domingo, 19 de maio de 2013

Entre o irreal e o imaginário

Richard Jakubaszko
O vídeo abaixo, ancorado no Vimeo, anda provocando debates, por caracterizar em imagens as diferenças entre o irreal e o imaginário. Convenhamos, é muito difícil saber o que é real e o que é manipulado. Hoje é muito fácil alterar digitalmente as fotos e os vídeos com o advento das novas tecnologias de design  e gráficos de computador.
Simplesmente fascinante! Mas é tudo uma ilusão...


Quase nada do que se assiste na TV ou em um filme é real. Na publicidade é a mesma coisa, é tudo irreal ou com base no imaginário. Entre os dois está a imbecilidade...
É incrível o quanto de cada cena é criado por computação gráfica.
Uma boa razão para sermos céticos em relação ao que assistimos nas TVs.


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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Imbecilidades & idiossincrasias V - o spam

Richard Jakubaszko
Se há movimento você está estressado
O spam é um dos maiores terrores contemporâneos da humanidade, e, convenhamos, é a maior imbecilidade do mundo moderno. É quase universal, mas no Brasil há peculiaridades que ultrapassam o ridículo. Como as pessoas em geral pouco entendem de computador, os “especialistas” faturam horrores nas costas do desconhecimento do brasileiro, que continua se achando esperto...

Intrinsecamente o spam incomoda a quem recebe. Realmente, é uma chatice ter de deletar dezenas todo santo dia, sem nem abrir. Bom, são apenas dezenas, caro leitor, se for você, eu já ando nas centenas, pois meu volume de recebimento já ultrapassou, faz tempo, mais de 500 e-mails/dia, por causa da profissão, jornalista que sou, com a agravante de, além de trabalhar numa redação (revista Agro DBO), ainda ser blogueiro e escritor... Cada um com a sua cruz, a minha, nesse quesito, é pesada, posso garantir.

Deleto, então, mais de 200 e-mails spam por dia, mas eu próprio é que escolho o que é spam. Não transfiro essa responsabilidade a outros, muito menos aos provedores ou gestores de TI. É que, dos 500 ou 600 e-mails que recebo todo dia, dezenas deles são importantes, são sugestões de pauta e/ou comunicados de empresas, órgãos públicos, ministérios, assessorias de imprensa etc., e que tenho interesse em, no mínimo, de tomar conhecimento, mesmo que julgue como assunto não importante para retransmitir aos leitores, da revista ou do blog. Leio e deleto.

Entretanto, há provedores e gestores de TI que decidem por você, aquilo que é ou não spam, e jogam isso na caixa de spam do webmail, ou do pop, mensagens que, depois, não caem na sua pasta de “entradas” dos programas como out look, Microsoft Live Mail e outros, e você nem fica sabendo que “recebeu”. A contrapartida também é válida, pois quando você envia um e-mail para mais de 4 ou 5 pessoas, conforme o provedor, sua mensagem será taxada como spam, e chegará em algumas caixas e noutras não.

Acontece isso comigo, hoje em dia. É quando faço comunicação aos amigos de que postei algo no blog. De cada mil endereços, que divido em 10 mensagens, destinando a 100 nomes de cada e-mail, todos em cópia oculta. Retornam pelo menos 200 mensagens undelivery, taxadas como spam, e os destinatários nem ficam sabendo. E isso quando o servidor é “educado” e dá esse aviso, pois boa parte nem se dá a esse trabalho. A partir daí seu endereço de e-mail fica rotulado como “emissor de spam, criminoso virtual”, e dê-lhe bloqueio.

Se nós estamos na época da universalidade das comunicações, como é que os provedores e gestores de TI podem se outorgar esse direito?

Fica a desconfiança de que isso é para facilitar a venda posterior de serviços, e para venda e remessas de e-mail marketing.

O interessante é que as pessoas, sem saber, incentivam e participam dessa hipocrisia consentida, pois as chamadas redes sociais não são nada mais nada menos do que gigantescos bancos de dados de e-mails, endereços que eles “subtraem” gratuitamente das agendas dos seus filiados e depois enviam centenas de mensagens, diversas vezes. Tem mais, comercializam essas listas de e-mails a custos baixíssimos.


Os campeões dessa hipocrisia moderna são os facebooks, twitters, Google+ e os linkedins. Quem nunca recebeu e-mails deles, em nome de algum amigo ou conhecido? Gente que, por vezes, nem sabe que usaram a agenda dele para incentivar novas adesões para as “divertidas” redes sociais, onde proliferam imbecilidades virtuais, e circula gente com 2 ou 5 ou 10 mil “amigos” ou “seguidores”, cuja maioria esmagadora jamais se viu ou se conheceu e nunca vai se conhecer. São locais onde impera a venda de drogas, de remédios e estimulantes proibidos de uso, de prostituição implícita e explícita, e muitas outras picaretagens e desonestidades, inclusive pedofilia.

Definitivamente, o meu atual estágio sociofóbico não consegue aceitar essas redes sociais, nem mesmo as chamadas de "sérias", construídas para debates e troca de ideias. É só aparecer um que pensa o contrário daquilo que você escreveu e lá vem desaforo e tentativas de desqualificação da pessoa, porque a maioria das pessoas atualmente, assim, me parece, são incapazes de debater um assunto em profundidade. Porque falta conteúdo a essas pessoas, saem no porrete do vernáculo virtual. É a apologia pura do "se não pensa como eu, é meu inimigo"...

Um perigo nisso tudo: o Google se agiganta cada vez mais, assim como outras redes. Hoje eles sabem exatamente quais as suas preferências, por onde você surfa na internet. Não há mais segredos para eles. É o olho do gigante sobre todos nós. Eu deleto, todos os dias, através de um programinha simples que instalei, gratuito (o CCleaner), todos os cookies e arquivos TMP, que só enchem a memória do computador, tornando-o lento e irritante.

Vou continuar comentando essas imbecilidades & idiossincrasias modernas...
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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A cidade gosta do agronegócio

José Luiz Tejon Megido
Mal me quer, bem me quer? A Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e o Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) queriam saber o quanto a população urbana brasileira percebia como importante ou não, e em que dimensão, o agronegócio. Também sobre os agricultores e as atividades envolvendo esse macrossetor, que - integrando todos os seus elos do antes, dentro e pós porteira das fazendas - significam algo em torno de R$ 1 trilhão do produto interno bruto.

Os dados foram apresentados na pesquisa sobre a percepção da população urbana brasileira dos grandes centros populacionais sobre o agronegócio e desvendam consideráveis mudanças na imagem que o urbano faz do novo agro nacional.

Os principais dados apontam para 81,3% da população considerando o agronegócio "muito importante" para a economia nacional. Nos casos em que os respondentes têm ensino superior, a importância máxima atribuída chega a 97,2%. No aspecto relativo à importância dos agricultores para a vida dos brasileiros, 83,8% avaliam essa atividade como muito importante. E o produtor figura ao lado das demais quatro atividades mais importantes, na percepção do cidadão urbano: médico (97,1%), professor (95,8%), bombeiro (94,3%) e policial (83,9%). Na Região Nordeste o agricultor recebe a avaliação máxima de 92,8%. Perguntado sobre "qual país tem o agronegócio mais desenvolvido", o povo coloca o Brasil como campeão mundial - tudo isso no reino das percepções, pois se avançamos muito ainda temos gargalos e deficiências consideráveis para sermos considerados o número um nesse setor, à frente de Estados Unidos, China e Japão, entre outros.

Quanto aos setores considerados os "mais avançados" e "orgulho nacional", o agronegócio, na média do País, ocupa o quinto lugar, atrás dos de mineração, petróleo, automobilístico, construção e eletroeletrônica, porém à frente de bancos, transporte, educação e saúde. Entretanto, no Centro-Oeste o agronegócio figura ao lado de mineração e petróleo, considerado o mais avançado e "orgulho nacional".

As profissões mais associadas ao agronegócio são as de 1) agrônomo, 2) engenheiro ambiental, 3) peão, 4) médico veterinário, 5) administrador e 6) nutricionista. Isso também é revelador sobre o conceito de "cadeia", em que o cidadão e consumidor da cidade guarda uma visão de que o campo é originador de muitos produtos transformados e, obviamente, dos alimentos e bebidas, como core dessa função. Da mesma forma, meio ambiente, consumo de água e "estilo country" de ser são três ângulos presentes e percebidos como aspectos que marcam o agro na preocupação dos cidadãos urbanos, que também apontaram consciência a respeito da ciência, da tecnologia e da pesquisa para poder atuar na nova agropecuária. Como aspecto cultural, culinária, música, feiras e festas são ingredientes considerados pelo urbano como presentes na sua vida, vindos lá do campo.

Se nos últimos 30 anos mudaram extraordinariamente a cidade, o consumidor e o cidadão, da mesma forma o agronegócio não é mais o mesmo. E a cidade grande - os 12 maiores contingentes populacionais do Brasil e, consequentemente, os 12 principais colégios eleitorais (as cidades pesquisadas) - alterou suas percepções sobre um campo antigo, atrasado, dominado por barões, coronéis e reis do gado extensivo para um novo campo com tecnologia, educação e novos profissionais e profissões.

Qual a importância disso?
Muda significativamente o olhar das lideranças do próprio setor sobre si mesmas e sobre o que a cidade pensa. E deveria alterar a atenção e a velocidade da gestão e da governança pública, de políticos e de executivos, responsáveis pelos pontos mais frágeis do agronegócio do País hoje: infraestrutura pós-porteira das fazendas, burocracia, tributação caótica e necessário planejamento, seguro e ambiente propício à organização das cadeias produtivas entre elas mesmas.

Precisa mudar o jogo perde-perde, como assistimos nas relações entre produtores de trigo e moinhos, entre citricultores e processadores, por exemplo. E isso vale para quase tudo: o leite, o cacau, a cevada, o café, o frango, o suíno, o milho, a mandioca, a banana, o pepino, a alface, o feijão, o arroz, até o atualmente famoso tomate, etc.

A cidade percebe o agronegócio como sendo não dependente de subsídios governamentais, ou seja, uma atividade muito mais privada. E ainda coloca esse setor da economia em níveis comparativos ao segmento da construção do ponto de vista da empregabilidade. São suas percepções.

A palavra "agronegócio" não é ainda decodificada pela maioria da população. Ao ser perguntado de forma espontânea, esse termo conta com 40% de "não sei dizer". A Região Sudeste é a que menos sabe espontaneamente sobre o segmento, comparativamente às demais regiões. Entretanto, mais de 55% dos entrevistados declararam ter de algum a muito interesse sobre o setor.

Na população mais jovem, de 16 a 24 anos, a desinformação acerca do agronegócio é mais acentuada do que nas outras faixas etárias, o que exige das lideranças contemporâneas do agro uma atitude moderna da governança de redes sociais. Porque, se ao mesmo tempo é o jovem o mais desinformado, a pesquisa também revela serem as pessoas com computador e acesso à internet exatamente as mais bem informadas sobre a visão da cadeia de valor do agronegócio e do seu entorno.

A cidade mudou, o campo também. Uma nova ordem para essa governança passa a ser necessária. O fato novo: a cidade gosta do agronegócio!
Fonte: www.agrolink.com.br 

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Estive presente, em abril último, no almoço-reunião promovido pela Abag em um hotel de São Paulo, quando detalharam a pesquisa e seus resultados.

A conclusão de que "A cidade gosta do agronegócio", conforme Tejon explana no texto acima, é algo de que eu sempre compartilhei como visão real, apenas era "desmentido" pelos fatos de que urbanos criticam constantemente o agro, pessoalmente, na mídia e nas redes sociais. Com os resultados da pesquisa cheguei à conclusão, o que antes era apenas uma suspeita, de que os inimigos do agro, efetivamente, são alguns setores da mídia, além de ambientalistas radicais e de segmentos sociais da população, como o MST, além ONGs e, especialmente, de órgãos "técnico-políticos" do Governo Federal, como MDA, MMA, Anvisa, Incra, Ibama, onde abundam radicalismos político-partidários e ideológicos.

Será?

Não tenhamos dúvidas, os inimigos existem, isto é um fato. Não se inventou esse inimigo a troco de nada, a ponto de fazer-se uma campanha com mídia nacional para defender o agro.
Ou então as pesquisas mostram algo errado, um viés monumental, o que não me parece ser a realidade, e os entrevistados, definitivamente, aprenderam a mentir em uníssono quando estão sendo entrevistados, e respondem de forma politicamente correta às questões formuladas a eles.

Alguém tem outra opinião, entre os leitores deste blog?
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terça-feira, 14 de maio de 2013

A águia pescadora

Richard Jakubaszko
Fantástica essa águia pescadora, a osprey. Se necessário ela mergulha no rio em busca do alimento. O vídeo é da BBC e anda na casa dos 10 milhões de visitantes, não apenas pela águia, e por seu genial sistema de pescar, mas pelo talento e persistência nas filmagens. Imagens simplesmente geniais neste vídeo. Chamo a atenção para o mergulho da osprey ao pescar, quase ao final do vídeo, retirando da água um peixe quase de seu tamanho, porém mais pesado, e depois as sacudidas da ave em pleno voo para livrar-se do peso da água que a impedia de voar mais alto.

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domingo, 12 de maio de 2013

Show de luzes e música, em Israel.

Richard Jakubaszko
Impressionante, para dizer o mínimo, a performance das tecnologias nesta fonte instalada em Israel. Localizada no Mar da Galiléia (Lago Kinneret), inclui jatos de água que atingem uma altura de dezenas de metros, que são acompanhadas por um avançado sistema de som e iluminação. As luzes se movem de acordo com o ritmo.O show Meu Kinneret fala de Tiberíades, desde o início até o presente, juntamente com canções sobre o lago e outras canções rítmicas. O desempenho moderno tem novas canções modernas combinadas com a dança. O desempenho clássico combina canções de compositores famosos com imagens projetadas na água.
Para apreciadores do gênero.
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sábado, 11 de maio de 2013

Paradoxos do nosso tempo na área rural e urbana

Hélio Casale *
Paradoxo é um conceito que é ou parece contrário ao senso comum. Por outro lado, “uma mentira repetida ou praticada seguidamente, acaba por virar uma verdade”.
A seguir, alguns dos principais paradoxos que podem ser facilmente observados no nosso dia a dia e sobre os quais devemos meditar e agir para conseguir uma saída que nos dê mais segurança e liberdade para vivermos coerentemente junto aos nossos familiares e demais convivas.

Dia claro x dia chuvoso

As notícias veiculadas diariamente por repórteres de rádio e televisão quando falam sobre o clima em dias chuvosos, geralmente afirma que o tempo está ruim, céu preto, carregado. Mas será que é mesmo ruim o tempo com água que limpa a atmosfera dos agentes poluidores, que torna o ar das grandes cidades novamente respirável, que faz as plantas crescerem e se multiplicarem, que ameniza a temperatura ambiente? Em países chamados de primeiro mundo, os repórteres dizem, para a mesma situação, que o céu está prateado, que o dia está lindo. Uma pequena diferença no modo de ver a situação, que muda o comportamento das pessoas, podendo levar tristeza e preocupação, quando deveria simplesmente nos alegrar.

Desprezo pelo trabalho e pelo estudo
Para que trabalhar, para que estudar, se o Governo de plantão vai suprir as minhas necessidades? Será eterno esse assistencialismo eleitoreiro? Posso acreditar em dias melhores sem trabalho, em um mínimo de esforço? Seremos nós brasileiros, os únicos que poderão receber tais privilégios?

Normalmente, quem trabalha as horas regulamentares apenas sobrevive e quem se dispõe a estender suas horas de trabalho além das normais e convencionais são aqueles que mais evoluem, crescem, se sobressaem, enriquecem.
Nossos antepassados, principalmente os imigrantes estrangeiros, pelas dificuldades passadas com as guerras e carência de alimentos básicos, trouxeram em suas mentes, que seus descendentes deveriam estudar, conquistar um espaço, um diploma. Ter um diploma, hoje em dia, passou a ter menor importância em vista do sucesso efêmero alcançado por alguns poucos oportunistas que conquistaram posição de destaque nacional sem um mínimo de estudo.

Corte da grama de canteiros de jardins públicos ou privados, área central e lateral de rodovias
Muito comum se ver o corte seguido de amontoa juntando os resíduos e, finalmente, de sua remoção para aterros distantes. Com essa prática comum se consegue o empobrecimento dos nutrientes vegetais de tais áreas e a grama fica a cada temporada mais fraca. Com o passar do tempo, deverá ser necessário recorrer à adubação química, para que o gramado volte a cumprir seu papel de recobrir o solo, evitar erosão e dar um belo visual à área.
Algumas empresas já descobriram que é muito mais barato fazer o corte com maior frequência entre um e outro e deixar os resíduos espalhados pela área sendo dispensável o trabalho de amontoar e remover o rico material cortado. De outro lado, se evita empobrecer o solo da área, que continuará sempre bonita e vistosa.

Plantio de árvores
O que se observa é que aquele que se atreve a plantar uma árvore, cria um problema para si próprio. Não pode conduzir seus galhos, não pode podar, não pode cortar. Tais serviços são privilégio de “especialistas” que, encastelados em repartições públicas, quando saem para qualquer serviço, sempre expõem uma taxa a pagar.
Pensando bem, para que ficar fiel depositário de uma ou mais árvores se me tiram o privilégio de cuidar delas? Aí reclamamos que as grandes, e até mesmo as pequenas cidades, têm pouca área verde. Pudera! O que se poderá esperar, se a população, antes de ser orientada, é simplesmente tolhida de fazer mais verde?

Plantio de árvores e jardinagem pública
Deve-se reconhecer o esforço para plantar mais e mais árvores. Na cova aberta não se coloca qualquer adubo mineral ou mesmo um corretivo de solo para nutrir as plantas via suas raízes e fazer com que a planta cresça sadia, vigorosa. Logo após o plantio, escreve-se nas folhas – se vire e pronto. Aí, as mudas saem lentamente e a grande maioria acaba morrendo antes mesmo de se tornarem adultas. Em grandes avenidas, os canteiros centrais têm plantas quase sempre morrendo de fome. Reformar é barato? A “moda ambientalista”, praticamente não permite que se empreguem adubos minerais, apenas adubos orgânicos e o resultado – gastos excessivos com manutenção dessas áreas e pobreza permanente do visual.

Gaiola de árvores
É comum ver árvores recém-plantadas envoltas por triângulo ou um quadrado, geralmente de ferro, para proteger as mudinhas. Na realidade, quem mais protege a muda é o tutor. Quando esse tutor apodrece ou se quebra, o que se vê é a árvore, cuja copa está ao sabor do vento, esfregar o tronco na parte superior da gaiola e aí se forma um calo, uma ferida, que geralmente leva a morte precoce da muda. Como sugestão – um tutor mais reforçado e manutenção mais frequente, além de investir em educação dos transeuntes.

Manejo das matas
Andando por esse Brasil afora o que se observa são florestas tombadas, transformadas em Reserva Legal, sendo o titular da área o fiel depositário que não pode tirar dali um simples cabo de enxada, de machado. Como a maioria das matas já foi broqueada, pegaram fogo em outros tempos, os cipós estão tomando conta e abafando as plantas, reduzindo o potencial de crescimento e desenvolvimento das espécies mais nobres. Uma floresta paulista, das mais badaladas é a que abriga os jequitibás, lá em Santa Rita do Passa Quatro onde, mesmo da rodovia Anhanguera, se pode observar que as árvores principais estão sendo dominadas, abafadas, envoltas pelos cipós e a floresta está sumindo. Nenhuma ação governamental, a que se saiba, está sendo tomada para recuperação dessa área nobre. A ordem, a regra mais comum é a seguinte – em mata nativa, não se toque, nem se rele. Morte lenta decretada por ambientalistas que deveriam cuidar do meio ambiente e estão de olhos fechados para a natureza.

Erva de passarinho
Trata-se de uma erva predadora que se desenvolve na copa de árvores e com suas gavinhas as sufoca e com sua folhagem espessa as abafa. Sua disseminação se faz através de sementes que, quando comidas por passarinhos e morcego frugíferos, são expelidas pelas fezes saindo viscosas e adubadas ficam grudadas nos ramos e ali germinam. A germinação é rápida e o crescimento mais rápido ainda cobrindo a planta principal e levando-a a morte lenta e certa. A remoção dos galhos infestados é um imperativo que requer urgente intervenção humana.

Matas ciliares e reserva legal, tomadas por cipós

É comum se observar a presença de cipós dominando as matas, abafando o desenvolvimento das espécies mais nobres e permanecem imexíveis, pois se alguém se atrever a controlar os cipós será impedido bravamente pelos ecologeros de plantão. Um forte exemplo de reserva legal sendo destruída por cipós é o Parque Estadual da Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro.

Falar mal do Brasil
Enquanto os estrangeiros defendem com unhas e dentes seus países de origem, entre nós brasileiros, é comum a crítica pela crítica. Falar mal do Brasil parece que confere “status”, dá prestígio, quando deveria, na realidade, envergonhar. Aqui, vale lembrar as últimas Olimpíadas de Pequim, quando o esforço de diversos atletas reconhecidamente entre os melhores do mundo conseguem uma honrosa 2ª colocação: a maior parte da imprensa falada e escrita, rapidamente, ou mesmo levemente, os esquece. Somente brasileiro que alcança o 1º lugar tem alguma glória e, assim mesmo, por pouco tempo, efêmera. Vale mais prestigiar um estrangeiro que um da terra.

Tratamento de águas
Tratar a água servida é uma obrigação que deveria ser seguida por todas as áreas da sociedade. Enquanto a maioria das cidades ainda não tem seu esgoto totalmente tratado e o despeja nos efluentes, as indústrias, laticínios, etc., são obrigados, sob pena de sansões graves, a tratar as águas servidas para em seguida jogá-la no esgoto comum. À margem das grandes represas dos rios Tietê, Grande, Sapucaí, as cidades ainda não têm tratamento de seus esgotos e os despejam ali, sem qualquer ação do poder público, que simplesmente está fazendo que não vê.

Empregados de cemitérios
Trabalhadores rurais quando obram a céu aberto no campo, têm de estar protegidos com botas, polainas, luvas, máscara, chapéu de aba larga, camisas de mangas compridas, etc., ou os fiscais do Ministério do Trabalho oneram os empregadores com pesadas multas. Nos cemitérios, os encarregados dos sepultamentos, entram nas carneiras, um ambiente úmido e sabe-se lá o quanto contaminado por fungos, vírus, bactérias, totalmente desprotegidos.
A lei e as regras, que deveriam ser para todos, não reconhecem os coveiros como trabalhadores e os ignoram a própria sorte. Outras classes de trabalhadores como, por exemplo, os formiguinhas, catadores de lixo de rua, também estão a mercê da própria sorte.


Cumprimento
Quer deixar atônito um taxista, um ascensorista, um atendente público, um guarda de trânsito, um guarda rodoviário, um guarda municipal, um varredor de rua, um caixa de supermercado, é só lhe dar um bom dia. A pessoa olha assustada, parecendo nunca ter ouvido um cumprimento, tal o grau de isolamento em que vive. Estamos vivendo mais e melhor, mas a cada dia mais isolados. Que será de nós?

Pesquisa x extensão agrícola
Nos países, ditos mais avançados, é comum o Serviço de Extensão Agrícola estar estreitamente ligado a uma Universidade. O extensionista leva os problemas do campo para a Universidade que os resolve e a solução volta ao campo pela mesma rede de extensionistas.
Em nosso país o serviço de extensão agrícola está um tanto longe das Universidades e o treinamento do pessoal é dos mais falhos. Resultado – cada um se vira como pode. Mesmo assim ainda estamos nos saindo bem diante de tão pequeno apoio.

Anais com resultados da pesquisa em escolas de agronomia
Está ficando moda a publicação dos anais em inglês, dando a entender que tais resultados são para serem usados primeiramente por estrangeiros e os técnicos nacionais que não entendem a língua ficam de fora.

Mérito
Profissionais da rede pública ou privada não estão recebendo aumento salarial, promoções e outras benesses em função do seu desempenho, o mérito da conquista. Geralmente se nivela pela média. Professores que mais se empenham, mais se destacam, ficam anos a fio, no mesmo patamar dos acomodados. Até quando?


Pequenas represas em propriedades rurais
Pequenas barragens espalhadas pela propriedade rural reduzem o correr rápidos das águas, faz com que a evaporação da água torne o ambiente mais úmido, mais agradável para os homens, as plantas, os animais.
Fazer qualquer represamento de água é tarefa praticamente proibida, só permitida com autorização de funcionários públicos ligados a área do meio ambiente. Não basta querer fazer um bem para sua área, para a natureza, para o meio ambiente, tem-se que beijar as mãos dos funcionários públicos, nem sempre devidamente preparados para sua função.
Regras de manejo das pequenas águas estão impedindo o progresso e deixando o meio ambiente a deriva.

Defensivo x agrotóxico
Quando um médico receita um medicamento ele receita um remédio, sem chamá-lo de homotóxico Quando o Engenheiro Agrônomo receita um defensivo, ele prescreve um agrotóxico. Todo e qualquer remédio tem seus efeitos colaterais. Todo e qualquer defensivo também têm seus perigos. Porque essa diferença de tratamento? Ignorância, má fé?

Irrigação cafeeiros por pivô equipado com lepas
Por incrível que possa parecer a grande maioria dos pivôs com lepas soltam a água por cima da copa dos cafeeiros fazendo um arraste substancial dos nutrientes necessários ao bom desenvolvimento das plantas. A água que deveria entrar pelas raízes, a boca das plantas, é colocada na folhagem. Acaba fazendo uma irrigação de privilégio, desequilibra a nutrição, encarece o processo produtivo.
Falta de observação prática, desleixo, facilidade, conveniência, falta de conhecimento, tradição, visão distorcida, seja qual for a causa, temos de centralizar as lepas no meio das entrelinhas e abaixar a sua ponta de maneira a irrigar o solo para conseguir maximizar a produtividade dos cafeeiros.

Quanto é x quanto me dá

O agricultor seja ele pequeno médio ou grande é quem sustenta os da cidade levando alimentos a sua mesa. Os da cidade os desprezam, desvalorizam, chamando-os de caipiras, atrasados, incultos, mas se beneficiam do seu trabalho. Quando vai vender a produção, o resultado do seu trabalho sempre está a perguntar – quanto me paga hoje pelo produto. Quando vai adquirir insumos para aplicar nas suas lavouras esta é a pergunta – quanto me faz esse produto.
Essa relação de postura, entre quem produz e quem vende, está distorcida de qualquer propósito e deve ser mudada, pois uma classe trabalhadora não pode se sujeitar eternamente a ficar sempre por baixo.
 

Aborto
Um bispo católico reprova o comportamento de médicos que fazem o aborto de duas crianças, os excomunga e a mídia faz o maior estardalhaço sobre o ocorrido, reprovando tal atitude.
Praticamente unanimidade para criticar aquele que defendeu a oportunidade de vida para “apenas” duas crianças. Não se falou, não se comentou sobre a intenção maior do prelado em mostrar ao país e ao mundo que são feitos mais de 55 milhões de abortos a cada ano. São mortos no nascedouro cerca de 55 milhões de indivíduos sem direito algum a defesa. Um verdadeiro assassinato em massa praticamente 10 vezes maior que o famoso holocausto de judeus pelas tropas de Hitler. Isso é pouco ou...
 

Liberdade sexual
Os homens e mulheres estão, a cada dia, se mostrando seres irracionais por defenderem a total liberdade sexual. Governantes de plantão estão aplicando verbas generosas para confecção e distribuição de camisinhas para se poder fazer sexo sem responsabilidade, nem paternidade. Adquire e distribui um gel para facilitar o coito anal entre parceiros do mesmo sexo. Imaginemos animais, ditos irracionais, na natureza, sendo colocados para acasalar ou cruzar fora do período. Simplesmente não há aceitação e sai briga por todo lado. Seremos nós humanos realmente os racionais nesta terra?


Maconha
Uma erva que propicia a iniciação na droga. Leve, suave, sorrateira. Um verdadeiro desastre. Mesmo sabendo seu efeito nocivo aos usuários, às famílias, aos cofres públicos, um Ministro de Estado, da administração atual, se dá ao desplante de acompanhar a marcha de uns poucos alienados pedindo que se oficialize o uso da maconha neste país. Dá para entender?

Sequestro de carbono
A liberação de carbono vem liderando as emissões de gases de efeito estufa e causando mudanças na temperatura e clima mundiais a ponto de motivar movimento de ambientalistas das mais variadas correntes. Não se pode mais desmatar, tirar a vegetação de cerrado, a floresta inicial. Se no lugar dessas vegetações o homem repovoar com pinus, eucaliptos, plantar café, milho, soja, capim também estará sequestrando o tão decantado carbono que se acumula na massa vegetal que está sendo produzida nessas mesmas áreas. Mas isso não vale. Temos de deixar o mato em pé, manter o bioma intocável. Produzir alimentos não é importante. Vale lembrar aqui uma frase do fisiologista Dr. Paulo de Tarso Alvin quando diz – mais sequestra carbono um hectare de alface em crescimento que um hectare de floresta amazônica em clímax.


Origem das espécies
Onda fomentada por ecologistas pouco estudiosos, ou mesmo mal intencionados, sugere ferrenhamente que ao plantar árvores e fruteiras na recomposição das matas ciliares, etc., seja feita apenas com plantas de espécies nativas.

Esquecem-se da máxima que diz – as plantas, em geral, vão muito melhor quanto mais longe do lugar de origem. Vejamos o quanto é correta essa assertiva: o café é do continente africano, a laranja é da China, o abacate, do México, a manga, da Índia, a seringueira é da Amazônia e vai muito melhor na Malásia, o alho é da Ásia, alface, da Ásia, batata dos Andes peruanos, cebola, da Pérsia, cenoura, da Ásia e da Europa, até o Chuchu não é nosso, é da America Central e México, a uva, do Mediterrâneo e assim por diante.

A pergunta que se impõe – por que não plantar uma árvore, uma fruteira, uma hortaliça, sem se preocupar com sua origem e tão somente com seus benefícios? Árvore é árvore, planta é planta, esteja onde estiver, vinda de onde tenha vindo. Vamos cuidar delas, para o nosso próprio bem e de todos.

Estamos vivendo dias de não pode, onde o Estado está a cada dia assumindo mais funções e responsabilidades e deixando seus filhos alheios, sem responsabilidade direta. Como o Estado é reconhecidamente perdulário, descompromissado, estamos entrando numa roda sem fim a espera de dias melhores sem esse tutoramento irracional a que estamos sendo submetidos a título de salvação nacional.

Por fim, emende e acrescente quem quiser, modifique se puder e todos deem graças a Deus.



* O autor é Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP, desde 1961.
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Tirou nota 10 em química...

Richard Jakubaszko

"O aluno tirou 10!" - Prova do Curso de Química.

Na prova do Curso de Química, foi perguntado:

- Qual a diferença entre SOLUÇÃO e DISSOLUÇÃO?

Resposta de um aluno:
- Colocar UM dos POLÍTICOS BRASILEIROS num TANQUE DE ÁCIDO para que DISSOLVA é uma DISSOLUÇÃO.
- Colocar TODOS é uma SOLUÇÃO!

E completou:
"Se Liofilizar, teremos o mais puro Extrato de Pó de Merda do mundo".
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terça-feira, 7 de maio de 2013

O modelo brasileiro de agricultura de alta escala

Marcos Sawaya Jank (*)
André S. M. Pessôa (**)


O Brasil tem dificuldade para reconhecer empreendedores e modelos empresariais que deram certo. Temos dificuldade para listar dez nomes de empresários que foram revolucionários no seu tempo. Temos ainda maior dificuldade para valorizar arranjos produtivos que funcionam bem e podem servir de modelo para dezenas de países.
Um dos exemplos mais notáveis desse tipo de dificuldade ocorre no caso do modelo brasileiro de agricultura tropical que desenvolvemos nas últimas décadas. Um dos pilares desse modelo é razoavelmente conhecido - o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições tropicais: as novas variedades aptas a latitudes mais setentrionais, o plantio direto (que teve extraordinário impacto conservacionista ao eliminar a aração dos solos), a introdução da segunda safra no mesmo ano agrícola sem irrigação, a integração lavoura-pecuária-floresta e outros.

O segundo pilar, bem menos conhecido, foi a corajosa migração de produtores com aptidão e conhecimento agrícola em busca de ganhos de escala para enfrentar as difíceis condições de produção nos cerrados. Pequenos agricultores do Sul e do Sudeste do País construíram cidades e estradas a milhares de quilômetros de sua terra natal. Inicialmente o desenvolvimento se deu em cima do binômio soja-boi. Com o tempo, a valorização das terras incentivou a intensificação e diversificação agrícola, com o crescimento da produção de milho, arroz, algodão, café, cana-de-açúcar e eucalipto. Na pecuária, vieram o leite, os suínos e as aves. Hoje são mais de dez atividades disputando o uso da terra, num dos modelos mais bem-sucedidos de produção de alimentos, rações, fibras, celulose e bioenergia do planeta.

Mas a maioria das pessoas não sabe que esse modelo de desenvolvimento se baseou em "ganhos de escala" absolutamente necessários e positivos.

Primeiro, porque o enfrentamento dos cerrados exige maior capacidade operacional para lidar com instabilidades climáticas, solos pobres e ácidos, enorme diversidade de pragas e doenças, acarretando maiores custos fixos e necessidade de escala.

Segundo, porque, ao contrário do que ocorreu nos EUA no começo do século passado, a infraestrutura de armazenagem e transporte não acompanhou a migração dos produtores brasileiros, obrigando-os a bancar suas próprias estruturas, o que também aumenta os custos fixos. A atual safra mostra claramente que a rentabilidade da agropecuária é dilapidada na mesma proporção em que aumenta a distância dos portos.

Terceiro, porque a própria condução da atividade em condições tropicais exige conhecimentos aprofundados de gestão e governança, o que requer profissionais qualificados e novamente aumenta os custos fixos. Profissionalização, capacidade de gerir modelos de alta tecnologia, sofisticados mecanismos de gerenciamento de riscos e comercialização, atuação na coordenação de cadeias produtivas com grande complexidade de contratos, elevadas exigências em termos de governança, transparência e sustentabilidade são hoje elementos essenciais para o sucesso da agricultura.

É incomparavelmente mais difícil plantar grãos nas condições dos cerrados de Mato Grosso e Mapitoba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) do que no Meio-Oeste dos EUA ou na Bacia Parisiense. Já as culturas perenes - cana, laranja, café e eucalipto - são atividades que exigem imensa quantidade de capital e gestão primorosa, sob o risco de quebra no meio do caminho.

O fato é que nunca esteve tão claro que a escala de produção é um elemento fundamental para o sucesso da atividade agropecuária em condições tropicais. Esse tema já era visível no desenvolvimento de culturas perenes no Estado de São Paulo. Agora fica cada vez mais claro nos cerrados do Centro-Oeste e do Nordeste - no algodão, na soja, no milho e mesmo na pecuária. Os custos fixos são de fato elevados, mas com o aumento da escala o custo médio do produto final acaba se reduzindo, beneficiando os consumidores.

Grandes produtores competentes operam hoje com boa rentabilidade, gerando empregos de alta qualificação e conseguindo cumprir as exigências ambientais. Aliás, vale frisar que os custos de cumprimento das legislações ambiental e trabalhista (compliance) no País são altos e crescentes, forçando escalas cada vez maiores. Trata-se de desafios crescentes para a pequena escala enfrentar sem o apoio do Estado em atividades de baixa agregação de valor, como é caso das grandes commodities agrícolas.

Não estamos com isso afirmando que a agricultura de baixa escala está inexoravelmente condenada ao desaparecimento. Ela vai continuar sobrevivendo nas regiões que contam com melhores condições de logística e armazenagem, maior acesso a mercados e outros elementos que atenuam os pontos levantados. Os Estados do Sul são um bom exemplo, onde a pequena agricultura consegue sobreviver integrada a agroindústrias processadoras ou por meio de cooperativas que reduzem os problemas de comercialização e de acesso ao crédito.

Tampouco estamos dizendo que os ganhos de escala sejam infinitos. Apesar de eles serem cada vez mais evidentes, a ciência econômica nos ensina que empresas podem entrar em situações de "deseconomias de escala". Na realidade, sabemos muito pouco sobre essa matéria e a questão da definição de "módulos ótimos" de operação ainda é um assunto em aberto, em face das diferentes realidades deste nosso país continental.

Mas não há dúvida de que o principal vetor de crescimento da agricultura do País tem sido a combinação de gestão e ganhos de escala, e que esse modelo cada vez mais nos distingue do restante do mundo, causando admiração em países em desenvolvimento e temor nos nossos concorrentes desenvolvidos. Quem visitou a Agrishow na semana passada, em Ribeirão Preto, sabe perfeitamente do que estamos falando. Não fossem os riscos regulatórios e de logística que vivemos, seríamos imbatíveis. Nosso maior inimigo somos nós mesmos!


(**) Sócios Diretores da AGROCONSULT e do AGRO.ICONE (*) www.plataformaagro.com.br
Jornal “O Estado de São Paulo”, 07/05/2013, Opinião, A-2
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domingo, 5 de maio de 2013

Inflação: a próxima culpada será a batata!

Richard Jakubaszko
Não tenham dúvidas, está sendo engendrada pelos inimigos do Brasil uma orquestrada campanha para a volta da inflação: primeiro botaram culpa no dólar, que se apreciou, depois na elevação dos custos de serviços (manicures, faxineiras, cabeleireiros, eletricistas etc.), depois os preços dos produtos nos supermercados. A mídia e os banqueiros pedem o aumento da Selic, para refrear a inflação, como se isso não fosse uma piada de mau gosto. Aí chegou a falta do tomate, com os preços de alta da falta de tomate fazendo estardalhaço na mídia, deu até capa de revistas semanais. Agora vai ser a batata...

Pois recebi e-mail da Silvia Nishikawa, bataticultora lá de São Gotardo, MG, mostrando comentários de Marcelo Balerini, presidente da ABBA - Associação Brasileira de Bataticultores, e de Natalino Shimoyama, secretário da mesma ABBA, contando a revolta desses líderes e de todos os bataticultores. Vejam só o que eles dizem:

Assim como aconteceu com o tomate, as interpretações equivocadas, tendenciosas, falaciosas e imbecis, podem ser utilizadas contra a batata.

Como sugestão, sempre que possível, achamos que vale a pena defender a batata com os seguintes argumentos:

O preço da batata está alto pelo seguinte motivo:

ESTÁ FALTANDO BATATA!!! E quando alguma coisa falta, o preço sobre...

É importante saber que falta batata pelas seguintes razões:

1 - CLIMA – o calor, chuva e/ou a seca reduziram a produção de batata em todas as regiões produtoras, de norte a sul do país.

2 - PROBLEMAS FITOSSANITÁRIOS – além da tradicional perda por doenças provocadas por bactérias de solo, um novo fato está causando sérias perdas de produção – viroses e danos diretos, relacionados a mosca branca.

3 - PRODUTORES – a cada ano que passa diminui o número de produtores de batata, e, por consequência, a área plantada. Assim, naturalmente, cai a produção – resultado inequívoco da missão impossível de se conseguir mão de obra para trabalho nas lavouras. A legislação trabalhista, ao invés de se adequar à realidade dos trabalhadores, obriga os mesmos a se adequarem à legislação.

4 - OUTROS PRODUTOS – observem que a alta de preços, e a falta, está ocorrendo com  todos os demais produtos – feijão, vagem, jiló, quiabo, cebola, cenoura, mandioca, papaia, frutas etc. Lamentavelmente, batata e tomate são utilizados como bodes expiatórios por serem os mais consumidos. Será que a mídia e os especialistas de gravata irão usar um dia o maxixe como bode expiatório?

ITENS COMPLEMENTARES

1 - CUSTO DE PRODUÇÃO – a situação atual é absurda e insuportável. Antes se gastava de US$ 3,000.00 a US$ 6,000.00 por hectare (ha), conforme as tecnologias empregadas, e os principais itens eram palpáveis, como agroquímicos, fertilizantes, sementes, combustíveis, mão de obra etc. Atualmente se gasta de US$ 5,000.00 a US$ 15,000.00 / ha e, além dos itens palpáveis, que também aumentaram os preços, os produtores estão sendo massacrados com despesas referentes a tributações trabalhistas, financeiras, alta no custo do transporte etc.

2 - VAREJO – a tabuada das grandes redes de varejo começa no 3, ou seja não há operações de 1x1, 2x1... Começa no 3x1 e vai as vezes até acima de 10x1. Explicando - eles pagam R$ 1,00 /kg e vendem aos incautos consumidores por R$ 7,00/ kg. Eles dizem, as grandes redes de supermercados, que isso é necessário devido às perdas por se tratarem de produtos perecíveis, mas a mesma política é praticada na venda de carvão... Será que existe carvão perecível? Ou será ganância?

3 - MÍDIA – alguém reparou que quando os preços estão baixos a mídia nunca aparece? Quando os preços estiveram péssimos (batata a R$ 10,00 / saco de 50 kg e tomate a R$ 5,00 / caixa de 20 a 25 kg no ano passado) NINGUÉM com microfone apareceu para fazer matéria e dizer que estávamos quebrando... E agora, quando praticamente ninguém tem batata, a mídia induz a população urbana a concluir que todos os batateiros e tomateiros estão ficando MILIONÁRIOS e exploram o consumidor. Como pode ser assim, se são os supermercados que fazem o preço, quando compram e quando vendem?

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Recebo e-mail (hoje, 5/5/13) do cooperativista Américo Utumi, da OCESP, sobre o tema acima, que por si só é explicativo, além de muito engraçado:


Prezado Richard,
Em anexo uma pequena história, verídica, que aconteceu comigo, quando o culpado da inflação não foi a batata,mas o Papa.
Abraços,
Américo Utumi

SUA SANTIDADE, O PAPA, CULPADO PELA INFLAÇÃO BRASILEIRA.

Foi nos idos dos anos 70, lembro-me bem, uma época de turbulência política e incerteza econômica, quando a inflação brasileira não era problema dos economistas, mas sim, dos militares.
Estava eu em Brasília, quando fui informado que o Superintendente da Superintendência Nacional de Abastecimentos e Preços, a poderosa SUNAB, gostaria muito de falar comigo, se possível no dia seguinte. A SUNAB era o órgão que controlava os preços de todas as mercadorias no país inteiro, desde o alfinete até o automóvel. Uma verdadeira loucura. E era Superintendente da SUNAB um militar, o General Glauco de Carvalho, homem íntegro, enérgico, com boas intenções, mas que não entendia nada de agricultura. O grande pesadelo do General eram os hortifrutigranjeiros, cujos preços subiam e desciam todos os dias.

Como diretor da maior cooperativa agrícola da América do Sul (Coopercotia), em sua maioria formada por pequenos agricultores, imigrantes japoneses produtores de hortigranjeiros, eu era constantemente solicitado pelo General Glauco a dar explicações sobre o comportamento nada ortodoxo dos seus preços. As interpelações eram quase diárias:

- O que aconteceu com o preço da alface?

- Iiii, General, caiu uma forte geada na região de Mogi das Cruzes que acabou com toda a produção.

- E o tomate? O que aconteceu com o tomate? Aumentou demais o preço.

- Foi uma chuva de granizo que devastou a região de Campinas, General. Os produtores perderam tudo e estão desesperados.

- E a berinjela? Choveu demais. E a couve? Choveu de menos...

Quer dizer, a gente sempre procurava botar a culpa em São Pedro, porque, afinal de contas ele não podia ser preso...

Intrigado pelo convite liguei tarde da noite para o gerente de comercialização da Cooperativa, indagando se havíamos tido alguma anormalidade no mercado de hortigranjeiros.
Não deu outra. Embora não houvesse chovido demais, nem de menos, não tinha caído geada nem granizo, e o tempo estava ótimo para a agricultura, o preço da batata havia subido 600%!
Alarmado, indaguei o motivo e após a explicação, convoquei-o para vir à Brasília no primeiro avião, a fim de juntos irmos à SUNAB dar as devidas justificativas.
O General devia estar possesso...

Dia seguinte estávamos eu e o gerente, na hora marcada, na sede da SUNAB, em Brasília, e a secretária do Superintendente nos encaminhou, sem demora, à sala de reuniões. Nela, já nos aguardava uma plêiade de competentes assessores, composta de economistas, analistas de mercado, pesquisadores de preços, engenheiros agrônomos, metereologistas, veterinários, todos extremamente curiosos de saber em quem nós haveríamos de lançar a culpa desta vez.

A porta do gabinete se abriu e o General Glauco ingressou na sala. Cumprimentou-nos, agradecendo haver atendido o convite para a reunião e, sem mais delongas, demonstrando certa irritação, foi direto ao assunto:

- O senhor sabe que, sem nenhum motivo climático aparente, o preço da batata subiu 600% de anteontem para ontem?

- Sei, sim, General.

- E o senhor sabe quem foi o culpado?

- Sei, sim, senhor.

- E quem foi o culpado?

Naquele momento, ao me ver rodeado de tantos assessores ávidos por uma resposta lógica e convincente, me veio aquele desejo maroto de fazer uma pequena molecagem e respondi com a maior cara de pau:

FOI O PAPA!

Quando eu disse que foi o Papa, o rosto do General foi ficando vermelho e, antes que ele me prendesse por desacato à autoridade, fui logo explicando:

- General, o senhor é a maior autoridade em abastecimento deste país. Por acaso, o senhor foi informado que, por causa da visita de Sua Santidade à Aparecida do Norte, o Departamento Nacional de Estrada de Rodagem vai fechar a via Dutra por três dias?

O General arregalou os olhos e disse:

-Não, não fui informado.

-Pois os comerciantes do Rio de Janeiro ficaram sabendo disso e eles estão antecipando as compras. Quem comprava duas carretas está comprando quatro, quem comprava quatro está comprando oito...

A batata sumiu do CEASA, General!

Ele deu um murro na mesa e disse: Vou acabar com isso!

E de fato acabou. Não havia necessidade de interromper o trânsito de uma via tão importante como a Dutra, por três dias. As cooperativas de laticínios, os comerciantes, as granjas avícolas de todo o Vale do Paraíba já estavam prevendo os imensos problemas que a interdição iria causar.

Mas era a primeira vez que um Papa visitava a América do Sul e a vinda de milhares de delegações de todo o Brasil e dos países vizinhos, prenunciava a presença de uma multidão incalculável, razão do excesso de zelo das autoridades rodoviárias. Apenas foi preciso fechar a rodovia no período em que o Papa chegou a Aparecida.

Sua Santidade jamais ficou sabendo, mas um dia ele foi o culpado pela inflação brasileira...
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Acabou a safra de verão, ufa!

Richard Jakubaszko
Editorial:
A leitura das reportagens “Safra cheia”, do jornalista José Maria Tomazela, e “Perdas e polêmicas”, do jornalista Ariosto Mesquita, na edição 44 da Agro DBO de maio 2013, parecem conduzir a dois opostos, ou melhor, a dois países diferentes, com agriculturas distintas, com problemas de outra natureza.
Em “Safra cheia” se faz o registro apoteótico e vigoroso dos recordes de produção e produtividade obtidos, respectivamente, pelo Brasil e pelos estados do Sul do país, nas lavouras de milho e soja na safra 2012/13. Na matéria “Perdas e polêmicas” é possível constatar e até mesmo sentir o pavor e o pânico gerados entre produtores rurais do Sudeste e Centro-Oeste, avalizados por pesquisadores e cientistas, sobre a invasão das lagartas Helicoverpa.

De um lado, os sulistas comemoram e sorriem de orelha a orelha.

De outro, o prejuízo em si, com a perda da rentabilidade e o aumento dos custos, mesmo com os preços de mercado altamente remuneradores.

A perspectiva negativa exacerbada de, quem sabe, não se poder mais empregar a tecnologia Bt, pela sua precoce obsolescência, traz uma gigantesca decepção em virtude dos eternos benefícios que as sementeiras prometiam aos produtores.

Um paradoxo, diríamos, pois se a nova e caríssima tecnologia veio para solucionar problemas, acabou causando novos e aterradores problemas, eis que, açodadamente, os produtores a ela aderiram em massa, porém não levaram em conta cuidados fundamentais no manejo, como as áreas de refúgio: a natureza não se engana, nem pode ser enganada.

Há plena certeza de que o problema da lagarta veio para ficar.

O tempo dará respostas a isso. Resta ao produtor, portanto, a prudência e o bom senso de seguir as recomendações dos especialistas.

Para conhecer como devem ser feitas essas práticas, Agro DBO publica nesta edição artigo encomendado a diversos especialistas da Embrapa, mostrando em texto e ilustrações, como funciona o preconizado e salvador refúgio.

Na presente edição, além dos tradicionais e palpitantes artigos dos nossos colunistas, registramos uma avant première da Agrishow 2013, e ainda muitos assuntos para o leitor.
Acabou a safra de verão, ufa!
No vídeo abaixo depoimento do Tostão (José Augusto Bezerra), que mostra porque a revista Agro DBO é hoje a referência de informação dos agricultores profissionais do Brasil.
Para ler e folhear virtualmente a edição de maio, clique neste link: www.agrodbo.com.br 


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terça-feira, 30 de abril de 2013

Sem o Cerrado o Brasil ainda importaria alimentos

Richard Jakubaszko *
Quem tem menos de 40 anos de idade já chegou à idade adulta e sempre votou para eleger um Presidente da República. Não tem noção, portanto, do que seja estar em um país com presidente indicado e nomeado. Da mesma forma, quem tem menos de 40 anos também não possui a consciência do que seja um país ser dependente da importação de alimentos para suprir as populações urbanas.

Até os anos 1960 o Brasil importava quase tudo, de trigo a feijão, arroz, milho, soja, frutas e flores. Exportávamos apenas café e açúcar, um pouco de fumo e cacau, e nada de frango ou carne bovina e suína.
Portanto, em cerca de 30 anos o Brasil mudou. Passou a ser uma democracia plena, consolidada, ao mesmo tempo em que se se transformou no segundo maior exportador de alimentos do planeta, sendo líder nas exportações de soja, café, açúcar, suco de laranja, carnes bovina, suína e de frango. Somos o segundo em milho, e brigamos corajosamente em algodão e frutas tropicais.

Nada disso seria possível sem a profissionalização dos agricultores e o uso das modernas tecnologias disponíveis, como sementes, agroquímicos, máquinas, fertilizantes, o plantio direto tropicalizado, a agricultura de precisão, e ainda o apoio da pesquisa, principalmente da Embrapa, que em abril de 2013 completa 40 anos de profícuos trabalhos. De todo esse processo os agricultores brasileiros participaram, diretamente, aplicando os resultados das pesquisas, aperfeiçoando o uso, na prática, do que estava à disposição deles para uso.

Mesmo se tivéssemos todos os itens acima citados, nada seria como está hoje sem a participação de dois outros “atores”: primeiro, o desenvolvimento do Cerrado brasileiro, antes inóspito, desacreditado, e depois domado, transformado em produtivo pelo segundo ator, o produtor rural pioneiro, fossem migrantes gaúchos, catarinenses ou paranaenses, metade mais um pouco de colorados e metade menos um pouco de gremistas, que se dedicaram com admirável paixão, de corpo e alma, na utopia de viabilizar o Cerrado brasileiro para a produção de grãos e fibras e ainda o plantio de pastagens. Com isso, outros estados, especialmente os do Sul e do Sudeste, tiveram condições de diversificar a sua agricultura, mas com o exemplo do Cerrado, de aprimorar e profissionalizar o trabalho com a terra, aumentando a produção de alimentos não apenas pelo uso de novas terras, virgens, mas melhorando sempre a produtividade.

Exportamos hoje cerca de 30% de tudo o que se produz no agronegócio, o que significa dizer que consumimos 70% da produção. O preço da cesta básica, por causa dos alimentos, manteve-se baixo, segurando a inflação.
Não fosse a competência dos pioneiros do Cerrado, não fosse a coragem de enfrentar o novo, os migrantes sulistas que reaprenderam com humildade a fazer uma agricultura moderna, estaríamos ainda hoje, com ou sem democracia, importando alimentos, dependentes de tudo das vontades de além-mar.

Vencidas essas etapas, temos hoje um desafio maior, o de tornar o Brasil, sempre profetizado como “o país do futuro”, de mostrar ao mundo e aos brasileiros, que o Brasil será a América do século XXI, ou, melhor ainda, o que os EUA representaram para o planeta no século XX será o que o Brasil se tornará no século XXI, e os primeiros vislumbres disso já se mostram evidentes, através da constatação e o reconhecimento de que o Brasil tem tudo o que é necessário para tornar concreto esse sonho dos pioneiros: temos terras, temos água e sol, temos a nossa tecnologia tropical, e temos gente que acredita na agricultura.

Precisamos apenas resolver, antes de conquistar esses sonhos, a complicada questão da infraestrutura deficiente, seja em armazenamento, seja em transportes. Lembremos, entretanto, que o Norte do Paraná, no final dos anos 1960, foi a primeira nova fronteira agrícola do Brasil nos tempos modernos, e lá também não havia infraestrutura e logística adequada naqueles tempos para atender os pioneiros de então. Inegavelmente, o preço do pioneirismo sempre foi alto, mas o futuro é risonho, e torna-se necessária certa resiliência para aceitar as dificuldades impostas pelo crescimento.

A luz no final do túnel mostra que o mercado consumidor, interno e externo, continua crescendo. E os que têm menos de 40 anos de idade hoje compreendam as dificuldades contemporâneas para poder escrever de forma justa as páginas da história lá no futuro.

* jornalista e escritor, editor-executivo da revista Agro DBO www.agrodbo.com.br 

Este artigo foi publicado no site da Girassol Agrícola www.girassolagricola.com.br junto com uma série de autores convidados, para comemorar os 30 anos de atividades da empresa no Cerrado brasileiro, com o pioneirismo de seu fundador, o engenheiro agrônomo Gilberto Goellner.
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sábado, 27 de abril de 2013

Anvisa castiga a soja brasileira

Carlos Fávaro *
A soja produzida em Mato Grosso é uma das mais competitivas do planeta, mas pode perder espaço no cenário econômico internacional por causa de burocracia e de falta de vontade política. A demora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em liberar novos princípios ativos para produtos que combatem as pragas das lavouras pode impactar seriamente as próximas safras.

As projeções de crescimento da sojicultora em Mato Grosso são otimistas. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até 2022 a produção de soja deve crescer 61,91%, passando de 24,1 milhões de toneladas colhidas para 39,1 milhões de toneladas. Com isso, haverá demanda por mais defensivos agrícolas.

E é isto que nos preocupa.

Ano após ano, verificamos a diminuição na produtividade da soja porque estes defensivos agrícolas começam a perder eficácia. Na safra 2011/12, com projeção de cair para 53 sacas por hectare nesta safra. E a perspectiva é de que os números mais recentes confirmem a queda. Em outras palavras: este é o reflexo do manejo com produtos ineficazes, agravado por doenças cada vez mais resistentes.

A ferrugem asiática volta mais forte a cada safra e preocupa os produtores rurais, além de outras pragas, como helicoverpa e nematoides. É natural que, com a evolução das espécies, haja resistência aos defensivos – o que leva aos produtores rurais a fazer mais e mais aplicações, aumentando os custos de produção.

É por isso que a liberação rápida de novas moléculas é fundamental. Menos aplicações significa mais sustentabilidade. Há pelo menos quatro anos, a Anvisa não disponibiliza quase nenhum novo princípio para que sejam fabricados defensivos eficazes para as lavouras. Sabemos da importância dos testes técnicos feitos pela Agência para que sejam liberados produtos seguros, mas isso não pode levar tanto tempo!

No ano passado, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou que cerca de 90 fungicidas para controle de ferrugem asiática possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Há outros que estão em processo de registro e são mais eficazes do que os produtos que estamos usando hoje. O que falta para que venham ao mercado para ajudar o sojicultor brasileiro a manter seu papel de protagonista na produção de alimentos?

Reportagem de um jornal no início deste mês já informou que, no ritmo em que está, a Anvisa levaria 117 anos para avaliar os mais de mil e duzentos processos de aprovação. A justificativa é que faltam profissionais. Os prejuízos para os produtores rurais já estão estimados em R$ 49 bilhões de reais nas últimas dez safras.

Precisamos discutir este tema. Ou corremos o risco de termos um futuro incerto para as lavouras de soja. Somos competitivos, produzimos de forma mais barata e com muita tecnologia. Mas podemos ser sabotados dentro de casa, pois o nosso próprio governo dificulta o fortalecimento da nossa agricultura.

É preciso tomar providências já!

* Carlos Fávaro é produtor rural em Lucas do Rio Verde (MT) e presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Quem tem BOCA vai a Roma ver o papa...

Edgar Pera (Degas)

Aqui o melhor de tudo que foi publicado sobre os hermanos e seu papa na blogosfera:
Comenta-se que quem dominou o conclave foram os cardeais dos EUA. Como sabiam que o cardeal brasileiro era o mais cotado, escolheram o cardeal de Buenos Aires, por ser a capital do Brasil.

Já que o papa é argentino, a Dilma vai convidar o Vaticano para entrar no Mercosul.

Dado que as condições físicas dos cardeais não permitem, o papa está montando um time com a guarda suíça para disputar a Champions League.

Vingança histórica: a Inglaterra fica com as Malvinas e a Argentina com o Vaticano.

Papa libera bife de chorizo na sexta feira santa!

Dizem que o novo papa é o homem mais importante do mundo. E um dos mais importantes da Argentina.

Antes de escolher o nome "Francisco", os cardeais tiveram um enorme trabalho pra convencer Dom Bergoglio de que "Jesus II" pegava muito mal.

Comentário à boca pequena que está se espalhando nos corredores do Vaticano:  "....não havia um argentino tão perto de Cristo desde Judas....."

Papa propõe trocar a hóstia por alfajor.

O Papa vai autorizar o uso da hóstia em pó, (APENAS NA ARGENTINA) para que o Maradona possa comungar....
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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Uma ponte longe demais

Rogério Arioli Silva *
Quem hoje está nos arredores dos “cinquentinha” lembra que um dos principais passatempos dos jovens nos sábados à tarde eram as sessões de cinema. Naquele tempo, geralmente os filmes vespertinos em cartaz eram três, sendo um do gênero western (“bang- bang”), uma comédia e um de guerra. Filmes brasileiros eram proibidos para menores, pois era o auge da pornochanchada gênero que agredia mais pela péssima qualidade do que pela nudez propriamente dita. O filme que empresta o título a este artigo foi muito marcante e até hoje é muito comentado por inúmeras razões.

Trata-se da história de um erro militar estratégico e, por isso catastrófico, ocorrido durante a segunda guerra mundial, onde os aliados tentaram dominar várias pontes através das linhas alemãs, que já dominavam grande parte da Europa. A operação conhecida como “Market Garden” aconteceu em setembro de 1944 e causou mais baixas ao exército aliado do que o próprio desembarque na Normandia, o conhecido dia “D” (6 de junho de 1944) que marcou o início da capitulação do exército alemão.

Talvez pelo efeito que um erro estratégico possa ter com seus desdobramentos muitas vezes irrecuperáveis, este filme me vem à cabeça sempre que percebo excesso de planejamento e falta de objetividade. Transferir para questões atuais situações ocorridas no passado de forma alguma se traduz em saudosismo, muito pelo contrário, demonstram a lucidez e sabedoria de quem sabe aprender com erros alheios que, não raro, perdem-se na memória.
Através da realidade, colidimos com o futuro, conforme ensina o filósofo Ortega Y Gasset, porém a compreensão do passado fornece a amálgama do resultado presente.

Voltando ao referido filme, também composto de um elenco notável que talvez nunca mais tenha sido reunido na história do cinema moderno, o realismo oferecido é fantástico, e parece que o espectador também participa como ator naquele teatro bélico devastador. Aliás, muitas vezes os coadjuvantes prestam colaboração tão valiosa quanto os atores principais, pois ao protagonismo secundário nem sempre a crítica consegue atingir, o que acaba facilitando o desempenho.

A manifestação de governantes falando em planejamento de ações quando já são decorridos mais da metade de seus mandatos, provoca uma total descrença nas políticas públicas concebidas para promover o resgate da leprosa infraestrutura brasileira. Papéis são rabiscados, discursos empreendidos, bravatas vomitadas, factoides disparados e, todavia, as ações continuam imersas no imbróglio burocrático em que o país se enredou. Com a justificativa de melhorar as contas públicas subtrai-se a diminuta capacidade de investimento das empresas, levando-as a uma situação pré-falimentar que abre as portas à sonegação.

A sociedade foi escravizada. Trabalha cada vez mais para perpetuar uma máquina perdulária, irresponsável, contaminada pela corrupção e pelo desvio que, pela sua ineficiência, promete o paraíso e direciona ao inferno.  De planos e projetos as gavetas transbordam. Nem sequer fecham mais, pois abertas estão mais acessíveis a novas e inexequíveis propostas. Enquanto se empreende uma caminhada como num passeio outonal, observando a paisagem, os concorrentes correm em busca de eficiência e competitividade.  O aparato ambientalista impede que as obras importantes para a infraestrutura nacional saiam do papel tornando-se realidade e, consequentemente, beneficiando toda a população. No centro das decisões estratégicas permite-se, de maneira leniente, uma ingerência nefasta de quem não tem compromisso com o desenvolvimento do país.

A visão revanchista e demagógica de sacrificar quem acumulou algum bem em detrimento de quem não o fez, embota as ações no sentido de proporcionar criação de novas riquezas para todos. Toda vez que alguém sentir vergonha de ser bem sucedido de maneira honesta é porque algo está errado, pois, jamais a apologia do sucesso deve ceder lugar a do fracasso.

No filme descrito inicialmente o general alertou ao seu marechal de campo que talvez aquela ponte estivesse “longe demais” para o sucesso da operação. Parece que, às vezes, a construção da infraestrutura necessária ao ganho de competitividade não será alcançada devido às dificuldades que o país impôs a si mesmo. Assim como na guerra, a estratégia econômica não deve distanciar-se muito do objetivo final, sob pena de ambas perecerem.

* O autor é Engº Agrº e Produtor Rural no MT
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Brasil é 4º destino dos investimentos da China

Vladimir Milton Pomar
Como se poderá constatar, compensa investir para atrair investimentos chineses.

Energia responde por 46,9% dos investimentos chineses no mundo.

Levantamento realizado pelo jornal ExpressoXL, de Portugal (www.expresso.sapo.pt ), e divulgado na edição de 10 de abril de 2013, a respeito dos investimentos chineses no mundo, dá conta de que teriam atingido 472 bilhões de euros, de 2005 a 2012.

Em 2013, esse total deverá superar meio trilhão de euros. Segundo o jornal, no início do ano a CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) comprou por 11,8 bilhões de euros a petrolífera canadense Nexen. E empresas chinesas em dezenas de países continuam comprando e investindo em instalações industriais, petrolíferas etc., etc.

Chamam a atenção nesse levantamento a concentração em energia (46,9%) e ouro (16,2%), responsáveis por 298 bilhões de euros de investimentos chineses no mundo.
O terceiro setor a receber mais recursos é o de infraestrutura de transportes, com 14,7% (69,3 bilhões de euros). Imóveis (8,0%) e o setor financeiro (6,2%) revelam-se setores de interesse intermediário. E estranhamente agricultura (3,1%), tecnologia (2,2%) e indústrias (integrantes de um genérico "outros") são os setores que menos receberam investimentos no período analisado.

Pelo estudo, a Austrália é a campeã mundial de investimentos da China, com 43,46 bilhões de euros, seguida de perto pelos EUA, com 42 bilhões (certamente o total seria bem maior, se o governo norte-americano não tivesse impedido a compra de empresas do país por empresas chinesas). O Canadá está em terceiro lugar, com 28,6 bilhões, e o Brasil em quarto, com 25,6 bilhões - detalhe: no caso brasileiro, não aparece nenhum valor em "outros", o que pode significar que os muitos (e recentes) investimentos em indústrias não foram computados nesse levantamento.
Saudações atentas,
Vladimir Milton Pomar
Revista em chinês
"Negócios com o Brasil"

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