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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump, o chantagista

Richard Jakubaszko
A iniciativa trumpista de taxar em 50% os produtos brasileiros exportados para os EUA vai dar com os burros n'água. Nenhuma das anunciadas taxações das importações americanas contra países como China, Índia, Rússia ou Europeus se concretizaram até o momento, estão todas em negociação, canceladas por acordos bilaterais ou proteladas pela Justiça americana.

Ontem e hoje a mídia brasileira fez um estardalhaço sobre o tema, abordando questões econômicas, políticas, jurídicas, diplomáticas, ideológicas e comerciais sobre a ameaça de Trump, com asneiras a granel. E raras inserções de brilhantismo.


Vejamos algumas das questões do problema:

1 - A carta de Trump para Lula é um pacote de acusações disparatadas e com abordagens e citações de cunho impreciso, além de algumas serem distorcidas ou mentirosas. Não é verdade que a balanças comercial Brasil-EUA seja favorável ao Brasil, pelo contrário, o Brasil tem déficit nesse fluxo, de centenas de milhões de dólares. Trump está muito mal informado pela sua assessoria. Ou distorce fatos de acordo com sua conveniência.

2 - Trump cita na carta a "falta de democracia" brasileira, onde se faz censura, segundo ele, especialmente por parte da Justiça do STF, ao proibir e mandar retirar das plataformas de algumas redes sociais de origem americana conteúdos mentirosos, as chamadas fakenews, como responsável pela taxação dos produtos brasileiros. Pode isso? Não, não pode, mas Trump age como garoto mimado e birrento, e recorre a outra faceta, a de acusar o Brasil de "caça às bruxas" com o desenrolar do processo que o STF move contra Jair Bolsonaro, na opinião dele "um líder internacional" (pausa para gargalhadas...). Com certeza Trump se espelha na situação de Bolsonaro, pois foi também acusado na Justiça americana pelos mesmos atos, ação que foi protelada para prosseguir depois que terminar o mandato dele, pois um Presidente dos EUA não pode ter ações na Justiça enquanto exerce o cargo.

3 - Trump ameaça o Brasil de atribuir novas (e iguais) taxas aos produtos brasileiros se o Brasil usar da clássica e tradicional reciprocidade de taxar produtos americanos importados. Uma simples questão de chantagem comercial que a OMC (Organização Mundial do Comércio) pode arbitrar se o Brasil efetuar uma queixa formal. Apesar de lembrarmos que esses julgamentos demoram meses ou anos. O comportamento de Trump não se sustenta, seria interessante alguém desvendar qual o objetivo real de Trump nessa patacoada.

4 - Na mídia o foco tem sido o de apontar agronegócio como o setor mais prejudicado. Não é verdade. O agro será prejudicado, sem dúvida, mas não esqueçam que o Brasil é exportador de petróleo bruto para os EUA, o item maior de nossas exportações e importa diesel e gasolina, pagando por serviços de refinaria, e as taxas do Trump impactariam o preço desses produtos no Brasil, a partir de agosto, a não ser que a Petrobras desenvolva nesse meio tempo um novo prestador de serviços de refino de petróleo em outro país, no curto prazo. Quem diria, a danada da Dilma teve a visão de fazer a Petrobras comprar uma refinaria em Pasadena, mas deu no deu, e agora podemos ficar com a calça nas mãos...

5 - Dentro do agro brasileiro o produto mais exportado são as madeiras (US$ 7,4 bilhões por ano) e seus subprodutos, como celulose, por exemplo. Isso é boa notícia para os ambientalistas, pois reduziria a pressão por mais desmatamento na Amazônia. Madeira é mais do que o dobro do segundo lugar, que é o café, com US$ 2,3 bilhões dólares anuais. O   terceiro lugar da nossa pauta é o suco de laranja, do qual o Brasil é o maior produtor e exportador do mundo. Trump vai ter de obrigar os americanos a mudar o breakfast deles, ao retirar café e suco de laranja com uma canetada só, afora os ovos brasileiros que têm sido exportados para lá por causa da gripe aviária que grassa nos EUA há uma década. Ou seja, sem café, suco de laranja e (quase) sem ovos, como será que vai ficar o desjejum dos gringos? Só vai ter umas fatias de bacon, cereais e pão torrado... Não esqueçamos das carnes brasileiras exportadas, principalmente dianteiros, que proporcionam o hambúrguer americano. Isso é uma perda de ativo político de Trump com seus eleitores, mas acho que ele não atentou para isso quando decidiu de forma imperial taxar os produtos brasileiros. Vai acelerar a inflação dos EUA.

6 - O que não aparece na carta de Trump são os objetivos anunciados pelo BRICS, de criar uma moeda forte para substituir o dólar nas transações comercias internacionais que não envolvam os EUA. E o BRICS não está longe disso. No início, uns 16 anos atrás, quando era apenas a sigla inicial (de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tornar viável esse sonho era distante, mas o BRICS cresceu e incorporou Arábia Saudita, Indonésia, Uruguai, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, um total provisório de 12 membros que representam quase 40% do PIB do planeta. Reparem que não há nenhum país europeu nessa história. Se entrar, entra o bloco inteiro, e chegam a mais de 65% do PIB internacional. Trump, evidentemente, sabe disso, e os EUA têm brigado feio e violentamente contra vários membros do BRICS, agora chegou a vez do Brasil.

7 - A questão das big techs é periférica no contexto comercial, mas Trump tem interesse pessoal nisso, pois uma de suas empresas (Trump Mídia) está com problemas na Justiça brasileira por publicar conteúdos falsos e difamatórios, e por não ter um representante legal no Brasil para responder judicialmente. Além de ficar proibida de publicar conteúdo no Brasil vem aí uma multa salgada que Trump não tem nenhum interesse em pagar.

8 - Para comprovar que tudo é uma farsa, hoje apareceu na mídia um entrevista de Steve Bannon, um ex-assessor de marketeiro de Trump, dizendo que se o Brasil derrubar o processo contra Jair Bolsonaro os EUA também anulam as taxas de nossas exportações. Chantagem na cara dura, mais uma, como se isso fosse importante, ou pior, como se isso fosse possível, de o Executivo ou Legislativo chegarem ao STF e dizerem, "ei, Xandão, cancela o Jair pra salvar o Brasil". Uma piada, né não?

9 - No mundo inteiro, de líderes europeus, até mesmo o americano Paul Krugman, Nobel de Economia, caíram a pauladas em cima de Donald Trump, por causa da desatinada decisão.

10 - Lula sai forte dessa briga (aconteça o que acontecer) toda para enfrentar a reeleição em 2026, se é que ele vai querer mesmo isso. O bolsonarismo perde, porque será acusado de irresponsável por aplaudir essa inaudita palhaçada de Trump.

ET: Resta saber se, ao citar Bolsonaro na referida carta, Trump abre as portas da Embaixada americana em Brasília para um pedido de asilo diplomático por perseguição política...

Em todo caso, o Xandão já colocou tornozeleiras no Jair Bolsonaro, para tentar impedir um pedido de asilo de tal ordem. Ficou no ar uma polêmica de mártir e injustiçado, mas o celular do Jair foi confiscado, e pode ter novidade pela frente... O Eduardo, coitado, agora tá enrolado até os cabelos, e o cancelamento dos vistos de entrada nos EUA do Xandão e de outros 7 ministros do STF, além do Gonet, Procurador Geral, vai provocar muita fervura no caldeirão.

Nunca vi na minha longa vida desaforos dessa natureza proporcionados por um país como os EUA, que deveria ter um certo decoro diplomático. Mas o mundo moderno anda maluco mesmo...



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domingo, 13 de abril de 2025

Soja dos EUA pede pausa em tarifas com China e já fala em falências

Jamil Chade
Colunista do UOL, em Nova York

Os produtores de soja dos EUA pedem que o governo de Donald Trump suspenda as tarifas contra a China, interrompa a guerra comercial e abra negociações imediatas. O temor do setor é de que uma prolongação das barreiras leve centenas de produtores à falência diante da guinada de Pequim para substituir os bens americanos pela soja brasileira.


Nos últimos dias, a guerra comercial entre Trump e Xi Jinping elevou as tarifas recíprocas para mais de 145%. A China não hesitou em responder e mandou recados de que tem mais fôlego que os americanos para resistir ao impacto da crise.


Mas um dos setores escolhidos para retaliar foi considerado como "uma bomba atômica" para os republicanos: a agricultura e, em especial, a soja.


Comprando anualmente mais de US$ 15 bilhões da soja, a China é o maior mercado para os exportadores dos EUA. O produto ainda é um verdadeiro pilar da economia agrícola norte-americana, movimentando US$ 125 bilhões, representando 0,6% do PIB americano. São cerca de 500 mil produtores que, agora, vivem a incerteza diante da disputa com Pequim.


"A escalada contínua das tarifas com a China é preocupante para os produtores de soja, pois a China é um mercado de exportação essencial para a soja dos EUA", disse a Associação Americana da Soja.


Caleb Ragland, presidente da entidade e produtor do Kentucky, disse que a retaliação da China "é uma pílula difícil de engolir". "Corremos o risco de sofrer impactos imediatos nesta safra, juntamente com os impactos que uma guerra comercial prolongada com a China causará em nosso setor mais uma vez", disse.


"As interrupções de curto prazo são dolorosas, mas as repercussões de longo prazo em nossa reputação, nossa confiabilidade como fornecedor e a estabilidade dessas relações comerciais são difíceis de expressar em palavras", alertou.


"Pedimos ao governo e à China que também façam uma pausa entre si e busquem um acordo comercial que trate das preocupações comerciais dos EUA de forma construtiva e, ao mesmo tempo, preserve os mercados dos quais dependemos", disse Ragland. "Se essa guerra for mantida, vamos ter um número significativo de fazendeiros indo à falência."


Para analistas americanos, a soja do país já perdeu a concorrência para o Brasil. Segundo a consultoria Terrain, houve uma redução da demanda chinesa pelo produto dos EUA. As importações em 2024/25 caíram 3% e, ainda com base no levantamento, será difícil reverter essa tendência.


"Um acordo comercial renovado ofereceria falsas esperanças. O Brasil tem se ocupado em alimentar a China com soja (fornecendo quase três vezes mais do que os EUA em 2022/23)", afirmou a análise do Terrain. "A China cumpriu apenas 60% de seu compromisso anterior no acordo da Fase Um em 2020/21, agora está alinhada com o Brasil e tem estado por anos, e tem uma demanda estagnada."


Um dos caminhos negociados entre o setor e a Casa Branca é o aumento de subsídios para evitar as falências. Em seu primeiro mandato, Trump destinou US$ 23 bilhões em subsídios ao setor agrícola, como forma de compensar as perdas.


Um dos caminhos negociados entre o setor e a Casa Branca é o aumento de subsídios para evitar as falências. Em seu primeiro mandato, Trump destinou US$ 23 bilhões em subsídios ao setor agrícola, como forma de compensar as perdas.


A ideia de um apoio foi defendida esta semana pela Associação da Soja e Iowa, estado que representa a segunda maior produção de grãos do país. "Os produtores de soja se encontram na linha de frente em uma guerra comercial global", disse a entidade.


"No momento em que os produtores de soja se dirigem aos campos para plantar a safra deste ano, a Iowa Soybean Association (ISA) pede uma ação rápida e decisiva para mitigar o impacto econômico sobre o setor de soja", defendem.


”As tarifas cobradas de países que dependem da soja e dos produtores de soja dos EUA atingem especialmente os produtores de Iowa. À medida que as tarifas entram em vigor, os importadores favorecem os concorrentes, inclusive o Brasil e a Argentina. Uma guerra comercial prolongada dos EUA corre o risco de afastar permanentemente os produtores de soja de Iowa e dos EUA dos principais mercados”.
Brent Swart Spencer, presidente da ISA e produtor de soja da região.

"Enquanto o governo usa as tarifas para corrigir os desequilíbrios comerciais de longa data dos EUA, a ISA pede uma ação rápida e estratégica para manter a segurança de nosso país, preços razoáveis de alimentos para os consumidores e a prosperidade econômica de Iowa e das comunidades rurais de nosso país", disse Swart.


Entre os pedidos entregues pela entidade para a Casa Branca está uma negociação para que a China estabeleça um acordo comercial com "compromissos de compra obrigatória de produtos agrícolas dos EUA", além de criar linhas de crédito para "compensar as grandes perdas financeiras sofridas pelos agricultores".


O impacto, porém, vai muito além da economia. Uma parcela importante da produção e exportação de soja ocorre em estados críticos para o apoio a Donald Trump e aos republicanos. Um deles é Louisiana, de onde vem o deputado e líder da Câmara, Mike Johnson.


Antes de suspender suas tarifas aos EUA, os europeus não disfarçavam que parte da estratégia de atacar a soja era uma manobra para atingir politicamente o governo Trump. Mais de 80% das exportações americanas de soja para a UE vêm daquele estado.


Publicado no UOL, em 13/04/2025 Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2025/04/13/soja-dos-eua-pede-pausa-em-tarifas-com-china-e-ja-fala-em-falencias.htm?cmpid=copiaecolaeja

 

 

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segunda-feira, 20 de maio de 2024

É perigo? Tem risco? Ou mera percepção de risco?

Decio Luiz Gazzoni *
 
  Sabe aquela história da diferença entre fato e versão? É muito parecida com as diferenças entre perigo, risco e percepção do risco. Vamos a elas.

Perigo é uma condição ou um conjunto de circunstâncias que têm o potencial de causar ou contribuir para ocasionar uma lesão ou morte (bit.ly/44kfsgi), sendo intrínseco a uma substância ou a um evento. Os mesmos autores conceituam risco como a probabilidade ou chance de lesão ou morte pela concretização de um perigo.

Assim, risco é uma função da natureza do perigo, do potencial de exposição ao perigo, das características da população exposta, da probabilidade de ocorrência, da magnitude da exposição e das consequências.

Análise de risco
A análise de risco é um procedimento científico. Consiste em aplicar modelos e algoritmos matemáticos, lastreados em bases de dados, que determinam os efeitos da exposição de um indivíduo, ou de um conjunto deles, a um determinado perigo. Ilustremos com algo do nosso cotidiano: é assim que se determina o risco de efeitos perniciosos de um medicamento à saúde humana.

O gerenciamento do risco faz parte da análise, determinando quais procedimentos devem ser tomados para proteger alguém de um perigo, evitando ou mitigando o risco. São as instruções que aparecem na bula dos remédios e na receita do médico, como a dose, a frequência, a hora e o tempo de uso de um medicamento. E os procedimentos em caso de surgimento de sintomas adversos. Ou seja, o mesmo que é requerido para a receita agronômica.

Os órgãos oficiais de governo são responsáveis por estabelecer o risco de uma substância, lastreado exclusivamente em informações científicas. O risco pode ser reavaliado com base em novas informações ou na alteração do método de análise ou de cálculo. As reavaliações sempre são mais severas e restritas do que a situação anterior.

No caso de agrotóxicos, a abordagem da Análise de Risco de Pesticidas é recomendada pelos órgãos internacionais que tratam do tema – como a FAO – e adotada pela maioria dos países. No mundo desenvolvido, a exceção é a União Europeia, que ainda mantém a vetusta abordagem de perigo – e sua ferramenta, o princípio da precaução - o que gera muita confusão e comparações indevidas.

Conceitos de toxicologia
Para auxiliar a separar fatos de mitos, riscos de sua percepção, ou diferenciar perigo de risco, é fundamental atentar para alguns conceitos toxicológicos:

Dose Letal 50 (DL50): é a dose de uma substância química que levou a óbito 50% das cobaias em testes de laboratório. Quanto mais elevada for a DL50, mais seguro é o produto.

Limite Máximo de Resíduo (LMR): é a quantidade máxima de resíduo de agrotóxico oficialmente aceita no alimento, em decorrência da sua aplicação adequada, desde a sua produção até o seu consumo, expresso em miligrama de resíduo por quilograma de alimento.

Ingestão Diária Aceitável (IDA): é a quantidade estimada de substância presente nos alimentos que pode ser ingerida diariamente, ao longo de toda a vida de um indivíduo, sem oferecer risco à sua saúde, expressa em miligrama de substância por quilograma de peso corpóreo.

Para assegurar que a saúde do consumidor está devidamente protegida, no cálculo da IDA, a maior dose que NÃO ocasionou quaisquer alterações metabólicas nos organismos em teste é dividida por 100. Assim, a IDA representa apenas 1% da dose que NÃO causou qualquer problema de saúde nos animais em teste. Logo, a probabilidade de que o valor calculado da IDA venha a causar algum problema de saúde em humanos é muito baixa, quase nula.

Percepção do risco
Ao contrário do risco – um cálculo científico e preciso – a percepção do risco é uma avaliação totalmente subjetiva, realizada por uma pessoa isolada, ou por um conjunto delas. Percepção independe de fundamentação científica, sendo um comportamento descrito na psicologia de populações (bit.ly/3UIr6hW).

Um exemplo clássico de quanto a percepção de risco pode ser errônea é trocar o avião pelo automóvel, devido ao temor de morrer em acidente aéreo. O que dizem as estatísticas? A probabilidade de morrer em um acidente de avião é de uma em 11 milhões (bit.ly/3JMqkK9). Já a probabilidade de morrer em acidente de carro é de uma em 5 mil (bit.ly/3QoMW7f). Mais de duas mil vezes maior.

Entrementes, muitos cidadãos preferem trocar o carro pelo avião, com o argumento (falso) de o risco de acidente ser maior em viagens aéreas. Um mito clássico, derivado de uma percepção de risco equivocada.

Um exemplo
Um argumento eventualmente utilizado por consumidores é que os alimentos estão contaminados por pesticidas e constituem um sério risco à sua saúde. Nada como um exemplo prático para demonstrar o quanto a percepção de risco se afasta do risco efetivo.

Consideremos o controle de uma praga da batata, descrito no livro Agricultura, fatos e mitos (bit.ly/3NsHgrs). Suponha-se uma aplicação do inseticida deltametrina em solução aquosa. Sua DL50 oral é de 5.000 mg/kg de peso corpóreo (bit.ly/3QN8JGf); o valor da IDA é de 0,01mg/kg de peso corpóreo; e o LMR de 0,01mg/kg de batata.

Para que não haja controvérsias, vamos supor o pior caso possível: que toda batata sempre tenha o nível máximo de resíduo permitido (embora seja impossível de acontecer na prática). Consideremos um brasileiro médio, com peso de 80 kg (bit.ly/3JIwGum).

A ingestão diária de uma pessoa com esse peso, com garantia de não haver qualquer risco à sua saúde (IDA), será de 0,8mg/dia do inseticida (0,01mg/kg x 80kg).

Como na nossa hipótese de resíduo máximo cada quilo de batata tem 0,01mg de resíduo, um cidadão com o peso acima pode ingerir, diariamente, o seu próprio peso em batatas, ou seja, 80 kg de batata por dia (0,8mg de deltametrina que podem ser ingeridos ÷ 0,01mg/kg de batata), durante toda a sua vida, sem que haja qualquer problema de saúde devido à presença de resíduos. Haja batata!

Prosseguindo com os cálculos. Em teoria, para que seja atingida a DL50, seria necessário consumir os mesmos 80 kg de batata todos os dias, durante 1.369 anos, quando haveria 50% de probabilidade de óbito ocasionado por intoxicação pelo inseticida. Agora, se o consumo fosse o factível – embora exagerado - de apenas 200 g de batata/dia, então seriam necessários, teoricamente, 583.019 anos para atingir o valor da DL50.

Não apenas é impossível para uma pessoa consumir 80 kg/dia de batata – ou viver 1.369 anos! - como o inseticida se degrada a partir de algumas horas após a sua ingestão. Logo, o organismo nunca irá acumular a quantidade suficiente para intoxicar o indivíduo, mesmo que ele vivesse os 583 mil anos.

O exemplo demonstra a sobejo que o risco de intoxicação pelo resíduo desse agrotóxico está absolutamente controlado. Os cálculos constituem um fato, que demonstra a eliminação do risco, consequentemente do equívoco da percepção do risco.

E por que o risco está eliminado? Lembremo-nos da menção acima ao gerenciamento do risco. Faz parte da análise de risco eliminar ou mitigar o risco identificado. Para os alimentos isso é efetuado com o estabelecimento dos parâmetros toxicológicos adequados, em especial o limite máximo de resíduos (LMR), que garante a inocuidade do alimento.

Concluindo, siga a Ciência e sua ferramenta de análise de risco. As percepções de risco nada têm de científico, via-de-regra não refletem a realidade. E alimente-se tranquilamente, nossos alimentos são seguros.

* o autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.

Publicado originalmente no https://www.agrolink.com.br/colunistas/coluna/e-perigo--tem-risco--ou-mera-percepcao-de-risco-_491253.html

 

 

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domingo, 31 de dezembro de 2023

Desde 15/NOV/2022, somos 8.000.000.000 (bilhões) de bocas insaciáveis

Richard Jakubaszko 

Publicado no UOL, hoje, 31/12/2023:

População mundial ganha 75 milhões de pessoas em ano com China deixando a liderança.

Índia agora é o país mais populoso do mundo
Dados divulgados pelo Departamento do Censo dos Estados Unidos nesta quinta-feira (28) apontam que em 2023 a população mundial aumentou em 75 milhões de pessoas, com uma taxa de crescimento 0,95%. 2023 foi marcado pela troca de liderança na lista de país mais populoso: a Índia superou a China, no primeiro semestre.

A Índia contabilizou 1,429 bilhão de habitantes na metade deste ano, segundo a ONU. Já a China divulgou no fim de 2022 que tem 1,412 bilhão de habitantes.


Foi a primeira queda na população chinesa desde 1960-1961, quando a fome causou milhões de mortes devido a vários erros na economia política do "Grande Salto para Frente.


8 bilhões de humanos

Segundo o levantamento dos EUA, o mundo superou neste ano a marca de 8 bilhões de pessoas. No dia 1º de janeiro de 2024, a população mundial deverá ser de 8.019.876.189.


O estudo calcula que, no início de 2024, deverão ocorrer a cada segundo 4,3 nascimentos e duas mortes em todo o mundo.


Imigração evita queda populacional nos EUA

Nos EUA, a taxa de crescimento populacional foi de 0,53%, pouco mais da metade do índice global. A população americana aumentou em 1,7 milhão, devendo chegar a 335,8 milhões em 1º de janeiro.


Se a tendência atual continuar até o final da década, os anos 2020 poderão ser a década de crescimento mais lento na história americana, com taxa de 4% no período de 2020 a 2030, afirmou o demógrafo William Frey da Brookings Institution.


Até agora, o crescimento mais lento da população dos EUA foi registrado durante o período da chamada Grande Depressão, nos anos 1930, com taxa de 7,3% na década.


"É claro que o crescimento poderá receber um leve impulso enquanto ainda saímos dos anos da pandemia, mas seria muito difícil chegar a 7,3%", avalia Frey.


No início de 2024, os EUA deverão ter um nascimento a cada nove segundos e uma morte a cada 9,5 segundos. Por outro lado, a imigração líquida deverá acrescentar uma pessoa a cada 28,3 segundos.


A combinação dos dados de nascimentos, mortes e imigração líquida deverá resultar em um aumento da população americana em uma pessoa a cada 24,2 segundos.


O Departamento do Censo dos EUA calcula que a população mundial tenha atingido a marca de 8 bilhões em 26 de setembro de 2023. Mas, segundo a Divisão das Nações Unidas sobre População, isso teria ocorrido em 15 de novembro de 2022.


O crescimento populacional global está desacelerando desde os anos 1960. Foram necessários 12 anos e meio para que a população mundial superasse a marca de 7 para 8 bilhões. De acordo com o Departamento do Censo americano, deverá levar 14,1 anos até o mundo chegar à marca de 9 bilhões de habitantes, e 16,4 anos até atingirmos os 10 bilhões, o que deve ocorrer por volta de 2055.


Tendência de queda também no Brasil
No Brasil, o Censo Demográfico de 2022, divulgado em outubro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o país teve um crescimento populacional de 6,5% entre 2010 e 2022, o que representa um aumento de 12,3 milhões de pessoas.

Nesse mesmo período, a taxa de crescimento anual da população foi de 0,52% - a menor registrada desde o primeiro Censo realizado no país, em 1872.


Em 2022, a população do país chegou a 203,1 milhões de habitantes.


Desde o início dos registros, o Brasil aumentou a sua população em mais de 20 vezes, com um acréscimo de 193,1 milhões de habitantes. O maior crescimento, em números absolutos, foi registrado nas décadas de 70 e 80, quando houve um acréscimo de 27,8 milhões de habitantes.


Leia mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2023/12/31/populacao-mundial-ganha-75-milhoes-de-pessoas-em-ano-com-china-deixando-a-lideranca.htm?cmpid=copiaecola

 

Comentários do blogueiro:
As pessoas, evidentemente, não conseguem projetar a realidade dessa quantidade imensa de gente, que se alimenta diariamente, excluídos os quase 1.000.000.000 de seres humanos que passam fome. A agricultura tem sido a fonte provedora de alimentos, mas há muito tempo as previsões do matemático e padre irlandês Thomas Malthus pairam sobre a cabeça de todos.

A verdade é que esgotam-se as áreas agricultáveis do planeta, e o Brasil é um dos únicos países que ainda dispõe de terras para produzir alimentos. Mas terra, como se sabe, é apenas um dos 3 elementos necessários para se produzir alimentos, e os demais são o Sol e água doce. Se qualquer um desses elementos faltar não se faz agricultura e não se produz alimentos, mesmo usando alta tecnologia. Como exemplo disso, temos a China, África e Austrália, que dispõem de terra e Sol, mas falta água, e a Rússia que tem terra, gelo em vez de água, e não tem Sol, da mesma forma que o norte do Canadá, Alaska, Groelândia.

Outro problema sério que afeta a superpopulação é a carência de energia elétrica. Cada vez mais as exigências e necessidades das populações urbanas são maiores, seja para iluminação, aquecimento ou movimentação de máquinas, os computadores, inclusive. E não podemos mais viver sem ela, sob pena de voltarmos aos tempos medievais. A mais importante fonte de energia elétrica no mundo (inclusive para aquecimento), especialmente no Hemisfério Norte, é o carvão mineral (além do vegetal), poluidor na captação de suas minas e altamente poluente ao meio ambiente quando queimado. Temos ainda a energia elétrica produzida por gases naturais, a hidrelétrica e a energia nuclear. Todas estas são autossuficientes para a produção de energia elétrica em diversas microrregiões no planeta.

A modernidade nos trouxe as energias eólica e solar, que não são autossuficientes, pois para de ventar à noite e também não há Sol, e energia elétrica, como se sabe, não é possível de se estocar. Eólicas e solares necessitam de um plano B, sempre que instaladas, e isso significa dizer que é necessário ter uma usina para suprir a falta de energia elétrica à noite, seja hidrelétrica, a gás, carvão ou nuclear.

Nos dias atuais o errático movimento que dá suporte para as apocalípticas "mudanças climáticas", quando nos ameaçam com o aquecimento global, tenta proibir o uso do carvão e dos derivados de petróleo (estes pouco usados para gerar eletricidade), e que deveriam ser substituídos por energias alternativas, como eólica e solar, mesmo sabendo que estas são soluções paliativas.

Todos esses aspectos são abordados em profundidade em meu livro, o "CO2 - aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", em 3ª edição desde 2022, ampliada e atualizada, e que você pode ler clicando aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2022/05/saiu-3-edicao-do-livro-co2-aquecimento.html

Um feliz 2024 a todos!

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sexta-feira, 24 de março de 2023

Agronegócio: palestra sobre aquecimento em Linhares(ES)

 

Richard Jakubaszko
Fui proferir palestra em Linhares(ES) no último dia 22 de março, sob convite do engenheiro agrônomo e professor Aílton Geraldo Dias, da Sementes Vitória, que organizou um evento com uma plateia de mais de 200 pessoas, sendo a maioria composta por produtores rurais, engenheiros agrônomos e empresários fornecedores de insumos e serviços da região. No vídeo a palestra e seção de perguntas. A verdade é que o agro não aguenta mais levar xingamentos e culpas injustas que são atribuídas ao setor. 


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Por que o Agro é importante para o Brasil e os brasileiros.

Richard Jakubaszko   
A importância do agronegócio para o Brasil tem garantido a estabilidade econômica do país, pelas exportações e pela geração de empregos. E pelo portentoso Fundo Soberano que dispomos, superior a US$ 380 bilhões de dólares. Por causa do Fundo Soberano o Brasil não quebrou durante os períodos de Temer e Bolsonaro. Esse Fundo Soberano foi formado pelas exportações brasileiras nas duas primeiras décadas deste século XXI e garante-nos posição de destaque como sócios junto ao Banco BRICs constituído para fazer frente ao BID e ao Banco Mundial, ambos com influência americana.

Registro a importância do agronegócio brasileiro através do infográfico abaixo, enviado ao blog pelo amigo e engenheiro agrônomo José Maria Salgado. Em alguns casos podemos não ser o primeiro na produção, mas somos os primeiros da exportação. Casos das carnes bovina e de aves. Questão de competência.



 

 

 

 

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

BKT – Uma empresa da Índia do século XXI com visão positiva para o futuro.

Richard Jakubaszko
Recebi em novembro último, pela segunda vez, o convite para visitar em fevereiro de 2023 a Índia e a sede da BKT pneus, uma das maiores empresas do mundo no setor.
O primeiro convite veio em 2017, e em ambos os casos estive impossibilitado de realizar a viagem devido a compromissos assumidos no Brasil. Na primeira vez uma colega da redação da DBO foi designada para ir em meu lugar. Desta feita, o blog recebeu o convite e meu genro, Rinaldo Arruda, antropólogo, foi o indicado para a curta viagem (5 dias) com fuso horário de 8 horas, mais de 18 horas de voo, afora 3 horas de escala técnica em Dubai, nos Emirados Árabes.

Visitar a Índia pela primeira vez foi um desafio enorme para Rinaldo, acostumado a visitar aldeias indígenas em nossa Amazônia, mas a pobreza e a prática extrema de segurança observada na Índia, definitivamente, assusta os ocidentais. Como me relatou Rinaldo, "gostei muito da viagem, e também não gostei de muitas coisas". A pobreza geral é fato de amplo conhecimento dos ocidentais, mas a segurança observada, que remonta a ataques terroristas dos paquistaneses, não está apenas nos aeroportos, mas em todos os prédios públicos e também em hotéis 5 estrelas, espaços reservados para turistas e para a elite indiana. O trânsito em cidades como Mumbai é caótico, muito movimentado e altamente barulhento, especialmente pelos tuk tuk, cuja característica principal é buzinar por qualquer motivo. Buzinam por qualquer razão, até porque é uma prática centenária, e nela se inclui a alegria pela vida.


BKT

Arvind Poddar (acima) fundou o ramo de pneus da Balkrishna Industries Ltd. – BKT, uma multinacional Indiana sediada em Mumbai, Índia, colocando em prática um sonho de seu pai. Atualmente Arvind Poddar é o Chairman and Managing Director da empresa e seu filho Rajiv Poddar (ao lado) o secunda como o Joint Manager Director.

 Balkrishna, nome da empresa, se refere ao deus Krishna quando criança, a encarnação de Vishnu, e simboliza aquele que vinha trazer a justiça, a paz e a inovação e uma visão nova no mundo para guiar a empresa que nascia. Krishna, na sua epopeia mítica, confrontou e derrotou entidades que representavam a exploração de seres humanos e a degradação e destruição do meio ambiente, como Kaliya o rei serpente que envenenou o rio Yamuna e devastou a mata circundante.

A BKT - Balkrishna Industries Ltd começou a operar com pneus em 1987 com a inauguração de sua primeira fábrica em Aurangabad. O crescimento dos negócios permitiu a abertura de novas fábricas em Bhiwadi (2002) e Chopanaki (2006), posteriormente em Dombivali e Bhuj em 2015. Além disso, tem 3 sedes de apoio comercial e de marketing em cidades da Europa e da América do Norte: A BKT Europe S.r.l. em Seregno, Itália, a BKT Tires USA Inc. em Akron, Ohio, e a BKT Tires Canada Inc. em Toronto.

O grupo BKT proporciona uma gama de pneus Off-Highway, ampla e atualizada, devidamente projetados para os veículos que operam nos setores agrícola, industrial, movimentação de terras, das minas, portuário, ATV e jardinagem. As soluções inovadoras da BKT foram projetadas para as exigências de qualquer tipologia de utilizador e incluem mais de 3.200 diferentes produtos vendidos em mais de 160 países em todo o mundo.

  


A empresa se consolidou e cresceu exponencialmente baseada em princípios estruturantes voltados para a inovação tecnológica, controle estrito de qualidade, investimento em educação, formação profissional, qualidade de vida, pesquisa e inovação em soluções voltadas para a sustentabilidade socioambiental.

A BKT é conhecida por suas inovações em tecnologia de pneus, incluindo:

Tecnologia de carcaça de aço – A BKT foi uma das primeiras empresas a usar carcaças de aço em seus pneus agrícolas, o que aumenta a resistência e a durabilidade de seus pneus em condições de uso extremo.

Tecnologia de belting – a BKT também desenvolveu uma tecnologia de belting o que aumenta a resistência à tração dos pneus, reduzindo a deformação da banda de rodagem e aumentando a vida útil dos pneus.

Pneus radiais agrícolas – a BKT foi a primeira empresa indiana a produzir pneus radiais para tratores e outros veículos agrícolas. Os pneus radiais oferecem melhor tração, estabilidade e conforto de condução em comparação com os pneus diagonais convencionais.

Pneus gigantes – a BKT também é conhecida por seus pneus gigantes para veículos de mineração e construção. Esses pneus são projetados para suportar cargas extremamente pesadas e operar em terrenos difíceis, como pedras e lama.

Pneus inteligentes – recentemente a BKT anunciou o desenvolvimento de pneus inteligentes equipados com sensores que monitoram a pressão e a temperatura do pneu em tempo real. Essa tecnologia ajuda a evitar falhas nos pneus e aumentar a segurança nas estradas.

A empresa continua investindo em pesquisa e desenvolvimento para criar soluções avançadas em pneus para diferentes tipos de veículos e mercados e também passou a produzir pneus de esteira e pneus maciços para equipamentos de construção e mineração. Cada tipo de pneu tem suas próprias vantagens, dependendo das necessidades específicas de uso. Algumas das vantagens dos pneus de esteira e dos pneus maciços da BKT incluem:


Pneus de esteira
Tração: os pneus de esteira oferecem excelente tração em terrenos difíceis e irregulares, como pedras, lama e areia.

Flutuação: as esteiras também têm uma grande área de contato com o solo, o que ajuda a distribuir o peso da máquina de maneira uniforme e evitar que ela afunde em terrenos macios ou instáveis.

Durabilidade: os pneus de esteira são geralmente mais duráveis do que os pneus convencionais, porque a esteira é feita de materiais resistentes à abrasão e cortes.


Pneus maciços
Resistência a perfurações: os pneus maciços são fabricados com compostos de borracha especiais que reduzem o risco de perfurações e cortes, o que pode aumentar a vida útil do pneu.


Manutenção reduzida: como os pneus maciços não precisam ser inflados, eles exigem menos manutenção do que os pneus convencionais. Além disso, eles não precisam de reparos frequentes devido a furos ou rasgos.

Confiabilidade: os pneus maciços têm uma estrutura sólida, o que os torna menos propensos a problemas de vibração e desgaste desigual. Eles também são capazes de suportar cargas pesadas sem deformação ou perda de pressão.


Em resumo, os pneus de esteira são ideais para uso em terrenos difíceis, enquanto os pneus maciços são mais adequados para operações que exigem maior confiabilidade e resistência a perfurações. A escolha entre os dois tipos de pneus dependerá das necessidades específicas da aplicação e das condições de uso.

A planta fabril em Buhj  

Em fevereiro de 2023 visitamos suas instalações em Buhj para conhecer suas linhas de produção, e a impressão que a planta fabril deixa o visitante extremamente impressionado com o caráter inovador e visionário de suas metas e perspectivas para o futuro.

Com máquinas automatizadas e muito eficientes a BKT vem ampliou a capacidade e a precisão dos processos produtivos, aumentando a quantidade da produção e a qualidade do produto acabado. Dessa forma, a quantidade de produto descartado é menor, aumentando a sustentabilidade do processo fabril e consequentemente reduziu os custos de produção. Os processos se tornaram também cada vez mais confiáveis, quase sem riscos profissionais e com maior conforto para os trabalhadores.

Aliado à automação praticamente total de seus módulos produtivos evitando erros humanos e acidentes, há um controle e monitoramento digital em tempo real de todas as fases de operação, efetuando um controle de qualidade minucioso de cada pneu produzido. Esse controle do processo e monitoramento em tempo real do processo produtivo permite a percepção instantânea de qualquer desvio dos parâmetros exigidos e sua correção imediata.


Cada módulo produtivo ocupa enorme armazém dedicado a cada fase do fabrico dos pneus, desde as mantas diferenciadas de material das várias camadas que compõem os pneus até o módulo da montagem final de todas suas partes. Pronto o pneu nesse processo de controle e monitoramento contínuo de sua qualidade, cada um deles ainda passa ainda por uma averiguação final minuciosa. Primeiro por inspeção visual detalhada e por fim por um escaneamento fino, interno e externo, apto a identificar qualquer ponto de ruptura ou má constituição, ainda que seja um ponto diminuto que, se percebido pode condenar o pneu, cujo material será reciclado para produção de novo pneu. Essa inspeção/escaneamento é gravada e referida a cada pneu produzido, constituindo uma garantia e checagem de sua integridade, podendo ser recuperada em caso de qualquer posterior alegação de defeito. Isso significa que todos os pneus BKT que entram no mercado tem 100% de conformidade com os parâmetros exigidos para seu uso, sem nenhum defeito de fabricação.


Visitamos também os módulos de produção dos novos pneus de esteira e dos pneus maciços, novos lançamentos da empresa, adequados aos mesmos padrões de automação e qualidade.

Reciclagem e sustentabilidade produtiva
Os resíduos de borracha e dos outros produtos envolvidos na produção dos pneus são reaproveitados para a produção de materiais complementares, como o negro de fumo.

A fábrica abriga módulos complementares à produção dos pneus, como o módulo de produção de carbon black, ou negro de fumo em português, em parte produto de reciclagem de resíduos da própria fabricação dos pneus.


O negro de fumo (carbon black) é um pigmento e fase de reforço em pneus de automóveis. Também ajuda a conduzir o calor para longe da banda de rodagem e da zona da cintura do pneu, reduzindo os danos térmicos e aumentando a vida útil dos pneus. Além desse uso, esse produto tem inúmeras outras aplicações, na condutividade de baterias de lithium, em cintos, mangueiras e muitos outros produtos como capas de computadores, celulares, mesas de escritório.


A fábrica de negro de fumo entrou em funcionamento em 2017, quando foram produzidos os primeiros 65 000 MT/PA de negro de fumo de grau duro, o tipo de negro de fumo utilizado especificamente no piso dos pneus. No ano seguinte, a produção aumentou de 65 000 para 110.000 MT e foi acrescentada a produção de negro de fumo de grau suave, utilizado no composto da lona de carcaça para melhorar a sua resistência e durabilidade, gerando menos calor. Em 2021, a produção total dos dois tipos de negro de fumo atingiu 138.000 MT por ano, enquanto no ano passado subiu para 165 600 MT por ano.


O objetivo para 2023 é 198.600 MT. Além disso, o departamento de Investigação e Desenvolvimento planeja acrescentar um terceiro tipo de negro de fumo, o "negro de fumo especial". Este é um tipo de negro de fumo com propriedades únicas em comparação com o utilizado em compostos de borracha, tais como alta resistência à coloração, um alto nível de pureza, um baixo nível de cinzas e um nível muito baixo de HAP, o que o torna adequado para aplicações específicas, tais como tintas, plásticos e tintas de impressão.

A BKT também introduziu uma nova abordagem à produção de negro de fumo, ao tornar todo o processo mais sustentável.


Em primeiro lugar, o transporte de negro de fumo: a BKT substituiu os contentores de sacos a granel por silos móveis. Isto significa que a fábrica de produção de pneus recebe entregas da fábrica de negro de fumo com a ajuda de silos móveis transportados pneumaticamente para o armazenamento. Assim, a BKT poupará nas embalagens, ou seja, 100.000 sacos a granel nos próximos anos.


Mas há mais: todo o sistema de transporte foi também concebido para reduzir o consumo de energia e aumentar a qualidade. Cada sistema de transferência é controlado pelo peso e pela energia utilizada. E a meta para o futuro é um desafio: reduzir o consumo de energia até 70%. Isto traduz-se numa poupança de mais de dois milhões de quilos de emissões de CO2 por ano, que são comparáveis a 5.000 apartamentos de 100 metros quadrados cada.

Ao mesmo tempo, o gás utilizado para fabricar negro de fumo é agora encaminhado para uma instalação de cogeração com capacidade para reutilizar 75 000 metros cúbicos de gás por ano. Isto significa poupar 215 000 MT de carvão por ano.


Zero emissão e autonomia energética
Da mesma forma que os resíduos de borracha são reciclados, todo o CO2 emitido envolvido no processo de produção é capturado, assim como outros gases emitidos, conduzidos para um outro módulo, esse agora de produção de energia, que aproveita também os resíduos sólidos e gasosos da produção do negro de fumo.


Já em 2013, a central elétrica interna foi criada para dispor de uma fonte de eletricidade fiável e controlada. Atualmente, tanto os painéis solares como a central de cogeração permitem a autoprodução de energia. Em 2022, a central de cogeração foi expandida, de 20 MW para 40 MW, e ainda estão em curso projetos para aumentar a potência dos recursos renováveis autoproduzidos. 

Tratamento e reaproveitamento da água e reflorestamento local
A água está também no centro do caminho virtuoso da BKT para a Sustentabilidade. Desde 2019, foi adotado o princípio de Descarga Líquida Zero (ZLD), o que significa que não se descarrega nenhum resíduo líquido fora da fábrica. Toda a água utilizada na fábrica é tratada, purificada e reutilizada. O objetivo do princípio ZLD é conservar os recursos hídricos, reduzir o impacto ambiental da descarga de águas residuais e melhorar a eficiência global e a sustentabilidade da instalação.

Dessa forma, a BKT desenvolveu no interior da planta da fábrica uma estação de tratamento de água e uma estação de medição de efluentes, gases e monitoramento da qualidade do ar.


Com o apoio dessas estruturas passou a desenvolver o reflorestamento do seu entorno, usando a água como fonte de irrigação e criando também enorme viveiro de mudas e desenvolvimento de experimentação de associações vegetais de cerca de 2 hectares.


Centro de Investigação e Desenvolvimento
A divisão de Investigação e Desenvolvimento da BKT foi a alavanca do crescimento da planta de Bhuj até ao seu estado atual, orientando suas inovações, expandindo constantemente as suas fronteiras e enfrentando novos desafios à medida que estes surgiam. Criado em 2017, este núcleo desenvolve produtos e processos, para garantir que a empresa mantenha sua liderança internacional.


Liderado por uma equipe especializada de investigadores e analistas, continua a ser um dos centros de investigação mais importantes e modernos do mundo no setor dos pneus. Procurar a solução certa significa testá-la na prática. Por este motivo, em 2017, foi inaugurado um circuito de testes especial. Com 6 pistas diferentes, este circuito inclui pistas para testes de desempenho de pneus em condições secas e úmidas, uma pista de asfalto e uma pista inclinada de concreto. Graças a uma grande variedade de testes, muitas características importantes como tração, manuseamento, conforto, compactação do solo e muito mais podem ser medidas ali, com recurso a dispositivos e instrumentos de alta precisão.
   

A Índia está prestes a se tornar o país mais populoso do planeta, ultrapassando a China, ambos com população de 1,4 bilhões de habitantes. A Índia será nos próximos anos a quarta nação em termos de PIB. De certa forma uma contradição, pois a renda per capita ainda será baixa. E a milenar e exótica nação indiana se prepara para ocupar seus espaços.

 

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