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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

A fome tem novo nome: segurança alimentar

Richard Jakubaszko 
Tem momentos em que imagino que a qualquer hora dessas as lideranças do planeta vão pegar no tranco. Por vezes os políticos acertam, mas na maioria das vezes erram. Mudar o nome da merda nunca resolveu absolutamente nada. O artigo abaixo, de um diretor da FAO, evidentemente, nada resolveu, disso ninguém terá dúvidas, mesmo com prêmio Nobel da Paz, e por aí vai. A questão da fome, de fato, é só política? Ou não resolve porque as lideranças não querem saber? Ou, ainda, é porque falta alguém com aquilo roxo pra resolver?

A segurança alimentar está na agenda global
Mario Lubetkin * 

O Papa Francisco afirmou a algumas semanas que “não basta produzir alimentos, mas também é importante garantir que os sistemas alimentares sejam sustentáveis ​​e proporcionem uma alimentação saudável e acessível para todos”, buscando “soluções inovadoras que possam transformar a forma como produzimos alimentos para o bem-estar das nossas comunidades e do nosso planeta, fortalecendo a capacidade de recuperação e sustentabilidade em longo prazo”.

O Papa explicou que a fome é “não só como uma tragédia, mas também como uma vergonha”, e apela para o bom senso e a necessidade de ações concretas, e diz que “uma decisão corajosa seria estabelecer um fundo mundial com o dinheiro usado para armas e outras despesas militares, para poder vencer definitivamente a fome e ajudar o desenvolvimento dos países mais pobres” e assim evitar “muitas guerras e ainda a emigração de tantos irmãos nossos e suas famílias, que são obrigados a abandonar suas casas e países em busca de uma vida mais digna”.

Em 9 de outubro de 2020, o Prêmio Nobel da Paz de 2020 foi concedido ao Programa Mundial da Alimentação (PMA). Parece existir um consenso, portanto, de que a fome seria o maior perigo para a sustentabilidade da espécie humana.

 

 

 

 * Mario Lubetkin é vice-diretor geral da FAO.

Artigo republicado do Portal Envolverde, em https://envolverde.com.br/a-seguranca-alimentar-esta-na-agenda-global/

 

 

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Desenvolvimento rural como instrumento para mudar o futuro das imigrações

Alan Bojanic *
Conflitos políticos e civis, instabilidades econômicas e sociais, essa é a realidade enfrentada em alguns países, principalmente na África. Esse cenário tem feito com que milhões de pessoas tenham que deixar suas casas em busca de sobrevivência. A expressiva imigração vista na atualidade não era registrada desde a Segunda Guerra Mundial.

Diante desse quadro, a FAO decidiu debater o tema da imigração em sua data mais importante que é o Dia Mundial da Alimentação (DMA), celebrado em 16 de outubro, data que marca também a criação da FAO em 1945. A Organização estabeleceu o tema: Mudar o futuro da imigração, investir em segurança alimentar e desenvolvimento rural.

Em 2015 foram registrados 244 milhões de imigrantes internacionais, 40% a mais que no ano 2000. Um terço dos imigrantes tem entre 15 e 34 anos, sendo que quase a metade são mulheres. A maioria dos imigrantes é de países do Oriente Médio, do norte da África, da Ásia Central, da América Latina e do leste europeu. Mais de 65 milhões de pessoas em todo mundo foram deslocadas à força devido a conflitos e perseguições, sendo mais de 21 milhões de refugiados, três milhões asilados e mais de 40 milhões de pessoas se deslocaram internamente dentro do próprio país.

Outro fator que tem contribuído para o aumento do processo migratório são as consequências geradas pela fome, pobreza, fenômenos meteorológicos e geológicos. Somente em 2015, mais de 19 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares devido a desastres naturais. Entre 2008 e 2015, uma média de 26 milhões de pessoas por ano perderam suas casas em decorrência de catástrofes climáticas ou geológicas em várias partes do mundo.

Quando se analisa a região da América Latina a situação não é diferente. Dados mais recentes apontam que cerca de 30 milhões de latino-americanos e caribenhos moram em países diferentes do local de nascimento, o que representa 4% da população total da região. Argentina, Costa Rica e República Dominicana são os países que apresentam os maiores volumes de imigrantes regionais.

Em todos os casos a alimentação e a agricultura seguem sendo fundamentais para o bem-estar das pessoas e estão vinculadas as causas pelas quais muitas pessoas emigram para outras partes, principalmente os moradores de áreas rurais.

Mais de 75% dos pobres do mundo e da população exposta à insegurança alimentar vivem em áreas rurais, a maioria depende da agricultura e de meios de vida baseados em recursos naturais que muitas vezes não oferecem os elementos necessários para manter essas pessoas no campo.

Investir em desenvolvimento rural sustentável, adaptação às mudanças climáticas e meios de subsistência resilientes em áreas rurais, é uma parte importante da resposta mundial ao atual desafio migratório.

Caminho para uma imigração segura, ordenada e regular
É necessário criar condições que permitam que essas pessoas permaneçam em suas casas. Investir em desenvolvimento rural pode ser um importante caminho no processo de equilibrar as imigrações. Além disso, garantir o desenvolvimento rural significa maior segurança alimentar, meios de vida mais resilientes, melhor acesso à proteção social, redução de conflitos sobre os recursos naturais e soluções para a degradação do meio ambiente.

Como ação concreta a FAO tem dialogado com os governos, outras agências das Nações Unidas, o setor privado, a sociedade civil, com o objetivo de gerar evidências sobre os padrões migratórios, além de fortalecer a capacidade dos países em abordar a migração mediante políticas de desenvolvimento rural.

O tema do DMA também tem uma importante ligação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), aprovados em 2015 pelos países que integram a ONU. O desafio consiste em abordar os fatores estruturais dos grandes movimentos populacionais para tornar a migração segura, ordenada e regular. Sendo assim, a migração pode contribuir para o crescimento econômico e melhorar a segurança alimentar e os meios de subsistência rurais, favorecendo o progresso dos países para alcançar os ODS.

O caso brasileiro: um olhar no caminho inverso do êxodo rural
As décadas de 1960 e 1980 registraram a maior saída do campo para a cidade. Já nos anos 2000 as migrações caíram consideravelmente. Dados do censo demográfico de 2010 do IBGE revelaram que a taxa de migração campo-cidade por ano era de 1,31% no início dos anos 2000 e caiu para 0,65% em 2010.

Diversos fatores motivaram essa queda, entre eles, a aprovação de políticas sociais e de investimentos voltados para os pequenos agricultores, os novos recursos tecnológicos, o surgimento de máquinas e suplementos de altos valor e potência e melhorias nas condições de comercialização.

A agricultura brasileira tem-se destacado entre os setores econômicos do país, claro que há desafios a serem superados como é o caso da infraestrutura, o escoamento das safras e mecanismos de armazenagem. No entanto, conseguir manter os agricultores em suas propriedades é essencial para a continuidade dos bons resultados nacionais.

* o autor é representante da FAO no Brasil
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Roberto Rodrigues: propõe um inédito plano de governo para o Brasil

Richard Jakubaszko 
Entrevistei o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues para o Portal DBO, onde ele faz uma proposta inédita de governo. É o agronegócio, com alimentos para todos, a autêntica vocação nacional, diz o ex-ministro da Agricultura.

"Todos os produtores rurais - e especialmente os cidadãos urbanos - serão beneficiados; a sociedade em conjunto pode nos tirar da crise", argumenta Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura no governo Lula e coordenador do GV Agro, centro de inteligência do agronegócio da Fundação Getúlio Vargas.

Por sua estrutura e propósito, o GV Agro posiciona-se como um think tank voltado ao agronegócio brasileiro e seu desenvolvimento. Como tal pretende participar da discussão da agenda de políticas públicas e privadas pertinentes ao setor.


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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Consumo e produção em mudança

Maurício Antônio Lopes *



Onde quer que estejamos nós adquirimos e usamos os mais variados tipos de bens durante toda a vida, o que faz do consumo parte integral da nossa existência. Padrões de consumo podem variar a depender das nossas necessidades, estilo de vida, ambiente em que vivemos e dos estímulos que recebemos, em especial via propaganda, tão habilmente utilizada pela indústria. Um aspecto marcante do consumo nos tempos modernos é a acentuada assimetria entre países ricos e pobres. Os chamados países desenvolvidos consomem uma parcela desproporcional dos bens e serviços hoje produzidos, e contribuem em igual magnitude com os impactos negativos do consumo, como a exaustão dos recursos naturais e a poluição. Diante dessa realidade, o mundo vive um drama, na medida em que países mais pobres avançam na sua industrialização incorporando o mesmo modelo insustentável de desenvolvimento dos países ricos.

Nos últimos 20 anos a humanidade adicionou 1,6 bilhão de pessoas ao planeta. Até 2050, outros 2 bilhões de pessoas serão acrescidos à população mundial, acentuando a preocupação com o uso dos recursos naturais e a estabilidade dos ecossistemas que sustentam a vida na terra. O avanço social das últimas décadas também aponta para a necessidade de atenção ao crescimento e sofisticação na demanda por bens e serviços no futuro. Desde 1990 o número de pessoas que vivem em extrema pobreza − com menos de US$ 1,25 por dia − caiu 33%. O número de pessoas com acesso à água potável aumentou em 15%, a mortalidade infantil foi reduzida em mais da metade e a mortalidade materna caiu 45%. Desde o ano 2000 as taxas de matrícula na escola primária aumentaram de 83% para 91%. E mais, projeções populacionais da ONU mostram que a expectativa de vida média ao nascer, hoje em 68 anos, irá saltar para 81 anos até o final deste século.

Mudanças demográficas e sociais, ocorrendo com grande rapidez, farão emergir muitos desafios. As cidades têm recebido anualmente, em âmbito global, uma média de 65 milhões de pessoas, egressos da zona rural. Isso equivale ao acréscimo de quase seis cidades de São Paulo, a cada ano. Até 2030, espera-se que cerca de 60% da população mundial esteja vivendo em zonas urbanas. E o futuro nos promete, além de cidades mais populosas, pessoas mais idosas, mais educadas e mais exigentes. Em duas décadas a região da Ásia-Pacífico concentrará cerca de 60% da classe média mundial, produzindo enorme pressão sobre a demanda de bens. A tendência, então, é de que a intensificação dos fluxos de capital, informações e pessoas gere imensas pressões sobre os padrões de consumo e de produção em todos os cantos do planeta.

Por reconhecerem os desafios postos por uma urbanização acelerada, pelo aumento na frequência de eventos climáticos extremos e pelas necessidades de uma população global cada vez mais numerosa e exigente, é que os líderes de 193 nações acordaram com a ONU, em 2015, 17 objetivos de desenvolvimento fortemente centrados na sustentabilidade. A busca da sustentabilidade, nas dimensões econômica, social e ambiental, em âmbito global, é uma maneira de responder aos desafios do desenvolvimento e de forçar a superação das perigosas assimetrias que ameaçam o futuro. E o acordo contido nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é ousado: até 2030 pretende-se acabar com a pobreza e a fome em todos os lugares; combater as desigualdades dentro e entre países; construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os direitos humanos e a igualdade de gênero; assegurar a proteção duradoura do planeta e seus recursos naturais, criando condições para a prosperidade compartilhada no futuro.

Esta audaciosa agenda tem alcance e significado sem precedentes. Ela é aceita por todos e é aplicável a todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento. Ela terá impactos marcantes na forma como as sociedades produzem e consomem bens e serviços. Governos, organizações internacionais, setor empresarial e indivíduos estão sendo chamados a contribuir para a mudança de padrões de consumo e de produção não sustentáveis. Indústrias e negócios acostumados a produzir e vender com o único objetivo de auferir lucros se tornarão progressivamente obsoletos, na medida em que cresça a pressão da sociedade por eficiência no uso dos recursos globais e por crescimento econômico dissociado da degradação ambiental. Um novo padrão de produção deverá emergir, focado em entrega de valor, em oposição à simples venda de mercadorias à sociedade.

O Brasil poderá se destacar nesta missão exatamente no setor econômico que melhor representa a sua competência tecnológica e capacidade competitiva em âmbito global: o agronegócio. Agricultura e alimentação já são impactadas de forma profunda pelas mudanças nos padrões de consumo e produção. O futuro exigirá produção de maior diversidade de alimentos, com maior densidade nutricional e atributos funcionais, a partir de tecnologias de baixo impacto, poupadoras de recursos naturais. O Brasil tem experiência, capacidade e base inigualável de recursos naturais para responder a essas expectativas, tornando nossas safras essenciais para a segurança alimentar e nutricional no futuro. A infraestrutura de pesquisa e inovação, o ambiente regulatório, os investimentos privados e o incentivo público precisam ser estimulados para que o agronegócio brasileiro alcance papel de grande destaque na implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. O Brasil deve almejar esta posição e não há tempo a perder!



* o autor é engenheiro agrônomo e presidente da Embrapa.
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sábado, 4 de julho de 2015

ONU: o Brasil reduziu em 82% os que passavam fome.

por Millor Fernandes
Luana Tolentino * 
A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou dia 27/5, o relatório O Estado da Segurança Alimentar no Mundo 2015, que apontou a redução em 82% no número de pessoas subalimentadas no Brasil, entre 2002 e 2014. Segundo o relatório, programas de transferência de renda e o fortalecimento do poder aquisitivo das mulheres foram essenciais para a reversão do quadro de pobreza e miséria no qual o Brasil esteve mergulhado até o início dos anos 2000.

A notícia, que deveria ser motivo de ampla comemoração, simplesmente foi omitida por todos (TODOS!) os jornais e revistas da “grande” imprensa nacional. Tivéssemos uma mídia democrática, tamanha conquista estamparia a capa dos impressos e ganharia destaque nos programas do rádio e da televisão.

O silêncio da mídia e o ódio de classe contra o Bolsa Família, cuja importância é reconhecida internacionalmente, escancaram a oposição midiática ao governo petista, o caráter excludente da sociedade brasileira e a “cultura do desprezo” pelos mais pobres.

O ex-presidente Lula sintetizou de forma magistral o comportamento da mídia e de parte dos brasileiros: “Eu imaginava que as pessoas iriam ficar felizes ao ver os pobres começarem a comer. Mas não, elas se incomodam.”

* a autora é professora, historiadora e ativista dos movimentos negro e feminista.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

A semente da vida está em nosso solo

Antonio Roque Dechen *
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura) denominou o ano de 2015 como Ano Internacional do Solo. Diante disso, as Instituições de Ensino e de Pesquisa do Brasil voltaram sua atenção para este imenso patrimônio que é o nosso solo.

O Instituto Agronômico adotou o tema: “A semente da vida está em nosso solo”, uma feliz escolha para a Instituição Agronômica pioneira em pesquisas sobre solos no Brasil. O IAC foi criado pelo Imperador D. Pedro II em 1887 em virtude de que, naquela época, a região do Estado de São Paulo enfrentava sérios problemas com a exaustão da fertilidade dos solos, posto que o Brasil não tinha acesso a fertilizantes (A primeira referência à importação de fertilizantes é de 1895, realizada por Pereira Barreto).

Entre os anos de 1876 e 1883 foram plantados 105 milhões de pés de café na região de Campinas, fazendo com que a região produzisse, em 1886, o equivalente a 15% de todo o café produzido no Estado. O cultivo continuo de café sem o manejo adequado estava exaurindo a fertilidade dos solos.

O primeiro diretor do Instituto Agronômico foi o alemão Franz Wilhelm Dafert, discípulo de Justus von Liebig (Lei do Mínimo), qual teve a difícil missão de mudar paradigmas e implementar ações com embasamento técnico científico junto aos produtores para assegurar que os solos fossem manejados de forma correta e possibilitassem cultivos sucessivos na mesma área, ou seja, foi o responsável pela ação pioneira de sustentabilidade em solos brasileiros, merecendo destaque também a visão empreendedora e contribuição de D. Pedro II com a implantação de Institutos de Pesquisas Agronômicas em diversas regiões do Brasil e da criação da primeira Escola de Agronomia do Brasil, na Bahia, em 1877.

O Instituto Agronômico e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (fundada em 1901), são pioneiros em estudos dos solos em todas as suas vertentes, e em conjunto com a Embrapa, e as Instituições estaduais de ensino e pesquisas, prestam valiosa colaboração à sociedade brasileira e mundial, já que os solos são a base da nossa produção agrícola. O Brasil tem hoje uma produção agrícola expressiva: neste ano, está ultrapassando a barreira de produção de 200 milhões de toneladas de grãos, fazendo parte de um restrito grupo de países que produzem 1 tonelada de grãos por ano por habitante.

Oportuna a escolha do tema: A semente da vida está em nosso solo, por uma instituição que já lançou 1020 cultivares de plantas das mais variadas espécies e realiza levantamentos detalhados de solos, tem laboratórios de análises químicas e física de solos, de análises de resíduos, todos com ISO 17025, sendo certamente uma das instituições brasileiras que mais contribui para a paz, produzindo alimentos e combatendo a fome. E como já disse John Boyd Orr, primeiro Diretor Geral da FAO, “Não se constrói a paz em estômagos vazios”.

Privilegiado o Estado que tem uma Instituição do porte do Instituto Agronômico, que implantado em Chão Fecundo (Titulo do livro comemorativo do Centenário da Instituição), continua lançando sementes a mãos cheias nos solos brasileiros, e como Instituição Pública tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento do País e qualidade de vida de todos nós.

Parabéns aos Pesquisadores e Funcionários, parabéns Instituto Agronômico por seus 128 anos em pesquisas que vão além dos horizontes do solo.

* o a autor é Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, Presidente da Fundação Agrisus, Presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Membro do Conselho do Agronegócio (Cosag-Fiesp) Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de 1975 a 1981.

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sábado, 20 de junho de 2015

O estupro é inevitável

Richard Jakubaszko
A partir da Encíclica do Papa Francisco o estupro ambientalista contra a humanidade é inevitável. Não falta mais nada.
Não se conhecem as razões que levaram o Vaticano a aderir à causa ambientalista. A chantagem de Al Gore, com a promessa de conversão ao catolicismo, certamente não foi a motivação principal. É provável que conquistar novos adeptos de fé no catolicismo tenha sido uma das mais importantes intenções de o Papa Francisco publicar a Encíclica esta semana, pois a Igreja Católica Apostólica Romana tem perdido fiéis para outros ramos do cristianismo. Aderir ao ambientalismo traria simpatias. Entretanto, não vejo com bons olhos essa tomada de posição da Igreja, mesmo sendo um praticante de fé católica. Até porque, somos todos ambientalistas.

Como profissional de comunicação, entretanto, me preocupa a "leitura" que será feita da Encíclica pela mídia, e de como está sendo divulgada, distorcendo o apelo papal ao bom senso, fazendo parecer que o Papa e o Vaticano aderiram à causa dos que divulgam o aquecimento e as mudanças climáticas. Na verdade, escritas de próprio punho, as palavras do Papa Francisco são sábias, serenas, e de uma clareza "franciscana", como se costuma dizer. O Papa Francisco critica o mau uso dos recursos naturais, a poluição irresponsável, a agressão que se faz à natureza, o consumismo, a exacerbada exploração financeira de tudo o que diga respeito ao meio ambiente, como os créditos de carbomo, e até mesmo recomenda uma menor velocidade do crescimento social e econômico do planeta. Talvez, aqui, o perigo esteja presente.

Ocorre que o AGA - Aquecimento Global Antropogênico, popularmente conhecido como "aquecimento", e ainda as "mudanças climáticas", são plataformas publicitárias de agendas com interesses políticos e comerciais, e a Encíclica Papal, interpretada pelo lado ideológico, deixou os ambientalistas eufóricos.

Estudo o assunto há mais de 8 anos, e não tenho receios de afirmar que o aquecimento e as mudanças climáticas são a grande mentira do século XXI, conforme registro em meu livro “CO2, aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, a sair de gráfica em julho próximo, e o fato de o Papa Francisco abençoar a questão ambientalista dará ânimo redobrado aos adeptos do aquecimentismo.
Haverá um estupro da humanidade no futuro breve, e prevejo a exacerbação do assunto, da seguinte forma:

1 – Vai recrudescer a luta ambientalista: tornará mais fácil aprovar legislação de interesse dos ambientalistas em todo o mundo, trazendo novas restrições às atividades produtivas;
2 – O Código Florestal brasileiro será rediscutido, ampliando as proibições e limitações já existentes;
3 – O comércio de venda de créditos de carbono será retomado, pois a hipocrisia financeira das indulgências terá a benção Papal;
4 – A COP 21, em Paris, em dezembro próximo, terá mais facilidades para alavancar a AIA -Agência Internacional Ambiental, sob o jugo da ONU, com poderes supranacionais à soberania das nações. Países em desenvolvimento que não se submeterem à vontade dos ambientalistas poderão sofrer sanções econômicas, políticas, e até mesmo de caráter militar;
5 – A Amazônia terá apoio mundial para ser internacionalizada. O Brasil perderá esse patrimônio e a soberania de explorar suas riquezas;
6 – Os países desenvolvidos se tornarão donos da água potável no mundo. Aliás, foi uma das críticas do Papa Francisco, que pediu o fim da “Guerra da Água”. Já existem áreas gigantescas de terras, aqui no Brasil e no continente sul-americano, adquiridas por capitais especulativos, bem em cima do aquífero Guarani. Ao mesmo tempo, a guerra permanente entre Israel e a Palestina é pela água, e não tem outro propósito, se não a desculpa de que seja religiosa.
7 – A construção de usinas nucleares (a grande financiadora da mentira ambientalista do aquecimento) será facilitada pela benção Papal;
8 – Oficializa-se, com a Encíclica, a política recomendada por Thomas Malthus de “deixar os pobres do planeta se exterminarem”. A FAO poderá implementar a política do “Decrescimento”, sonho acalentado pelo Clube de Roma desde os anos 1990.
9 – Os países desenvolvidos obterão sucesso, finalmente, em frear os países emergentes em seu crescimento econômico e social.
10 – Pelo fato de que alguns países em desenvolvimento se negarão a obedecer os mandamentos da AIA, teremos guerras que irão reduzir o excesso populacional planetário, pois a Igreja Católica Romana não admite reavaliar o dogma de que é contra a existência de quaisquer políticas públicas de controle da natalidade.

O principal problema da humanidade é o excesso populacional. Todos os pontos críticos decorrem dessa premissa. Todavia, o expressivo crescimento demográfico nunca é colocado em debate público. O Vaticano nega-se a apoiar medidas que incentivem a redução da velocidade desse crescimento. As guerras, a fome e as doenças das populações mais pobres e desassistidas, em maior amplitude do que já existem hoje, permitirão uma população inferior a 6 bilhões de pessoas ao final do século XXI.

Do ponto de vista humano, de fé, de ideais protecionistas da natureza, a Encíclica de Francisco é perfeita e irretocável, digna do representante de Deus entre nós. Do ponto de vista político a Encíclica é um desastre, porque terá distorções no seu uso e na sua divulgação, e provocará um tsunami planetário, um estupro político inevitável da humanidade.

Quem viver, assim verá.
Pai, perdoa esses humanos. Eles não sabem o que fazem.
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