram enormes crateras no asfalto...
A cratera da foto acima aconteceu nos EUA.

Em julho de 2010 "entrevistei" uma árvore, publicada aqui no blog, leia o que ela nos informa em "Se as árvores falassem": clique aqui



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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ave Maria, de Gounod, em flauta peruana: genial!

Richard Jakubaszko 
Uma das mais lindas músicas de todos os tempos: Ave Maria, de Charles Gounod (1818-1893), compositor francês famoso sobretudo por suas óperas e músicas de cunho religioso. Interpretada por Daniela de Santos (Augsburg, Alemanha) solista que através de uma prosaica flauta peruana consegue enlevar as almas mais empedernidas.
Belíssimo!

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Noite feliz (Stille Nacht, Heilige Nacht/German)

Richard Jakubaszko 
Noite feliz é uma das mais belas canções criadas pelos humanos. No vídeo abaixo uma belíssima interpretação.

Em 24 de dezembro, milhares de turistas irão mais uma vez para Oberndorf, perto de Salzburgo (região central da Áustria), onde há 185 anos foi composta "Noite Feliz", uma das mais conhecidas canções natalinas. "Stille Nacht, Heilige Nacht" em alemão, "Noite Feliz" em português, "Silent Night" em inglês, "Douce Nuit" em francês: hoje traduzida para 330 idiomas, a canção de Natal austríaca foi criada por acaso, quando quebrou o órgão da igreja do povoado de 6.000 habitantes.

Em 1818, dois dias antes do Natal, o antigo órgão da igreja de São Nicolau, a paróquia do padre Joseph Mohr, parou de tocar. Para não decepcionar os fiéis, o sacerdote pediu ao amigo Franz Xaver Gruber, maestro e organista do vizinho povoado de Arnsdorf, para compor uma melodia para um texto de Natal que ele havia escrito dois anos antes.
Na Missa do Galo de 24 de dezembro, o padre Joseph Mohr, com sua bela voz de tenor, e que tocava violão, e Gruber, com sua bela voz de baixo, interpretaram pela primeira vez, em alemão, a canção "Noite Feliz".

Portanto, Noite Feliz pra vc, comemore, bebemore, mas não esqueça do aniversariante, Ele é o nosso presente.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Agro DBO: não ao desperdício.

Richard Jakubaszko 
Agro DBO deste mês traz conteúdo editorial para todos os tipos de interesses dos leitores, sejam pessimistas ou otimistas, a começar pela matéria de capa, “Manejo a conta-gotas”, em trabalho do jornalista José Maria Tomazela, que foi investigar a criatividade de alguns agricultores no uso econômico da água para irrigação em tempos de crise hídrica. E Amílcar Centeno revela a racionalidade da opção pelo uso da irrigação, como o único caminho para enfrentar a falta de chuvas.
Ainda em tempos de instabilidade climática, quando chove de menos ou de forma irregular nas regiões onde se processam as semeaduras da safra de verão 2014/15, a jornalista Marianna Peres nos relata na matéria “Soja noturna” a estratégia do plantio durante a noite, com uso da tecnologia da agricultura de precisão, para recuperar os dias perdidos na espera das chuvas que atrasaram, e tentar, simultaneamente, minimizar problemas óbvios que desde já podem ser previstos, seja para a colheita da atual safra e o plantio da segunda safra, que, já se sabe, também vai atrasar. Ao mesmo tempo, cada agricultor com suas características, a certeza da presença indiretamente estimulada das pragas e doenças, seja na safra de verão, seja na safrinha, justamente por causa dos atrasos no plantio de agora, involuntário, é verdade, mas que coloca a perspectiva de incertezas e de problemas futuros, até mesmo na logística.

No artigo “Uma nova fronteira agrícola?” Evaristo de Miranda antecipa que a proibição de queimadas na cana-de-açúcar no estado de São Paulo, a partir de 2017, vai colocar cerca de 350 mil hectares de terras férteis e agricultadas disponíveis para serem reutilizados em outras atividades.
Daniel Glat avalia o futuro comportamento do mercado de sementes, especialmente de soja, que vai receber novos lançamentos, vai ficar mais competitivo e, espera-se, mais favorável aos agricultores.
Decio Gazzoni nos mostra que o controle eficiente de pragas e doenças, obrigatoriamente, deve passar pelo conhecimento prévio de como esses inimigos se propagam.

Agro DBO é assim, tem paixão por agricultura. Analisamos informações, fatos e tendências, tudo isso feito por especialistas, para manter o leitor bem informado. Envaidece-nos poder afirmar que, assim como as modernas tecnologias de plantio e colheita, conteúdo jornalístico de boa qualidade é essencial, condição sine qua non de sobrevivência e competitividade. Por isso, assinar Agro DBO é vital para você se atualizar e participar, pari passu, com o que há de mais importante no mundo moderno.
Fique bem informado, é um direito seu: assine Agro DBO. Ligue 0800-110618 A ligação é por conta da gente.

Aos que desejarem manifestar suas opiniões, sugerimos enviar e-mail para redacao@agrodbo.com.br


Você poderá ler a edição na íntegra em www.agrodbo.com.br
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domingo, 21 de dezembro de 2014

8 agricultores de 8 países: são 8 heróis.

Richard Jakubaszko
Competente comercial da New Holland, valorizando o trabalho dos heróis agricultores que produzem alimentos para o mundo. No vídeo, lindas cenas do cotidiano, capturadas por câmeras sensíveis. Pertence à "The Seeds of Life Series".
É mais uma iniciativa da CNH Industrial para divulgar a Expo Milão 2015 (maio/outubro2015 - Milão-Itália), onde se debaterá a produção sustentável de alimentos para uma população crescente.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Querida neta, o Alckmin quer proibir você de visitar seus avós

Richard Jakubaszko
Imaginei enviar e-mail pra minha neta de 11 anos, a Beatriz, que mora lá em Cuiabá, começando o texto pelo título deste post.

Desisti da tresloucada empreitada, com receio de ser mal interpretado, ou de parecer um avô desnaturado. É que ela ainda não entende de política...

Acontece que, por decisão do (des)governo do estado de São Paulo, talvez tenha de ser obrigado a tomar outra atitude, eis que é prática e tradição da nossa única neta, pelo menos uma visita anual aos seus avós, junto com seus pais, justo no Natal, Ano Novo e mais alguns dias a título de férias.
Ocorre que o (des)governo de São Paulo ameaça aos usuários de água (da multinacional Sabesp) que ultrapassarem 20% do consumo de água, com uma multa de 20%, adicional ao valor da água consumida, evidentemente. E, se o consumo ultrapassar os 20% a multa poderá ser de 50% adicionais. Val faltar dinheiro pra pagar tanta multa, pois não poderei proibir a neta e seus pais de tomarem banho, por exemplo. Em pleno verão de São Paulo, com todo esse calor, como dizer pra neta que hoje não vai poder tomar banho?

Ou seja, a conta vai estourar, como acontece todo final de ano lá em casa. Porque onde vivem duas pessoas, e o consumo é de 11 a 14 m3/mês, quando chegam mais três pessoas, esse consumo sobe para 18 a 20 m3, o que é absolutamente normal e todo ano é assim. Mas a Sabesp e o (des)governador não sabem disso, evidentemente, nem os burocratas que são os assessores do (des)governador. Por tabela, eles já avisaram, vai ter multa. E assim, proíbem aos paulistanos, por tabela, receber visitas em casa, mesmo que sejam netas únicas.
Tudo isso porque o (des)governo de São Paulo não planejou aumentar a área de captação de água para consumo da população crescente. Porque deixa vazar água nas tubulações do centro velho da capital paulista, por onde se perde mais de 40%, talvez 60% da água tratada que é originária do sistema Cantareira.
Excesso de gestão do (des)governo de São Paulo.

Cadê a água Geraldo Alckmin?
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Chuvas de verão

Fernando Penteado Cardoso *
Toda a água que escoa pelas bacias do Rio Amazonas, Rio Tocantins, Rio São Francisco e Rio da Prata se origina do deslocamento de massas incomensuráveis de vapor d'água formadas sobre o oceano Atlântico Equatorial aquecido pelo sol.
A rotação da terra de oeste para leste, que origina os ventos alísios soprando do leste, coloca a extensa planície amazônica debaixo dessa imensa calota úmida.
Ao encontrarem o obstáculo da cordilheira dos Andes e as áreas de alta pressão atmosférica sobre o oceano Pacífico, bem como por efeito da rotação, essa volumosa corrente gasosa sofre uma deflexão à esquerda e prossegue até alcançar o sul do país.

Ao longo desse percurso, prosseguindo para o sul como ventos noroeste, rumo esse bem conhecido como “chovedor”, muita água se precipita como chuva, parte formando rios, parte tornando a se evaporar em um processo natural de reciclagem.
 
Ao se encontrarem com as frentes frias procedentes do sudoeste, formam-se as “zonas de convergência” nas quais chove pela condensação da água atmosférica vaporizada, toda provinda do mar e a ele retornando como rios caudalosos. Não existe produção de água no território continental, seja ou não florestado.

Tanta água das chuvas pode ser avaliada pela vasão dos rios que a devolvem ao mar. O volume conjunto dos quatro rios mencionados soma a 7,61 quatrilhões de metros cúbicos por ano, suficiente para formar um lençol d´água de 90 cm se o Brasil fosse plano e murado. A comparação das vazões mostra a imensidão do Rio Amazonas com 209.000 metros cúbicos por segundo - m3/s, Rio Tocantins - 11.000 m3/s, Rio São Francisco - 1.500 m3/s; Rio da Prata - 20.000 m3/s.

Navegadores em nosso litoral relatam que a temperatura da superfície do mar (TSM), ao longo da costa dos estados do RJ e SP, está acima da normal o que provocou a proliferação de algas coloridas tornando rosadas grandes extensões marítimas. Afirmam ainda que estão pouco ativas as correntes marítimas frias, que surgem das profundezas, aflorando em Cabo Frio e a leste da Ilha Bela.
Haveria correlação entre esses fatos e a “bolha” de alta pressão atmosférica que vem dificultando a entrada das correntes úmidas mencionadas, ditos “rios que voam”, fazendo que despejem sua água no meio do caminho, provocando inundações regionais e a atual falta de chuvas no sudeste do país?

Estamos enfrentando uma situação inédita, com precipitação de 723 mm nos 12 meses findos em Outubro pp, a menor dos últimos 123 anos, 48% inferior à média de 1.395 mm (Campinas/SP).

* Eng. Agr. sênior, USP-ESALQ, 1936.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O último castrati da história

Alessandro Moreschi, 1875
Richard Jakubaszko
Alessandro Moreschi (1858-1922) era proveniente de uma família pobre e numerosa, e aos 7 anos de idade foi submetido a uma cirurgia de castração em 1865 para curá-lo de uma hérnia inguinal. Aparentemente, esse era um procedimento comum na Itália da época para solucionar tal problema. Também era comum a castração de crianças com voz e talento, para que mantivessem a voz de soprano, sem a interferência dos hormônios. Moreschi, portanto, foi o último
castrati da história.

Aqui, a voz de Moreschi, em gravação de 1902 ou 1904:

Iniciou seus estudos de canto em 1871 na escola de Salvatore di San Lauro, sob a direção de Gaetano Capocci - organista e compositor de música sacra, mestre de capela da Basilica di San Giovanni in Laterano, em Roma. Capocci promoveu a aceitação de Moreschi no coro da Capela Sistina, em 1883. A castração infantil para fins artísticos fora proibida em 1870, mas à época alegou-se que a castração de Moreschi ocorrera antes da proibição. Assim, Alessandro tornou-se solista do coro entre 1883 e 1898, ano em que assumiu a diretoria do coro, cargo no qual manteve-se até 1913, exercendo, além das atividades artísticas, funções administrativas.


Chegaram até os dias atuais gravações que realizou entre 1902 e 1904, nas quais interpreta dez obras compostas especificamente para sua tessitura vocal. Essas gravações têm excepcional valor, pois são o único registro do canto dos castrati. Segundo a crítica, porém, Moreschi, apesar do timbre marcante, mostra sua técnica marcada pelo gosto do século XIX (com uso abundante de portamenti), muito distante da ópera barroca, não podendo, portanto, ser considerado como equivalente aos castrati do século XVIII - época em que esses cantores tiveram seu auge. O último deles, Giovanni Battista Stracciavelutti - mais conhecido como Giovanni Battista Velluti (1780-1861) - já se aposentara trinta anos antes do nascimento de Moreschi.

O "Anjo de Roma" teve entretanto muito sucesso em sua época. Cantou durante os funerais de Napoleão III, interpretando a parte do soprano solista na Missa da Requiem de Verdi em Ravena. Vivia em Roma, numa bela casa, na zona do Trastevere (via della Lungara).

Nos seus últimos anos, porém, Alessandro Moreschi foi esquecido e viveu solitário. Faleceu em Roma, sem a companhia de seu filho adotivo, Giulio (Giulietto) Moreschi, que atuava como tenor, sobretudo na Basilica di Santa Maria Maggiore, e também como ator de cinema, em filmes como, por exemplo, Lo sceicco bianco de Fellini. Sua sepultura está localizada no cemitério Campo di Verano.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Big Bang brasileiro

Rogério Arioli Silva *
O advento da delação premiada para o Brasil pode ser comparado com a descoberta do bóson de Higgs para o restante do mundo. A existência desta partícula - que havia sido prevista em 1964, foi confirmada em 14 de março de 2013, e reafirmou algumas teorias que necessitavam da sua comprovação para serem legitimadas. A delação também fez isso. Todo mundo falava, todo mundo sabia da presença da corrupção. Entretanto, ninguém tinha a coragem (?) de assumi-la, como sendo o cordão umbilical das relações incestuosas com o estado brasileiro.

Somente existiram condições tecnológicas de provar a existência do bóson após a construção, em 2008, do Grande Colisor de Hádrons. Esse imenso laboratório de 27 km de extensão e 175 m de profundidade, localizado na fronteira entre a França e a Suíça é uma espécie de pista de corrida de partículas. Postas a correr numa velocidade próxima à da luz elas irão colidir, simulando o que ocorreu no Big Bang, ou seja, no momento da criação do universo.

Certamente os túneis escavados pelas grandes construtoras brasileiras por onde, historicamente, transitam os bilhões surrupiados serão bem maiores do que estes míseros 27 km. Saem de Brasília e se ramificam para todos os locais do país onde alguma obra pública esteja prevista. São canais subterrâneos imensos onde habitam ratos de terno e gravata, sejam empresários, políticos e autoridades de governos que se esgueiram nas sombras fétidas do esgoto brasileiro. Graças a isso faltam esgotos no país e pessoas morrem de doenças ligadas à falta de saneamento básico.

Essa quadrilha tem seu “modus operandi” aperfeiçoado ao longo de décadas de vida nas sombras. Historiadores dizem que o país já começou mal e a corrupção veio junto com as caravelas portuguesas. Não importa se é verdade ou não. O que importa é que agora, com a delação, ela possa diminuir, embora seja muito difícil que termine nesta geração. Na ânsia de salvar a própria pele os corruptos viraram delatores. Essa é a característica dos roedores. Alteram seus hábitos alimentares de acordo com as circunstâncias, podendo tornar-se predadores uns dos outros. É o caso, agora. Se alguém imaginava existir alguma ética nesses assaltantes do dinheiro público, enganou-se.

Não cabe a indignação com aquele advogado que, na defesa do seu cliente, afirmou não ser colocado nenhum paralelepípedo no Brasil sem o devido pagamento de propina. A única ressalva é o termo usado. Propina é um termo pesado demais. Que tal comissão? Ou quem sabe “agrado”? De todo modo, apesar da crueza do termo, ele está coberto de razão. Ao invés da justiça criticá-lo, pela exposição de tão dura realidade, seria melhor enquadrá-lo. Aliás, por que não enquadrar todo o advogado que defende o corrupto, se este for efetivamente condenado?

Todo cidadão tem o direito à defesa, é o que dirão os arautos dos direitos humanos. Entretanto, aqueles humanos que não são corretos devem pagar pelos seus crimes, e essa responsabilidade deveria também atingir alguns advogados, sim. Se eles também são pagos com o dinheiro oriundo da corrupção, não há porque não enquadrá-los. Pode ser a garantia de que pelo menos os mais caros e famosos declinarão da defesa de alguns figurões corruptos e endinheirados.

A partícula de Deus, como é popularmente conhecido o bóson de Higgs, tem potencial para destruir o universo, alertou o famoso físico inglês Stephen Hawking. Segundo ele, apesar de improvável, ao atingir elevados níveis de energia, a partícula poderá tornar-se instável, provocando uma decadência do vácuo e um colapso do espaço-tempo. Seja lá o que isso signifique, não se imagina que a delação premiada tenha o mesmo poder. Todavia, contém o potencial de provocar grandes danos a um governo que está apenas começando. Dependendo da postura assumida, se houver leniência, ou qualquer tipo de interferência dos poderes constituídos no aprofundamento das investigações, haverá resposta das ruas.

A parte da sociedade que age com honestidade e retidão de princípios não consegue mais conviver com a carne putrefata daqueles que, ao invés de servir o cidadão, servem-se dele de maneira gananciosa e imoral. Essa doença contagiosa que metastaseou-se em grande parte dos órgãos brasileiros precisa ser tratada com o devido rigor, nem que isso signifique sua extirpação pura e simples. Pelo menos a parte restante viverá com a devida dignidade. O mundo descobriu a partícula de Deus. A delação premiada levou o Brasil a descobrir, sem querer, a linguagem do Diabo.


* o autor é engenheiro agrônomo e produtor rural no MT.
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