Richard Jakubaszko
Um dos maiores horrores do século XX foi o vazamento radioativo da usina nuclear de Chernobyl (1984), em minha opinião, evidentemente. Outros eventos podem ser classificados nesta categoria, como a I e II Grandes Guerras, e as duas explosões de bombas atômicas no Japão, em Nagasaki e Hiroshima (agosto 1945), e também o holocausto executado pelos nazistas nos diversos campos de concentração que mantinham para extermínio coletivo de judeus, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, tudo com o objetivo de um mito imbecil de se atingir maior pureza étnica. Mas a sociedade humana não aprende com a história.
Hoje, lamentavelmente, assistimos a dois holocaustos semelhantes, e que a mídia se cala ao não denunciar os seus horrores. Um deles é a perseguição em massa aos muçulmanos Rohingya, perseguidos em Mianmar, com fuga em massa para Bangladesh, são milhões de seres humanos, muitas crianças, com fome, doenças, concentrados em locais que os governos chamam de acampamentos, e não de prisões ou campos de concentração. Da mesma forma, em toda a Europa, paralelamente, milhões de pessoas fogem de seus países, especialmente África e países do Oriente Médio (Síria, Líbia, Argélia, Etiópia, Iraque, Afeganistão etc. e etc.), onde guerras fratricidas eliminam civis sem nenhuma cerimônia, sob as vistas da ONU e de seu inepto e engajado "Conselho de Segurança". Impedidos de entrar na Europa, são atirados ao mar, ou concentrados em "acampamentos provisórios".
No livro "Viagem à Palestina" (Ediouro, 2004 - 158 p), 10 escritores descrevem uma viagem conjunta feita à Palestina e Israel, em 2002, em nome do Parlamento Internacional dos Escritores. Cerca de 600 escritores, do mundo inteiro, nenhum brasileiro, subscreveram um manifesto ao qual não foi dada nenhuma resposta.
Os 10 autores do livro relatam o que viram, exibem suas opiniões críticas ao horror implantado pelo exército israelense, desde a guerra dos 6 dias, em 1967, quando Israel invadiu e Palestina, tomou conta do território, e lá permanece até hoje com seus soldados, determinando o que os palestinos podem ou não fazer, e cada soldado tem o poder de um 007, pode matar sem precisar dar explicações. A Palestina, em verdade, é um imenso Campo de Concentração, um apartheid que não é diferente ao da África do Sul, dominado pelo exército israelense, e mais ainda a famosa Faixa de Gaza, mas desconhecida de fato, uma área de terras de poucos quilômetros quadrados. Tudo em nome de proteger cidadãos israelenses de ataques suicidas de palestinos nas cidades fronteiriças.
Terminei de ler o livro esta semana, encontrado acidentalmente num sebo. De 2004 até hoje, teve tiragem e circulação restrita, e nenhuma divulgação. Evidentemente que eu já conhecia os horrores praticados por Israel na Palestina, pouco noticiado pela mídia (na maioria, propriedade de judeus) no mundo inteiro, mas a forma como os 10 escritores relatam o que foi visto choca; me horroriza o silêncio da mídia, me causa estupefação ver governos "politicamente corretos" que apoiam incondicionalmente as ações terroristas de Israel, especialmente Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. Vive-se um apartheid, um autêntico holocausto na Palestina, mas o mundo desconhece o que se passa por lá, o sofrimento do povo, com ações, conforme descrevem os autores de "Viagem à Palestina", de extrema humilhação. Pode-se afirmar, sem erro de exageros, que Israel é um estado terrorista, sob a complacência de outros países, da ONU e da mídia.
Tenho muitos amigos judeus, com alguns abordei o assunto, e fica claro o sentimento de vergonha que se apossa deles quando se fala da situação. Nenhum sequer ousou me perguntar, em tom de defesa de seu povo, algo como "e o que Israel poderia fazer mais, diante da situação?". Muitos disseram que isso tem de ser encerrado, pela paz, de qualquer forma.
Eu já havia denunciado essa questão, aqui no blog, em julho de 2014, vejam aqui:
https://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2014/07/ai-ai-ai-filhos-de-israel-quanto-odio.html
Ai, ai, ai, filhos de Israel! Quanto ódio mais?
Até quando, filhos de Israel?
Quantas mortes mais?
Até quando, filhos de Israel poderosos, ricos, armados com altas tecnologias, manterão esse terrorismo de estado fratricida contra os portadores de estilingues e de mísseis obsoletos e sem pontaria?
Ação e reação...
Quanta mentira!
Só se percebe ódio...
Olho por olho?
Não, mísseis contra pedradas e estilingadas...
Mortes, sofrimento, um holocausto em pleno século XXI!
É uma vergonha o que se assiste em Israel, perpetrado por um povo com mais de 5 mil anos de história, que deveria ter a sabedoria, mas que se outorga o direito da força.
O mundo assiste na TV, em silêncio, ao terror de estado.
Traz desesperança para a humanidade, desconstrói, sem exemplos, sem futuro.
Alimenta mais ódio.
Ó filhos de Israel!
O que David diria disso tudo?
Bom, um leitor, amigo, comentou no blog:
Richard, o que diria Davi?
David era um monstro! Acharia pouco. A história de Davi é a de um conquistador que não hesitou em matar quem estivesse na frente de seus objetivos. Para azar dos outros, em nome de Jeová, sem culpas.
Agora eu não sei quem é mais fanático e perverso, Islamitas ou judeus. Em termos de violência, incluo polacos, ucranianos e russos. A diferença é que judeus e islamitas o fazem em nome de seus Deuses. Os eslavos e outros povos, americanos e ingleses, especialmente, em função de territórios e orgulhos nacionalistas.
DANIEL STRUTENSKEY MACEDO
Pergunto, de novo:
Até quando isso vai continuar?
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quinta-feira, 23 de novembro de 2017
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Cidadania, uma hipocrisia que vive de preconceitos
Egydio Schwade *
A sociedade que promove a “cidadania” vive cheia de preconceitos e a maioria das ações do cidadão são ações contra a “Mãe-Terra”.
Aquele que traz a comida à mesa do cidadão ao longo dos séculos, não é ele o objeto de expressões de desprezo como: “jeca-tatu” ou “vá plantar batatas”?
Não é a nossa “Mãe-Terra” apenas “sujeira” que deve ser enxotada pela vassoura e ser coberta pelo asfalto e pelo cimento-cidadão? Quem busca a cidade não busca logo a “cidadania”, isto é, (des)envolvimento, que significa cobrir a terra com asfalto, o chão da casa e o pátio com cimento, para não mais se envolver com a Terra?
Não é melhor pago aquele que vive fora desta “sujeira” da “Mãe-terra” e quanto mais longe dela melhor pagamento “merece”? Tem alguma razão séria para dar um salário de mais de R$ 30 mil reais a um membro do Supremo Tribunal Federal e nem se preocupar pelo salário do “plantador de batatas” que traz a comida à mesa?
O Estado não deve ser governado por um cidadão (des)envolvido da terra? Um “jeca-tatu”, um “plantador de batatas” candidato a Presidente, nem pensar! Desde o tempo dos romanos todo o governo é comandado por cidadãos e no Ocidente por cidadãos cristãos, cujos contrários são sintomaticamente “pagãos”.
Existe preconceito maior do que aquele usado contra os povos que não desejam cidade alguma, de cujos territórios, desde 1500, Governo e latifundiários se apropriam como se fossem “vazios demográficos”? O agronegócio, a mineração, projetos hidrelétricos, instalados em seu lugar, devastam a floresta, envenenam a Terra, saqueiam os recursos naturais e consomem a maior fatia do PIB – Produto Interno Bruto, não são eles cria do cidadão e apenas comida para o Estado-cidadão?
A cidadania está montada sobre preconceitos. O conceito de cidadania como objetivo da humanidade, deve ser banido, não fomentado. Ele fomenta, não a Economia, mas a Crematística, a queima dos recursos naturais, o aliciamento, ou a expulsão do homem do campo, a depredação do meio ambiente, a burocracia inútil e inerte... Enquanto os cidadãos não se derem conta de sua realidade de “micróbios”, causadores das doenças e chagas incuráveis que assolam o Planeta e dela não abdicarem, a Mãe-Terra e seus recursos serão saqueados, os agricultores familiares serão prejudicados para beneficiar latifundiários que contaminam a comida, não praticam agricultura, mas apenas negoceiam, escondidos em escritórios urbanos.
O cidadão vive em quadriláteros. Aprofunda-se na “ciência” de seus quadriláteros e, talvez, por isso julga-se mais sábio do que o homem do campo, que se defronta incessantemente com esta imensa variedade de desenhos geográficos em meio a qual se sente humildemente um ignorante.
Que sentido tem nomear uma pessoa que passou a sua vida inteira em gabinetes ou em escolas urbanas, Ministro da Agricultura, dirigente do IBAMA, ou de qualquer órgão que tem como função zelar e apoiar a vida na Terra? Não passa de fomento ao preconceito contra os agricultores?
Aqui no município de Presidente Figueiredo, há uma comunidade, Terra Santa, que contra todas as leis do país está sendo despejada de seus direitos e terras, assim como o foram os indígenas que até 50 anos atrás eram os donos deste território e ate 500 anos atrás, de toda a terra brasileira. Há cinco anos, os dirigentes de pelo menos uma dezena de órgãos públicos, existentes para solucionar a situação da Terra Santa, sabem onde está sua obrigação. Não fazem justiça porque trancados em seus escritórios cidadãos, não sentem a aflição e a injustiça do povo pagão e por isso apenas “monitoram” à distancia. Quem aflige a comunidade é um madeireiro, fora da lei, que saqueia a floresta e impune prossegue em sua ação criminosa, protegido pelos interesses dos cidadãos que comandam os órgãos da justiça de plantão. E não faltam escritórios cheios de especialistas, mas com medo de mudar de lugar para enxergarem a realidade que devem julgar. Assim a Terra Santa aguarda há seis anos a justiça apenas “manipulada”, “monitorada” e adiada pelo cidadão...
Recentemente, no Baixo Tapajós, junto com um amigo engenheiro ambiental, contamos 40 pequenas embarcações, abastecendo 3 navios pesqueiros. Uma evidente infração à vida do rio e dos recursos necessários para filhos e netos dos “pagãos” da região. Questionado, um agente do IBAMA justificava a sua inércia diante da situação de depredação: “infelizmente, eles tem autorização!” E quem forneceu este documento de autorização criminosa? Um cidadão que não tem compromisso com as necessidades presentes e futuras das pessoas do interior. Ele é um cidadão e só por isso é o único que “sabe e decide”.
Está aí Manaus, a Zona Franca, um Grande Projeto da Ditadura Militar que desocupou o interior da Amazônia, deixando-o livre para o saque das riquezas naturais.
O cidadão é essencialmente arrogante diante da Mãe-Terra. Quer vê-la sob o cimento ou sob o asfalto. É essencialmente depredador da natureza, preconceituoso contra quem vive da terra e na terra. Monitora os prejuízos, faz de conta que se interessa, mas não os soluciona. Vive de fazer belos projetos sobre a Terra, projetos para fazer dinheiro, ou transformar a Terra em cinza, como se os seus recursos não tivessem fim. É a Crematística, a “Economia” do Estado.
Enquanto houver metrópoles nunca se irá às causas ultimas dos males que afligem o planeta Terra. Sempre haverá depredação do meio ambiente, produtos químicos na mesa. O preconceito, o consumismo e o (des)envolvimento reinarão sobre o “pagão”. Porque a metrópole é inimiga essencial da Terra.
Quem vai banhar na Corredeira do Urubuí, em Presidente Figueiredo/AM, pare um pouco antes da ponte sobre o rio. Ali onde estava a caixa de lixo. Num só golpe de vista, sobre 10 metros de distância, tem a visão do resultado de três modelos, ou paradigmas, da atividade humana sobre a Mãe-Terra. Lá no fundo, a “terra-preta”, resultado do paradigma do “envolvimento”, de quem se envolveu com a terra, projetando o Bem-Viver sobre ela, numa perspectiva de gerações sem fim. No meio, o paradigma do “consumo”, a lixeira avançando sobre a Terra, inclusive sobre a “terra-preta”. Cá e lá ainda permite a vida de uma fruteira: um pé de ingá, um teimoso mamoeiro, ou um pé de girimum... Finalmente, onde estamos parados, observando tudo, o paradigma do (des)envolvimento, o asfalto cobrindo tudo. Onde nada mais cresce e vive. O objetivo último do cidadão é a metrópole, a nossa Casa Comum transformada em lixeira, ou na infertilidade ou ausência total de vida.
Finalmente, fica o Feliz Natal de Paulo Apóstolo aos cristãos:
“Nós somos a merda do mundo, o lixo de todos (ICor.4,13). O que há de louco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos sábios e o que há de fraco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos fortes. O que há de mais ordinário no mundo, o menosprezado, o que não existe, Deus o escolheu para reduzir a nada o que existe! (I Cor.1.26-28)”. (Tradução do historiador Eduardo Hoornaert em ”As Origens do Cristianismo” pg. 50).
* o autor é padre pertencente à ordem religiosa dos Jesuítas, indigenista, ambientalista, fundador da ONG Amazônia Nativa, e apicultor em Presidente Figueiredo/AM.
Outros textos do autor, em Casa da Cultura do Urubuí – Cacuí - http://www.urubui.blogspot.com/
COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Concordo em gênero, número e (parcialmente) grau com o autor, a quem não conheço pessoalmente, mas temos afinidades familiares, pois é sogro de uma de minhas filhas. Como este é um blog de debate, e por achar interessante o texto, publico o mesmo exercendo meu entendimento nas letras abaixo:
O que ocorre na nossa Amazônia é fruto da desmesurada necessidade humana da acumulação de bens e patrimônios, apontada pelo autor como a Crematística, já identificada pelos filósofos gregos aristotélicos como algo prazeroso. Se a Crematística já era um problema naquela época, 3 mil anos atrás, quando a população mundial não chegava a 30 milhões de habitantes, imaginemos hoje, com 7,4 bilhões.
O ser humano é o único integrante da natureza que tem o vício da acumulação, com a notável exceção à regra das formigas e abelhas. Afora esse quesito, um mero detalhe, e da filosofia à parte de Epicuro (que explico abaixo), a humanidade explodiu o crescimento demográfico a partir do século XVIII, quando atingiu seu primeiro bilhão de habitantes, e não parou mais, apoiada pelo incentivo Divino dito a Moisés, de "Crescei e multiplicai-vos", com aval da Igreja Católica Apostólica Romana, que considera um dogma a proibição de uso de anticoncepcionais. Com o consumismo dos atuais 7,4 bilhões de bocas (excluídos cerca de 1 bilhão que passam fome), mais a corrupção dos agentes de governo e empresários, chegamos ao limite do planeta nos seus serviços ambientais. Vamos precisar de um outro planeta para alimentar essa sociedade extra que está chegando.
Tenho sempre em mente um pensamento de Epicuro:
Epicuro foi o fundador do hedonismo, pensamento que está essencialmente ligado às necessidades e aos prazeres dos humanos. Destacava ele que existem três coisas naturais, sendo que a primeira é natural e essencial, sem o qual morremos, como água e alimento; a segunda é natural e não essencial, como sexo e alimento (inclusive bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja) que nos trazem prazeres, mas sobrevivemos se eles não existirem.
E a terceira é não natural (mas é humana) e não essencial, como drogas alucinógenas (como meio de fuga da realidade) e posses de bens materiais, que redundam no consumismo, causa da grande maioria das frustrações humanas, pois é impossível possuirmos tudo o que queremos e desejamos.
O consumismo possui uma denominação contemporânea eufemística, que é chamada de supérfluo.
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A sociedade que promove a “cidadania” vive cheia de preconceitos e a maioria das ações do cidadão são ações contra a “Mãe-Terra”.
Aquele que traz a comida à mesa do cidadão ao longo dos séculos, não é ele o objeto de expressões de desprezo como: “jeca-tatu” ou “vá plantar batatas”?
Não é a nossa “Mãe-Terra” apenas “sujeira” que deve ser enxotada pela vassoura e ser coberta pelo asfalto e pelo cimento-cidadão? Quem busca a cidade não busca logo a “cidadania”, isto é, (des)envolvimento, que significa cobrir a terra com asfalto, o chão da casa e o pátio com cimento, para não mais se envolver com a Terra?
Não é melhor pago aquele que vive fora desta “sujeira” da “Mãe-terra” e quanto mais longe dela melhor pagamento “merece”? Tem alguma razão séria para dar um salário de mais de R$ 30 mil reais a um membro do Supremo Tribunal Federal e nem se preocupar pelo salário do “plantador de batatas” que traz a comida à mesa?
O Estado não deve ser governado por um cidadão (des)envolvido da terra? Um “jeca-tatu”, um “plantador de batatas” candidato a Presidente, nem pensar! Desde o tempo dos romanos todo o governo é comandado por cidadãos e no Ocidente por cidadãos cristãos, cujos contrários são sintomaticamente “pagãos”.
Existe preconceito maior do que aquele usado contra os povos que não desejam cidade alguma, de cujos territórios, desde 1500, Governo e latifundiários se apropriam como se fossem “vazios demográficos”? O agronegócio, a mineração, projetos hidrelétricos, instalados em seu lugar, devastam a floresta, envenenam a Terra, saqueiam os recursos naturais e consomem a maior fatia do PIB – Produto Interno Bruto, não são eles cria do cidadão e apenas comida para o Estado-cidadão?
A cidadania está montada sobre preconceitos. O conceito de cidadania como objetivo da humanidade, deve ser banido, não fomentado. Ele fomenta, não a Economia, mas a Crematística, a queima dos recursos naturais, o aliciamento, ou a expulsão do homem do campo, a depredação do meio ambiente, a burocracia inútil e inerte... Enquanto os cidadãos não se derem conta de sua realidade de “micróbios”, causadores das doenças e chagas incuráveis que assolam o Planeta e dela não abdicarem, a Mãe-Terra e seus recursos serão saqueados, os agricultores familiares serão prejudicados para beneficiar latifundiários que contaminam a comida, não praticam agricultura, mas apenas negoceiam, escondidos em escritórios urbanos.
O cidadão vive em quadriláteros. Aprofunda-se na “ciência” de seus quadriláteros e, talvez, por isso julga-se mais sábio do que o homem do campo, que se defronta incessantemente com esta imensa variedade de desenhos geográficos em meio a qual se sente humildemente um ignorante.
Que sentido tem nomear uma pessoa que passou a sua vida inteira em gabinetes ou em escolas urbanas, Ministro da Agricultura, dirigente do IBAMA, ou de qualquer órgão que tem como função zelar e apoiar a vida na Terra? Não passa de fomento ao preconceito contra os agricultores?
Aqui no município de Presidente Figueiredo, há uma comunidade, Terra Santa, que contra todas as leis do país está sendo despejada de seus direitos e terras, assim como o foram os indígenas que até 50 anos atrás eram os donos deste território e ate 500 anos atrás, de toda a terra brasileira. Há cinco anos, os dirigentes de pelo menos uma dezena de órgãos públicos, existentes para solucionar a situação da Terra Santa, sabem onde está sua obrigação. Não fazem justiça porque trancados em seus escritórios cidadãos, não sentem a aflição e a injustiça do povo pagão e por isso apenas “monitoram” à distancia. Quem aflige a comunidade é um madeireiro, fora da lei, que saqueia a floresta e impune prossegue em sua ação criminosa, protegido pelos interesses dos cidadãos que comandam os órgãos da justiça de plantão. E não faltam escritórios cheios de especialistas, mas com medo de mudar de lugar para enxergarem a realidade que devem julgar. Assim a Terra Santa aguarda há seis anos a justiça apenas “manipulada”, “monitorada” e adiada pelo cidadão...
Recentemente, no Baixo Tapajós, junto com um amigo engenheiro ambiental, contamos 40 pequenas embarcações, abastecendo 3 navios pesqueiros. Uma evidente infração à vida do rio e dos recursos necessários para filhos e netos dos “pagãos” da região. Questionado, um agente do IBAMA justificava a sua inércia diante da situação de depredação: “infelizmente, eles tem autorização!” E quem forneceu este documento de autorização criminosa? Um cidadão que não tem compromisso com as necessidades presentes e futuras das pessoas do interior. Ele é um cidadão e só por isso é o único que “sabe e decide”.
Está aí Manaus, a Zona Franca, um Grande Projeto da Ditadura Militar que desocupou o interior da Amazônia, deixando-o livre para o saque das riquezas naturais.
O cidadão é essencialmente arrogante diante da Mãe-Terra. Quer vê-la sob o cimento ou sob o asfalto. É essencialmente depredador da natureza, preconceituoso contra quem vive da terra e na terra. Monitora os prejuízos, faz de conta que se interessa, mas não os soluciona. Vive de fazer belos projetos sobre a Terra, projetos para fazer dinheiro, ou transformar a Terra em cinza, como se os seus recursos não tivessem fim. É a Crematística, a “Economia” do Estado.
Enquanto houver metrópoles nunca se irá às causas ultimas dos males que afligem o planeta Terra. Sempre haverá depredação do meio ambiente, produtos químicos na mesa. O preconceito, o consumismo e o (des)envolvimento reinarão sobre o “pagão”. Porque a metrópole é inimiga essencial da Terra.
Quem vai banhar na Corredeira do Urubuí, em Presidente Figueiredo/AM, pare um pouco antes da ponte sobre o rio. Ali onde estava a caixa de lixo. Num só golpe de vista, sobre 10 metros de distância, tem a visão do resultado de três modelos, ou paradigmas, da atividade humana sobre a Mãe-Terra. Lá no fundo, a “terra-preta”, resultado do paradigma do “envolvimento”, de quem se envolveu com a terra, projetando o Bem-Viver sobre ela, numa perspectiva de gerações sem fim. No meio, o paradigma do “consumo”, a lixeira avançando sobre a Terra, inclusive sobre a “terra-preta”. Cá e lá ainda permite a vida de uma fruteira: um pé de ingá, um teimoso mamoeiro, ou um pé de girimum... Finalmente, onde estamos parados, observando tudo, o paradigma do (des)envolvimento, o asfalto cobrindo tudo. Onde nada mais cresce e vive. O objetivo último do cidadão é a metrópole, a nossa Casa Comum transformada em lixeira, ou na infertilidade ou ausência total de vida.
Finalmente, fica o Feliz Natal de Paulo Apóstolo aos cristãos:
“Nós somos a merda do mundo, o lixo de todos (ICor.4,13). O que há de louco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos sábios e o que há de fraco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos fortes. O que há de mais ordinário no mundo, o menosprezado, o que não existe, Deus o escolheu para reduzir a nada o que existe! (I Cor.1.26-28)”. (Tradução do historiador Eduardo Hoornaert em ”As Origens do Cristianismo” pg. 50).
* o autor é padre pertencente à ordem religiosa dos Jesuítas, indigenista, ambientalista, fundador da ONG Amazônia Nativa, e apicultor em Presidente Figueiredo/AM.
Outros textos do autor, em Casa da Cultura do Urubuí – Cacuí - http://www.urubui.blogspot.com/
COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Concordo em gênero, número e (parcialmente) grau com o autor, a quem não conheço pessoalmente, mas temos afinidades familiares, pois é sogro de uma de minhas filhas. Como este é um blog de debate, e por achar interessante o texto, publico o mesmo exercendo meu entendimento nas letras abaixo:
O que ocorre na nossa Amazônia é fruto da desmesurada necessidade humana da acumulação de bens e patrimônios, apontada pelo autor como a Crematística, já identificada pelos filósofos gregos aristotélicos como algo prazeroso. Se a Crematística já era um problema naquela época, 3 mil anos atrás, quando a população mundial não chegava a 30 milhões de habitantes, imaginemos hoje, com 7,4 bilhões.
O ser humano é o único integrante da natureza que tem o vício da acumulação, com a notável exceção à regra das formigas e abelhas. Afora esse quesito, um mero detalhe, e da filosofia à parte de Epicuro (que explico abaixo), a humanidade explodiu o crescimento demográfico a partir do século XVIII, quando atingiu seu primeiro bilhão de habitantes, e não parou mais, apoiada pelo incentivo Divino dito a Moisés, de "Crescei e multiplicai-vos", com aval da Igreja Católica Apostólica Romana, que considera um dogma a proibição de uso de anticoncepcionais. Com o consumismo dos atuais 7,4 bilhões de bocas (excluídos cerca de 1 bilhão que passam fome), mais a corrupção dos agentes de governo e empresários, chegamos ao limite do planeta nos seus serviços ambientais. Vamos precisar de um outro planeta para alimentar essa sociedade extra que está chegando.
Tenho sempre em mente um pensamento de Epicuro:
Epicuro foi o fundador do hedonismo, pensamento que está essencialmente ligado às necessidades e aos prazeres dos humanos. Destacava ele que existem três coisas naturais, sendo que a primeira é natural e essencial, sem o qual morremos, como água e alimento; a segunda é natural e não essencial, como sexo e alimento (inclusive bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja) que nos trazem prazeres, mas sobrevivemos se eles não existirem.
E a terceira é não natural (mas é humana) e não essencial, como drogas alucinógenas (como meio de fuga da realidade) e posses de bens materiais, que redundam no consumismo, causa da grande maioria das frustrações humanas, pois é impossível possuirmos tudo o que queremos e desejamos.
O consumismo possui uma denominação contemporânea eufemística, que é chamada de supérfluo.
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terça-feira, 22 de julho de 2014
Ai, ai, ai, filhos de Israel! Quanto ódio mais?
Richard Jakubaszko
Até quando, filhos de Israel?
Quantas mortes mais?
Até quando, filhos de Israel poderosos, ricos, armados com altas tecnologias, manterão esse terrorismo de estado fratricida contra os portadores de estilingues e de mísseis obsoletos e sem pontaria?
Ação e reação...
Quanta mentira!
Só se percebe ódio...
Olho por olho?
Não, mísseis contra pedradas e estilingadas...
Mortes, sofrimento, um holocausto em pleno século XXI!
É uma vergonha o que se assiste em Israel, perpetrado por um povo com mais de 5 mil anos de história, que deveria ter a sabedoria, mas que se outorga o direito da força.
O mundo assiste na TV, em silêncio, ao terror de estado.
Traz desesperança para a humanidade, desconstrói, sem exemplos, sem futuro.
Alimenta mais ódio.
Ó filhos de Israel!
O que David diria disso tudo?
.
Até quando, filhos de Israel?
Quantas mortes mais?
Até quando, filhos de Israel poderosos, ricos, armados com altas tecnologias, manterão esse terrorismo de estado fratricida contra os portadores de estilingues e de mísseis obsoletos e sem pontaria?
Ação e reação...
Quanta mentira!
Só se percebe ódio...
Olho por olho?
Não, mísseis contra pedradas e estilingadas...
Mortes, sofrimento, um holocausto em pleno século XXI!
É uma vergonha o que se assiste em Israel, perpetrado por um povo com mais de 5 mil anos de história, que deveria ter a sabedoria, mas que se outorga o direito da força.
O mundo assiste na TV, em silêncio, ao terror de estado.
Traz desesperança para a humanidade, desconstrói, sem exemplos, sem futuro.
Alimenta mais ódio.
Ó filhos de Israel!
O que David diria disso tudo?
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