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terça-feira, 22 de julho de 2025

Liberdade de expressão não é licença para o crime

Francisco Nascimento *
A recente condenação do humorista Léo Lins a oito anos de prisão em regime fechado por falas que configuram racismo e discriminação acendeu novamente o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil. A pena imposta está em consonância com a legislação brasileira e os compromissos internacionais de direitos humanos assumidos pelo país.

Não se trata de censura, tampouco de uma tentativa de silenciar o humor ou a crítica. Trata-se de responsabilização penal por condutas que ultrapassam qualquer noção legítima de liberdade de expressão. O discurso de ódio, disfarçado de piada, não tem guarida na Constituição da República de 1988. Pelo contrário, o ordenamento jurídico brasileiro expressamente veda manifestações que incitem o racismo, a discriminação e o preconceito, inclusive sob forma artística ou humorística.

Vale lembrar que, no Brasil, promover, apoiar ou relativizar ideologias como o nazismo ou a escravidão é crime. A razão é histórica e humanitária. Foram ideologias e sistemas que geraram sofrimento inenarrável a milhões de pessoas negros, judeus, indígenas, pessoas com deficiência, LGBTQIA+ e outras minorias. O Estado brasileiro, por meio da Constituição, do Código Penal e de tratados internacionais de direitos humanos dos quais é signatário, adotou postura de tolerância zero com esse tipo de discurso.

É nesse contexto que se insere a decisão judicial que condenou Léo Lins. Suas falas não apenas ofendem a dignidade humana, como representam uma afronta à memória histórica e à ordem jurídica democrática. Em seus discursos, o humorista tenta replicar um modelo importado dos Estados Unidos onde podcasts e conteúdos humorísticos gozam de maior permissividade legal. Contudo, o Brasil não é os Estados Unidos. Aqui, os direitos fundamentais, como a dignidade da pessoa humana e a igualdade, têm peso constitucional e formam cláusulas pétreas.

Não se pode comparar o que ocorre em um podcast com uma encenação ficcional. A atriz que interpreta uma vilã em uma novela não está promovendo ideologias de ódio; está representando um papel. Léo Lins, por sua vez, usa sua voz e plataforma para propagar ideias discriminatórias, na realidade, e sob o pretexto de liberdade de expressão. Mas, como já firmou o Supremo Tribunal Federal, a liberdade de expressão não é um direito absoluto. Ela encontra limites quando colide com outros direitos fundamentais, como o respeito à dignidade humana e a vedação ao racismo e ao preconceito.

A decisão da Justiça reafirma o compromisso do Estado brasileiro com os valores democráticos e com a proteção das minorias historicamente marginalizadas. Não há espaço, em um Estado de Direito, para a banalização da dor alheia ou para a naturalização do preconceito.

A Constituição Federal de 1988 é clara ao dizer que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. E ao criminalizar esse tipo de conduta, o Brasil envia uma mensagem inequívoca: discursos de ódio não serão tolerados. O humor que fere, que humilha, que inferioriza, que mata simbolicamente, não é humor é violência. E, como tal, deve ser combatido com o rigor da lei.

O caso de Léo Lins serve como um marco para reafirmar o pacto civilizatório sobre o qual se assenta a nossa sociedade. A liberdade de expressão é um dos pilares da democracia, mas não é, nem nunca será, um salvo-conduto para preconceito ou incitação ao ódio. E a Justiça brasileira deixou isso muito claro.

 

* o autor é professor de Direito Constitucional e especialista em Processo Penal da Estácio

 

 

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domingo, 26 de julho de 2020

Deus concede entrevista na internet

Richard Jakubaszko 
Criativa entrevista que hipotética e supostamente foi concedida a um ser humano na internet. Capturei essa preciosidade na blogosfera e reproduzo aos visitantes deste blog, por se tratar de uma situação imperdível, confira:
 
 






terça-feira, 4 de junho de 2019

Os 7 pecados capitais contemporâneos

Richard Jakubaszko  
A modernidade impõe atualização, e constante evolução, até mesmo nas questões teológicas, corrigindo dogmas se necessário.
Desta forma, o jornalista Delfino Araújo, espécime humano sempre atento às novidades, despachou um zap com o meme abaixo, portanto, saiba que:
 


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quarta-feira, 13 de março de 2019

Pizzaria Google

Richard Jakubaszko

Interessante diálogo entre um cliente e um atendente da pizzaria, fato que pode acontecer com você a qualquer momento...

- Pizzaria Google, boa noite!

- De onde falam?

- Pizzaria Google, senhor. Qual é o seu pedido?

- Mas este telefone não era da pizzaria do Ernesto?

- Sim senhor, mas a Google comprou a pizzaria e agora sua pizza é a mais completa.


- OK. Você pode anotar o meu pedido, por favor?

- Pois não. O senhor vai querer a de sempre?

- A de sempre? Você me conhece?

- Temos um identificador de chamadas em nosso banco de dados, senhor. Pelo que temos registrado aqui, nas últimas 53 vezes que ligou, o senhor pediu meia quatro queijos e meia calabresa.

- Puxa, eu nem tinha notado! Vou querer esta mesmo...


- Senhor, posso dar uma sugestão?

- Claro que sim. Tem alguma pizza nova no cardápio?

- Não senhor. Nosso cardápio é bem completo, mas eu gostaria de sugerir-lhe meia ricota, meia rúcula.

- Ricota? Rúcula? Você ficou louco? Eu odeio estas coisas...


- Mas, senhor, faz bem para a sua saúde. Além disso, seu colesterol não anda bom...

- Como você sabe?

- Nossa pizzaria tem o banco de dados mais completo do planeta. Nós temos o banco de dados do laboratório em que o senhor faz exames também. Cruzamos seu número de telefone com seu nome e temos o resultado dos seus exames de colesterol. Achamos que uma pizza de rúcula e ricota seria melhor para sua saúde.

 
- Eu não quero pizza de queijo sem gosto e nem pizza de salada. Por isso tomo meu remédio para colesterol e como o que eu quiser...

- Senhor, me desculpe, mas acho que o senhor não tem tomado seu remédio ultimamente.

- Como sabe? Vocês estão me vigiando o tempo todo?

- Temos o banco de dados das farmácias da cidade. A última vez que o senhor comprou seu remédio para colesterol faz 3 meses. A caixa tem 30 comprimidos, portanto...

- Porra! É verdade. Como vocês sabem disto?

- Pelo seu cartão de crédito...


- Como?!?!?

- O senhor tem o hábito de comprar remédios em uma farmácia que lhe dá desconto se pagar com cartão de crédito da loja. E ainda parcela em 3 vezes sem acréscimo... Nós temos o banco de dados de gastos com cartão na farmácia. Há 2 meses o senhor não compra nada lá, mas continua usando seu cartão de crédito em outras lojas, o que significa que não o perdeu, apenas deixou de comprar remédios...

- E eu não posso ter pago em dinheiro? Agora te peguei...

- O senhor não deve ter pago em dinheiro, pois faz saques semanais de R$ 250,00 para pagar sua empregada doméstica. Não sobra dinheiro para comprar remédios. O restante o senhor paga com cartão de débito.


- Como você sabe que eu tenho empregada e quanto ela ganha?

- O senhor paga o INSS dela mensalmente com um DARF. Pelo valor do recolhimento dá para concluir que ela ganha R$ 1.000,00 por mês. Nós temos o banco de dados dos bancos também. E pelo seu CPF...


- ORA, VÁ SE FUDER !

- Sim senhor, me desculpe, mas está tudo em minha tela. Tenho o dever de ajudá-lo. Acho, inclusive, que o senhor deveria remarcar a consulta que o senhor faltou com seu médico, levar os exames que fez no mês passado e pedir uma nova receita do remédio...

- Por que você não vai pro inferno???

- Desculpe-me novamente, senhor.


- ESTOU FARTO DESTAS DESCULPAS. ESTOU FARTO DA INTERNET, DE COMPUTADORES, DO SÉCULO XXI, DA FALTA DE PRIVACIDADE, DOS BANCOS DE DADOS E DESTE PAÍS...

- Mas senhor...


- CALE-SE! VOU ME MUDAR DESTE PAÍS PARA BEM LONGE. VOU PARA AS ILHAS FIJI OU ALGUM LUGAR QUE NÃO TENHA INTERNET, TELEFONE, COMPUTADORES E GENTE ME VIGIANDO O TEMPO TODO...

- Sim, senhor... entendo perfeitamente.


- É ISTO MESMO! VOU ARRUMAR MINHAS MALAS AGORA E AMANHÃ MESMO VOU SUMIR DESTA CIDADE.

- Entendo...


- VOU USAR MEU CARTÃO DE CRÉDITO PELA ÚLTIMA VEZ E COMPRAR UMA PASSAGEM SÓ DE IDA PARA ALGUM LUGAR BEM LONGE DE VOCÊ !!!

- Perfeitamente...


- E QUERO QUE VOCÊ ME ESQUEÇA!

- Farei isto senhor... (silêncio de 1 minuto) o senhor está aí ainda?


- SIM, POR QUE? ESTOU PLANEJANDO MINHA VIAGEM... E PODE CANCELAR MINHA PIZZA.

- Perfeitamente. Está cancelada. ...(mais um minuto de silêncio) só mais uma coisa, senhor...


- O QUE É AGORA?

- Devo lhe informar uma coisa importante...


- FALA DE UMA VEZ....

- O seu passaporte está vencido!

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Temer, o sem noção

Richard Jakubaszko 
O presidente tem uma conta do Twitter, posta suas coisas por lá, mas não tem a mínima noção dos processos de comunicação. Para se comunicar, é pior do que a Dilma. Quarta-feira, 25, dia da votação na Câmara, ele sentiu um "desconforto urinário", e teve de ir ao hospital. À noite, já em casa, postou no Twitter, e deu nisso aí embaixo, levou porrada na orelha de tudo quanto é jeito..
Definitivamente, é um sem noção...
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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Prêmio “Vergonha alheia 2016”


Richard Jakubaszko
A blogosfera não perdoa as imbecilidades e idiossincrasias de coxinhas e engajados em causas ideológicas ou camufladas pela falta de cultura política dos brasileiros que só entendem de futebol.

Sinto imensa vergonha por quem pensa assim, daí surgiu o “Prêmio Vergonha alheia 2016”, obra prima da criatividade tupiniquim. Tem de humilhar quem é burro, ignorante político ou puxa saco. Dou todo meu apoio ao galardão da vergonha. Nem precisa votar, são todas opiniões campeoníssimas!




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segunda-feira, 13 de julho de 2015

A revolução do comércio eletrônico

Marcos Sawaya Jank *


Apesar de os brasileiros estarem entre os cinco maiores usuários de internet do mundo, o comércio eletrônico ainda é relativamente pequeno no país. As pessoas utilizam cada vez mais a internet, mas ainda compram pouco.



O mundo digital é a nova fronteira do comércio no mundo. Todos os canais de comercialização de produtos e serviços estão sendo impactados por essa revolução, cujo epicentro de expansão é a China.



Basta dizer que o valor de vendas on-line da China (US$ 620 bilhões) já supera a soma dos valores dos Estados Unidos (US$ 380 bilhões) e da Europa (US$ 228 bilhões). Quatro das dez maiores empresas de internet do mundo são chinesas: Alibaba, Tencent, Baidu e JD.com, que estão em uma disputa cerrada com as gigantes americanas (Google, Facebook, Amazon e Ebay).



Se mantiverem o crescimento dos últimos cinco anos, as empresas chinesas em breve vão se tornar as maiores do mundo, seja pelo potencial em termos de pessoas atingidas, seja pela oportunidade dos novos segmentos que estão surgindo.



O fenômeno chinês aconteceu graças ao fabuloso mercado: hoje são 525 milhões de usuários de internet via celular, principal veículo da compra on-line. Ele também decorre das especificidades culturais e linguísticas do País, além da reserva de mercado criada pela política pública, que privilegiou as empresas nacionais.



Mas o principal fator foram as ferramentas inteligentes e de fácil acesso que as empresas chinesas desenvolveram no comércio digital. A China digital é extremamente avançada e os consumidores têm sede de inovações e de novas experiências.



O setor da alimentação é um ótimo exemplo. Na China, mais de 50% dos compradores eletrônicos adquiriram alimentos on-line nos últimos três meses, contra menos de 10% nos EUA. A preferência dos chineses pela compra on-line de alimentos se explica pelas dificuldades de locomoção nas grandes cidades e pela desconfiança em relação à qualidade dos produtos oferecidos nos veículos tradicionais.



Os consumidores usam suas redes sociais para buscar ofertas on-line, comprar, ranquear produtos e serviços e, acima de tudo, dividir as suas ações e percepções com os amigos.



Comprar on-line virou uma forma de fazer novos amigos e ganhar status. Trata-se de uma compra hiper-socializada, muito mais abrangente que a tradicional visita ao shopping no final de semana. Gostemos ou não, é assim que o mundo está evoluindo, pelo menos na região que concentra a maior parte da população.



A grande disputa dos próximos anos não vai se dar entre as grandes do mundo físico, mas sim pelo domínio do mundo digital. E essa transformação vai atingir em cheio a área de propaganda e marketing. A China hoje compra cada vez mais pela internet e redes sociais, e não mais através de visitas a lojas, anúncios de televisão, mídia impressa ou telefone. A recomendação dos amigos já é o principal fator de decisão na compra on-line, que é amplamente difundida nas redes sociais. Em vez da artista da novela, quem vai aconselhar sobre o que e onde comprar são os nossos amigos, sejam eles reais ou virtuais.



* o autor é especialista em questões globais do agronegócio.
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