segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A missão Ásia do ministro Blairo Maggi

Marcos Sawaya Jank *
Estamos refazendo o caminho de Vasco da Gama, mas agora saindo do Brasil.
Numa investida inédita sobre os grandes mercados de produtos agropecuários e alimentos do mundo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, lidera no momento uma missão a oito países asiáticos. Acompanhado de cerca de 35 empresários de 12 setores do agro, durante quase um mês a missão percorre China, Coreia do Sul, Hong Kong, Tailândia, Myanmar, Vietnã, Malásia e Índia.


Vários fatores comprovam a importância estratégica da iniciativa:

- A Ásia tornou-se o principal destino do agronegócio brasileiro, respondendo por 45% do total exportado. Quase todos os setores a veem como a região mais promissora para comércio, integração e investimentos.

- A China responde sozinha por um quarto das exportações do agro e é o país do mundo com maior interesse em Brasil, em áreas como indústria de processamento, tradings, energia, infraestrutura e até mesmo no investimento em terras agrícolas. Como já disse em coluna anterior, no momento não há nada mais estratégico para o Brasil do que encarar esse complexo jogo de curto e longo prazo com aquele gigante asiático, com preparo, bons times e coordenação público-privada.

- Mas, se a China suga todas as atenções neste momento, Maggi optou corretamente por um roteiro inovador que cobre quatro países-chave da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), hoje o segundo bloco comercial do planeta, com 640 milhões de habitantes e PIB de US$ 2,6 trilhões. Os quatro países visitados somam 250 milhões de habitantes e, por também estarem na zona tropical, ainda que no hemisfério norte, se parecem demais com o Brasil. O potencial de cooperação tecnológica, comercial e de investimentos é imenso.

- A missão se encerrará na Índia, país ainda bastante fechado, mas que vive um processo de grandes reformas econômicas e forte crescimento, que vai levá-la a em breve rivalizar com a China.


A missão mostrou claramente que precisamos estar mais presentes no Oriente. Além do melhor conhecimento mútuo, a missão é composta por reuniões oficiais, seminários empresariais em cada país, entrevistas, convite para visitas ao Brasil e assinatura de acordos sanitários, de cooperação técnica e de investimentos.


A Ásia é uma região em que a confiança e os negócios se desenvolvem com base em relacionamentos fortes e duradouros. O processo decisório costuma ser lento, depende de muitas conversas sequenciais e longas negociações, nas quais nem sempre os resultados são entendidos da mesma forma. O "sim" pode, na verdade, significar "talvez". E o "talvez" pode ser só uma forma educada de dizer "não". Na realidade, há grandes diferenças culturais, econômicas, étnicas e religiosas em relação ao Ocidente, entre os próprios países asiáticos e mesmo dentro de cada país.


A grande questão que fica após uma viagem tão longa e exaustiva é definir que tipo de follow up precisaria ser dado para não deixar o entusiasmo se perder. No meu entendimento, os passos seguintes não deveriam ficar apenas a cargo dos diplomatas locais ou esperando uma próxima missão ministerial. O setor privado precisa ocupar o seu papel instalando-se e atuando localmente em cada país visitado.


Há quarenta anos pequenos agricultores do Sul deixaram a sua terra natal para desbravar regiões inóspitas do Centro-Oeste com conhecimento e tecnologias modernas. Nesse mesmo período a demanda mundial se deslocou dos países desenvolvidos para os emergentes da Ásia.


A missão do ministro da Agricultura mostra que, mais de 500 anos após Vasco da Gama, temos de voltar a percorrer o mesmo caminho, só que saindo do Brasil. Mas não vamos mais buscar especiarias no Oriente. Ao contrário, precisamos agora convencer os povos orientais a comprar as nossas especiarias tropicais. Mais do que isso, precisamos integrar as cadeias alimentares dos dois lados do planeta, com eficiência, tecnologia, qualidade, sustentabilidade e ganhos mútuos. A missão foi dada.


* Especialista em questões globais do agronegócio

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Entrevista na Rede TV: Sem Rodeios, não há aquecimento...

Richard Jakubaszko

Fui o entrevistado do programa Sem Rodeios desta quinta-feira, 22 de setembro, na Rede TV: http://tv.uol/158wG
No programa, questionado por 3 jornalistas, Mauro Tagliaferri, João Paulo e Renata Teodoro, eles mostraram a minha opinião e a confrontaram com a "opinião" de várias notícias aquecimentistas, inclusive da Nasa, sobre o propalado aquecimento.

A conclusão a que cheguei, é de que a mídia explode incrédula quando alguém contesta a "opinião única" existente. Fica, entretanto, o elogio ao Mauro e seus companheiros, pela coragem de mostrar o outro lado, pois as demais emissoras de TV negam-se a isso.
De toda forma, foi um massacre. A impressão que fica é que eu é quem tinha a responsabilidade de desmentir "a verdade" do aquecimento, ou seja, eu seria o autor da "teoria conspiratória". Não adianta dizer aos entrevistadores que não existem provas científicas do aquecimento. É como tentar convencer a minha neta de que não existem monstros noturnos, para tentar demovê-la de dormir com luz acesa. É o racional versus o emocional. Os monstros nas TVs estão sempre à solta, e a telinha é uma máquina perversa de moer carne, tudo sempre rapidinho, ninguém quer saber da razão, e prevalece o emocional, fixa-se a impressão daquilo que cada um acha que é, e toca em frente que vem aí o break do comercial...

O leitor do blog que desejar assistir a entrevista terá que clicar no link acima, ou neste link, que vai ao site da Rede TV: http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/semrodeios/videos/ultimos-programas/especialista-contesta-aquecimento-global-grande-mentira-do-seculo-xxi 
Aqui o vídeo, ancorado no UOL, é só clicar:
Algumas pessoas me alertaram que não estão conseguindo assistir o vídeo acima. Deve haver algum problema de compatibilidade de software no Uol ou na Rede TV.  Postamos uma cópia do vídeo no Youtube, onde se pode assistir o vídeo, veja abaixo:


Gráfico temperaturas na era Cenozóica:

Gráfico presença de CO2 na atmosfera do planeta (milhões de anos)

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Caça ao guerreiro

Emiliano José *
Diante de um espetáculo burlesco como o oferecido pelos procuradores da Lava Jato nas últimas horas, onde as provas são deixadas de lado em favor do objetivo político de inviabilizar Lula para 2018, a gente, por mais calejado esteja com a partidarização do sistema de justiça, queda estupefato, tomado de vergonha alheia. Até onde vão? É muito evidente o lado especificamente político dessa incrível perseguição à maior liderança política brasileira. O sistema de justiça quer destruí-lo, aniquilá-lo, quebrá-lo, para além de condená-lo e prendê-lo, se puder.

Sintomático: a cena midiática da denúncia sem provas é montada logo após o governo golpista ter jogado carga ao mar. Cunha descartado como peça agora inútil, o terreno estava limpo para a continuidade acelerada do cerco a Lula, existente desde sempre, e intensificada recentemente com vistas às próximas eleições presidenciais.

E não se dá nem um tempinho. Tudo como previsto. A crônica de uma perseguição anunciada. Há pressa, um olho no padre, outro na missa. Um olho no cronograma do processo, outro no calendário eleitoral. Afinal, os inimigos de Lula sabem: o massacre judicial-midiático não o impede de continuar na ponta de todas as pesquisas eleitorais, e quanto mais o atacam, mais ele cresce.

O povo não é bobo.

Penso em Tancredo Neves, no célebre discurso de outubro de 1954, sempre volto a ele, perguntando sobre por que tanta perseguição ao presidente Getúlio Vargas. Tinha certeza o velho político de inegável vocação democrática: as razões não eram pessoais. Deviam-se às reformas levadas a cabo pelo governo dele, à Petrobras, à política soberana desenvolvida, ao salário mínimo recuperado, às medidas favoráveis aos trabalhadores.

Tudo isso pode ser repetido ad nauseam em relação a Lula, cujas políticas inegavelmente mudaram a vida dos mais pobres, agora atacadas frontalmente pelo governo golpista de Temer. Reflito, e minha reflexão me leva a pensar na origem de Lula. No quanto há de pessoal no ódio devotado a ele pelas camadas dominantes, por setores do sistema de justiça, pela mídia hegemônica, por setores das camadas médias.

Lula agride os bem-pensantes, os homens brancos engravatados de paletó preto, os jornalistas acomodados à ideologia da Casa-Grande, àquela parcela das camadas médias cuja repulsa a pobres é visceral. Ele é uma irrupção vinda das camadas mais pobres, sem eira nem beira, sem paletó preto gravata e diploma, inaceitável para um País cuja história está marcada a ferro e a fogo por quase 400 anos de escravidão.

Um nordestino pobre não tinha o direito de chegar à presidência da República.

Além disso, não se vergar, não se curvar aos costumes dominantes, não assumir os trejeitos da Casa-Grande, e desenvolver políticas voltadas àquela gentinha tão desprezível, de operários aos catadores de papel. Não tinha o direito de inventar bolsa-família, prouni, pronatec, espalhar universidades públicas, institutos federais, essa baboseira toda. Claro, se não ganharam no voto, vai na tora mesmo, vai no golpe.

Está certo, o problema é essencialmente político. Mas, é um problema político muito especial. Lula é o primeiro estranho no ninho a chegar à presidência da República, sempre ocupada por homens engravatados de paletó preto.

Não tem jeito: recorro às lições da história para tentar explicar as pretensões dos inimigos de Lula, desejos contidos que sejam.

Lembro da Revolução dos Alfaiates, dos quatro condenados à morte: João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino Santos Lira, Lucas Dantas do Amorim Torres e Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga. Foram enforcados na Praça da Piedade, dia 8 de novembro de 1799. Mortos para dar o exemplo, descartado um monte de gente da elite envolvida na conspiração. Sempre assim.

Os quatro foram esquartejados.

Pedaços dos corpos expostos em lugares públicos para serem vistos por todos.

De modo a horrorizar, um efeito-demonstração do terror.

Durante cinco dias, a população de Salvador olhou nos olhos mortos dos quatro mártires, para suas cabeças despregadas dos corpos, alternando sentimentos de compaixão e indignação.

Terror, consciente.

Dia 13 de novembro, as cabeças cortadas, outras partes dos corpos foram retiradas e enterradas, única forma de acabar com o odor exalado pela putrefação dos restos retalhados dos cadáveres.

A Coroa portuguesa não podia, ou não queria, deixar florescer a ideia da revolução democrático-burguesa, cuja influência crescia na esteira da Revolução Francesa.

E a Revolução dos Alfaiates, com negros e pobres participando, insinuava uma igualdade que suprimisse a escravidão, inaceitável para a Coroa e também para as elites locais.

Da mesma forma, inaceitável tenha Lula iniciado um processo de ascensão dos pobres no Brasil, conferindo-lhe, além da melhoria das condições de vida, o estatuto de cidadãos, pois milhões estavam excluídos de tudo quando ele ascendeu à presidência da República.

Não podem esquartejá-lo.

Querem, mas não podem.

O ódio saltando das redes, os olhos siderados de alguns dos integrantes do sistema de justiça, a visão messiânica-salvadora emergindo com absoluta nitidez, indicam o quanto desejariam isso. Por ódio de classe – não economizemos as palavras, não escondamos a luta de classes, tão óbvia, cristalina nos dias atuais desse Brasil aviltado por um golpe.

* o autor é jornalista

Publicado originalmente em http://carosamigos.com.br/index.php/colunistas/198-emiliano-jose/7880-caca-ao-guerreiro

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Se Lula for preso, a culpa é nossa.

Richard Jakubaszko
A partir de hoje, a qualquer momento, o juiz de 1ª instância Sérgio Moro, poderá aceitar a denúncia feita pelo Ministério Público Federal, procurador Deltan Dalagnoll, contra Lula, acusando-o de "chefe da corrupção" contra a Petrobras. A denúncia, admitida pelos procuradores como "sem provas, mas cheia de convicção", é uma versão atualizada do "domínio do fato", conhecida popularmente como "tinha de saber".

Será o fechamento do planejado golpe, com chave de ouro. Os outros corruptos denunciados, esqueçam. A Lava Jato se encerra.

O que vai acontecer no Brasil, se Lula for preso?
Ou alguém tem dúvida do contrário?
Será que o povo vai descer dos morros e chegar ao asfalto?

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A pátria armada

Richard Jakubaszko
Uma autocrítica sempre é necessária.
Somos um país com mais de 200 milhões de cidadãos incultos, nas letras e na política, sem poupança, que elege e reelege políticos corruptos, alguns golpistas, quase todos lobbystas de uma elite leviana, que é incapaz de olhar para o futuro da nação, e que não se importa com a história. Somos uma nação macunaímica, que priva crianças de educação, contrata trabalhadores com sub empregos, que abandona nossos velhos aposentados com benefícios ridículos, e temos uma justiça comprometida, cara e demorada.

Regredimos episodicamente em nossa história. Agora nos ordenam para voltar a sonhar, para reconquistar a posição no pedestal, de "o país do futuro".
Enquanto isso, os políticos vão vender o pré-sal, empresas, estradas, e outras riquezas da nação, vão flexibilizar a CLT, ajustar o orçamento federal para poder pagar os juros da dívida pública aos bancos e rentistas, com os aplausos da mídia mais corrupta e comprometida do planeta, mesmo que isso signifique menos investimentos em saúde e educação.

Sem lamentações, por favor, pois o povo e a classe mérdia ainda acredita que Deus é brasileiro. Não decepcionemos o povo, pois a mídia vai aplaudir.
Somos um povo cheio de convicções, mesmo que não existam provas.

O vídeo abaixo é a apoteose do país das chuteiras.

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domingo, 18 de setembro de 2016

Procuradores da Lava Jato querem igualar provas a convicção e ilação

Janio de Freitas *


A exposição acusatória feita por procuradores da Lava Jato contra Lula foi um passo importante, como indicador do sentido que determinados objetivos e condutas estão injetando no regime de Constituição democrática.

O propósito da exposição foi convencer da igualdade de ilação, convicção e prova, para servir à denúncia judicial e à condenação pretendidas sem, no entanto, ter os necessários elementos comprobatórios.

Orientador do grupo de procuradores, Deltan Dallagnol expôs o argumento básico da imaginada igualdade: "Provas são pedaços da realidade que geram convicção sobre um quadro".

O raciocínio falseia. Provas dispensam a convicção, a ela sobrepondo-se. Daí que o direito criminal atribua à prova o valor decisivo. A convicção é pessoal e subjetiva. A prova é objetiva. A convicção deixou no próprio Supremo Tribunal Federal uma evidência da sua natureza frágil e da relação precária que tem com a Justiça.

Recém-chegado ao Supremo, Luís Roberto Barroso encontrou ainda o julgamento do mensalão. Em uma de suas primeiras intervenções, acompanhou uma decisão já definida mas, disse, não se sentia à vontade para dar seu voto à outra: proposta pelo relator Joaquim Barbosa e já aprovada, era a condenação dos réus petistas e vários outros, além do mais, também por formação de quadrilha. Causou espanto. Dois ou três ministros teriam apoiado a condenação por impulso ideológico ou político. Os demais, considerado o seu hábito, votaram por convicção.

Barroso foi breve e simples na recusa de fundamento à condenação. O espanto passou a insegurança. Mas foi só alguém rever o voto que dias antes dera à condenação, logo seguiram-se os capazes de retirar da sentença final a formação de quadrilha. Da qual não havia prova e tinham sobrado convicções.

Em artigo na Folha (sexta, 16), Oscar Vilhena Vieira notou a perplexidade decorrente de que as "grandes adjetivações" aplicadas a Lula pelos procurados, "como 'comandante máximo' [da 'organização criminosa'], não encontrem respaldo nas acusações formais presentes na denúncia". O mesmo se pode dizer de afirmações como esta, de Dallagnol, de que Lula "nomeou diretores PARA que arrecadassem propina" [maiúsculas minhas]. E muitas outras do mesmo gênero.

De todas os integrantes da Lava podem ter convicção: é assunto de cada um. Mas que de nenhuma apresentem prova, por limitada que seja, e ainda assim busquem apoio emocional para sua "denúncia" vazia, fica claro que trilham caminho à margem da Constituição. E não estão sozinhos, como demonstra a tolerância conivente com sua escalada de abusos de poder, sobre fundo político.

O século passado viu muitas vezes a que levam essas investidas. Não poucos países viveram situações que ainda os levam à pergunta angustiante: "como foi possível?". Aqui mesmo temos essa experiência: como foi possível ao Brasil passar 21 anos sob ditadura militar? Em nenhum desses países houve causa única. Mas em todos uma das causas foi a mesma: os que deviam e podiam falar, enquanto era tempo, calaram-se por covardia ou conveniência, quando não aderiram à barbárie pelos dois motivos.

É de um ministro do próprio Supremo, Dias Toffoli, que vem rara advertência para "o risco de que o Judiciário cometa o erro dos militares em 64", se "criminalizar a política e exagerar no ativismo judicial". Dias Toffoli fala em "totalitarismo do Judiciário".



* o autor é jornalista.

O Brasil é importante (?)

Richard Jakubaszko
Recebo e-mail do amigo Odo Primavesi, lá de São Carlos (SP), colocando em termos definitivos a importância do Brasil, seja lá fora, seja aqui dentro. Somos macunaímicos nas críticas ao Brasil, ou somos o cachorro vira-lata que nada dá valor ao que fazemos?
O mapa, produzido pelo ZeitOnline, importante jornal alemão, mostra o ranking das posições das nações em termos de PIB e de suas oscilações ao longo dos últimos anos (de 1980 a 2014).

Primavesi destaca que:
Achei interessante o quadro com a variação nas posições das economias (especialmente Brasil) mundiais. Surpresa para mim foi a Índia, que apareceu do nada. O Brasil no tempo do 2º Império estava  em 4º lugar. Quer dizer, sempre fomos um país de topo.

Este blogueiro, analisando o mapa, identificou algumas questões interessantes e curiosas:
1º - o único país que não oscilou de posição foi o EUA, mas deve cair para o 2º lugar dentro de 3 a 4 anos, posição a ser assumida pela China.
2º - o Japão, antes 2º lugar, caiu para 4º lugar, perdido para a China e Índia.
3º - a França, até 1990 em 4º lugar, sumiu do mapa.
4º - o United Kingdon deve sair do mapa.
5º - o Brasil, durante a ditadura, oscilou entre 6º e 8º lugares, depois sumiu do mapa, durante os governos de Sarney, Collor, Itamar e FHC, ressurgindo na era Lula, e subindo no período uma posição com Dilma. As previsões eram de que o Brasil assumiria o 4º lugar a partir de 2018, mas a recessão atual pode nos tirar do mapa do G8, empurrando o Brasil para o 9º ou 10º lugar.
6º - Pode-se dizer o mesmo da Rússia, com economia baseada no petróleo, mas deve sumir do mapa com os atuais preços





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sábado, 17 de setembro de 2016

Lula deve morrer

Ayrton Centeno
Lula já deveria ter morrido. Cedo, quando nasceu. 

Quando veio ao mundo em 1945, a mortalidade infantil no Brasil era de 146 x 1000. Quase 150 óbitos antes do primeiro ano de vida em cada mil crianças. Isto na média nacional que, hoje, a propósito, é dez vezes menor. Mas naquele tempo, para quem vinha aumentar família pobre, da área rural e do Nordeste, os números eram ainda mais atrozes.

Um dos 12 filhos de dona Lindu - quatro não sobreviveram - Lula nasceu em Caetés, então zona rural de Garanhuns/PE. Casa de taipa, erguida em barro e madeira, um quarto, uma mesa, cinco redes. Água? Amarela, das poças de chuva, dividida com o gado e povoada por girinos. Comida? Feijão, arroz e farinha, carne rara, às vezes de preá ou passarinho. Proteína animal acessível era a da içá, nome da tanajura no Agreste pernambucano.

Talvez por isso prosperou na região a prática não registrar os bebês logo após o parto. Aguardava-se o segundo aniversário. Era preciso que a criança “vingasse”. Aquelas que sucumbiam antes dos dois anos eram sepultadas sem nome nem história. Agitava-se então um sininho. Na tradição de vidas tão ásperas, era o sinal para informar que mais um anjinho subira ao céu.

Quem sabe a dieta de formiga frita tenha salvado Lula de virar estatística. É bem provável que aqueles que o odeiam passem a odiar também o inseto providencial que matou sua fome e o ajudou a sobreviver. E o sininho não bateu.

Vendedor de tapioca aos sete anos, depois tintureiro, engraxate, metalúrgico e presidente de sindicato, Lula poderia ter morrido naquele sábado, 19 de abril de 1980, quando seis agentes do Dops empunhando metralhadoras foram prendê-lo em casa às 5h30 de uma manhã nevoenta. Uma “condução coercitiva” em São Bernardo cinco anos antes da ditadura exalar seu último suspiro. Temeu, como diria depois, aparecer morto num “acidente” na via Anchieta. Afinal, sob o regime civil-militar muita gente buscada em casa para “prestar esclarecimentos” nunca mais foi vista. Virou preso político mas, uma vez mais, não morreu.

Lula deveria morrer quando um câncer atacou sua laringe em 2011. Tão logo correu a notícia, as alcatéias uivaram em regozijo nas caixas de comentários. “Tenho dó do câncer ter que comer carniça petralha”, lamentou um piedoso internauta. Outras vozes se juntaram para chamar o presidente adoentado - que batera sucessivos recordes de popularidade atingindo índice de 83% de aprovação, o maior da história do país - de “verme”, “crápula”, “desprezível”, “nove dedos” e “imundo”. Mas Lula os decepcionou. E, novamente, não morreu.

Lula deveria morrer muitas vezes. Antes de fundar a CUT em 1983, a quinta maior central sindical do mundo. Antes de conceber o Partido dos Trabalhadores em 1980 que conquistaria no voto, quatro mandatos de presidente da república. Antes do Bolsa-Família, do Prouni, de retirar 27 milhões de brasileiros da pobreza extrema, do reajuste anual do salário-mínimo acima da inflação, do PAC, da ampliação da distribuição da renda, de implantar 14 novas universidades federais (contra nenhuma de seu antecessor), de criar mais de 200 escolas técnicas, da descoberta do pré-sal, da política externa independente…

Lula deveria morrer quando emergiu da plebe rude para reivindicar a Presidência da República. E conquistar um posto que, até então, era reservado por direito divino aos nhonhôs da Casa Grande. E este foi um pecado imperdoável. Mortal.

Lula deve morrer porque morto o querem os donatários das capitanias hereditárias da mídia. Os mesmos que, agora, estertoram em lenta agonia na senda da descartabilidade e da obsolescência. E se aferram ao golpe por razões políticas, partidárias e ideológicas mas, acima de tudo, mirando os cofres do Banco do Brasil e do BNDES como última esperança de sobrevida. Aqueles mesmos que, em 1954, revoluteavam com as “aves de rapina” a que Getúlio aludiu na sua carta-testamento: “A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios” – como se vê, ódio já era o combustível que ardia para conduzir o líder trabalhista ao holocausto. Aqueles mesmos para quem Jango, dez anos depois, apontaria no discurso da Central do Brasil: “A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma (…) A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício”.

Lula deve morrer porque é o desejo de muitos pet-jornalistas: colunistas, articulistas, apresentadores de rádio, jornal e TV e caudatários avulsos. Há quem reproduza a retórica patronal por convicção. E como é benéfico ser abduzido por tais ideias! Sobretudo para preservar a saúde empregatícia, receber aquele tapinha nas costas e, por um átimo, deixar-se levar pelo devaneio de pertencer ao mesmo clube, a despeito do precipício de classe social, renda e poder que cinde mundos tão opostos. Outros o fazem por obrigação, o que é mais compreensível. E existem aqueles que cedem calculadamente por submissão. Neles, é tal a sofreguidão com que entregam suas almas à concupiscência de seu amo que me atrevo a supor que lhe regalariam as polpas com a mesma generosidade caso houvesse algum interesse na oferta.

Lula deve morrer porque tal aparenta ser a aspiração de uma PF cujos delegados agem como militantes da direita nas redes sociais, ultrajando seus superiores. A mesma PF que serviu de polícia política prestando relevantes serviços à ditadura de 1964 sem um só gesto de repulsa ou de contrariedade. E que, na democracia, age sem prestar contas à democracia.

Não é outra, parece, a avidez fundamentalista do MPF, tornado aríete da anquilosada imprensa familiar. E que, nesta quarta, 14, o acusou de obter supostas e milionárias vantagens. E de ser o suposto chefe de um formidável esquema de corrupção. Tão exótico que, nele, quem comanda recebe R$ 3,7 milhões e quem é comandado fatura R$ 100 milhões… Mais fácil crer que tudo se faz com o transparente desígnio de assassiná-lo civilmente. E de barrar sua candidatura nas próximas eleições presidenciais, justamente ele que lidera todas as pesquisas de opinião.

E o que dizer dos anseios de um torquemada de província que se porta como o senhor do universo? Tudo sob o olhar pusilânime e os joelhos tiritantes do STF que, após construir uma breve historia de avanços sociais, acocorou-se na hora de travar os reiterados abusos contra o Estado Democrático de Direito.

Lula deve morrer porque sua morte é o que mais ambicionam as madames botocadas e seus maridos botocudos, a lúmpem burguesia boçal, egoísta e plastificada, clamando pelo golpe nas ruas com seus tênis, óculos escuros e abrigos de grife, seus poodles no colo e seus labradores na coleira. O saudosismo de homens e mulheres brancos, de meia-idade e classe média de um regime assassino que se arrastou por duas décadas de infâmia. A ditadura que seus pais e mães engolidores de hóstias pediram nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade empunhando rosários e rezando aves-marias contra “a ameaça vermelha”. Hoje, a fé, o terço e as orações são arcaísmos. Agora, o nome de Roma é Miami, o da igreja é shopping, o da reza é academia, o da hóstia é botox. Ontem como hoje, porém, o medo e o rancor reverberados com a ascensão da ralé é igual. E, de novo, levaram a um governo espúrio.

Lula deve morrer. Está definido. Mas há um problema: ele não quer. Humilhado e ofendido, aos 70 anos prossegue na caminhada. Embora queiram matá-lo, muita gente não quer que ele morra. Gente que acha que, se Lula morrer, morrerá igualmente um olhar horizontal e inédito que percebeu os deserdados e deles cuidou. Olhou para a maioria e não para os dez por cento de sempre. Está dado o impasse. Para Lula morrer, terão que matá-lo. Física ou civilmente. O que terá um custo que ninguém ainda sabe. E 2018 está logo ali. Os dados estão rolando.


Publicado originalmente em http://www.sul21.com.br/jornal/lula-deve-morrer-por-ayrton-centeno-2/
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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Lula: construíram uma mentira...

Richard Jakubaszko
A "coletiva" de Lula, quem sabe um desabafo, ou depoimento, feito ontem em São Paulo, balançou meio mundo. Faço um registro histórico no vídeo abaixo:
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O manejo de fertilidade, destaque na Agro DBO

Richard Jakubaszko *

O manejo de fertilidade é o tema da matéria de capa da revista Agro DBO nº 81, de setembro 2016.
Muitos outros assuntos relevantes para a agricultura, especialmente agrotecnologias, que se encontram-se na edição, conforme destaca o editor José Augusto Bezerra no vídeo abaixo:

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Carne ambientalmente sustentável

Coriolano Xavier *
Os problemas e surpresas do Brasil são tantos, e a cada dia, que a gente acaba se esquecendo das coisas boas e dos avanços que acontecem por aqui. Um desses casos – na verdade um grande exemplo – está na suinocultura, que transformou uma questão de passivo ambiental em uma bela solução, através da biodigestão dos dejetos gerados na atividade. Hoje, cerca de 75% da carne suína produzida no país sai de granjas que tratam os dejetos com biodigestor.

Tudo começou por volta do ano 2000, um pouco antes talvez, com a conscientização dos produtores sobre o forte impacto ambiental dos dejetos da suinocultura, cujo rebanho somava à época cerca de 30 milhões de animais e hoje está na casa dos 38 milhões. Primeiro, foi negociado e consolidado com o setor um “termo de ajuste de conduta”, seguido de uma ação continuada de difusão tecnológica para neutralização dos efeitos dos dejetos, por órgãos públicos de pesquisa e extensão. Fechando o quadro, disponibilizou-se financiamento para a instalação de biodigestores nas granjas, com fontes nacionais e internacionais de recursos.

Por essa época, o biodigestor era uma tecnologia que se pagava em três a quatro anos, com o então florescente comércio de créditos de carbono. Esse estímulo, aliás, foi fundamental para puxar os suinocultores para a solução ambientalista. Mas mesmo depois, em 2008-2010, quando o mercado de créditos de carbono perdeu força, os dividendos da biodigestão continuaram firmes, pois ele também representava energia (biogás) para abastecer as granjas, muitas vezes gerando excedentes para venda nos mercados energéticos regionais.

Uma granja tecnificada e com 1.500 matrizes, por exemplo, consegue substituir toda a energia que consome pelo biogás produzido em seus biodigestores, economizando até algo em torno de 30-40 mil reais por mês, dependendo as características de seu sistema de produção. E ainda sobra o benefício da fertilização do solo (com os resíduos orgânicos da biodigestão) para as lavouras da propriedade, economizando na adubação.

Encarou-se o problema de frente, inovou-se na abordagem e deu certo. Claro que a educação do produtor e de suas equipes, os recursos para financiamento e o rigor na concessão de licença ambiental para novos projetos de suinocultura tiveram um papel fundamental na expansão e consolidação dessa solução ambiental. Assim como o incentivo inicial proporcionado pelo mercado internacional de créditos de carbono.

No entanto, talvez mais forte do que isso foi a atitude. A capacidade de enxergar a oportunidade do momento, a consciência do problema e a vontade de construir uma solução, provando que conhecimento, eficiência, compromisso e sustentabilidade andam juntos e dão bons resultados. É só querer e fazer acontecer. O exemplo da carne suína ambientalmente sustentável está aí para quem quiser conhecer.

* o autor é Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.
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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cuidar é bom, mas mentir...

José Carlos Parente de Oliveira *

Galileu, provando que o Sol e não a Terra estava no centro, e que os demais corpos celestes giravam livremente em seu redor, peitou o poder da Igreja Católica, que impôs essas crenças e verdades convenientes, por cerca de 1500 anos. Nessa dura e arriscada batalha, Galileu usou o telescópio e a razão, e elas foram tão poderosas que mudaram a maneira de pensar o universo e o nosso lugar nele. E mais, ele liquidou com o “consenso” anticientífico imposto afirmando: A Terra se move em torno do Sol, quer a Igreja concorde ou não!

Os satélites meteorológicos atuais são para os cientistas do clima o que foi o telescópio para Galileu: eles enxergam tudo – carro, árvore, foco de incêndio ou nuvem – e medem umidade, temperatura, altitude e pressão. Esses instrumentos modernos e precisos perscrutam a atmosfera desde 1975. Eles enxergam que o gelo na Antártica – 95% do gelo da Terra – está aumentando; que a taxa de subida do nível dos oceanos é 12 cm por século; que a temperatura da atmosfera se mantém praticamente constante desde 1998 – a Terra não aquece desce 1998!

A Terra está mais verde, enxergam os satélites: a quantidade global de plantas aumentou em até 45% da área cultivada nos últimos 20 anos! Esse verdejar da Terra se deve, essencialmente, não apenas ao carbono adicional colocado na atmosfera pelas atividades antropogênicas, mas pela febre de plantar árvores a torto e a direito, para “compensar” emissões de GEE. Pelo menos nesse aspecto a neurose ambientalista trouxe resultados positivos.
Esses resultados contradizem frontalmente o noticiário da grande mídia, que baseiam suas reportagens nos resultados oficiais do IPCC/ONU. E, apesar dos satélites, um consenso “científico” foi paulatinamente construído e imposto: A Terra está aquecendo perigosamente e o culpado é o homem. E não há mais debate sobre a pertinência dessa “ciência do clima”. Atualmente, o que se discute é a necessidade de um preço para o carbono e sua transformação em commodity; é a criação de taxas e impostos pela queima de combustíveis fósseis; é a necessidade de restringir o uso da natureza; entre outras discussões mais “nobres” e mais rentáveis para poucos.

Hoje, Galileu, com os satélites e a razão, afirmaria: a Terra não está aquecendo, o CO2 não é poluente, os oceanos não invadem as cidades, o gelo está aumentando e, principalmente, a Terra está mais verde, quer a grande mídia, a ONU, os ambientalistas insensíveis e os aquecimentistas concordem ou não!

Cuidar do planeta é uma coisa. Mentir para forçar esse cuidado é impor crenças e verdades convenientes.

* o autor é físico, professor da Universidade Federal do Ceará, e é coautor do livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”

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