quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O país sem justiça tem jeito? Com esses políticos?

Richard Jakubaszko

Parecemos uma terra de ninguém, cheia de forasteiros que apenas desejam encher seus butins. Os problemas são recorrentes, não sou eu que estou pessimista ou desanimado. Já parei de ler jornais, isso me fazia muito mal, pra cabeça e pra saúde.
Hoje em dia temos de aguentar essa imbecil guerra entre os políticos. Um acusa o outro, de corrupto, incapaz, ineficiente, sempre de olho nas próximas eleições. O pior é que tem gente, nos dois lados, que acredita que é tudo verdade. Ou que tudo é mentira.

Agora, o que é um espanto, o presidente da Câmara dos Deputados, faz chantagem com o governo federal, ameaça derrubar vetos da presidência em projetos de lei se não ocorrer a legalização de doações de empresas aos partidos... Nem é decisão do governo, foi o STF quem proibiu, mas o legislativo faz chantagem, e os jornais repercutem. Realmente, como dizia Tom Jobim, o Brasil é um país para entendidos... E de cabeça pra baixo! É um país de macunaímas...

Dirão que democracia é assim mesmo, sempre parece com o caos, ou quase isso. A verdade é que os direitos dos cidadãos não andam sendo respeitados. Basta que um delator qualquer diga que fulano recebeu propina e, pronto, o denunciado vai em cana, e vai ficando preso, até resolver, ele mesmo, sob uma pressão psicológica imensa, fazer uma delação premiada... 

Se fosse com você, o que você faria? Tem gente que confessa que estuprou, esquartejou e escondeu o corpo da própria mãe, basta que seja aquilo que o ouvidor e procurador desejava ouvir...

Pois aguarde, um dia essa "justiça" pode chegar em você, e você é que vai ter de provar que é inocente, não é o delator que tem de provar que a denúncia dele é real e verdadeira. Denunciou, saiu na mídia, tá lascado. A não ser que a mídia apoie seu grupo de ação, aí a mídia esconde, omite o seu nome, e tudo continua como dantes.
.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A caminhada da vida

Richard Jakubaszko
Recebi do amigo Hélio Casale um desses power points antigos, desses que nem se vê mais, sobre a caminhada da vida. Dou repeteco para algumas paisagens que vieram juntas, pela beleza expressa nas imagens, e pela singeleza do texto.


A caminhada da vida
Susana Carizza
Impossível atravessar a vida sem que um trabalho não saia mal feito.
Sem que uma amizade não cause decepção
 

Sem padecer de alguma doença  
Impossível atravessar a vida sem que um amor nos abandone
Sem perder um ente querido
 

Sem se enganar em um negócio  
Esse é o custo de viver  
O importante não é o que acontece, mas como você reage.  
Você cresce quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, nem perde a fé.  
Quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la.


Você cresce quando aceita seu destino, e, mesmo assim...
Tem garra para mudá-lo, quando aceita o que ficou para trás...
Construindo o que tem pela frente, e planejando o que está por vir.
Cresce quando se supera, se valoriza e sabe dar frutos.
Cresce quando abre caminhos, assimila experiências e semeia raízes.
Cresce quando se impõe metas, sem se importar com comentários nem julgamentos.
Cresce quando dá exemplos, sem se importar com desdém, quando você cumpre seu trabalho.
Cresce quando é forte de caráter, sustentado por sua formação, sensível por temperamento.
E humano por natureza. 


Cresce quando enfrenta o inverno, mesmo que perca as folhas.
Cresce quando colhe flores, mesmo que tenham espinhos.
Cresce quando marca o caminho, mesmo que se levante o pó.
Cresce quando é capaz de lidar com resíduos de ilusões.
Cresce ajudando a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo, e dando à vida mais do que recebe.
 

A criação do texto é atribuída a Susana Carizza. 

.

sábado, 26 de setembro de 2015

Fotos de lindas flores

Richard Jakubaszko
Suprema manifestação da criatividade divina, flores e mais flores, deleite seu espírito e inspire-se. Qual a sua preferida? Se você fosse uma flor, qual seria?

.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cardeal Pell: “A Igreja não tem mandato divino para falar sobre questões científicas”


Luis Dufaur
O cardeal George Pell, Arcebispo de Sydney e “ministro da Economia” do Vaticano, foi entrevistado pelo jornal econômico “Financial Times” no mesmo dia em que apresentou o estado das contas da Santa Sé.

Na oportunidade, falando a propósito da encíclica “Laudato si'”, o purpurado esclareceu que “a Igreja não tem mandato do Senhor para se pronunciar sobre questões científicas”, segundo noticiou o site Vatican insider.

O “Financial Times” entendeu que o cardeal se distanciou assim da “revolucionaria encíclica do Papa, que pede uma ação global contra a mudança climática”.

O cardeal afirmou sobre a Laudato si': “Há partes que são belíssimas. Mas a Igreja não tem competência alguma especial em matéria de ciência. A Igreja não tem um mandato do Senhor para se pronunciar sobre questões científicas. Nós acreditamos na autonomia da ciência”.

Na mesma ocasião, o Cardeal Pell concedeu entrevista ao site Crux sobre outro aspecto da Encíclica: o agudo anticapitalismo da ‘Laudato si’, acentuado pela subsequente viagem pontifícia à América do Sul.

“O mercado está longe de ser perfeito, mas temos assistido a níveis historicamente sem precedentes de prosperidade atingidos por causa da disseminação global do capitalismo e pelo aumento da liberdade para os mercados. O crescimento na China e na Índia, por exemplo, é real e maravilhoso”, defendeu o “ministro de Economia” designado pelo Papa Francisco.

Ele afastou-se assim do anticapitalismo ecoado em diversos parágrafos da ‘Laudato si’.

“Não podemos nos considerar garantidos no ‘Primeiro Mundo’, mas nas linhas gerais atingimos um bom nível de vida e não podemos esquecer isso”, acrescentou o cardeal.

O site Crux, de tendência anticapitalista, observou para o Cardeal Pell que o Papa Francisco usou na América Latina uma retórica carregada do que ele próprio qualificou de “falhas do sistema capitalista”.

O cardeal respondeu que isso podia ser atribuído a “fracassos pontuais” na América do Sul, como na Argentina.

De fato, se há falhas pronunciadas na economia argentina, elas não devem ser atribuídas ao capitalismo, mas ao socialismo populista que avança na nação platina, associado às diversas correntes da Teologia da Libertação – entre elas a teologia do povo, do Papa Francisco –, apesar de desacordos pontuais entre uma tendência e outra.

O purpurado também refutou aspectos negativos da “Igreja pobre para os pobres”, enfatizada pelo Papa.

“Uma das melhores maneiras de elevar os pobres consiste em melhorar a economia. Mas se somos desorganizados, incompetentes e, além dos mais, pobres, não seremos capazes de auxiliar quem quer que seja”, completou o lúcido cardeal australiano.

Publicado originalmente no site Ecologia Clima Aquecimento; http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2015/09/cardeal-pell-igreja-nao-tem-mandato.html

.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Em 15 anos, 90% das notícias serão escritas por robôs, afirma cientista.

Richard Jakubaszko
A informação tresloucada e impertinente foi publicada no Comunique-se, site visitado por jornalistas. Parece-me que já foi escrita por um robô, tal o nível acrítico da notícia.
Como poderá ser lida e avaliada abaixo, pois faço questão de reproduzir na íntegra a patacoada, o(a) escriba da notícia não lembrou-se de algumas variáveis da profissão de jornalista, como repórteres, editores, fotógrafos, mas considerou que jornalista apenas "escreve" notícias.

Se a gente for considerar apenas o jornalismo "moderno", o do seleciona, copia e cola, pode ser que o futuro seja da maneira prognosticada pelo "cientista" citado na reportagem. Não vai mudar nada. Até porque, alguns jornalistas hoje em dia só fazem isso, escrevem notícias, reportadas de algum lugar da internet. Curiosamente, a frase final da matéria revela o tom:
"O mundo das notícias vai se expandir. Os jornalistas não vão precisar escrever reportagens a partir de dados. Tudo será feito por máquinas". 

Claro, não serão mais necessários "dados", e nem repórteres. As "notícias sem dados" nem precisarão de editores, nem de fotos ou ilustrações.
A previsão do cientista teria mais verossimilhança se afirmasse que, em contato excessivo com os computadores, os profissionais em geral ficarão tão burros quanto as máquinas, especialmente os jornalistas.

Cá comigo, agradeço a Deus, diariamente, por ter me trazido a este mundo antes do generalizado emburrecimento atual. De toda forma, sinto cansaço ao observar que a desconexa teoria darwiniana seja desmentida, pois mostra involução de fato na espécie dita humana. Há uma lógica nisso: a involução das espécies tem hora que dá merda. Costumo sugerir a amigos que não sejam politicamente corretos, como segurar a própria flatulência, pois a prática tem seus perigos: os gases sobem pela coluna vertebral, chegam ao cérebro, nascendo daí as ideias de merda.


ABAIXO, A NOTÍCIA ACIMA COMENTADA:

Em 15 anos, 90% das notícias serão escritas por robôs, afirma cientista.
Chefe-cientista da Narrative Science, Kristian Hammond prevê que em 15 anos 90% das notícias serão escritas por máquinas com conteúdo narrativo automatizado. Não é só o profissional que tem essa visão. Em reportagem para a BBC, a consultoria Boston Consulting Group afirmou que até 2025 um quarto dos empregos será substituído por robôs, incluindo a função dos jornalistas.

A reportagem da BBC reúne a previsão de diversos estudos sobre o futuro de algumas profissões. De modo geral, a Universidade de Oxford, no Reino Unido, aponta que 35% dos atuais empregos no país correm o risco de serem automatizados nas próximas duas décadas. A BBC criou lista com as carreiras "ameaçadas" como motorista de táxi, operários de fábrica, médicos, barman e, claro, jornalistas.

A possibilidade de que robôs escrevam textos no lugar de profissionais da comunicação não é nova. No ano passado, o Portal Comunique-se falou sobre estudo que mostra como as máquinas produzem conteúdo. O professor de mídia e comunicações da Karlstad University (Suécia), Christer Clerwall, fez pesquisa com 46 alunos da graduação de jornalismo, que avaliaram textos escritos por jornalistas e robôs.

A avaliação final mostrou que, das 27 pessoas que responderam o questionário, 10 disseram acreditar que um jornalista era o autor da nota feita de maneira eletrônica. Dos 18 entrevistados que leram a matéria escrita por um profissional, 10 arriscaram ao dizer que tinha sido escrita por um programa.

O chefe-cientista Hammond não acredita, entretanto, que essa possibilidade tecnológica tire o emprego dos profissionais da imprensa. Para ele, o momento pode significar que jornalistas vão ampliar o campo de atuação. "O mundo das notícias vai se expandir. Os jornalistas não vão precisar escrever reportagens a partir de dados. Tudo será feito por máquinas".


Publicado originalmente no Comunique-se: http://portal.comunique-se.com.br/sub-destaque-home/78686-em-15-anos-90-das-noticias-serao-escritas-por-robos-afirma-cientista-info

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A lição de Cingapura

Marcos Sawaya Jank *
Cingapura completou 50 anos em agosto. Na semana passada, o partido que está no poder desde 1960 foi reeleito com 70% dos votos, conquistando 83 dos 89 assentos do Parlamento. A eleição representa mais um voto de confiança ao legado de Lee Kuan Yew, o grande líder do país, que faleceu aos 92 anos em março passado.

Situada no estratégico Estreito de Malaca, uma curta faixa de mar por onde passa 25% do comércio mundial, essa terra de desterrados - migrantes, comerciantes, piratas, invasores - tinha tudo para dar errado e acabar sendo incorporada pelos seus vizinhos.

Mas a despeito da sua multiplicidade de raças, línguas, religiões e culturas, o país acabou formando uma identidade nacional única.

Na sua fundação, em 1965, a renda per capita de Cingapura era inferior a US$ 500, muito parecida com a do Brasil à época. Hoje a do Brasil está em US$ 9,3 mil e a de Cingapura passa dos US$ 55 mil. Não há milagre, mas sim a adoção de receitas simples e originais.

Em primeiro lugar, Cingapura é uma economia aberta à competição, ao comércio, aos investimentos, às empresas multinacionais, aos expatriados. Tornou-se assim um dos principais "hubs" globais de comércio, finanças e turismo.

O porto e o aeroporto, grandes e modernos, estão entre as principais portas de entrada na Ásia. Soma-se a isso a educação pública de alta qualidade e um incrível sistema habitacional criado pelo poder publico, que atende 80% da população, e que foi bem mal copiado por Paulo Maluf em São Paulo.

Na questão da mobilidade urbana, a cidade oferece uma invejável rede de transporte público e, por isso, taxa o uso do carro com uma licença cara vendida em leilões. Maior a procura por licenciamento, maior o custo da licença para usar o carro. Com isso, o nível dos congestionamentos é controlado pelo mercado, tornando-se insignificante perto do que tenho visto em metrópoles do mesmo tamanho.

Segundo, Cingapura colocou a disciplina e o respeito às leis como condição básica para o bem-estar da coletividade. A "fine city" é conhecida por aplicar pesadas multas em quem cospe, joga lixo ou bitucas de cigarro no chão. Homicídio, uso de drogas, roubo, assaltos e vandalismo são pesadamente punidos, inclusive com castigos físicos ou expulsão do país.

Mas as pessoas não se sentem acuadas, já que a lei é clara e conhecida por todos. Ao contrário, é impressionante como um país tão jovem, que nasceu tão pobre e com tanta diversidade étnica e cultural conseguiu virar uma cidade-estado limpa, moderna, civilizada, que detém um dos mais baixos índices de criminalidade do planeta. Liberdade e segurança só existem quando as regras do jogo são respeitadas.

Soma-se a isso o árduo combate à corrupção em todas as suas formas. Basta dizer que ministros e altos funcionários do governo são escolhidos por critérios meritocráticos e estão entre os mais bem pagos do planeta.


Tratam-se de lições básicas e simples, mas ainda tão pouco aplicadas no mundo.

Quando vejo o desrespeito diário às regras básicas de convivência, a complexidade absurda das nossas leis e a falência do sistema político do Brasil, lembro-me da frase de Steve Jobs: "foco e simplicidade são os meus mantras. O simples pode ser bem mais difícil de fazer do que o complexo".

* o autor é especialista em questões globais do agronegócio
.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Paul Krugman: “Brasil já não é vulnerável como no passado.”



“O Brasil não está vulnerável da mesma forma que já esteve no passado” e a “crise no país é gerenciável”. Quem diz isso é o insuspeito ganhador do Nobel de Economia, o norte-americano Paul Krugman. Em entrevista à revista Exame, o professor da City University of New York não minimiza a gravidade da turbulência vivida pelo gigante sul-americano, mas afirma que as condições para enfrentar os problemas são favoráveis.



“Não tenho dúvida de que a situação [no Brasil] é difícil. No entanto, acho que descrevê-la como uma tempestade perfeita é muito forte. O Brasil não está vulnerável da mesma forma que já esteve no passado. A situação brasileira também não se compara à dos países europeus há poucos anos”, afirma o economista.



Para ele, a situação do Brasil é difícil, mas “o endividamento do país não é crítico, e o setor privado não parece tão exposto à desvalorização do real”, o que torna a crise administrável.



Krugman destaca que o contexto internacional é adverso e pode ficar ainda mais complexo. “É ruim que os Estados Unidos estejam falando em aumentar os juros exatamente quando o preço das commodities está em colapso, uma queda de uma magnitude que, por sinal, quase ninguém conseguiu prever”, diz. Um aumento na taxa de juros norte-americana poderia desencadear saídas de capital do Brasil.



De acordo com ele, o Brasil aproveitou o período do boom de commodities e agora isso acabou. Mas, avalia, o país tem uma economia diversificada e pode superar o momento. “Exportar commodities não é a única coisa que [o país] consegue fazer. O Brasil precisa ganhar competitividade na venda de produtos manufaturados. Uma maneira de fazer isso é com a desvalorização do câmbio, o que já está acontecendo”, analisou.



O Nobel de Economia defendeu que, embora vários países estejam enfrentando dificuldades, o risco de uma nova crise global é relativamente baixo. “Em termos de gravidade, a situação atual não é comparável ao que tivemos em 2008, quando veio tudo abaixo. Também não parece ser tão ruim quanto o que vivemos em 2011 e 2012, quando parecia que a crise europeia sairia de controle. A gente tende a esquecer de quanto o passado tem sido difícil. O que estamos vivendo hoje também não é comparável à crise asiática de 1997. Temos problemas nos países emergentes, mas provavelmente não uma crise global”, opina.



Segundo ele, a crise que começou na Ásia, no fim dos anos 1990, teve dois componentes principais: baixo crescimento e alto endividamento das empresas locais em moeda estrangeira. “Ainda que seja verdade que muitas empresas chinesas tenham dívidas em dólares, não podemos esquecer que a China tem enormes reservas internacionais. Por isso, não parece que estejamos prestes a ter uma crise generalizada no balanço das companhias. Em resumo, a China não parece tão vulnerável quanto estavam os países que deflagraram a crise asiática no final da década de 1990”, defende.



Para o economista, contudo, a desaceleração dos países emergentes e a crise na Europa são preocupantes. “O mundo não parece que vai desabar. Mas, olhando o que acontece nos emergentes e na Europa, conclui-se que falta força para a economia global. Esses sinais de fraqueza indicam que a estagnação econômica mundial é persistente. Por algum tempo, os mercados emergentes eram uma fonte de crescimento. Agora são fonte de más notícias. Ou seja, devemos ver em câmera lenta a continuação dessa estagnação que temos vivido nos últimos tempos”.



Krugman explicou que a Europa vive uma queda no número de trabalhadores em relação aos idosos, o que dificulta a situação da região. “É difícil pensar em algo que tire a Europa do torpor. Uma grande política fiscal expansionista e a expectativa de elevação da inflação funcionariam. Infelizmente, não vejo nenhuma dessas duas coisas acontecendo”.




Comentários do blogueiro: 
É importante enfatizar o que Paul Krugman não disse, mas apenas deixou implícito na frase Exportar commodities não é a única coisa que [o país] consegue fazer. O Brasil precisa ganhar competitividade na venda de produtos manufaturados. Uma maneira de fazer isso é com a desvalorização do câmbio, o que já está acontecendo”.
Lembro que, adicionalmente, temos o pré-sal produzindo hoje mais de 800 mil barris/dia de petróleo. E ainda temos um Fundo Soberano de quase US$ 400 bilhões de dólares. O que transforma "a crise" atual em crise política.

.

domingo, 20 de setembro de 2015

Taxação dos lucros dos acionistas em 15% cobriria rombo no orçamento

Najla Passos, em Carta Maior em 15/9/2015

Em audiência no Senado, economistas do Ipea afirmam que medida renderia aos cofres públicos R$43 bilhões por ano.

Um estudo apresentado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) à Subcomissão Permanente de Avaliação do Sistema Tributário Nacional do Senado, na noite de segunda-feira, dia 14/9, comprova que o governo poderia arrecadar cerca de R$43 bilhões ao ano, o suficiente para cobrir o rombo orçamentário previsto para 2016, se taxasse em 15%, via imposto de renda, os lucros e dividendos recebidos por acionistas de empresas.

Hoje, de acordo com legislação aprovada em 1995, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os lucros e dividendos recebidos por acionistas no Brasil estão totalmente isentos do imposto de renda. De acordo com o presidente da subcomissão, senador Lindberg Farias (PT/RJ), no mundo inteiro, só Brasil e Estônia abrem mão da taxação integral deste tipo de renda.

Autor do Projeto de Lei do Senado (PLS) 588/2015, que prevê a cobrança de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) com alíquota de 15% sobre a distribuição de lucros e dividendos a pessoas físicas e jurídicas, o senador afirma que a forma com que o imposto de renda é cobrado no Brasil penaliza os trabalhadores. “Hoje, o que acontece é que um servidor público que ganha R$5 mil paga imposto de renda de 27,5%. Um grande empresário que recebe R$300 mil a título de distribuição de lucros e dividendos não paga nada”, sustenta.

Os pesquisadores do Ipea, Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, concordam que a regressividade do sistema é prejudicial. Segundo eles, os 71.440 brasileiros que ganham mais de R$1,3 milhão pagaram apenas 6,7% sobre toda a sua renda em 2014. Já as pessoas que ganham entre R$162,7 mil e R$325,4 mil pagaram em média 11,8%. “Pior do que pagar imposto é olhar para o andar de cima, para aquele que é mais rico que a gente, e ver que ele paga menos imposto”, afirmou Gobetti.

IR ou CPMF?
Os economistas defenderam a criação de novas alíquotas para o imposto de renda, de até 45%, de acordo com a faixa de renda, como já vêm sendo discutido pelo governo federal. Segundo eles, essa medida tornará o sistema tributário brasileiro mais justo, porque equilibrará melhor o montante de impostos pagos por ricos e pobres.

Por outro lado, eles criticaram a proposta do governo de reeditar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para Gobetti, essa é mais uma forma de imposto regressivo, que pesa principalmente sobre a renda dos mais pobres, que é quase toda ela comprometida com bens de consumo.

Reproduzido do blog Limpinho & Cheiroso: http://limpinhoecheiroso.com/2015/09/19/taxacao-dos-lucros-dos-acionistas-em-15-cobriria-rombo-no-orcamento/
,

sábado, 19 de setembro de 2015

O garrote vil da chantagem e dos juros

Mauro Santayana *
(Jornal do Brasil) - Pressionada, ainda antes de sua vitória nas urnas, pela oposição, o discurso neoliberal de enxugamento do Estado, e pelos erros - em princípio bem intencionados - cometidos nas desonerações, durante seu primeiro mandato, a Presidente Dilma Roussef fez mal em trocar a equipe econômica, e, de olho nas agências internacionais de "qualificação", ter cedido à chantagem do "mercado", colocando banqueiros para cuidar da economia brasileira, seguindo a receita ortodoxa de mais juros e mais arrocho, sob o mal disfarçado rótulo de "ajuste".

O campo neoliberal, dogmático e entreguista, e o sistema financeiro internacional, decidido e determinado a fazer com que o Brasil se submeta novamente, de corpo inteiro, a seus ditames, hipócritas e autoritários, agem como o lobo no cerco ao pobre cordeiro da fábula de La Fontaine.

De nada adiantou o Brasil ter abaixado a cabeça e tentado fazer o "dever de casa", comprometendo-se a promover o "ajuste" e aumentando os juros. O rebaixamento - sórdido e imbecil aplicado por uma empresa multada em mais de um bilhão de dólares por ter enganado investidores, profissional e moralmente descreditada no exterior, entre outras personalidades, pelo Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, que já chamou de palhaços seus analistas - veio do mesmo jeito, no bojo da estratégia geral de paulatino, lento "sangramento" do atual governo, por meio da Standard & Poors.

Agora, segue o baile, com o país paralisado, por causa da previsão de um ridículo déficit de 30 bilhões de reais no orçamento, que poderia ser de 60 ou 90 bilhões, que ainda assim não chegaria sequer a 10% de nossas reservas internacionais e o governo continua deixando que a imprensa e a oposição, dentro e fora do Congresso, ditem a pauta nacional, apedrejando o "aumento" dos impostos sobre o "povo", de um lado, com a CPMF, ao mesmo tempo em que impedem, com a outra mão, o aumento da taxação sobre os bancos, que estão - vide seus lucros - deitando e rolando com o constante aumento dos juros, principalmente, os da taxa SELIC.

Ora, o que o governo tinha que fazer é dizer que vai tirar 10 ou 20 bilhões de dólares das reservas internacionais, de 370 bilhões de dólares, acumuladas nos últimos anos, para cobrir esse suposto "buraco", cuja importância a imprensa conservadora tem multiplicado, já que significa uma quantia simbólica perto do PIB de mais de 2 trilhões de dólares (no ano passado alcançou 2.345 trilhões de dólares).

Ele poderia também suspender a proposta de imposto sobre a CPMF - que a população acha, erroneamente, que vai sangrá-la, quando ele é quase simbólico e facilitaria o combate à sonegação e à lavagem de dinheiro - taxando imediatamente os bancos, para aumentar a arrecadação, sem mexer no bolso do contribuinte, usando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para evitar a explosão das tarifas.

E colocar os empresários da área produtiva, a FIERJ e a FIESP, para conversar com o Banco Central (leia-se COPOM) para baixar, paulatinamente, os juros, aliviando a situação fiscal do governo e revertendo psicologicamente a percepção exagerada de crise e de recessão promovida pela mídia conservadora, já que a queda recente da inflação, principalmente de alimentos, permite isso.

Isso, sem mexer no câmbio, cuja trajetória vem valorizando as reservas internacionais com relação ao real, diminuindo a dívida líquida pública, e reativando setores industriais de uso intensivo de mão de obra, que estão voltando a exportar.

Se o Brasil estivesse quebrado e sem saída, tudo bem.

Mas temos mais de um trilhão de reais em dólares, as sextas maiores reservas do mundo, e somos, depois da China e do Japão, o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, números que - devido à proverbial incompetência do governo e do PT na área de comunicação, além da blindagem dos grandes meios de comunicação - continuam fora do alcance da percepção e do conhecimento da imensa maioria do povo brasileiro.

Em uma situação de cruenta guerra política, e, principalmente, ideológica, como é o momento, com o avanço do fascismo nas ruas e na internet, não há, para qualquer governo, pior tática do que abandonar seus princípios para ceder paulatinamente à pressão do adversário, na esperança de que essa pressão se alivie.

Até porque ela só tende a piorar cada vez mais, sadicamente - como o aperto implacável e constante, ininterrupto, do Garrote Vil, volta a volta do torniquete, no pescoço dos prisioneiros, pelas mãos dos carrascos na Espanha, nos tempos da ditadura de Franco.

* o autor é jornalista. Publicado originalmente em http://www.maurosantayana.com/2015/09/o-garrote-vil-da-chantagem-e-dos-juros.html

.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pecuária no alvo dos biodesagradáveis

Richard Jakubaszko
Recebo e-mail de Stefan Mihailov, presidente da Phibro Animal Health no Brasil, em que me enviou cópia de texto publicado no jornal O Globo, assinado pela (provavelmente) jornalista Ana Lucia Azevedo. Depois de ler o texto enviado por Stefan, fiquei matutando sobre as razões da coleguinha ter publicado tanta imbecilidade ambiental. Mais uma vez, tenta-se criminalizar a pecuária de corte pelas neuroses ambientais urbanas. Os urbanos consideram-se isentos de qualquer tipo de responsabilidade.

A colega deve ser do gênero vegetariana, metida a economista, sem deixar de ser biodesagradável, e chama a vaca brasileira de latifundiária, esquecendo que somos um país autossuficiente na produção de leite e carne, produtos que, por diversas vezes, há alguns anos, chegamos a importar para abastecer o mercado interno, e hoje em dia exportamos não apenas derivados do lácteo, mas somos líderes mundiais na exportação de carne.

Aqui no blog tenho um artigo, de 2009, publicado às vésperas da COP15 de Copenhague: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2009/12/indefinicoes-da-ciencia-em-tempos-de.html 

No livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", eu e outros autores, desmentimos e ridicularizamos todas as acusações infantis denunciadas pela jornalista-vegetariana-economista, e recomendamos à senhora, ou moça, que leia o livro para não repetir de hoje em diante tanta impropriedade em tão reduzido espaço de jornal. A aquisição do livro (R$ 40,00 + taxa postal) pode ser feita apenas pelo e-mail co2clima@gmail.com ou pelo fone 11 3879.7099 com Cristiane.

Abaixo, as imbecilidades da vegetariana...
Para cada R$ 1 milhão de receita com pecuária extensiva, R$ 22 milhões de impacto ambiental.
Atividade gera desmatamento, gasta mais água e degrada solo por mais tempo
RIO - A latifundiária vaca brasileira traz custos ambientais que, se internalizados, tornariam a pecuária bovina inviável. Um estudo sobre os riscos de financiamento lista a criação de gado como um dos setores de maiores custos de capital natural, com impacto no desmatamento, na degradação do solo e na emissão de gases do efeito estufa — a flatulência bovina está entre as maiores fontes do mundo de metano, um potente gás-estufa.
Apresentado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e pela Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ), o relatório “Exposição do Setor Financeiro ao Risco do Capital Natural” analisou 45 setores, incluindo agropecuária, petróleo e gás, cimento, energia, aço, florestas e produtos químicos. Ele recomenda aos bancos e fundos de pensão novas formas de avaliar o risco de investimentos.

Segundo o relatório, para cada R$ 1 milhão de receita da pecuária bovina, são gerados R$ 22 milhões de impactos ambientais, principalmente em desmatamento e emissão de gases-estufa. A presidente do CEBDS, Marina Grossi, explica que a proposta do estudo é orientar bancos e outras fontes financiadoras na hora de conceder empréstimos. Ela lembra que a resolução 4.327 do Banco Central, de 2014, determina a responsabilidade pelo risco ambiental tanto por quem pratica quanto por quem financia.

Segundo Marina, a pecuária de fronteiras, que abre caminho no cerrado e na Amazônia, é a de maior risco:
— A vaca latifundiária consome mais água, degrada o solo por mais tempo. Existe tecnologia para mudar isso e tornar a pecuária mais competitiva.

UM ANO PARA RECUPERAR SOLO
O gado destrói o solo bem mais do que parece à primeira vista. Ele não apenas come o capim: pisoteia e arranca a camada fértil da terra. Alcança áreas vulneráveis, como as margens e nascentes de rios, além daquelas de encosta, sujeitas a uma maior erosão. Por isso, projetos de recuperação não são triviais. Precisam se adequar ao bioma, à legislação de cada estado, ao tipo de solo, relevo e clima.
— O solo degradado já perdeu muito de sua capacidade produtiva. Leva pelo menos um ano para recuperar uma área. E é preciso saber que tipo de uso será melhor. Se for uma área plana e capaz de repor a fertilidade, pode ser empregada na integração pecuária-lavoura. Já margens de rios e topos de morro se adaptam mais à regeneração da vegetação nativa — diz Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite.
Se a ideia for recuperar a área para a pastagem, é preciso levar em conta variáveis como a chamada safra do pasto e o manejo genético do gado. E tratar o pasto como qualquer outra cultura.

— Ao mesmo tempo em que você recupera, precisa colocar mais cabeças de gado por hectare. Há tecnologia para isso. Com isso, você aumenta os ganhos e evita desmatar novas áreas — observa Bolfe.
.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ricardo Felício desmente a farsa do aquecimento

Richard Jakubaszko
 Mais uma vez neste blog desmente-se a farsa do aquecimento e das mudanças climáticas. Na entrevista abaixo ao TV NT - Novo Tempo / Jornalismo, o professor Ricardo Felício, da USP, reitera algumas das questões que permeiam essa enorme teoria conspiratória que tomou o mundo de assalto.

Em meu livro, "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde me orgulho com a participação do professor Luiz Carlos Molion, físico da Universidade Federal de Alagoas, e do também físico José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, e fazemos abordagens adicionais às comentadas por Ricardo Felício na entrevista abaixo, para desmistificar aquilo que chamo de milenarismo, uma neurose apocalíptica que prevê o fim do mundo.

A repetição da mentira do aquecimento é facilitada pela característica cultural do povo de assistir TV, onde a comunicação rápida e superficial aborda sempre uma variável da "sustentabilidade", e também porque as TVs não entrevistam especialistas como o Ricardo Felício ou mesmo os autores do livro, onde o tema é abordado em maior profundidade.

Lamentavelmente a cultura brasileira é oral, e, à falta de leitura de livros, e de informação de qualidade, as mentiras proliferam nas TVs.

Se você, leitor deste blog, deseja tomar conhecimento do que está por trás dessa teoria conspiratória, leia o livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", pois você nunca mais vai deixar de ler bons livros, e ainda vai assistir menos TV no futuro, reduzindo o risco de se imbecilizar definitivamente.

Para adquirir o livro ligue 11 3879.7099 (c/Cristiane) ou envie e-mail para co2clima@gmail.com - custa R$ 40,00 mais despesas postais.

.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Guerra à pirataria

Richard Jakubaszko
Circulando, a Agro DBO de setembro 2015, que traz na matéria de capa denúncia sobre a pirataria nas sementes.
Há uma guerra em curso.
Mais um percalço da nossa agricultura, não bastasse o clima adverso, os custos pela hora da morte, os juros na casa do chapéu, a falta de infraestrutura.

Nesta edição o leitor encontrará muitos temas de interesse, como "Energia", e saberá as culturas que os gaúchos investem, ricas em amido, para produzir etanol. No café mostramos um produtor mineiro que faz a poda e colheita ao mesmo tempo com a ajuda da "Papa-galhos", e ainda a proposta de um pesquisador da Embrapa que indica culturas alternativas intercaladas com a lavoura principal para facilitar o controle biológico das pragas.
No vídeo abaixo, Tostão, o editor da Agro DBO dá outras dicas da edição,


.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O IAC começa a virar sucata

Henrique Mazotini *
O texto abaixo é cópia da divulgação feita pelo Correio Popular de Campinas, na edição de domingo 13/setembro!

Referência na área de pesquisa no Brasil e um dos ícones da cidade, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) acaba de perder o seu acervo entomológico com mais de 8,5 mil amostras de insetos e pragas, coletadas ao longo de 80 anos. O material foi transferido para a Capital, mesma cidade para onde também será levado o Herbário nos próximos dias. A coleção de plantas conta com mais de 56 mil amostras e 11 mil espécies catalogadas. Algumas delas são anteriores à própria fundação do IAC, há 128 anos. Segundo a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, a instituição vem enfrentando um processo de desmonte, que passa pela defasagem no quadro de pesquisadores e encerramento de linhas de pesquisas, que pode trazer consequências sérias para a área da agricultura no Estado.



O acervo entomológico do IAC era composto por uma coleção exclusiva no País, totalmente voltada para o benefício da agricultura, por meio de informações acerca das variadas pragas que atacam as lavouras no Estado de São Paulo. O vice-presidente da Associação dos Pesquisadores do Estado de São Paulo (APqC), Carlos Jorge Rosseto, que trabalhou na unidade de Entomologia do IAC de 1961 a 1987, diz que são pesquisas de muitos anos que custaram caro ao Estado e de enorme valor para os agricultores. Mas o valor histórico, científico e monetário não impediram que a coleção fosse transferida quase que na “calada da noite”, na semana da Independência. O material foi alocado dentro do Instituto Biológico. Os próprios pesquisadores foram surpreendidos com a transferência.



A coleção, segundo Rosseto, é um verdadeiro catálogo sobre a ocorrência de insetos relacionados com plantas no Estado de São Paulo, que permitia saber quais insetos já foram observados causando dano a determinada planta nos últimos 80 anos no Estado, bem como que plantas hospedeiras ele foi observado atacando, qual o tipo de dano causado, época e região de ocorrência e seus inimigos naturais. “A coleção do IAC tem um valor maior que outras coleções de insetos do ponto de vista agronômico. A Constituição exige eficiência e, em nome disto, a coleção deveria ser mantida no IAC, pelo menos até a aposentadoria de seu curador.”



A próxima coleção a ser transferida é a do Herbário. “São 56 mil amostras de plantas desidratadas e todo esse acervo vai ser transferido”, afirmou um pesquisador. De acordo com a associação, os pesquisadores do Herbário também ficaram sabendo da notícia por intermédio de colegas do Instituto de Botânica de São Paulo. Além das pesquisas realizadas por cientistas, o acervo é usado por estudantes e pela própria Prefeitura de Campinas, que faz consultas, por meio da Secretaria do Verde. A tentativa de argumentação de que se trata de uma coleção valiosa foi ignorada. “O IAC tem 128 anos de história, de atividade. O Herbário tem 80 anos, mas há amostras anteriores à criação do Próprio IAC”, afirmou um pesquisador. Projetos de pesquisa estão em andamento no herbário.



Joaquim Adelino de Azevedo Filho, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos de São Paulo, afirma que o processo de desmonte do IAC vem ocorrendo há cerca de 20 anos, com a defasagem do quadro de servidores. Um estudo feito em 2012 apontava que o instituto funcionava com 171 pesquisadores, quando deveria ter 311. Na década de 90, o IAC tinha mais de 400 pesquisadores. A defasagem nos quadros técnicos e administrativos ultrapassam 70%. “Já tínhamos esses cargos em vacância desde 2012. Desde lá a situação se agravou porque servidores se aposentaram ou foram trabalhar em outros órgãos e não houve concurso.” O último concurso foi realizado há cerca de dez anos.



Sobre a transferência dos acervos, Azevedo acredita que a medida foi adotada pela diretoria com diretrizes da Secretaria de Agricultura para redução de gastos. “Estão desocupando o prédio para ficar sem uso ou reduzir custos. Acham que esses acervos não são uma missão do IAC. Isso é o que a diretoria está alegando para fazer o desmonte. Mas o material pertence ao IAC e faz parte da história de Campinas. Estão passando por cima de tudo isso. Acham que é um objeto qualquer que pode ser mudado sem nenhum dano”, disse. Segundo Azevedo, o Instituto de Botânica já teria se manifestado que o material do herbário não tem interesse porque não tem relação com a linha de trabalho deles.



Preocupação

O encerramento de linhas de pesquisas com determinadas culturas também preocupa os pesquisadores. O IAC trabalhava com mais de 100 culturas, mas segundo Azevedo esse número deve ser reduzido para oito. “A proposta da diretoria é que se escolha em torno de oito culturas. Aquelas que os pesquisadores já se aposentaram estão sendo encerradas.” Segundo Joaquim, já foram encerradas as pesquisas com trigo, girassol, mamona e arroz, entre outras. A pesquisa com algodão era feita por oito pesquisadores. Hoje conta com apenas três, sendo que dois deles são aposentados e trabalham como voluntários. A falta de pesquisas pode significar pouca diversidade, insegurança alimentar e até desabastecimento alimentar. “No Estado de São Paulo não tem outros institutos que fazem pesquisa com esse material. Exceto a universidade, mas nenhuma delas tem programa forte de melhoramento que é o caso do IAC. Trabalham com pesquisas pontuais. O melhoramento exige uma sequência. Essas culturas anuais gastam no mínimo dez anos para você começar fazer seleção e começar cultivar no ponto do agricultor utilizar”, explicou.



* o autor é engenheiro agrônomo e presidente-executivo da Andav - Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários