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domingo, 2 de abril de 2017

Automóveis, poluição, doenças. Como mudar?

Washington Novaes *

Por que dar incentivos fiscais e subsídios para um equipamento ocioso em 80% do tempo?
No mesmo dia em que alguns jornais divulgavam a notícia de que o Brasil é o país onde o proprietário passa mais tempo dentro do automóvel – 4 anos e 11 meses de vida, ante 4 anos e 3 meses do argentino, 4 anos do europeu, 3 anos e 1 mês dos chineses (CSA Research, 3/3) –, informou-se que o item mais importante para a redução de 20% nos acidentes (no Estado de Goiás, por exemplo) foi o uso do farol, tanto no caso de acidentes com vítimas como nos sem vítimas. Nos acidentes com vítimas de morte a redução num mesmo período de 2016 e 2017 foi de 37,9%; nos acidentes com outras vítimas, redução de 7,55%; e nos casos sem vítimas, de 29,6%. As estatísticas também foram favoráveis nos casos de colisão e em mais de mil casos de atropelamento. São números importantes num país onde os acidentes dessa ordem costumam ser altos.

Já a poluição atmosférica no Estado de São Paulo, na visão de pesquisa coordenada pelo professor Paulo Saldiva, poderá explicar 15% dos casos de enfarte. Se reduzida em 10%, poderá evitar a morte em mais de 10 mil casos, além de se obterem avanços no tratamento de centenas de milhares de casos de asma e reduzir a perda de milhões de horas de trabalho.

“Ambientes poluídos e insalubres matam 1,7 milhão de crianças por ano” em todo o mundo, de acordo com relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMC) nesta semana. Uma em cada quatro mortes de crianças com menos de 5 anos está relacionada com ambientes poluídos e insalubres. Poluição do ar e da água, fumo passivo, falta de saneamento básico e de infraestrutura adequada de higiene também são fatores muito relevantes. E a maior parte deles poderia ser evitada. Principalmente com o acesso ao saneamento básico e o uso de combustíveis limpos.

Além disso, enfatiza o relatório, a exposição a ambientes insalubres pode começar durante a gravidez, aumentando o risco de partos prematuros. E as crianças expostas à poluição atmosférica e ao fumo passivo podem ter mais risco de contrair pneumonia e de desenvolver doenças respiratórias crônicas, como a asma.

Serra Leoa é o país com a maior incidência dessas doenças. Ali morrem 780,6 crianças de até 5 anos de idade por 100 mil habitantes, por causa de doenças atribuídas ao meio ambiente. No Brasil, a taxa é de 41,38 mortes. O principal problema é a falta de saneamento básico. Segundo a OMS, a situação não é tão alarmante como a da China e da Índia. Há um esforço para melhorar a qualidade do ar. A situação da água melhorou nos últimos anos, “mas não é a ideal”.

O que mais impressionou os pesquisadores, em quase todos os lugares, foi o impacto da poluição atmosférica dentro dos lares na saúde infantil. E sob esse ângulo, a poluição advinda da energia é um fator relevante. Precisa ser atacado, substituindo o querosene por lâmpadas solares; o fogão a lenha pode ser substituído por fogões elétricos, tão eficientes quanto os fogões a lenha, sem causar poluição. Quase 600 mil crianças morrem a cada ano por causa da poluição, principalmente a gerada dentro dos lares, ressalta a OMS.
Lixo eletrônico é outro problema que expõe as crianças a toxinas que podem danificar os pulmões e levar ao câncer, além de redução no desenvolvimento cognitivo e déficit da atenção.

Segue o relatório da OMS relatando problemas com mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e de níveis de dióxido de carbono na atmosfera, que favorecem a liberação de pólen pelas plantas, que está associado ao desenvolvimento da asma. Entre 11% e 14% das crianças abaixo de 5 anos são as maiores vítimas da asma, 44% relacionadas com o ambiente.

Nesse panorama, é muito preocupante a notícia divulgada pelas indústrias de automóveis de que até o final desta década o número de carros nas ruas dobrará. Essa perspectiva está levando a muitos programas de enfrentamento – BRTs e vias para bicicletas em Buenos Aires, trens de alta velocidade em 6.800 quilômetros nos EUA, espaços compartilhados por veículos e pessoas em vários países, pagamento de pedágio por automóveis em vias urbanas.

Mas fica a pergunta para vários países, incluído o Brasil: por que conceder incentivos fiscais e subsídios para automóveis, equipamento que permanece ocioso em 80% do tempo?

De Roma, vem a notícia (Plurale, 2/3) de que o papa Francisco aceitou a doação de uma instituição e “passará a usar um carro 100% elétrico durante um ano, como parte de um projeto-piloto que visa a demonstrar que essa tecnologia é boa para o ambiente e a economia. A consultoria doadora também doou quatro estudos sobre como transformar o Vaticano num dos primeiros Estados do mundo a usar 100% de energias renováveis, num ambiente com 100% de mobilidade livre de emissões”.

Há muitos outros ângulos. A ONU, por exemplo, fez um estudo em Barcelona, preocupada com os espaços urbanos, a perda de espaços públicos, calçadas, praças, e com a insuficiência dos transportes públicos. Sua recomendação é manter políticas participativas, tratar de relações entre bairros antigos e mais novos, que têm necessidades diferentes. Hoje o espaço público tem, no máximo, 30% da área total das cidades.

Mas é preciso lembrar que a população no mundo chegará a 10 bilhões de pessoas em 2050 (hoje já são mais de 3,9 bilhões **). E lembrar o desafio, já presente, das megacidades. Tóquio tem 38 milhões de pessoas; Délhi, 25 milhões; a Grande São Paulo já passou de 20 milhões. E no centro de toda a questão está o problema da mobilidade urbana, a presença do automóvel.

A cidade de Goiânia, por exemplo, que foi concebida para ter, no máximo, 100 mil habitantes, hoje tem 1,43 milhão e uma frota de 1,15 milhão de veículos. Não é muito diferente de outras capitais de Estados e grandes cidades – até porque, em geral, não temos políticas para áreas metropolitanas.

* o autor é jornalista – e-mail: wlrnovaes@uol.com.br

Publicado originalmente em http://www.envolverde.com.br/opiniao/artigos2015/automoveis-poluicao-doencas-como-mudar/


** Nota do blogueiro: acredito ter ocorrido equívoco  na digitação, o planeta tem hoje 7,4 bilhões de habitantes.
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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Relações públicas e governamentais

Marcos Sawaya Jank *
O que o mundo nos ensina sobre relações públicas e governamentais 
Dizem que o termo "fazer lobby" (lobbying) surgiu no século 19 quando peticionários reuniam-se no lobby do hotel Willard, ao lado da Casa Branca, para tomar drinques e fumar charutos com Ulysses Grant, presidente dos Estados, e assim influenciar as suas decisões políticas.

Influenciar pessoas que detém poderes de qualquer natureza não é privilégio dos lobistas profissionais da política. Na realidade, a prática se dá o tempo todo no ambiente de nossas famílias, amizades e associações. Ocorre também, com grande força, dentro das empresas, e entre estas e os seus públicos externos.

Uma recente pesquisa da McKinsey com executivos de 1.334 empresas do mundo mostrou que o envolvimento com atores do entorno da empresa, os chamados stakeholders, nunca foi tão importante e prioritário como é hoje. Apesar disso, poucas empresas estão preparadas para responder a essa crescente demanda e, menos ainda, tomam atitudes proativas de engajamento com eles.

A pesquisa destaca que a função de relações públicas e governamentais tornou-se a prioridade número um da empresa para 16% dos CEOs consultados, sendo que metade deles a posiciona entre as três grandes prioridades. Em relação a governos e reguladores, a pesquisa destaca que mais da metade dos executivos americanos e europeus acredita que a ação dos mesmos trará impacto negativo para os seus negócios. Contudo, na Ásia a maioria dos empresários enxerga a atividade governamental com otimismo, mais como oportunidade do que risco.

Tendo atuado na área no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, aprendi que a função de relações públicas e governamentais tem diferentes vetores e formatos no mundo.

Nos Estados Unidos predominam instituições fortes que conseguem se sobrepor aos políticos aventureiros. O foco americano é criar regras do jogo que permitam que as empresas e os negócios prosperem, na melhor ética protestante herdada do mundo anglo-saxônico. O lobby é regulamentado e exercido dentro de regras objetivas e transparentes. Grandes coalizões de interesses convergentes são formadas e moldam os movimentos das políticas públicas. Os políticos são umbilicalmente ligados às suas bases e costumam manifestar opiniões precisas sobre todos os assuntos do seu interesse.

Na União Europeia, as relações públicas e governamentais são afetadas pelo mosaico de países, línguas e culturas. É o local onde o poder de uma complexa teia de stakeholders se faz mais intenso: associações, sindicatos, organizações não governamentais, comunidades, formadores de opinião, imprensa local e redes sociais ganham proeminência, em regiões com hábitos e costumes tão diversos. Na Europa, o foco não é o ambiente interno da empresa, mas sim o seu entorno imediato.

Já na Ásia o centro das relações externas das empresas são os governos e suas criaturas. Em alguns países, lideranças ou partidos políticos autocráticos comandam as decisões, sem oposição. No Japão e na Coreia, são os grandes conglomerados criados e apoiados pelo Estado. No sul e sudeste da Ásia, o poder costuma estar nas mãos de famílias ou etnias hegemônicas.

Em suma, o interesse central dos governos e das empresas varia muito no mundo e não há uma formula única para o sucesso. Nessa dança global, o profissional de relações públicas e governamentais precisa ter jogo de cintura para alinhar princípios éticos sólidos, estratégias corporativas claras, contribuições efetivas para a política pública dos países envolvidos, atendimento aos interesses dos stakeholders e às demandas da opinião pública.

Essa é a complexidade e a beleza da profissão, que no Brasil precisa ser urgentemente repensada, regulamentada e valorizada para encarar os novos tempos e os novos desafios.



* Especialista em questões globais do agronegócio
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domingo, 4 de outubro de 2015

Índia decola e mostra o rumo

Marcos Sawaya Jank *
Dentre os grandes países emergentes do mundo, a maior surpresa do momento tem sido a Índia.

O país vem melhorando sensivelmente os seus indicadores e fundamentos. Vai crescer 7,5% em 2015/16, ultrapassando a China. Nos últimos dois anos, em movimento literalmente oposto ao do Brasil, a Índia fez sucessivos cortes na taxa de juros, a inflação despencou de 10% para 5% ao ano, o déficit em conta corrente caiu de 4,5% para 1,5% do PIB e o investimento estrangeiro aumentou. Além disso, a Índia se beneficiou da forte queda do preço do petróleo — ela importa mais de 70% de suas necessidades —, de uma vibrante classe média que vai se consolidando e de um conjunto de políticas de estímulo aos negócios.

Curiosamente uma boa parte dos entraves da Índia é semelhante aos do Brasil: grandes escândalos de corrupção na atual década, dificuldade para implementar reformas estruturais e graves problemas de infraestrutura (falta de investimentos e marcos regulatórios inadequados). Mencionam-se também as legislações fiscais e trabalhistas bizantinas e inúmeros problemas relacionados com a indefinição de direitos de propriedades da terra, de imóveis etc.
 

Interessante que os dois países são também parecidos nas suas caraterísticas positivas, como a solidez da democracia e a presença de setores empresariais globais e criativos. Bons exemplos são as áreas de tecnologia de informação na Índia e o agronegócio no Brasil.

Entretanto, o maior desafio da Índia continua sendo como lidar com o seu imenso contingente populacional. Em 2022, a Índia vai ultrapassar a China como o país mais populoso do planeta, seis anos antes das previsões. Chama a atenção também a elevada desigualdade social, com mais de 300 milhões de indianos vivendo abaixo da linha de pobreza.

Por outro lado, se corretamente administrado, esse fator pode representar uma oportunidade, principalmente se considerarmos a imensa força de trabalho que vai ingressar no mercado. Metade dos 1,25 bilhão de indianos tem hoje menos de 25 anos, ao contrário da China, que está envelhecendo rapidamente em decorrência do período de uma criança por família.

O aumento da população e da renda per capita, a redução da desigualdade e a urbanização crescente podem gerar imensas oportunidades de crescimento e investimento no país. Com características singulares, a Índia certamente vai virar o próximo fenômeno mundial, depois da China.

Para o Brasil, essa oportunidade pode ser fenomenal. A Índia tem imensa deficiência de recursos naturais, principalmente terras aráveis e água limpa. Além disso, falta energia elétrica, metade da população vive na área rural em propriedades cujo tamanho médio é de apenas 1,2 hectare e as cadeias produtivas são profundamente fragmentadas e desorganizadas.

Em 2014, o Brasil e a Índia ocuparam, respectivamente, a sétima e a nona posição entre as maiores economias do planeta. Em 2030, estima-se que o Brasil continuará no mesmo lugar, porém a Índia vai chegar à terceira posição, logo atrás da China (primeira) e dos Estados Unidos (segunda).

Quando assumiu o posto, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, resumiu o seu imenso desafio com uma frase lapidar: "A Índia precisa de menos governo e de mais governança". Certamente não é só ela.


* Marcos S. Jank é especialista em questões globais do agronegócio.
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domingo, 16 de junho de 2013

Dilma: estamos preparando o país para os próximos vinte anos.


Dilma, exclusivo: estamos preparando o país para os próximos vinte anos
Entrevista publicada no site do Jornal GGN:


por Luis Nassif
O ar aparenta certo cansaço. Mas os olhos brilham e Dilma Rousseff é capaz de discorrer por duas horas sem perder o pique sobre seu tema preferido: o Brasil.

Garante que no segundo semestre o país testemunhará o deslanche das concessões e parcerias público-privadas. Entusiasma-se ao falar da construção naval, da lei dos portos e de como a reserva do campo de Libra impactará o país.

Criaram-se lendas de que Dilma irrita-se com críticas, a ponto de romper com o crítico. Não é o que transpareceu na conversa de duas horas, na quinta-feira no Palácio do Planalto. Mostrou sua visão de país e informou ter alertado alguns ministros mais suscetíveis sobre a importância de se dar atenção às críticas fundamentadas.

Um dos interlocutores de Dilma garante que a imagem da “gerentona” não faz justiça a ela. Segundo ele, poucos presidentes na história tiveram a visão estratégica de futuro de Dilma. “Ela sempre pensa no país daqui a 10, 15 anos”, explica o interlocutor. “Não se inebria com resultados imediatos”.

Tem pressa. Entende que presidentes passam, o país fica. E quer deixar o máximo possível de sementes plantadas. Talvez explique o fato de empurrar conflitos com a barriga, ceder em muitos pontos, não parar sequer para colocar o Ministério em ordem,  por não ter tempo a perder para colocar em pé um trabalho que – segundo sua mesma expectativa – só começará a frutificar daqui a dez, quinze anos.

E é o que talvez explique a condescendência imprudente com seu Ministério.

Na hora da operação, esbarra na fragilidade de alguns Ministros e no acomodamento de outros. Aí, é obrigada a perder parte relevante do tempo corrigindo problemas operacionais. O álibi “Dilma truculenta” é invocada por muitos Ministros para justificar sua própria mediocridade e apatia.

A entrevista revela uma presidente com plena clareza sobre os caminhos estratégicos do país. Mas, para consolidar sua obra, falta a freada de arrumação, uma mudança maiúscula no Ministério, uma reestruturação no modo de gerenciar os Ministros – agrupando núcleos de Ministérios em torno de algumas figuras-chave, que possam ser a Dilma da Dilma -, uma reformulação na articulação política. E determinar aos seus Ministros que corram riscos, busquem iniciativas, demitindo os que se dizem com medo de cara feia.

Ao ouvir o nome do jornal GGN, pergunta a relação com o Grupo Gente Nova (GGN), organização de lideranças jovens cristãs, que vicejou em Minas nos anos 60. O berço do GGN foi Belo Horizonte e, através das freirinhas do Sion, Dilma e outros jovens faziam trabalho social em bairros pobres, discutiam política e o Concílio Vaticano 2 de João 23. O GGN transbordou para Poços de Caldas, também através de freirinhas - na caso, as dominicanas.

Dilma recorda desses tempos, compara com o que sua neta encontrará pela frente. E dá o mote para o início da entrevista.

O novo país

GGN – Que país a senhora pretende que nossa geração entregue para a de nossos netos?

Dilma - Está vindo por aí uma nova geração totalmente diferente, que encontrará um país totalmente diferente do que nossa geração recebeu. Nós vamos transformar o Brasil em um país rico, de classe média. Pessoalmente acho que essa herança ficará não apenas eliminando a pobreza, mas conseguindo uma educação de altíssima qualidade. Só a educação permite um ganho permanente, irreversível. Por isso defendo os royalties para educação.

GGN – Qual a próximo ciclo da economia?

Dilma – A etapa do combate à miséria absoluta está prestes a terminar. Hoje em dia, existe o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o apoio ao microempreendedor, o Luz Para Todos. Essa foi a primeira grande leva de transformações e só tem dez anos. Os frutos ainda nem começaram a aparecer. A segunda grande leva será a busca da competitividade.

GGN – E as frentes da próxima batalha?

Dilma – A principal é a Educação, que serve ao lado social e à competitividade. Há um amplo investimento no Prouni (Programa Universidade para Todos), no FIES (Financiamento Estudantil), na ampliação das escolas técnicas, de universidades e novos campis. E na interiorização da educação. Levar a educação para o interior muda padrão de vida de toda uma região.

Os analistas ainda não se deram conta da extensão do trabalho em educação. Financiamos R$ 1,5 bilhões para o Senai ampliar a formação de mão de obra. A Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) da CNI (Confederação Nacional da Indústria) irá formar 8 milhões de trabalhadores até 2014. O MEC (Ministério da Educação) está entrando com recursos para formação de técnico para nível médio.

A parte relevante é o treinamento de mão de obra com vários escalões, até chegar à Tereza Campello (do Ministério do Desenvolvimento Social). Há várias turmas de filhos do Bolsa Família se formando. Já chegam a um milhão de alunos.

Essa mesma parceria do Senai estamos fazendo com o Senar (da Agricultura) e com o Senac (do Comércio). O Senai e o Senar são os parceiros mais ativos.

O mais interessante é a quantidade de mulheres que saem do Bolsa Família e se tornam operárias especializadas. Na cerimônia de formação dos alunos do BF, a oradora da turma era uma moça que se tornou eletricista.

Os marcos regulatórios

GGN – E a outra frente?

Dilma - A segunda frente são os novos marcos regulatórios. No período Lula houve o marco do setor elétrico. Depois, o pre-sal. Como se sabia onde havia petróleo, com risco menor de prospecção, mudou-se a exploração para o sistema de partilha, para o país beneficiar-se o máximo possível da nova riqueza.

GGN – E a Lei dos Portos?

Dilma – O marco regulatório dos portos é fundamental. No lançamento afirmei que seria a segunda abertura dos portos. A primeira, de Dom João VI, foi para o comércio com as nações amigas. A segunda, agora, é a abertura para o investimento privado. Há a necessidade de um padrão de eficiência compatível com a sofisticação industrial, agrícola e a extração de minérios.

No caso dos portos, ampliar os terminais de uso privado, deixar quem quiser exportar através de container, sem reserva de mercado, e ampliar a capacidade de comunicação do país com o exterior.

Na sequencia, o desafio será priorizar a cabotagem (navegação da costa).

Um de nossos principais atos foi o de desobstruir a infraestrutura. Todo mundo tem o direito de passar. Para não penalizar quem faz a infra, quem quiser passar paga o mesmo que o concessionária cobra de si próprio.

A expansão dos portos abrirá um novo mundo, permitindo a integração com ferrovias, com o transporte aquaviário.

Hoje em dia, temos condições de planejar estrutura ferroviária, porque os portos são importantes, porque rodovias estão sendo duplicadas.  Eisenhower, quando assume governo norte-americano, duplicou todas as estradas. Chefiou as Forças Aliadas na Segunda Guerra. Planejou atravessar a França para chegar e Berlim em determinado prazo. O planejamento fio em cima da experiência antiga com as estradas francesas, estreitas. Quando entrou nas autobans, a chegada em Berlim foi abreviada. Aí ele entendeu a importância das autoestradas. Levou 15 anos para duplicar as estradas norte-americanas. Nós duplicamos os principais eixos.

O salto agrícola

GGN – Resolve-se, com isso, o problema do transporte das safras?

Dilma - Ninguém notou muito, mas lançamos recentemente uma política fundamental, a de armazenagem. Precisamos de 65 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazéns. No último Plano de Safras, foram destinados R$ 136 bilhões para a agricultura comercial e R$ 21 bi para a familiar. Foram colocados R$ 5,5 bilhões, a 3% ao ano de juros e prazos de 15 anos, para a ampliação da rede de armazéns.

Ao mesmo tempo, será recriada uma estrutura de assistência técnica e extensão rural.

A Embrapa é uma instituição voltada para a pesquisa. A nova organização será voltada para a assistência técnica, como agência de difusão de tecnologia. Será enxuta e seu papel consistirá em articular consultorias privadas para atuar em duas áreas prioritárias: agricultura de precisão e produção de hortifrutigranjeiros em áreas protegidas (estufas), além de pesquisas em biotecnologia, nas áreas de DNA, pecuária leiteira.

O campo de Libra

GGN – E a licitação do campo de Libra?

Dilma - Ainda não caiu a ficha geral sobre a próxima licitação do pré-sal, em 22 de outubro. Será licitado apenas um campo, o de Libra. Dentro da política da ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobras foi contratada para furar um poço. Fez a prospecção e constatou, inicialmente, uma capacidade potencial de 5 bilhões de barris equivalente de petróleo. Depois, pegaram os mapas de sísmica em 3D e enviaram para análises em Londres. Os últimos dados apontam para uma capacidade de 8 a 12 bilhões de bpe. É algo em torno de 2/3 do total das reservas brasileiras descobertas em toda sua história.

As análises iniciais indicam um preço bastante competitivo, na faixa de 40 dólares o barril. O gás de xisto dos Estados Unidos, tão falado, não sairá por menos de 80 dólares.

GGN – Recentemente fizemos em Porto Alegre um seminário sobre a indústria naval e houve relatos entusiasmados sobre os avanços no setor.

Dilma – Você não sabe a satisfação que é quando se percebe que um objetivo foi alcançado. Lembro-me que em 2003 o presidente Lula me chamou e disse que o Brasil já tinha sido um dos maiores produtores de navio nos anos 70. E que queria que voltasse a ser. Fui com a Graça Foster, titular de uma das secretarias do Ministério, até um estaleiro abandonado.

Era um areal imenso, a perder de vista, sem nada em cima. As pessoas caçoavam, diziam que seria impossível o Brasil construir navios, que estava muito acima da nossa capacidade. Ora, construir navios é a capacidade de transportar chapas e de soldar. Como, impossível?

Hoje, quando volto aos mesmos lugares, vemos guindastes gigantescos, o estado da arte, equipamentos sofisticados. E com o campo de Libra, vai ser um salto ainda maior. Haverá uma demanda gigantesca por equipamentos, de 14 a 17 plataformas, exigindo acelerar substancialmente a indústria naval.

GGN – Porque concessões e investimentos demoram tanto a deslanchar?

Dilma - O país paga um preço de 20 anos com austeridade fiscal e baixa projeção econômica e de investimento. Ninguém passa imune por isso.

As consequências foram a hipertrofia das estruturas de fiscalização em detrimento da execução. O funcionalismo fiscal tornou-se importante; o de execução perdeu status e incentivo. Esse fenômeno espalhou-se pelo setor privado, com os engenheiros de produção cedendo lugar aos engenheiros voltados para a área financeira e de gestão. Desapareceram as grandes empresas de consultoria de engenharia.

O planejamento de longo prazo retornou ao país em 2007, com o primeiro PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Ninguém mais fazia projetos, nem a União, nem os estados nem a iniciativa privada estavam preparados para enfrentar o desafio.

De lá para cá houve expressiva mudança qualitativa. Hoje em dia União, estados e iniciativa privada estão mais aparelhados, as empresas de projetos são bem melhores, com impacto no ritmo das obras. Houve modificações nos sistemas de contratação, reduzindo o tempo, melhoria na capacidade de planejar.

GGN – Quando as concessões deslancharão?

Dilma - Na segunda metade do ano, haverá um festival de licitações. Serão licitados 7.500 km de rodovias, aeroportos, ferrovias, o poço de Libra, gás em terra, armazéns, linhas de transmissão e geração e o TAV (Trem de Alta Velocidade). Os empresários internacionais já acordaram para isso.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

Por que não se ensina programação na escola?

Richard Jakubaszko
Recebi o vídeo abaixo, enviado por Gerson Machado, que faz uma pergunta interessante e traz várias respostas sobre o porque de não se ensinar programação de softwares nas escolas. Os depoimentos são de gente da área, inclusive Bil Gates, e o vídeo anda com mais de 5 milhões de visitas. 
É interessante assistir, há um futuro de grande trabalho no segmento, muito bem pago pelas empresas de softwares, que andam à procura de talentos...

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sábado, 6 de outubro de 2012

O futuro, como era projetado em 1954.

Richard Jakubaszko
Uma interessante visão, projetada em 1954 pela General Eletric, há mais de meio século, portanto, do que seria o futuro que vivemos hoje. Recebi o vídeo, ancorado lá no Youtube, de Silvia Nishikawa, lá de São Gotardo, MG, pesquisadora incansável dessas novidades.
O vídeo erra em raras previsões, e acerta na maioria dos casos: num deles, prevê uma utópica lavadora de louças ultrassônica, sem o uso de água e sabão, que, em assombrosos e poucos segundos, higienizaria pratos e talheres após o jantar. Mas acerta em cheio nas TVs, video-conferências, telefones com bina, celulares e vídeos espiões. O curioso é que na época eles ainda não tinham ideia do que se poderia fazer com os computadores, o que não é também nenhuma novidade, pois um 'gênio' da IBM na época chegou a perguntar "para quê as pessoas precisarão de uma máquina dessas em casa?".

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não planejaram e erraram...

Richard Jakubaszko 
Sabe por que deve-se planejar o que se vai fazer, quando praticamos um esporte ou trabalhamos em grupo? Para que não aconteçam coisas como essa, assistam e me digam se não é verdade:


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