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domingo, 19 de julho de 2020

Desculpas, de quem e para quem?


Francisco Celso Calmon
Se Gilmar Mendes precisa pedir desculpas será a Dilma e ao Lula, pois com sua liminar açodada, apoiada em vazamentos ilegais do lavajatismo para a mídia, impediu Lula de assumir a chefia da casa Civil e mudou a história.

Essa responsabilidade carregará para sempre e a história também o julgará quando a democracia for recomposta e uma nova Comissão da Verdade for criada.

Se militares ficaram raivosos com as colocações do Gilmar Mendes, deve ser por ter dito a verdade. Só isso justifica as respostas agressivas e o peso na consciência que nublou não terem compreendido que o ministro do STF estava alertando por zelo à instituição militar, evitando sua associação com o genocídio que está em curso. A reação corporativa dos fardados evidenciou o quanto estão envolvidos com a política.

Os que detêm o uso oficial das armas não devem e não podem fazer política!

Quem deve desculpas à nação brasileira e a todos os atingidos pela ditadura militar, que vigeu de 1964 a 1985, são as Forças Armadas. Enquanto não pedirem perdão pelos crimes que cometeram, não têm moral de exigir desculpas de ninguém.

Desde o primeiro dia do golpe, primeiro de abril de 1964, pessoas foram presas, torturadas e mortas: 50 mil só de abril a agosto, 500 mil sob suspeição, 200 mil investigadas, 11 mil acusadas e 5 mil condenadas, inclusive à pena de morte, mais de 11 mil torturadas, 10 mil exiladas, 9540, incluindo camponeses e indígenas, mortas pela repressão; 243 ainda desaparecidas, 7500 militares perseguidos, expulsos de suas corporações e alguns torturados pelos seus próprios colegas, segundo pesquisadores; já a CNV aponta as perseguições por instituição militar: 3340 da Aeronáutica; 2214 da Marinha; 800 do Exército; 237 das polícias.

Violaram correspondências de toda ordem, sigilos bancários e grampos telefônicos, pregaram o ódio e a delação até entre familiares.

A nação foi estuprada, vilipendiada e colocada no pau de arara.

Os militares nacionalistas e democratas foram expurgados das Forças, por isso, muitos ficam incrédulos perguntando onde eles estão que não reagem ao bolsonarismo entreguista do patrimônio e da soberania nacional. Não existem mais! Foi um trabalho que a linha dura fez durante os 21 anos da cruel ditadura.

O Relatório da CNV revela verdades que chocam: 95 crianças/adolescentes presas, além dessas, 19 crianças foram sequestradas e adotadas ilegalmente por militares; fetos abortados, bebês e crianças usadas como torturas aos pais, adolescentes torturadas com cumplicidade de magistrados, sevicias sexuais perversas. Cabeças cortadas e penduradas, à semelhança dos cangaceiros, de guerrilheiros no Araguaia, corpos serrados, napalm jogado em área de camponeses e indígenas.

Onde enterraram os nossos mortos!?

As FAs estiveram 21 anos no comando da nação e com poderes ilimitados, pois era uma ditadura, e entregaram o país com inflação altíssima, 178%, desemprego elevado, o poder de compra do salário mínimo caíra 50%, a dívida externa nos valores atuais de 1,5 trilhão, e muito mal vista no exterior, por conta das graves violações aos direitos humanos – um rastro de barbárie e incompetência. A ditadura foi corrupta e promíscua com a contravenção e com o “esquadrão da morte”.

A título de combater a corrupção, o golpe produziu uma ditadura de falcatruas, as quais trouxeram prejuízos insonháveis e ainda incalculáveis ao Estado brasileiro.

Foi esse o quadro econômico final da ditadura, sem apoio popular interno, nem mesmo das forças políticas de direita, só contava com o desespero da extrema direita, militar e civil, e entre os seus adeptos lá estavam, à época, os tenentes Bolsonaro e Hamilton Mourão e o capitão Augusto Heleno, ajudante de ordens do linha dura Silvio Frota ministro do Exército.

Ao não extirpar por completo as raízes daquela ditadura, voltamos a um Estado de exceção com o golpe de 2016. A partir de 2019 o Brasil está sendo governado por militares e punitivistas: ex-capitão, ex-juiz até há alguns meses, ex-policiais, militares aposentados e muitos corruptos, de 22 ministros, 9 estão envolvidos com a justiça, segundo noticiado pela mídia.

Sem a justiça de transição não haverá a reconciliação da história e a impunidade continuará como marca desta “democracia”.

O atual governo bolsonarista, com aproximadamente três mil militares, é um governo militarizado e só assim se explica que o Ministério da Saúde, diante de uma pandemia jamais vista, está repleto de militares sem um titular e sem experiência de saúde pública.

É um ministério precário como a vida do povo é considerada precária e de pouco valor pelo Bolsonaro – Eu não sou coveiro, tá?… E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?

Renuncie já, poupe a nação antes de ser impichado!

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, membro do grupo Resistência Carbonária, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; ex-coordenador nacional da RBMVJ; autor dos livros Sequestro Moral e o PT tenham com isso? e Combates pela Democracia (2012), autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

Publicado em https://jornalggn.com.br/artigos/desculpas-de-quem-e-para-quem-por-francisco-celso-calmon/







segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Lava jato: "O grampo seletivo”

Fernando Brito *

O que os diálogos obtidos pelo The Intercept e divulgados na edição de domingo último da Folha de S.Paulo comprovam, pode ser descrito, de forma resumida, da seguinte maneira: era a contragosto que Lula iria assumir a Casa Civil do governo Dilma Rousseff, não para obter o foro privilegiado – o contrário do que se induziu a opinião publica a crer e que fundamentou a decisão de Gilmar Mendes de impedir sua posse. E que, além disso, a “distração” de Sérgio Moro, ao levantar o sigilo do processo e tornar pública a gravação da ex-presidenta – pela qual “desculpou-se” com o STF – foi meticulosamente preparada por ele e pelos procuradores para obter efeitos políticos, com o aval de Rodrigo Janot, através de seu chefe de Gabinete, Eduardo Pelella.

Embora fosse do conhecimento da PF, do MP e de Moro que, em diversas conversas, Lula relutava “em aceitar o convite de Dilma para ser ministro e só o aceitou após sofrer pressões de aliados”, apenas o diálogo em que Dilma dizia que estava mandando o termo de posse assinado – o ex-presidente tinha de ir a São Paulo, ver a mulher, Marisa, adoentada à época, e combinara tomar posse apenas alguns dias depois – foi anexado ao processo e, quase que imediatamente, anexado ao processo que seria, a seguir, liberado para a imprensa.

Ou seja, o país tomou conhecimento de um “grampo selecionado”, com o qual se convenceu a muitos – e até um ministro do Supremo – que havia uma trama para dar proteção jurídica a Lula, o que todas as autoridades envolvidas no “grampo” sabiam que não existia. A trama, portanto, mais que ilegal e antiética, era uma armadilha para atirar a opinião pública contra Lula e “justificar” a absurda “condução coercitiva” realizada poucos dias antes, arrastando o ex-presidente, de camburão e tudo, para depor no Aeroporto de Congonhas, antes mesmo de ele ter sido, sequer, intimado a prestar declarações sobre as acusações que sofria.

O que as gravações revelam, se é que ainda havia alguma dúvida nisso, é que o processo contra Lula foi conduzido descaradamente como uma conspiração entre Polícia Federal, Ministério Público e o então juiz Sérgio Moro.

Os procuradores comentam abertamente que a manipulação poderia trazer problemas para o juiz, mas que “filigranas jurídicas” não iam importar perto do “contexto político” e chegaram a falar sobre maneiras de reagir, caso se fizessem objeções aos atos de Moro, desde uma “renúncia coletiva” até um pedido de prisão do ex-presidente, como formas de criar comoção popular.

Era uma quadrilha em ação. E ainda é.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/o-grampo-seletivo/

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sábado, 14 de abril de 2018

Se Gilmar Mendes diz a verdade, STF, STJ, MP e a justiça brasileira apodreceram.

Richard Jakubaszko 
Reproduzo trecho da fala do ministro Gilmar Mendes dia 11 de abril último no plenário do STF quando analisou o pedido de Habeas Corpus do ex-ministro Antonio Palocci. São denúncias gravíssimas, que não podem ser ignoradas pela sociedade. Não se pode aceitar a politização desavergonhada do STF, STJ, MP e demais setores da Justiça brasileira.

A biografia de alguns ministros, do STF e do STJ, definitivamente, está suja e degradada. Não tenho qualquer tipo de simpatia pelo ministro Gilmar Mendes, pois ele já atuou de forma política e singular em votações anteriores, já exerceu também manobras com claro interesse pessoal, mas as denúncias que Gilmar Mendes faz no vídeo abaixo mostram que o Brasil perdeu o rumo. Há claros sinais de histeria no comportamento e nos votos de alguns ministros, o que coloca o país diante de grave insegurança jurídica, e pior, na insegurança política, comprometendo a continuidade da democracia. Há emocionalismo e partidarismo em quase tudo o que falam ou negam e votam os ministros do STF, comprovando um inacreditável estado de hipocrisia generalizada.


Pior do que tudo, acredite, Gilmar Mendes sequer arranhou os reais interesses que movem toda essa neurose midiática contra a chamada corrupção que assola o país desde o Mensalão, passando pelo longo e exótico processo da Lava Jato, do mal explicado Impeachment, das prisões preventivas ilegais e até mesmo o modismo inconstitucional que o STF tem praticado, de legislar e alterar a Constituição Brasileira, inclusive cláusulas pétreas. Se o STF não respeita a Constituição, como querem que os brasileiros a respeitem?

Há corrupção na Justiça, conforme denuncia Gilmar Mendes? Julgue você mesmo. Voltamos aos tempos da Inquisição, não tenhamos dúvidas.



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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Gilmar, o melhor laxante, agora em tabletes

Richard Jakubaszko  
Depois de soltar Roger Abdelmassih, Daniel Dantas (2 vezes), o seu compadre (Barata) das empresas de ônibus no Rio de Janeiro, também por duas vezes, e agora Antony Garotinho, e muitos outros, Gilmar caiu em desgraça entre os juízes de primeira instância; dos ministros do STF, Gilmar Mendes é o mais zoado, o que recebe mais críticas, o menos respeitado entre as pessoas comuns e nas redes sociais, e agora ainda é meme: quem poderia imaginar isso com um ministro do STF, né não? É uma descompostura por semana... 

O ministro é prato cheio para análises de psiquiatras e de escritores de romances, gente que lida com o intelecto e o ego, pois vive um mundo de faz de conta, mas tem de se espelhar nas ciências das relações humanas para que tenha verossimilhança. Gilmar Mendes comete suas trapalhadas (jurídicas e políticas), entra em debate azedo com outros ministros no plenário, desqualifica as pessoas, é zoado ou xingado por alguns (antes por Joaquim Barbosa, agora pelo Barroso), eis que achava que merecia elogios e aplausos, mas é criticado, zoado, aí sente-se injuriado e tasca processo em cima de jornalistas.
Será que isso não é (muito) anormal?
 



domingo, 24 de dezembro de 2017

Gilmar é criticado em áudio por juiz do Rio de Janeiro: a mala foi grande.

Richard Jakubaszko
O judiciário entrou em guerra. Juízes criticam decisões de outros juízes, o que demonstra e comprova a guerra, mais que isso, a ditadura do judiciário, ou a judicialização do país. Nem juízes do STF escapam desse tiroteio, onde as acusações incluem grana alta para tomar determinadas decisões. Será que é isso mesmo?

Em uma mensagem de áudio mais do que esclarecedora, o juiz eleitoral Glaucenir Oliveira, do RJ, que havia decidido sobre a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, resolveu criticar o ministro Gilmar Mendes, que determinou a libertação de Garotinho nesta semana. Na mensagem, o magistrado carioca comenta que Gilmar Mendes deve ter recebido alguma mala em troca da decisão favorável: "a quantia foi grande"; e completou: "Isso é um absurdo. Gilmar não tem mesmo vergonha na cara".

Ouçam o áudio da mensagem do juiz, ele que agora será investigado (vai ser preso? Vai perder a toga?) pela Corregedoria:

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