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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mosquitos em profusão

Richard Jakubaszko
No início do século XX as autoridades sanitárias identificaram os mosquitos como causadores de endemias, mas eles vão voltar.
 

A CropLife Latin America, a entidade sul-americana congênere da brasileira Andef, enviou por e-mail o curioso cartaz desta página, informando que no dia 20 de agosto celebra-se o dia Mundial do Mosquito.

Curioso, porque é incomum comemorar-se o dia de algo, digamos, negativo, ou ruim, especialmente os mosquitos, transmissores de inúmeras doenças, muitas delas fatais ao homem. Nesse sentido, desconhecemos a existência do dia do assassino, ou do dia do assaltante, ou do estuprador, apesar de existir o dia da mentira, mas apenas como mera ironia, quando é praticada livre e impunemente.

Deixa de ser curioso, e demonstra certo interesse comercial, porque nessa data não devemos homenageá-los, ou presenteá-los, mas combatê-los com pesticidas para tentar manter baixo o seu nível de infestação.

De toda forma, informamos à CropLife Latin América que no Brasil os ambientalistas prepararam inadvertidamente um gigantesco futuro mercado consumidor para inseticidas específicos, conforme determina o Código Florestal, a serem usados nas APPs – Áreas de Preservação Permanente, a serem instaladas ao longo de cerca de 1.380.000 km de rios, riachos e córregos, que o Brasil dispõe, onde deverão estabelecer-se, além de cercas, com moirões e arames, os criatórios de mosquitos, especialmente nas áreas rurais. Multiplique-se essa quilometragem por dois, pois rios costumam sempre ter duas margens, uma de cada lado, evidentemente.

Para as áreas urbanas, onde passam os poluídos rios das cidades, o Código Florestal é omisso e não exige APPs, mas a falta de esgotos encarrega-se de estimular o ambiente criatório ideal dos celebrados mosquitos.

A dúvida que permanece é se haverá dias suficientes no calendário anual para celebrar as futuras gerações de mosquitos. Não adiantou nada, portanto, a descoberta dos sanitaristas no século passado.

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

É fundamental treinar os aplicadores de agroquímicos

Richard Jakubaszko
O programa de educação e treinamento da Andef existe há 25 anos e assume agora uma nova postura para atender também as necessidades do consumidor final, além de mostrar aos agricultores que se pode ser mais eficiente na aplicação de agroquímicos e de qualificar os aplicadores.
O engenheiro agrônomo Fábio Kagi é o gerente da área, e nessa entrevista ao Portal DBO ele esclarece alguns pontos muito interessantes, inclusive de como os produtores podem solicitar à Andef um programa de treinamento.


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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Safra 2015/16: insumos vão ficar mais caros, por causa do dólar.

Richard Jakubaszko
Entrevistei no Portal DBO o diretor executivo da Andef, Eduardo Daher, sobre a questão da subida de preços dos insumos, especialmente os agroquímicos, para a próxima safra.
Daher, como sempre, mostra excepcional poder de comunicação para explicar a problemática de forma objetiva e simples.

O Portal DBO entra em nova e dinâmica fase, agora abordando todos os temas de agricultura, pecuária de corte e leite, sob a liderança do jornalista Sérgio Oliveira, secundado pela Marcela Caetano, e com apoio de toda a enorme equipe de jornalistas especializados no agronegócio da DBO Editores. O link para você acompanhar o Portal DBO, agora também com TV pela internet, é www.portaldbo.com.br 
Vale a pena assistir ao vídeo abaixo:

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Produtos básicos com tecnologia

Eduardo Daher *
Potências mundiais, como os Estados Unidos, auferem bilhões de dólares exportando produtos oriundos de sua agropecuária - artigos sem conteúdo tecnológico, segundo certa corrente teórica. O próprio Brasil saiu-se bem nas últimas crises mundiais e formou um nada desprezível colchão de reservas cambiais na última década em razão dos embarques de commodities agrícolas e minerais.

Mas além da contribuição à balança comercial, é preciso questionar o argumento de que nossos produtos básicos não se incluem em nenhuma cadeia tecnológica sofisticada. Tome-se como exemplo a celulose, um dos produtos 'carimbados' como básico. Sol e terra abundantes, somadas ao clima tropical, favorecem vantagens comparativas em relação aos concorrentes internacionais - mas não apenas isso. Nas nações nórdicas, o eucalipto atinge ponto de corte cerca de 21 anos; porém no Brasil, além dos insumos naturais, os laboratórios instalados para aperfeiçoar espécies desenvolveram variedades que atingem ponto de corte em menos de sete anos.

O País obtém, igualmente, resultados promissores na aplicação de tecnologias no cultivo de frutas e hortaliças destinadas à exportação. Pesquisas realizadas pela Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), por exemplo, desenvolveram películas invisíveis e comestíveis - à base de amido de milho ou proteínas da soja - que protegem os alimentos e substituem os plásticos utilizados para envolvê-los antes de serem vendidos. Com essa técnica, os alimentos poderão ser colhidos maduros, e não retirados do pé ainda verdes, quando enfrentam processos de amadurecimento forçado por agentes catalisadores, com o objetivo de aumentar seu tempo de consumo.

Segundo os pesquisadores, o revestimento poderá diminuir em até 40% o desperdício de alimentos no período que vai da pós-colheita até o transporte e a distribuição. Os alimentos poderão levar até vinte dias para começar a se degradar após a colheita - sem proteção, levam, em média, quatro dias para iniciar o processo de apodrecimento. A maçã, por exemplo, pode ser armazenada, em temperatura ambiente, de cinco a oito dias. Se estiver revestida, esse prazo aumenta para até dezessete dias.

A pesquisa já foi testada em manga, pera, banana, castanhas e hortaliças. A Embrapa desenvolve outro estudo para a produção de etanol de segunda geração. As matérias-primas alternativas, usadas nessa pesquisa, estão em fase de teste e consistem em bagaço da cana-de-açúcar, capim, resíduos florestais e sorgo, encontrados em grandes quantidades na natureza e aproveitados na fabricação desse novo tipo de etanol.

O Brasil também vai transferir tecnologia de cultivo do algodão. A Embrapa e a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), criaram um programa de assistência técnica e capacitação em cotonicultura. Um acordo de 20 milhões de dólares assinado entre o governo brasileiro e as Nações Unidas vai ajudar a incrementar o plantio de pequenos produtores de países em desenvolvimento por quatro anos. Entre os interessados em participar do programa, estão Paraguai, Peru e Bolívia.

O Brasil é o quinto maior produtor de algodão, atrás de China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Técnicas avançadas de plantio, aliadas à utilização de cultivares mais adaptadas ao tipo de solo e clima das regiões produtoras, contribuíram para o avanço da produção. O avanço da tecnologia e o aumento da produtividade permitiram ao Brasil passar de maior importador mundial de algodão para o terceiro maior exportador do produto em doze anos. Mas para atender às exigências das indústrias nacionais e dos clientes externos, a principal preocupação é com a qualidade da fibra. E, depois de treze anos de pesquisas, o Brasil inovou também na produção de variedades comerciais do algodão colorido. A fibra vale o dobro da convencional, aumentando a renda de pequenos produtores do sertão nordestino, cuja produção é cobiçada no Exterior.

Portanto, mostra-se equivocado um lugar-comum nas análises econômicas que colocam o Brasil como um país exportador de produtos básicos e comprador de manufaturados, como se ainda estivesse preso a seu período colonial. Como o País comprava, ser vendedor de produtos básicos não é, necessariamente, sinônimo de atraso nem de maus negócios. Muito ao contrário: o campo brasileiro vem proporcionando vários bons motivos para não sermos complexados tecnologicamente.

* Eduardo Daher é economista, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Jornal Nacional: notícias requentadas.

Richard Jakubaszko
Assisti hoje, como milhões de brasileiros, ao Jornal Nacional. Raramente faço isso, hoje foi um "acidente de percurso", por ter chegado em casa mais cedo.
A série de reportagens, iniciada hoje pelo Jornal Nacional, sobre os agrotóxicos, quase me fez cair da poltrona onde estava confortavelmente instalado. O que vi foi uma avalanche de comentários críticos tendo por base uma pesquisa mal conduzida em 2010 pela Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, já discutida e criticada ad nausem, seja pelos exageros cometidos, pela metodologia ou pelas interpretações distorcidas. Alguém deve se lembrar que o então ministro da Saúde durante o Governo Lula, José Gomes Temporão, chegou a afirmar que não comeria mais pimentões.

Pois repetiram a dose. O Jornal Nacional requentou a notícia para os dirigentes da Anvisa, e os coleguinhas repórteres deitaram e rolaram no sensacionalismo, como se fosse uma bomba. Praticaram um jornalismo vil, sensacionalista, que apenas instala o pânico entre a população.

Sobre essa pesquisa, e a conduta de trabalho da Anvisa, publiquei aqui no blog, em  julho último, um artigo (A Anvisa, a quem serve?) que esteve entre os mais lidos em toda a história deste blog: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/07/anvisa-quem-serve.html
Nesse artigo mostrei algumas das formas de atuar dessa entidade, a Anvisa, que deveria proteger, como diz seu nome, as questões sanitárias que dizem respeito à população, mas prefere fazer sensacionalismo midiático e criar pânico, pois essa é a opção pessoal de seus dirigentes.

Em outro artigo, "Tudo o que você precisa saber sobre agrotóxicos", este de novembro 2011, http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/11/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre.html  mostrei como funcionam os agrotóxicos, e exibi declarações, tanto de técnicos do Ceasa-SP, como de um médico da Unicamp, que desmentem frontalmente as afirmações da Anvisa através dessa pesquisa que ressuscitaram hoje e que o Jornal Nacional vergonhosamente requentou, como se fosse notícia novíssima.

Quais são os interesses por trás desse autêntico banditismo jornalístico? No jornalismo da TV Globo não há inocentes, nem gente mal informada. Sabiam que a pesquisa foi feita em meados de 2010. Por que a requentaram, como se fosse notícia nova? Jornalismo requentado na área política é comum, mas não em casos de saúde pública. A TV Globo deveria se explicar, na minha modesta opinião.

Na Anvisa, parecem demonstrar falta do que fazer e dizer, ou então tentam reunir forças para estabelecer, quem sabe, uma consulta pública. Ou coisa pior.
O desserviço à população é o medo, o pânico generalizado, fará milhares de mães alimentarem mal seus filhos e suas famílias, sem verduras e legumes por muitos dias.

É óbvio e evidente a baixa significativa dos preços nos próximos dias. Muitos agricultores, se estiverem com alguma dificuldade financeira hoje, quebram nos próximos dias, inapelavelmente, pela irresponsabilidade "parceira" da Anvisa e do Jornal Nacional. Uma vergonha essa atitude, para os serviços públicos e para o jornalismo.
Cadê os bispos do Brasil? Ou melhor, cadê os procuradores do Ministério Público, alguém vai questionar isso?

EM TEMPO:
20:30 horas de 07/12/2011
Fui checar no Folha Online alguns detalhes da pesquisa. São os mesmos dados apresentados pelo Jornal Nacional, como se a notícia fosse um press release irretocado. Porém, a FSP apresenta um detalhe relevante em toda essa história: os dados citados da "pesquisa" da Anvisa referem-se a testes laboratoriais feitos com alimentos coletados em vários estados, exceto no estado de São Paulo. Por que justamente São Paulo ficou de fora? Ora, é de uma obviedade quase ululante: é que no Estado de São Paulo a Anvisa poderia ser contestada, pois apenas em São Paulo existem laboratórios com condições técnicas laboratoriais para realizar esses testes, inclusive os reagentes específicos, que são todos importados e muito caros. Para se detectar cada agrotóxico presente num alimento precisa-se de um reagente, e, ao que se sabe, não mais do que 4 ou 5 laboratórios no Brasil possuem essas condições, e todos estão em São Paulo, sendo que 2 deles pertencem à multinacionais.

A todas essas, a mídia caiu na esparrela midiática da Anvisa, pra mim isso está muito claro.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A agricultura que o Brasil almeja

Richard Jakubaszko
Pela relevância do assunto e pertinência da argumentação, reproduzo aqui no blog artigo publicado hoje no jornal Folha de São Paulo, assinado pelo meu amigo Eduardo Daher.
Por ser um profissional, diretor-executivo da Andef, que representa as empresas do segmento de agroquímicos, todas multinacionais, Daher se mostra objetivo e restrito ao tema, sem entrar na discussão do mérito de questões políticas e ideológicas, que permeiam o artigo anterior de Stédile na mesma FSPaulo.

Publiquei no blog http://richardjakubaszko.blogspot.com/2007/12/agricultura-poluio.html o artigo "Agricultura é poluição", em dezembro de 2007, mas pessoas como Stédile não são afeitas à leitura de artigos que contradigam as suas opiniões, até porque possuem interesses inconfessáveis. De tudo isso me resta um consolo, de que Daher, eu, e muitos outros, não estamos sozinhos nesta luta insana para defender a agricultura brasileira de ataques interesseiros, de gente que cospe no próprio prato em que come suas três refeições diárias.

seção Tendências e Debates

A agricultura que o Brasil almeja
Eduardo Daher
As tecnologias genéticas e químicas estão ligadas à competitividade agrícola, por mais que isso tire o humor de seus adversários.

"O feijão colocado à venda nesta manhã acabou rápido nas feiras livres de São Paulo. Com preço tabelado a Cr$ 38,00 pela Coap, Comissão de Abastecimentos e Preços, a venda do produto foi limitada a 2 kg por pessoa. A falta de feijão, e o conseqüente aumento de preços no último mês, obrigaram o governo a expropriar os estoques do produto na Ceagesp e nos armazéns da Companhia Santos-Jundiaí. Instituições de caridade e hospitalares solicitaram prioridade na aquisição do produto."

A notícia acima, publicada em 21 de agosto de 1959, na 'Folha da Noite', remete a um passado sombrio na vida dos brasileiros, mas é apropriada para que se reflita sobre um equívoco que vem se exacerbando: o de certas lideranças tratarem a agricultura competitiva como se fosse 'inimiga' do país. É isso o que sugerem discursos como o de João Pedro Stedile, da direção nacional do MST ('Tendências/Debates', 28/5). Tal visão coloca em xeque o papel do setor estratégico para a economia nacional.

A atividade agropecuária é provedora da extensa cadeia de alimentos que temos em nossas mesas; fornece, ainda, a infinidade de bens imprescindíveis no nosso dia a dia e de bilhões de pessoas em todo o mundo -do papel deste jornal que lemos à roupa que nos veste. Responde por 23,7% do PIB nacional; movimenta 38,5% das exportações e emprega cerca de 40 milhões de pessoas. A pesquisa e a adoção de tecnologias de base genética (sementes) e química (fertilizantes e defensivos) estão diretamente associadas à competitividade agrícola brasileira. Por mais que esse fato tire o humor dos seus adversários.


Na luta contra a ciência genética, que antes já revolucionara a medicina e hoje aprimora os cultivos, tais lideranças renegam até o sucesso dos pequenos produtores que dizem defender. Foi o que narrou a Folha de S. Paulo, em 23/1/2009, em reportagem sobre o assentamento gaúcho Novo Sarandi: agricultores que adotaram a soja geneticamente modificada foram ameaçados de expulsão da área por dirigentes do movimento. 'Não é um assentamento modelo por causa da contradição da soja transgênica', afirmou um líder.

Perdida a batalha contra os organismos geneticamente modificados (OGMs) junto à opinião pública, que, superado o receio inicial, se mostra mais compreensiva em relação aos transgênicos, aqueles líderes se voltam contra os defensivos agrícolas, ou agrotóxicos. Uma luta insensata, já que a defesa fitossanitária é imprescindível no combate às pragas que devoram cerca de 40% dos alimentos nas plantações no Brasil. 'As alterações do clima acarretam modificações na incidência de pragas agrícolas, com sérias consequências econômicas, sociais e ambientais', explica o engenheiro agrônomo Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa.

Na agricultura tropical, como no Brasil, as pragas são ainda muito mais danosas do que nos países de climas frio e temperado. Agricultores que têm suas lavouras dizimadas em poucos dias sabem o drama que isso significa.
A lavoura arcaica, tão apregoada por tais lideranças, não beneficia a agricultura, muito menos o país.

Diferentemente, com o olhar num futuro de paz, o que milhões de produtores rurais e, afinal, toda a sociedade almejam é um novo tempo no campo, que vem já se realizando, aqui e agora, mas capaz de impulsionar ainda mais um virtuoso ciclo de prosperidade para todos os brasileiros.

Eduardo Daher , 60, é economista pela FEA-USP, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).