domingo, 19 de novembro de 2017

Não querem bloquear dinheiro de Lula, querem bloquear milhões de votos


Fernando Brito *
   


Lula disse hoje, no Congresso do PC do B, que deveriam “ter a decência de dizer onde tenho R$ 24 milhões”, referindo-se ao pedido do Ministério Público à Justiça Federal para que lhe fossem bloqueados – e a seu filho – bens neste valor.

A questão, óbvio, é que não há o dinheiro – ou outros valores – que o MP pede para bloquear. Isso não vem ao caso, até porque os sigilos bancários de Lula e de sua família estão quebrados há séculos.

A questão é que as medidas judiciais estão sendo pedidas – e, não raro, concedidas – com evidente finalidade de propaganda política.

O objetivo é criar a suspeita, para muitos a convicção, de que Lula tem este patrimônio.

Cria-se o bitcoin judicial, a moeda virtual do Ministério Público que compra desprestígio político e que, portanto, compra mentalmente votos para outro candidato.

A rigor, o mecanismo de bloqueio de bens de um acusado deveria ser o mesmo que alguém que busca reparação indenizatória é obrigado a acionar: indicar bens à penhora, até porque, neste caso, o poder de estar informado do que esta pessoa possui é pleno para ambos, MP e juiz.

O MP não indica nada, porque não tem nada a indicar.

Tornou-se uma máquina de exploração política que não tem de explicar nada, apenas aponta o dedo e isso basta.

Ninguém o controla, ninguém o regula, ninguém o julga.

O juiz? Ah, o juiz quando não está na mesma, borra-se de medo de sair assim nos jornais:

“Juiz rejeita bloquear R$ 24 milhões de Lula.”

Não importa que os R$ 24 milhões não existam em bens ou dinheiro: o doutor os “liberou” para Lula.

São a moeda da convicção.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado no http://www.tijolaco.com.br/blog/nao-querem-bloquear-dinheiro-de-lula-querem-bloquear-milhoes-de-votos/
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sábado, 18 de novembro de 2017

Sai o MBL Nanderthal; entra a direita britânica

Luis Nassif
Duas pesquisas recentes ajudam a demolir alguns mitos midiáticos.

A primeira, da Big Data Ideia, mostrando que a maioria do povo brasileiro –provavelmente no universo das redes sociais – não compactua com o retrocesso moralista.

A segunda, mais óbvia, constatando o baixo impacto das declarações de Fernando Henrique Cardoso junto ao eleitorado.

Comprova-se o óbvio
O radicalismo dos últimos anos, com o aparecimento de dinossauros, brontossauros, pterodátilos, vampiros e harpias, foi uma construção midiática.

O que havia era uma sociedade que respeitava determinadas regras sociais, que mantinham sob controle os vultos das profundezas. As redes sociais romperam com as regras, passando a dar voz a esses grupos. E o movimento se ampliou com o incômodo da classe média com os novos emergentes.

Os primeiros a perceber essa onda foram Jô Soares, e suas meninas, e Arnaldo Jabor e suas verrinas, passando a vociferar um ranço de classe, ainda distante do ódio dos momentos seguintes.

Vociferar, aliás, talvez não seja o termo correto, perto do que ocorreu com a revista Veja, quando Roberto Civita traz dos Estados Unidos a fórmula Rupert Murdok de jornalismo de guerra.

Inaugurava-se um novo estilo, truculento até a medula, introduzido na Veja por um jornalista de confiança de Civita, Tales Alvarenga. Depois se amplia, quando colunistas de variedades, como Diogo Mainardi, recebem autorização para tratar adversários políticos com linguajar de boteco. Inaugura-se a era do jornalismo de esgoto.

Por culpa de uma direção de redação medíocre, o estilo se esparramou por todos os espaços da revista, em um exercício de suicídio editorial inédito que transformou a principal revista do país em um pasquim malcheiroso.

A Editora Record percebeu o novo veio que se abria e passou a editar os neo-direitistas impulsionados pela mídia.

Foi uma onda, como a onda da auto-ajuda, das biografias, dos livros de aventura, com elementos de marketing, como o chapéu Panamá, que cumpria o papel simbólico dos camisas verdes dos novos tempos.

Quando abriram vagas para o novo estilo, pulularam candidatos de todos os níveis, de cronistas diáfanos e colunistas de tecnologia, de economistas palestrantes a procuradores palestrantes. Surgem o sub-Jabor, depois o sub-sub-Jabor, depois o sub-sub-sub-Jabor, apenas entre os cronistas musicais.

A onda turbinada
Essa onda não teria passado disso, mais uma onda, não fosse o impacto da campanha de ódio deflagrado pela mídia, na cobertura do “mensalão” e da Lava Jato e sua adesão incondicional ao estilo esgoto.

Agora, a onda está prestes a passar no território da mídia, substituída pela onda “direita britânica”, conservadora na economia, liberal nos costumes e sóbria no linguajar, espécie de fineza à Miami. Tipo Luis Roberto Barroso. Um estilo que despreza povo, mas abomina o grotesco.

E toca uma corrida insana, com os gladiadores trocando os machados, as peixeiras, por adagas florentinas, o linguajar de zona do cais por um data vênia, por conceitos jurídicos, aprendendo a comer com talheres. Tudo porque montaram um banquete dos mendigos. E o dono da casa entrou em pânico quando bateu à porta um tal de Bolsonaro.

A onda neocon, o MBL e congêneres, serviu apenas de escada para vários desses colunistas ganharem espaço nas publicações, veículos se posicionarem no mercado, e os golpistas povoarem a campanha do impeachment.

Agora, os articulistas mais talentosos, que utilizaram a malta de escada, estão tratando de jogá-la ao mar. Os demais não conseguirão se reciclar para perfis mais sofisticados: afundarão no esgoto.

Os sobreviventes que ascenderem, como novos ricos do sistema, não querem nem que lembrem que um dia beijaram na boca, prometeram juras de amor eterno, andaram de mãos dadas trocando olhares apaixonados, se deixaram fotografar com harpias arfantes, com tipos com ideias secas e rostos suarentos.

É um jogo complexo no qual as mentes mais lentas, que não conseguem prever o rumo dos ventos, acabam pegando o barco atrasado.

É o caso de um candidato retardatário a neocon, jornalista econômico experiente, que dias atrás publicou post no Estadão atacando colegas que criticaram o MBL, e a esquerda que “domina todas as redações”. E ficou com o paintball na mão.

Em engano igual embarcou João Dória Jr., que cai mais na conversa de vendedor de bíblias que as beatas dos filmes de faroeste.

A nova onda
A atuação do MBL e dos demais parceiros da direita tosca foi e é meramente midiática.

Aprenderam a “causar”. Meia dúzia deles faz um carnaval em uma exposição ou agride uma escritora conhecida. Ou então publicam artigos preconceituosos para “causar”. Imediatamente é repercutido pelos veículos de mídia e pela militância de esquerda. Ao reagir em massa contra os factoides, paradoxalmente os adversários ajudam a lhes conferir relevância.

Na outra ponta, Blogueiros que ganharam notabilidade pela capacidade de ofensa, e pela capacidade de ofensa ascenderam profissionalmente, agora que a Arca de Noé começa a afundar, tentam se qualificar, investindo contra a direita bárbara, troglodita e, data vênia, comportando-se com formalismo e dignidade de um guarda-livros do século 19.

A própria Veja tenta a todo custo recuperar um mínimo de dignidade, investindo em matérias legítimas – como a bela reportagem sobre a morte do reitor da UFSC -, e de defesa da diversidade, mas sempre ficando presa ao passado, com os ectoplasmas das bestas se interpondo no seu caminho.

A grande questão é que a tentativa de se voltar ao jogo político tradicional não tem futuro. Quando inaugurou a campanha de ódio, a mídia queimou as caravelas. Não consegue mais atuar como mediadora. Não tem candidatos, nem ideias. E não conseguirá celebrar o centro democrático porque a radicalização rasgou o território comum à esquerda e à direita modeadas.

Os dois partidos que garantiram a governabilidade pós-redemocratização – PT e PSDB – foram envolvidos em uma luta fratricida. E 2018 vem a galope, com apenas uma tática explícita: inviabilizar a candidatura Lula e impedir o candidato Bolsonaro.

* o autor é jornalista, editor do Jornal GGN. Publicado originalmente em https://jornalggn.com.br/noticia/sai-o-mbl-nanderthal-entra-a-direita-britanica-por-luis-nassif
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A fina pele do planeta

Antonio Roque Dechen *
Inicialmente, gostaria de lembrar dos cuidados que tomamos com a nossa pele: usamos protetor solar, chapéus, camisas com mangas longas; no verão e nas praias usamos protetor solar e cremes de toda ordem e tomamos todos os cuidados com a hidratação. Por sorte, quando exageramos na quantidade de sol ocorrendo as queimaduras e perda da pele, nosso organismo tem a capacidade de regeneração dos tecidos.

O filme abaixo, da organização Conservation International, ao ressaltar a importância do solo, faz uma analogia muito interessante comparando o solo, ou melhor, a camada fértil do mesmo, denominando-a de “Fina Pele do Planeta”. Nós, profissionais da área agronômica, ressaltamos a importância da relação solo, planta e atmosfera e temos inclusive nos cursos de agronomia disciplinas e livros com este nome.

Todos os profissionais das áreas de ciências agrárias realçam a importância dessa relação, destacam normalmente as plantas que podem variar de pequenas espécies de hortaliças e flores até as plantações de espécies florestais que podem atingir alturas de 20 a 30 metros e cuidamos do solo, principalmente no que denominamos de camada arável (0 a 20 ou 30 cm).

Consideramos essa camada superficial dos solos como sendo a que é explorada pelo sistema radicular das plantas, a que retém a umidade e é a camada fértil do solo, na qual o sistema radicular das plantas se desenvolve e onde fazemos a aplicação dos nutrientes.

Quando nos referimos a essa camada de 0 a 30cm, podemos até considerar que é uma grande camada se tomarmos como referência a altura de uma pessoa de 1,80m por exemplo, mas nos esquecemos que não é a nossa altura e nem o nosso horizonte de visão a referência que devemos considerar. Temos que relacionar esta camada superficial do solo, com o seu contexto, ou seja, o "planeta terra". Esse é o referencial e, quando assim fazemos, tomamos consciência da real espessura da camada de solo que reveste o planeta, que tem o diâmetro de 12.742 km, ou seja, 12.742.000 metros ou 1.274.200.000 cm. Dentre desse escopo, os 30 cm superficiais podem realmente ser considerados a “Fina Pele do Planeta”.

Essa fina pele do planeta nas regiões em que as condições climáticas são favoráveis possibilitam a produção de alimentos que nos garantem a vida.

É necessário que todos tenham consciência dessa necessidade da conservação dos solos, pois não vivemos sem os alimentos nossos de cada dia. Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970, dizia: não se constrói a paz em estômagos vazios.

Conservar o solo é preservar a vida. Cuidemos, pois da Fina Pele do Planeta.



* o autor é presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, Presidente da Fundação Agrisus e Membro do Conselho do Agronegócio (COSAG-FIESP).

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Fome e injustiça

Richard Jakubaszko
Crianças da etnia Rohingya esperam por alimentos. Mais de 1 milhão de pessoas estão nessa diáspora, que há meses vem sendo praticada impunemente. São “apenas” pessoas, mas é muita gente, e isso se torna uma estatística banal; são todos pobres, muçulmanos, refugiados, é uma guerra étnica, há fuga, perseguição e expulsão de Myanmar, depois são trancafiados em campos de refugiados, melhor dizendo, campos de concentração em Bangladesh. Todos com fome, inclusive crianças.

É um horror perceber que o mundo contemporâneo e capitalista não fica mais indignado com as injustiças, com o terrorismo de estado praticado por nações ricas, e também por nações pobres.

O mundo moderno não comporta solidariedade. Não se sabe mais o que é isso. Perdeu o sentido. O mundo contemporâneo sente piedade de uma baleia, de um urso, de um macaco ou de um pássaro, mas seres humanos, ou crianças com fome, injustiçadas, perseguidas e massacradas, não despertam qualquer tipo de sentimento, nem das pessoas e nem da mídia.

Liberdade, igualdade, fraternidade. A revolução francesa inverteu a lógica e a espiritualidade da vida. Há que se começar pela fraternidade.

Deus deve saber o que está acontecendo, e por que.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Brazil is back... ao mapa da fome, à escravidão, ao fundo do poço.

Richard Jakubaszko


O publicitário Nizan Guanaes, que defendeu a tese de que Michel Temer é bom porque é impopular e, portanto, não deve satisfações a ninguém, tenta vender ao governo uma campanha publicitária internacional com o mote "Brazil is back"; como o golpe produziu um recorde de desempregados e devolveu milhões à pobreza, Nizan poderá dizer que o Brasil voltou ao mapa da fome e conseguiu até liberar o trabalho escravo – tudo isso, graças à habilidade de Temer, rejeitado por 95% dos brasileiros.

A ideia do publicitário, que se reuniu com Temer na última sexta-feira 10, num encontro fora da agenda, segundo o colunista Lauro Jardim, é promover o País numa campanha publicitária com o mote "Brazil is back" – "O Brasil está de volta", em português.

Considerando a situação brasileira depois do golpe parlamentar que levou Temer à presidência, será possível dizer, nesta campanha, que "o Brasil está de volta" ao mapa da fome, ao trabalho escravo, à disparada do desemprego, a um ambiente precário em direitos trabalhistas, entre outros elementos.

O golpe produziu um recorde de desempregados e devolveu milhões à pobreza. Por meio de medidas prometidas pelo Planalto para se livrar de denúncias de corrupção na Câmara, o Brasil conseguiu até liberar o trabalho escravo, tudo isso, graças à habilidade de Temer, rejeitado por 95% dos brasileiros.

Publicado no Brasil247
: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/326975/Brazil-is-back-ao-mapa-da-fome-%C3%A0-escravid%C3%A3o-ao-fundo-do-po%C3%A7o.htm
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Síntese de quarks: foi descoberta nova e potente fonte de energia

Richard Jakubaszko
Recebo por e-mail, lá de Portugal, a notícia enviada por Luís Amorim, de que uma nova fonte de energia foi descoberta.
Síntese de quarks: foi descoberta nova e potente fonte de energia


Um grupo de cientistas de Tel Aviv e Chicago descobriu e demonstrou experimentalmente a existência de uma possível fonte de energia mais potente do que todas as conhecidas até hoje. Além disso, a tecnologia exclui o aparecimento de perigosas reações em cadeia.

De acordo com o artigo dos cientistas Marek Karliner e Jonathan L. Rosner, publicado na revista Nature, a nova fonte de energia é originada pela fusão de partículas subatômicas conhecidas como "quarks".

Em geral, essas partículas são formadas na sequência da colisão de átomos que se movem a velocidades muito altas. Por exemplo, foi desta maneira que os físicos os obtiveram dentro do Grande Colisor de Hadrões. Entretanto, o processo não termina aí: os quarks dissociados tendem a colidir entre si e a interagir com outras partículas, os bariões.

 
Agora o mundo sabe – existe uma reação 10 vezes mais poderosa que fusão termonuclear.

Os cientistas estudaram a fusão entre os quarks e os bariões e descobriram que ela poderia produzir ainda mais energia do que a fusão dos átomos de hidrogênio, anteriormente considerada como uma fonte praticamente "ilimitada" de energia.

Ao substituir os quarks convencionais por outros mais "pesados", os físicos conseguiram obter aproximadamente 138 MeV de energia pura, um resultado oito vezes maior do que o rendimento útil da síntese de hidrogênio, afirmou Vasily Makarov em seu artigo para o portal russo Popmech.

Segundo o autor, no início os cientistas não se atreviam a publicar os resultados do seu estudo. Receavam que, tal como no caso da síntese de hidrogênio, os experimentos fossem extremamente perigosos.

Entretanto, mais tarde foi revelado que a vida dos quarks dura apenas um picosegundo, o que é insuficiente para lançar uma reação em cadeia, porque os quarks se decompõem rapidamente em outras partículas mais leves.

Ao mesmo tempo, esse fato torna a síntese de quarks um método teórico. Os autores do estudo já estão inventando algumas instalações experimentais para realizar uma série de reações exotérmicas, mas atualmente a curta vida das partículas não permite seu uso com fins práticos. No entanto, é apenas uma questão de tempo: a teoria foi testada experimentalmente e agora os cientistas só precisam de preparar a base tecnológica para que a humanidade passe a dispor de uma fonte de energia ambientalmente limpa e incrivelmente potente, conclui Makaro.

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A mentirinha da Previdência é o “me engana que eu gosto” do mercado

Fernando Brito *  
O anúncio de Michel Temer de que enviará uma nova proposta – “simplificada” – de reforma da Previdência, reduzindo seu alcance à unificação de limite de proventos dos funcionários públicos aos limites do INSS e à elevação da idade mínima para a aposentaria é apenas uma encenação.

Não há a menor chance de aprovar emendas constitucionais – que exigem 308 votos – na Câmara e muito menos de levar o Senado a ratificá-las.

O que o mercado exigiu – e Meirelles e Rodrigo Mais fizeram ainda ontem – é manter vivo o assunto e obrigar o presidente que se eleja em 2018 – se tivermos eleição – a fazer a degola dos direitos de aposentadoria.

É o “me engana que eu gosto” que o dinheiro pede para que não “chacoalhar” o que eles chamam de “retomada econômica” e mais bem chamado seria de “retomada financeira” que permita ao país chegar até o final do ano que vem, mesmo que com a água pelo queixo – sem grandes marolas.

Até a Joana D'Arc da reforma previdenciária, a colunista Miriam Leitão, reconhece, no seu blog, que “até um texto reduzido, uma espécie de reforminha, está difícil de passar”.

O que o governo entendeu na terça-feira é que não pode dizer isso. Seria jogar a toalha, como fez o presidente na segunda-feira.

Tudo neste governo é falso, como falso é aquele que usurpou a presidência.

* o autor é jornalista e editor do blog Tijolaço.

Publicado no http://www.tijolaco.com.br/blog/mentirinha-da-previdencia-e-o-me-engana-que-eu-gosto-do-mercado/

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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Aquecimento global é mentira, e é um negócio lucrativo

Richard Jakubaszko  
Documentário da TV inglesa mostra a opinião de dezenas de cientistas de renome internacional, que argumentam contra a grande mentira do século XXI. A maioria dos argumentos apresentados estão no livro "CO2 - aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", de minha autoria, e de cientistas como Luiz Carlos Molion, José Carlos Parentes de Oliveira, e de muitos outros brasileiros que não concordam.
  
O áudio do vídeo, no original, está em inglês, sem legendas. Para ativar legendas, clique no retângulo esquerdo localizado na barra inferior (no lado direito), e confirme exibir legendas.  Vão aparecer legendas em inglês. Depois, clique na roda dentada ao lado, e peça tradução de idioma, e escolha aquele de sua preferência.
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Todo o episódio estrelado por Joesley causa, a cada curva, novo espanto.

Janio de Freitas
O assunto é sério demais para que tenha a sepultá-lo dois despachos simples. O primeiro já dado, com a recusa ao pedido de investigação, por alegada insuficiência de indícios. Não é bem assim. E há casos em que sua gravidade justifica o mínimo necessário para permitir uma investigação preliminar.

A Procuradoria Geral da República entende que em dado telefonema gravado pode referir-se à compra de sentenças judiciais pela J&F, holding, ou empresa central, do grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A conversa foi entre Francisco de Assis, diretor jurídico da J&F, e uma advogada a serviço da empresa. A Procuradoria Geral pediu autorização ao Supremo para levantar sentenças judiciais envolvendo a J&F e, se houver, investigar as de lisura pouco clara. O ministro Ricardo Lewandowski negou a permissão, em nome das exigências convencionais.

A procuradora-geral Raquel Dodge volta ao Supremo, pretendendo a reconsideração de Lewandowski. A propósito, há mais do que o telefonema. Há uma referência explícita e da pessoa mais autorizada a fazê-la. Foi motivo de espantos indignados no seu aparecimento, menções a investigação, e logo recolhida ao silêncio. Em uma das suas gravações, Joesley Batista listou várias conquistas, com o Judiciário entre elas. Como nos demais listados, sem nomes. Mas a referência ao promotor que conquistara “lá dentro” confirmou-se sem muito trabalho. Motivo bastante para que as demais pistas passem por um crivo.

A reconsideração pedida por Raquel Dodge faz sentido. Se nada constatar, ótimo. Se ao contrário, idem.

Por falar nisso, todo o episódio estrelado por Joesley Batista causa, a cada curva, novo espanto. A J&F que inquieta Raquel Dodge, por exemplo, não chegou a interessar os investigadores sobre as ilicitudes de um dos seus braços, a JBS. Em princípio, nada de relevante se passaria com e na JBS sem conhecimento, para não dizer aprovação ou orientação, da J&F. Responsabilidade que fez essa holding dotar-se de um conselho numeroso, ativo e poderoso.

Empréstimos bilionários tomados pela JBS estão sob investigações de várias procedências, as centenas de milhões ou o declarado bilhão da corrupção alimentada pela JBS foram e voltam a ser investigados. É como se os procuradores e os policiais, no entanto, tivessem conhecimento prévio de quem sabe o que, de quem agiu como e quando. Não precisam – ou é outro o motivo – de informações e verificações no conselho dos superiores. Nem sequer de quem o presidia e hoje se considera presidenciável para 2018 – o ministro Henrique Meirelles.

Mesmo sendo todos alheios às ilegalidades, não se justificaria a discriminação protetora praticada pela Procuradoria Geral da República, desde Rodrigo Janot, e da Polícia Federal. A gravação de Joesley e Ricardo Saud, revelação mais recente e por engano, foi considerada só por más piadas e bobices. No fundo, porém, dá sinais do muito que falta saber sobre as aventuras de Joesley & cia.

Outra medida que resulta em privilégio protetor está na mesma petição, ao Supremo, em que Raquel Dodge diz ser “fato incontroverso” o recebimento, pelo hoje ministro Aloysio Nunes Ferreira, de meio milhão da Odebrecht. Dodge recomenda que ele e José Serra, citado com montante mais de dez vezes superior, não sejam investigados: ambos passados dos 70, beneficiam-se de prescrição encurtada. Não são puníveis, mas investigados devem ser. Para se verem inocentados ou punidos moralmente (supondo que isso importe). E ainda porque cada possível crime tem duas partes, e a pagadora Odebrecht não ganhou prescrição. O mesmo vale para Michel Temer, por maiores motivos.

* o autor é jornalista, colunista da Folha de São Paulo.
Publicado originalmente na Folha de São Paulo, 06 de novembro de 2017: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2017/11/1932917-todo-o-episodio-estrelado-por-joesley-causa-a-cada-curva-novo-espanto.shtml
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domingo, 5 de novembro de 2017

Diferença lógica entre Religião e Espiritualidade

Richard Jakubaszko
Recebi por e-mail do amigo Odo Primavesi, lá de São Carlos (SP), engenheiro agrônomo aposentado da Embrapa, o texto abaixo, e que ele descobriu na internet, escrito pelo padre e filósofo Pierre Teilhard de Chardin, um francês que viveu entre os séculos 19 e 20, que explica muito bem as diferenças entre fé com verossimilhança e fanatismo religioso, entre ignorância cultural de moda e sensibilidade espiritual factual.

Diferença lógica entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência..

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual... Somos seres espirituais passando por uma experiência humana..." (Pierre Teilhard de Chardin).

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Combate corpo a corpo na agricultura

Richard Jakubaszko   
Saiu a Agro DBO de novembro, que mostra agrotecnologias "alienígenas" e futuristas no controle de ervas daninhas, mas que já estamos testando no Brasil. É o futuro chegando, devagarinho, mas sempre agitado e revolucionário. A tecnologia do equipamento mostrado na capa da edição chega a economizar mais de 90% no uso de herbicidas em cada hectare.

No vídeo abaixo destaco outras informações sobre o conteúdo da edição, que está supimpa!



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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tacla Duran diz que Odebrecht deu extratos falsos em delação


Fernando Brito  *  
Os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous fizeram o que o Dr. Sérgio Moro se recusa a fazer.

Os deputados divulgaram ontem à noite a gravação da entrevista que fizeram com o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán. Nela, ele confirma e detalha a afirmação de que parte dos documentos entregues pela Odebrecht em seu acordo de delação premiada é falsa.

Tacla Durán diz que os impressos fogem ao padrão do banco, o Melon Bank, que seria gerido, inclusive, por funcionários e operadores da empreiteira.

É, talvez, um indício da razão da teimosia da 13a Vara Criminal em negar às defesas dos seus réus o acesso ao tal Sistema Drousys, que reteria a contabilidade do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, canal por onde escorria o dinheiro de propinas.

Seja como for, a procuradora Raquel Dodge tem autonomia para mandar que o novo grupo que ela criou para os casos da chamada “Lava Jato” tome o depoimento, de forma oficial, e Tacla Durán, porque foi em Brasília que as deleções da Odebrecht foram tratadas e lá, por Luís Edson Fachin, homologadas.

Se a Odebrecht forneceu documentos falsos, como ele sustenta, não há razão para que seus delatores sejam tratados de forma diferente da que é feita com os delatores da JBS, ou até com mais gravidade, porque a estes não é imputada falsidade documental.

Acompanhe você mesmo as respostas de Durán aos deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous.


* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado originalmente em: http://www.tijolaco.com.br/blog/tacla-duran-diz-que-odebrecht-deu-extratos-falsos-em-delacao/
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