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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Europa desaba sob a tirania das energias alternativas

Luis Dufaur *

'O Reich Verde': um livro denúncia
da autodestruição da Alemanha
O jurista e filósofo, diretor do PAN Medias Group e autor do livro “The Green Reich – Global Warming to the Green Tyranny” (“O Reich Verde – Do aquecimento global à tirania verde”, Texquis, 2020; Armada) Drieu Godefridi começou apontando que a dependência de fontes de energia não confiáveis (eólica, solar), combinada com a apressada eliminação da energia nuclear, fez da energia elétrica da Alemanha a mais cara da Europa.

O quadro geral alemão compromete a autonomia energética do país, e, em última análise, do continente europeu, escreveu na página do reputado “Gatestone Institute”. 

As condições climáticas caem drasticamente em diversos períodos que ocorrem todos os anos. A produção de energia não pode se basear nos caprichos do sol (quase ausente no inverno alemão) e nos sopros de Eolo.

A submissão a esses caprichos apresenta repercussões econômicas e ambientais de longo alcance, transtornando a política energética baseada em energias intermitentes. Essas verdades diretamente ligadas à natureza não interessam aos arautos ecologistas salvadores da própria natureza.

A Alemanha passou a ser uma das maiores emissoras de carbono e consome a energia elétrica mais cara da Europa que, aliás, é insuficiente para sua indústria que caiu no vermelho.

O país perdeu a sua autonomia energética, que equivale a um homem ficar sem oxigênio para sobreviver.

Nos últimos quinze anos, investiu maciçamente em energia solar e eólica, e enlouquecidamente sabotou suas usinas nucleares. Em 2023, as energias renováveis representavam 55% da produção de eletricidade do país. Em 2022, eram 48%.

A energia eólica tem 31% da produção total e a energia solar 12%, biomassa 8% e outras fontes renováveis, como a hidroeletricidade os 3,4% restantes.

No primeiro semestre de 2024, a energia renovável forneceu quase 60% da eletricidade alemã. Porém, com momentos de crise no fornecimento como o “Dunkelflaute”.

Governo aprovou a extinção das usinas nucleares
Essa palavra dura para ouvidos brasileiros se traduz por “calmaria branda e escura”, quer dizer a falta de vento e de sol no inverno quando a demanda atinge o ápice. O “Dunkelflaute” então pode durar alguns dias a várias semanas quando a produção eólica e solar despenca para menos de 20% de sua capacidade, chegando às vezes a zero.

Em 12 de dezembro de 2024, a produção alemã de energia elétrica oriunda da energia eólica e solar ao atendia a 1/30 da demanda.

As políticas renováveis seriam aceitáveis se fossem estáveis, como a energia nuclear. Mas, desde 2011, na onda midiática entorno do desastre de Fukushima, o país decidiu fulminar a energia nuclear e fechou usinas em pleno funcionamento.

Extinguiu a energia elétrica estável e previsível ficando penosamente vulnerável às flutuações das energias renováveis.

Em suma, quando não há vento nem sol na Alemanha, há apagão, acrescenta o prof. Godefridi.

A Alemanha ficou incapaz de se mover com energia, especialmente durante o “Dunkelflaute”. Então entra na correria para importar energia elétrica da França, da Dinamarca e da Polônia, e multiplica o consumo dos famigerados carvão e linhito para termoelétricas poluidoras.

Com mais um resultado absurdo: aumentos colossais nos preços da energia elétrica que são realmente impressionantes. Em 2024, uma família teve que pagar o preço mais alto da Europa: € 400/MWh, com picos de € 900/MWh durante o sinistramente cômico “Dunkelflaute”.

O preço médio na França e na Finlândia foi de € 250/MWh no mesmo período (2024), a metade portanto, porque depende de reatores nucleares. Nos EUA, as taxas são 30% mais baixas do que na França.

Intensa propaganda 'verde' baniu a energia nuclear e pôs em crise a Alemanha

Viva! Entramos no maravilhoso mundo para afundar “sustentavelmente” a Europa no precipício da carência e da desgraça. O modelo “sustentável para o planeta”,

Em vez de líder contra o CO2 como pretextado, a Alemanha foi o segundo maior emissor de CO2 por unidade de energia produzida na Europa: dez vezes mais que a França.

Os altos preços estão levando à relocação das indústrias alemãs que procuram localidades mais acessíveis economicamente. Como os produtos alemães podem ser competitivos quando se paga três vezes mais pela energia elétrica do que a concorrência? (O gás natural é cinco vezes mais caro que na Europa e nos EUA.

Colapsam Setores inteiros da orgulhosa indústria alemã. Primeiro as grandes empresas, VW, BASF, Mercedes-Benz, mas essas desaparecem ou encolhm leva junto um monte de pequenas e médias empresas para o buraco.

 
Demissões em massa na Volkswagen gerou terremoto social  

Os altos preços da energia alemã geram cada vez mais frustração.

O famigerado “Dunkelflaute” não é um mero problema econômico: por trás há o assalto de uma ideologia autoritária e irracional.

Há anos este blog vem ecoando cientistas e analistas que julgavam que a Alemanha parecia ter ficado louca. Terá soado exagerado. Agora a realidade arromba as portas de lares e empresas germânicas.

A Alemanha perdeu a autonomia energética, e, em última análise, alastra o continente a um precipício. As consequências estão sendo das mais variadas: os vizinhos estão fartos de uma tão estúpida falência energética, em virtude de um diktats irracional.

O gigantesco passo em falso da Alemanha provoca uma catástrofe europeia e em última análise, da civilização ocidental ex-cristã.

* o autor é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs.

Publicado originalmente no blog: https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2025/08/europa-desaba-sob-tirania-das-energias.html

 

 

 

 

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sábado, 5 de julho de 2025

Os erros colossais do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Thayer Watkins *

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que os erros do IPCC não estão nos estudos técnicos. Estes são, em grande parte, impecáveis. Os erros colossais do IPCC estão no que não foi feito, no que foi deixado de fora, no que foi ignorado. Esses são erros da função administrativa do IPCC e não dos colaboradores científicos. A primeira categoria de partes cruciais ausentes diz respeito ao papel da água no sistema climático da Terra. Os modelos de projeção climática presumem que, à medida que o CO2 e outras substâncias de efeito estufa não hídricas aumentam, haverá um aumento na temperatura, o que resultará em mais vapor d'água na atmosfera e, portanto, em um efeito de retroalimentação positivo. Mas, como a quantidade de vapor d'água na atmosfera é de 25 a 100 vezes maior que a quantidade de CO2, uma pequena flutuação descendente na quantidade de vapor d'água pode anular todo o efeito do CO2. É uma cauda muito pequena que os modeladores climáticos presumem que abana o cachorro.

Fundamentalmente, o principal problema com o IPCC é que ele não funcionou como um buscador da verdade; em vez disso, funcionou como um verdadeiro crente focado no CO2 antropogênico. Ao fazê-lo, deixou de fora o vapor d'água antropogênico autônomo e a nebulosidade antropogênica. Todo o vapor d'água lançado no ar através da irrigação e o aumento da transpiração das culturas agrícolas em comparação com a vegetação nativa e a mineração de aquíferos como o Ogalala.

O IPCC deveria ter se esforçado mais para compilar séries temporais de estatísticas sobre o conteúdo de vapor d'água da atmosfera ao redor do globo. Como a absorção de radiação térmica pela atmosfera é um fenômeno não linear (ver Saturação), as informações precisam ser compiladas pelo menos por latitude, em vez de depender de médias globais. No entanto, não é apenas o vapor d'água que precisa ser considerado. As nuvens e seu conteúdo, densidade e altitude também entram em cena. É indicativo de que os modeladores climáticos recorreram prematuramente a cálculos e, posteriormente, tiveram que incorporar os efeitos de aerossóis e nuvens. Mas, apesar de todos os bilhões de dólares gastos em pesquisas sobre o aquecimento global, ainda não há números disponíveis para o conteúdo médio de vapor de água na atmosfera e nenhum gráfico mostrando o conteúdo efetivo total de gases de efeito estufa na atmosfera ao longo de um período, digamos, de 1970 a 2000. E, para repetir o que foi observado acima, devido à não linearidade do efeito estufa, o que é necessário é o perfil global da média temporal do conteúdo de vapor de água por latitude e longitude.

A modelagem climática não deveria ter começado até que as estatísticas sobre o regime hídrico do sistema climático de Eatht estivessem disponíveis. Fundamentalmente, o problema é que o IPCC partiu da ideia de que sua tarefa era provar que o CO2 antropogênico era o problema, em vez de buscar a verdade. O CO2 antropogênico faz parte do problema, assim como o vapor d'água antropogênico e a nebulosidade antropogênica. Esses dois últimos fenômenos estão tão fortemente correlacionados com o CO2 antropogênico que é difícil, senão impossível, separar seus efeitos estatisticamente.

No entanto, mesmo com os modelos falhos, a análise poderia ter sido amplamente aprimorada pelo backcasting. Ou seja, antes que os modeladores começassem a gerar projeções para um século no futuro, eles deveriam ter gerado backcasts do clima ao longo do último século e meio. Uma comparação do backcast com os dados registrados teria revelado quanta confiança poderia ser depositada nas projeções brutas dos modelos. No entanto, a coisa certa a fazer é regredir os valores registrados nos valores do backcast. As estimativas baseadas na equação de regressão têm os vieses sistemáticos nas projeções eliminados. Pode-se chamar esse processo de calibração do modelo. Pode-se ter um grau maior de confiança nessas projeções calibradas do clima futuro do que nas projeções brutas. Além disso, a regressão forneceria as informações estatísticas necessárias para calcular intervalos de confiança para as projeções futuras, algo que as projeções do IPCC agora carecem gravemente. Atualmente, o IPCC fornece o intervalo de projeções de cerca de 15 modelos climáticos diferentes e afirma que isso tem alguma relevância para a variabilidade do clima futuro da Terra, em vez de ser apenas um reflexo de quão incerto o IPCC é sobre o que constitui um bom modelo de projeção climática.

Outro tópico realmente interessante sobre a retroprojeção de modelos climáticos é como a metodologia para estimar a variabilidade do tempo se sustenta em tais testes. O IPCC obtém a variabilidade do tempo futuro a partir de uma tabulação das projeções a partir da estimativa do estado inicial do mundo. Pequenos erros no estado inicial podem levar a grandes diferenças nas projeções. Eu adoraria ver essa metodologia testada por retroprojeção. 

A previsão retrospectiva em nível regional também seria altamente interessante. Há uma boa chance de que a correlação das previsões retrospectivas regionais com os dados regionais reais seja tão baixa a ponto de ditar o abandono dessas projeções futuras regionais. O IPCC agora confessa uma gama tão ampla de incertezas sobre essas projeções regionais que seu uso só pode ser enganoso.

A correção apenas das duas categorias de falhas acima aumentaria significativamente a aceitabilidade das projeções do IPCC, se de fato elas merecerem aceitação. Aqui estão as séries temporais para temperaturas globais e valores de previsão retrospectiva para um modelo do Centro Canadense.

O modelo não se sai muito bem e superestima a mudança de temperatura entre 1905 e 1993 em cerca de 100%. A regressão das temperaturas registradas sobre as temperaturas do modelo confirma que o modelo tem um viés de superestimar a mudança de temperatura em cerca de 100%. Quando esse viés é corrigido, o cenário fica muito melhor.

O caso acima indica que os modeladores climáticos não devem evitar a retroprojeção, mas sim adotá-la para calibrar seus modelos. É claro que o modelo canadense calibrado não produzirá as projeções extremas e sensacionalistas pelas quais se tornou notório.

O uso da análise de regressão não precisa se limitar à correção do viés nos modelos individuais. Ela pode ser usada para gerar uma média para os 15 modelos, atribuindo pesos maiores aos modelos cujas retroprojeções são mais correlacionadas com os dados passados. Da forma como está, o IPCC usa uma média simples que não diferencia entre os modelos melhores e os modelos piores. Este seria um exercício que vale a pena.

Publicado originalmente em https://www.sjsu.edu/faculty/watkins/IPCCmistakes.htm 

applet-magic.com  

Thayer Watkins = Silicon Valley & Tornado Alley - USA

(Continua.)

 

 

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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Nada nos aproxima mais da verdade que confronto de ideias

Richard Jakubaszko 

Li com profundo interesse o artigo de Luiz Frias na Folha-UOL, "Nada nos aproxima mais da verdade que confronto de ideias: Conhecimento humano avança com choque de opiniões propiciado por liberdade de expressão ampla", cujo link disponibilizo ao final deste texto, mas sinto-me obrigado a fazer alguns comentários sobre o teor do texto.

Na teoria a mensagem de Frias é irretocável. Na prática me pareceu uma narrativa parcial, mais próxima de uma mensagem publicitária do que um texto jornalístico. Na verdade o texto é uma compilação de uma palestra do autor em uma universidade paulista, e, no resumo apresentado pode-se verificar que existem diferenças sensíveis entre a teoria demonstrada e a prática relatada, que abraça especialmente questões e ideologias políticas, esquecendo-se de outros temas tão ou mais importantes. Refiro-me às questões das mudanças climáticas e do aquecimento planetário, onde o jornal tem forte e inarredável opinião que o emparelha às ideias do grupo do IPCC/ONU, onde a  Folha de SP/UOL não exerce o pluralismo, e muito menos pratica o debate, pois não faz o confronto de ideias, e dessa forma defende a sua verdade. Não existem duas verdades sr Luiz Frias. Temos, portanto, a minha verdade, e a verdade do seu jornal, que está engajada, provavelmente sem saber, a interesses econômicos escusos e inconfessáveis.

Em 2015, depois de estudar o tema "aquecimento" por mais de 8 anos, 4 deles escrevendo, publiquei a 1ª edição do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde, ao lado de diversos cientistas nacionais e internacionais, apresentamos ideias para serem debatidas sobre as falaciosas afirmações e acusações feitas pelo IPCC e também por cientistas brasileiros, de que o planeta tem em curso "mudanças climáticas" que irão provocar o aquecimento, por conta de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Folha de SP/UOL continua a afirmar que as mudanças climáticas e o aquecimento são um consenso entre 97% dos cientistas, o que está longe da verdade. Ora, o livro tem considerável sucesso de vendas, especialmente na Amazon.com e está entrando agora em junho próximo na sua 4ª edição, fora a versão traduzida para o inglês, lançada em novembro de 2023. Uma consulta na Amazon.com mostra a opinião de mais de uma centena de leitores do livro: https://www.amazon.com.br/Aquecimento-Mudan%C3%A7as-Clim%C3%A1ticas-Est%C3%A3o-Enganando/dp/8569495005/ref=zg_bs_g_7874341011_d_sccl_37/131-5737661-3349009?psc=1

Enfim, por falta de debate, a versão do IPCC, que se alinha com a "verdade" que acredita a Folha de SP/UOL, permanece e nos leva para o "consenso". Lembro aqui palavras de Walter Lipmann, de que "Onde todos pensam igual é porque ninguém está pensando".

Aqui, no link a seguir, a palestra de Frias, do qual espero uma revisão sobre essa história de debate e confronto, pois na questão "mudanças climáticas" prevalece a opinião do jornal, sem nenhum debate científico. É urgente e necessário que a Folha de SP/UOL revise seu posicionamento, no mínimo para o lado da neutralidade.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luiz-frias/2025/05/nada-nos-aproxima-mais-da-verdade-que-confronto-de-ideias.shtml 

 

 

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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Mudanças climáticas: estão nos enganando?

Richard Jakubaszko
Sim, estão nos enganando. Mas não conseguem enganar a todo mundo. Por isso escrevi o livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", em 3ª edição desde 2019 (1ª edição foi em
2015), e que vai agora para a 4ª edição, ainda no primeiro semestre de 2025.

A razão para publicar este post é a de convidar você a clicar no link abaixo que o levará para a página do livro na Amazon, e que leia os comentários de alguns dos leitores do livro, publicados ao longo desses anos em que a obra se encontra à venda por lá. Não existem duas verdades de uma polêmica. Uma delas é mentira e enganação, mesmo sendo pessoas de caráter e honestidade que a defendam, porque também estão sendo enganadas. Ou defendem interesses escusos e inconfessáveis. Vivemos uma época de "delírio coletivo", e é bom lembrar que onde todos pensam igual é porque não estão pensando.

3ª edição do livro CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?Daí o convite, enfrente opiniões contrárias à sua convicção, é a melhor maneira de a gente aprender, crescer e evoluir.

https://www.amazon.com.br/Aquecimento-Mudan%C3%A7as-Clim%C3%A1ticas-Est%C3%A3o-Enganando/dp/8569495005/ref=zg_bs_g_7874341011_d_sccl_37/131-5737661-3349009?psc=1



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sábado, 21 de dezembro de 2024

Aquecimento Global Catastrófico: Ciência, Política ou Ideologia?

Roberto Lobo *

Recebi um convite de um colega para comentar um artigo que faz uma extrapolação dos níveis de CO
2 na atmosfera para períodos muito anteriores à nossa época. Certamente a intenção desse colega foi a de provocar minha reação diante da evidência de que a quantidade de CO2 na atmosfera, medida para épocas remotas, oscila muito e indica, em algumas delas, concentrações muito superiores desse gás àquelas que temos hoje em dia. Apesar de haver muitos outros fatores envolvidos, a quantidade de gás carbônico e a temperatura da Terra têm forte correlação na história de nosso planeta, embora a relação direta de causalidade seja, aparentemente, complexa.

Esta relação do CO
2 com o efeito estufa e sua influência no aquecimento do planeta já havia sido proposta há dois séculos por pesquisadores como Tyndall, Watt, Fourier, etc. Provavelmente, a provocação foi motivada por comentários que emiti sobre o que considero o exagero do "pânico generalizado com o aquecimento global".

Esse tema foi lançado com estardalhaço na sociedade a partir do documentário com Al Gore, "Uma Verdade Inconveniente", de 2007. Al Gore foi vice-presidente de Bill Clinton e candidato à presidência dos EUA em 2000, tendo sido derrotado por George Bush em uma discutida apuração no estado americano da Flórida.

O documentário levou o político americano novamente para as manchetes e gerou inúmeros convites para conferências que fez sobre o tema que o fizeram ser escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz no mesmo ano. Gore, um parlamentar ambientalista, reuniu evidências científicas sobre a modificação do clima da Terra pela ação humana, principalmente na era industrial, e extrapolou estes dados para o futuro, gerando um clima de urgência, pânico e profundo sentimento de culpa em grande parte da humanidade, na mesma época em que crescia, na mesma época, um sentimento de revolta na sociedade contra preconceitos e discriminações. O rancor latente foi em parte orientado contra os "poluidores" do ambiente e contra as grandes indústrias petrolíferas. O assunto transbordou a área das ciências do clima e se tornou uma bandeira social e uma arma de luta política e ideológica. Embora a exagerada poluição seja um mal para o nosso bem-estar e o combate a ela, feito de forma equilibrada e avaliado constantemente em sua eficácia, deva ser uma política de estado, as extrapolações de Al Gore criaram previsões catastróficas no curto prazo, mobilizando órgãos nacionais e internacionais que investiram grandes recursos no financiamento de pesquisas voltadas ao estudo do previsto aquecimento global. Houve a perigosa mistura de política, ciência, oportunismo e interesses econômicos de todo tipo.

A grande maioria da imprensa, que adotava teses progressistas de inclusão social, abraçaram cegamente as teses de Al Gore: "fora as indústrias petrolíferas!", "fora a derrubada de florestas!", "fora produtos que se valessem do comprometimento do meio ambiente!", etc. Desde o início deste movimento, houve várias denúncias de que dados estivessem sendo "ajeitados" para comprovarem as teses de Al Gore. Nem todos, no entanto. A poluição gerada pela industrialização é verdadeira. CO
2 gera o efeito estufa, mesmo!

Está havendo, realmente, redução de gelo em partes do planeta. As atividades humanas vêm causando um aquecimento extra no clima da Terra. A questão que aponto é a escala de tempo e as proporções previstas sem considerar outras variáveis. Um exemplo: é bem sabido que a população da Terra vem aumentando rapidamente, como previsto por Malthus, mas embora exista miséria e fome, não há uma fome generalizada, sendo as crises alimentares restritas a regiões mais pobres do globo. A tecnologia aumentou a produção de alimentos em escalas inimagináveis nos tempos de Malthus. Hoje, não é tanto a produção de alimentos o problema, mas sua distribuição desigual. A tecnologia superou a estatística.

Outro exemplo: se a população apresentasse o mesmo crescimento ocorrido nos últimos 200 anos, e continuássemos a contar com o cavalo como nosso principal meio de transporte, nossas cidades estariam imundas e malcheirosas pelas fezes equinas, mas veio Henry Ford, que no brindou com os automóveis, solução maravilhosa, que trouxe, como em tudo na vida, sua contrapartida negativa - a poluição da queima do petróleo. E assim caminha a humanidade... sempre encontrando novas soluções para seus problemas e gerando outros problemas como subprodutos. Para confirmar suas pregações, os defensores do aquecimento catastrófico utilizam muitas vezes gráficos e estatísticas que, embora não estejam erradas, apresentam somente uma parte da realidade, parte essa que é extrapolada para o futuro pintando um cenário ainda mais dramático.

Isso quer dizer, por exemplo, que se um fenômeno que oscila ao longo do tempo for apresentado somente no trecho crescente e continuado a partir daí, se terá a impressão de que ele crescerá indefinidamente; se um parâmetro que varia do valor 1 para 2 for ligado em um gráfico linear, dependendo das escalas dos eixos horizontal e vertical ele pode parecer fortemente crescente (quase vertical) se a escala horizontal for reduzida, ou quase estacionário (quase horizontal), se ela for estendida. Ou seja, a forma de apresentar uma escala induz a uma certa conclusão, em especial aos leigos.

Há ainda a recordar o fato de que o clima é basicamente um fenômeno termodinâmico, a ciência que lida com o calor, e suas equações usam a escala Kelvin, que tem a mesma gradação da escala Celsius, mas cujo zero se situa a aproximadamente -173ºC. O calor emitido ou absorvido por um corpo, como a Terra, é medido nestas unidades. A temperatura de 33ºC corresponde a 310ºK. A mesma variação de um grau é uma mudança relativa de 1/310 ou 0,3% na escala Kelvin. Medida em graus Celsius seria uma variação de 1/33, ou 3%, que na escala Celsius parece uma variação grande. A mesma variação de temperatura, dependendo da escala adotada pode dar a impressão ao leigo de ser maior ou menor. A escolha da apresentação pode variar de acordo do que e a quem se pretende convencer. No que diz respeito ao CO
2 e à posição de Al Gore, embora haja bastante verdade no que disse em 2007, muitas previsões, principalmente as mais catastróficas, não se realizaram e muitas não se realizarão tão cedo ou, mesmo, jamais, dependendo de nossa capacidade de inovação tecnológica. Exemplos (dentre outros): 1- "Milhões de pessoas morrerão por causa do calor no futuro próximo". Mas, no caso do aquecimento, muitos deixarão de morrer de frio - atualmente, quatro vezes mais pessoas morrem de frio do que de calor. 2- "Ursos polares estão em extinção" - na verdade, as medidas de proteção aos ursos polares e a proibição da caça fizeram a população destes animais crescer. Hoje existem entre 20 e 30.000 destes lindos animais no Ártico. 3- "Até 2013 haveria 75% de probabilidade de que os oceanos se elevassem a até 7 metros, tornando inabitáveis certas regiões". Na verdade, os oceanos têm subido cerca de 3 mm por ano, o que levaria cerca de um século para aumentar somente cerca de 32 cm. Os cálculos de Al Gore se basearam na hipótese que ele levantou de que, em 2015, não haveria mais neve no Polo Norte no inverno e essa massa de gelo se liquefaria e elevaria o nível dos oceanos, tese que se mostrou claramente equivocada, pelo menos nessa escala de tempo.

Que climatologia é uma ciência complexa, ninguém contesta. Que os modelos matemáticos de previsão são difíceis, também não. Esforços para prever o clima no futuro podem ajudar a sociedade a encontrar formas de minimizar impactos negativos, mas a geração de pânico, como o Aquecimento Global Catastrófico, não vai ajudar a encontrar soluções para os problemas que estão aí e os que ainda virão no futuro. Esta radicalização só tem servido para acirrar a polarização política, colocar no ostracismo cientistas competentes (alguns Prêmio Nobel como Ivar Giaever que, de tão revoltado com a censura política ao debate, abandonou a Sociedade Americana de Física), que, de boa-fé, questionam os atuais modelos e suas extrapolações (muitas vezes incompetentes e maliciosas por uma parcela da imprensa e de alguns cientistas sendo marcados como "negacionistas") e, geralmente, acompanhada de insinuações sobre pagamentos a estes cientistas pela indústria do petróleo. É importante que tenhamos claro que quando se atribui uma alcunha negativa a algum segmento, já se está discriminando seus componentes. A grande imprensa quase sempre desqualifica em seus textos as pessoas que põem em dúvida suas "verdades científicas" que ela segue religiosamente sem sequer saber, de fato, suas origens e o que realmente significam e o que foi incluído, extrapolado ou abandonado nas hipóteses e conclusões.

Como disse o grande físico Freeman Dyson nos primeiros anos deste debate, "O aquecimento moderado poderá contrabalançar seus malefícios, criando campos florescentes na Suécia, na Noruega Islândia e Rússia, além do norte dos EUA e Canadá". A moderação e a objetividade ainda são e sempre serão nossos grandes aliados e, juntamente com a ciência e a tecnologia, vão nos ajudar a construir um futuro melhor para a humanidade.

* o autor é PhD em física pela Purdue University, foi reitor da USP e é presidente do Instituto Lobo

Publicado originalmente no Estadão: https://www.estadao.com.br/educacao/roberto-lobo/aquecimento-global-catastrofico-ciencia-politica-ou-ideologia/

Obs do blogueiro, autor do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?":

A presença de CO2 na atmosfera não causa o aquecimento do planeta, como se fosse um efeito cobertor, um gás de efeito estufa (GEE). Essa foi a hipótese, e não uma teoria, de um cientista irlandês, John Tyndal, em 1859. Ele afirmou que gases como o dióxido de carbono e o metano aprisionam a radiação infravermelha, criando o chamado efeito estufa, hipótese que, por não ter evidências científicas, não se consolidou e foi abandonada por muitos anos, mas os cientistas do IPCC abraçaram a ideia e a "modernizaram" em 2007. Tyndal, em verdade, contrariou o que o francês Jean Baptiste Fourier afirmou, com base em cálculos, que a Terra seria muito mais fria se não existisse a nossa atmosfera. Comprovou-se então que a temperatura média do planeta era de +15ºC. Caso não existisse a atmosfera seria de -18ºC.

 

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terça-feira, 26 de novembro de 2024

Carrefour faz retratação

Richard Jakubaszko

O Grupo Carrefour publicou hoje pela manhã (26/11), o comunicado de retratação após a treta sobre a importação de carne do Mercosul, o que incluía o Brasil, de acordo com nosso post de ontem.

No texto, publicado no site da rede varejista francesa, informa que "lamenta que a nossa comunicação tenha sido interpretada como forma de colocar em causa a qualidade da carne brasileira e a nossa parceria com a agricultura brasileira e uma crítica a ela".

Conforme dirigentes do setor de frigoríficos ouvidos pelo blog, o fornecimento de carne para o Carrefour no Brasil será normalizado após a retratação pública.

Entretanto, não tenhamos dúvidas, novas encrencas virão dentro em breve, enquanto o agronegócio não se posicionar adequadamente frente às questões ambientais.

O Brasil vence mais uma batalha!

 

 

 

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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Crise climática: mundo pode não ter mais volta e isso me apavora

Richard Jakubaszko
O exegeta do clima, mais uma vez ataca. Agora, como colunista do UOL, Carlos Nobre publicou dia 13 de setembro último no site jornalístico o texto abaixo, em que aproveito para, como de costume, retrucar algumas das opiniões desse climatologista adepto do IPCC, ao qual permanece engajado desde o início. Como sempre, faço observações no meio do texto do autor, grafados em vermelho para ficar bem claro. Vamos a elas, portanto:

Crise climática: mundo pode não ter mais volta e isso me apavora

Carlos Nobre

A ciência climática do mundo inteiro não previa uma aceleração tão intensa das mudanças climáticas (Mudanças climáticas demoram séculos para se consolidar, cadê as provas dessa aceleração?) como temos visto recentemente (???). No começo de 2023, os cientistas previram um El Niño (O El Niño não é mudança climática, quando muito é um fenômeno geológico) de grande intensidade, com temperaturas chegando a 1,3ºC acima dos níveis pré-industriais. Mas ninguém esperava que as temperaturas globais fossem explodir e ficar 1,5°C mais quentes.

Com exceção de julho de 2024, estamos desde junho de 2023 vivendo temperaturas acima de 1,5ºC. O último mês de agosto foi o mais quente já registrado. A Terra só viu algo parecido no último período do interglacial, 120 mil anos atrás.

A consequência desses 14 meses de temperatura alta, incluindo os recordes de temperatura dos oceanos, é o aumento dos eventos climáticos extremos (Evento extremo é um furacão, e estes, desde o Katrina, em 2005, não acontecem). Mas eles não cresceram devagarzinho ou de uma forma linear. Eles cresceram exponencialmente, como a ciência previu. E é isso que está acontecendo no Brasil e no mundo inteiro, com ondas de calor, seca, chuvas intensas e incêndios florestais.

O Acordo de Paris e as COPs estabeleceram metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de 28% a 42% até 2030, o que já é um enorme desafio (Reduzir emissões é impossível, a natureza emite 97% do CO2, enquanto as atividades humanas são responsáveis por apenas 3%. Então, como reduzir os GEE em 28% a 42%???). Mas as emissões continuam aumentando. Tudo isso foi definido para não passarmos de 1,5ºC em 2050. Mas se no ano que vem continuarmos com temperaturas 1,5ºC acima do período pré-industrial, serão três anos com temperaturas acima da meta do Acordo de Paris. Pode ser tarde demais e isso me apavora. (Tome um chá de camomila, Carlos Nobre, como diria o venezuelano Maduro)

Estou apavorado porque, com 2,5ºC, nós vamos criar (o ser humano não é tão poderoso, Carlos Nobre) uma mudança climática nunca vista. Com 2,5ºC, os eventos extremos vão aumentar muito exponencialmente e o mais preocupante é que atingiremos os chamados pontos de não retorno.

Se passarmos de 2ºC, todos os recifes de coral do mundo serão extintos (Mas né não Carlos Nobre? - como vc gosta de um alarmismo). Se passarmos de 2,5ºC, vamos perder de 50% a 70% da Amazônia e grande quantidade do solo congelado da Sibéria, do Canadá e do Alasca, o chamado permafrost, será descongelado. Com isso, vamos jogar uma gigantesca quantidade de gases de efeito estufa que estão ali aprisionados.

Na semana passada, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o Brasil pode perder o Pantanal por completo até o fim deste século se o mundo não for capaz de reverter o cenário de aquecimento global.

Como isso aconteceria? Grande parte da água que abastece o Pantanal vem da bacia amazônica e do Cerrado. Se ultrapassarmos 2,5ºC de aquecimento, a Amazônia será devastada, o que reduzirá significativamente as chuvas na região do Pantanal. Sem essa umidade, o bioma pode se transformar em uma caatinga. E isso já vem acontecendo. O prolongamento das estações secas já resultou em 35% do Pantanal deixando de ficar coberto por água nos últimos 40 anos.

Quando analisamos alguns países, especialmente na Ásia e em partes da Europa, vemos que eles estão adotando medidas eficazes para lidar com as mudanças climáticas (Quais são essas neddidas, Nobre? Não vi nenhuma. Reduzir rebanho bovino de leite? Proibir fertilizantes nitrogenados?). Um exemplo notável é Singapura, que implementou o conceito de "esponja urbana", que envolve a restauração florestal nas áreas urbanas e periféricas, que reduz a temperatura e ajuda a mitigar desastres climáticos. O Brasil também tem potencial para implementar essas medidas.

Em São Paulo, por exemplo, a área urbana, com muito concreto e asfalto, pode ser de 6ºC a 10,5ºC mais quente do que áreas cobertas pela Mata Atlântica próximas, como o Parque Zoológico. (Sempre foi assim, Nobre, essa diferença existe há mais de 1 século, para de querer assustar as crianças...)

Estudos da USP mostram que a restauração da vegetação urbana pode reduzir as temperaturas em até 5ºC, reter água no solo, diminuir enxurradas e remover de 20% a 30% dos poluentes. (Isso é verdade, reconheço). Além disso, melhora o microclima e, consequentemente, a saúde, já que ondas de calor são um dos maiores riscos climáticos.

No entanto, se falharmos em reduzir drasticamente as emissões, poderemos enfrentar um cenário extremo. Se a temperatura global aumentar em 4ºC até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável, especialmente as regiões tropicais e equatoriais. Isso incluiria vastas regiões do Brasil, especialmente as áreas tropicais e equatoriais. No Sudeste, os verões seriam tão extremos que viver ali seria insustentável. (Não exagera no alarmismo, Nobre. Essa insistência é neurótica)

A situação seria tão drástica que, no século 21, as únicas áreas habitáveis no mundo seriam regiões como o Ártico, a Antártica e as grandes cadeias montanhosas, como os Alpes e o Himalaia. Esse cenário nos mostra a gravidade da crise climática e o quanto é urgente zerar as emissões de carbono rapidamente, para evitar esse futuro quase inacreditável.

Ações mais rigorosas para combater as mudanças climáticas (A expressão "mudanças climáticas" é o termo preferido pelo IPCC, para não entrar na questão da mentira do aquecimento, já que este não pode ser provado, como quer agora esse autor) são urgentes. Sem medidas imediatas e eficazes, estamos caminhando para um futuro em que vastas regiões do planeta poderão se tornar inabitáveis, com impactos profundos para a vida. Não podemos em hipótese alguma aceitar passar de 2ºC e chegar a 2,5ºC. As metas de redução das emissões têm que ser muito mais rigorosas e abrangentes. Não podemos esperar até 2050. (Se o leitor ficou com dúvidas, leia meu livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?")

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