sábado, 20 de julho de 2019

Bolsonaro: a Amazônia é do Brasil, não é de vocês.

Richard Jakubaszko 


Não votei em Bolsonaro para Presidente do Brasil, não concordo com a maioria das opiniões dele e de seus ministros. Quem me conhece sabe disso, aqui mesmo no blog tenho feito inúmeras críticas a ele e ao seu governo.


Bolsonaro é tosco, despreparado para as funções que exerce, racista, grosseiro, e tem fixação ideológica absolutamente incoerente.

Hoje, porém, ele merece meu mais entusiasmado aplauso só pela resposta dada ao jornalista estrangeiro, engajado na questão ambiental, que queria encurralar Bolsonaro com a questão da Amazônia, durante conversa do presidente com a imprensa internacional. O jornalista levou uma inesperada chapuletada na orelha. Bolsonaro não foi submisso com a imprensa, apesar de saber que a questão ambiental é um dogma de toda a mídia, especialmente a nossa mídia nativa.

Assistam para ver como foi, e, depois, se desejarem saber as razões de Bolsonaro nessa questão, se preparem para comprar e ler o “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, de minha autoria, pois vem aí a 2ª edição dessa obra, ampliada e revista.


Nesse ponto, na questão ambiental e da Amazônia, com alguns senões, é evidente, concordo plenamente com Bolsonaro. Aliás, saibam que fui o pioneiro em falar sobre o ponto levantado por Bolsonaro, de que ONGs e diversos países se preparam para tornar boa parte da Amazônia área internacional, ou seja, vão tentar tomar a Amazônia de todos nós.

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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Ilhas Marshall são 10 vezes mais radioativas do que Chernobyl devido a testes nucleares dos EUA

Richard Jakubaszko  
Mais de 50 anos após o governo americano ter cessado os testes de armas nucleares, várias das ilhas Marshall ainda são muito radioativas e inadequadas para habitação, de acordo com um novo relatório científico.

No período entre 1946 e 1958, após a Segunda Guerra Mundial, Washington testou 67 armas nucleares em diferentes zonas das ilhas Marshall - uma cadeia de ilhas vulcânicas e atóis no oceano Pacífico central, entre o Havaí e as Filipinas.

Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Columbia descobriu que partes das ilhas continham muito mais radiação do que a terra contaminada pelo desastre de Chernobyl.

Os atóis de Bikini e Enewetak foram usados para testes nucleares, resultando em uma "contaminação ambiental sem precedentes" e efeitos adversos para a saúde dos povos indígenas que vivem nas ilhas, de acordo com o estudo feito por pesquisadores da Universidade de Columbia (EUA).

Além disso, as pessoas que viviam nos atóis Rongelap e Utirik também experimentaram efeitos negativos para a saúde devido à precipitação radioativa do teste nuclear Bravo, realizado pelos EUA em 1º de março de 1954.

No total, foram testadas amostras de solo de nove ilhas para verificar os níveis de radiação, além de também terem sido analisadas as concentrações de elementos químicos radioativos, incluindo amerício-241, césio-137, plutônio-238 e plutônio-239.240 no solo de 11 ilhas.

Os resultados, publicados na segunda-feira (15) na revista PNAS, revelam que há níveis elevados de radiação gama na ilha de Enjebi, e uma das duas amostras de solo coletadas na ilha tinha altas concentrações de elementos químicos radioativos, com os níveis de césio-137 e plutônio-238 sendo superiores aos limites de segurança. A ilha de Runit também possui "níveis significativos" de concentrações de elementos químicos radioativos.
Preocupação real

"Nossos resultados sugerem que as pessoas que vivem atualmente no sul de Enewetak não são susceptíveis a uma exposição significativa à radiação nuclear. No entanto, a presença de isótopos radioativos na ilha de Runit é uma preocupação real, e os moradores devem ser alertados contra qualquer uso da ilha", observa o estudo. 


Teste de bomba atômica subaquática realizado pelos EUA no atol Bikini em 1946, nas Ilhas Marshall, Micronésia.
FOTO: MARINHA DO GOVERNO DOS EU
Ao testar o solo em busca de plutônio-239 e -240, os pesquisadores descobriram que algumas das ilhas tinham níveis entre 10 e 1.000 vezes superiores aos de Fukushima (onde um terremoto e tsunami levaram ao vazamento de radiação da planta nuclear) e cerca de 10 vezes superiores aos níveis da zona de exclusão de Chernobyl.

Os cientistas também revelaram ter encontrado "níveis de radiação gama muito elevados" e "concentrações elevadas" de amerício-241, césio-137 e plutônio-239,240 na ilha de Bikini – níveis considerados até três vezes maiores do que em amostras de solo da reserva da Polésia, na Bielorrússia (reserva criada para abranger o território da Bielorrússia mais afetado pela precipitação radioativa da catástrofe de Chernobyl), e até 150 vezes maior do que amostras de solo do Rocky Flats Environmental Technology Site, no Colorado (área criada como parte do complexo nacional de armas nucleares americanas para fabricar componentes de armamento radioativo).


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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Assistir pornografia produz tanta emissão de dióxido de carbono quanto países inteiros

Richard Jakubaszko
A gente se depara com tanta imbecilidade sem importância social publicada na blogosfera que acabamos não dando a devida importância às maiores imbecilidades, e que representam enorme influência na sociedade, especialmente nos jovens, despreparados para enfrentar ou contestar essas falácias. Pois o título deste post diz muito sobre como anda a neurose ambiental, já que algum purista moralista resolveu investir na crítica aos vídeos pornôs, porque eles provocariam a emissão de dióxido de carbono, tanto quanto países inteiros.


Na falta de assunto o articulista apoiou-se numa pesquisa realizada na França, mostra alguns números estatísticos de vídeos pornôs, e ao final, de forma politicamente correta, dissimula seu moralismo ao opinar que não é o fato de ser contra ou a favor do uso de vídeos, e adverte que as pessoas têm de fazer uma espécie de "escolha de Sofia", porque podem aparecer restrições aos tais vídeos e às nossas vontades...

Abaixo o texto da notícia, que é impagável, porque pretende ser séria e responsável.


Pesquisa
A tecnologia digital tem um impacto ambiental invisível, mas os pesquisadores sugerem que ela pode ser muito, muito importante, então é melhor você tirar as mãos do laptop se não quiser ser um criminoso climático.


Assistir a filmes adultos representa mais de 4% de todas as emissões de dióxido de carbono associadas às tecnologias digitais, diz um novo estudo.

“Crise climática: O uso insustentável do vídeo online”, um relatório publicado pelo instituto de pesquisa francês The Shift Project, destaca que a pornografia representa 27% de todos os vídeos vistos on-line.

Além disso, os vídeos online - uma das formas mais comuns de entretenimento online - geram 60% do tráfego mundial de dados, com base nas estimativas de 2018.

Em outras palavras, isso significa que eles respondem por 300 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano (resultantes do consumo de energia), com a emissão de pornografia pouco abaixo de 100 milhões de toneladas - quase tanto quanto a Bélgica e o Kuwait.

Os autores apontam que “ver vídeos pornográficos no mundo em 2018 gerou emissões de carbono da mesma magnitude que a do setor residencial na França”.

Enquanto isso, os serviços de vídeo sob demanda, como Netflix ou Amazon Prime, geraram o mesmo volume de emissões de gases de efeito estufa que toda a economia do Chile.

Estima-se que as tecnologias digitais consumam 9% a mais de energia a cada ano, mas a situação só vai piorar com a disseminação mais ampla de vídeos de resolução cada vez maior.

Os autores propõem praticar a "sobriedade digital" - ou seja, reduzir o uso e o tamanho dos vídeos. Isso exigiria a implementação de certos regulamentos, que deveriam ser precedidos de um debate público.

Eles escrevem: “Do ponto de vista da mudança climática e outros limites planetários, não é uma questão de ser “a favor” ou “contra” pornografia, telemedicina, Netflix ou e-mails: o desafio é evitar um uso considerado precioso de ser prejudicado pelo consumo excessivo de outro uso considerado menos essencial. Isso faz com que seja uma escolha social ser arbitrada coletivamente para evitar a imposição de restrições aos nossos usos contra nossa vontade e às nossas custas”. 

Publicada originalmente em:  


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terça-feira, 16 de julho de 2019

Lavouras do futuro

Richard Jakubaszko      
Como será a agricultura daqui a 10 ou 20 anos? Há uma evolução constante, na produção e nos consumidores, e o produtor deve analisar as opções.

Para entender, ou projetar essa perspectiva, é fácil. Analisemos como era há 30 anos, quando se produzia no Brasil de 25 a 30 sacos de soja/ha, em média. Os ganhadores de concursos de produtividade obtinham de 40 a 50 sc/ha, e todo mundo vivia feliz, obtendo lucros de acordo com seus investimentos em tecnologias da época.

Hoje, com as tecnologia existentes, que não existiam no século passado, como agricultura de precisão, sementes transgênicas, controle biológico, biofertilizantes, defensivos mais eficientes, a produtividade média anda na casa dos 50 a 55 sc/ha, e os ganhadores de concursos de produtividade já ultrapassaram a média de 100 sc/ha.

O que isso quer dizer? Significa que hoje, se um produtor de soja tem produção inferior a 40 sc/ha de soja é prejuízo na certa. Especialmente aqueles com área de plantio inferior a 100 ha. Ou seja, projetando futuros aumentos de produtividade, e, sabendo que o mercado remunera a soja com base na média, isso exclui do mercado e da produção os produtores com médias inferiores. Nesse sentido o mercado consumidor é tão ou mais perverso do que pragas e doenças ou extremos climáticos. É por isso que os produtores de soja, milho, cana, com áreas inferiores a 100 ha de plantio andam arrendando suas terras para produtores maiores. Eles não obtêm recursos suficientes para comprar sequer uma colheitadeira, por exemplo, e estão sempre em dificuldades para adquirir os agroquímicos mais eficientes quando uma doença ou praga ataca a lavoura, e ainda usam sub doses de fertilizantes, sempre procuram uma gambiarra diante das dificuldades financeiras.

Mas essa estratégia dos produtores pequenos torna ainda mais perversa a situação dos herdeiros, pois essas áreas pequenas serão frações depois de divididas pelo inventário, obrigando até mesmo a venda dessas áreas menores para grande produtores.

Para fugir desse ciclo negativo os produtores com áreas menores deveriam analisar a possibilidade de plantar outras lavouras, especialmente aquelas que permitam obter valor agregado maior, sejam frutas, hortaliças ou os grãos diferenciados, como grão-de-bico, lentilha, milho pipoca. Plantar milho resulta na mesma problemática da soja, a remuneração pela média.

É desta forma que vemos a agricultura brasileira se encaminhando para o futuro, onde os agricultores de menor porte deverão se especializar em outras culturas, e ficar longe das commodities como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e até mesmo feijão, para fugir dessa armadilha do mercado consumidor que sempre força a barra para remunerar o alimento produzido pelo preço mais baixo.

Por isso, especialize-se em culturas alternativas, sejam, flores, produção de condimentos (como salsinha, cebolinha, alecrim, quanto mais diversificado o plantio, melhor), frutas, ou até mesmo batata, tomate, alho ou cebola, mas saiba que estas 4 últimas são lavouras “encardidas” de plantio e manejo, só ganham dinheiro com elas os especialistas, e mesmo assim sob alto investimento por hectare produzido, pois exigem elevados recursos financeiros em altas doses de fertilizantes ou agroquímicos, cujos investimentos chegam a ser de 5 a 20 vezes mais elevados do que soja e milho.

Não estamos, portanto, mandando o produtor pequeno a “plantar batatas”, expressão que entre os urbanos é quase um xingamento, quando se roga uma praga ao outro. Sugerimos mudar, e diversificar a lavoura. Dá mais trabalho, é evidente, mas pode salvar a lavoura.

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Outrora – solidão – descaminhos


Carlos Eduardo Florence *

Por ser todo só outono, como os deuses preferem, em rubro e afeto, até o próprio poente afinado em lá sustenido não saberia como os sonhos se quedariam suaves aguardando o orvalho se desmanchar em motivos sóbrios. Os pequenos descaminhos enfeitaram-se de melancolia, embora as parábolas e os desejos fossem justificados. No contexto caberia a pergunta impertinente, mas coerente, se a lógica da razão poderia ter sido recebida entre uma desavença inútil e assexuada ou seria oportunismo do desvario? Estas questões eternas prepararam sempre as orgias e os cantos das calindas e dos odeneus. As coisas simples não carecem de respostas ou explicações para a alegria dos despautérios saudáveis poder se perder para sempre no inexplicável ou, por osmose, desfazer-se em métricas, quando não brota alvissareira meticulosamente garimpada entre melindres imaturos, colibris mágicos e dúvidas metafísicas. Por atavismo, é questão pura de pragmatismo e método, tanto assim que a vida se deu do nada, por mero susto ou descuido e se espargiu alvissareira imbuída de milagres sem remorsos ou provérbios.

Tais versículos do testamento foram distribuídos por determinações dos odeneus sobre as angústias robustas para entusiasmar a insanidade alegre das calindas esbeltas chegando ao irracional destino. Preocupadas então com o porvir galopando para alcançar o futuro desnorteado e contraditório, não restava nada às calindas, desinibidas, abrirem nos cipoais das dúvidas às pequenas trilhas entre os prováveis e os impossíveis.

Confirmou-se, aos odeneus, salvo engano, que mesmo de longe e apesar dos gestos delicados, a beleza não passava de uma camélia despretensiosa, sem maiores desejos do que ser inodora e beijada pela brisa. Portanto, neste devaneio, entrelaçado somente a duas ansiedades impertinentes e uma metáfora inconsequente, o azul, que nascera da esperança fecundada pelo imponderável, se vestiu calmo de destino, desapegou sem atritos dos preconceitos e rebeldias, se dispôs despreocupado a transcender, com toda euforia que possuía, o talvez e, em sinergia com dois pintassilgos, a excitar as calindas antes das bacanais. Ai, por mais paradoxal que se apresentasse, foram exatamente as reminiscências das mitologias que se puseram a comandar o cosmos, pois os valores presentes continham insinuações de que os menestréis embalariam unicamente melodias lúdicas, externando fantasias mimosas para se derramarem pelos seios das virgens calindas.

Estes caprichos delicados alimentam os caminhos dos sonhos e a libido das libélulas, dos odeneus e das calindas, para enfeitiçarem os aconchegos.

Por ser aquele momento de extrema rebeldia, mas apropriado, os versos eram alexandrinos e os desejos sexuais aflorados para atenderem as ansiedades. Portanto, sem delongas, chegaria o momento angustiante de se oferecer em fá maior as sonatas dodecafônicas ao destino ou as gaivotas não cumpririam suas tarefas de espargirem mansos os anseios remanescentes sobre as ondas mais revoltas clamando para serem espumadas. A natureza tem estas suas exigências, conflitos e místicas inabaláveis, que só o além e o inconsciente acarinham sem explicação, mas com afeto.

Poderia parecer com isto alguma incongruência, mas o contraditório pairava entre o desconhecido e a aurora deixando um sabor suave de demência descer tranquilo sobre o imponderável, pois as hipóteses mais irresponsáveis teriam de ser expostas ao acaso para quem tentasse, inutilmente, conciliar as sobras de liberdade com o amor e o desejo. Por coincidência, lembrou-se que os sonhos e delírios que o infinito roubara fora na intenção de esconder a tristeza e deixar espargir os êxtases dos afagos libertos das calindas e dos odeneus. Aos deuses não coubera nada mais do que acompanhar.

Nestes embalos, um paradoxo intransigente aninhou-se carente à nostalgia, sem abuso, entretanto, mas deixou-se enternecer pela forma dolente como os sinos brincavam metódicos para determinarem os tempos, os nascimentos e os fins. Então, os apaixonados se desfizeram das melancolias, os pássaros se acalantaram nos remotos cantos dos encantos dos seus cantos e até ai nada de novo, salvo que o rumor da saudade suave foi enfeitiçado procurando somente esquecer os anseios e as solidões.

* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.

Publicado em:
http://carloseduardoflorence.blogspot.com/2019/07/outrora-solidao-descaminhos-porser-todo.html

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domingo, 14 de julho de 2019

Os procuradores de dinheiro

Fernando Brito *    
O que se revela, hoje, na Folha, com a transcrição dos diálogos entre o coordenador da “Força Tarefa” da Lava Jato, seus colegas, o juiz Sérgio Moro e o então procurador geral da República, Rodrigo Janot não é apenas a mais grossa “picaretagem” para ganhar (muito) dinheiro às custas do serviço público pelo qual já eram regiamente remunerados.
 

É crime.

Embora uma “cambalhota” flexibilize a proibição de outras atividades a juízes e promotores, admitindo a participação “esporádica” remunerada em palestras, não é dito que se trata. São os planos de montagem de uma estrutura profissional – e semi-clandestina, porque formalmente em nome de suas mulheres – para ganhar uma bolada de dinheiro explorando o prestígio alcançado com a Operação, isto é, com o exercício de suas funções.

Prestígio, claro, que crescia com a produção de fatos bombásticos e sua repercussão na imprensa.

A descrição da Folha não poderia ser mais explícita:

A ideia de criar uma empresa de eventos para aproveitar a repercussão da Lava Jato foi manifestada por Deltan em dezembro de 2018 em um diálogo com a mulher dele.

No mesmo mês, o procurador e o colega dele na força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon criaram um grupo de mensagens específico para discutir o tema, com a participação das esposas deles: 

“Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preço”, afirmou Deltan no chat.

Pozzobon respondeu: “Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro. E um formato não exclui o outro”.

Após discussões sobre formatos do negócio, em 14 de fevereiro de 2019 Deltan propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres deles, e que a organização dos eventos ficasse a cargo de Fernanda Cunha, dona da firma Star Palestras e Eventos.

A renda da picaretagem não era pequena, segundo Deltan Dallagnol descreve nos diálogos com sua mulher, Fernanda.


Cerca de três meses antes de iniciar o grupo para discutir a abertura da empresa, Deltan informou a esposa sobre a lucratividade das palestras apurada até setembro de 2018.

“As palestras e aulas já tabeladas neste ano estão dando líquido 232k [R$ 232 mil]. Ótimo… 23 aulas/palestras. Dá uma média de 10k [R$ 10 mil] limpo.”
No mês seguinte, o procurador manifestou a expectativa para o fechamento de 2018.


“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, disse o procurador.

Deltan também é generoso, ao propor, em diálogos “de botequim” ao procurador geral Rodrigo Janot palestras a R$ 30 mil de cachê, em junho de 2018.

Depois de abordar o curso, ele comentou: “Tava aqui gerenciando msgs e vi que fui direto ao ponto kkkk Tudo bem com Vc? Espero que esteja aproveitando bastante, tomando muita água de coco e dormindo o sono dos justos rs Agora, vou te dizer, Vc faz uma faaaaaaaltaaaaa”.

“Oi amigo kkkkkk”, respondeu Janot. “Considero sim mas teremos que falar sobre cache. Grato pela lembra”.

Deltan perguntou se o cachê oficial do ex-chefe era de R$ 30 mil e sinalizou que faculdades normalmente “não pagam esse valor”: mas se pedir uns 15k [R$ 15 mil], acho que pagam”.

Janot, é bom lembrar, ainda estava (ou parecia estar) no serviço ativo, pois só se aposentou em 25 de abril deste ano.

O mesmo com Sérgio Moro, a quem sugere que cobre mais por uma palestra organizada pelo procurador de SP Edilson Mougenot, ao qual está cobrando R$ 5 mil para participar e sugere ao juiz que “poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam”.

Deixa claro, também, que a doação de valores altos a instituições de caridade é uma “cobertura” para “valores menores, que reservo para mim”.

É, considero, a revelação que mais impacto terá na opinião pública.

Nela, não há a “desculpa” que tem sido aceita pela hipocrisia reinante, de que as transgressões éticas e legais se justificariam por “combater a corrupção”.

Agora são por dinheiro, mesmo.

E muito.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado em: http://www.tijolaco.net/blog/os-procuradores-de-dinheiro/
Originalmente publicado na Folha de São Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/deltan-montou-plano-para-lucrar-com-fama-da-lava-jato-apontam-mensagens.shtml


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sexta-feira, 12 de julho de 2019

A reforma da Previdência manteve privilégios

Richard Jakubaszko  
Está na Constituição que nenhum servidor público pode ganhar mais que o Presidente da República. Entretanto, a começar pelos ministros do STF e de todas as instâncias judiciais, muitos ganham salários acima do teto. E vão aposentar-se com salários integrais, incorporando aos seus salários os adicionais de cargo e função, tempo de serviço, auxílio aluguel, auxílio escola etc., etc. Com os deputados e senadores, a mesma coisa. Os privilégios continuam, para os mesmos de sempre.

Que reforma é essa? É a reforma de quem votou no capitão para presidente, e continua achando que tem razão. 


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quinta-feira, 11 de julho de 2019

O planeta B (ou, o bonde sustentável)

Richard Jakubaszko 
Recebo por e-mail, vindo lá da terrinha de além-mar, comentário de Luís Amorim, que por si só é esclarecedor sobre a avaliação das exóticas propostas de "soluções tecnológicas" existentes em cada ponto do planeta para resolver as emissões de gases estufa (GEE).

Nós, um grupo de cidadãos preocupados com o nosso planeta, e engenheiros que somos, resolvemos apresentar um modelo de veículo ecológico, movido a biocombustível.

O motor desenvolve uma potência de 2 CV, podendo transportar 30 ou mais pessoas. Tem uma boa autonomia e um tempo de carregamento muito inferior a um veículo eléctrico.

Não emite gases estufa, pois podemos considerá-lo de Emissões Zero, sendo estas inteiramente recicláveis de forma natural. (os gases dos burros são naturais, ah, ah, ah).

Propomos por isso que os Governos do Mundo inteiro comecem a utilizar este veículo que, aliás, utiliza uma tecnologia muito simples e acessível.
Assina  

Grupo de Cidadãos preocupados
Luís Amorim *
* cidadão lusitano, com humor de fina estirpe


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terça-feira, 9 de julho de 2019

41 Verdades Inconvenientes sobre a "Nova Economia Energética"

Richard Jakubaszko

O mundo vive a utopia de uma sustentabilidade a ser construída em cima de  delírios, ideais e fantasias baseadas na mística. O artigo abaixo, publicado pela Fundation for Economic Education (Fundação para Educação Econômica) traz os poetas do desiderato ambiental para a dura concretude da realidade comprovada pela matemática, confiram.
  
Greta Thunberg, a garota sueca gazeteira de aulas lidera a neurose coletiva europeia: não viaja em avião para não emitir mais GEE. Virou moda na Suécia. Apesar de ser autista dizem que escreveu um livro, talvez pelas mãos de seus ricos pais, a ser lançado em breve no Brasil. Caminha célere como candidata ao Nobel da Paz pela sua campanha infantil (mas bem orquestrada) em prol do meio ambiente, sem oferecer qualquer alternativa aos problemas reais de poluição das grandes cidades.


41 Verdades Inconvenientes sobre a "Nova Economia Energética"
Mark P. Mills

Bill Gates disse que quando se trata de compreender as realidades energéticas “precisamos trazer a matemática para o problema”. Ele está certo.

Uma semana não se passa sem que um prefeito, governador, formulador de políticas ou comentarista junte-se à pressa de exigir ou prever um futuro energético inteiramente baseado em energia eólica / solar e baterias, livre da “carga” dos hidrocarbonetos que alimentaram sociedades por séculos. Independentemente da opinião sobre se, ou por que, uma “transformação” de energia é exigida, a física e a economia de energia combinadas com as realidades de escala deixam claro que não há possibilidade de qualquer coisa se assemelhar a uma “nova economia de energia” no previsível futuro. Bill Gates disse que quando se trata de compreender as realidades energéticas "precisamos trazer a matemática para o problema".

Ele tem razão. Assim, no meu recente relatório do Manhattan Institute, “A Nova Economia Energética: Um Exercício no Pensamento Mágico”, eu fiz exatamente isso.

Aqui, então, há um resumo de algumas das realidades principais da matemática subjacente. (Veja o relatório completo para explicações, documentação e citações.)

Realidades Sobre a Escala de Demanda de Energia
1. Os hidrocarbonetos fornecem mais de 80% da energia mundial: se tudo isso estivesse na forma de petróleo, os barris se alinhariam de Washington a Los Angeles, e toda a linha cresceria à altura do Monumento a Washington toda semana.

2. O pequeno declínio de dois pontos percentuais na participação de hidrocarbonetos no consumo mundial de energia implicou mais de US$ 2 trilhões em gastos globais cumulativos com alternativas nesse período; a energia solar e eólica hoje fornecem menos de 2% da energia global.

3. Quando os quatro bilhões de pessoas pobres do mundo aumentam o consumo de energia para apenas um terço do nível per capita da Europa, a demanda global aumenta em um montante igual ao dobro do consumo total dos EUA.

4. Um crescimento de 100x no número de veículos elétricos (VE) para 400 milhões nas estradas até 2040 desalojaria 5% da demanda mundial de petróleo.

5. A energia renovável teria que se expandir 90 vezes para substituir os hidrocarbonetos globais em duas décadas. Demorou meio século para que a produção mundial de petróleo expandisse “apenas” dez vezes.

6. A substituição da geração elétrica baseada em hidrocarbonetos dos EUA nos próximos 30 anos exigiria um programa de construção que construísse a rede a uma taxa 14 vezes maior do que em qualquer outro período da história.

7. A eliminação de hidrocarbonetos para produzir eletricidade nos Estados Unidos (impossível em breve, inviável por décadas) deixaria intactos 70% do uso de hidrocarbonetos nos EUA - a América usa 16% da energia mundial.

8. A eficiência aumenta a demanda de energia tornando os produtos e serviços mais baratos: desde 1990, a eficiência energética global melhorou em 33%, a economia cresceu 80% e o consumo global de energia aumentou 40%.

9. A eficiência aumenta a demanda de energia: desde 1995, o uso de combustível de aviação / milha / passageiro caiu 70%, o tráfego aéreo aumentou mais de 10 vezes e o consumo de combustível de aviação global aumentou mais de 50%.

10. A eficiência aumenta a demanda de energia: desde 1995, a energia usada por byte caiu cerca de 10 mil vezes, mas o tráfego global de dados aumentou cerca de um milhão de vezes; a eletricidade global usada para computação subiu.
11. Desde 1995, o uso mundial de energia aumentou em 50%, o que equivale a somar a demanda total de dois Estados Unidos.

12. Por segurança e confiabilidade, uma média de dois meses de demanda nacional por hidrocarbonetos está armazenada a qualquer momento. Hoje, apenas duas horas de demanda nacional de eletricidade podem ser armazenadas em todas as baterias em escala pública, além de todas as baterias em um milhão de carros elétricos nos Estados Unidos.

13. As baterias produzidas anualmente pela Tesla Gigafactory (a maior fábrica de baterias do mundo) podem armazenar três minutos de demanda anual dos EUA.

14. Para produzir baterias suficientes para armazenar dois dias de demanda de eletricidade nos EUA, seriam necessários 1.000 anos de produção pela Gigafactory (a maior fábrica de baterias do mundo).

15. Cada US$ 1 bilhão em aeronaves produzidas leva a cerca de US$ 5 bilhões em combustível de aviação consumidos ao longo de duas décadas para operá-los. Os gastos globais com novos jatos são de mais de US$ 50 bilhões por ano - e crescentes.

16. Cada US $ 1 bilhão gasto em data centers gera US$ 7 bilhões em eletricidade consumida em duas décadas. O gasto global em data centers é de mais de US$ 100 bilhões por ano - e está aumentando.

Realidades sobre economia de energia

17. Em um período de 30 anos, US$ 1 milhão em energia solar ou eólica produz 40 milhões e 55 milhões de kWh respectivamente: US$ 1 milhão em xisto produz gás natural suficiente para gerar 300 milhões de kWh em 30 anos.

18. Custa aproximadamente o mesmo construir um poço de xisto ou duas turbinas eólicas: a última, combinada, produz 0,7 barris de petróleo (energia equivalente) por hora, a plataforma de xisto tem em média 10 barris de petróleo por hora.

19. Custa menos de US$ 0,50 armazenar o barril de petróleo, ou seu equivalente em gás natural, mas custa US$ 200 para armazenar a energia equivalente de um barril de petróleo em baterias.

20. Os modelos de custos para energia eólica e solar assumem, respectivamente, 41% e 29% de fatores de capacidade (ou seja, com que frequência produzem eletricidade). Dados do mundo real revelam até dez pontos percentuais a menos para ambos. Isso significa US$ 3 milhões a menos de energia produzida do que se supõe ao longo de 20 anos de vida de uma turbina eólica de 2 MW e US$ 3 milhões.

21. A fim de compensar a produção eólica / solar episódica, as empresas norte-americanas estão usando motores alternativos de queima de óleo e gás (grandes motores diesel semelhantes a navios de cruzeiro); três vezes mais foram adicionados à rede desde 2000, como nos 50 anos anteriores.

22. Os fatores de capacidade de parques eólicos melhoraram em cerca de 0,7% ao ano; Esse pequeno ganho vem principalmente da redução do número de turbinas por acre, levando a um aumento de 50% na média de terra usada para produzir um vento-quilowatt-hora.

23. Mais de 90% da eletricidade dos Estados Unidos e 99% da energia usada no transporte vêm de fontes que podem fornecer energia facilmente à economia sempre que o mercado exigir.

24. Máquinas eólicas e solares produzem energia em média de 25% a 30% do tempo, e somente quando a natureza permite. Usinas convencionais podem operar quase continuamente e estão disponíveis quando necessário.

25. A revolução do xisto colapsou os preços do gás natural e do carvão, os dois combustíveis que produzem 70% da eletricidade dos EUA. Mas as tarifas elétricas não diminuíram, aumentando em 20% desde 2008. Os subsídios diretos e indiretos para a energia solar e eólica consumiram essas economias.

Física de Energia...

Realidades Inconvenientes
26. Políticos e especialistas gostam de invocar a linguagem “moonshot”. Mas transformar a economia de energia não é como colocar algumas pessoas na lua algumas vezes. É como colocar toda a humanidade na lua - permanentemente.

27. O clichê comum: uma ruptura na tecnologia de energia ecoará a ruptura da tecnologia digital. Mas as máquinas produtoras de informação e as máquinas produtoras de energia envolvem física profundamente diferente; o clichê é mais tolo do que comparar maçãs com bolas de boliche.

28. Se a energia solar fosse dimensionada como a tecnologia informática, um único painel solar do tamanho de um selo postal alimentaria o Empire State Building. Isso só acontece em histórias em quadrinhos.

29. Se as baterias fossem dimensionadas como tecnologia digital, uma bateria do tamanho de um livro, que custasse três centavos, poderia alimentar um jato para a Ásia. Isso só acontece em histórias em quadrinhos.

Os VEs que usam baterias chinesas criarão mais dióxido de carbono do que economizam substituindo os motores de queima de óleo.

30. Se os motores de combustão fossem dimensionados como computadores, um motor de carro encolheria ao tamanho de uma formiga e produziria mil vezes mais potência; os motores reais do tamanho de formigas produzem 100.000 vezes menos energia.

31. Nenhum ganho digital de 10x existe para a tecnologia solar. O limite de física para células solares (o limite Shockley-Queisser) é uma conversão máxima de cerca de 33% dos fótons em elétrons; as células comerciais hoje estão em 26%.

32. Nenhum ganho de 10x semelhante ao digital existe para a tecnologia de vento. O limite de física para turbinas eólicas (o limite de Betz) é uma captura máxima de 60% da energia no ar em movimento; as turbinas comerciais atingem 45%.

33. Nenhum ganho digital de 10x existe para baterias: a energia máxima teórica em um quilo de óleo é 1.500% maior que a energia máxima teórica na melhor libra de produtos químicos para baterias.

34. São necessárias cerca de 60 libras de baterias para armazenar o equivalente de energia de um quilo de hidrocarbonetos.

35. Pelo menos 100 libras de materiais são extraídos, movidos e processados ​​para cada quilo de bateria fabricada.

36. Armazenar o equivalente de energia de um barril de petróleo, que pesa 300 libras, requer 20.000 libras de baterias de Tesla (valor de US$ 200.000).

37. Transportar o equivalente de energia do combustível de aviação usado por uma aeronave que voa para a Ásia exigiria US$ 60 milhões em baterias do tipo Tesla pesando cinco vezes mais do que a aeronave.

38. Leva a energia equivalente a 100 barris de petróleo para fabricar uma quantidade de baterias que podem armazenar o equivalente de energia de um único barril de petróleo.

39. Uma rede centrada na bateria e um mundo de carros significam a mineração de gigatons a mais da terra para acessar lítio, cobre, níquel, grafite, terras raras, cobalto etc., - e usando milhões de toneladas de petróleo e carvão na mineração e na fabricação metais e concreto.

40. A China domina a produção global de baterias, com a sua rede a 70% movida a carvão: os VEs que usam baterias chinesas vão criar mais dióxido de carbono do que poupados, substituindo os motores de queima de óleo.

41. Não se deve mais usar helicópteros para viagens regulares transatlânticas - factíveis com logística elaboradamente cara - do que empregar um reator nuclear para alimentar um trem ou sistemas fotovoltaicos para alimentar uma nação.

https://fee.org/articles/41-inconvenient-truths-on-the-new-energy-economy/?utm_source=zapier&fbclid=IwAR2c28XxbHIOEAGLkDQna_jgFEF9FCHhv2xvVHr3tEa9v2V3wVdu-wAT_xQ


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