quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ri de que juiz Moro? Ou de quem?

Richard Jakubaszko 
Parece parceria tucana? Deve ser...
Quanta felicidade nos sorrisos acumpliciados, né não?
Pelas costas de Temer, a dupla estaria confraternizando antecipadamente as decisões do TSE, no início de 2017? Vão mandar o Temer pra casa?
Vai saber...
Este país é uma pândega!!!
Me engana que eu gosto, né? Ou você vai bater panelas quando isso acontecer?

Eu fico só com ânsias de vômito...


.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Brasil na Conferência do Clima

Marcos Sawaya Jank *
Brasil se destaca na COP-22 em uso da terra e energia renovável

Denomina-se panaceia o remédio ao qual é atribuída a capacidade de curar qualquer tipo de doença. Trata-se de uma boa analogia para a 22ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudança do Clima (a COP-22), que reuniu mais de 10 mil participantes durante duas semanas em Marrakech, no Marrocos.

A movimentação frenética de pessoas, as centenas de eventos paralelos nas mais diferentes línguas e uma ampla agenda cujo leque varia do equilibro de comunidades isoladas às novas técnicas de observação espacial contrastam com a imensa dificuldade para curar os males do planeta.

Como detentor do maior estoque de biomassa da Terra (12% das florestas), o Brasil tem sido um dos países centrais nas discussões sobre mudanças climáticas, sobretudo nos capítulos de desmatamento, uso da terra e energias renováveis.

Não há dúvida que o país avançou na matéria nos últimos anos. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a se comprometer com uma meta absoluta de redução de emissões (37% até 2025) e a ratificar o Acordo de Paris, fechado na COP-21 em 2015.

A coordenação do governo brasileiro melhorou com a presença inédita dos ministros do Meio Ambiente e da Agricultura. Melhorou também a coordenação entre empresas, entidades setoriais, organizações da sociedade civil e institutos de pesquisa, como no caso da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura.

.
Historicamente implantamos técnicas agrícolas que conjugam aumentos de produtividade com maior conservação do ecossistema: o plantio direto (que eliminou a necessidade de revolver o solo antes do plantio), a integração lavoura-pecuária-floresta, o plantio de duas safras por ano na mesma área e o programa agricultura de baixo carbono.

Reduzimos em 80% o desmatamento da Amazônia entre 2004 e 2014, ainda que ultimamente tenha havido algum retrocesso em razão do desmatamento ilegal, cujo fim está previsto para 2030 no compromisso brasileiro.

Assumimos o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, ainda que persistam grandes dúvidas sobre como financiar essa ambiciosa agenda de restauração florestal.

Para tanto, é fundamental implementar de vez o novo Código Florestal, que permitirá a compensação das áreas de Reserva Legal associadas a cada propriedade rural, um elemento conservacionista que não encontra paralelo em nenhum outro país. O problema é que ainda há contestações legais sobre o Código, que precisam ser pacificadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao mesmo tempo, o governo precisa aprovar as regras de compensação de Reserva Legal e criar políticas de incentivo para fomentar a restauração e a conservação.

Acredito que em algum momento no futuro poderemos almejar o status de “desmatamento líquido zero”, no qual o desmatamento legal de áreas com boa aptidão agrícola seria compensado pelo reflorestamento de áreas sem aptidão agropecuária.

Ocorre que a ocupação do território nacional foi marcada pela falta de planejamento e por mudanças constantes nas regras do jogo. Cidades cresceram em áreas onde jamais se deveria construir. A agricultura avançou sobre áreas sem nenhuma aptidão agrícola, tanto em termos de solos como de declividade. Há uma imensa quantidade de pastos degradados que dominam morros inacessíveis para o cultivo. A restauração deveria ocorrer exatamente nessas áreas, permitindo a expansão legal e estratégica nas áreas de grande aptidão agrícola do país.

No Acordo de Paris assumimos também metas quantitativas de aumento da participação dos biocombustíveis e das energias renováveis na matriz energética brasileira. Agora na COP-22, o Brasil lança a “Plataforma para o Biofuturo”, um esforço coletivo de 20 países para ampliar a participação de energias renováveis na área da mobilidade. Mas ainda não está claro como isso será feito, aqui e lá fora.

Estou convencido de que a sustentabilidade pode se tornar a grande bandeira das exportações brasileiras, a despeito dos ventos antiglobalização que tomam conta do mundo.

 
* o autor é especialista em questões globais do agronegócio
.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Como equilibrar as contas da Previdência sem cortar aposentadorias

Richard Jakubaszko

Encrenca na certa à vista, os brasileiros, mais uma vez, vão pagar pela incompetência política dos políticos, especialmente dos privilégios concedidos às aposentadorias especiais de militares, do judiciário e dos legisladores, conforme a matéria abaixo, que não é de minha autoria, mas da Repórter Brasil:

A Reforma da Previdência que o presidente Michel Temer promete enviar ao Congresso esta semana deve ter grande impacto na vida dos trabalhadores. Isso porque o projeto parte de um raciocínio simples para supostamente equilibrar o cofre da Previdência Social: os brasileiros estão vivendo mais, e o número de aposentados só aumenta. Para a conta fechar, eles devem se aposentar mais tarde ou ganhar menos.

O envelhecimento da população é uma realidade, reforçada ontem pelo anúncio da Síntese de Indicadores Sociais 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas cortar benefícios dos trabalhadores não é a única forma de sanar as contas da previdência. É possível aumentar a arrecadação simplesmente aplicando a lei em vigor. A Constituição estabelece três fontes de contribuições para a previdência: os trabalhadores, as empresas e o governo.

É possível aumentar as entradas ao sanar os ralos por onde o dinheiro da Previdência Social escapa. Entre elas, a dívida das empresas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que aumenta ano a ano sem que o governo consiga recuperá-la. E as isenções fiscais às empresas, mantidas com o dinheiro da previdência.

A Repórter Brasil reuniu uma série de medidas que poderiam aumentar significativamente a receita da Previdência, equilibrando as contas sem a necessidade de cortar benefícios dos trabalhadores.

Recuperar dívidas com o INSS: R$ 10,3 bilhões

Quase 700 mil empresas devem R$ 301,9 bilhões à Previdência Social, o suficiente para pagar mais de duas vezes o chamado déficit da previdência. Apesar do grande número de devedores, a maior parte da dívida está concentrada em poucos deles: os 10 maiores concentram mais de um terço desse valor, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Infelizmente, não é fácil para o governo recuperar esse dinheiro. A maior parte das empresas faliram antes de pagar as suas contas, caso das duas maiores devedoras: as companhias aéreas Varig e Vasp. Ainda assim, são altas as chances de recuperar 10,3 bilhões de reais, segundo estudo do extinto Ministério do Trabalho e da Previdência Social, realizado em 2015.

O calote ao INSS não ficou em um passado remoto, já que algumas empresas continuam a ignorar esses impostos. Somente em 2015, a Previdência Social perdeu 26,4 bilhões de reais devido à inadimplência e à sonegação fiscal, segundo dados da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip). “É muito difícil recuperar esse dinheiro porque existe um volume de crédito muito alto e um número de procuradores reduzidos, além das dificuldades impostas pela própria lei e o longo processo que ela impõe,” diz o auditor da Receita Federal Décio Bruno Lopes, vice-presidente de Seguridade Social da entidade.

Acabar com isenções ficais: R$ 55 bilhões

Além das empresas que sonegam as contribuições à Previdência Social, há outras que sequer precisam pagar o governo. Com o argumento de que isso aquece o mercado de trabalho, o Governo Federal concede descontos no pagamento do INSS pelos empregadores desde 2011. A estimativa para 2016 é de que esses benefícios retirem R$ 25 bilhões da Previdência Social.

Esse problema parece não ter hora para acabar. O programa de desonerações, batizado de “Brasil Melhor”, foi anunciado como uma medida temporária, que deveria durar três anos. Mas, desde então, o programa vem sendo renovado sob a pressão do setor empresarial.

Além disso, há outras empresas que não precisam contribuir integralmente para a Previdência Social: microempreendedores individuais, entidades filantrópicas e aquelas que aderem ao Simples. Somados, eles devem tirar R$ 55 bilhões da Previdência Social em 2016, segundo estimativas da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal.

Formalizar trabalhadores: R$ 47 bilhões

Os 18,5 milhões de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada no Brasil são 18,5 milhões de contribuintes a menos para a Previdência Social, já que recebem o seu salário informalmente. O rombo para 2013 foi estimado em pelo menos R$ 41,6 bilhões anuais por José Dari Krein e Vitor Araújo Filgueiras, pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O número sobe para R$ 47 bilhões quando também são considerados os trabalhadores domésticos, que não recebem desconto na folha de pagamento para a Previdência Social.

O dinheiro pago aos trabalhadores “por fora” do salário também passam ao largo da Previdência. São salários subestimados, horas extras pagas informalmente e até gorjetas que não são incluídas no valor da carteira de trabalho. Ao tirar o valor da folha de pagamento, as empresas sonegam o INSS.

Não existem levantamentos nacionais sobre o assunto, mas estudos pontuais mostram que esse tipo de prática é extremamente comum e danosa. Somente 135 empresas de transporte urbano em Belo Horizonte, por exemplo, causaram um rombo anual de R$ 1 milhão na Previdência Social pagando os funcionários “por fora”, segundo ação do Ministério Público Federal de Minas Gerais em 2015.

Comunicar acidentes e doenças: R$ 8,8 bilhões

Mais de 300 mil trabalhadores são afastados dos seus empregos todos os anos por causa de acidentes ou doenças adquiridas no local de trabalho. Apesar das empresas causarem esses problemas, são os cofres da Previdência Social que pagam os R$ 8,8 bilhões anuais em auxílios a esses doentes e acidentados.

As empresas deveriam pagar por esses auxílios quando elas não seguirem padrões de segurança e higiene determinados pelo governo. Já o INSS tem o dever de pedir esse dinheiro de volta às empresas na Justiça, mas não age com o empenho necessário para recuperar esse dinheiro. Em um ano, o INSS entra em média com 340 ações pedindo o ressarcimento das aposentadorias causadas pelas empresas, um número irrisório perto das centenas de milhares de trabalhadores que são afastados todo ano.

Recentemente, o instituto começou a entrar com ações coletivas contra as empresas. Dessa forma, seria possível recuperar mais dinheiro de uma única vez. A Previdência conseguiu sua primeira vitória em 2015, quando o frigorífico Doux Frangosul foi condenado a pagar um milhão de reais ao governo pelos auxílios dados pelo INSS a 111 ex-funcionários que contraíram doenças no abate de frangos.

Deixar de comunicar acidentes também é uma forma de sonegação. Ao esconder esses registros, elas economizam com uma contribuição que varia de acordo com o número de doentes e acidentados em cada empresa, chamada Riscos Ambientais de Trabalho (RAT).

O número de trabalhadores que relata ter sofrido um acidente ou adoecido no trabalho é sete vezes maior do que o número informado ao INSS, segundo estudo da Fundacentro, fundação de pesquisas ligada ao Ministério do Trabalho. Caso os acidentes não fossem omitidos dessa forma, a arrecadação seria muito maior que os atuais R$ 27 bilhões arrecadados pelo RAT anualmente.

Usar outras fontes para pagar a dívida pública: R$ 63 bilhões

Culpada constantemente pelos problemas do orçamento de todo o governo, a dívida pública também leva sua parte do orçamento da Previdência Social. Para pagá-la em 2015, o governo retirou R$ 63 bilhões da conta da Seguridade Social, uma rubrica que inclui, além da Previdência Social, o Sistema Único de Saúde (SUS), o Bolsa Família e outras políticas.

Isso é possível graças a um mecanismo chamado Desvinculação de Receitas da União (DRU), que até esse ano permitia ao governo gastar 20% da sua arrecadação livremente. Esse valor deve crescer a partir de 2017, graças a uma emenda à Constituição que aumentou a DRU para 30%.

Sem o pagamento da dívida, a Seguridade Social não daria o prejuízo alardeado pelo governo. Considerando todas as fontes de receita da seguridade, o saldo positivo seria de R$ 11 bilhões, segundo levantamento da Anfip. Além dos descontos em folha, uma série de impostos e contribuições, com o Cofins e o CSLL, deveriam servir exclusivamente para bancar a assistência social do governo, de acordo com o texto da Constituição.

FONTE: Repórter Brasil
Piero Locatelli – Jornalista
Eugênia Hanitzsch – Arte


Publicado originalmente no http://www.agrosoft.org.br/br/como-equilibrar-as-contas-da-previdencia-sem-cortar-aposentadorias/economia
.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Piaf: Hino ao amor, é eterna porque é bela.

Richard Jakubaszko
A música Hino ao amor, composta e interpretada por Edith Piaf é um clássico. Milhões de exibições, gravações e arranjos. Há uma performance nova no mercado, feita em dupla por Saïna Manotte e Maxime Manot, que é deslumbrante e notável, pelas vozes e pela performance.
Vale a pena assistir.

.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Sinkholes (buracos sumidouros) assustam o mundo

Richard Jakubaszko 
Existem muitas teorias da conspiração para os sinkholes (enormes buracos, os sumidouros) que aparecem mundo afora, especialmente em áreas urbanas, sob o asfalto, como aconteceu recentemente no Japão, que tapou o buraco em uma semana, mas que voltou a abrir de novo...

O vídeo abaixo me foi enviado pelo amigo Hélio Casale, e é assustador...
Nas cidades asfaltadas é até fácil entender os buracos, pelas pequenas fissuras que acontecem no asfalto, as chuvas fazem a água minar a terra arenosa sob a camada asfáltica, até que fica só o asfalto, e um dia ele desaba. Mas as valetas e buracos enormes fora da área urbana, como se vê no vídeo, são aterrorizantes...
E isso acontece pelo mundo inteiro.
Já tem gente anunciando o início do fim dos tempos...

.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Festa de arromba em Brasília

Richard Jakubaszko
Manifestantes contra a PEC 55, a pec do fim do mundo, que limita o teto dos gastos de saúde e educação, em Brasília, levam cacete da polícia, com bombas de gás lacrimogêneo, em frente ao Congresso Nacional, na última terça-feira, 29.
Já os nobres parlamentares participavam de um comes-e-bebes free pago por todos nós, no Congresso, regado a uísque importado e bons vinhos, e não estavam nem aí para a violência e a repressão; a foto viralizou na internet ontem, e faço o registro. Analisem a foto, o inferno acontecendo lá embaixo, e nenhum dos alegres convivas sequer olha para aquilo...
Quanto descaso, né não? O que é que eles comemoravam?



.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Tráfego complicado pelo mundo afora

Richard Jakubaszko
Cada país com suas características de cultura no trânsito, seja nas cidades ou nas estradas, em geral tumultuadas e confusas, quando não são caóticas ou excepcionais. Uma das causas é o excesso de gente e de automóveis, ou melhor, de veículos de todos os tipos. Todo mundo quer levar vantagem, para trafegar ou estacionar. Confira:
Na China, um chinês ficou preso no trânsito durante 5 dias...
Em Nova York, se errar o túnel, retorno só em Detroit...

Moscou, aqui a vodka manda no trânsito...
Bangladesh, aqui azedou...
Tailândia, só táxi resolve...
Vietnã, na calçada tem o mesmo trânsito...
Índia, a vaca é sagrada, se ela estacionar...
Filipinas, não tem moleza...
Emirados Árabes, olha o camelo...
Itália, estacione conforme o tamanho...
Na Indonésia não se usa semáforo (sinal), é mão inglesa...

Em Amsterdam, só sai do trânsito se pedalar ou remando
Em Paris, travou tudo, mas a cidade continua linda...
No Paquistão, pega carona no ônibus...
Paris, cada vez mais complicada. É que tem muito turista...
Nova York, 5ª avenida, os táxis amarelos mandam no pedaço...

.
Pedalando em Amsterdam...

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Dicionário afro-lusitano

Richard Jakubaszko
 
Acordo ortográfico
Em tempos do “politicamente correto” andam em baixa as piadas e chistes protagonizados pelos irmãos de além-mar, então os humoristas colocam dicionários para traduzir a sua imaginação. Na internet circulam as traduções abaixo, e que recebi hoje de um amigo, informando-me que um amigo português encaminhara a ele alguns exemplos.
 

Dicionário afro-lusitano

Abreviatura = acto de se abrir um carro

Açucareiro = revendedor de açúcar que vende acima da tabela

Alopatia = dar um telefonema à tia

Amador = o mesmo que masoquista

Barbicha = bar para paneleiros

Caminhão = estrada ou caminho muito grande

Canguru = líder espiritual para cães

Catálogo = acto de se apanhar coisas rapidamente

Combustão = mulher com peitos grandes

Compulsão = qualquer pessoa com pulsos grandes

Depressão = espécie de panela angustiada

Destilado = aquilo que não está do lado de lá

Detergente = acto de se prender indivíduos suspeitos

Esfera = animal feroz amansado

Evento = constatação de que realmente é vento e não brisa, furacão

Fornecedor = empresário do ramo de agradar a masoquistas

Genitália = órgão reprodutor dos italianos

Homossexual = detergente utilizado para lavar as partes íntimas

Leilão = leila com mais de 2 metros de altura

Karma = expressão para evitar pânico

Novamente = diz de indivíduos que renovam a sua maneira de pensar

Obscuro = tampão na variedade de cor preta

Psicopata = veterinário especialista em doenças mentais da pata

Quartzo = partze ou aposentzo de um apartamentzo

Razão = lago muito extenso, porém pouco profundo

Rodapé = aquele que tinha carro, mas agora anda a pé

Sexólogo = sexo apressado

Simpatia = concordando com a irmã da mãe

Talento = característica alentejana

Típica = o que o mosquito te faz

Trigal = cantora baiana elevada ao cubo

Vidente = dentista falando sobre o seu trabalho

Viúva = acto de ver a uva

Zunzum = na fórmula 1, momento em que o espectador percebe que os 2 líderes acabaram de passar na sua frente

Zoológico = reunião de animais racionais

.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Por que FHC correu para abraçar Temer

Janio de Freitas *
O que será do Juiz e do Delegado que humilharam o Garotinho?

É ao menos original, para não dizer que é cômico. O país derrete, com as atividades econômicas se desmilinguindo, o desemprego crescendo, cai até a renda dos ricos, a maior empresa do país é vendida em fatias, pouco falta para trocarem de donos os trilhões do pré-sal – e o presidente da República passa a semana ocupando-se com um apartamento que nem existe. Ou só existe no tráfico de influência de um (ex)ministro e na advocacia administrativa do próprio presidente.

Se Dilma foi processada por crime de responsabilidade, como quiseram os derrotados nas urnas, Michel Temer é passível de processo, no mínimo, por crime de irresponsabilidade. É o que explica a pressa de Aécio Neves e Fernando Henrique para cobri-lo com uma falsa inocência. "Isso [a ação de Geddel] não atinge Temer nem de longe", diz Aécio, que na presidência da Câmara foi o autor de algumas das benesses mais indecentes desfrutadas pelos deputados.

Fernando Henrique define os atos de Geddel e de Temer como "coisas pequenas". Comparados à entrega, por ele, do Sistema de Vigilância da Amazônia à multinacional Raytheon, ou confrontados com as privatizações que manipulou até pessoalmente (e com gravação), de fato as ordinarices atuais são "coisas pequenas". Mas se "o importante é não perder o rumo", só isso, Temer, Geddel, Moreira e outros não o perderam. Nem desviam o país do rumo desastroso, único que lhe podem dar com sua incompetência e leviandade.

O comprometimento de Michel Temer com a manobra de Geddel não precisaria ser mais explícito. Sua acusação a Marcelo Calero, de que "a decisão do Iphan criou dificuldades ao [seu] gabinete" porque "Geddel está bastante irritado", diz o que desejava de Calero: a ilegalidade de uma licença incabível, para não "criar dificuldades" ao gabinete e, portanto, ao próprio Michel. Apresentar a ilegalidade como a forma correta de conduta, quando está em causa um interesse contrário à responsabilidade e à lei, é um comprometimento inequívoco com o interesse e com o tráfico de influência que o impulsiona.

Tem a mesma clareza a igualdade de ideia, e até de palavras, que Calero ouviu de Temer, de Eliseu Padilha e do secretário de Assuntos Jurídicos, Gustavo Rocha, em ocasiões diferentes. Todos lhe falaram em "construir uma saída", mandando "o processo para a AGU", a Advocacia-Geral da União. Lá, como disse Temer a Calero, "a ministra Grace Mendonça tem uma solução". A igualdade demonstra a combinação de uma estratégia para afinal impor a ilegalidade. Fosse por já terem a concordância de Grace Mendonça, como sugere a afirmação de Temer, fosse por a verem como maleável.

Michel Temer não poderia mesmo ser "atingido nem de longe". Está chafurdado na manobra de Geddel, a quem buscou servir em autêntica advocacia administrativa em nível presidencial. Corrupção, nada menos.

(...)

Por seis a um, Anthony Garotinho foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral até de prisão domiciliar.

De um ponto de vista acima do resultado pessoal, há grave problema institucional em sua prisão: se existirem, são mínimas as dúvidas de que Garotinho foi vitima de represália de um delegado da PF e é provável que também de um juiz. No início do mês, o delegado Paulo Cassiano foi objeto de uma representação do ex-governador à Corregedoria da PF, por abuso de autoridade e violência em Campos. O juiz Glaucenir Silva decretou a prisão pedida pelo delegado, sem base para essa decisão. O projeto sobre abuso de autoridade deve ser votado nos próximos dias, caso Sergio Moro e um batalhão de procuradores federais não conseguirem impedi-lo. E, para o bem dos cidadãos em geral, é difícil que consigam.
(...)

* o autor é jornalista.

Republicado do Conversa Afiada, que republicou da Folha de São Paulo: http://www.conversaafiada.com.br/politica/janio-por-que-fhc-correu-para-abracar-temer

.

domingo, 27 de novembro de 2016

O cheque de um milhão e as delações em "nuvem"

Mauro Santayana *

Otávio Marques de Azevedo
Nunca aceitamos - e consideramos execrável - a tese - um dos pilares da Operação Lava Jato - da transformação retroativa, automática, proposital, de doações de campanha em "propina".

Se à época era legal e foi registrada, a doação foi doação e ponto final, mesmo que eventualmente tenha sido feita por meio de "Caixa 2", que - a exemplo das tais "pedaladas fiscais" que justificaram a derrubada de Dilma - se à época também não era crime, só pode passar a sê-lo depois que for criada uma lei para regulamentar o assunto.

Considerando-se isso, não se pode negar que essa retroatividade seletiva, presente na mudança do depoimento do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, divulgada pela imprensa, ontem, transformou-se em uma das principais características da situação em que se encontra, hoje, a justiça brasileira.

Pressionado a produzir uma delação "premiada" o "delator" em questão acusou a campanha da ex-presidente da República, Dilma Rousseff, de ter recebido um milhão de reais - por si só uma quantia irrisória nesse contexto - em "propina".

Disseminado ruidosamente o factoide, e com a apresentação de provas, pelo PT, de que o dinheiro chegou à campanha por meio do PMDB, ou seja, de que a doação estava em princípio destinada ao então candidato a vice e atual Presidente da República, Michel Temer, os advogados do "premiado" delator - mais um fantoche que se distorce e retorce ao sabor desse sórdido jogo de pressão de fundo descaradamente político - recuaram e disseram que ele havia se "enganado", e que, na verdade, não teria ocorrido nesse caso particular, nenhuma irregularidade ou ilícito.

Esse é o mal da tal "delação premiada", tão festejada pela atual Magistratura e o Ministério Público.

Como quase nunca existem provas cabais que as sustentem, pode-se fazer com esse sórdido e abjeto "instrumento", de grande "plasticidade" inerente, o que se quiser que seja como se fosse - nas mãos de um bando de crianças - um pacote de massinha de modelar.

Além da possibilidade de "editar" seletivamente as transcrições dos depoimentos, vide O MINISTÉRIO PÚBLICO E AS "CENAS PROIBIDAS" DA OPERAÇÃO LAVA JATO, pode-se acusar a torto e a direito (mais a "direitos" que a "tortos" e quase nunca à direita, convenhamos) e adaptar a mentira, já que de mentiras produzidas sob pressão se tratam, na maioria das vezes, relacionadas a ilações de caráter altamente subjetivo.

A bem da verdade, a mídia faria um grande favor ao público e à realidade, se passasse a chamar essas delações - típicas de regimes fascistas e autoritários - nos processos stalinistas os réus também delatavam, oficialmente, "voluntariamente" - de delações "chiclete", "bombril" ou "massinha".

Em tempos de computação em "cloud" – elas poderiam ser chamadas também de "delações-em-nuvem", não apenas por sua banalizadora quantidade - o sujeito delata até a mãe do Papa para se livrar de prisões arbitrárias que podem ser "esticadas" indefinidamente e para não correr o risco de desagradar a "pessoa" errada – quanto pela possibilidade que têm, como as nuvens, de trocar de formato ao sabor das circunstâncias.
 

O comunicado dos advogados do ex-presidente da Andrade Gutierrez prova que, apertadas entre os dedos, as "acusações" dos delatores podem mudar, sempre que for preciso, bastando que alterem o seu "depoimento".

Assim, o que era, no início, uma "bola" de massinha pode se transformar em uma cobra, em um porquinho, ou, em poucos minutos, horas ou dias, em um simpático cachorrinho.

Um verdadeiro acinte, neste país de faz de conta, sem nenhum respeito ou consideração pela inteligência dos cidadãos e da população brasileira.

* o autor é jornalista



.