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sábado, 28 de setembro de 2019

Não é Janot que está louco, é o Brasil.

Fernando Brito *
Ora, vamos, o surto narciso-canalho-psicótico de que foi acometido o senhor Rodrigo Janot não é um episódio isolado na vida brasileira.

É apenas uma erupção explícita do grave processo de infecção autoritária que, há anos, passou a acometer nossa sociedade, desde que as corporações judiciárias entraram em metástase, potencializada pela mídia, e passaram a pretender ser o poder supremo entre nós.

Valeram-se, para isso, do mais primário maniqueísmo, erigindo na Justiça lugar dos “homens do bem” e, na política, os “do mal”.

O próprio Janot, no momento em que se associou à fúria dos imberbes de Curitiba, apanhou carona na condição de “herói”, com o patético cartaz em que se exibia como “Esperança do Brasil”

Ser – neste caso sentir-se e ser visto como – “do bem” dava a eles direitos extraordinários, poder absoluto sobre as pessoas.

Aos “pecadores” da política era só esperar a chegada de seus arcanjos da Polícia Federal, bem cedinho, com seu Japonês ou Lenhador, trazendo a implacável ordem do Zeus de Curitiba e, depois, de suas sucursais: Marcelo Bretas, Valisney de Oliveira…

A política trocou programas, ideias, compromissos e passou a ser feita com prontuários e promessas de armas, balas e tiros.

O direito, à base de conveniências que o adequem aos imperativos morais como o de “não prejudicar a Lava Jato”.

Veja-se agora o caso em que se quer “modular” um princípio constitucional, o da ampla defesa, condicionando-o a que o acusado o tenha reivindicado “tempestivamente”, o que é um rematado absurdo em se tratando de direito indisponível.

Estaremos condenados a um mundo onde a realidade deva conformar-se aos ditames morais, aos dogmas de um fundamentalismo judicial, onde o crime – como o que esteve à beira de ser praticado por Rodrigo Janot se justifica pela vítima?

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado
em http://www.tijolaco.net/blog/nao-e-janot-que-esta-louco-e-o-brasil/

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sábado, 24 de agosto de 2019

Amigos do agronegócio: lamento informar, mas eu avisei.

Richard Jakubaszko
E avisei com muita antecedência. Expliquei no livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, em 2015, e alertei em dezenas de artigos publicados aqui no blog, antes de publicar o livro. Desde 2007 tenho feito essa peregrinação, com altos custos pessoais, cheguei a receber muitas bordoadas e acusações por ser um cético da questão ambiental, acusações de ser um porta-voz do agronegócio e da indústria do petróleo, mas nunca desisti, e assistia com incredulidade a omissão da maioria dos líderes do agro, como se nada pudesse atingi-los. Ouvi inúmeras vezes de alguns líderes do setor: “nada, não tem problema nenhum, isso que você tá fazendo com a gente é terrorismo, nós somos ambientalistas também, ademais, onde eles vão comprar carnes e grãos?”.

 
Recebi desafios de um presidente de uma empresa multinacional do setor, do tipo: “Quero saber se você é o Joãozinho do passo certo, ou se é um maluco, de publicar esse livro. Se estiver certo nós te ajudamos, mas se estiver errado vou enfiar o livro no teu traseiro”. Nada aconteceu, tudo parecia discussão de políticos, que nada querem decidir, nada querem resolver, e nunca procuram a verdade, apenas desejam ganhar a discussão. Foi difícil divulgar verdades contra a mentira do século XXI, de que o aquecimento não existe, não é provocado pelas mudanças climáticas, muito menos pelo excesso de gente no planeta. Essa é verdade, mas os poderosos grupos de pressão, ganham a discussão através da mídia, nacional e internacional. Bastou um sujeito tosco, despreparado e inábil como Jair Bolsonaro jogar fósforo aceso na fogueira e a hipocrisia mundial reacendeu.

 
Agora, tudo que previ pode acontecer, pretendem proibir exportações brasileiras de carnes e grãos, e podem até nos tomar a Amazônia, fruto de cobiça internacional há muito tempo. Será feito com aplausos das galeras no mundo inteiro, até mesmo dos brasileiros. Assistam ao vídeo abaixo para lembrar o que falei em 2015, e venho de forma teimosa repetindo desde lá. Não mudo uma única palavra do que disse, e faço um novo aviso: vai ser difícil, muito difícil enfrentar as encrencas desse novo tempo, mas há maneiras de reverter esse inferno que de nós se aproxima. A diferença é que agora vai ser uma fatura muito mais cara do que antes.


Os debates midiáticos, a oposição de Donald Trump ao Acordo Climático, de Bolsonaro e de alguns outros, estimulou a venda do meu livro, esgotando a 1ª edição. O livro entra esta semana em 2ª edição, ampliada e revista, com análises aprofundadas, feitas no início deste ano de 2019, e não dentro da atual situação que vivemos hoje, diante da iminência de haver proibição de compra de carnes e grãos do Brasil por causa dos desmatamentos e das queimadas na Amazônia.


Ontem publiquei aqui no blog uma carta aberta pessoal ao presidente da França, Emmanuel Macron, ainda com modesta repercussão, apesar de ser uma das mais lidas do blog nesta semana, mas desconheço se ele tomou conhecimento. Clique aqui para ler a carta.

Continuo afirmando, não sejam omissos!



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sábado, 13 de abril de 2019

Assange, um sinal da vergonha ao mundo sem ética

Luis Amorim *

O último incidente de Londres centrado em Assange mostra a fraqueza do sistema imperialista – todo o sistema está a travar uma longa batalha contra um único indivíduo e nesta batalha, o indivíduo foi expulso para fora do abrigo moral e ético que toda pessoa tem direito.

Todo o episódio de Assange mostra vulnerabilidades do sistema imperialista – uma única fuga de informação por um indivíduo ou um grupo de indivíduos pode expor o sistema; o sistema, com seu vasto mecanismo movido por seus imensos recursos, não consegue esconder suas malfeitorias, cuja exposição o torna vulnerável. 

Isso lembra um comentário de Fidel Castro: uma agulha pode tirar todo o ar de um balão. Assange realizou este trabalho – um serviço à humanidade. 

A mãe de Assange demonstrou todo o amor materno, desejando o melhor dos mundos para os traidores de seu filho.

* cidadão lusitano
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Liquidificador é uma arma

Richard Jakubaszko  
Síntese das imbecilidades que foram vomitadas pela equipe que tomou posse em Brasília neste janeiro de 2019: o liquidificador é uma arma. Vejam o que dizem as pesquisas:
(Parece sério, mas é humor imbecil. Obra de arte enviada pelo jornalista Delfino Araújo)

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

As figuras referenciais no reino da hipocrisia

Luís Nassif *
Uma análise histórica das crises nacionais revelaria o seguinte

1. Fases de turbulência e de perda de referenciais. Morre o velho sem o que o novo tenha sido criado, gerando a grande crise.

2. Em períodos de estabilidade, o processo de criação de reputações é lento. Na transição, especialmente quando surgem novas formas de comunicação – como o rádio, nos anos 20, e as redes sociais, agora – a construção de reputações muda de padrão. Surgem novos personagens, dando um bypass nos caminhos tradicionais, esboroando a hierarquia anterior e abrindo espaço para novas celebridades.

3. Sem referenciais, há uma disputa selvagem pelo novo protagonismo. É a chamada síndrome da teoria do caos. Se o caos é completo, sem nenhuma espécie de pré-requisitos, se não é mais pré-condição a erudição, os diplomas, a hierarquia, a biografia, porque não eu, Zebedeu? A meritocracia entre juízes, procuradores, delegados em geral, Ministros do Supremo não se dá mais no terreno especializado das respectivas corporações, mas na qualidade de aparecer na mídia.

4. Esse processo se torna mais agudo devido à crise de confiança na racionalidade que supostamente imperava no mundo que acabou. Hoje em dia, um meme de rede social vale mais do que a verborragia – muitas vezes vazia – dos velhos personagens.

5. Em algum momento, novos valores se consolidarão, como os positivistas gaúchos nos anos 30, o MDB dos anos 80. Haverá uma reorganização inicial no mercado de ideias, uma reconstrução penosa de valores, que, pouco a pouco, irão entrando pelas instituições, criando um novo normal até a crise seguinte.

Na transição, mais do que em qualquer outro, as figuras referenciais se tornam imprescindíveis. Cada instituição precisa do seu estadista, da sua figura referencial que impeça o esboroamento dos valores constituídos ao longo de décadas.

A figura referencial precisa ter historia coerente, clareza sobre o chamado interesse público ou nacional; desprendimento para não se contaminar pelo oportunismo, grandeza para sobrepor os princípios ao lero-lero do dia a dia e coragem para investir contra a voz da besta.

O Brasil anda tão carente dessas figuras que ontem Elio Gáspari tentou transformar Rosa Weber, a frágil Rosa Weber, em um monumento de solidez. Por falar pouco e ter tido a suprema coragem de derrubar a sentença de um juiz de 1a instância, nos cafundós do país, pretendendo impedir que os serviços públicos atendam venezuelanos no país.

Eça de Queiroz consagrou personagens que falavam pouco - e nada diziam. Gaspari acredita piamente silêncio dos acacianos.

Como jabuti não sobe em árvore é de se indagar qual o condicionamento pavloviano que se pretende impingir na frágil Rosa. Porque nesses tempos de perda de rumo, de alarido infernal, o exercício predileto de alguns colunistas e veículos é o direcionar votos de Ministros. É o que explica Merval Pereira, a voz mais oficiosa dos Marinhos, requerer o cancelamento da inscrição do PT nas próximas eleições.

E não são apenas os tribunais que seguem o clamor das ruas e os ventos medievais.

O MPF tem uma luta épica histórica contra a lei da anistia. O combate à tortura deveria ser cláusula pétrea em sua hierarquia de valores. No entanto, há procuradores na rede enaltecendo Brilhante Ustra, o mais notório dos torturadores. E nada acontece, sequer a censura moral de seus colegas, muito menos sanções dos conselhos de classe.

Entrou-se definitivamente no reino da hipocrisia, que marca a última etapa da transição.

No Supremo, bravos Ministros votam em defesa da Constituição, desde que haja garantia de maioria para os votos em favor do golpe.

Esse mesmo jogo de cena se dá nos inquéritos da Procuradoria Geral da República.

O caso da conta de Aécio Neves em Liechtenstein está na PGR desde 2010. Mesmo com a lista da Odebrecht, com a delação detalhada de como recebia as propinas de Furnas, o então PGR Rodrigo Janot recomendou o arquivamento da denúncia, enquanto investida destemidamente contra Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann.

Apenas após o grampo da JBS, Janot solicitou acesso à conta, através da cooperação internacional.

Semana passada, a Policia Federal apresentou seu inquérito sobre Aécio, sem levantar uma prova sequer. Em função disso, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito.

Em seguida, a PGR cumpriu burocraticamente sua missão de questionar o arquivamento, argumentando que a PF não tinha provas porque ainda não consultara a conta. E a decisão de Gilmar proibia de consultar. Não explicou porque a conta jamais foi entregue à PF antes da decisão e Gilmar. E porque a Globo é mencionada em inquéritos da Espanha, Suíça e Estados Unidos sobre os escândalos da FIFA, e continua imune à ação do MPF.

Muitas vezes, vozes sensatas se indagam a razão desses personagens não zelarem por sua biografia. É que eles não têm o menor sentimento de história, de país, da própria instituição. É como se pudessem entrar na próxima etapa vitoriosos e, portanto, com a sua biografia zerada, da mesma maneira que os Ministros que julgaram Olga Benário ou os coronéis que conduziam os IPMs da pré-ditadura.

Esse jogo de cena é mantido pela Associação Nacional pela Hipocrisia, um órgão supra-institucional que se garante pela máxima “sou, mas quem não é?”.

Chegará o momento em que a bolha será furada. E aí, será possível que, 25 anos depois, se ouça alguma autocrítica, sincera como foi a da Globo sobre o apoio à ditadura.

* o autor é jornalista, editor do Jornal GGN.
Publicado originalmente em https://jornalggn.com.br/noticia/as-figuras-referenciais-no-reino-da-hipocrisia-por-luis-nassif
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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Não há ninguém na boleia do país desgovernado

Fernando Brito *
Eunício Oliveira, presidente do Senado, avisou que, antes de ser votada, a eliminação do PIS e do Cofins cobrados sobre o óleo diesel terá de passar pelas comissões da Casa.

Disse e viajou para o Ceará, onde já está em campanha.

Portanto, até meados da semana que vem, não há o que barganhar com os caminhoneiros de imediato.

Pior, depois de ter acenado com a redução, o governo jogou gasolina no ânimo dos transportadores. A ver pela intensificação dos bloqueios.

E o banho de terror da mídia, provocando corrida aos postos de combustíveis e aos mercados antecipou o agravamento da crise.

O Governo?

Ora, o Governo que não governava e deixava haver reajuste diário nos combustíveis sob aplausos do “mercado”, agora não governa e não tem para onde cortar, senão em suas próprias receitas.

Porque os transportadores e as empresas que – ninguém é bobo – não vão cortar nas suas, que já estão “enforcadas” pela queda de demanda.

A carreta do Governo está desgovernada e vai bater sobre a economia.

Não tem ninguém na boleia do país e disso os caminhoneiros entendem.

A ver qual é a “jogada de mestre” de que Temer guarda para a reunião com eles, daqui a pouco.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em: http://www.tijolaco.com.br/blog/nao-tem-ninguem-na-boleia-do-pais/

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quinta-feira, 26 de abril de 2018

O que acontece na Síria?

Richard Jakubaszko   

O vídeo abaixo explica as ações e interesses das superpotências no mundo árabe, sendo que a Síria é a bola da vez. É um tabuleiro complicado, de múltiplos interesses em que o petróleo, evidentemente, é o maior butim, e onde os EUA têm feito o que querem, do jeito que querem, sempre com uma péssima cobertura jornalística por parte da mídia. No vídeo abaixo há uma explicação coerente das várias correntes político-econômico-religiosas que atuam no conflito, que já dizimou milhares de vidas.

O mundo continua bárbaro.

Vídeo enviado pelo amigo Odo Primavesi.
Obs. A locução em inglês pode reduzir o entendimento para alguns, mas há o recurso de colocar legendas em português. Clique no retângulo e peça legendas. Depois clique na rodinha ao lado e pela legendas em português.

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