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quinta-feira, 24 de março de 2011

Denúncia: aftosa exótica ameaça pecuária brasileira.

Richard Jakubaszko
Almocei ontem com o meu amigo Sebastião Guedes, veterinário, um veterano idealista, e que desde tempos imemoriais luta pela erradicação da febre aftosa, não apenas no Brasil, mas em todo o território latino-americano. Fomos almoçar, ironicamente, no quase centenário restaurante Moraes, Rei do filé, ali no largo Júlio Mesquita, no centro de São Paulo, onde se come o melhor filé com alho de todo o mundo, podem crer.
A conversa girou em torno da pecuária, e Guedes mostrou-me umas fotos que estão circulando no mercado, feitas em Taiwan, de autoria não identificada, e que comprovam a existência de um perigo iminente contra a pecuária brasileira, ou seja, uma possível presença, ou retorno, da febre aftosa no Brasil, porém com uma agravante, seria agora um vírus exótico - o O1 Taiwan - que anda sendo manipulado na Argentina, vacina que está sendo importada pelo Brasil. 
Pedi ao Guedes um artigo sobre o assunto, e ele me enviou um manifesto, uma denúncia estarrecedora que merece ser divulgada aos quatro ventos. Aqui no blog disponibilizo aos leitores, juntamente com as citadas fotos das embalagens das vacinas, comprovando a fraude dos argentinos.

ELIMINAR RISCOS NA IMPORTAÇÃO DE VACINAS CONTRA AFTOSA É MEDIDA ESSENCIAL PARA PROTEÇÃO DA PECUÁRIA BRASILEIRA
Sebastião da Costa Guedes *

“O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes.” Roberto de Oliveira Campos.

A pecuária brasileira tem enorme dimensão no mercado global, onde lideramos as exportações desde 2003. Esta liderança exige responsabilidade e competência para ampliar ao máximo os parâmetros de nossa segurança sanitária. Estamos em constante luta contra barreiras injustas que os importadores nos impõem. Qualquer dúvida ou achado diferenciado se transforma rapidamente em restrição às nossas exportações.

Temos um grande mercado de insumos para saúde animal. Isto nos permite eliminar com muita segurança  fatores desnecessários de risco. Somos favoráveis à competição no mercado, porém com a imprescindível obediência às regras estabelecidas para defender o interesse da pecuária nacional e até mesmo continental.

Não podemos ser  tolerantes com fornecedores que desrespeitam ou procuram desvios de pobre criatividade para fugir de resoluções nacionais ou continentais aprovadas após infindáveis análises, repetitivas discussões em fóruns técnicos específicos de notória credibilidade.

Um exemplo que exige rigor na análise é a proibição de manipulação de vírus de aftosa exóticos ao continente. Não podemos mais ignorar ou fazer vista grossa ao assunto. Riscos existem e não são poucos! Vão desde à possibilidade de escape desta cepa, com consequências desastrosas, até à  contaminação de partidas de vacinas destinadas ao Brasil com este antígeno exótico, o que exigirá onerosos investimentos para provar que “focinho de porco não é tomada” em caso de futura sorologia apontar eventual presença de anticorpos específicos.

Resoluções continentais aprovadas há 10 anos na Comissão Sul Americana de Luta contra a Febre Aftosa - COSALFA e discutidas muitas vezes no âmbito deste grêmio foram muito claras pela quase unanimidade dos países, que recomendavam a destruição de tais cepas.

Se o  fabricante  argentino em questão deseja continuar com esta atividade de risco é decisão dele, mas impedir que nos exportem vacina manuseada na referida unidade é nosso dever. Dois milhões e seiscentos mil proprietários de bovinos no Brasil não merecem  correr os graves riscos desta manipulação comercial  de agentes extra continentais.
O Brasil tem hoje 5 grandes fabricantes desta vacina, com uma capacidade instalada superior a 700 milhões de doses anuais, o que nos dá uma margem de segurança de 100% sobre a atual demanda nacional.

Diante deste quadro o Brasil tem todo o direito e as condições para impor restrições às importações que nos trazem riscos. Se exportadores desejam participar do nosso mercado que sigam as resoluções continentais defendidas e aprovadas nas COSALFAs desde 2001.

Cabe às autoridades brasileiras, reguladoras da fabricação e venda de produtos veterinários, fazer valer esta resolução e também exigir o cumprimento do compromisso oficial deste fabricante argentino, que, por ocasião do registro no Brasil, se comprometeu a não manipular cepas exóticas ao continente. Sabe-se que esta arriscada prática prossegue com exportações de vacinas com vírus O1 Taiwan à China. Temos, pela segunda vez, informações concretas reveladoras desta perigosa produção para aquele país asiático, o que vem sendo feito há anos e a partida mais recente foi elaborada em outubro de 2010, conforme mostram as fotos exibidas neste blog, obtidas em Taiwan.

Solicitamos às autoridades de registro e controle de produtos veterinários do MAPA que encerrem esta caridosa e incompreensível tolerância e iniciem a era da eficiente competência para a maior tranquilidade do criador brasileiro. O Ministério da Agricultura tem agora a oportunidade de impedir novas importações e reter os estoques desta vacina ainda não liberados, devolvendo-os ao país de origem. Comunicar ainda a este fabricante que somente  após a destruição inspecionada desta cepa exótica, poderão voltar a produzir novas partidas destinadas ao mercado brasileiro.

* Sebastião Costa Guedes, médico-veterinário, membro do Grupo Inter americano para Erradicação da Febre Aftosa – GIEFA e ex-presidente do CNPC. 

IMPORTANTE = URGENTE!
COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO:
Recebi em 25 de abril 2011 e-mail da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, assinado por seu presidente, Josélio Andrade Moura, anexando ao mesmo uma Nota Técnica do seguinte teor:


FEBRE AFTOSA: REAÇÃO PÓS-VACINAL À SOROLOGIA

NOTA TÉCNICA
A Febre Aftosa é a enfermidade animal que causa o maior dispêndio de recursos público e também do setor privado em todo o mundo.  A aplicação dessa vultosa soma de recursos nos programas de erradicação, ou mesmo da vigilância da Febre Aftosa, é motivada pela importância das implicações sócio-econômicas e o reflexo no mercado internacional de carnes e seus derivados e de outros produtos agropecuários.
Por esse motivo o Programa Nacional e o Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa estabeleceram metas para tornar o Brasil e o Continente livre dessa enfermidade (com e sem vacinação) de acordo com suas especificidades.
A Febre Aftosa é causada por um pequeno vírus da família Picornaviridae (o prefixo PICO significa muito pequeno e RNA – ácido ribonucléico genômico), com uma cápside protéica, tornando-o de alta complexidade estrutural.
Por essa razão as autoridades oficiais brasileiras estabeleceram padrões para as vacinas oleosas contra a Febre Aftosa que devem ser produzidas sem proteínas não estruturais, para tornar mais seguros os inquéritos soro epidemiológicos, bem como os diagnósticos de rotina.
Com efeito, cabe aos órgãos oficiais de controle de vacinas e de programas específicos, através dos laboratórios especializados, auditar adequadamente, para que as modernas técnicas de produção da Vacina Anti-aftosa, sejam aplicadas para preservar as características de imunogenicidade do produto e que estejam isentos das indesejáveis proteínas não estruturais.
O Setor Privado Brasileiro, maior financiador do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa necessita dessa garantia.
Caso específico, empresário Dr. Evandro Reis da Silva Filho, médico, proprietário da Fazenda Araçá, localizada no Município de Corrente, no Estado do Piauí, selecionador de alta linhagem de Nelore Mocho, vacinou contra a Febre Aftosa, 1.197 fêmeas e 238 machos, em total de 1.435 cabeças. Utilizou para tanto a Vacina AFTOGEN 50DS BIOGENESIS, Lote 002/09, com validade até 30/07/11, quantidade de 32 frascos.  O produto foi adquirido na AGROMARLOS – Saúde Animal e Vegetal, Nota Fiscal 0001233. 
O Empresário há mais de 10 anos segue religiosamente o calendário de vacinação especificado.  Utilizando anteriormente vacinas da Intervet, Merial e Vallée.
O Dr. Evandro pretende transportar animais dessa fazenda para outra, também de sua propriedade localizada no Município de Formosa – GO e para tanto, solicitou os serviços da ADAPI – Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí, para coleta de sangue de 100 cabeças no dia 29 de março de 2011, cujo resultado da sorologia apresentou reagentes indeterminados e positivos para 46 animais. 
Ressalte-se que dos 100 animais acima mencionados, 97 animais foram examinados sorologicamente em novembro de 2010 (portanto antes do uso da Vacina AFTOGEN BIOGENESIS) e os resultados foram NEGATIVOS.
No Município de Corrente-PI, bem como na aérea de controle anti-aftosa, não há evidência epidemiológica de circulação viral e o último foco naquele Estado foi há mais de 10 anos.  Esse fato induz que o resultado da sorologia indica que a reação apresentada tem seguramente a influência da vacina.
Isto posto é recomendável aos órgãos governamentais de controle, a realização de uma diligente auditoria específica para avaliar o grau de eficiência da vacina e o nível de pureza frente às proteínas não estruturais.
A Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, entidade de caráter científico e de representação, continua vigilante sobre esse e outros temas importantes que tem afetado a pecuária nacional.  Durante a reunião da COSALFA, realizada em Assunção no Paraguai, foi evidenciada a manipulação de vírus e cepas exóticas ao Continente Americano, cuja dúvida ainda persiste.
Josélio Andrade Moura
Presidente 
Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária

Comentario do blogueiro: recebi na primeira semana de maio 2011 cópia de carta do CNPC, encaminhada ao ministro da Agricultura Wagner Rossi, com o seguinte teor:


PROBLEMAS SOROLÓGICOS RELATADOS PELA SMBV - CNPC SOLICITA ESCLARECIMENTOS RÁPIDOS
Na inauguração da Expozebu, Sebastião Costa Guedes, Diretor de Sanidade Animal, entregou ao ministro Wagner Rossi a correspondência abaixo:

São Paulo, 29 de Abril de 2011

Excelentíssimo
Ministro Wagner Gonçalves Rossi
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Brasília-DF.

Ref.: Problemas Relacionados com Vacina Anti-Aftosa Importada.

Excelência,
O governo brasileiro deve assegurar que a manipulação de vírus exóticos ou de seus antígenos seja efetivamente interrompida no continente.

Até hoje nosso conselho não recebeu qualquer informação conclusiva a respeito da anunciada auditoria no fabricante em questão no país vizinho.

Agora, no dia 25 de Abril surgiu um novo fato.

A Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária pelo seu presidente relatou problemas na sorologia, realizada sob orientação da ADAPI, em animais do nelorista Dr. Evandro Reis da Silva Filho, em sua propriedade no Piauí.

Na última vacinação foi usada a vacina AFTOGEN, e a sorologia apresentou positividade em 46 dos 97 animais analisados. Este resultado extremamente alto necessita de urgente esclarecimento, pois a fazenda e a região da mesma não registram ocorrência de aftosa há mais de 10 anos.

Este resultado pode indicar problemas com proteínas não estruturais na vacina.

O criador usou anteriormente vacinas de outros três fornecedores sem problemas.

A ocorrência pode prejudicar o programa nacional de erradicação - PNEFA.

Estados nordestinos investindo na erradicação da aftosa podem sofrer conseqüências pelo não esclarecimento do episódio.

A adoção de temporária restrição à comercialização da vacina em questão até que se esclareça a origem desta positividade seria medida de bom senso.

Este assunto pelos seus reflexos epidemiológicos necessita do envolvimento do DFIP, do DSA, da CGAL e eventualmente do PANAFTOSA.

A cadeia da pecuária de corte solicita a interferência de Vossa Excelência para que haja rápido e efetivo esclarecimento do episódio.

Atenciosamente
Tirso de Salles Meirelles
Presidente

Sebastião Costa Guedes
Diretor de Sanidade Animal
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