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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

A carta de Barra Torres, que Bolsonaro não teve a dignidade de responder

Richard Jakubaszko  

Mais uma semana que se encerra e o estilo Bolsonaro de "governar" nos mostra mais uma faceta de sua enorme variedade de fraquezas morais. Semana passada, Bolsonaro insinuou levianamente várias coisas sobre os "tarados por vacinas", dentre eles o presidente da Anvisa e sua equipe, de ter interesses ocultos sobre vacinar tanta gente contra a covid-9 e especialmente crianças de 5 a 11 anos de idade.

Entre irritado, e com toda a certeza muito magoado, além de injustiçado, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres, personagem central das desconfianças e acusações do presidente de plantão, não foi o primeiro a combater as infâmias e as mentiras presidenciais, e escreveu uma carta aberta histórica para Bolsonaro:

"Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho", ressaltou Barra Torres, médico e contra-almirante da Marinha, com 32 anos de serviços prestados.

"Vou morrer sem conhecer riqueza, Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa.

Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa, aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar. Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate."

A resposta de Bolsonaro, que poderia mostrar algum raro e inexistente traço insignificante de grandeza nesse estrupício que ocupa a presidência da República, foi apenas um leviano deixa pra lá, e queixou-se num comentário de corredor que foi (uma carta) "muito dura"... 

Olha só, Bolsonaro ainda se considera vítima de acusações muito duras... Acusa subalternos, insinua que possam estar em corrupção, e depois tira o corpo fora. Faz que nem as rachadinhas dos filhos, não é nada com ele...

Graças a Deus, existem pessoas como Antônio Barra Tores. Foi nomeado por Bolsonaro para a presidência da Anvisa, mas é indemissível, e seu mandato vai até 2024. Eu aqui, debaixo de minha insignificância, me declaro fã incondicional de Barra Torres. Dou força e encareço: "vomita nele de novo, Barra, esse cara não tem noção de coisa nenhuma".


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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Denúncia: indústria falsifica os sucos.

Richard Jakubaszko
Uma denúncia aterrorizante: as indústrias de sucos processados nos vendem tudo, menos o suco da fruta informado no rótulo ou na embalagem.
Espiei e li em uma dúzia de embalagens dos principais sucos de mercado, nenhuma parece seguir a lei, que exige um mínimo de 10% de suco ou polpa da fruta na embalagem vendida. Aliás, a Lei dos Sucos (de 1974) já era, foi revogada pela Receita Federal em 2012. Existe agora um emaranhado legislativo que ninguém mais entende, e os marqueteiros das indústrias de sucos e néctares fazem o que querem. Hoje existem "sucos artificiais", "refrescos", "sucos tropicais", "sucos aromatizados", e nenhum deles possui suco natural.

O consumidor compra, paga e bebe água com açúcar, além de sódio, acidificantes, conservantes, ácido ascórbico, maltodextrina, e uma série de outras químicas. O consumidor pensa que consome um alimento saudável, mas está sendo enganado.
E a Anvisa, órgão responsável por isso, o que faz?
Ninguém sabe.

O Idec, Instituto de Defesa do Consumidor fez um vídeo, publicou no Youtube, e pouca gente se importou com a questão. O vídeo abaixo tem cerca de 200 mil visitas e os comentários postados parecem ser de débeis mentais que acham mais ou menos natural essa questão toda. Me lembra a mãe de duas crianças que, algum tempo atrás, entrevistada pela TV, respondeu que dava a seus filhos "suco de caixinha", pois era mais prático, eis que ela não sabia descascar laranjas...
Veja o que vc pode fazer no site do IDEC:  http://www.idec.org.br/especial/agitese

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sábado, 22 de março de 2014

Denúncia: alumínio é a causa do Alzheimer

Richard Jakubaszko
Recebo do amigo e frequentador deste blog, Dr. Gerson Machado, mais uma denúncia sobre a questão de o alumínio ser a principal causa do mal de Alzheimer e de outras doenças, até mesmo cânceres diversos. Ele me enviou o vídeo abaixo, onde o conhecido e respeitado médico americano Dr. Joseph Mercola entrevista o Dr. David Ayoub, especialista em toxicologia, que atesta a importância dessas evidências científicas, para as quais as autoridades das áreas de saúde, sejam americanas, europeias ou brasileiras, não dão a mínima importância. (Para quem não domina o inglês: o vídeo possui sistema de legendas com tradução para o português; são macarrônicas, mas tornam o vídeo compreensível. As legendas são ativadas na caixa retangular, no rodapé do vídeo, ao lado do relógio)

O Dr Mercola tem um site onde trata dessas e de outras questões de saúde, demonstrando que o alumínio está presente em nossas vidas de forma muito mais ativa do que podemos imaginar: http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2014/03/22/aluminum-toxicity-alzheimers.aspx
Tanto no link acima, como no Vimeo, pode ser encontrado o vídeo-documentário "A idade do alumínio", que mostra as dimensões inimagináveis da presença do alumínio em nossas vidas: http://vimeo.com/89152658

No Google o leitor encontrará milhares de denúncias, em diferentes níveis de profundidade, demonstrando a presença maléfica do alumínio, um metal pesado sem nenhuma função biológica, que é neurotóxico causador de inúmeras doenças neurológicas, que é tão tóxico quanto o mercúrio quando encontrado no organismo humano ou animal, mas que é tolerado e aceito pelas autoridades sanitárias (no Brasil, a Anvisa), pois está presente em vacinas, xampus, alimentos industrializados etc. Além disso, e muito mais importante, o alumínio está presente nas panelas utilizadas para cozinhar alimentos, especialmente em países emergentes como o Brasil, onde ainda se usa este medieval instrumento de preparo de alimentos, assim como o papel alumínio para cozinhar alimentos em fornos. Ambos deixam resíduos e nos contaminam criminosamente, de forma silenciosa.


Alumínio está em toda parte
Embora o alumínio ocorra naturalmente no solo (solos ácidos), água e ar, mas em quantidades mínimas, estamos contribuindo para a contaminação através da mineração e processamento de minérios de alumínio, fabricação de produtos de alumínio e a operação de usinas de carvão e incineradores. O alumínio não pode ser destruído no ambiente — ele só muda sua forma de se anexar ou se separar de outras partículas.



A chuva lava partículas de alumínio do ar, e em nosso fornecimento de água, onde eles tendem a acumular-se, ao invés de se degradar. Se você mora em uma área industrial, a sua exposição é, sem dúvida, muito alta.

Em testes de laboratórios, a contaminação de alumínio foi encontrada em um vasto número de produtos no mercado, de alimentos e bebidas, e de produtos farmacêuticos, o que sugere que os processos industriais são uma parte significativa do problema. Alumínio é encontrado em um número chocante de alimentos e produtos de consumo, incluindo fermento em pó, farinhas, sal, leite em pó, alimentos processados, coloração e agentes de endurecimento.

Remédios, como antiácidos, analgésicos, antidiarréicos etc.
Vacinas — hepatite A e B, Hib, DTaP (difteria, tétano, coqueluche), a vacina pneumocócica, Gardasil (HPV) e outros. 
Cosméticos e produtos de cuidados pessoais, como xampus, desodorantes (incluindo cristais de sal, feitos de alúmen), loções, protetores solares e antitranspirantes.

Uma vez que esteja presente no seu organismo, o alumínio viaja facilmente, desimpedido, pega carona no seu sistema de transporte de ferro, atravessa barreiras biológicas que normalmente obstruem a passagem de outros tipos de toxinas, como a barreira hemato-encefálica. Ao longo do tempo, o alumínio acumula-se no cérebro e causa danos graves à saúde neurológica — independentemente da idade, doenças irreversíveis como Mal de Parkinson, Alzheimer, e outras. E você vai esquecer-se de tudo, seja do que leu aqui, do que aprendeu na escola e na vida, e vai deixar de lembrar do nome da sua mãe, e até mesmo do seu próprio nome.

ET. Lá em casa, há muitos anos, deixamos de usar panelas de alumínio, apesar de minha mulher ainda usar ocasionalmente o papel alumínio para cozinhar alimentos, mas isso um dia vai mudar. O principal, as panelas, já eram...
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sábado, 27 de abril de 2013

Anvisa castiga a soja brasileira

Carlos Fávaro *
A soja produzida em Mato Grosso é uma das mais competitivas do planeta, mas pode perder espaço no cenário econômico internacional por causa de burocracia e de falta de vontade política. A demora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em liberar novos princípios ativos para produtos que combatem as pragas das lavouras pode impactar seriamente as próximas safras.

As projeções de crescimento da sojicultora em Mato Grosso são otimistas. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até 2022 a produção de soja deve crescer 61,91%, passando de 24,1 milhões de toneladas colhidas para 39,1 milhões de toneladas. Com isso, haverá demanda por mais defensivos agrícolas.

E é isto que nos preocupa.

Ano após ano, verificamos a diminuição na produtividade da soja porque estes defensivos agrícolas começam a perder eficácia. Na safra 2011/12, com projeção de cair para 53 sacas por hectare nesta safra. E a perspectiva é de que os números mais recentes confirmem a queda. Em outras palavras: este é o reflexo do manejo com produtos ineficazes, agravado por doenças cada vez mais resistentes.

A ferrugem asiática volta mais forte a cada safra e preocupa os produtores rurais, além de outras pragas, como helicoverpa e nematoides. É natural que, com a evolução das espécies, haja resistência aos defensivos – o que leva aos produtores rurais a fazer mais e mais aplicações, aumentando os custos de produção.

É por isso que a liberação rápida de novas moléculas é fundamental. Menos aplicações significa mais sustentabilidade. Há pelo menos quatro anos, a Anvisa não disponibiliza quase nenhum novo princípio para que sejam fabricados defensivos eficazes para as lavouras. Sabemos da importância dos testes técnicos feitos pela Agência para que sejam liberados produtos seguros, mas isso não pode levar tanto tempo!

No ano passado, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou que cerca de 90 fungicidas para controle de ferrugem asiática possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Há outros que estão em processo de registro e são mais eficazes do que os produtos que estamos usando hoje. O que falta para que venham ao mercado para ajudar o sojicultor brasileiro a manter seu papel de protagonista na produção de alimentos?

Reportagem de um jornal no início deste mês já informou que, no ritmo em que está, a Anvisa levaria 117 anos para avaliar os mais de mil e duzentos processos de aprovação. A justificativa é que faltam profissionais. Os prejuízos para os produtores rurais já estão estimados em R$ 49 bilhões de reais nas últimas dez safras.

Precisamos discutir este tema. Ou corremos o risco de termos um futuro incerto para as lavouras de soja. Somos competitivos, produzimos de forma mais barata e com muita tecnologia. Mas podemos ser sabotados dentro de casa, pois o nosso próprio governo dificulta o fortalecimento da nossa agricultura.

É preciso tomar providências já!

* Carlos Fávaro é produtor rural em Lucas do Rio Verde (MT) e presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

DENÚNCIA: queijos ralados Faixa Azul e Vigor estão estragados e contaminados.

Richard Jakubaszko

Em casa somos consumidores desses queijos ralados, tipo parmesão, desde os anos 1980. Usamos, em média, mais de 2 kg por mês, preferencialmente em saquinhos de 100 g, seja Faixa Azul ou Vigor. São fabricados pela mesma empresa, a Vigor, e são o mesmo queijo, a única diferença são as embalagens  / marcas e os preços, pois a Vigor é considerada uma marca de combate, com preço de 30% a 40% menor do que o Faixa Azul.

Nossos problemas começaram desde o ano passado. Na primeira vez que percebemos o problema com o Faixa Azul acreditamos, eu e minha mulher, que seria aquela partida, pois os queijos estavam no prazo de validade. O queijo, em várias embalagens, apresentava um cheiro de formol, mas não tinha aspecto alterado, pelo menos de forma visível. Depois de consumido, na macarronada ou sopa, ficávamos "conversando" com aquele cheiro desagradável. Mudamos de supermercado e voltamos ao Vigor. O problema continuava. Reclamamos junto ao 0800 da Vigor. Eles foram atenciosos, enviaram para minha casa 10 embalagens de 100 gramas, e retiraram 8 embalagens não utilizadas que estavam em nosso poder. Nas embalagens que nos enviaram havia o mesmo bom queijo de sempre.

Aparentemente o problema foi solucionado por alguns meses. Entretanto, na última partida comprada, agora em setembro 2012, de 15 embalagens de 100 g, todas elas apresentaram problemas, todas com datas de fabricação de agosto 2012 e de vencimento prevista para dezembro de 2012. Pior ainda: agora, além do sabor e aroma alterados, com o citado cheiro de formol, acre, haviam bolas de queijo esverdeado.

Com esta denúncia cumpro minha palavra, informada à atendente do 0800 da Vigor, meses atrás. Faço isso na expectativa de que seus acionistas, diretores e funcionários, tenham vergonha do que fazem, em vender um produto estragado de forma consciente e premeditada. E que fique claro que as compras desses queijos foram feitas em diversos supermercados de renome em São Paulo, como Extra, Pão de Açúcar, Sonda e Futurama. Não dá para acusar os varejistas de má conservação ou manuseio incorreto.

Não estou nem reclamando do alto preço cobrado por esses queijos, mas dos riscos à saúde de minha família. Para quem não sabe, informo que  infecções gastrointestinais causadas por queijos estragados costumam ser mais agressivas e violentas do que aquelas com peixe estragado. É risco de muito sofrimento e até de morte!

Antes de fazer esta denúncia aqui no blog fui fazer uma pequena pesquisa no Google, e não deu outra, há gente se queixando, e denunciando o problema.
O que faz a Anvisa nesses casos? Nada?
O problema não é só a fiscalização, ou de multas. É caso de polícia!

Vejam denúncias semelhantes nos links a seguir:






COMENTÁRIO ADICIONAL AO POST, ENVIADO PELA VIGOR
Recebi hoje, 17 de outubro 2012, enviado por e-mail pelo jornalista Alexandre Inácio Machado, do Grupo JBS, acionista majoritário da Vigor, a seguinte mensagem:

Oi Richard, tudo bem?
Abaixo segue o posicionamento da Vigor sobre seu post.
Abs
Alexandre Inácio

A Vigor alimenta milhões de consumidores que, ao longo de décadas, atestam a qualidade e a confiança nas nossas marcas.

Gostaríamos de ressaltar que o processo tradicional de produção do queijo parmesão mantém rigorosamente os mesmos padrões há mais de 70 anos. Também é importante dizer que o que diferencia o queijo Faixa Azul do Vigor, além do tipo, é o tempo de maturação: Vigor é maturado 6 meses e Faixa Azul é maturado por 12 meses.

Após exaustivas análises, revisitamos toda nossa a cadeia de produção especialmente em relação ao material de embalagem, o qual pode ter resultado nesta alteração de produto. Um percentual marginal dentro de um total de milhões de embalagens comercializadas pode ter apresentado algum tipo de alteração que interfere no odor, sabor ou coloração do produto.

Como parte de nossa política de respeito ao consumidor, mantemos um serviço de atendimento (08007246433) que permanece sempre à disposição para orientação, informação e procedimentos no sentido de assegurar a reposição de produtos caso seja necessário.
Acreditamos que apesar dos inconvenientes podemos contar com a compreensão dos nossos consumidores pela longa história de qualidade e de confiança recíproca.

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sábado, 11 de agosto de 2012

Amarrem a melancia no pescoço do presidente da Anvisa!!!

Moacir Japiassu (*)
O ‘Jornal da ImprenÇa’ comenta a reportagem que a jornalista da Folha, Johanna Nublat, fez com o diretor-presidente da Anvisa
Amarrem a melancia grande no pescoço do presidente da Anvisa!!!
O diretor-presidente da Anvisa, um dos mais bem preparados intelectuais do Brasil, como o mundo inteiro está careca de saber, é também um exibicionista seboso; agora, anuncia em entrevista à considerada Johanna Nublat, repórter da Folha em Brasília, que pretende "fechar o cerco às farmácias para fazer valer, na prática, a inscrição 'vendido sob prescrição médica', impressa nas tarjas vermelhas".

Entre os tais remédios encontram-se anticoncepcionais, anti-inflamatórios e drogas para combater a hipertensão. Ou seja, remédios de uso contínuo e obrigatório, os quais não podem, evidentemente, depender de receita médica uma vez por mês!

A repórter ouviu também Gustavo Gusso, professor de clínica geral da USP, o qual achou boa a idéia de exigir receita para remédios como o anticoncepcional, mas ressalva que no país há dificuldades de acesso a médicos:
"Onde não existe médico, ou vai ter um médico para assinar receitas uma vez por mês ou vai acontecer outra coisa. Entre o ideal e o real existem muitas opções"

Janistraquis, que anda mais desconfiado do que juriti de manhãzinha, estranha que a chamada "grande imprensa" não faça uma campanha contra a mania de ostentação do presidente fascista da Anvisa:
"O que a agência se intromete na vida das pessoas é algo intolerável; que democracia é essa que sempre desrespeita os cidadãos?!?!"

E meu assistente alerta desde já: mora no meio do mato e, se não puder comprar pela internet os anti-inflamatórios de que precisa para suportar as dores na coluna lombar e os anti-hipertensivos que o mantêm vivo, vai processar o diretor-presidente desse lixo autoritário, chamado Dirceu Barbano. Se não morrer antes, é claro.

 Moacir_Japiassu_(*) Paraibano, 70 anos de idade e 50 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Jornal Nacional: notícias requentadas II

Richard Jakubaszko
A propósito do post de 6 de dezembro, sob o mesmo título acima (ver no link a seguir: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/12/jornal-nacional-noticias-requentadas.html ), o visitante deste blog pode ler no artigo abaixo, do médico toxicologista Prof. Dr. Ângelo Zanaga Trapé (e que é ex-colaborador da Anvisa), considerações interessantes sobre a tal pesquisa da ANVISA, de 2010:

Os Resultados do PARA e Segurança Alimentar: Contribuição da Ciência e da Toxicologia para sua interpretação e compreensão:

Prof. Dr. Angelo Zanaga Trapé
Coordenador da Área de Saúde Ambiental
Coordenador do Programa de Monitoramento de Populações Expostas a Agrotóxicos
Departamento de Saúde Coletiva Faculdade de Ciências Médicas - Unicamp


Em Dezembro de 2011 a ANVISA, divulgou os resultados do PARA, Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. Na divulgação feita em rede nacional pela mídia a ANVISA informou que foram realizadas análises em 2488 amostras de diversos produtos da hortifruticultura para variados ingredientes ativos (i.as.) que compõem os agrotóxicos.
Do total das amostras analisadas, segundo a ANVISA, 28%, ou seja, 694 apresentaram-se insatisfatórias, sendo o pimentão o principal alimento com maior índice de amostras insatisfatórias, perto de 91%.
Para entendermos o significado do parâmetro “insatisfatório” da agência e podermos interpretar os resultados de maneira científica é preciso que a base da avaliação seja a metodologia científica em Toxicologia (disciplina da Ciência que estuda os efeitos dos agentes químicos em geral  nos seres vivos).
A metodologia em Toxicologia tem como princípio básico para qualquer substância química (medicamentos, produtos industriais, metais pesados, agrotóxicos), a relação DOSE=RESPOSTA, ou seja, para haver uma resposta nos organismos vivos, seja ela benéfica ou não, é necessário haver a absorção de uma dose capaz de determinar alguma alteração do organismo, boa ou ruim.
A Toxicologia moderna ainda mantém o ensinamento de Paracelsus, médico belga que iniciou os conhecimentos científicos nessa disciplina há mais de 500 anos: “A dose faz o remédio, a dose faz o veneno”. Portanto, não é qualquer dose ou resíduo de uma substância química, no caso os agrotóxicos, que pode ser capaz de determinar alterações prejudiciais nos seres humanos seja de curto , médio ou longo prazo. A Clínica e a Epidemiologia em Toxicologia nos ensinam isto.
No caso dos alimentos, as agências internacionais que regulam níveis de resíduos de substâncias químicas em alimentos ingeridos “In natura”, ou processados, estabelecem há muitas décadas valores, níveis aceitáveis dessas substâncias (conservantes, corantes, realçadores de sabor, agrotóxicos) sem causar danos à saúde humana pelo consumo cotidiano desses alimentos durante a vida.
Para os  alimentos analisados pelo PARA, o parâmetro que deve ser respeitado pela agência reguladora ANVISA, para que uma amostra seja “satisfatória” ou “ insatisfatória” deve ser o Limite Máximo de Resíduos (LMR) de ingredientes ativos (i. as.) em um determinado alimento, abaixo dos quais não há preocupação em termos de saúde pública.
Voltando aos resultados do PARA de 2010, temos que 28% das amostras, ou seja, 694 foram consideradas “insatisfatórias” pela agência, porém quando analisamos cientificamente os dados vemos que, deste total, somente 42  ou 1,7% das 2488 amostras tinham algum resíduo acima do parâmetro aceito internacionalmente, o limite máximo de resíduo, LMR. A maior parte, 605 amostras, ou 24,3% eram detecções de i.as. não registrados para aquela cultura, mas com registro para outras culturas no país.
Avaliando os alimentos realçados pela agência e pela mídia, como os mais “contaminados” temos o seguinte:
1º) Pimentão - segundo ANVISA, 91% de 146 amostras “insatisfatórias”, porém 84,9%  com detecção de i.as. não registrados para a cultura, mas abaixo dos LMRs. Amostras com detecção acima do LMR = 0,00% segundo o relatório da ANVISA
2º) Morango - segundo ANVISA, 64,3% de 112 amostras “insatisfatórias”, porém 51,8% com detecção de i.as. não registrados  para a cultura, mas abaixo dos LMRs. Amostras com detecção acima do LMR = 3, ou 2,7% segundo o relatório da ANVISA.
3º) Pepino - segundo a ANVISA, 57,4% de 136 amostras “insatisfatórias”, porém 55,9% com detecção de i.as. não registrados para a cultura, mas abaixo dos LMRs. Amostras com detecção acima dos LMRs- 2 ou 1,5%
4º) Alface - segundo a ANVISA, 54,2% de 131 amostras “insatisfatórias, porém 51,9% com detecção de i.as. não registrados para a cultura mas baixo dos LMRs. Amostras com detecção acima dos LMRs = 0,00%.
5º) Cenoura - segundo a ANVISA, 49,6% de 141 amostras “insatisfatórias”, porém 48,9% com detecção de i.as. não registrados para a cultura, mas abaixo dos LMRs. Amostras com detecção acima dos LMRs = 0,00%
Este problema é fitossanitário, de extensão de uso de um agrotóxico de uma cultura para outra(s) e não de saúde pública, pois o parâmetro que deveria ser respeitado pelo órgão regulador, o LMR não foi ultrapassado. Mesmo nos casos de culturas onde ocorreu detecção de resíduos acima dos LMRs pelo relatório, os valores são muito baixos e têm como unidades de valor miligramas do i.a., por quilo do alimento. Do ponto de vista de saúde, à luz do método em Toxicologia, principalmente DOSE=RESPOSTA, os valores são muito baixos, não indicando riscos para a população consumidora desses alimentos em curto, médio ou longo prazo.
Como conclusão, fazendo uma leitura dos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos - PARA, da ANVISA, com base na metodologia científica que deve sustentar qualquer  estudo, relatório, norma ou portaria, principalmente de uma agência reguladora nacional, podemos dizer que os alimentos analisados em 2010 mostraram uma adequada segurança química, indicando à população brasileira tranquilidade para o consumo desses  alimentos. 
COMENTÁRIOS ADICIONAIS DO BLOGUEIRO:
Registro abaixo, porque muito relevante, que inúmeros profissionais ligados ao setor sentiram-se preocupados e até mesmo indignados com a divulgação deturpada dos dados da pesquisa, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com visível preocupação alarmista e panfletária.
A publicação do material provoca descontentamento no setor produtivo, que afirma que os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos estão abaixo dos índices internacionais. Abaixo algumas dessas manifestações:

Anita de Souza Dias Gutierrez, responsável pelo Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp:
“A Ceagesp realiza estudo semelhante ao da Anvisa anualmente. Em 450 amostras monitoradas, é semelhante, mas com outro posicionamento. Eu não sei se a Anvisa acredita que o terrorismo alimentar vai resolver alguma coisa. Na prática, ela pune todos os produtores. Quando publica isso desta maneira, sem apontar discussão ou a verdadeira causa, ela está destruindo 20 mil produtores.”.

Leonardo Vicente da Silva, coordenador setorial de Controle de Agrotóxicos da Secretaria de Estado de Agricultura do Rio de Janeiro:
“Nos dias seguintes ao anúncio do PARA, houve forte retração nos preços pagos ao produtor. Uma caixa de pimentão que custava R$ 20, está sendo vendida por R$ 3, quando só a caixa de madeira que conserva o produto custa R$ 2,50”.

José Robson Coringa Bezerra, presidente da Câmara Federal de Hortaliças:
“O grave da pesquisa não é o índice de contaminação, considerado baixo pelos especialistas. O registro de produtos que devem ser utilizados tem que ser feito, porque os produtores usam produtos registrados em outras culturas. E estas culturas, principalmente do pimentão, não têm registro.”

Angelo Zanaga Trapé, médico toxicologista / UNICAMP:
“A maneira como os dados foram divulgados foi equivocada. Em 30 anos de experiência, nunca recebi um paciente contaminado por agrotóxicos. Apesar de existir a presença da substância nas amostras, menos de 2% ficaram acima do índice tolerado. Se analisarmos cientificamente os dados que o programa da Anvisa apresenta, 98,3% das amostras, de 2,48 mil, indicam valores abaixo de um parâmetro aceito em nível mundial. Isso indica que a população está segura em termos de alimentação com esses produtos.”

Ossir Gorenstein, engenheiro agrônomo responsável pelo Centro de Qualidade Hortigrajeira, da CEAGESP:
“Na ausência de uma autoridade sanitária que exerça o papel de informar e esclarecer a população sobre os reais perigos dos agrotóxicos, principalmente nos alimentos,  urge que alguém com algum conhecimento do problema o faça, para não se sentir omisso e conivente com a mentira. A desinformação tem o propósito de transformar uma questão normativa, ou legal, em um falso drama epidemiológico (...) As considerações são necessárias para que não passem, como verdades, falácias lançadas em uma luta política, e para que cidadãos possam melhor se esclarecer a respeito do real perigo representado pelos agrotóxicos para a nossa saúde.”

Mariliza Scarelli Soranz, presidente da Associação Hortifrutiflores de Jarinu, SP, e diretora do Instituto Brasileiro de Frutas, IBRAF:
“A divulgação e as reportagens equivocadas prejudicam o segmento e deixam os produtores extremamente desmotivados a permanecerem na agricultura, pela baixíssima demanda desses alimentos. A sociedade também sofre as consequências, pois a agropecuária é um forte eixo de sustentação da economia do país.”

Ronaldo Tofanin, produtor de pimentão/fornecedor do Ceagesp/Campinas:
“Depois das reportagens sobre a pesquisa da Anvisa, a caixa do pimentão, que estava a um preço médio de R$15 a R$18, caiu para R$8. E, mesmo assim, ninguém quer comprar mais. Das 50 caixas por dia que eu levava ao Ceagesp de Campinas, voltaram 30 na última quarta-feira”.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Jornal Nacional: notícias requentadas.

Richard Jakubaszko
Assisti hoje, como milhões de brasileiros, ao Jornal Nacional. Raramente faço isso, hoje foi um "acidente de percurso", por ter chegado em casa mais cedo.
A série de reportagens, iniciada hoje pelo Jornal Nacional, sobre os agrotóxicos, quase me fez cair da poltrona onde estava confortavelmente instalado. O que vi foi uma avalanche de comentários críticos tendo por base uma pesquisa mal conduzida em 2010 pela Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, já discutida e criticada ad nausem, seja pelos exageros cometidos, pela metodologia ou pelas interpretações distorcidas. Alguém deve se lembrar que o então ministro da Saúde durante o Governo Lula, José Gomes Temporão, chegou a afirmar que não comeria mais pimentões.

Pois repetiram a dose. O Jornal Nacional requentou a notícia para os dirigentes da Anvisa, e os coleguinhas repórteres deitaram e rolaram no sensacionalismo, como se fosse uma bomba. Praticaram um jornalismo vil, sensacionalista, que apenas instala o pânico entre a população.

Sobre essa pesquisa, e a conduta de trabalho da Anvisa, publiquei aqui no blog, em  julho último, um artigo (A Anvisa, a quem serve?) que esteve entre os mais lidos em toda a história deste blog: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/07/anvisa-quem-serve.html
Nesse artigo mostrei algumas das formas de atuar dessa entidade, a Anvisa, que deveria proteger, como diz seu nome, as questões sanitárias que dizem respeito à população, mas prefere fazer sensacionalismo midiático e criar pânico, pois essa é a opção pessoal de seus dirigentes.

Em outro artigo, "Tudo o que você precisa saber sobre agrotóxicos", este de novembro 2011, http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/11/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre.html  mostrei como funcionam os agrotóxicos, e exibi declarações, tanto de técnicos do Ceasa-SP, como de um médico da Unicamp, que desmentem frontalmente as afirmações da Anvisa através dessa pesquisa que ressuscitaram hoje e que o Jornal Nacional vergonhosamente requentou, como se fosse notícia novíssima.

Quais são os interesses por trás desse autêntico banditismo jornalístico? No jornalismo da TV Globo não há inocentes, nem gente mal informada. Sabiam que a pesquisa foi feita em meados de 2010. Por que a requentaram, como se fosse notícia nova? Jornalismo requentado na área política é comum, mas não em casos de saúde pública. A TV Globo deveria se explicar, na minha modesta opinião.

Na Anvisa, parecem demonstrar falta do que fazer e dizer, ou então tentam reunir forças para estabelecer, quem sabe, uma consulta pública. Ou coisa pior.
O desserviço à população é o medo, o pânico generalizado, fará milhares de mães alimentarem mal seus filhos e suas famílias, sem verduras e legumes por muitos dias.

É óbvio e evidente a baixa significativa dos preços nos próximos dias. Muitos agricultores, se estiverem com alguma dificuldade financeira hoje, quebram nos próximos dias, inapelavelmente, pela irresponsabilidade "parceira" da Anvisa e do Jornal Nacional. Uma vergonha essa atitude, para os serviços públicos e para o jornalismo.
Cadê os bispos do Brasil? Ou melhor, cadê os procuradores do Ministério Público, alguém vai questionar isso?

EM TEMPO:
20:30 horas de 07/12/2011
Fui checar no Folha Online alguns detalhes da pesquisa. São os mesmos dados apresentados pelo Jornal Nacional, como se a notícia fosse um press release irretocado. Porém, a FSP apresenta um detalhe relevante em toda essa história: os dados citados da "pesquisa" da Anvisa referem-se a testes laboratoriais feitos com alimentos coletados em vários estados, exceto no estado de São Paulo. Por que justamente São Paulo ficou de fora? Ora, é de uma obviedade quase ululante: é que no Estado de São Paulo a Anvisa poderia ser contestada, pois apenas em São Paulo existem laboratórios com condições técnicas laboratoriais para realizar esses testes, inclusive os reagentes específicos, que são todos importados e muito caros. Para se detectar cada agrotóxico presente num alimento precisa-se de um reagente, e, ao que se sabe, não mais do que 4 ou 5 laboratórios no Brasil possuem essas condições, e todos estão em São Paulo, sendo que 2 deles pertencem à multinacionais.

A todas essas, a mídia caiu na esparrela midiática da Anvisa, pra mim isso está muito claro.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tudo o que você precisa saber sobre agrotóxicos

Richard Jakubaszko
Conforme já escrevi em outros artigos sobre agrotóxicos, “agricultura é poluição”. É que onde se faz agricultura deixa de existir ecossistema, passa a ser agrossistema. Tudo isso porque precisa-se alimentar uma população planetária crescente. Desta forma, entendo que o ser humano é o maior predador do planeta. E as pragas e doenças, quando descobrem uma lavoura, dito agrossistema, encontram alimento, sombra e tranquilidade, e nenhum inimigo natural, como ocorre num ecossistema. É comer e comer o dia inteiro, reproduzindo-se sob as bênçãos de nosso clima tropical. Caso não se use agrotóxicos eles podem reduzir de 40% a até 80% o que se pretendia colher, sejam frutas, verduras, legumes ou grãos. É prejuízo na certa, daí o uso dos agroquímicos, também chamados pelos puristas como defensivos agrícolas.

Separemos uma coisa, para o bom entendimento aos leigos daquilo que estou explicando: agrotóxicos seriam os remédios das plantas, enquanto os fertilizantes seriam os seus alimentos. É bom que se diga que fertilizantes são de origem mineral, e não são químicos, exceto o fertilizante nitrogenado, mas a “química” aí é mínima, pois o nitrogênio está no ar, na atmosfera que respiramos, e é “capturado” por processos químicos, através do uso de gases como catalisadores. Na soja, por exemplo, e em outras leguminosas, como o feijão, nem se usa fertilizante nitrogenado, pois se faz a inoculação nas sementes das plantas e estas fixam o nitrogênio, dispensando o N da fórmula do NPK.

Sobre os chamados “alimentos contaminados por agrotóxicos”, como falam as pessoas que mal conhecem o assunto, eles apenas repetem o que os outros dizem. A verdade é que na química, parafraseando Paracelso, um famoso médico e alquimista alemão da época da Renascença, a “dose faz o veneno”. Ou seja, tudo depende de quanto se ingere de um produto, seja químico ou alimento. Nesse sentido, se você tomar muita, mas muita água mesmo, até ela pode fazer mal e matar, e não falo aqui de se morrer afogado, não.
As doses de agrotóxicos são planejadas para matar insetos e não gente de sangue quente, e com peso milhares de vezes maiores do que o de um inseto.

Por exemplo: um inseticida tem uso desde 100 ou 200 g por hectare (1 hectare ou ha = 10.000 m2 ou seja, 100 x 100 metros) a até uns 2 kg, varia conforme o produto, e é diluído em água em quantidades de 200 a 500 litros de água a serem pulverizados por cada 1 ha. Então, faça o cálculo comigo, se 1 kg tem 1.000 gramas, e se 1 ha tem 10.000 m2, são despejados, sobre as plantas e também no solo, porque sempre há perdas, cerca de 0,10 mg por m2.

Ainda neste exemplo, perceba que numa área de 1 m2 de lavoura é possível se ter 5 kg de tomate, ou 3 kg de morangos, só para lembrar. Isto significa dizer que, cada tomate, ou morango, se for bem pulverizado, se terá depositado de 0,01 mg a 0,03 mg por fruta. E se vc consumir esse produto, lavando normalmente em água corrente, poderá, teoricamente, permanecer 0,001 mg por fruta. Considerando que a dose letal daquele veneno para uma pessoa, seja de 0,10 g por kg vivo, você teria que consumir 100 kg de tomate por dia multiplicado pelo seu peso, para ter uma dose letal... Estaria parcialmente certo, se você argumentar, que 2 ou 3 kg de tomate “envenenado” e não lavado poderá causar problemas de toxicidade a você, isto se você for um alérgico, como eu sou. Mas não mata, pode crer, no máximo poderia dar uma diarréia, ou coceiras, ou dor de cabeça. As formas que temos de nos prevenir contra isso é, primeiro, lavando os produtos, e, segundo, variando a alimentação, assim você nunca vai consumir o mesmo agrotóxico. Claro, nunca coma mais do que 5 kg do mesmo alimento no mesmo dia...

Assim fazendo a gente consegue morrer com mais de 100 anos, e poderemos tranquilamente morrer atropelados quando chegarmos lá. Afora isso, é importante ressaltar que, à exceção dos inseticidas organoclorados, que são cumulativos, uma das razões do seu banimento, os demais princípios ativos são metabolizados e eliminados do organismo humano pelas vias normais de excreção.

Li, dias atrás, uma declaração do pessoal técnico-agrícola da CEASA-SP que “os ingredientes ativos proibidos para uso agrícola, tais como inseticidas organoclorados (BHC, DDT, Aldrin, Dieldrin, Heptacloro etc.) e os fungicidas mercuriais, todos efetivamente banidos, não têm sido detectados nas análises e nem existem evidências de que estejam sendo usados no Brasil”. E se acontecer é caso de polícia, pode mandar prender.

Tem mais coisa
"Os agricultores brasileiros usam muitos agrotóxicos e por isso o Brasil é campeão mundial no uso de agroquímicos". A primeira afirmação é mentirosa, pois os agricultores brasileiros usam o necessário, até porque esses produtos são muito caros, em média um herbicida ou inseticida de primeira linha custa mais de US $ 20.00 por litro ou quilo. Se o leitor calcular que um agricultor médio ou pequeno tem no mínimo 80 ou 100 hectares dá para calcular as despesas de forma simples, não é? Ninguém gosta de jogar dinheiro fora. Usa-se porque é absolutamente necessário. Relembre o trem humano na foto lá de cima deste artigo.

Já a segunda crítica, de que somos campeões mundiais, essa é verdadeira, mas apenas no valor absoluto e no total utilizado no ano, pela simples razão de que somos um país continental, de dimensões gigantescas. Os EUA eram os campeões, até 2 anos atrás, e “perderam” essa posição porque passaram a usar lavouras transgênicas, que usam menos agrotóxicos, especialmente milho, soja e algodão. No Brasil estamos atrasados ainda nesse quesito, por culpa dos biodesagradáveis, que não querem nem uma coisa nem outra. Aliás, ninguém sabe o que eles querem...
Quando se faz o cálculo médio, conforme a FAO / ONU, de kg ou litro por hectare usados de agrotóxicos, caímos para a 9ª posição, pois os EUA, Alemanha, França, Argentina, Itália, Espanha, Japão e Holanda, ganham de nós de goleada, em quantidade (peso) e em dólares.

E mesmo que fôssemos campeões no uso médio por hectare, a justificativa para isso seria mais do que lógica, pois somos o único país tropical dessa lista, onde os insetos proliferam espantosamente. É no calor que nasce mais mosquito, não é? Lá no hemisfério Norte o clima é frio, e não facilita a vida dos insetos, reduzindo com isso o uso dos venenos. Mas não é só isso, é que justamente por sermos um país tropical, ou de clima temperado, com sol abundante o ano inteiro, que podemos plantar na mesma área de terra duas lavouras por ano, safra de verão e safrinha de pré-inverno. Na média, acabam sendo 5 safras a cada 2 anos. Enquanto os americanos e os europeus só conseguem 1 safra por ano, pois no inverno não dá para plantar nada, é só gelo.

Outra acusação falaciosa que se faz hoje em dia, especialmente o pessoal da Anvisa,  é que usamos no Brasil agrotóxicos que seriam “proibidos” nos EUA ou na Europa. O que ocorre, na verdade, é que são produtos sem pedido de renovação de registro na Europa ou EUA, porque as patentes venceram. Se não tem registro não pode vender. E aqui no Brasil também é assim. Mas isso é muito diferente de ter sido “proibido”. As empresas não renovam os pedidos de licença dos produtos com patente vencida para tentar “dificultar” a ação dos genéricos vindos da China, África do Sul, ou Israel. Os genéricos ficam sem “referências” de padrão para registrar produtos na Europa. No Brasil, como o Governo Federal estimula os genéricos, a importação é livre e solta. Temos, ainda, uma concorrência feroz disputando lavoura a lavoura a venda dos agrotóxicos, especialmente chineses, e são todos genéricos, os que se diz que foram “proibidos” na Europa.

Há um exemplo gritante ocorrendo no mercado brasileiro, o do inseticida metamidofós, recentemente proibido. É um produto altamente eficiente, apesar da alta toxicidade, para várias culturas (milho, soja, café, batata, algodão) e foi desenvolvido pela Bayer nos anos 1950, tinha o nome de Tamaron, e apenas a antiga Hokko, hoje Arysta, depois de vencida a patente, conseguiu sintetizar e fabricar o produto, com o nome de Hamidop. Concorreram no mercado brasileiro até a chegada dos genéricos, dentre outras empresas a Fersol. Quando os genéricos do gênero metamidofós entraram aqui no Brasil a Bayer já tinha no mercado internacional um produto mais efetivo, com menor toxicidade e provavelmente maior rentabilidade.

Além dos genéricos importados, a Fersol, empresa 100% brasileira, conseguiu sintetizar e fabricar o metamidofós aqui no Brasil, se não me engano desde os anos 1990, mas agora a Anvisa, numa ação intempestiva e ditatorial, por meio de portaria, sem ouvir ninguém, e tampouco sem direito de defesa, conseguiu proibir a fabricação e venda do metamidofós no Brasil, a partir de junho deste ano. Se não houver uma liberação há o perigo de a Fersol quebrar, pois era o seu principal produto.
A pergunta que fica no ar é: por que não proibiu antes? Proibir, aliás, nem é a pergunta certa, a pergunta justa é: por que liberou? Sim, porque a Anvisa é um dos 3 órgãos federais que autorizam e liberam a fabricação e venda.Primeiro libera, e autoriza, mas depois proíbe? Ora, onde estamos?
Tem alguma coisa errada nesse angu, e não é só propaganda ideológica contra agrotóxicos, não. Vejo que a Anvisa deve explicações aos agricultores brasileiros.

Ainda sobre os perigos dos agrotóxicos, uma garantia científica é confirmada pelo médico toxicologista Ângelo Zanaga Trapé, professor-doutor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas, Unicamp, dita em entrevista à rádio CBN (em 24.06.10): "Tenho 30 anos de trabalho em clínica pública de saúde e, em todos esses anos, jamais detectei um caso de intoxicação alimentar por essas substâncias", afirma ele.
Da minha parte afirmo que, se os agrotóxicos efetivamente fizessem tanto mal como apregoam seus inimigos, aconteceria ao contrário com a expectativa de vida média dos seres humanos, não é verdade? Essa média é cada vez maior, no planeta inteiro.
Portanto, consuma seus alimentos sem neuroses. E se você leu este artigo até aqui, saiba que não é exatamente tudo o que você precisava saber, pois tem muita ciência, mais tecnologia e legislação, amparando o uso dos agrotóxicos. Mas já foi um bom começo...
Portanto, lave antes, e seja feliz, pois se lavar fica bão!
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A ANVISA, a quem serve?

Richard Jakubaszko 

A julgar pelo cartaz aqui exposto, a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária serve aos propósitos do MST - Movimento dos Sem Terra e da Via Campesina. Pelo menos no cartaz está afixado, em destaque, e em primeiro lugar, o nome de uma gerente da ANVISA.
O que é que a ANVISA tem a ver com o MST e a Via Campesina? Em princípio,  nada em comum. Nem na política, nem nos interesses, nem nos objetivos de sua criação. A ANVISA é uma agência reguladora e fiscalizadora da saúde dos brasileiros, subordinada ao Ministério da Saúde, mas extrapola suas funções.

É necessário, entretanto, entender um pouco o que se passa nos bastidores, pois tudo parece ter um fundo ideológico.

Primeiro, analisemos o MST (e a própria Via Campesina). Inegavelmente, é um movimento político. Deixou de ser movimento social. Quem possui um mínimo de informação e bom senso, sabe disso. Não coloco em debate se é movimento legal, armado, guerrilheiro, justo ou injusto, nada disso. É apenas a minha opinião como cidadão e como jornalista. Eles têm seus métodos, através da invasão de propriedades rurais, sempre com grande quantidade de pessoas, armadas de foices e facões. Os conflitos ocorrem, o que é natural, algumas dessas invasões têm sido severamente criticadas pela sociedade e pela mídia, por causa da violência. 

O MST (e também a Via Campesina) extravasou, até porque já invadiram também estações experimentais (Monsanto, Syngenta, Aracruz), destruindo tudo o que estava à vista, e por isso mesmo foram criticados. Esqueceram da invasão da Cutrale, quando passaram tratores em cima de pés de laranja? Passou até na TV. Não é vital no assunto, mas é importante como detalhe na colocação de meu raciocínio, o fato de que um dos dirigentes do MST, José Rainha, foi acusado, depois preso e solto, e novamente preso, e agora definitivamente condenado como assassino, e é, inclusive, acusado de corrupção e malversação dos bens do MST.

O MST adotou, então, nos últimos anos, uma forma "politicamente correta" de se mostrar à sociedade, pois os argumentos em favor de uma reforma agrária com uso social da terra deixavam de ser relevantes em decorrência da violência praticada nas invasões. Nada justifica o destruir para reconstruir, aos olhos da sociedade.
A partir daí o MST (e, claro, a Via Campesina, movimento tipo cópia carbono do MST) adotou a postura paralela de criticar o modelo produtivo da moderna agricultura que se faz no Brasil, que garante 1/3 do PIB  brasileiro, que gera empregos e impostos, e que ainda exporta, gerando divisas.

No julgamento do MST está em destaque acusar que o agronegócio brasileiro é "criminoso ambiental", pois usa agrotóxicos para produzir alimentos, e que com isso “intoxica” todos os consumidores. Com esse discurso tem apoio de pessoas desinformadas nas grandes cidades, além dos ambientalistas. Pegam carona na propaganda sem ética dos produtores de orgânicos, que usa como mote o não uso de agroquímicos e fertilizantes, e que não informa que "criam bactérias exclusivas e letais" para consumo urbano, como vimos acontecer neste mês de junho de 2011, lá na Alemanha, mas é um fato que tem se tornado comum de acontecer mundo afora.

Assim, escondido atrás de um discurso "politicamente correto", o MST exerce pressão política no governo, na sociedade e na mídia, para prometer que a Reforma Agrária vai dar uma solução no que considera um problema, a toxicidade agregada aos alimentos via agrotóxicos. Mas não informa que os consumidores podem vir a ter de pagar muito mais caro pelos futuros alimentos produzidos sem agrotóxicos, porque a produtividade dos orgânicos é muito menor, e, claro, que iria faltar comida na mesa dos brasileiros.

Ora, se o discurso do MST (e da Via Campesina) é político e ideológico, o que é que a ANVISA vai fazer em reuniões "festivas" de doutrinação quando a Via Campesina reúne seus correligionários, seja em Cuiabá ou em Curitiba, como ocorreram em maio último?

A ANVISA é a agência Nacional de Vigilância Sanitária, subordinada ao Ministério da Saúde. Tem por função principal regular e fiscalizar tudo o que diga respeito à saúde humana, e isso implica, entre outras coisas, regular e fiscalizar fabricação de remédios e agrotóxicos, produção de alimentos in natura ou industrializados, inclusive importação.

Uma regulação proposta recentemente, e em uso no Brasil, é uma ideia da ANVISA de somente se vender antibióticos através de receita emitida por médicos. Como quase tudo o que se faz no Brasil, tínhamos "nada de regulação" num dia, e no dia seguinte havia o pecado pelo exagero da regulação, pois a determinação da receita incluiu até mesmo pomadas. No mesmo pacote, outras exigências exageradas: as receitas têm de ser em duas vias, valem por prazo de 10 dias, e devem ser nominais, com colocação na mesma de nome, sexo, idade do(a) usuário(a), o que deixou médicos e pacientes em polvorosa pela complexidade de regras. Criou-se uma dificuldade enorme, tudo para se tentar evitar o uso indiscriminado dos antibióticos que seria a causa do aparecimento de bactérias resistentes, e que hoje enlouquecem os médicos e pacientes.

Não sei se vão evitar novos casos de resistências, acho que até pode criar novas dificuldades e problemas, mas já estabeleceu um mercado paralelo de "fornecimento rápido" de receitas, feitas por médicos inescrupulosos, que aviam essas receitas por valores entre R$ 5,00 a até R$ 10,00 reais.

Na área de alimentos a ANVISA também peca pelo exagero de suas regulações e autuações na fiscalização.


Já a partir da sua criação no final dos anos noventa a ANVISA passou também a ser uma das três reguladoras e fiscalizadoras de agrotóxicos, juntamente com o IBAMA - Inst. Brasileiro do Meio Ambiente, e ainda com o Ministério da Agricultura, que, até então, fazia isso sozinho, como é no mundo inteiro. O registro de agrotóxicos no Brasil tornou-se um processo lento, burocrático, caríssimo e ineficiente. Por todos estes problemas, no final das contas, quem paga é o consumidor brasileiro (neste caso também os agricultores), e a isso se chama de custo Brasil. Mas a ANVISA se arvora no direito de não apenas "apitar" o jogo, mas de influir no resultado do jogo, impondo regras morais através da mídia mal informada.

Ou seja, primeiro divulgam notícias alarmistas de que vários alimentos estão contaminados excessivamente por agrotóxicos letais, dão entrevistas divulgando resultados apurados em pesquisas com metodologias mal explicadas, e chegaram a induzir o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a afirmar que não comeria mais pimentão por causa dos níveis de contaminação encontrados no saboroso legume. Ninguém explicou, lá na ANVISA, que o agrotóxico encontrado não tinha registro para pimentão, apesar de ter o respectivo registro para tomate, alface e outras especiarias da nossa pujante agricultura das hortaliças. Não se justifica, o fato de que um registro de um produto para cada cultura custe milhares de reais e demore de 24 a 38 meses para sair. De novo, o custo Brasil.

Feito o dever, divulgado o mal feito, empurra-se goela abaixo dos consumidores a imagem e a fama de “agricultores irresponsáveis”, e de fabricantes de agrotóxicos inescrupulosos, só porque são multinacionais. Convenientemente esquecem-se das brasileiras e das chinesas, todas reguladas pela ANVISA, IBAMA e MAPA. Alarma-se a população com pesquisas mal feitas e mal divulgadas, política e estatisticamente manipuladas, por mera sede midiática de um agente público que deseja apenas mostrar poder. Uma mera vaidade, ou arremedo de exibição de autoridade, incompatível com os tempos contemporâneos. Não há como se consertar problemas endêmicos criados na burocracia governamental. E tampouco nas idiossincrasias humanas.

A ANVISA, não contente com sua burocrática, mas exigente atuação regulatória e de fiscalização nos alimentos, remédios e agrotóxicos, passa a atuar como agente preventivo, insuflando os filiados ao MST a "produzirem alimentos sem agrotóxicos", porque acha que isso é melhor para os cidadãos. É que o pessoal da ANVISA ainda não sabe que esses filiados do MST ainda não produzem alimentos, pois a reforma agrária, para eles, ainda não aconteceu, e então fica tudo na questão do desejo, ou melhor, do desiderato, com meu pedido de perdão ao leitor pela prática da tautologia.

Tive acesso a um vídeo de uma apresentação feita em Cuiabá, da Dra. Letícia Silva, gerente de regulação da ANVISA, em reunião da Via Campesina, onde a representante do governo “denuncia” o Modelo Tecnocrático de Decisão sobre o uso de agrotóxicos, em que apenas Governo, Empresas e Academia participam do processo, enquanto a “Sociedade” estaria, na opinião dela, fora do debate e das decisões. Ora, e o que é o governo nesse processo, não representa a sociedade? 

A Dra. Letícia, provavelmente, acha que participa desse processo por algum dever missionário? Ou ela é a representante do governo, e, portanto, defensora da sociedade? Ou, deliberada e premeditadamente a Dra. Letícia e a ANVISA, tergiversam ideologicamente nessa questão? Ou, ainda, quem sabe, desejariam a posição da sociedade através de plebiscitos a cada impasse gerado pelas suas intransigências? Ou é só um discurso vazio para insuflar ânimos exaltados e revoltados?

No Simpósio Internacional Crop World, da UBM, dias 4 e 5 julho último, em São Paulo, onde fui um dos conferencistas, encontrei-me com a Dra. Letícia, da ANVISA, a quem não conhecia, ela também conferencista convidada da UBM. Foi no break do café que eu a "atropelei". Perguntei, depois de me identificar, por que a ANVISA tem de fazer campanha junto com o MST e Via Campesina contra o uso de agrotóxicos, pois já regulam, normatizam e fiscalizam. 

Ela respondeu-me, politicamente correta, que, como agente do governo, deve “interagir com todos os tipos de públicos”. Desafiei a agente do governo, informando-a que sou jornalista, mas antes disso sou cidadão e, pior, um alérgico, e em vista dessa característica humana não tão rara, tenho de ser visto com prioridade na questão dos testes de toxicidade para registros de produtos, e que possam me fazer mal, tendo por pressuposto que também farão mal a pessoas normais, que não sejam alérgicas. Enfatizei que no meu caso uma encrenca de alergia pode matar, enquanto nas pessoas normais dá só uma coceira. Ela apenas referenciou que tem um filho alérgico, e que esse é realmente um problema. Falou mais como mãe do que como agente de governo. Pensei, com os meus botões, que a causa humana, pelo andar da carruagem, dessa maneira vai atolar definitivamente...

A única explicação que posso dar é que este país é de fato abençoado por Deus, está dando certo e vai melhorar ainda mais, apesar de muita gente jogar contra simplesmente porque, em termos pessoais, põe fé em crendices. É gente com discurso e prática fundamentada na ideologia, isto sim, onde a razão não tem espaço, onde o argumento e o debate não encontram oportunidades.

Registrei ainda, na conversa com a Dra. Letícia, que algo de muito errado acontece nessa campanha da ANVISA contra o uso dos agrotóxicos, parecendo campanha pessoal e não uma atuação profissional do governo, como representante da sociedade. Se há algo que deva ser proibido, acentuei, que proíba. Se há algo errado que deva ser corrigido, que corrija, mas que pare de espalhar o pânico e o medo entre a população, pois é uma campanha sórdida. Criticar a falta de decisões da sociedade e do próprio governo, de forma vaga e leviana, prova, para mim, que há incompetência da própria ANVISA, pois ela é a agência governamental constituída exatamente para esse fim. Se a ANVISA não faz sua atribuição e ainda exige isso de outros, a quem devemos nos queixar? Aos bispos? Pelo amor de Deus, esse tempo já passou!

Achando que pode fazer do jeito que quer tudo aquilo que deseja, a ANVISA participou em maio último, de uma reunião em Bruxelas, em que se discutiram as regras do futuro acordo MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA, e lá pelas tantas abusou de suas prerrogativas, informou aos delegados europeus que “todos os alimentos brasileiros estão contaminados com agrotóxicos”. Ponto para os Espanhóis, que lutam contra o acordo, pois temem a concorrência brasileira, notadamente em frutas. A representante da ANVISA, da qual até hoje não descobri o nome, mentiu, apoiou-se nas suas “pesquisas”, feitas no Brasil, aquelas em que o ex-ministro Temporão acreditou e midiaticamente prometeu jejuar. E o jogo para a mídia continua. A presidente Dilma, assim como fez Lula, viaja mundo afora divulgando os produtos brasileiros para exportar, e a ANVISA vai atrás, desfazendo o trabalho...

Durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, em maio último, numa coletiva de imprensa, relatei ao ministro Rossi, da Agricultura, esse fato de Bruxelas. Ele me pediu mais informações, não sem antes desabafar, em alto e bom som, que a ANVISA, para ele, é uma incógnita, um problema sério e tão misterioso como o Triângulo das Bermudas... Pois o problema continua, ministro, agora até os franceses e italianos estão aderindo aos espanhóis...

Presumo que essas impropriedades relatadas tornem obrigatória a participação de um juiz de instância superior nesse imbróglio em que funcionários públicos pagos para exercer uma função e tarefa, extrapolam suas atividades para outras áreas. E que seja esse juiz um ministro, ou até mesmo a nossa presidente Dilma Rousseff, eis que isso seria de bom tamanho, já que nossa máxima mandatária anda reposicionando as agências de regulamentação. Que tal regular a ANVISA também, presidente Dilma? A gente aqui embaixo tá precisando de coisas mais sérias e competentes nessa área.
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