domingo, 23 de setembro de 2018

Guedes admite acordo Temer-Bolsonaro para reformar a Previdência

Fernando Brito *
 

Sem destaque, na coluna de Sonia Racy, no Estadão, mais uma pérola do “Posto Ipiranga” econômico de Jair Bolsonaro: apoiar a ideia de um acordo com o moribundo Michel Temer para que este fique com a impopularidade de uma reforma previdenciária:

Paulo Guedes, na sua última conversa com investidores antes de Jair Bolsonaro pedir silêncio – aconteceu na gestora [de fundos] GPS, terça-feira. fez observação bastante significativa. Informou ser possível que o candidate do PSL, caso vença o pleito, ajude Temer a aprovar a reforma da Previdência antes do fim do ano. “Se ele fizer isso, e e bom para ele fazer isso, o avião que vamos pegar não cai na minha cabeça”, atirou, duvidando de que o sucessor de Temer, qualquer que seja, consiga votar a reforma no primeiro trimestre.

Mesmo que seja uma impossibilidade política, com um governo derrotado, a um mês e meio do final do mandato, este senhor sugere, simplesmente, um a aplicação de um crime de estelionato sobre a população.

Estelionato, mesmo, coisa de gente de mau-caráter, que acha que os “otários” vão achar que é “culpa do Temer” aquilo que é desejo de Bolsonaro que, aliás, passou à reserva remunerada aos 33 anos, ao eleger-se vereador.

Será isso que o tal “mercado” chama de segurança econômica?

No meu tempo chamava-se de molecagem.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/guedes-admite-acordo-temer-bolsonaro-modificar-previdencia/

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sábado, 22 de setembro de 2018

Fotos de crianças, lindas!

Richard Jakubaszko  
Desculpem o pleonasmo do título, porque criança é sempre linda, né não?
As crianças das fotos abaixo são mais lindas ainda. 

Sapato emprestado, né?

Anjinho...
 
Japinha alegríssimo

O que é que eu faço agora?

Abraço gostoso!
Achei! São meus!
Ai, ai, ai, cabritinha...
Aqui debaixo não tá fazendo frio, não!
Tua mão eu não aperto!
Estou sonhando como vai ser o futuro...
O problema é que nós não sabemos ler...
Será que esse bolo vai ficar gostoso?
Fofuras...
Acorda japinha!
Solidariedade...
Tô pronta pra festa, vamos lá?


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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Poesia em outono ou outros motivos

Carlos Eduardo Florence *


O verde mais sonoro, que por timidez e método preferiria camuflar-se entre as melancolias ouvindo o canto distante dos pássaros, surgiu do inesperado, ou melhor, do imaginário, sequer perdeu o tom singelo e suave tão logo um discreto delírio se derramou para lacrimar sobre os delicados sorrisos, enquanto as crianças recolhiam pelas calçadas as fantasias deixadas pelas colcheias subindo as paredes caiadas do casario modesto para realimentar os sonhos.

Tendo findada a safra alegre da colheita farta dos folguedos e fantasias, as moças prefeririam o luar nascendo envergonhado entre os desejos simples e a luxuria ainda em formação, para enfeitarem seus sorrisos graciosos. Um bem-te-vi revoou dos motivos coloridos em que assentara, esperou a brisa trazer notícias novas do pôr do sol e silenciou descuidadamente como preferem as aves menos atrevidas. Por hábito de repetir as melodias os pássaros, escapou o bem te vi experiente dos caminhos difíceis e tortuosos, sem abusos ou pedantismos, se desfez dos devaneios e das galhofas para provocar o conflito entre a tristeza e a esperança, embora os homens sérios e nobres não se conformassem somente em aceitar as razões simples das criaturas da natureza para se encantarem.
 
Nada disto faria o menor sentido, não fosse o sino da Ave Maria pedindo nostalgia e relembrando a todos para se recolherem às meditações. A cidade se enroscava pelas vielas estreitas para tentar ganhar o firmamento e se esconder. Se davam estes bailados entre as nuvens querendo levar suas águas para chorarem mais perto de Deus, embora, para quem estivesse a procura só de acompanhar o tempo se desfazendo em passos lerdos e despreocupados, veriam silenciosos as formas mais graciosas de aconchegar à preguiça e sorver a solidão. Por ser o momento propício, embora tenham sido distribuídas gotas miúdas de prazer recolhidas nas entranhas da puberdade, não se ofereceu, como devido, explicação à maré montante obedecendo à ansiedade da lua.


Recolheu-se cuidadosamente ao inconsciente solitário a mensagem guardada entre as melhores metáforas e, sem deixar o verbo se colorir de mágoa, cada um se pôs a procurar afetos pelos meandros esquecidos que o passado levara.
Sem ser de direito, pois, como era previsto, as notícias nascidas no regaço da dúvida se envolveram nas suavidades das brisas, mas chegaram envoltas em crisálidas antes mesmo de se enfeitarem de borboletas. Portanto, o mesmo amolador de facas encantou o destino espalhando pela rua deserta o tom grená do seu flautim afinado em melancolia e entoado em ré maior. O tempo se fez então presente entre os transeuntes, puxou consigo uma preguiça teimosa que se dispersava pelos paralelepípedos, escorregava mansa pelas calçadas e pelas mentiras mesmo como as lágrimas das chuvas preferem ao lavarem os pecados e encantarem os desejos.

 
Aproveitando o remanso do azul, o infinito distraiu-se a bolinar os delírios achegados, sem desmerecer as saudades, não se permitiu ouvir o silêncio da escuridão caindo metodicamente em ré maior camuflando as rimas do futuro desconhecido.


* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.
Publicado no https://carloseduardoflorence.blogspot.com.br/

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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Fernando Penteado Cardoso faz hoje 104 anos. Parabéns!

Richard Jakubaszko  
Dr Fernando, saúde, parabéns pelo dia de hoje, e continue assim, contribuindo com seus valiosos ensinamentos, mas também com somas das estatísticas que nos revelam que a expectativa de vida média dos brasileiros está aumentando, hoje ao redor de 73 anos. Com sua ajuda (e de outros com mais de 90 que estão na sua cola) levantaremos essa média para mais de 80!!!

Portanto, muitos anos de vida!

Fico na expectativa de receber seus novos escritos, especialmente o pé de grade, me sentiria honrado em ter a primazia de publicar esses textos na Agro DBO.
E-abraço!

PS. Minha neta faz hoje lindos 15 anos!!! É tudo alegria!

Fotos do Dr Fernando Penteado Cardoso, definitivamente, o homem não é normal, ele é diferenciado...
A foto do peixe recebi há pouco, enviada por Manfred Schmid, lá de Curitiba. As demais são de meu arquivo pessoal.
Aos 103, semana passada, em algum rio no Brasil Central.

Aos 103, no Congresso de Fertilizantes da Anda, em 2017.
Aos 102, concedeu-me entrevista no Portal DBO.

Aos 93, entrevista que foi capa da DBO Agrotecnologia/OUT/2007.
Beatriz, a neta, exibe seu porquinho da Índia, hoje faz 15.

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terça-feira, 18 de setembro de 2018

O estrago que Mourão fez

Fernando Brito *
No Brasil, segundo o IBGE, há 11,6 milhões de lares formados por mulheres e seus filhos, sem a presença de cônjuges masculinos.

São, nas estúpidas palavras do vice de Jair Bolsonaro, as “fábricas de desajustados”.

Não ouço estupidez semelhante desde que D. Josefina, uma fofoqueira que morava na mesma vila que nós, no subúrbio do Lins de Vasconcelos, dizia às vizinhas que eu e meu irmão éramos os “desencaminhadores” da garotada por sermos os “filhos da desquitada”.

O estrago que Mourão fez na campanha de Bolsonaro, que andava até comprando imagens fake  para não parecer machista é o de um disparo de obus.

Não adianta dizer que a “intenção era outra”, a de falar sobre a vulnerabilidade da mulher com estas solitárias responsabilidades familiares porque, não só não houve essa ressalva como, também, Mourão tem a obrigação de saber que está numa chama de indisfarçada misoginia.

Até a Rachel Sheherazade, direitista até a medula e uma das promotoras do pensamento brutal desta turma, protestou no Twitter:

Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas.”

O general depois não reclame quando uma mulher o puser para correr.

Como as mulheres, felizmente, vão por para correr o seu chefe.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-estrago-que-mourao-fez/


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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A judicialização leva o Brasil ao atraso

Richard Jakubaszko 

Algo precisa ser feito, com base no bom senso, para acabar com as guerrilhas judiciais, pois uma hora dessas o país vai travar.

Agora virou a casa da mãe Joana.
Nesses últimos meses o judiciário e o governo federal mais atrapalharam do que ajudaram o Brasil, especialmente o agronegócio, o único setor que ainda caminha para frente neste país.

Não há exageros na afirmação. Basta analisar a questão do tabelamento dos fretes dos caminhoneiros, que jogou indústrias e agricultores em profunda insegurança jurídica (ver entrevista, Agro DBO setembro, às páginas 26 a 28).

Ou seja, o Brasil está judicializado.

Se analisarmos as ações e decisões (e a falta de decisões, mais a demora em se tomar decisões) do judiciário, considerando todas as instâncias da Justiça, seja pela polêmica do Funrural, depois a tentativa de anular o Código Florestal, e mais recentemente a proibição do glifosato e outros agroquímicos (decisão liminar da juíza federal substituta Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara do Distrito Federal, que Blairo Maggi anunciou como cancelada a liminar da juíza, "derrubada" em 23 de agosto. No dia seguinte, 24, Maggi pediu desculpas, era uma fake news. A suspensão continuava valendo), ou a proibição estadual em São Paulo de caça aos javalis, a situação assume ares de guerra civil. Irmão contra irmão, a mais terrível das batalhas.

No legislativo federal também se cria inseguranças de toda ordem, eis que o Congresso Federal está submetido atualmente a um tiroteio politicamente correto para a aprovação da nova Lei dos Agrotóxicos, ou ainda pela proposta em discussão no Senado para cancelar a Lei Kandir, que tanto ajudou o país nas exportações do agro. A persistirem essas aberrações seria melhor não ter governo federal, e nem mesmo judiciário ou legislativo, e cada um se virar por si mesmo, no melhor estilo “lei das selvas”.

Os três poderes parecem querer levar o Brasil para o caos neste ano de eleições. Desobediência! O ministro da Agricultura Blairo Maggi mostrava ter bom senso, pois afirmou em 16 de agosto último, durante o Congresso Mundial de Solos, no Rio de Janeiro (RJ), que a ordem de proibição do uso do glifosato impediria o plantio de 95% da soja, milho e algodão, as três maiores culturas anuais do país. O ministro, diante dessa temerária ordem judicial, como engenheiro agrônomo que é, e produtor rural, sugeriu conscientemente aos agricultores brasileiros a desobediência da ordem judicial que proíbe o herbicida. “É muito importante dizer: não há saída sem o glifosato; ou não planta, ou faz desobediência da ordem judicial”, afirmou ele. Simples assim.


A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu dessa decisão da juíza no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O Mapa, por sua vez, considerando os 30 dias determinados em lei, dará uma resposta para a juíza federal de Brasília, com provável apoio da Anvisa, de que a decisão tomada, de simplesmente proibir, é um tiro no pé. Segundo o ministro, sem o uso do glifosato os agricultores teriam de retomar a utilização de grades e arados para o preparo do solo. Esses implementos praticamente perderam a função com o crescimento do plantio direto e das lavouras transgênicas resistentes a herbicidas. Franke Dijkstra, um dos agricultores pioneiros do plantio direto no Brasil, em entrevista na edição de agosto da Agro DBO, afirmou categoricamente: “Arado? O nosso solo não resiste, é muito frágil, teremos erosão. O maior pesticida para as nossas lavouras ainda é o arado, que é um predador do solo. Na economia de escala é impossível usar o arado.” São palavras de quem sabe, que explicam e justificam a proposta do ministro Maggi, de que se pratique a desobediência judicial.
 

Para a safra 2018/19 os agricultores provavelmente se safariam da proibição de comprar glifosato. Quase todo mundo já está com estoque na fazenda, só os ingênuos ficaram à espera de uma decisão judicial. O problema seria projetado para a safra 2019/20, pois se a proibição prevalecesse eliminaria a possibilidade de se fazer o plantio direto no Brasil, e sem ele a agricultura retornaria 50 anos no tempo.

Posicionamento Sindiveg
Em relação à decisão pronunciada pelo juízo da 7ª Vara Federal de Brasília, divulgada em 3/8/2018, que determina a não concessão de novos registros e a suspensão de produtos à base de Abamectina, Glifosato e Tiram até que a Anvisa finalize suas reavaliações, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal – Sindiveg – afirmou que a referida decisão antecipa os resultados de reavaliação do órgão competente e cerceia o direito das empresas que comercializam produtos à base desses ativos ao processo legal.

Diz ainda o comunicado do Sindiveg: “Estamos avaliando os impactos para a agricultura brasileira, setor que reúne algumas das atividades econômicas mais importantes do país e que, em 2017, colheu safra recorde de grãos com crescimento de 13%, influenciando no incremento de 1% do PIB brasileiro”.

Defensivos agrícolas são empregados nas lavouras para proteger do ataque e da proliferação de pragas como fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos, evitando perdas de alimentos e outros produtos agrícolas, lembra a diretora executiva do Sindiveg, Silvia Ligabó.

O Sindiveg acompanha, diz ela, e é favorável, às reavaliações de defensivos agrícolas a fim de garantir que o procedimento seja realizado em conformidade com a legislação em vigor (Lei 7.802/89, Decreto 4.074/02 e INC 02/06).
(Nota: em 03 de setembro a liminar em causa foi finalmente suspensa pelo desembargador presidente do TRF-1)


Os três poderes parecem querer levar o Brasil para o caos neste ano de eleições.

Resumo da ópera, diante de tantos problemas: ou os agricultores criam uma associação nacional realmente representativa dos interesses do produtor rural brasileiro, ou vamos todos para o precipício. Não são as cooperativas brasileiras, todas elas regionais, que representarão o produtor rural em ações institucionais e políticas como estamos observando nos últimos anos. Não serão as federações estaduais de agropecuária, e nem a CNA, como confederação, que lutam para assumir essa liderança, mas, no fundo, é o sindicalismo engajado e dependente das contribuições dos sindicatos rurais municipais. Não será a FPA – Frente Parlamentar da Agropecuária, composta por deputados federais e senadores, que será capaz de fazer frente ao ambientalismo ou à mídia engajada nessas questões, também por falta de representatividade e por ser política. E as associações hoje existentes são antigas ou representativas de grupos regionais ou de atividades específicas, como a Unica, no caso das usinas de cana-de-açúcar, ou da soja e milho no Brasil Central, área da Aprosoja. É pouco para defender os produtores de tantos ataques, vindos de todos os lados. Precisamos de uma entidade nacional, unida em torno de todos os agropecuaristas, e que estão sem porta-vozes.

O ambientalismo ataca de frente os produtores rurais, criminalizando a atividade, e acusando-os de criminosos ambientais, e de serem os maiores poluidores do planeta. E ninguém se defende dos ataques dos ambientalistas, grupo de ativistas terceirizados que, na verdade, estão por trás dessa proposta insana de proibir a venda do glifosato, e que estavam à frente da discussão do Código Florestal, ou para desaprovar a nova Lei dos Agrotóxicos.

Os ambientalistas e ONGs acionam os procuradores simpáticos à ecologia no Ministério Público e através destes conseguem obter decisões favoráveis com juízes de primeira instância na Justiça Federal. Esse jogo de caça ao rato foi uma constante na construção da Usina Belo Monte, obra que já foi paralisada mais de 30 vezes por decisões judiciais, sempre com base de que trazia impactos negativos ao meio ambiente, provocando prejuízos incalculáveis ao Brasil, que permanece na insegurança de energia elétrica, e hoje sobrevive pagando bandeira vermelha para os produtores de energia elétrica com fontes fósseis, porque Belo Monte ainda não está pronta, mesmo tendo sido iniciada há mais de 30 anos.

Crie-se, portanto, uma associação representativa do agronegócio e os problemas serão significativamente reduzidos. Caso contrário, é melhor irmos em direção da desobediência civil, e depois façamos preces aos deuses para chover demais ou de menos nas lavouras dos países vizinhos, e, pelo menos com um pouco de coerência grupal, vamos adentrar ao STF com uma ação liminar para proibir as faculdades de direito, seria um bom começo para fazer o Brasil voltar a ter bom senso.

Algo precisa ser feito, com base no bom senso, e no espírito de cidadania, para acabar com as guerrilhas judiciais, pois uma hora dessas o país vai travar. No momento, como diz a música, “tá todo mundo louco”. E, entre mortos e feridos, todos nos salvamos.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A História do Golpe — Ato 1: A derrubada de um governo legítimo

Richard Jakubaszko 
Documentário produzido pela campanha de Dilma Rousseff ao Senado por Minas Gerais mostra como foi forjada a aliança entre parte da mídia brasileira e do setor financeiro nacional, o PSDB e líderes do PMDB para derrubá-la da Presidência da República.
Ao assistir o vídeo e conhecer a versão de Dilma Rousseff e do PT diante da cronologia dos fatos, você poderá julgar quem está com a verdade, se a mídia, que mentiu, ou Dilma. O julgamento, nesse caso, é do povo, é do cidadão, é do eleitor.


O vídeo está ancorado no Youtube.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=5&v=GWpbxLJhgyc
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