sexta-feira, 24 de março de 2017

Juiz responsável pela operação Carne Fraca diz que não há comprovação de carnes impróprias para consumo


Richard Jakubaszko 
Amigos, é estarrecedora a notícia que republico abaixo. Mostra a irresponsabilidade do judiciário e da Polícia Federal para com o país e com as atividades produtivas. O ministro Blairo Maggi tem de tomar conhecimento dessa notícia, ele que anda como um Dom Quixote, desesperado, tentando defender as atividades produtivas do país e da honestidade da grande maioria dos fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a Globo publica uma notícia dessa magnitude e importância no site G1 do Paraná? Cadê o destaque que a reportagem deveria ter no Jornal Nacional, ou na manchete principal de O Globo? Conivência da mídia para com a Polícia Federal?

Por que ninguém ainda processou o delegado Moscardi Grillo? Ou mandou prender o delegado? Quem sabe, uma camisa de força ficaria melhor no vestuário do leviano delegado?

O link para essa matéria está no rodapé deste post. A notícia foi publicada agora a noite, 19h01 de hoje, 24/03/2017.

Os grifos em azul e negrito são deste blogueiro. Observe se não são pertinentes.
 
Juiz responsável pela operação Carne Fraca diz que não há comprovação de carnes impróprias para consumo
Por Erick Gimenes e Marcelo Rocha, RPC, Curitiba
24/03/2017 19h01

Segundo Marcos Josegrei, foco da investigação federal sempre foi a corrupção; ele ressalta que, até este momento, não é possível dizer que os produtos brasileiros possam fazer mal à saúde.

O juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela operação Carne Fraca, afirmou nesta sexta-feira (24) que as investigações não tiveram como foco a qualidade dos produtos vendidos no Brasil, mas sim a apuração de crimes como corrupção, associação criminosa e extorsão, supostamente cometidos por agentes públicos e funcionários de empresárias do ramo.

"A investigação teve como finalidade a apuração de corrupção de um determinado grupo de fiscais inicialmente no estado do Paraná, que alegadamente não cumpririam com seu dever como manda a lei. Em determinada circunstância, portanto, cometiam crimes contra a administração publica, tais como a corrupção", disse.

O magistrado ressaltou que, até este momento, não se pode afirmar que os produtos comercializados pelas empresas investigadas possam fazer mal à saúde.

"Não se pode afirmar que nenhuma dessas empresas está colocando no mercado produtos impróprios para o consumo. Essa afirmação seria uma generalização temerária neste momento. O que se pode afirmar é que há indícios suficientes de que representantes de diversas empresas estavam com uma relação muito próxima com fiscais agropecuários e isso causava problemas de corrupção", disse o juiz.

Josegrei defendeu a qualidade da carne brasileira e disse que o problema, a princípio, é burocrático. "As empresas muitas vezes se associavam com os fiscais para romper barreiras burocráticas. Isso fazia com que procedimentos fossem agilizados, processos andassem mais rápidos do que deveriam, tinham acesso indevido a sistemas internos do Mapa [Ministério da Agricultura]. Não se pode dizer que as carnes ou os produtos exportados e consumidos no mercado interno por essas empresas não têm qualidade".

Segundo o juiz, os laudos apresentados pelo fiscal Daniel Gouvêa Teixeira, que deram origem à operação, não mencionam carnes estragadas.

"A PF [Polícia Federal] obteve dois laudos: um no que diz respeito aos produtos de um dos frigoríficos [Souza Ramos, em Colombo, no Paraná] e o outro do outro frigorífico [Peccin, em Curitiba]. Com esses laudos, a PF identificou que havia alguma impropriedade nos produtos que eram vendidos. Veja: eu não estou dizendo que esses produtos faziam mal à saúde, que causavam doenças. Eu estou dizendo que, de acordo com esses laudos, eles não tinham a propriedades que o rótulo dizia que e deveriam ter", explicou. Ambos frigoríficos negam problemas em seus produtos.

Josegrei reforçou que a prática de corrupção entre os fiscais é minoria entre os profissionais brasileiros. "É importante registrar que a maior parte dos fiscais é composta de gente correta, honesta, e que faz o seu trabalho diariamente".

Carne Fraca
Considerada a maior operação da Polícia Federal, quando se fala em números, a Carne Fraca soma 309 mandados, sendo 37 de prisão. Do total, 36 suspeitos foram presos e apenas um continua foragido. Veja quem são todos os alvos.

A PF aponta um esquema de fraude na produção e comercialização de carne. Além de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e produtores, a investigação encontrou indícios de adulteração de produtos e venda de carne vencida e estragada. Das 21 fábricas investigadas, 18 ficam no Paraná.
Há ainda a suspeita de que partidos políticos tenham sido beneficiados com o pagamento de propina.

Publicado no G1: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/juiz-responsavel-pela-operacao-carne-fraca-diz-que-nunca-houve-indicios-de-carnes-improprias-para-consumo.ghtml


COMENTÁRIO FINAL DO BLOGUEIRO:
Nessas horas, dá vergonha de afirmarmos que somos brasileiros.
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Vocabulário mineiro é déiz...

Richard Jakubaszko 
O jeitim mineiro de falar é admirado e troçado Brasil adentro e afora, conforme a gente sabe, e o mineiro Gerson Machado me enviou o vídeo abaixo com uma aula explicativa de como o mineiro conversa, transformando qualquer frase de médio porte em duas palavras de duas sílabas. É facim, óia só:

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quinta-feira, 23 de março de 2017

A mentira da sustentabilidade: manipulação global.

Richard Jakubaszko 
O professor Dr. Ricardo Felício, climatologista da USP, apresenta na palestra gravada em vídeo (abaixo) uma enorme gama de argumentos sobre o discurso (falso) da sustentabilidade. Vale a pena assistir, pois você saberá como está sendo enganado pelos discursos públicos e pelas mensagens publicitárias de algumas grandes empresas, sobre essa história do aquecimento e das mudanças climáticas.

Agora, se você ler o livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", obra de minha autoria e que conta com a participação em diversos capítulos de cientistas, como o professor Molion, por exemplo, ficará conhecendo outras facetas dessa história suja, a qual tenho denominado como a grande mentira do século XXI. O livro é uma biografia não autorizada do clima, custa R$ 30,00 (mais despesas postais, em média de R$ 6,80 para todo o Brasil) e pode ser adquirido apenas pelo e-mail co2clima@gmail.com e também pelo fone 11 3879.7099 - o livro encontra-se ainda à venda em algumas livrarias virtuais.

Por enquanto, assista o vídeo com o professor Ricardo Felício, e descubra como você tem sido enganado...

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Excelências, perdão, mas só falta “partir pra porrada”

Fernando Brito *

Lembra aquela coisa antiga do primário, de riscar uma linha no chão e dizer que quem pisasse ali estava xingando a mãe do outro?

Está assim o “barraco” das instituições brasileiras.

Noticia O Globo que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, acusou – sem citar-lhe o nome por mera formalidade – o Ministro Gilmar Mendes, do STF, de sofrer de “disenteria verbal” e de “decrepitude moral”, numa reação – de moleque – à sugestão de Gilmar Mendes de que o Ministério Público era – numa atitude de moleque – responsável pelo vazamento de parte da lista de pedidos de investigação de citados nas delações da Odebrecht.

Não estou exagerando, confira:

— Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios. Mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e instrumentos legítimos de comunicação institucional — disse Janot em discurso de encerramento de encontro de procuradores regionais eleitorais na Escola Superior do Ministério Público.(…)

— Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar todos a sua decrepitude moral e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se, não raras vezes, da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado — afirmou.


E, talvez para dar mais substância à “disenteria moral” ainda criticou os jantares e convescotes de que Mendes tem participado com o Presidente da República .

Esperamos que ambos não usem a toga como pano de chão para limpar aquilo que suas palavras espalham.

* o autor é jornalista
Publicado originalmente no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/excelencias-perdao-mas-so-falta-partir-pra-porrada/
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terça-feira, 21 de março de 2017

Agroecologia: discutir é preciso!


Zander Soares de Navarro *
O portal principal da Embrapa disponibilizou esta semana, no "Conexão Ciência", uma entrevista com uma colega pesquisadora, que discorre sobre o tema "transição agroecológica".

Entendo que se trata de uma importante entrevista, a qual deveria ser discutida em nossas unidades, entre os pesquisadores e analistas. Caso ocorra esse debate, sugiro cinco perguntas que poderiam orientar parte das discussões:

(a) em certo momento, a pesquisadora comenta que esta chamada "transição" deriva de (segundo ela) um "campo científico" que seria a agroecologia. A pergunta: seria possível, por favor, provar que se trata de ciência? Se sim, quais são os seus autores, publicações, conceitos, enfim, qual a "problemática teórica" que orientaria a agroecologia? Ou será que poderia existir uma ciência sem tal problemática (e, portanto, seu arcabouço analítico)? E, não existindo esta ciência (como entendo que não existe), por que a Embrapa apoia projetos que não tem fundamentação científica?

(b) a sugestão prática oferecida aos agricultores, pela agroecologia, é "aumentar a complexidade", ampliando os seus sistemas produtivos, com a diversificação dos cultivos e as criações no interior da propriedade. Nesse caso, a pergunta é simples: por que apenas os agricultores brasileiros preferirão a complexidade, ao contrário de todo o restante do planeta? Como sociólogo, esta é sugestão que causa perplexidade, pois desconheço na literatura esse "achado antropológico" que comprovaria a maior capacidade de nossos agricultores de lidar (e gostar) da complexidade. Se examinadas as agriculturas de todos os demais países que modernizaram o setor (ampliando a produção e a produtividade), pelo contrário, o que ocorreu sempre foi a simplificação produtiva, porque a atividade se tornou, sim, bastante complexa- mas em sua administração econômico e financeira. Em decorrência, no tocante ao sistema produtivo, pelo contrário, a especialização produtiva se tornou a marca dessas agriculturas. Propor que os agricultores optem também pela complexidade produtiva, além da tecnológica e da econômica, sugere que nossos agricultores seriam super-heróis, os únicos capazes de lidar com qualquer tipo de complexidade. Onde existe a comprovação desse comportamento social?

(c) ampliar a diversidade produtiva requer, necessariamente, maior uso do trabalho. Em um período sob o qual estamos observando, pelo contrário, o esvaziamento populacional no campo brasileiro e o custo do trabalho vai se tornando mais caro, como os produtores, especialmente os médios e os pequenos, pagarão a conta? Pergunta: de onde virá o fator trabalho que cresce com a diversidade produtiva? Ou será que a agroecologia é apenas para os produtores mais ricos, que contratarão firmas especializadas para administrar esta formidável complexidade?

(d) a proposta implicitamente tem um componente social (e moral) que também precisa ser discutido abertamente. Ampliar a diversidade produtiva interna aos estabelecimentos claramente recomenda às famílias rurais que procurem o "cansaço de seu trabalho", pois precisarão trabalhar muito mais, exaurindo-se como seres humanos. Há uma implicação moral nesta sugestão, que é tratar as famílias rurais como se fossem um tanto idiotas, pois preferirão a exaustão que a complexidade produtiva necessariamente implicará. Pergunta: não existiria aqui uma suposição moral altamente condenável nesta proposta?

(e) por fim, o aspecto mais grave a ser discutido. A proposta, cuja finalização concreta ninguém sabe exatamente dizer quando ocorreria, também supõe que as famílias rurais não se movem pela busca de renda. Ou seja, mais uma vez, os determinantes econômicos são ignorados em nome de uma "ambição ambiental", que seria determinante. Mas será isso o que as famílias rurais almejam? Querem ser felizes em meio à diversidade vegetal e animal de suas propriedades, mas continuando pobres, com rendas mais baixas? Não existiria aqui um insensato irrealismo? Por que os proponentes da agroecologia não consultam as famílias rurais sobre as suas ambições e sonhos e continuam a insistir com propostas que são distantes da realidade? Pergunta: em uma atividade econômica, como a agropecuária, como ignorar os determinantes econômicos e financeiros?
 

A analogia do tema acima com outro grande tema ora difundido na Embrapa assoma a olhos vistos. Refiro-me à proposta de "integração lavoura-pecuária-floresta", uma iniciativa que padece dos mesmos desafios acima arrolados.

No fundo, caros colegas, esse debate se torna relevante porque a Embrapa está se distanciando, cada vez mais, das realidades concretas e práticas da produção agropecuária, da vida social rural e, sobretudo, da compreensão acerca dos comportamentos sociais e os processos de decisão dos agentes econômicos. Precisamos por novamente os pés no chão, pois o pensamento mágico se torna cada vez mais presente em nosso cotidiano.

* o autor é pesquisador da Embrapa


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segunda-feira, 20 de março de 2017

CNPC, ABPA e ABIEC defendem setor de proteína animal, em que o Brasil é exemplo mundial

Richard Jakubaszko
Recebi por e-mail declarações da Abiec, Abpa e Cnpc, sobre a campanha da Polícia Federal a respeito da Carne fraca, que transcrevo abaixo. Como coloquei no post anterior, são posicionamentos "politicamente corretos", pouco contribuem para que o setor saia do roteiro dessa novela de terror. Há que se tomar uma posição de enfrentamento, não à Polícia Federal, mas ao delegado Moscardi Grillo responsável por essa patacoada, processando-o por abuso do poder no exercício de cargo público. Aliás, não é a primeira vez que esse delegado da PF, que atua na Lava Jato, toma atitudes midiáticas, pelas quais já foi criticado por outros colegas da PF.


Não será com declarações elegantes como essas (que transcrevo abaixo por amizade e respeito aos líderes que as assinam), que vão fazer o delegado tirar o pé do acelerador de sua cruzada de acabar com a corrupção no Brasil. O problema da denúncia é político, traz embutido interesses escusos e inconfessáveis, conforme coloquei no post anterior.

ABPA e ABIEC defendem setor de proteína animal, em que o Brasil é exemplo mundial
Entidades reforçam qualidade das carnes bovina, suína e de aves e confiança no sistema de inspeção federal; setor emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras

São Paulo, 20 de março de 2017 – A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) realizaram nesta segunda-feira (20), às 11h, uma coletiva conjunta de imprensa para esclarecer as generalizações decorrentes da operação da Polícia Federal (PF), ocorrida na última sexta-feira (17). Durante a coletiva, o presidente-executivo da ABPA, Francisco Sérgio Turra, e o presidente da ABIEC, Antônio Jorge Camardelli, enfatizaram que os padrões sanitários da indústria de proteína animal – seja ela bovina, suína ou avícola – são um modelo internacional.

Segundo a ABPA e ABIEC, os eventuais desvios de conduta nas fábricas nacionais representam uma fração mínima da produção brasileira de proteína animal, devendo ser repudiados e combatidos. Para as entidades, a luta pela excelência em qualidade é contínua e não se pode contaminar a imagem do setor em razão de exceções isoladas.

“A comunicação da operação policial ensejou generalizações, que tanto o governo federal quanto as entidades do setor estão esclarecendo aos consumidores brasileiros e mercado internacional. Mas não fomos ontem (19) à Brasília protestar contra a PF e nem estamos hoje falando contra ninguém. Nossa preocupação é com mais de 6 milhões de trabalhadores brasileiros, que atuam nesta cadeia de produção de carnes bovina, suína e de aves. Estamos em uma missão patriótica, em defesa da indústria de proteína animal, que embarca anualmente 262 mil containers para 160 países, gerando uma receita que representa 15% do total das exportações brasileiras”, afirmou Turra, presidente da ABPA, entidade que representa as indústrias brasileiras de carnes suína e de aves.

De acordo com comunicado conjunto da ABPA e da ABIEC, publicado nesta segunda-feira (20) nos principais jornais, é irresponsável colocar dúvidas sobre a qualidade da carne brasileira, tanto em âmbito nacional como mundial. “Estamos aqui, ABPA e ABIEC, juntas, para solidificar aos consumidores do Brasil e países importadores a orientação que podem consumir com segurança sanitária as carnes produzidas em nosso País”, disse Camardelli, presidente da ABIEC.

Para Camardelli, há uma grande tarefa conjunta de ambas as entidades, frente – nas suas palavras – a “esta crise desnecessária”. O dirigente da entidade cujas empresas representam 91% das exportações brasileiras de carne bovina ressaltou que foi determinante a rápida atitude da Presidência da República e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para dirimir as implicações da operação policial para os mercados interno e externo de carnes brasileiras. “Governo federal, entidades do setor e indústria de proteína animal brasileira, juntos, vamos superar esta situação com a verdade e a transparência”, complementou Turra.

Atualmente, o Brasil é líder global em exportação de carne de frango, bovina e suína, exportando para países e regiões com elevado padrão de exigências como Estados Unidos, Japão e União Europeia, que regularmente fazem visitas de inspeção dos rígidos sistemas de produção da indústria de proteína animal brasileira. “As associações representativas da indústria de proteína seguirão firmes na defesa de um setor em que o Brasil é exemplo global. As carnes são fonte de proteína segura. As entidades garantem a confiabilidade perante o consumidor”, afirmaram em comunicado conjunto as entidades. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, até 2020, a produção nacional de carne bovina deve suprir 44,5% da demanda mundial, enquanto a carne de frango terá 48,1%, e a suína, 14,2%. “Nenhum outro setor nacional tem números como esses”, ressalta o comunicado.

Para os dirigentes, foram necessárias décadas para que o Brasil construísse sua reputação internacional como grande produtor e exportador de carne de frango, bovina e suína. “A abertura de mercados foi lenta, país a país, uma conquista de todos os brasileiros. Hoje, as empresas brasileiras detêm as melhores certificações internacionais de excelência”, disse Camardelli. “Eventuais restrições à importação de carne brasileira, além de representarem um retrocesso de muitos anos, impactarão a economia e resultarão em perda de empregos e renda. O setor de proteínas de frango, bovina e suína emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras”, adicionou Turra.


Manifestação do CNPC sobre a operação “Carne Fraca” da Política Federal
O CNPC avalia efeitos da corrupção para a cadeia da pecuária de corte

A corrupção identificada está sendo averiguada com a devida profundidade e os envolvidos devem ser punidos com severidade, pois causam enormes prejuízos a todos os segmentos da cadeia da pecuária de corte, desde os pecuaristas até os consumidores. Esta é posição da diretoria do CNPC – Conselho Nacional da Pecuária de Corte

Conforme já anunciado pelo Presidente da República Michel Temer e pelo Ministro Blairo Maggi o problema foi identificado em apenas 21 empresas, dentro de um universo superior a 4.700 e são apenas 33 os funcionários investigados entre os 11.000 colaboradores do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Tais dados representam uma ínfima minoria.

O SIF - Serviço de Inspeção Federal, executado com seriedade e competência pela esmagadora maioria dos médicos veterinários e funcionários do DIPOA do MAPA, desenvolve um trabalho altamente eficiente e confiável, não só para o mercado interno, mas também nas exportações.

O Brasil é reconhecido, hoje, por sua infraestrutura e evolução do seu rebanho como detentor dos mais avançados níveis tecnológicos e padrões de qualidade no mercado global.

Além do mais, as fraudes já identificadas não envolveram a carne bovina, segmento no qual o Brasil ostenta o honroso título de maior exportador mundial.

O Ministro Blairo Maggi, que vem tendo excelente atuação, conta com o total apoio de nossa entidade para punir os envolvidos e assegurar a confiança dos brasileiros e dos clientes internacionais na qualidade das nossas carnes.


Conselho Nacional da Pecuária de Corte
Sebastião Costa Guedes
Presidente em Exercício

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Quem vai processar o delegado da PF?

Richard Jakubaszko 

Processar o delegado, esta é a pergunta que não quer calar, e que estou me fazendo desde a última sexta-feira, 17/3, quando o delegado midiático da Polícia Federal (PF), Mauricio Moscardi Grillo, foi aos holofotes denunciar o que considera um escândalo nacional de os frigoríficos venderam carne podre, adulterada, vencida, misturada com papelão e coberta de ácido ascórbico, acusado mentirosamente de ser cancerígeno.

Ora, que provas o delegado e seus mais de 900 agentes apresentaram? Três ou quatro conversas telefônicas, das quais tiraram ilações estapafúrdias. Numa delas, envolveram o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, muito provavelmente o objetivo principal dessa desastrada operação Carne Fraca, para enfraquecer o político nomeado por Temer, porque ele teria a função, determinada pelo presidente e seus parceiros peemedebistas, de um lado, para desconstruir a Lava Jato, da qual faz parte o delegado Moscardi Grillo. De outro, a intenção de desmoralizar o ministro, que já andava comentando a futura troca do atual comandante da PF, coisa que os delegados não desejam.

A ação da PF é um crime lesa-pátria, pela leviandade, por demorar 2 anos numa operação, classificada como a maior de todos os tempos da PF, e que não apresenta nada conclusivo, apenas ilações e convicções, como parece ser o modismo entre procuradores e policiais, e que judicializaram o país. O exemplo maior dessa patacoada é a mistura de papelão em carnes, um absurdo de entendimento. Por que demorou 2 anos para vir a público?

Então, que se processe judicialmente esse delegado, por abuso de poder no exercício de um cargo público. Que se afaste esse delegado dessa operação, que não é verdadeira e nem ameaça a saúde pública, e que o Ministério da Agricultura faça a lição de casa. Que se processe esse delegado pela conduta midiática, escandalosa, e por colocar em risco a balança comercial brasileira, a imagem do país nessa área de alimentos, produção que nos concedeu o privilégio de ficarmos de fora da crise que se abateu no planeta desde 2008, quando o sistema financeiro americano quase implodiu o mundo.

Para os brasileiros vai ficar a imagem, por algum tempo, de que comemos carne podre, misturada com ácido ascórbico e papelão. Não vai adiantar muita coisa o presidente Temer ter convidado os embaixadores para uma churrascaria, as redes sociais ridicularizam essas atitudes. O ministro Blairo Maggi vai ter muito trabalho para desmontar essa trapalhada da PF, as empresas JBS, Seara, Marfrig e BRF não possuem forças para desmentir sozinhas as mentiras, e nem a grande mídia quer saber disso, pois não vai abrir espaço para desmentidos. O que a mídia deseja é a grana para pagar espaços publicitários dessas empresas, para custear as futuras operações escandalosas.

Neste exato momento em que publico este post, realiza-se a coletiva da Abiec e da Associação de Proteínas, em São Paulo, para esclarecer fatos do setor. Não será suficiente, os importadores europeus e chineses já começaram a pressão, e pedem para trancar as importações de carnes brasileiras. O Brasil vai perder.

O Brasil vai perder ainda com as ações midiáticas e judiciais dos veganos e ambientalistas; o Brasil vai perder com as ações de advogados americanos que vão processar na justiça americana a JBS e a BRF para obter compensações pelas perdas dos seus clientes no mercado acionário. E lá essas indenizações podem quebrar qualquer empresa que já esteja fragilizada.

Então, que se processe o irresponsável que fez esta merda toda! É a minha opinião, como brasileiro e cidadão. Tudo isso, porque acredito que praticar cidadania não é exercer a plena hipocrisia. Com a prática de mais de 50 anos de jornalismo no agronegócio, tenho minhas convicções, também.

Entrevistas para gerar fatos e frases de efeito para alguns jornalistas da mídia repercutirem não vai adiantar nada. Precisa-se de punição exemplar dos delegados aproveitadores de plantão, que abusam de seu cargo e função pública.

 
TEMER: "ESSA NÃO, ESSA CARNE É FRIBOI, QUE É DO LULINHA..."

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domingo, 19 de março de 2017

A carne é fraca II

Richard Jakubaszko

Recebi do amigo Maurílio Biagi Filho o e-mail abaixo, sobre a operação carne fraca e da postagem que fiz ontem aqui no blog. Pela importância da abordagem publico como um post, e não como comentário. Diz Maurílio:


Prezado Richard,
Parabéns pelo belo artigo.
Recebi do meu amigo ex-Ministro da Agricultura Antonio Cabrera a mensagem abaixo que achei muito apropriada e pertinente.

Na sexta-feira, lembrei-me do livro “Mauá, Empresário do Império”, do Jorge Caldeira.

Veio também a lembrança de que em 1989 o DNC (Departamento Nacional de Combustíveis) provocou falta de álcool com comprovados 300 milhões de litros em estoque (muito à época) só na região de Ribeirão Preto.


Coincidência: 98% dos carros vendidos eram a álcool, fato que incomodava em função da diminuição da venda de gasolina e da dificuldade do craqueamento nas refinarias.


O que aconteceu?

Quebrou a espinha dorsal do maior programa mundial de Energia Renovável.

De 98% caiu para ZERO alguns anos depois. À época, a omissão dos produtores que não escrevemos nenhuma linha a respeito disso, nenhum comunicado, não pressionamos... foi fatal.

Nesse momento, quero lembrar Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

Abaixo segue o texto do Cabrera.

Abraço,
Maurilio Biagi Filho
Maubisa
Presidente


O papelão dessa história das carnes
Por Antonio Cabrera, ex-Ministro da Agricultura

Como veterinário e tendo estado à frente do Ministério de Agricultura fiquei impressionado com o episódio das carnes: a maior operação da Polícia Federal e realizada simultaneamente em 6 estados.

Não só pela questão da qualidade de nossos alimentos, mas pelo estrago incalculável feito no difícil mercado internacional conquistado palmo a palmo de mais de 150 países onde estamos presentes.

A pecuária brasileira tem dimensões impressionantes, como a maior área de pastagem tropical do mundo, ocupando mais de 170 milhões de hectares e é responsável pela geração da maior parte da riqueza no campo.

Somos detentores do maior rebanho comercial do mundo, gerando mais de 7 milhões de empregos e a única atividade que está praticamente em 100% dos municípios. Se fechar, encerra as atividades de 49 diferentes segmentos industriais.

E agora?

Dois pontos importantes: sim, o primeiro é punir os responsáveis, sejam do setor público ou privado.

Mas é preciso entender que mais importante do que o combate a corrupção (que é essencial), é descobrir a razão desta praga que se espalha pelo Brasil. É hoje pior do que a febre aftosa foi em nossos rebanhos no passado.

Para entender este raciocínio, veja antes este vídeo, que faz uma pergunta fundamental:

Quem fiscaliza os fiscalizadores?

Como hoje temos um esforço para regular as pessoas desde o berço até o túmulo, este triste episódio da “Carne Fraca” já foi explicada por uma tese vencedora de um Premio Nobel,
a public choice:

Ela rompe a crença ingênua e romântica de que o cidadão que troca sua vida civil por um cargo público se transforma de demônio em santo. É como aceitar que um veterinário do setor privado é um monstro e um veterinário do setor público é um vestal.

Dito isto, por que não pensar no Brasil em certificadoras de qualidade privadas? Se uma certificadora privada fosse flagrada em suborno como este, ela não teria chance alguma de estar operando mais.

Já um órgão estatal monopolista não possui nenhum mecanismo forte como este para ser criterioso, e pior, a sua reserva de mercado continuará intacta.

Sim, passado este furacão, o mesmo serviço público continuará fiscalizando os nossos frigoríficos. Pelo contrário, confira se daqui a pouco o governo não anunciará mais recursos para a fiscalização pública dos alimentos!

Mas se o governo está realmente interessado no bem estar da população, por que não permitir a proliferação de certificadoras privadas concorrendo no livre mercado?

Isto possibilitaria uma regulação genuinamente concorrencial, na qual certificadoras privadas concorrendo entre si e com o serviço público (para aqueles que gostam do governo). A escolha soberana será do consumidor!

Por fim, este desastre reforçou o uso indevido dos recursos públicos formando as “campeãs nacionais”, que na realidade foram campeãs de doações eleitorais: em um mercado regulado pelo estado, só vence quem tem bons contatos na burocracia ou conhece pessoas poderosas.

Você se lembra do pequeno açougue da esquina? Hoje, é só Friboi, Seara...

Não tenha dúvida, a carne é fraca quando o Estado é forte.
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sábado, 18 de março de 2017

Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca


Richard Jakubaszko 
Desde ontem, 17/3/2017, sexta-feira, quando explodiram as manchetes na mídia sobre a Operação Carne Fraca, debatemos na DBO Editores as circunstâncias técnicas, sociais, econômicas e políticas dessa nova denúncia da Polícia Federal (PF).


As evidências apresentadas pela Polícia Federal demonstram-se fracas e distantes da realidade. Os argumentos e exemplos citados pela PF e repetidos pela mídia são, de um lado, inconsistentes, e, de outro, utilizam-se de pré julgamentos moralistas em nome de defender a saúde pública. As acusações genéricas feitas pela PF estabelecem o pânico entre a população, e devem trazer prejuízos - no mercado interno e até na exportação - enormes para as indústrias processadoras de carnes (da pecuária bovina, que nada tem a ver com as denúncias, conforme indica a Nota Oficial da Abiec - Associação Brasileira da Indústria de Exportação de Carnes, abaixo transcrita), mas especialmente os abatedouros de aves e suínos.
Por tabela, jogam na lata do lixo a credibilidade dos fiscais federais do Mapa (Ministério da Agricultura).

Ao mesmo tempo, a Operação Carne Fraca deixa transparecer interesses políticos inconfessáveis, de fortalecer a instituição da PF diante de um novo ministro da Justiça, indicado por Temer, a quem a PF acusa de forma lateral inconsistente de "possível de estar indiretamente envolvido no escândalo", mas ressalva que não existiriam provas. A ideia seria enfraquecer o novo ministro, e impedir a pretendida troca da diretoria da PF, para hipoteticamente enfraquecer a Lava-Jato.

Se for isso, demonstra a mediocridade reinante em Brasília, pois exercer a cidadania requer doses cada vez mais elevadas de hipocrisia. Chegamos à sofisticação extrema na era dos assassinatos de reputação.


Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca
18 de março de 2017

Em relação à Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, nesta sexta-feira (17 de março), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) ressalta que nenhuma planta de carne bovina dos seus 29 associados está citada na denúncia de esquema entre frigoríficos e fiscais agropecuários federais para comercialização de alimentos adulterados.

 
As indústrias associadas a ABIEC seguem rígidas normas e padrões nacionais e internacionais de segurança para a produção e comercialização de carne bovina destinada tanto ao mercado interno quanto aos mais de 133 países para os quais exportamos.

 
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e é reconhecido pela qualidade e status sanitário de seu produto, que conta com auditoria dos órgãos brasileiros responsáveis, bem como das autoridades sanitárias das nações que importam a carne bovina brasileira.

 
A ABIEC ressalta que os casos que vieram a público por meio da Operação Carne Fraca são isolados e não representam a imensa cadeia produtiva de carne bovina no Brasil.

 
A Associação repudia veementemente a adoção de práticas que não condizem com a garantia da qualidade do produto nacional e da credibilidade da indústria brasileira. E reitera sua confiança na atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), bem como nos parâmetros seguidos pelo S.I.F. - Serviço de Inspeção Federal.

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