Richard Jakubaszko
Fiquei embevecido, talvez meio abobado, frente a frente com esta obra prima, na Catedral de São Pedro, em Roma, anos atrás. Uma peça lindíssima, em mármore, com cerca de 1,60 m de altura, colocada à direita logo de quem entra na imensa nave da catedral, junto a uma de suas imensas portas. Como existem muitas outras estátuas e peças de arte nesse gigantesco templo católico, a grande maioria das pessoas, invariavelmente turistas, passa batido pela perfeição ali colocada humildemente...
Robert Hupka, um fotógrafo, obteve autorização para fotografar a Pietà, durante toda uma noite...
Fez centenas de fotografias de todos os ângulos, de todas as maneiras possíveis, subiu em andaimes...
A exposição das fotos teve lugar na Capela do Bispo, em ambiente íntimo, na semi penumbra, com música de cânticos gregorianos em fundo. Num silêncio quase absoluto. As fotografias, todas em preto e branco, o envolvimento numa semi obscuridade, convidavam a uma oração profunda...
Conta-se que quando perguntaram a Robert Hupka sobre a contemplação da Pietà, ele respondeu: “Encontrei-me, pela primeira vez na minha vida, com a verdadeira grandeza”.
Miguel Ângelo (então com apenas 23 anos de idade) ficou tão apaixonado por esta sua primeira grande obra de escultura, que deixou gravado seu próprio nome na faixa que atravessa o seio da Virgem Maria, o que não acontece em nenhuma outra obra sua.
Alguém definiu essa maravilhosa obra como “A pedra que é uma ternura”.
Ao perguntarem a Miguel Ângelo porque é que havia esculpido o rosto da Mãe de Jesus tão jovem como o do Filho respondeu: “As pessoas apaixonadas por Deus nunca envelhecem!”
E você, gostou?