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sábado, 13 de fevereiro de 2021

Carnaval: vale a carne?

Evaristo de Miranda *



Todo ano tem carnaval. Nunca no mesmo dia. Porque ele não é festejado na mesma data, como o Natal ou a independência do Brasil? Ele sempre acontece 40 dias antes da Páscoa. A verdadeira festa móvel é a Páscoa. É ela quem arrasta o carnaval na passarela do tempo. Qual regra define a data da Páscoa? Quem a criou? A datação da Páscoa vem de longe.

A Páscoa judaica relembra a saída da escravidão no Egito, a verdadeira terra de leite e mel para onde sempre recorreram os nômades famintos das vizinhas terras desérticas. A Páscoa judaica está associada ao equinócio de primavera no hemisfério norte, o dia 20 de março. Para o judaísmo, o próprio planeta foi criado por Deus no equinócio de primavera. Para muitos povos, o ano começava em março. O calendário romano começava no equinócio de primavera, marca da emergência da vida após meses de outono e inverno.

A Páscoa cristã corresponde à data da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. O tempo litúrgico da Páscoa começa quarenta dias antes, na Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma. *Em 1091, a data da Páscoa foi assim estabelecida pela Igreja Católica: ela é festejada no primeiro domingo, depois da primeira lua cheia, após o equinócio.**

Consequência direta, o início do Carnaval também se estabeleceu: o final de semana antes da Quarta-feira de Cinzas. E ele termina na Terça-feira de Mardi-gras, a Terça-feira gorda, evocando carne e gordura. A data não foi escolhida para afugentar nenhuma festividade pagã, como vaticinam alguns.

Com origem na Antiguidade pré-cristã, o carnaval foi incorporado, delimitado e datado pelo calendário católico. Na Europa, o carnaval era um período de festas profanas, invernais, regidas pelo ano lunar. Elas eram caracterizadas pela liberdade de expressão, fantasias e máscaras, pela subversão temporária de papéis sociais e até naturais.

Em pleno rigor invernal, a festividade do Carnaval era um sobressalto de vida e de grandes refeições. Tempo de destacar a sobrevivência face ao frio, aos riscos da morte por enfermidades etc. As pessoas expressavam a certeza, pela duração cada vez mais longa dos dias, da chegada de tempos melhores (primavera). Sobreviveriam ao inverno. Quanto ao inferno...

Para alguns, a expressão latina "carne vale"! (Adeus, carne!), anuncia a entrada na abstinência quaresmal. Outra etimologia lê "carne levare": afastar a carne, do latim "levare", “tirar, sustar, afastar”. Um último consumo de carne antes da Quaresma. 

** "Se a COVID não autoriza bloco, desfile e aglomerações, nada impede churrascos entre amigos e familiares, com as devidas precauções, para honra e glória de bovinos e pecuaristas!"

* o autor é engenheiro agrônomo, Chefe Geral da Embrapa Territorial

 

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Ilhados no manicômio


Ruy Castro
na Folha de SP
Já viajei muito por aí e, em todos os países em que estive, senti que, ao ouvir a palavra “brasileiro”, as pessoas reagiam com encantamento, prazer e até inveja. Era, talvez, um eco de Carmen Miranda, Copacabana, Pelé, o Carnaval, “Garota de Ipanema”, símbolos históricos de um país musical, colorido e ensolarado. Claro que, mais a par da realidade, eu estranhava tanta aprovação. Ela ignorava nossas mazelas, como a ditadura, a tortura, a violência, a corrupção, a miséria. Mas era como se, mesmo que soubessem, não fosse da conta deles.

Agora, pela primeira vez, o que se passa aqui dentro ficou da conta do mundo. O Brasil está sendo visto como uma bomba prestes a explodir e despejar o coronavírus por toda parte. Nossos vizinhos na América do Sul estão alarmados — cada metro de fronteira, em qualquer dos sentidos, pode levar à morte de seus nacionais. Claro que isso não deve preocupar o governo brasileiro. Mas talvez preocupe o dos países para os quais nos sentamos nas patas traseiras e arfamos, e eles tomem certas providências.

Brevemente seremos proibidos de entrar nos países da União Europeia. Eles não querem se arriscar a admitir oriundos de uma população em que cada indivíduo pode contaminar outros dois com a Covid-19. Para isso, baseiam-se não só nos nossos números, que não demoram a ultrapassar mil mortos por dia e disparar, como na indiferença com que isso é tratado pelos supostos responsáveis.

Aos olhos internacionais, o Brasil tornou-se uma piada sinistra — um país em que fazer as unhas é uma atividade essencial, o ministro da Saúde é um cadáver ambulante e o presidente é um tresloucado que usa máscara cenográfica, humilha seus médicos e enfermeiros e estimula os humildes a sair às ruas para morrer.

​E, assim como não poderemos sair desse manicômio, ninguém de fora será louco de vir aqui ou pôr dinheiro nele.

* o autor é escritor.
Publicado hoje na Folha de SP


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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Óh, pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais

Richard Jakubaszko 
O título é um refrão do samba-enredo da Beija Flor para o Carnaval de 2018.

Reflete o estado de ânimo dos brasileiros com senso de realidade, pelo dia de hoje, 24 de janeiro de 2018. Pelas decisões que togados tomaram, para mudar o curso da história, mais uma vez.

Mas o refrão da Beija Flor vai fazer a sua história.
Há outros versos, fortes, como

Sou eu...
espelho da lendária criatura
Um monstro...
carente de amor e ternura
o alvo na mira do desprezo e da segregação
do pai que renegou a criação
refém da intolerância dessa gente


e ainda...

Ganância veste terno e gravata
Onde a esperança sucumbiu
Vejo a liberdade aprisionada
Teu livro eu não sei ler, Brasil!
Meu canto é resistência
no ecoar de um tambor
vem ver brilhar
mais um menino que você abandonou

Óh, pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais


Quem deseja entender melhor a mensagem do povo, explicitada no samba-enredo da Beija Flor, leia o texto “Sexo, poder e dinheiro”, publicado neste blog, aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2018/01/sexo-poder-e-dinheiro.html

Para bom entendedor, meia palavra basta.

Abaixo, na voz da garota Giovana Galdino, um show de voz e interpretação, desse mesmo samba-enredo.
 

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segunda-feira, 6 de março de 2017

Solta o cano que não cai...

Richard Jakubaszko 
Hilária e realista a marchinha carnavalesca do vídeo abaixo, homenagem aos tucanos paulistas.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Politicamente correto: progressista ou conservadorismo?

Richard Jakubaszko
Estranho mundo contemporâneo este que vivemos nesta quadra geracional, onde as imbecilidades brotam de todos os lados, como se fossem nuvens de gafanhotos, especialmente na blogosfera. Considerando que o tal do “politicamente correto” é uma ação neutra, ou seja, um comportamento ou comunicação proveniente de uma pessoa ou empresa, que não deseja criar conflitos com ninguém, ou, melhor ainda, pretende evitar polêmicas, e ficar “de bem” com todo mundo, a prática alastrou-se mundo afora, mas nem por isso deixa de provocar arrepios em gente como eu, que tenho o olhar do estrupício integrado no meu modo de “piloto automático” de levar a vida, seja no tempo pessoal ou profissional.

Vivemos hoje em dia no Brasil, liderados pela grande imprensa, em especial a TV e a internet, uma gigantesca hipocrisia do politicamente correto, seja em termos econômicos, sociais ou jurídicos, e que afetam o político. A consequência de tudo isso é que é tudo mentira, ou seja, tudo que você lê ou assiste, ou é ficção, como num filme ou novela, ou é hipocrisia, amparada no “politicamente correto”, comportamento que acaba gerando fatos e notícias dentro do que alguém pensou que seria legal fazer para chamar a atenção das massas. Porque é óbvio que esse politicamente correto tem a onipresente pretensão de ser algo definitivamente inteligente, que será eternizada entre nós mortais integrantes das massas como a verdade mais inteligente e absoluta, algo como uma tábua dos 10 Mandamentos, mesmo que a tal ideia ideia seja um chiste juvenil com alto valor de mediocridade.

Pois não é outra a ideia imbecil de censurar algumas marchinhas de Carnaval como “Maria Sapatão”, “Teu cabelo não nega, mulata”, “Índio quer apito”, “Cabeleira do Zezé”, e outras menos votadas, simplesmente porque seriam “polêmicas”, ou porque incomodam algumas minorias. E essa mediocridade vai parar nas páginas online dos jornalões, como se fossem verdades definitivas, endeusadas por algum(a) jornalista que aplaude a criatividade do medíocre que se julga criativo e que anda a fermentar ideias politicamente corretas para aparecer na mídia.

As justificativas que li, para explicar a censura contra as marchinhas de Carnaval, são hilárias e medíocres, pois não há outro nome para qualificar essa aberração moralizante do politicamente correto. Essa, parece num primeiro momento, que é progressista, porque se preocupa em não invadir o espaço do próximo, pretensamente não quer ser incômoda e nem ofender a qualquer outro. Mas, como já é prática generalizada, acaba por ser conservadora, porque é conveniente aos medíocres e inseguros poderosos de plantão, seja em que área for.

Politicamente correto, como me informou o amigo engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, 102 anos, um capitalista de mão cheia, que tinha tudo para ser conservador, mas é um progressista no sentido lato da palavra, é “pegar um pedaço de merda pela parte mais limpinha da coisa”.

Veja lá ( https://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2011/04/definicao-de-politicamente-correto.html ), publiquei isso aqui no blog em 2011, a título de atualização intelectual, digamos assim, mas nesse curto espaço de tempo transcorrido as coisas pioraram... O pior de tudo é que não posso, ou não devo nem dizer que “isso é veadagem”, pois arrisco-me a ser xingado de homofóbico, logo eu que sou apenas hétero, porque Deus me fez assim, e aceitei com gosto, sem discussão, de cumprir meu papel dentro desse figurino. Mas, costumo retrucar, quando xingado, que quem me xinga é heterofóbico, então o bicho vai pegar, não tenha dúvida, leitor, é veadagem mesmo... Pois o politicamente correto, é eticamente incorreto.

E tenho dito!

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Agro no carnaval: gera riqueza, alegria e emprego

Dirceu Gassen *

  A agricultura, a riqueza, o carnaval e a alegria. A agricultura brasileira experimentou evolução extraordinária nos últimos 40 anos, com base na tecnologia e na eficiência do agricultor. A produção mundial de alimentos contrariou as teorias de Thomas Malthus, que em 1789, previa o colapso da população humana por falta de alimentos.

A importância da agricultura foi destacada na hierarquia das necessidades do ser humano, por Abraham Maslow, que posicionou a alimentação e o conforto pessoal como a base da pirâmide que sustenta a autorrealização das pessoas.

Em 2017 ouvimos com tristeza, a proposta de uma escola de samba, no carnaval do Rio de Janeiro, anunciando tema relacionado com a “demonização do agricultor” que “explora indígenas” e “usa agrotóxicos”.

Estudiosos da economia demonstram que devemos ter respeito aos elementos capazes de gerar alimentos, emprego e riqueza. A agricultura no Brasil é a principal propulsora da economia, da geração de renda, de empregos e de paz (alimentos).

O carnaval tem origem na alimentação farta, na bebida, na diversão, na alegria e nos prazeres que precedem a fase de jejum. Para os que apreciam a cerveja no carnaval, lembrem que a bebida tem origem na cevada, produzida por um agricultor, que cultivou a semente, manejou a planta, protegeu contra pragas e doenças e garantiu a sanidade e a qualidade do produto final.

Um hectare de cevada, conduzido pelo agricultor, produz três toneladas de grãos. Na indústria, esses grãos produzem 2.100 kg de malte, que geram 18.600 litros de cerveja.

O que equivale a mais de 50 mil latas de 350 ml de cerveja.

O agricultor receberá R$ 1.800,00 pelos grãos de cevada produzidos por hectare. Ele teve desembolso aproximado de 1.500 reais para produzir, sem considerar os riscos de clima, mercado, preços. Gerou R$ 300,00 de lucro.

O consumidor pagará R$ 5,00 por lata de 350 ml de cerveja, o que equivale a R$ 250.000,00, gerado com base em R$ 1.800,00 de grãos de cevada. O agricultor, que produz a cevada, participará com 0,72% do valor dessa cerveja consumida no carnaval com base no preço de R$ 5,00 por lata de 350 ml.

Não há “almoço de graça” e todos os segmentos da economia necessitam gerar renda, ocupação digna de mão de obra e de autoestima. Devemos, no mínimo, exigir respeito de segmentos da sociedade que consomem alimentos todos os dias, que se beneficiam da geração de riqueza impulsionada pelo agricultor.

* o autor é engenheiro agrônomo e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Não enche o saco do Chico, nova marcha de Carnaval.

Richard Jakubaszko 
A mais recente marcha de Carnaval, "Não enche o saco do Chico", deve bombar nas próximas festas momescas, capaz até de estender-se no ano eleitoral.
É o Brasil, tirando de letra o mau humor, jogando no lixo o ódio e a desinformação.

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