Mostrando postagens com marcador Fernando Penteado Cardoso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Penteado Cardoso. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Elogio a um grande pioneiro: Fernando Penteado Cardoso

John N. Landers *

Eng. Agrônomo Fernando Penteado Cardoso (1914-2021)

Conheci Eng. Agr. Fernando Penteado Cardoso e seu filho Eduardo P. Cardoso nos anos 1970, quando este trabalhou comigo no Projeto de Sementes Forrageiras da International Plant Breeders, em Matão, São Paulo. A ele devo todo o sucesso profissional que alcancei, na promulgação do Plantio Direto no Cerrado. Realmente é ele que deve levar o credito do grande sucesso dessa tecnologia na região do Cerrado, que quebrou os paradigmas seculares de arar a terra. No país inteiro, isto tornou a agricultura brasileira a mais sustentável do planeta, com 35 milhões de hectares implantados hoje, desta tecnologia tropical e sub-tropical tupiniquim.

Eduardo tinha presenciado o meu primeiro Plantio Direto (PD) em Matão-SP, no ano 1976, com milho, em vários relvados de leguminosas forrageiras perenes, usando a plantadeira pioneira “Rotacaster”, fabricada pela empresa FNI – Fábrica Nacional de Implementos, de S. Paulo, Itapecerica da Serra, onde obtivemos resultados positivos. O objetivo era de fornecer um tutor para as leguminosas treparem e aumentar a sua produção de flores e sementes, incidentalmente reduzindo o custo de produção das sementes leguminosas pela venda do grão do milho. A partir de 1977, eu me tornei produtor de soja em Morrinhos, Goiás; alguns anos depois, sabendo do meu sucesso com PD na lavoura de soja em Morrinhos, introduzindo o SPD em 1982, Eduardo contou ao pai.

No ano de 1988, Eng. Agr. F.P. Cardoso me chamou para a sede de sua empresa, a Manah S.A, em São Paulo e quis saber do Plantio Direto. Expliquei os fundamentos e ele escutou atentamente. Por ser um pensador desprendido de preconceitos, não somente aceitou, mas apreciou o potencial do sistema, principalmente no controle da erosão e conservação da umidade no solo. Anunciou-me que queria financiar um projeto piloto para aprimoramento dessa tecnologia. Então, a Manah S.A. outorgou à minha empresa J.L. Associados Ltda., financiamento de três anos para um projeto piloto em Morrinhos-GO. Naquela época contava-se nos dedos da mão os adotantes de PD e, tanto a pesquisa quanto a extensão, não davam qualquer apoio oficial e chegavam até mesmo a apregoar o seu fiasco.

Com esse apoio, implantei sessenta parcelas, de um hectare cada uma, em duas fazendas em Morrinhos. Essas parcelas foram conduzidas com equipamento comercial adaptado para o PD, envolvendo as mais variadas culturas e consórcios, além de diferentes modos de plantio, de adubação e do uso de herbicidas. A principal inovação foi de semear uma leguminosa forrageira na linha de milho. No ano seguinte, dessecou-se a leguminosa e foi plantado milho dentro de relva morta de leguminosa, que logo brotou da raiz e forrava o chão, fixando nitrogênio. Não foi adiante essa técnica porque não tinha herbicida para controlar leguminosas em soja, a cultura coqueluche na época. Hoje, com RR seria possível fazer sucesso imediato, especialmente com pequenos agricultores.

Outras inovações testadas na parceria com a Manah S.A foram as sobressemeaduras de milheto e Brachiaria decumbens em soja, os testes de distribuição de sementes com a Vicon, o pastoreio de restevas com cerca elétrica neozelandesa, o semeio intercalado de gergelim em soja e de colonião em milho, a seleção de linhagens de milheto, a gessagem de toda a área e a produção de sementes de diversas coberturas, principalmente o milheto.

A experiência acumulada entre os anos de 1988 e 1992 permitiu o lançamento de cursos rápidos de Plantio Direto. Eng. Agr. F.P. Cardoso inaugurou o primeiro curso em Morrinhos no ao 1988. A fundação da Associação de Plantio Direto no Cerrado – APDC, ocorreu durante o segundo curso realizado em Santa Helena de Goiás, na fazenda Santa Fé, de Eng. Mec. Ricardo Merola, eleito como o primeiro presidente da APDC. Até 2005 foram treinados 1.200 técnicos da região de Cerrado e da CATI em São Paulo e tínhamos 47 Clubes Amigos da Terra, ou equivalentes, associados à APDC.

Com a falta de informações de pesquisa, foi lançado, com patrocínio da Manah, do Banco do Estado de Goiás e empresas do Agro, o “Fascículo de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, manual prático que subsidiou milhares de agricultores na adoção do PD. Tudo graças ao “start” dado por Eng. Agr. Fernando Cardoso e a Manah S.A. Em 1996 foi lançado o jornal “Direto no Cerrado”, com tiragem de 10.000 exemplares, que circulou até 2010, sempre com a “Coluna do Cardoso e com o apoio financeiro da Manah e outras empresas do Agro.

Em Morrinhos, utilizamos o adubo Fosmag, idealizado por Eng. Agr. Fernando Cardoso, que continha todos os principais macro e micro-elementos que a planta necessitava, nas proporções corretas. Uma pena que os sucessores da Manah S.A. descontinuaram a produção desse fertilizante. Ele era mais caro, mas proporcionava maior retorno sobre o investimento.

Durante os eventos de divulgação de PD, organizados pela APDC e uma coligação de empresas do agronegócio, incluindo a Manah, por toda a região do Cerrado, uma das presenças mais assíduas era do Eng. Agr. Fernando Cardoso, sempre interessado no desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Seu legado é um Brasil exportador de alimentos, longe de um Brasil importador da época da fundação da Manah. Diga-se de passagem, que Colin Landers, meu tio, quando gerente de fazendas da empresa inglesa Fazendas do Cambuhy, em Matão-SP, comprou fertilizantes de Eng. Agr. Fernando Cardoso durante os anos 1940 e 1950.

Assim, com os 15 milhões de hectares em PD na região hoje, do Cerrado, relato, de forma elogiosa, as atividades pioneiras que se derivaram do apoio da Manah e do Eng. Agr. Fernando Penteado Cardoso, e do Grupo de Plantio Direto das empresas de agroquímicos. Este elogio seria incompleto ao não mencionar a grande contribuição à genética da raça Nelore que foi feito no aprimoramento da linhagem Lemgrüber, hoje continuado pelo seu filho Eduardo. Com essas e outras iniciativas múltiplas, culminando com a criação da Fundação Agrisus – que apoia projetos práticos de pesquisa e desenvolvimento na área de solos e conta com o patrocínio da família Penteado Cardoso – Fernando se tornou um grande incentivador do progresso da agricultura moderna no Brasil. Sua mente brilhante continuou contribuindo, aos 105 anos, debruçando sobre como melhorar a técnica da agropecuária brasileira. Essas palavras são parcas e insuficientes para descrever a imensa contribuição à agropecuária moderna do Brasil, do epigrafado, Fernando Penteado Cardoso.

Brasília, 9 de setembro 2021

* o autor é O.B.E. e Doutor Honoris Causa (UFG).

 

 

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Morre Fernando Penteado Cardoso, 106

Richard Jakubaszko    Morreu ontem, aos 106 anos de idade, a apenas 11 dias de completar seus 107 anos de intensa vivência, meu amigo Fernando Penteado Cardoso. Vai deixar muita saudade entre familiares e amigos.

Abaixo algumas fotos de meu arquivo pessoal, as quais coleciono há muitos anos, e que guardei justamente para relembrar numa data como esta a sua longa e produtiva vida, porém com certos receios de que nunca viesse a utilizá-las, dada a costumeira quebra de recordes que o Dr Cardoso nos impunha. 

Fiz diversas entrevistas com ele, seja para o Portal DBO, registradas em vídeo no www.portaldbo.com.br ou em minha página no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCQQ9UrbYg9OYhRaVem81-JA/videos ), e ainda para a revista Agro DBO, sendo exemplo maior aquela que comemorou e homenageou o centenário desse cidadão exemplar. Essa entrevista, "100 anos de paixões", eu reproduzi aqui no blog, no dia 19 de setembro de 2014 e pode ser lida neste link:
https://richardjakubaszko.blogspot.com/2014/09/100-anos-de-paixoes.html

Desde março de 2020 o Dr Cardoso estava "escondido" do coronavírus numa propriedade rural da família, no interior de São Paulo. Meu último encontro pessoal com ele foi em meados de 2019, e já apresentava sinais claros de que sentia o peso da avançada idade. A audição cada vez mais deficiente, e também a visão, o que o obrigou a parar de praticar seu exercício favorito, o de navegar na internet.

Aos seus familiares e amigos, os meus sentimentos. Mas reconheçamos, ainda em tempo, foi um privilégio conviver com esse sujeito, como amigo, cidadão e parceiro, tantas foram as interações, eis que até livro escrevemos juntos. 

Festa dos 105 anos (set/2019)

Vésperas de comemorar os 100, em visita do blogueiro
Aqui, aos 98, na Sociedade Rural Brasileira (SRB)
   
Com o blogueiro, no Congresso de Fertilizantes da Anda (102 anos)
 
No mesmo congresso, com Roque Dechen e o blogueiro






























































































Com o pesquisador José Caram (IAC)-2015, ato em homenagem a FPC












Aos 100, FPC em sua sala de trabalho na Fundação Agrisus.
Na festa dos 99, com a bisneta Luiza no colo.
FPC em 2012, pilotando uma cadeira de rodas.
Com Norman Borlaug (em 1998), plantando árvores.

  
 
Aos 102, mais uma vez entrevistei FPC para o Portal DBO

Visita na DBO, em 2018, papo com Sérgio Oliveira, Daniel Bilk Costa e eu.

Visita na DBO, eu com Demétrio Costa e Sérgio Oliveira, 2019.








sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Agro DBO, é tempo de despedidas.

Richard Jakubaszko    
Registrei no último editorial da Agro DBO nº 106, de dez-18/jan-19, a seguinte mensagem:

É tempo de despedidas. Mas não são definitivas, esta Carta ao leitor não é um adeus. Agro DBO, em sua versão impressa, tem nesta edição de nº 106 sua derradeira publicação.

Daqui para frente estaremos apenas no digital, através do Portal DBO. Isto porque, mudanças de conjuntura exigem mudanças de estratégias. É um sinal dos tempos, pois os agricultores mais jovens indicam que preferem o ambiente digital, mais rápido, dinâmico, instantâneo, e vibrante.

Não somos os pioneiros, como o leitor já deve ter percebido, eis que tradicionais publicações impressas mundo afora já tomaram decisão idêntica a esta. Evidentemente que foi uma conclusão amadurecida. Não apenas os leitores da revista impressa nos indicavam essa tendência, mas também os publicitários e marqueteiros, pois dão preferências ao mundo digital.

O jornalismo nos levou a consolidar questões como credibilidade naquilo que se publica, mas a internet nos contraria, o mundo digital é um modismo que veio para ficar, apesar das fake news.

Seguiremos no digital, empenhados na busca de caminhos por meio dos quais possamos construir uma nação digna em todos os sentidos e para todos, e de uma agricultura forte, atuante, tecnológica, capaz de alimentar os brasileiros e ainda gerar divisas. Mas precisamos dos leitores e dos anunciantes. Se eles estão no mundo digital é para lá que iremos, conquistar leitores, disputar mercado, participar, e, se possível, descobrir novos caminhos.

Nesta derradeira edição impressa, Agro DBO traz como matéria de capa a reportagem “O bicho vai pegar”, do jornalista Ariosto Mesquita, que aponta as pragas de difícil controle no plantio de grãos.

Entre os destaques da edição, além de nossos vibrantes e apaixonados colunistas, que nos acompanharão na versão digital a partir de janeiro, há um singelo e lúcido texto do centenário engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso sobre o emprego da óbvia palhada, recurso tecnológico tropical que espanta o mundo inteiro e deve sempre ser levado em conta pelos agricultores.

Merece ainda atenção dos leitores reportagem sobre a Eima, feira internacional de máquinas agrícolas que Agro DBO visitou em novembro último, em Bolonha, na Itália, e que aponta tendências futuras do agro.

Recomendamos também a entrevista que Tereza Cristina, a nova ministra da Agricultura, concedeu para Agro DBO, em que revela seus propósitos à frente do Ministério da Agricultura, além da missão que foi dada a ela pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. São novas mudanças que teremos em nosso Brasil, e que poderão exigir alterações nas estratégias dos leitores.

Como brinde aos leitores Agro DBO publica nesta edição a segunda Tabela de (in)Compatibilidades de misturas em tanque de agroquímicos e fertilizantes foliares para as culturas de batata, tomate, hortigranjeiros, café e algodão. O trabalho tem patrocínio das empresas Microquímica, Jacto, FMC e Agrotis, e é uma excepcional ferramenta de trabalho para os agricultores e bibliografia para os engenheiros agrônomos, em trabalho técnico da UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná e da Embrapa Soja.

Venham com a gente para o digital, no www.portaldbo.com.br

,

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Fernando Penteado Cardoso faz hoje 104 anos. Parabéns!

Richard Jakubaszko  
Dr Fernando, saúde, parabéns pelo dia de hoje, e continue assim, contribuindo com seus valiosos ensinamentos, mas também com somas das estatísticas que nos revelam que a expectativa de vida média dos brasileiros está aumentando, hoje ao redor de 73 anos. Com sua ajuda (e de outros com mais de 90 que estão na sua cola) levantaremos essa média para mais de 80!!!

Portanto, muitos anos de vida!

Fico na expectativa de receber seus novos escritos, especialmente o pé de grade, me sentiria honrado em ter a primazia de publicar esses textos na Agro DBO.
E-abraço!

PS. Minha neta faz hoje lindos 15 anos!!! É tudo alegria!

Fotos do Dr Fernando Penteado Cardoso, definitivamente, o homem não é normal, ele é diferenciado...
A foto do peixe recebi há pouco, enviada por Manfred Schmid, lá de Curitiba. As demais são de meu arquivo pessoal.
Aos 103, semana passada, em algum rio no Brasil Central.

Aos 103, no Congresso de Fertilizantes da Anda, em 2017.
Aos 102, concedeu-me entrevista no Portal DBO.

Aos 93, entrevista que foi capa da DBO Agrotecnologia/OUT/2007.
Beatriz, a neta, exibe seu porquinho da Índia, hoje faz 15.

.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ser agrônomo

Fernando Penteado Cardoso 
Neste dia do agrônomo, lembrei-me de escrito de anos atrás.
Grande abraço
FC
            Ser agrônomo
É cuidar de plantas,
é tratar os animais,
estudando a natureza.
É trabalhar a terra,
é melhorar o solo,
zelando pelo ambiente.
É se lembrar do homem,
é ensinar o que sabe,
pensando nos que virão.
É dedicar-se à pátria,
é planejar o amanhã,
sonhando com as estrelas.

Fernando Penteado Cardoso
USP-ESALQ 1936
Dia do Engenheiro Agrônomo,
12 Out.1981

.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Fernando Penteado Cardoso, 103 anos de muitas paixões

Richard Jakubaszko  
Fascinante ser contemporâneo, mais do que isso, tenho o orgulho e honra de poder dizer, amigo fraternal desse grande brasileiro, o engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso. Ontem, 19 de setembro, FPC completou 103 anos, e mandei a ele e-mail parabenizando-o pela data. Hoje, voltou um e-mail, claro, lúcido, consciente, de um homem de seu tempo, e compartilho com os internautas a inteligência de FPC:

Muito obrigado Richard por suas amáveis palavras.
Quis o destino que testemunhasse o convívio com grandes amigos, com numerosa família e com fantástica evolução da profissão. Passo pela vida com a sensação de uma grande e emocionante viagem que está se aproximando do destino final. Valeu a pena.
Grande abraço
Fernando Cardoso

From: Richard Jakubaszko
Sent: Tuesday, September 19, 2017 5:36 PM
To: AGRISUS - Fernando Penteado Cardoso
Subject: PARABÉNS, 103 está próximo de muitos recordes

Dr Fernando,
quase redundância dizer "muitos anos de vida", mas tenho a certeza que serão batidos muitos recordes ainda.
Saúde! Porque o resto a gente corre atrás, não é?
Grande abraço!
Richard Jakubaszko

 
FPC e o blogueiro, Congresso Fertilizantes ANDA - agosto/2017 - SPAULO

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Politicamente correto: progressista ou conservadorismo?

Richard Jakubaszko
Estranho mundo contemporâneo este que vivemos nesta quadra geracional, onde as imbecilidades brotam de todos os lados, como se fossem nuvens de gafanhotos, especialmente na blogosfera. Considerando que o tal do “politicamente correto” é uma ação neutra, ou seja, um comportamento ou comunicação proveniente de uma pessoa ou empresa, que não deseja criar conflitos com ninguém, ou, melhor ainda, pretende evitar polêmicas, e ficar “de bem” com todo mundo, a prática alastrou-se mundo afora, mas nem por isso deixa de provocar arrepios em gente como eu, que tenho o olhar do estrupício integrado no meu modo de “piloto automático” de levar a vida, seja no tempo pessoal ou profissional.

Vivemos hoje em dia no Brasil, liderados pela grande imprensa, em especial a TV e a internet, uma gigantesca hipocrisia do politicamente correto, seja em termos econômicos, sociais ou jurídicos, e que afetam o político. A consequência de tudo isso é que é tudo mentira, ou seja, tudo que você lê ou assiste, ou é ficção, como num filme ou novela, ou é hipocrisia, amparada no “politicamente correto”, comportamento que acaba gerando fatos e notícias dentro do que alguém pensou que seria legal fazer para chamar a atenção das massas. Porque é óbvio que esse politicamente correto tem a onipresente pretensão de ser algo definitivamente inteligente, que será eternizada entre nós mortais integrantes das massas como a verdade mais inteligente e absoluta, algo como uma tábua dos 10 Mandamentos, mesmo que a tal ideia ideia seja um chiste juvenil com alto valor de mediocridade.

Pois não é outra a ideia imbecil de censurar algumas marchinhas de Carnaval como “Maria Sapatão”, “Teu cabelo não nega, mulata”, “Índio quer apito”, “Cabeleira do Zezé”, e outras menos votadas, simplesmente porque seriam “polêmicas”, ou porque incomodam algumas minorias. E essa mediocridade vai parar nas páginas online dos jornalões, como se fossem verdades definitivas, endeusadas por algum(a) jornalista que aplaude a criatividade do medíocre que se julga criativo e que anda a fermentar ideias politicamente corretas para aparecer na mídia.

As justificativas que li, para explicar a censura contra as marchinhas de Carnaval, são hilárias e medíocres, pois não há outro nome para qualificar essa aberração moralizante do politicamente correto. Essa, parece num primeiro momento, que é progressista, porque se preocupa em não invadir o espaço do próximo, pretensamente não quer ser incômoda e nem ofender a qualquer outro. Mas, como já é prática generalizada, acaba por ser conservadora, porque é conveniente aos medíocres e inseguros poderosos de plantão, seja em que área for.

Politicamente correto, como me informou o amigo engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, 102 anos, um capitalista de mão cheia, que tinha tudo para ser conservador, mas é um progressista no sentido lato da palavra, é “pegar um pedaço de merda pela parte mais limpinha da coisa”.

Veja lá ( https://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2011/04/definicao-de-politicamente-correto.html ), publiquei isso aqui no blog em 2011, a título de atualização intelectual, digamos assim, mas nesse curto espaço de tempo transcorrido as coisas pioraram... O pior de tudo é que não posso, ou não devo nem dizer que “isso é veadagem”, pois arrisco-me a ser xingado de homofóbico, logo eu que sou apenas hétero, porque Deus me fez assim, e aceitei com gosto, sem discussão, de cumprir meu papel dentro desse figurino. Mas, costumo retrucar, quando xingado, que quem me xinga é heterofóbico, então o bicho vai pegar, não tenha dúvida, leitor, é veadagem mesmo... Pois o politicamente correto, é eticamente incorreto.

E tenho dito!

.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Brava gente (Excertos)



Roberto Rodrigues *
Assisti o Brasil sendo construído com duro trabalho incessante. Vi os primeiros gaúchos chegarem a São Gabriel do Oeste em cima de velhos caminhões de mudança deixando para trás tudo o que tinham, inclusive sua história familiar. Abastecia então o carro em postos precários, onde frentistas eram meninos e meninas de olhos azuis, pés descalços e mal vestidos, mas trazendo no rosto a coragem e a determinação de seus pais em plantar o futuro. Eram campos de terra fraca, desprezados pelos tradicionais agricultores do Sudeste. Passo lá agora e vejo centenas de milhares de hectares com a soja bufando, já no "canivete".

Esta gente extraordinária, mulheres e homens que batalham todos os dias, anos a fio, arrostando dificuldades de toda ordem, estão construindo de fato o nosso Brasil.

Esta gente extraordinária, mulheres e homens que batalham todos os dias, anos a fio, arrostando dificuldades de toda ordem, estão construindo de fato o nosso Brasil, ...a todo este imenso sertão brasileiro, não saberá jamais quem faz esse País bombar.

Toda essa brava gente brasileira quer progredir e avançar socialmente, não importando se são pequenos, médios ou grandes. Todos mourejam o dia todo torcendo ora por sol, ora por chuva, e sonham todas as noites com um futuro melhor para seus filhos e netos. E transformam seus sonhos na bela realidade do agronegócio brasileiro pujante e competitivo, sustentável e moderno.

Toda essa gente está preocupada com a brutal crise econômica, social e política em que maus gestores meteram o Brasil. Mas, apesar dessa crise sem precedentes, toda essa gente destemida continuará a plantar, tratar e colher sua soja, seu milho, seu algodão, seu arroz e feijão, seu café, sua cana-de-açúcar, suas frutas e verduras, seu cacau, suas pastagens, sua seringueira, seu tabaco, seu amendoim e seu girassol. Vai transformar grãos em carne de frango, de suínos e em leite e derivados, e pastos em carne bovina. Vai plantar eucaliptos e pinheiros, vai dar mercado para quem produz insumos e serviços, vai fornecer a matéria-prima para a indústria de alimentos e bebidas, de moda, de móveis e de livros. Vai gerar empregos, riqueza e renda. Vai abastecer todos os brasileiros e vai alimentar milhões de estrangeiros. Vai continuar com sua inquebrantável bravura a construir uma grande Nação.

Divulgado em 16.01.2017. O texto foi enviado pelo amigo Fernando Penteado Cardoso, engenheiro agrônomo, turma de 1923 da Esalq.

* o autor é engenheiro agrônomo, ex-ministro da Agricultura.
.

sábado, 6 de agosto de 2016

Fernando Penteado Cardoso, 102 anos, pensando no futuro.

Richard Jakubaszko
Com enorme alegria entrevistei o engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso para o Portal DBO. 
Com uma memória extraordinária o Dr. Fernando, aos 102 anos de idade, a serem completados em setembro próximo, discorre sobre fatos do passado, cita datas e nomes, e não se perde nos comentários mesmo com raciocínios mais complexos. E ainda reclama que hoje em dia não se fala e nem se projeta o futuro...
Vale a pena assistir a entrevista com ele. É lição de vida na veia jugular.

.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Embrapa: 61% do território brasileiro está preservado

Fernando Penteado Cardoso
Recente boletim da Embrapa Monitoramento por Satélite informa que:
FPC, quase 102, e muito ativo
...”61% do território brasileiro está preservado e com vegetação nativa, enquanto que apenas 8% do território nacional é ocupado com cultivos de produção de alimentos, energia e florestas plantadas”. Para Maggi, o gráfico pode ser entendido como um verdadeiro "green card" do Brasil a ser apresentado por todos já que não existe no mundo país com tal desempenho de preservação e proteção ambiental.

A conclusão implícita é que melhor seria ter 100% do território preservado com vegetação nativa. Essa não, senhor ministro! 

A vegetação nativa não gera riqueza nem influi sobre o clima que é decorrente do sol, dos oceanos e da rotação da terra... O misticismo da floresta foi criado para evitar aumento da produção de grãos com o consequente impacto sobre os preços. Melhor seria o boletim ter dito:

“...”39% do território já foi aberto para agricultura assegurando a atual posição do país na produção de grãos. Para Maggi, merecemos o “green card” pela área verde de nossas lavouras e florestas plantadas para celulose e captação da energia solar na forma de carvão e lenha. Ainda temos grandes áreas sob clima de sol, calor e chuva, a serem abertas para que possamos atender as necessidades mundiais futuras de alimento, fibra e energia.
FPC

  

.