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terça-feira, 17 de maio de 2022

O Agronegócio brasileiro no mundo

Richard Jakubaszko  
Recebi do amigo Eduardo Daher, diretor-executivo da ABAG - Associação Brasileira do Agronegócio, o gráfico abaixo, cuja leitura demonstra a importância do Brasil na produção de alimentos no mundo. É importante ressaltar que a fome continua sendo um dos 4 Cavaleiros do Apocalipse.

Os quatro cavaleiros do apocalipse são, respectivamente, peste, guerra, fome e morte, que, para os cristãos, irão acontecer antes do fim de todas as coisas, na visão do apóstolo João.  




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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Abag divulga Nota de Esclarecimento

Richard Jakubaszko  

Recebi do amigo Eduardo Daher, diretor-executivo da Abag, membro efetivo e fundador do alhoafetivo, a Nota de Esclarecimento abaixo assinada pelo presidente Marcello Brito, sobre a saída da Aprosoja Brasil do quadro de sócios da entidade.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A ABAG possui um estatuto que define as regras de tomada de decisão. Todos os membros estão sujeitos as mesmas regras. Os participantes, ganham e perdem nos diversos temas, isso é o que caracteriza uma associação de diálogo.

ABAG é uma representação do Agronegócio, no conceito estrito do antes, durante e depois da porteira, talvez a maior congregação de empresas nessas três etapas que formam o eixo vertical que lidera a economia nacional.

Nossa credibilidade, ação pela sustentabilidade, legalidade e atuação apolítica do Agro nacional no Brasil e no exterior é histórica e dispensa comentários, é conhecida e transparente. Portanto, mais uma vez, somente lamentamos a saída de um membro da mesa de diálogo.

Continuaremos nossa luta em defesa total por um só agronegócio. Um agronegócio responsável, sustentável e legal, características do Agro nacional, junto a toda a sociedade.

Atenciosamente,

Marcello Silva do Amaral Brito              

Presidente do Conselho Diretor

 

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sábado, 26 de setembro de 2020

Aprosoja pede desligamento da Abag

Richard Jakubaszko
Rompimento ocorreu por divergências das ações necessárias para combater o desmatamento *

A Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) enviou nesta sexta-feira (25/9), uma carta à Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), pedindo desligamento da entidade. Com o rompimento, o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, participante do Conselho Diretor da Abag, renuncia ao cargo.

A fervura entre as duas entidades ganhou escala depois que a Abag decidiu compor o grupo de entidades e empresas que, junto à Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, listou um conjunto de sugestões para diminuir o desmatamento na Amazônia Legal. O manifesto foi entregue ao presidente Bolsonaro. Braz tem posicionado essa ação como “politicagem”.

A decisão do rompimento ocorreu em uma assembleia extraordinária, realizada nesta quarta-feira (23/9), e foi por unanimidade das 16 entidades estaduais que formam a Aprosoja. De acordo com a nota divulgada, a “decisão se deu em razão de entendimento de não mais serem convergentes os interesses da Aprosoja Brasil e esta entidade [Abag]”.

* Publicado originalmente no Portal DBO: https://www.portaldbo.com.br/aprosoja-pede-desligamento-da-associacao-brasileira-do-agronegocio/

NOTA DO BLOGUEIRO:
Entendo que seria uma questão de tempo, até mesmo inevitável, esse desenlace entre entidades associativas representativas dos produtores rurais, como a Aprosoja, e a entidade que representa os interesses das indústrias de insumos, como a Abag, que sanciona as sugestões da
Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura ao governo de Jair Bolsonaro, em razão do conflito. Acompanho com minúcias os conflitos desses interesses desde a questão da moratória da soja, lançada em 2006, e sempre me posicionei contrário à ela. Nunca entendi e tampouco aceitei a posição inicial da Aprosoja de aderir à moratória, pois os prejuízos dos produtores rurais estabelecidos na chamada região da Amazônia Legal eram evidentes, mesmo que estivessem com áreas de plantio e criação no bioma do Cerrado, como ocorre no leste, no sul e sudeste do Mato Grosso.

Registrei essa posição de meu entendimento no livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?". A moratória da soja, uma decisão política posicionada pelo "politicamente correto", liderada pela Abiove, tinha como coautores a Abag e a própria Aprosoja. Os desmatamentos, e as queimadas, que se processam em áreas do bioma amazônico, entretanto, revelaram o conflito de interesses entre os associados da Aprosoja e da Abag, diante da evidente incompatibilidade das objetivas ações propostas pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, da qual a Abag é signatária. Diante disso ocorre o desenlace associativo, e os produtores rurais agora ficam sem o apoio dos seus parceiros fornecedores de insumos. Os dois lados perdem, porque se subdividem e tornam-se ainda mais minoritários.

Há males que vêm para o bem. Espero que a problemática dos desmatamentos e das queimadas seja discutida com objetividade e clareza a partir desse novo cenário. Continuar com posicionamentos suicidas, como tem sido feito pelos produtores rurais e pelas indústrias de insumos é perverso para todos, pois a mídia comanda o espetáculo com maestria, aplaudida por ONGs e interesses diversos inconfessáveis de governos estrangeiros, sejam de natureza política, econômica ou geopolítica, além da ambiental, monitorada pelo IPCC, na sórdida e criminosa campanha ambientalista, ancorada nas mudanças climáticas que antecedem o aquecimento definitivo do planeta, pré status do início do fim do mundo.

Como já me posicionei anteriormente, em diversas oportunidades (https://richardjakubaszko.blogspot.com/search?q=carta+aberta+a+macron ), aqui neste blog, e no livro, para acabar - ou reduzir substancialmente - com os desmatamentos ilegais bastaria exercer rígida fiscalização nas exportações de madeiras originárias da Amazônia, ou até mesmo a sua quase total proibição. As queimadas cairiam na mesma proporção. Porque ninguém queima árvores nos incêndios, chamados ironicamente pela mídia como queimadas. As queimadas ocorrem em áreas desmatadas, ilegais ou legais. Mas a emoção e o calor das discussões são levadas a um clímax emocional digno de uma prosopopeia grega, que antevê o fim da Amazônia.

Que fique claro que não sou a favor da motosserra, pois sou ambientalista, apenas não uso carteirinha. Todos os participantes desse imbróglio, ONGs, Aprosoja, Abag, Abiove, governo brasileiro, Ibama, ONU/IPCC, governos estrangeiros, ambientalistas, cometem erros grosseiros nas suas ações e propostas, posicionamentos que nunca levarão a um consenso e, especialmente, não trarão soluções para os problemas existentes.

A Amazônia não vai sumir do mapa, os desmatamentos e queimadas são consequências de processos evidentes diante da população de mais de 20 milhões de pessoas que a habitam e que lá sobrevivem com imensas dificuldades, especialmente indígenas e ribeirinhos. Refletem, sobretudo, os resultados perversos das atividades da superpopulação planetária, hoje com cerca de 7,5 bilhões de bocas que precisam de alimentos baratos. Não há mais como conter essa caminhada rumo ao precipício derradeiro da humanidade. Entendamos, em definitivo, que a superpopulação humana é a causa principal de todos os conflitos ambientais, políticos, sociais e econômicos, a que assistimos. Sem discutir e resolver essa questão básica, todos os demais problemas somente vão crescer e se agravar.

 


segunda-feira, 11 de maio de 2020

Live da Abag, hoje, 17:00 hs

Richard Jakubaszko  
Live da Abag hoje sobre o agronegócio. Qual a visão de vários líderes do setor?
O aviso me foi enviado por Eduardo Daher, diretor-executivo da entidade.
Não deixe de participar:
 





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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Perdidos no Congresso

Richard Jakubaszko
Participei ontem em São Paulo do 15º Congresso da Abag, cujo tema era Liderança e Protagonismo. Temas eminentemente políticos. De agronegócio, mesmo, quase nada. O que vi, senti e percebi, é que o clima existente no congresso refletiu uma síntese quase perfeita do que é hoje o Brasil, perdido de si, fragmentado, tentando encontrar-se, procurando desesperadamente uma boia, um ancoradouro para atracar e esperar passar a tempestade que se desenrola país adentro. Enquanto isso, se justifica aos outros.

As lideranças empresariais e associativas presentes no Congresso, o da Abag, e mesmo no Congresso Federal, demonstram que estão perdidas, e são conduzidas pelos fatos e acontecimentos registrados de forma distorcida pela mídia, a verdadeira dona da agenda política, e apenas discursam, justificam, depositam fé no futuro, deles e do Brasil. Enquanto as Olimpíadas se desenrolam nada parece que será decidido, mesmo o impeachment, o desiderato comum e mais debatido nos dois congressos.

O tema proposto pela Abag pareceu-me não ter encontrado ressonância entre os porta-vozes presentes, fossem palestrantes ou debatedores, e, pior ainda, entre os próprios congressistas. Na plateia, uma multidão, talvez um dos maiores congressos da Abag em termos de frequência, mas a maioria esmagadora completamente alheia e desinteressada dos temas políticos e ideológicos debatidos no palco das celebridades convidadas ou contratadas para abrilhantar o evento. Nos saguões, ligados em seus celulares, pareciam procurar os monstrinhos do Pokémon. Curiosamente, faltaram as duas maiores estrelas convidadas e confirmadas, os ministros Blairo Maggi e José Serra. Do primeiro, ninguém comentou as razões dadas para a ausência, foi ao Sul do país conhecer uma packing house de maçãs. Do segundo, a informação correu de boca em boca de que uma dor de dente assaz conveniente e oportunista, anunciada domingo, submergia diante da inesperada denúncia milionária de mais uma delação premiada na Lava Jato desde a sexta-feira, e que colocou o governo interino mais uma vez em estado de alerta total.

Como lamentado em eventos anteriores pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, o mundo precisa de líderes. Bom, o agronegócio brasileiro também se ressente disso, fato reconhecido pelos organizadores do Congresso da Abag. E eles não estavam lá. Por isso mesmo, é decepcionante, a todos os eventos que se sucedem, vermos repetidos louvores (merecidos) a Roberto Rodrigues e Alyson Paolinelli, que já estão carimbados como eternos ministros. Como criticou Fernando Penteado Cardoso em entrevista da semana passada, e que está disponível em vídeo aqui neste blog, é decepcionante assistirmos nos eventos, congressos, workshops, todo mundo discutindo sobre o passado e o presente, e ninguém planejando ou construindo o futuro. E isso é coisa para líderes.

Exceto alguma pontual observação, o 15º Congresso da Abag não apresentou respostas, e não deixou um legado, a não ser que o mesmo esteja escondido nas entrelinhas de tantos desencontros de comunicação, com muitos ruídos interferindo nos processos. Uma questão interessante talvez esteja na observação casuística do jornalista Augusto Nunes, um dos moderadores. Apesar de eu discordar dele em gênero e grau, pois tenho severas restrições à sua postura profissional, concordei com ele quando observou que, olhando o agronegócio à distância, o que é o caso dele, que é focado mais em política, diz reconhecer a importância do agro brasileiro, mas que o agro propriamente dito não se dá essa relevância, representada pela notável participação de 1/3 nas riquezas do país e do PIB, ou nos saldos positivos sucessivos das nossas exportações. O agro fica muito mais no chororô e em posturas reivindicatórias ou defensivas, sempre se lamentando quando recebe quaisquer críticas, seja da mídia, seja da sociedade urbana, seja dos ambientalistas, que já adotaram o agro como saco de pancadas.

O que Nunes explicitou, e que eu reinterpreto sob a minha experiência de meio século no jornalismo do agro, é que os líderes do agro não assumem de fato a liderança por receio de ter de assumir essas mesmas responsabilidades em momentos futuros. Nesse sentido, minhas reflexões pós congresso, me levam à conclusão, quem sabe definitiva, e sem nenhum pessimismo, de que é o individualismo e a falta de solidariedade e comprometimento com o coletivo e os dilemas sociais que impulsionam a sociedade, e que nos estão levando ao precipício.

E La Nave vá, tanto no congresso da Abag como naquele que fica lá em Brasília, todo mundo na plateia, ou fora dela, se perguntando sobre o que é que está acontecendo. No palco, os atores discursam e enfatizam suas certezas definitivas, filosofando sobre economia, políticas, ideologias e comportamentos sociológicos atávicos dos brasileiros, reconhecidos gênios consagrados do jeitinho e da corrupção. Lembro,  no entanto, o aforismo de Delfim Netto, ator ausente dos atuais debates, de que se você não está confuso é porque está mal informado. Acrescento, apenas, que podem ter tomado posição sob a ótica de premissas equivocadas, mas convenientes para o momento. 

Isto porque, quando se exagera nos argumentos, se prejudica a causa.
É assim que a boiada se movimenta, a história da humanidade comprova isso.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A cidade gosta do agronegócio

José Luiz Tejon Megido
Mal me quer, bem me quer? A Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e o Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) queriam saber o quanto a população urbana brasileira percebia como importante ou não, e em que dimensão, o agronegócio. Também sobre os agricultores e as atividades envolvendo esse macrossetor, que - integrando todos os seus elos do antes, dentro e pós porteira das fazendas - significam algo em torno de R$ 1 trilhão do produto interno bruto.

Os dados foram apresentados na pesquisa sobre a percepção da população urbana brasileira dos grandes centros populacionais sobre o agronegócio e desvendam consideráveis mudanças na imagem que o urbano faz do novo agro nacional.

Os principais dados apontam para 81,3% da população considerando o agronegócio "muito importante" para a economia nacional. Nos casos em que os respondentes têm ensino superior, a importância máxima atribuída chega a 97,2%. No aspecto relativo à importância dos agricultores para a vida dos brasileiros, 83,8% avaliam essa atividade como muito importante. E o produtor figura ao lado das demais quatro atividades mais importantes, na percepção do cidadão urbano: médico (97,1%), professor (95,8%), bombeiro (94,3%) e policial (83,9%). Na Região Nordeste o agricultor recebe a avaliação máxima de 92,8%. Perguntado sobre "qual país tem o agronegócio mais desenvolvido", o povo coloca o Brasil como campeão mundial - tudo isso no reino das percepções, pois se avançamos muito ainda temos gargalos e deficiências consideráveis para sermos considerados o número um nesse setor, à frente de Estados Unidos, China e Japão, entre outros.

Quanto aos setores considerados os "mais avançados" e "orgulho nacional", o agronegócio, na média do País, ocupa o quinto lugar, atrás dos de mineração, petróleo, automobilístico, construção e eletroeletrônica, porém à frente de bancos, transporte, educação e saúde. Entretanto, no Centro-Oeste o agronegócio figura ao lado de mineração e petróleo, considerado o mais avançado e "orgulho nacional".

As profissões mais associadas ao agronegócio são as de 1) agrônomo, 2) engenheiro ambiental, 3) peão, 4) médico veterinário, 5) administrador e 6) nutricionista. Isso também é revelador sobre o conceito de "cadeia", em que o cidadão e consumidor da cidade guarda uma visão de que o campo é originador de muitos produtos transformados e, obviamente, dos alimentos e bebidas, como core dessa função. Da mesma forma, meio ambiente, consumo de água e "estilo country" de ser são três ângulos presentes e percebidos como aspectos que marcam o agro na preocupação dos cidadãos urbanos, que também apontaram consciência a respeito da ciência, da tecnologia e da pesquisa para poder atuar na nova agropecuária. Como aspecto cultural, culinária, música, feiras e festas são ingredientes considerados pelo urbano como presentes na sua vida, vindos lá do campo.

Se nos últimos 30 anos mudaram extraordinariamente a cidade, o consumidor e o cidadão, da mesma forma o agronegócio não é mais o mesmo. E a cidade grande - os 12 maiores contingentes populacionais do Brasil e, consequentemente, os 12 principais colégios eleitorais (as cidades pesquisadas) - alterou suas percepções sobre um campo antigo, atrasado, dominado por barões, coronéis e reis do gado extensivo para um novo campo com tecnologia, educação e novos profissionais e profissões.

Qual a importância disso?
Muda significativamente o olhar das lideranças do próprio setor sobre si mesmas e sobre o que a cidade pensa. E deveria alterar a atenção e a velocidade da gestão e da governança pública, de políticos e de executivos, responsáveis pelos pontos mais frágeis do agronegócio do País hoje: infraestrutura pós-porteira das fazendas, burocracia, tributação caótica e necessário planejamento, seguro e ambiente propício à organização das cadeias produtivas entre elas mesmas.

Precisa mudar o jogo perde-perde, como assistimos nas relações entre produtores de trigo e moinhos, entre citricultores e processadores, por exemplo. E isso vale para quase tudo: o leite, o cacau, a cevada, o café, o frango, o suíno, o milho, a mandioca, a banana, o pepino, a alface, o feijão, o arroz, até o atualmente famoso tomate, etc.

A cidade percebe o agronegócio como sendo não dependente de subsídios governamentais, ou seja, uma atividade muito mais privada. E ainda coloca esse setor da economia em níveis comparativos ao segmento da construção do ponto de vista da empregabilidade. São suas percepções.

A palavra "agronegócio" não é ainda decodificada pela maioria da população. Ao ser perguntado de forma espontânea, esse termo conta com 40% de "não sei dizer". A Região Sudeste é a que menos sabe espontaneamente sobre o segmento, comparativamente às demais regiões. Entretanto, mais de 55% dos entrevistados declararam ter de algum a muito interesse sobre o setor.

Na população mais jovem, de 16 a 24 anos, a desinformação acerca do agronegócio é mais acentuada do que nas outras faixas etárias, o que exige das lideranças contemporâneas do agro uma atitude moderna da governança de redes sociais. Porque, se ao mesmo tempo é o jovem o mais desinformado, a pesquisa também revela serem as pessoas com computador e acesso à internet exatamente as mais bem informadas sobre a visão da cadeia de valor do agronegócio e do seu entorno.

A cidade mudou, o campo também. Uma nova ordem para essa governança passa a ser necessária. O fato novo: a cidade gosta do agronegócio!
Fonte: www.agrolink.com.br 

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Estive presente, em abril último, no almoço-reunião promovido pela Abag em um hotel de São Paulo, quando detalharam a pesquisa e seus resultados.

A conclusão de que "A cidade gosta do agronegócio", conforme Tejon explana no texto acima, é algo de que eu sempre compartilhei como visão real, apenas era "desmentido" pelos fatos de que urbanos criticam constantemente o agro, pessoalmente, na mídia e nas redes sociais. Com os resultados da pesquisa cheguei à conclusão, o que antes era apenas uma suspeita, de que os inimigos do agro, efetivamente, são alguns setores da mídia, além de ambientalistas radicais e de segmentos sociais da população, como o MST, além ONGs e, especialmente, de órgãos "técnico-políticos" do Governo Federal, como MDA, MMA, Anvisa, Incra, Ibama, onde abundam radicalismos político-partidários e ideológicos.

Será?

Não tenhamos dúvidas, os inimigos existem, isto é um fato. Não se inventou esse inimigo a troco de nada, a ponto de fazer-se uma campanha com mídia nacional para defender o agro.
Ou então as pesquisas mostram algo errado, um viés monumental, o que não me parece ser a realidade, e os entrevistados, definitivamente, aprenderam a mentir em uníssono quando estão sendo entrevistados, e respondem de forma politicamente correta às questões formuladas a eles.

Alguém tem outra opinião, entre os leitores deste blog?
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

ILPf e Código Florestal no Fórum da ABAG, em Maringá.


Richard Jakubaszko
A ILPf, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, poderá criar a nova revolução agrícola, e foi debatida em Maringá, durante o XXIII Fórum Nacional da Abag, dia 18 de maio último, ante os olhares de mais de duas centenas de produtores rurais e também dos técnicos da extensão rural e assistência técnica da
Cocamar - Cooperativa Agroindustrial, sob a liderança de seu presidente, Luiz Lourenço.

(OBS. AO FINAL DESTE POST HÁ O INÍCIO DE UM DEBATE SOBRE OS BENEFÍCIOS DA ILPf, E ESPERO QUE TENHA CONTINUIDADE ENTRE OS LEITORES DESTE BLOG. UM DEBATE CRÍTICO E CONSTRUTIVO SÓ NOS FAZ CRESCER E COMPREENDER MELHOR AS QUESTÕES DA VIDA).

Estive por lá, a convite da Abag, junto com algumas dezenas de jornalistas, ciceroneados por Enio Campoi, da Mecânica de Comunicações. Posso antecipar, sem medo de errar, que foi o melhor, senão um dos melhores fóruns de todos os 23 já organizados pela Abag, e dos quais participei da maioria, desde o início.

Luiz Lourenço, enfatizou a todos para que “se unam em grande esforço” para difundir a ILPf – sistema que, apesar de preconizado pela Embrapa há quase duas décadas, e já praticado em algumas regiões, é ainda quase desconhecido da grande maioria dos produtores do Sul e Sudeste do País.


Conforme Lourenço, a região noroeste do Paraná (conhecida como Arenito) possui pelo menos 2,7 milhões de hectares de pastagens degradadas, de baixo retorno econômico, mas com potencial para sediar projetos de ILPf– o que significa cultivar soja no verão e, na mesma área, manter pecuária durante o inverno, usando como pasto o capim braquiária. É a braquiária que, ao ser dessecada semanas antes do cultivo da soja, proporciona palha e cobertura ao solo para o plantio direto, melhorando a qualidade do solo, não apenas nessa região do Noroeste do Paraná.


No Paraná, baseada em pesquisas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), segundo o pesquisador Sérgio José Alves, há pelo menos 300 mil ha onde essa técnica regeneradora já é desenvolvida, mas que ele considera uma área ainda pequena. De acordo com o pesquisador, a tecnologia específica para a integração já está consolidada. “Mesmo em ano de clima ruim se ganha dinheiro com a ILPf”, incentiva Alves. A média de produtividade de soja, nos últimos anos, tem sido de 46 sacas por ha, com aumento do número de unidades animal (UA) de 1 para 2,5 no verão e de até 8 no inverno.

Na verdade, a única coisa que discordo é chamar de ILPf, pois deveria chamar-se o sistema de ILPs, com "s" de silvicultura, pois não se cultiva "floresta", na verdadeira acepção do termo. Fora a semântica, assino embaixo de tudo o que se falou por lá. Adicionalmente, acho que deveria haver créditos para investimentos específicos (máquinas, em especial) para se implementar a ILPf. O que se deveria ter em mente é que são os agricultores quem mais estão aderindo à ILPf, enquanto os pecuaristas são minoria na adesão, e estes não possuem as máquinas (tratores, arados, grades e plantadeiras-adubadeiras) para a ILPf.


O produtor  rural César Formighieri, da cidade de Maria Helena, foi um dos palestrantes do fórum. Considerado produtor modelo em integração no Paraná, possui 500 hectares onde cultiva soja há 10 anos, e mantém pecuária de corte, investe no leite e no plantio de eucalipto. De acordo com ele, as pastagens eram totalmente degradadas e hoje estão recuperadas, com a produção rentável. “O solo recuperado é garantia de sucesso na agricultura e pecuária”, disse ele, pois "a soja recupera o solo melhor que a gramínea".


No Brasil, conforme o pesquisador João Kluthcouski, da Embrapa, há 2 milhões de ha onde é feita alguma forma de integração. Ele apresentou, no evento, um estudo sobre a Fazenda Santa Brígida, de Ipameri (GO), onde a própria Embrapa vem acompanhando, desde 2006, um amplo programa de ILPf. Hoje, essa área é considerada referência no país, com produção de soja, carne e eucalipto onde, além da madeira, se aproveita o sombreamento para o bem-estar animal. “Nosso grande negócio é fazer pecuária verde. Nós somos um país quase continental e ainda com pelo menos 100 milhões de ha de pastagens ruins, que são vistos como uma oportunidade”.


O XXIII Fórum da Abag contou também com a participação de duas personalidades que são a própria história do plantio direto no Brasil: os mitos Herbert Bartz, de Rolândia, e Frank Dijkstra, de Carambeí, PR. Eles falaram sobre o desenvolvimento do PD, que hoje contabiliza mais de 25 milhões de ha no Brasil, preservando os solos. Fazia algum tempo que eu não me encontrava com esta dupla de pioneiros. Além das evidências do tempo, que passa para todos, constatei que o português do holandês Dijkstra está cada vez melhor, enquanto que o sotaque holando-caboclo do brasileiro Bartz se acentuou.

Já o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, abordou a perspectiva de crescimento da demanda internacional por alimentos nos próximos anos para justificar a oportunidade que os produtores brasileiros têm de investir em novas técnicas. Nos próximos dez anos, segundo ele, vai haver necessidade de 20% a mais de alimentos, por causa do crescimento da população, e 40% desse volume terá que sair do Brasil, segundo a FAO. Dias informou que o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do governo federal está disponível a juros de 6,75% ao ano, com 8 a 12 anos para quitação. “O agricultor que não fizer integração terá dificuldades para sobreviver, pois ele precisa investir na eficácia produtiva”, disse.


Osmar Dias revelou à plateia ter encaminhado para a Presidência da República uma sugestão sobre as APPs em beiras de rios, mas a sugestão, pelo jeito, não pegou. É tão simples e cabocla, quanto inteligente. A questão da metragem seria assim, sempre pela largura do rio: se o rio tiver 10 metros de largura, teria 5 metros de APP em cada margem, é meio a meio. Se tiver 50 metros, 25 de APP para cada lado, até atingir 100 m de APP, para rios com 200 ou mais metros de largura. Não vingou, como vimos, pois o emocional predominou, fosse na votação no Congresso como nos vetos da Presidência.

No XXIII Fórum da Abag a plateia esteve recheada de empresários e líderes do agronegócio, a destacar-se a presença de Paulo Herrmann, diretor de Vendas América Latina da John Deere, e Laércio Giampani, presidente da Syngenta CropScience, que são líderes hoje, em parceria com a Embrapa, da Rede de Fomento, uma ideia-conceito que ainda vai dar o que falar. Anotei, ainda, a presença no fórum, de José Cassiano Gomes dos Reis Jr, superintendente da SRB, Fabrício Morais, presidente da Jumil, de Marize Porto Costa, proprietária da Fazenda Santa Brígida, de Maria Iraclézia de Araújo, presidente da Sociedade Rural de Maringá, Francisco Matturro, José Roberto R. Peres, chefe geral da Embrapa Cerrados, entre muitos outros.

O presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, mais conhecido como Caio, ressaltou a importância da realização de fóruns como esse para difundir informação e conhecimento aos produtores. “Este é o modelo sustentável que o Brasil vai apresentar na Rio+20 (a conferência mundial sobre o clima, a realizar-se neste mês de junho no Rio de Janeiro). O protagonismo do país é a grande discussão da sociedade brasileira este ano. Mas a integração é muito mais que isto: ela tem o poder de transformar economicamente uma região”, finalizou.


DEBATE:

Caro Richard:
Com relação à postagem acima sobre o encontro em Maringá, com destaque para a ILPF, submeto excerto de carta a eng agr. alto funcionário do MAPA, bem como crônica de minha autoria analisando a matéria.
Grande abraço,
Fernando Penteado Cardoso

Excerto:
“Mas não é só isso: acho que a EMBRAPA está se arriscando muito com a pastagem sombreada antes de ter observações quantificadas.
Por enquanto é apenas uma tecnologia desiderativa, relegando dados preliminares obtidos em Sete Lagoas na Embrapa-Milho e Sorgo, segundo ouvi dizer.
Uma pena, pois pode vir a comprometer o renome da instituição e, por tabela, o conceito de nossa classe...
Mas, para compensar, temos o conforto da gauchada valente que vem progredindo e construindo graças às “leis que não pegam”.

INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA
Fernando Penteado Cardoso*
Estão na moda os palavreados ambiciosos “lavoura-pecuária-floresta-ILPF” ou “agro-silvo-pastoril”. O que significam ou o que podem significar?

Tudo começou alguns anos atrás com a expressão “integração lavoura pecuária-ILP” que foi definida como a sucessão alternada de atividades agrícolas e pecuárias na mesma área.
Importante ser na mesma área, pois se uma fazenda se dedica a lavouras e a criações em áreas separadas, ela tem essas atividades paralelas, mas não integradas.
A integração acontece quando as duas atividades - agrícola e pecuária - se alternam, se sucedem, se interagem, se integram e se completam em uma mesma área.

Um exemplo de ILP bem sucedido é o do produtor Ake van der Vinne, em Maracajú/MS, onde no verão a sucessão anual é soja>soja>milho>pasto e no inverno pasto>pasto>pasto>pasto. Nesse sistema, a cada 4 anos um hectare em rotação produz  em média 120 sc de soja (2 safras), 100 sc de milho e 1.000 kg de ganho de peso vivo-GPV.
Outra aferição bem sucedida foi relatada pela Granja JAE, St. Inácio/PR, onde, por 6 anos consecutivos, foi comprovada a produção anual de 2.000 litros de leite ou de 300 kg de GPV por hectare durante o inverno, no intervalo entre  culturas de soja de verão.
Nesses dois exemplos, o sistema assegura ainda um volume satisfatório de fitomassa para o plantio direto subsequente. Nos dois casos, pecuária e lavoura se alternam na mesma área.

De uns anos para cá a EMBRAPA vem incentivando o plantio de renques de 2 a 3 linhas de eucalipto ou outra espécie arbórea separadas de 25 a 27 m. Nos primeiros 2 anos cultiva-se soja ou outro cereal no intervalo entre os renques. No final do 2º ano semeia-se capim, geralmente uma Brachiaria, iniciando-se então um sistema permanente de pasto sombreado.
Não se trata de uma integração por falta de rotatividade e de alternância. Poderá, quando muito, ser classificada de silvo-pastoril, sem que a lavoura faça parte do sistema.

Os pastos sombreados não constituem novidade. Anos atrás a CMM do grupo Votorantim patrocinou experimentos e observações em Vazante, no NO de Minas Gerais, mas o trabalho foi descontinuado antes de concluído. Outras descrições em Paragominas/PA e no Estado de MS são pouco conclusivas quanto aos resultados anuais de ganho de peso, embora apresentem simulações e estimativas favoráveis.

Nos anos 1990 diversos criadores na região de Dourados/MS iniciaram o plantio de renques de Leucaena ocupando cerca de 50% da área de piquetes em rotação, com sombreamento intenso na área arbustiva rebrotada. Os intervalos entre os renques eram semeados com capim, permitindo que os animais pastoreassem a gramínea e os brotos e folhas da leguminosa. Inicialmente houve grande entusiasmo dos criadores, mas, pouco a pouco o sistema foi relegado, seja por dificuldades de manejo, seja por não compensar economicamente.

A forragem à sombra é menos palatável nas águas, o capim é mais tenro e bem aceito na seca e a faixa lindeira aos bosques é prejudicada pela forte competição até uma largura de 10 a 15 m. Estas observações são de conhecimento geral dos que convivem com o ambiente rural.

Seja pelo sombreamento, seja pela competição por nutrientes e água, a produção de fitomassa forrageira à sombra pode vir a ser limitada, desconhecendo-se pelo momento o GPV  anual por unidade de área. Os custos de implantação são, por sua vez, muito variáveis, dependendo de inúmeros fatores locais, inclusive da infestação inços e de formigas cortadeiras.

A redução da produção animal é até certo ponto compensada pelo crescimento de fustes com valor comercial para celulose, carvão ou madeira, mas o resultado econômico por hectare entre produção animal e vegetal não foi ainda determinado.

O que deve ficar bem claro é que a integração lavoura/pecuária está bem comprovada e dimensionada, mas ao se introduzir árvores permanentes o sistema torna-se mal conhecido, em que pese o entusiasmo desiderativo dos que o apregoam antes de ter aferições convincentes.

Dias de Campo festivos divulgam as iniciativas ditas agro-silvo-pastoris enquanto satisfazem a curiosidade dos interessados e envaidecem tanto os técnicos promotores, como os proprietários gratificados.

Vale aqui lembrar o preceito de Lord Kelvin enunciado no século 19: “A menos que você possa medir alguma coisa e descreve-la com números, você está apenas começando a compreendê-la”.

É admissível a hipótese de que ao final de alguns anos os agropecuaristas cheguem à conclusão de que seria melhor ter pastagem e reflorestamento em separado. O futuro dirá.

* Eng. Agr. Sênior-ESALQ-USP 1936- Fundador e ex-presidente da Manah S.A. e da Fundação Agrisus. Produtor rural em Mogi Mirim/SP.

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Dr. Fernando Penteado Cardoso, muito obrigado por seus comentários, sempre relevantes, diretos e objetivos. Sua presença neste blog, em forma de comentários, muito me honra. 
Especificamente no caso da ILPf tenho a colocar algumas premissas, talvez diferentes de sua ótica e objetividade prática, para incentivar um debate positivo nessa questão.
Tenho a ILPf como regeneradora de solos (e pastagens) degradados. A ILPf é um conceito, mas de uso prático, que permite recuperar esses pastos, com investimentos moderados, melhorando a produtividade desses solos degradados e compactados. Não vejo a ILPf como solução prática para áreas de plantio de lavouras já produtivas, e nem tampouco para substituir pastos bem conduzidos. A região do Arenito, no Noroeste do PR, é um bom exemplo, onde pastos mal manejados diante das condições edafo-climáticas aceleraram a degradação. As tentativas de se plantar mandioca naqueles solos arenosos levaram a uma degradação ainda maior, provocando vossorocas quase impossíveis de serem recuperadas, pelo menos quanto à realidade econômica, no sentido de proporcionar lucros aos investimentos necessários, em curto ou médio prazos.


Nesse sentido a ILPf é, em minha modesta opinião, a salvação da lavoura, e dos pastos, para pelo menos 100 milhões de ha calculados pelos estatísticos, e que estão espalhados Brasil adentro. E estes têm sido ocupados por agricultores, em sua maioria, e não por pecuaristas, a quem falta a cultura e tradição de trabalhar a terra preservando-a para as gerações futuras.


Tratar a ILPf com um sentido prático e objetivo de lucros a curto prazo poderia, sem dúvida, colocar essa técnica como duvidosa.

Confesso que tinha dúvidas, em relação à ILPf, conforme seus argumentos, sobre o sombreamento. Seria, de acordo com suas palavras, em texto que já publiquei na DBO Agrotecnologia, "a descoberta da agricultura sem fotossíntese". Mudei de ideia ao analisar o argumento apresentado pelos especialistas, em especial dos agrônomos José Luís Coelho, da John Deere, e João Kluthcouski, da Embrapa, de que as árvores sejam plantadas em duas ou três linhas no sentido Leste-Oeste, o que reduz o sombreamento sobre pastos e lavouras, e traz conforto aos animais.

Tenho ainda uma questão em relação à "perenidade" do sistema ILPf, e que não me convenceu. Ou seja, depois de implantada, é difícil o retorno aos sistemas tradicionais de manejo do solo, seja em lavouras ou em pastos, pois os tocos remanescentes por lá (após os cortes de madeira) permaneceriam irretiráveis, no mínimo por 10 ou 15 anos. Nesse sentido a ILPf pode até recuperar solos degradados, mas obriga a sua continuidade e permanência. Daí a minha pergunta: o que é melhor? Recuperar os solos degradados ou continuar como está?


Este blog permenece com espaço em aberto para a continuidade do debate, pois não entendo como definitivas as colocações do Dr. Fernando Penteado Cardoso, muito menos as minhas.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A mídia e os biodesagradáveis só gostam de má notícia

Richard Jakubaszko

Chego à conclusão de que o hobby nacional é transmitir notícia ruim a partir do imenso número de fóruns, simpósios e palestras que se realizam nestes últimos tempos. Somente neste mês já fui a quatro desses eventos, recheados de empresários, jornalistas e ambientalistas, ou os ecochatos, daqui em diante denominados de biodesagradáveis, em que só se fala nas misérias futuras que a humanidade vai sofrer com o "aquecimento do planeta", com as "mudanças climáticas", os "eventos extremos", a "falta de água", a biodiversidade etc., etc. E tomem-se sugestões hilariantes e assustadoras para mitigar as previsões ruins, todas com ampla repercussão na mídia. A mídia, antes de tudo, gosta de notícia ruim. Os organizadores desses fóruns, sedentos por estar na mídia, fornecem “conteúdo” e a mídia sai satisfeita, os repórteres anotam tudo para reportar a seus leitores e telespectadores. Todo mundo fica feliz com as desgraças do que se promete aí pela frente, afora as sugestões de legislação que são feitas dentro do alto pragmatismo de rótulos que já andam desgastados como "ameaças e oportunidades" para que se conquiste a paradisíaca sustentabilidade.

Semana passada estive no evento do Instituto Biológico, na Secretaria da Agricultura de São Paulo, para assistir a palestra do amigo Evaristo de Miranda, agrônomo da Embrapa Monitoramento por Satélite, de Campinas, SP. Ele prova com estatísticas e de forma científica aos assistentes que o CO2 não é o criminoso que os ambientalistas apregoam pelos quatro ventos, muito menos o culpado pelo aquecimento. Nossa única e fundamental diferença é que Evaristo afirma acreditar no aquecimento planetário, enquanto eu acho que é um porco-boi que plantaram em nossa sala de visitas, conforme artigos já publicados no meu blog pessoal (ver relação abaixo) e pela blogosfera, em que aponto as causas e os interessados nesta mentira bem elaborada que tomou conta da nossa vida desde 2007 quando o IPCC anunciou o "início do fim do mundo".

Parece não haver capacidade de autocrítica no ser humano moderno, nas ciências e na mídia, pois estão todos incapazes de estabelecer um debate contraditório a essa avalanche.

No dia seguinte fui ao evento da Syngenta, no Hotel Transamérica, chamado de “Fórum da Biodiversidade”, com presença da ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, por sinal, uma personalidade interessante, notável, culta, inteligente, e que recomenda o diálogo dos parceiros biodesagradáveis com a sociedade ao invés do lema proibir-proibir, a começar pelo Código Florestal, que periga ser aprovado a jato pelo Congresso ainda este ano se os verdes dormirem no ponto.

O evento foi aberto por Antônio Carlos Guimarães, presidente da Syngenta LATAM, que enfatizou a importância da produção de alimentos diante do crescimento demográfico, e mostrou que a empresa está aberta ao debate com os ambientalistas ao realizar o Fórum da Biodiversidade.

Neste evento da Syngenta assisti à palestra do advogado americano Jonathan Lash, Presidente do World Resources Institute – WRI, de Washington, que é um poderoso lobbysta junto ao Congresso americano para defesa de causas ambientais, e que admite o fracasso da maioria das causas abraçadas, pois os congressistas, definitivamente, não acreditam nessa desgraceira de aquecimento. 

Na entrevista coletiva a jornalistas, após a palestra, perguntei a Jonathan Lash como os americanos poderiam encarar a aplicação de um Código Florestal como o brasileiro se fosse direcionado aos produtores rurais americanos. Primeiro, ele deslizou inteligentemente da pergunta-pegadinha, depois que expliquei o ponto crítico, ou seja, tornar 20% da área como uma Reserva Legal, afora as áreas de APPs em margens de rios e mananciais de água. Ele reconheceu que se isso ocorresse nos EUA haveria no mínimo queda de governo e de todo o Congresso, pois seria considerado "confisco de terras", o que é ilegítimo pela Constituição dos EUA, explicitado na 5ª emenda. Mesmo que o confisco fosse recompensado financeiramente. Expliquei que aqui se fala eufemisticamente em “pagamento por serviços ambientais prestados”.

Ainda nos debates da parte da manhã questionei a ministra Isabella sobre as razões de os biodesagradáveis, como ela mesma reconhece e os chama, de nunca abordarem como causa, na discussão da biodiversidade e da sonhada sustentabilidade, o explosivo crescimento demográfico no planeta, como se a humanidade não fosse o principal objetivo de todas essas ações midiáticas e dos mirabolantes projetos legislativos. 

Dentre outros aspectos que sugeri o principal estaria a produção de alimentos, fato que os ecologistas pretenderiam consolidar com suas intenções legislatórias de proibições e limitações às atividades produtivas. A ministra Isabella reconheceu que só o diálogo colocará o ser humano no centro desse debate, até porque, diz ela, tem a certeza de que, seja o que venha a acontecer no futuro, a médio e longo prazo, a humanidade pode até desaparecer, mas o planeta irá continuar vivo. 

Fui almoçar com a certeza de que a ex-ministra Marina Silva, e pior ainda, o depois ministro Carlos Minc, usurparam um cargo de direito e de mérito que deveria ter sido de Isabella Teixeira, desde 2003. Teria ocorrido diálogo, pelo menos esse é o discurso quando ela chama de burra a atitude de críticas dos ambientalistas, e ao mesmo tempo das posições radicais e empedernidas contra o agronegócio.

Nesta quinta-feira fui ao 19º Fórum da ABAG, desta feita no Maksoud Hotel, para ouvir sobre “Eventos Extremos”. Um dos palestrantes, o americano Harold Doley III, Diretor e co-fundador do Lugano Group Incorporated (EUA), discorreu sobre o furacão Katrina, que devastou New Orleans (EUA), em agosto de 2005. Ao relatar essa experiência e os planos de capacidade adaptativa, montados para recuperar a cidade, admitiu com a típica objetividade americana que o Katrina foi um furacão igual a muitos outros, e de que os terríveis danos causados a New Orleans somente aconteceram pela imprevidência humana, em especial dos governos do estado e federal. Não apenas imprevidência, ele acentuou, mas incompetência em todos os sentidos. Isto porque, New Orleans é uma cidade situada em terreno abaixo do nível do mar, como é também o caso da Holanda, e igualmente protegida por diques de segurança para impedir a invasão das águas do mar. Diante da violência do furacão, que nem chegou a atingir a cidade propriamente dita, os diques de proteção se romperam e foi isto que inundou mais de 80% da cidade em poucos minutos. Portanto, a palestra do “Eventos Extremos” da ABAG, acabou sendo desmentida pelo palestrante internacional.

Na sequência houve a palestra de Sergio Trindade, engenheiro químico brasileiro que fez parte do IPCC, entidade que recebeu (na minha opinião injustamente) o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Trindade repetiu os mesmos equívocos que o IPCC dizia até o ano passado, falou de aquecimento, que o nível do mar vai subir de forma assustadora, exibindo num "aterrorizante" (para ele) power point mapas hipotéticos com as regiões que seriam invadidas pelo mar se os níveis de água subirem ½ metro, 1 ou 2 metros. 

Mostrou ainda gráficos cientificamente abobalizantes, sem os devidos créditos, sendo que o pior deles mostrava, no que consigo recordar, a evolução das emissões anuais de CO2 de 2000 até 2010, iniciando com 50 bilhões de toneladas e terminando com 150 bilhões. Na sequência da palestra fui o único da plateia a fazer perguntas questionando a incorreta informação, pois, de um lado, é impossível calcular o total das emissões anuais de CO2 no planeta, mas há cálculos estimativos aceitos de que seriam de 200 bilhões, com um viés de 20% para mais ou para menos. Os 150 bilhões apresentados por Sérgio Trindade, para hoje em dia, nesse sentido, estariam OK, mas os 50 bilhões do ano 2000 é uma mentira deslavada e proposital de quem construiu esse número, pois haveria uma evolução nas emissões de 300% em 10 anos! Na verdade o volume de CO2 na atmosfera evoluiu 30% em 200 anos, não esquecendo que isso envolve o início da era industrial.

Na minha pergunta afirmei ainda, conforme dados científicos disponíveis, que as emissões de causa antropogênica confirmadas seriam de apenas 3%, enquanto que 97% têm a natureza (mar, vulcões, florestas, solos degradados) como responsável. Trindade desconversou, reafirmou que os números são os registrados e apresentados pelo IPCC e assim terminou o debate no Fórum.
Lamentavelmente o sistema de debates nos Fóruns da ABAG não permite que a plateia faça pergunta via microfone, mas tão somente por escrito. Ficou claro, para mim, que alguns dirigentes da ABAG não gostam do debate, preferem o discurso único.

Para saber mais leia, aqui no blog:
http://richardjakubaszko.blogspot.com/2009/10/co2-unanimidade-da-midia-e-burra.html  artigo escrito em parceria com Odo Primavesi, que foi um dos signatários do IPCC, e acredita no aquecimento, enquanto eu continuo não acreditando nesse trololó.
http://richardjakubaszko.blogspot.com/2010/03/discussao-de-bebados.html Discussão de bêbados é para conhecer como a indústria nuclear tem interesse no assunto “aquecimento”.

http://richardjakubaszko.blogspot.com/2009/12/nao-existe-aquecimento-global.html entrevista com o professor climatologista Luiz Carlos Molion, da Univ. Federal de Alagoas, que desmente toda a teoria do “aquecimento”.
http://richardjakubaszko.blogspot.com/2009/12/indefinicoes-da-ciencia-em-tempos-de.html para saber de alguns erros do IPCC aos quais alguns cientistas brasileiros não dão maior importância.

http://richardjakubaszko.blogspot.com/2009/07/o-que-fome-vai-fazer-com-o-mundo.html  opinião sobre o que a fome vai fazer no mundo, e um vídeo com cenas de imigrantes mexicanos.

Ecologia seria a busca do significado da vida.
Há uma inexplicável preferência humana por desentendimentos, mas apresso-me a afirmar que a única coisa permanente no universo é a mudança. Ou seja, tudo que nasce morre, e tudo está em movimento, menos os minerais e os biodesagradáveis. Afinal, os ambientalistas são Deuses, ou se consideram como tal? Ou apenas desejam conquistar o Paraíso, em detrimento de condenar bilhões de pessoas a morrerem de fome?

Fica evidente o compromisso dos biodesagradáveis em promover uma “ideologia naturalista”, sem ao menos ser capaz de ouvir quem pensa diferente. Isso autorizaria os ditos cujos em abordar assuntos que tratam da perspectiva liberal, embora essa tendência esteja superada em vários círculos. Seria a polêmica simples estratégia de guerra, às expensas da qualidade da informação? Tudo é voltado pra um público débil (telespectadores) que engole com empatia qualquer matéria sensacionalista decorada com um aparentemente relevante infográfico ou imagem de impacto. Ora, o Renascimento pôs fim ao controle do poderoso cristianismo sobre a cultura, as artes e as ciências, mas temos agora os novos contemporâneos, os biodesagradáveis que resolveram não apenas legislar, mas burocratizam a vida e os meios de produção.

O único sinal otimista de reação que se verifica é a procura por uma idealização chamada de “sustentabilidade”. Não vejo como é que a ciência vai “inventar” a sustentabilidade, pois o problema maior não está na sujeira ou poluição causada pelos humanos, mas no excesso de consumo que tem como causa a explosão demográfica. Será que Malthus tinha razão quando fez suas previsões? Para a mídia e os ecologistas isso parece não ter importância.

Agricultura comercial embute, por definição, impacto ambiental, incluindo a redução da biodiversidade. Assim, de certa forma, agricultura é poluição, mas os seres humanos precisam comer, e é por isso que se faz agricultura.

Uma coisa é ecossistema e outra é agrossistema. No ecossistema, a natureza equilibra-se com a interação de todos seus agentes: flora, fauna e microorganismos. Os ambientalistas sabem que, nas visitas a santuários ecológicos, podem deixar, no máximo, como sinal de sua passagem por lá, as próprias pegadas. Qualquer resíduo, toco de cigarro ou lata de cerveja, é poluição.

No ecossistema puro os seres humanos não conseguiriam sobreviver, a vida nesse meio ambiente é opção de raros seres humanos, e a personagem Tarzan, mostrada nos cinemas, era apenas uma mensagem idílica.
Já no agrossistema não existe “ecossistema”. Quanto maior for a plantação, ou a pastagem, maior o desequilíbrio do “ecossistema”. Se a lavoura for invadida por qualquer inimigo natural concorrente, erva daninha, inseto ou fungo, será imediatamente combatido, para manter o agrossistema produtivo e rentável. No clima tropical brasileiro os invasores – insetos, fungos e ervas daninhas – proliferam com muito maior rapidez do que nos climas temperados.

Nesse sentido tem sido fantástica a contribuição dos fitossanitários para se manter a produção de alimentos de forma a atender às necessidades das populações. Porque há hoje no planeta 6,8 bilhões de bocas para alimentar. Éramos 2 bilhões no início do Século XX, seremos 9 bilhões em 2.050. O que significa dizer que a situação vai piorar, considerando a ótica dos ambientalistas. Antes disso a agricultura brasileira será criticada por sermos os campeões mundiais no uso de agroquímicos.

Agricultura moderna não é compatível com biodiversidade na forma idealizada pelos ecologistas. Há biodiversidade no solo, em plantio direto, mas não de agentes naturais que se alimentam daquilo que se plantou. Os invasores e as pragas aparecem sempre, encontram fartura de alimentos e nenhum agente predador. Reproduzem-se de forma explosiva. São mantidos sob controle pelos produtos fitossanitários. Num ambiente tropical como o do Brasil as pragas proliferam de forma exponencial, ao contrário de ambientes temperados ou frios como os existentes acima da linha do Equador. Essa a diferença do porque o Brasil se tornou campeão mundial no uso de agroquímicos, ou agrotóxicos, como queiram.

Para usar menos agroquímicos, a ciência agrícola criou a alternativa das plantas OGMs, mas há gente que é contra, sem nem saber o que é fazer agricultura e quais seus problemas e necessidades. Pedem, criticam e exigem, naquilo que consideram uma atitude de sabedoria, numa cautela previdente, os “estudos de impacto ambiental”. Há necessidade de se informar aos exigentes ecologistas, que se outorgam de soberba, inclusive políticos oportunistas, e também jornalistas mal informados, que os OGMs já estão incluídos entre os assuntos mais estudados por todas as ciências e, pelo que se sabe, nada de ruim foi provado dentro daquilo que os ecologistas preveem ou nos “ameaçam”.

Não se conhece nenhuma mutação humana ou animal, ou alterações diretas da natureza, que tenha ocorrido nesses dezoito anos desde que os OGMs foram lançados e estão sendo usados e consumidos. Comparativamente às plantas nativas tradicionais sabe-se, hoje em dia, muito mais sobre as plantas OGMs.

Solicita-se que os ecologistas tenham bom senso, que entendam de gente e do excesso de contingentes famélicos: que instalem ONGs para reduzir os índices de natalidade no planeta, na África, América Latina, Ásia e Índia. Isto já ajudaria bastante. Ou então, que sigam as recomendações de Malthus. Estas eram passadas aos responsáveis pelas políticas públicas de então, de que deveriam deixar os pobres e famintos entregues à própria sorte, pois eles se exterminariam. Mas isto não é importante, nem para a mídia e tampouco para os biodesagradáveis.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Indefinições da ciência em tempos de COP 15

Richard Jakubaszko

Participei hoje pela manhã do Fórum Abag sobre meio ambiente, realizado em São Paulo, Capital. Na primeira de três palestras Marcos Jank, presidente da ÚNICA, desfilou um rosário de desafios e oportunidades que o etanol produzido da cana-de-açúcar Brasil terá na COP-15 em Copenhague, daqui a duas semanas. Carlo Lovatelli, presidente da Abag, comentou que o Brasil terá uma delegação de peso por lá, com mais de 600 participantes, e eu esclareço que o número não deve considerar os (as) acompanhantes.

Na sequência do evento o professor e engenheiro agrônomo Carlos Cerri, que é do CENA/USP, e um dos signatários do IPCC, dono de um currículo longo e notável, despejou na plateia muitas toneladas de números sobre emissão de CO2 equivalentes que seriam da responsabilidade do agronegócio ao engrossar a chamada camada de gases de efeito estufa, a GEE, que por sua vez estaria provocando o aquecimento do planeta. Não fez maiores considerações sobre o quanto o agronegócio sequestra desse mesmo CO2 e equivalentes. Ou seja, não falou dos créditos e do quanto se sequestra, mas apenas dos débitos, ou melhor, o quanto se emite de CO2, em especial o da flatulência entérica bovina. Destacou que há inúmeras oportunidades para o agronegócio nesse sentido, para que o setor se redima de tantas críticas, especialmente aquelas feitas pelos ambientalistas e pela mídia.

Fiquei bastante irritado e contrariado com a exposição do professor Cerri, e minhas razões já foram explicitadas em diversos artigos publicados aqui no blog e replicados em toda a internet, em especial o artigo mais recente, "CO2: a unanimidade da mídia é burra!". Mas o Fórum da Abag foi em frente, ainda sem debates, me "segurei" na cadeira, e fomos brindados com a excelente palestra, lamentavelmente curtinha, de Paulo Moutinho, presidente do IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Disse ele algumas coisas que eu jamais poderia imaginar serem ditas por um pesquisador ambiental, das quais destaco algumas, para que o leitor deste blog possa se deliciar:

1 – o agronegócio brasileiro é burro e trabalha de graça, ou quase isso, por não saber cobrar do mercado internacional o pagamento de créditos por conservar a Amazônia.
2 – não há no planeta nenhum país onde exista a figura jurídica ou legislativa da "Reserva Permanente Ambiental" que o Código Florestal brasileiro, que se encontra tramitando no Congresso Federal, pretende impor aos produtores rurais brasileiros.
3 – 50% das queimadas na Amazônia são acidentais, ou seja, não foram intencionais.
4 – a soja não é responsável por nenhum hectare desmatado na Amazônia. Antes da soja chegam os madeireiros, que levam as árvores, muitos anos depois chegam os pecuaristas. Não explicou, mas é sabido que antes dos pecuaristas chegam os carvoeiros, e depois os do MST e posseiros pequenos.

Comecei a ficar satisfeito, com a palestra de Moutinho, pela minha ida ao Fórum da Abag, afinal, não teria perdido tempo.

Vieram os debates e, para mim, um misto de inquietação e irritação. Decidi não fazer perguntas, porque o esquema é de perguntas escritas, e meu amigo Pinazza filtra as perguntas. Mas assisti aos debates.

Na última pergunta dos debates o veterinário Sebastião Guedes, presidente do CNPC – Conselho Nacional da Pecuária de Corte, perguntou a Cerri a razão das diferenças de números informados pelo IPCC e pela Embrapa, sobre a emissão de óxido nitroso (N2O) pelos bovinos, que seria uma desproporção abissal, eis que o IPCC informa que a urina bovina emite 2.0% de N2O, mas a Embrapa registra 0.4%, número confirmado pelo Instituto de Zootecnia, de Nova Odessa, SP.

Com uma diferença dessas, cinco vezes maior, não há boi nem pecuarista que se mantenha inocente, teria de mandar a bicharada para de fazer xixi, até porque não se dá crédito aos bois e vacas por "irrigar" os solos, nem quando a gente come carne, eis que para produzir 1 kg de carne o boi consome sei lá quantos mil litros de água... Percebe-se que o tal do CO2 equivalente é engrossado pelo N2O, depois que se multiplica o mesmo por 293 vezes, pois é essa a proporção poluente do N2O para o dióxido de carbono.

Quase caí da cadeira ao ouvir do professor Cerri (e todo mundo na plateia ouviu a mesma coisa, apenas não sei se deram a mesma interpretação), de que o IPCC tinha um número e esse número vem sendo usado desde então. Explicou que há diferenças enormes desses números entre alguns países e entre regiões de um mesmo país, e que ele assinara isso, apesar do "default" de muitos outros países, inclusive o Brasil. Na sequência explicou que, por isso mesmo, a ciência precisa de dinheiro para fazer muitas pesquisas e ter mais certezas. E mais não disse, aparentemente todo mundo ficou feliz e a reunião se encerrou, com os aplausos convencionais.

Saí do Fórum da Abag chutando pedras, não sem antes fazer alguns breves comentários com Sabrina Feldman, assessora de imprensa do Ícone, e com Luiz Antônio Pinazza, diretor da Abag, das minhas contrariedades em relação aos cientistas. Na sequência falei com Sebastião Guedes, parecia petrificado, além de decepcionado, com a resposta do professor Cerri.

Fiquei pensando com os meus botões: há muita irresponsabilidade e leviandade de muitos dos cientistas. Como é que eles vomitam números, dão opiniões, prenunciam desgraças, fazem previsões e propõem soluções com base em estatísticas que não são certas e confiáveis? Como é possível isso? A estatística não é a mãe de todas as ciências? Ou os cientistas não têm mais respeito pela mãe das ciências?

O mundo anda explodindo, as indefinições nos atordoam, o IPCC anunciou o fim do mundo, as pessoas esperam soluções da COP 15, os governos e líderes discutem e debatem o aquecimento que, aliás, tem sido contestado por outros cientistas. Há muita polêmica nas ciências, parece não haver concordâncias, mas o certo é que vamos ter atitudes e propostas na COP 15, de todos os cientistas. Já existem até mesmo multas previstas pela emissão de CO2 equivalente, pela transgressão de normas, porque se chegou ao consenso de que o planeta vai esquentar e de que a culpa é do tal do CO2. Os governos, que são políticos, acham um jeitinho criativo de multar os transgressores. As indústrias estabelecem com as ONGs as suas moratórias, para ficar bem na foto. O produtor rural é criticado pela mídia e vai pagar o pato. E vai ficar com o mico. Tudo porque os cientistas assinam qualquer número que lhes seja conveniente. Na falta de outro, evidentemente.

Meus amigos: não estou falando exclusivamente do professor Cerri, ele foi honesto ao dizer o que disse, talvez tenha tido um ataque de ingenuidade, e não tenha percebido as pedras lisas por onde pisava, mas foi honesto. Como fala a personagem do Casseta e Planeta, me deu vontade "de dar porrada"... O problema é que os outros 2.498 cientistas signatários do IPCC (de um total de 2.500) não foram nem honestos e nem ingênuos. Simplesmente assinaram. Mas tem uma parcela deles que discorda dos números do IPCC, felizmente.

O outro cientista que falta nessa conta é o meu amigo Odo Primavesi, juntos já criticamos as propostas e soluções do IPCC, mas a mídia continua surda, apenas ouve os cientistas pregadores de desgraças. Amanhã os jornais estarão cheios de mais desgraça e notícias ruins. Não há dúvidas de que não apenas os jornais, mas muita gente está ganhando dinheiro com essa história de mudanças climáticas.
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