sexta-feira, 23 de junho de 2017

Chico Buarque: vai passar...

Richard Jakubaszko 
Chico Buarque comemorou 73 anos dia 19 de junho último. Já estava no ar o documentário abaixo, de pouco mais de 1 hora, onde Chico lembra em vários depoimentos o que foi a ditadura, associando isso com suas músicas daquela época e outras que vieram depois.
Vale a pena assistir, não apenas pelas músicas de Chico, mas para saber o que foi a ditadura brasileira de 1964 a 1984, apesar de ser uma amostra grátis daquela tragédia brasileira, e bem pequena, coisa que muito brasileiros hoje com quase 40 anos de idade não têm a mínima ideia do que foi e do que sofreram os brasileiros com o regime militar.


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Acordo do Clima de Paris não vai mudar nada

Richard Jakubaszko  
Quem diz isso, no vídeo abaixo, é o insuspeito Bjorn Lomborg, ambientalista dinamarquês, presidente do Copenhagen Consensus Center, que aplaudiu a iniciativa do presidente americano Donald Trump ao retirar os EUA do Acordo de Paris. Como estudioso do assunto, e coautor do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", fico entusiasmado e bato palmas para Bjorn Lomborg.
O vídeo (em inglês) está legendado. 

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Aécio: vamos tirar o PT do governo!

Richard Jakubaszko  
Viu só no que é que deu a raiva do mineirinho? Aécio ajudou a derrubar o PT e Dilma. Colocaram lá Michel Temer e sua quadrilha.
A gente brasileira tá cansada de tanto discurso vazio.
Diretas já, pelo amor de Deus!

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Joesley e a Globo

Leandro Fortes *
A Globo capturou as manifestações de 2013 e as colocou em sua grade de programação – com agendas e transmissões ao vivo – para fazer daquelas “jornadas” o primeiro movimento manipulado de massas com vistas a tirar o PT do poder.

Deu no que deu: em três anos, ajudou a colocar essa quadrilha chefiada por Michel Temer no Palácio do Planalto. Exatamente como fez, em 1989, quando usou seu poder de monopólio para colocar, no mesmo lugar, outra quadrilha, a de Fernando Collor de Mello.

Agora, como no caso de Collor, anuncia um desembarque triunfante, entregando Temer aos leões, mas com o cuidado recorrente de se tornar dona do processo para que, como de costume, as coisas possam mudar de tal forma que permaneçam da mesma forma que estão.

Essa entrevista de Joesley Batista à revista Época, como tudo que vem do esgoto global, tem que ser observada com muito cuidado, justamente porque nada, ali, acontece por acaso.

Não tenho a intenção de ler as 12 páginas que anunciam ser o depoimento de Joesley Batista, da JBS, à revista impressa. Nem com um vidro de Milanta Plus eu me disponho a uma coisa dessa. Por isso, me atenho ao que foi disponibilizado na internet, o que, imagino, seja o de mais importante da entrevista.

Assim, é bom prestar atenção na manchete de letras garrafais que chama para a publicação:

“Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”.

Pelo que se depreende da entrevista na internet, essa manchete é fruto de um silogismo pedestre. O que está lá é o seguinte, dito por Joesley:

“O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa”.

Sacaram?

Logo na chamada introdutória, o texto supervaloriza a entrevista porque esta teria sido fruto de “semanas de intensas negociações”.

Ora, a notícia da delação de Joesley foi publicada em 17 de maio. Há quatro semanas, portanto. Mesmo que Época tivesse entrado em contato com o empresário no minuto seguinte ao furo de O Globo, essa valorização já seria ridícula.

Por isso, algo me diz que as negociações podem até terem sido intensas, mas longe do conceito tradicional de persuasão jornalística.

Também, lá pelas tantas, Época informa aos leitores que, segundo Joesley, “o PT de Lula ‘institucionalizou’ a corrupção no Brasil”.

Bom, pode ser que nas intermináveis 12 páginas disponíveis nas bancas tenha algo mais sólido, a respeito. Mas o que tem na entrevista disponibilizada, no site da Época, é o seguinte, dito por Joesley:

“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões”.

Ou seja, Joesley Batista tem um problema grave de metodologia, quando se trata de dar propina ao PT. Na delação formal, diz que abriu uma conta na Suíça para Dilma e Lula, mas no nome dele. E só ele tem a senha. Agora, revela que o PT “mandou dar dinheiro” para os senadores do PMDB. E acha (!) que eram R$ 35 milhões (!!).

O repórter, simplesmente, não pergunta quem do PT deu a ordem de dar dinheiro, nem quem eram os senadores do PMDB que o receberam. Nem por curiosidade.

Mais adiante, Joesley revela que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, pediu R$ 5 milhões para evitar uma CPI contra a JBS. Segundo Cunha, esse era o valor oferecido por uma empresa concorrente de Joesley para a tal CPI ser aberta.

Qual era a concorrente? Nenhuma pergunta a respeito.

Na mesma linha, segundo Joesley, o operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro, fazia a mesma coisa. Colocava-se para barrar requerimentos de CPIs na Câmara, mas o empresário descobriu que era “algum deputado”, a mando de Funaro, que protocolava as ações.

Quem era um desses deputados pagos por Lúcio Funaro? Nenhuma pergunta a respeito.

Além disso, o repórter incrivelmente não se interessou em perguntar a razão de a JBS ter dado R$ 2,1 milhões a Gilmar Mendes, a título de patrocínio de uma faculdade da qual o ministro do STF é sócio.

A não ser que essa pergunta esteja nas tais 12 páginas, estamos diante de um lapso jornalístico bastante curioso.

Então, é o seguinte.
A Globo decidiu capturar, também, o #ForaTemer, depois de ter sido a protagonista do golpe que colocou essa gente no poder. Por isso, mantém Joesley Batista acorrentado a si.

Quer, outra vez, estar à frente do processo de sucessão presidencial para manter seus negócios e interesses intocados. Para isso, precisa de um presidente eleito indiretamente por esse Congresso vil e repugnante resultado, justamente, das tais jornadas de 2013.

Joesley Batista, ao que parece, é o novo Pedro Collor, o irmão-delator que a Veja usou para derrubar o “caçador de marajás” que ela ajudou a criar junto com a Globo – e que foi enterrado pelas duas com a mesma desfaçatez com que pretendem se livrar, agora, de Michel Temer.

* o autor é jornalista.
Reproduzido do blog Cafezinho: http://www.ocafezinho.com/2017/06/17/leandro-fortes-globo-usa-joesley-para-capturar-o-foratemer/

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sábado, 17 de junho de 2017

Faculdade Pitágoras: a nova meca dos céticos ambientalistas

Richard Jakubaszko 
Parabéns ao Fabrício Fernandes, estudante do último ano da Engenharia Ambiental da Faculdade Pitágoras, de Governador Valadares (MG), pela apresentação da sua TCC (Tese de Conclusão de Curso), orientado pela professora Andiara Assis, e que desconstrói a grande mentira do aquecimento e das mudanças climáticas.
Me senti orgulhoso de ter exercido influência junto ao Fabrício, que leu meu livro, o "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", e vai usar a obra como uma das referências do seu TCC. O trabalho acadêmico e curricular de Fabrício Fernandes, com certeza, pode se tornar mais uma das referências nesse tema, que anda muito rarefeito de estudos acadêmicos e científicos, pois as academias exercem uma censura severa aos céticos ambientalistas.
No vídeo a mensagem:

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

O longo sangramento do Brasil

Fernando Brito *
Já está claro que o Brasil seguirá, por um bom (ou mau, aliás) tempo sangrando e paralisado.

Ciente que o controle de Michel Temer sobre a mixórdia parlamentar que impera na Câmara dos Deputados, Rodrigo Janot “fatiará” as denúncias contra Michel Temer, ao mesmo tempo em que acelera os inquéritos sobre o seu entorno político.

Na Folha, o Painel diz que o “time” de Janot ” faz planos para impedir que Michel Temer consiga ganhar fôlego no Congresso após a apresentação da primeira denúncia contra o peemedebista, na próxima semana. O grupo estuda entregar ao Supremo um segundo pedido de ação penal contra o presidente antes mesmo de a Câmara decidir pela aceitação ou não da queixa inicial”.

Não se sabe até quando o mercado financeiro vai sustentar a farsa de fingir que não vê o que qualquer um sabe: uma economia já extremamente debilitada não pode permanecer estável em meio a uma tremenda crise política.

Mas vamos continuar brincando de bangue-bangue, com os nossos delegados federais promovendo tiroteios na rua principal.

Haverá bala perdida para todo lado.

E, quem sabe, durante muito tempo, uma cidade-fantasma, onde a desolação é o único cenário.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-longo-sangramento-do-brasil/

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lula e Aécio no mesmo time de futebol...

Richard Jakubaszko 


O fato aconteceu nos anos 1980, mais precisamente, em 1988, quando a foto acima foi feita. Os dois jogavam futebol juntos toda semana, no campo de futebol do Corpo de Bombeiros, em Brasília.
Lula era lateral-esquerdo e o mais animado da turma, enquanto Aécio atuava no meio-campo. Imagine esses dois fazendo combinações pelo lado esquerdo.
A "pelada" era chamada de "Futebol da Constituinte". Imagina só essa turma marcando pelada...  Além da dupla, vários outros personagens da política brasileira participavam da brincadeira.

Na foto é possível ver.
Em pé, da esquerda para a direita: Maguito Vilela (GO), José Richa, Antonio Patriota (PE), duas pessoas não identificadas, Luiz Alberto Rodrigues, Lula, Cássio Cunha Lima (PB), Eduardo Jorge, outro não identificado e Paulo Delgado.
Agachados: Lysâneas Maciel (RJ), Luiz Gushiken (SP), morto em 2013, Lézio Sathler (ES), Valmir Campelo (DF), Aécio Neves (MG), dois não identificados, Vitor Buaiz (ES) e outra pessoa não identificada.
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tatoo na testa? Agora é moda...

Richard Jakubaszko  
Todo mundo viu, né? O moleque que foi tatuado na testa com a frase "Sou ladrão". Em tempos de direitos humanos, parece que voltamos ao medievalesco...
Mas os memes proliferam, e todo dia vira sábado de Aleluia, cada um massacrando seu Judas preferido. Desta vez, foi o Aécim... Hilário, porque o currículo é longo...
Meme foi enviado pelo amigo Gerson Machado, de algum lugar do planeta, mais possivelmente das Minas Gerais
  

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que escrever em sua lápide se você é...



Hélio Casale *

AÉCIO
Enfim, pó!
 
ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
Travou tudo

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.


ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

BROTHER
Fui.

DELEGADO
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

DILMA
Foi golpe!!!

LULA
O túmulo é de um amigo meu.

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

HIPOCONDRÍACO
Eu não disse que estava doente?

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JUDEU
Quem está tomando conta do lojinha?

PESSIMISTA
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

FUNCIONÁRIO DA CAIXA
Vem pra Caixa você também, vem!

O ADVOGADO
Disseram que morri... Mas ainda cabe recurso... Vou recorrer!!!

* o autor é engenheiro agrônomo, cafeicultor nas Minas Gerais, e um grande gozador.
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sábado, 10 de junho de 2017

Se político fosse boi...

Richard Jakubaszko   
Tenho alguns políticos como amigos, alguns são honestíssimos, outros nem tanto, mas se fossem como bois, conforme o mineiro aí embaixo, a gente arresolvia, fácil, fácil... É que não adianta mais vacinar...

 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O micróbio macróbio ou a sobrevida de um morto

Fernando Brito *

Os portais de notícias antecipam que a conclusão do festival de vaidades e propagandismo do julgamento do TSE será, por 4 votos a três, pela improcedência da ação de cassação da chapa.

Talvez seja, como se dizia antigamente, a “visita da saúde” de Michel Temer, nome que se dava a uma inexplicável melhora do paciente que, em poucos dias, “bateria as botas”. Ou, como se diz na piedosa linguagem dos que andam pela minha idade, “evoluiria a óbito”.

Por maior que seja o controle e a influência de Temer, sob as asas de Gilmar Mendes, num tribunal que, pudesse condenar Dilma Rousseff e inocentá-lo, teria um resultado de “100” a zero, porque imolar um eleito nada é, pra eles, perto do destituir um poderoso da sua própria grei.

Vai durar pouco, se é que está durando, com esta história torpe do jatinho de Joesley, a alegria do ocupante do Planalto.

De início, alguns de boa-vontade achavam apenas que tinham elevado à Presidência um macróbio, que, embora desajustado dos novos tempos e demandas da sociedade, faria apenas a política convencional do conservadorismo. As suas pompas, mesóclises e fogosos apetites sobre a juventude e beleza entravam apenas no figurino comum de inaceitação do outono.

Rapidamente, desde que começaram as revelações sobre a quadrilha que o contornou e acompanhou ao Planalto, e agora completamente com o comportamento de gangster exibido no caso JBS, conclui-se que o macróbio era, apenas, um micróbio, que não tem estatura para ser mais do que um dos muitos deputados fisiológicos que abundam em nosso parlamento, um pequeno verme destes que caruncham os negócios da política.

A bactéria moral que nos preside, porém, não sobrevive à luz por muito tempo. Pior, porque está servindo de razão para o violento ataque de parasitas policiais-judiciais, que se servem da baixa imunológica da democracia e das liberdades para se adonarem do organismo da nação.

Temer, que todos sabiam pequeno, mas que se imaginava imenso, revelou-se minúsculo, microscópico.

O Brasil, que ele disse que uniria, está inapelavelmente dividido, unido, quase todo, apenas no desejo de livrar-se dele.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço,

Publicado originalmente no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-microbio-macrobio-ou-sobrevida-de-um-morto/

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Inventamos o presidencialismo sem presidente. E sob ele navegamos à deriva

Luís Costa Pinto *
Poucas vezes fora da excepcionalidade da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988 assistimos ao Congresso Nacional trabalhar tão intensamente como na semana passada. Raras vezes os parlamentares brasileiros impuseram às Mesas Diretoras das duas Casas Legislativas o ritmo frenético de fazê-las aprovar seis, sete medidas provisórias num único dia em que as comissões temáticas e especiais também funcionaram. Esta semana não será diferente. É provável que os presidentes da Câmara e do Senado, em meio a rol inédito de legislações mais e menos relevantes, aprovem até um novo rito de tramitação de medidas provisórias destinado a impor limites ao Poder Executivo na facilidade com que ocupantes do Palácio do Planalto acionam o dispositivo que deveria ser extraordinário. De quebra, dificultariam a subida de jabutis ao topo das MPs. Dá-se o nome de jabutis a artigos e temas estranhos ao assunto original das medidas, introduzidos por legisladores no curso da tramitação.

Poder não conhece vácuo. Se conhecesse, seu nome seria desordem. Em razão disso, a explicação para o furor legisferante por que passa a Capital da República desde que a divulgação das gravações de Michel Temer com Joesley Batista, dia 17 de maio, promoveu o sequestro da autoridade governamental tornando o chefe de governo refém de fatos que não domina: o poder real se deslocou, em Brasília, para os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e da Procuradoria Geral da República.

Não há mais agenda de reformas “do governo”. Há reformas constitucionais que foram enviadas pela equipe de governo ao Parlamento, como a trabalhista e a da Previdência Social, que a essa altura já foram tão dramaticamente esquadrinhadas e reescritas que não são mais propriedade intelectual de ninguém na Esplanada nem no Palácio do Planalto. Além dessas duas, Câmara e Senado impuseram a Reforma Política e um arremedo de Reforma Tributária. Contra a vontade do Planalto, os presidentes da Câmara e do Senado abriram interlocução direta com governadores e renegociam dívidas estaduais. Esta semana os senadores devem iniciar discussão em torno de um novo modelo de ISS.

Quem selou a sorte do ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio, trocado pelo advogado Torquato Jardim, não foi nenhuma ideia inspiradora do chefe de governo. Ao menos dois parlamentares procuraram Temer entre a noite de sexta-feira, dia 26/5, e a manhã do domingo, dia 28/5, para exigir dele a demissão de Serraglio. O motivo: inapetência para o cargo e incompetência ante os subordinados. Esses mesmos conselheiros, contudo, coraram ao saber da surpreendente decisão de remover o ex-ministro da Justiça para o “ministério da Transparência”, nome pomposo dado à velha Corregedoria Geral da União que sempre funcionou a contento. Informados da troca, resignaram-se a fazer leve advertência de que daria marola. Está dando.

Encurralado pelas denúncias que se avolumam contra si e contra sua equipe, Michel Temer não tem muito tempo para cuidar dos assuntos de governo. A Reforma da Previdência, antes vendida como pedra de toque do redirecionamento da economia, saiu do controle do Executivo. É hoje, muito mais, uma agenda imposta pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ao seu colegiado do que prioridade palaciana. A Reforma Política tem sido tema tratado com maior denodo pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, do que pelo demitido do ministério da Justiça – a quem cabia a condução dos debates iniciais sobre o tema.

Se ao Congresso tem caído bem o protagonismo das ações de governo real, ao Judiciário reserva-se o papel de ator central nos fatos que podem emparedar de vez a gestão de Temer – transformando-o, ou não, em nota ou verbete de enciclopédia de História.

A partir do dia 6 de junho o TSE será dono do cronômetro que demarcará o prazo desse governo. Já nos próximos dias o plenário do Supremo Tribunal Federal decide sobre a manutenção ou a interrupção dos inquéritos contra o chefe de governo. E o Ministério Público tem em mãos um arsenal completo de variados calibres para seguir bombardeando ou estancar o fogo contra o Planalto. Cavada a trincheira na aresta norte da Praça dos Três Poderes, os palacianos só se defendem. Não conseguem ter proatividade nem no flanco judicial, nem no flanco legislativo.

Nação peculiar que contempla um obelisco espetar a paisagem de sua maior metrópole, São Paulo, sabendo-o dedicado a uma derrota – a dos rebeldes constitucionalistas de 1932 –, caso único no mundo em que se ergue tal monumento para celebrar uma revolução perdida, o Brasil tratou de consignar novas bizarrices em sua biografia de Estado singular.

Já tivemos um imperador, Dom Pedro 2º, celebrado no New York Times, ao ser derrubado, como “um monarca democrata” e “o mais republicano dos chefes de Estado da América do Sul” (o Brasil era, como se sabe, a única monarquia do subcontinente). Agora, Osmar Serraglio, investigado na Operação Carne Fraca e gravado pela Polícia Federal que comandava, vira “ministro da Transparência” a fim de segurar no mandato parlamentar (e com o foro privilegiado) o deputado Rodrigo Rocha Loures, flagrado em corrida desabalada com mala contendo R$ 500 mil – depois devolvida à PF com apenas R$ 465 mil. Os fatos mantiveram Serraglio na equipe de governo: na lógica dos palacianos, demiti-lo seria um desastre não para o país, mas para a estratégia de defesa da intrépida trupe.

Se um governante já não expressa suas vontades por meio do governo, se a Nação caminha à revelia daquilo que emana do Palácio, urge concluir que inventamos o Presidencialismo sem presidente e sob ele navegamos à deriva.

* o autor é jornalista.

Publicado originalmente no Poder360: http://www.poder360.com.br/opiniao/opiniao/inventamos-o-presidencialismo-sem-presidente-e-sob-ele-navegamos-a-deriva/
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