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terça-feira, 18 de julho de 2017

Xadrez da guerra final entre Temer e a Globo

Luis Nassif
O Xadrez do Golpe 

A ópera do impeachment vai chegando a uma segunda onda decisiva, com o vale-tudo que se instaurou envolvendo os dois principais personagens da trama: a organização comandada por Michel Temer; e a organização influenciada pela Rede Globo.

Do lado da Globo alinha-se a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato. Do lado de Temer, o centrão, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns grupos de mídia, como a Rede Record, e provavelmente políticos jogados no fogo do inferno, como Aécio Neves.

No pano de fundo, o agravamento da crise, com um plano econômico inviável aplicado por economistas radicais valendo-se do vácuo político. E, fora das fronteiras, ventos complicados ameaçando botar mais lenha na fogueira.

O caos – que irá se ampliar nos próximos dias – é resultado direto da quebra da institucionalidade, com a Lava Jato e o impeachment. No mínimo servirá para que cabeças superficiais, como o Ministro Luís Roberto Barroso, se deem conta da imprudência que cometeram ao cederam às pressões especialmente da Rede Globo.

Aliás, quando os pecados da Globo estiverem à mostra, não se espere do bravo Barroso nenhuma declaração de fé irrestrita no combate à corrupção e de apuração até o final, doa a quem doer. Voltaremos a conviver com um garantista, cuja sensibilidade em defesa dos direitos será enaltecida pela Globonews, o espelho, espelho, seu.

Os próximos capítulos contêm pólvora pura:

Peça 1 – a Globo sob pressão
Pela primeira vez, desde a redemocratização, a Globo encontra um poder à sua altura, isto é, sem nenhum prurido, disposto a se valer de todas as armas à mão para encará-la. Uma coisa foi aliar-se ao Ministério Público Federal (MPF) para conspirar contra Lula e Dilma e sua incapacidade crônica de se valer dos instrumentos de poder. Outra coisa é enfrentar pesos-pesados, pessoas do calibre e da falta de escrúpulos de um Eliseu Padilha, Aécio Neves.

Temer e sua quadrilha tem a força da presidência. E quem os colocou lá foram justamente a Globo, a Lava Jato e a PGR. Agora, a mão e as verbas do Planalto estão por trás dos ataques da TV Record à Globo. Ou julgaram que o pior grupo político da história aceitaria ir para o patíbulo sem se defender?

Não apenas isso.

Ontem, a Justiça espanhola emitiu uma ordem de prisão e captura contra Ricardo Teixeira, ex-presidente de CBF, por corrupção praticada no Brasil. E, no centro da corrupção, a compra dos direitos de transmissão da Copa Brasil pela Globo, com pagamento de propina.

O carnaval feito pela Globo, com a delação da JBS, visou justamente abafar a divulgação de seu envolvimento com o escândalo, levantado pelo Ministério Público Espanhol e pelo FBI.

No “Xadrez de como a Globo caiu nas mãos do FBI” detalhamos esse caso, mostrando como, no início da Lava Jato, já havia indícios de que o FBI já tinha a Globo nas mãos, a partir da delação de J.Hawila, o parceiro da emissora na criação do know-how de corrupção de compra de direitos de transmissão, posteriormente levado por João Havelange para a FIFA.

Peça 2 – o nó da cooperação internacional e o PGR
Encrenca grande também aguarda o PGR Rodrigo Janot, em visita aos Estados Unidos.

Nos próximos dias deverão aparecer pistas de operações de cooperação com o FBI onde ficará mais claro a montagem de uma parceria supranacional que afronta explicitamente a noção de soberania nacional. É possível que o PGR tenha pedido ajuda do FBI contra um presidente da República. Se confirmado, cria-se uma crise aguda, com o atropelo inédito à soberania nacional, mesmo que na ponta investigada esteja um político desqualificado como Temer.

Além disso, exporá ainda mais a cumplicidade da PGR com a Globo, especialmente se nada for feito em relação a Ricardo Teixeira. Poderia um PGR entregar um brasileiro para ser julgado pela Justiça de outro país, por crimes cometidos aqui? Pelos princípios de soberania nacional, de modo algum.

Mas como se explicaria o fato dos crimes jamais terem sido apurados no Brasil, nem no âmbito da cooperação internacional? Ou de se ter se valido da cooperação internacional contra presidentes da República?

Como se explicaria a enorme blindagem de Ricardo Teixeira que, no fundo, significa a blindagem às Organizações Globo?

Quando começou a ficar claro a falta de regras e de limites para a cooperação internacional, prenunciamos aqui que mais cedo ou mais tarde o PGR seria submetido a um julgamento por crime de lesa-pátria. O exemplo maior foi trazer dos Estados Unidos documentos destinados a torpedear o programa nuclear brasileiro.

Peça 3 – a desmoralização final da República
E, agora, como ficará a PGR ante a exposição da Globo a diversas acusações? Do lado da Espanha e do FBI, o caso CBF-Copa Brasil. Do lado de Temer, os ataques às jogadas fiscais da Globo. E, de sobra, as suspeitas de que a Lava Jato estaria impedindo a delação do ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci, justamente por poder atingir a aliada Globo.

A impunidade da Globo significará a desmoralização final do MPF, da Justiça e de qualquer veleidade de se ter uma nação civilizada, na qual nenhum poder é intocável. O enfrentamento da Globo, mesmo por uma quadrilha como a de Temer, trinca a imagem de intocabilidade da empresa. Finalmente, quebrou-se o tabu.

Por outro lado, uma eventual vitória de Temer significará a entronização, no poder, de uma organização criminosa.

Finalmente, um acordão significaria um pacto espúrio que não passaria pela garganta da opinião pública.

Não há saída boa.

Todo esse lamaçal foi ocultado, até agora, pelo estratagema de construção de um inimigo geral, Lula e o PT. Foi a repetição de um golpe utilizado em vários momentos ultrajantes da história, do incêndio de Reichstag ao macarthismo, dos processos de Moscou ao golpe de 1964: a criação de um grande inimigo externo, para justificar todos os abusos do grupo vencedor.

Agora o álibi se desgastou como um balão furado, com o nível do rio baixando e expondo todos os dejetos.

A sentença de Sérgio Moro condenando Lula não foi endossada publicamente por ninguém.

Na Folha, o corajoso Elio Gaspari precisou colocar uma enorme ressalva - de que nos Estados Unidos Lula estaria condenado – para admitir que o Código Penal brasileiro não autoriza a condenação de Lula. Esqueceu de lembrar que nos EUA as estripulias de Moro e do MPF não teriam passado da primeira rodada.

Já o advogado Luiz Francisco Carvalho competente penalista, admitiu que não há nenhuma prova sustentando a sentença de Moro, aceitou que Lula não é corrupto. Em vez da condenação dos abusos de Moro, preferiu concentrar-se nas críticas às reações de Lula. Ou então a demonstração de equilibrismo de Carlos Ari Sundfeld, que não é nem contra, nem a favor, muito pelo contrário.

Todas as deformações trazidas pelo golpe ficarão claras, agora.

As ondas trazidas pela quebra da institucionalidade criaram movimentos incontroláveis.

O grupo do impeachment esfacelou-se em mil pedaços, o grupo de Temer, o grupo da Globo, um PSDB partido ao meio, um PGR que enfiou o MPF em uma aventura irresponsável, a Lava Jato esvaindo-se nos seus próprios exageros.

E agora, José? No inferno, Eduardo Cunha dá boas gargalhadas e prepara seu tridente.

Publicado no Jornal GGN: http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-guerra-final-entre-temer-e-a-globo
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domingo, 7 de junho de 2015

CBF: o abuso do cartão amarelo

Richard Jakubaszko
A instrução do quadro de direção de arbitragens da CBF é para que os juízes de futebol apliquem cartões amarelos aos jogadores (e técnicos e dirigentes) que venham a reclamar de suas decisões (e indecisões) em campo.

Ou seja, se o jogador reclamar que levou uma pancada malvada, pode levar um cartão amarelo, enquanto que o jogador adversário, nesse caso um agressor antiesportivo, sai impune.
Dar pontapé, pode. Reclamar, não.
O que a CBF pretende? Desacreditar e vulgarizar o cartão amarelo?

A regra do cartão foi criada como símbolo para mostrar a todos, jogadores, torcedores da arquibancada e da televisão, que aquele jogador foi seriamente advertido. Se, no mesmo jogo, vier a cometer outra infração, e receber novo cartão amarelo, é obrigatória a apresentação do vermelho, e a expulsão.

O cartão amarelo é justo, para tentar coibir o jogo violento, antiesportivo, antiético, ato que pode causar fraturas no jogador adversário, e até mesmo inutilizar um profissional para a prática desportiva.

Os cartões amarelos, numa mesma competição, se aplicados 3 vezes, proíbem automaticamente a participação do jogador no jogo seguinte. Ao mesmo tempo, o cartão amarelo, e o vermelho também, já são símbolos internacionais reconhecidos, permitem que juízes que falem outros idiomas apitem jogos internacionais, sem a necessidade de ter de advertir verbalmente um jogador.

Entretanto, a CBF entendeu que deveria estender a ditadura da aplicação do cartão amarelo, diferentemente do que estabeleceu-se pela Fifa e é regra internacional. O leitor deste blog pode observar nos jogos do brasileirão deste ano, os juízes atribuem mais cartão amarelo por reclamação do que por jogada violenta.
Os juízes se protegem de quê? Por que a CBF instruiu essa norma imbecil? Isso estraga uma partida de futebol, arrebenta com o campeonato, fazendo com que jogadores importantes sejam proibidos de jogar a partida seguinte ao acumularem 3 amarelos. Se os juízes não aplicarem cartões amarelos aos jogadores que reclamam, eles serão punidos com "folgas" de trabalho, essa a ameaça da CBF aos juízes.

Se a CBF deseja "manter o respeito" aos juízes, que estes distribuam o amarelo por reclamação, mas estes não se somariam à serie de 3 amarelos por falta violenta ou antiesportiva. Mas valeria como antecipação ao jogador, naquela partida, de que, mais uma reclamação leva outro amarelo e tá expulso, É apenas uma ideia, para aplacar o furor distributivo de amarelos contra jogadores que se sentem injustiçados, levaram uma pancada, o juiz não marca a falta, não pune o adversário, mas envia um amarelo contra quem reclamou.

O critério do cartão amarelo tem razão de ser, mas se está utilizando mal a punição. Na Libertadores da América, por exemplo, o cartão amarelo vale só para a partida corrente, depois é transformado em multa ao time, se não me engano de US$ 100.00 por cada cartão. Não existe o acúmulo de 3 cartões em partidas de um mesmo campeonato. O vermelho, sim, pune o jogador de forma automática por uma partida, independentemente de julgamento, se a falta for muito grave.

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sábado, 30 de maio de 2015

Fifa e CBF: se gritar pega ladrão...

Richard Jakubaszko

Desde que estourou o escândalo das investigações do FBI e da Justica dos EUA, com as prisões de dirigentes da Fifa, e também do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, acusados de corrupção e de receber propinas, percebi que eram jogadas políticas transversais, e levariam a um desenlace de proporções gigantescas, com reflexos aqui no Brasil. E tudo o que estamos vendo é só o começo do que vem aí pela frente.

Em minha modestíssima opinião, é estranhíssima (e indevida, até mesmo ilegal) a ingerência americana em organismos internacionais como a Fifa, cuja sede é na Suíça, eis que, absolutamente nada se passou em território americano, nem mesmo houve sonegação ao fisco do Tio Sam. A não ser que já tenham alguma prova da fonte da corrupção, ou seja, do corruptor, que seria, quem sabe, a Nike, gigante americana fornecedora de material esportivo, patrocinadora de muitos times de futebol e de seleções. Mas a Nike nem foi mencionada diretamente nessa história toda, e as alegações americanas para essa atuação dos xerifes do mundo, é de que a sede da Concacaf fica nos EUA (Miami), além de muito dinheiro dessa corrupção ter sido movimentado em bancos americanos. Para os EUA vale as leis deles, aplicadas ao mundo conforme a conveniência deles.

Portanto, os americanos, mais uma vez atacam de xerifes do mundo, atropelam fatos (a corrupção no futebol) fora de sua jurisdição, sem nem gostar de futebol, talvez por desejar enfraquecer a posição da Rússia, que será a sede da próxima Copa do Mundo de Futebol, em 2018, mas é também um membro do chamado grupo dos Brics, que os EUA andam bombardeando. Como se sabe, em política não há coincidências, e não foi mera coincidência a prisão dos dirigentes da Fifa, às vésperas da eleição de Blatter, reconduzido ao cargo pela 5ª vez consecutiva.

Depois das prisões teve o anúncio de que serão "investigados" os processos da decisão da Fifa em levar o próximo campeonato mundial de futebol para a Rússia. Tudo muitíssimo estranho.
Os EUA não aceitaram perder o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022 para o Catar, depois de uma eleição atropelada por denúncias de suborno, corrupção e compra de votos.


Na CBF anda rolando um terremoto, quem sabe um tsunami, entre seus atuais dirigentes, pois os ex-dirigentes João Havelange, Ricardo Teixeira e José Maria Marin, deixaram rastros, e se alguém gritar "pega ladrão!" não sobra um, meu irmão, conforme a canção nos informa... Faço votos de que, afinal, isso sirva para fazer uma faxina nos corruptos da CBF.

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, voltou rapidinho da Suíça para o Brasil, mas brasileiros como J. Háwilla, e outros, já estavam mergulhados até  o pescoço nessa sujeirada toda, inclusive com admissão de culpa e devolução parcial de vultosas parcelas de dinheiro da corrupção recebida, e que envolve muita gente poderosa no Brasil, a começar pela Rede Globo e do seu executivo Marcelo Campos Pinto, diretor da área responsável pelas negociações de compra dos direitos das transmissões exclusivas da emissora, seja da Copas do Mundo ou do Campeonato Brasileiro, e da Fórmula 1.

Consta que a empresa Sport Promotion, do empresário José Francisco Coelho Leal, o Kiko (ex-parceiro de Luciano do Valle na Luqui Participações) tem envolvimento. Assim como Kiko, intermediário em associação com a Traffic, de J.Háwilla – nos direitos de transmissão da Copa do Brasil (citada pelo FBI como fonte de propinas), teriam, portanto, ligação direta com a Rede Globo. Vai ser difícil afirmar que "a gente não sabia de nada disso"...

O fato é que os EUA estão determinados a julgar os dirigentes da Fifa e das entidades filiadas, pois a procuradora americana, Loretta Lynch, afirmou que a operação e as prisões na Suíça foi "só o começo". Pretendem agora que a Suíça extradite os dirigentes, 7 dirigentes e 5 integrantes do Comitê da Fifa, para serem julgados em território americano, o que vai gerar uma discussão jurídica e política sem fim, pois a turma presa não é "café pequeno", e vai recorrer. Portanto, o precedente jurídico é interessante.

Os rumos que podem tomar a investigação do FBI contra dirigentes corruptos do futebol mundial, da América Latina e do Brasil, ainda vão trazer surpresas pra muita gente, além de muita discussão política.

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