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sábado, 6 de novembro de 2021

Os bilionários do clima vão salvar o planeta e a humanidade

Luís Amorim *

Majken Jorgensen, diretora da maior empresa de aluguel de limusines da Europa, informa que só possui 12 viaturas, mas que para este evento terá 200. "Não tínhamos carros suficientes na Dinamarca, tivemos de mandar vir viaturas da Alemanha e da Suécia, e estas tiveram que percorrer centenas de quilômetros de estrada". Ao todo, o número desses carros para aluguel disponibilizados durante a semana da Conferência de Copenhagen, deve ser de cerca de 1.200.

Em Copenhagen foi assim. Em Glasgow continua o mesmo. Nem adianta a Greta Thunberg viajar só de trem bala, bicicleta ou carro elétrico.

Serão 400 jatos particulares para transportar os senhores que nos estão exigindo sacrifícios para "salvarmos o planeta".

Só o presidente americano Joe Biden levou 4 jatos, um helicóptero Marine One. A limusine blindada "a besta" e vários SUVs.

Também o príncipe Charles foi de jato privado.

Mas se querem reduzir o CO2, por que não extinguem a OTAN (Organização do Tratado Norte) e encerram as 800 bases militares que os EUA possuem espalhadas pelo mundo? Por que continuam a roubar petróleo na Síria e no Iraque? Por que as guerras do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, da Síria e muitas outras?

E onde está o movimento ambientalista, tão preocupado com o planeta, na luta pela paz? 

As espartanas demonstrações de poder, riqueza, luxo, egolatria e prazeres exclusivos a que assistimos durante a COP26 parecem um festival de velhos roqueiros onde cada um dos exibicionistas atores presentes faz mais jogo de luz e tonitruante barulho do que mostrar reais talentos, uma espécie de teatro sem ideologia ou filosofia, para deleite da plateia embevecida, e que a mídia engajada repercute, incentivada por seus desinteressados patrocinadores, mas requerendo urgência em soluções.

* o autor é de Lisboa, Portugal. 

 

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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

As hipocrisias científicas e midiáticas na COP26

Richard Jakubaszko  

Entre divertido e razoavelmente irritado e contrariado tenho assistido aos noticiários das TVs, especialmente os canais jornalísticos, onde os meus caros colegas jornalistas tornam-se defensores incondicionais da natureza e do clima e, como se fossem engajados defensores divinos autorizados do meio ambiente, vomitam saber "científico" antes divulgado por outros jornalistas de países desenvolvidos e por interessados dirigentes de ONGs ambientais, durante a COP26 que se encontra em curso na Glasgow escocesa. É a chamada Torre de Babel em curso, todo mundo fala e ninguém se entende. Por isso a ilustração do diálogo entre Einstein e Chaplin ao lado, representativa dessa errática comunicação da humanidade.

Tenho a pretensão de participar desse debate, e apresento abaixo 10 respostas aos cientistas do IPCC sobre a falácia e os erros científicos sobre a hipótese do aquecimento e das mudanças climáticas, que jamais foram explicadas ou comentadas por esses representantes do apocalipse:

1 – Não há provas científicas de que o CO2, antropogênico ou natural, seja o provocador do aquecimento do planeta, muito menos das chamadas mudanças climáticas. A água é um fator causador do aquecimento muito maior do que o CO2. Este, na verdade, é o gás da vida, e sua presença na atmosfera terrestre é vital para a existência da vida no planeta, como, por exemplo, na fotossíntese das plantas. A chamada descarbonização das atividades humanas, como querem os adeptos do IPCC, é uma utopia, pois 97% das emissões de CO2 na nossa atmosfera são feitas pela natureza (florestas, mares, vulcões), e apenas 3% são realizadas pelo ser humano e suas atividades, como fábricas, automóveis, criação de gado, produção de energia elétrica por usinas térmicas usando carvão etc. Se confrontados com esses dados alguns cientistas mais engajados respondem que "é a sua opinião".


2 – Há evidentes interesses econômicos, políticos e geopolíticos na demonização do CO2, aspecto que facilitaria a produção e venda de energia elétrica de eficiência inferior, como solar e eólica, a preços muito superiores. É o antigo aforismo americano "follow the money". desnecessário traduzir, não é?

Da mesma forma a eliminação do CO2 (carvão) como fonte de produção de energia elétrica, garantiria o uso de outras fontes, inclusive energia nuclear. Ninguém parece dar importância a esse fato, de que descarbonizar a produção de energia elétrica trará alternativas ineficientes, como a solar e a eólica, além de extremamente perigosas como a nuclear, e ambas muito mais caras do que a energia elétrica que tem o carvão como fonte, e mais ainda a hidrelétrica no Brasil. No Brasil temos essa que é a mais eficiente, mais segura e mais barata fonte de energia elétrica do planeta. Entretanto, ONGs engajadas conseguiram fazer da usina de Belo Monte uma quase inutilidade, pois o estoque de água é feito pelo curso normal dos rios, sem alargar as margens, "porque poderia destruir áreas de reprodução importantes de aves, como a ararinha azul, e também os nematoides de solo", comuns na região.

3 – Com o Relatório IV (fev/2007) o IPCC apontou causa antropogênica como responsável pelo aquecimento e mudanças climáticas, aspectos que seriam aprovados por 2.500 cientistas de todo o mundo, signatários desse relatório, com cerca de 4 mil páginas que foram sumarizadas em cerca de 30 páginas, e em cujo teor não se indicava a discordância de muitos dos citados cientistas de todo o mundo convocados pela ONU para ratificar a opinião do IPCC que apontou os GEE – gases de efeito estufa – como responsáveis.


Diante da discordância estabelecida pelos cientistas, hoje (2021) o IPCC possui apenas 240 cientistas integrantes do grupo original. Os dissidentes, que foram 90% do grupo original, pediram demissão como colaboradores, e foram atendidos. Alguns cientistas renomados, como Richard Lindzen, Professor Emérito de Ciências Atmosféricas no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts, tiveram de recorrer à Justiça para verem seus nomes retirados do Relatório IV.

Lindzen, a exemplo de outros cientistas, foi atendido pela Justiça dos EUA porque fez inúmeras restrições e críticas ao relatório completo, e estas não apareceram no relatório sumarizado. É relevante registrar que menos de 3% dos cientistas signatários do Relatório IV eram de especialistas do clima. Os demais são cientistas das mais variadas áreas do conhecimento humano, inclusive administradores de empresas, economistas, advogados, físicos, engenheiros agrônomos, diplomatas, sociólogos, geógrafos, filósofos, e até mesmo dirigentes burocráticos de empresas e entidades interessadas no assunto, dirigentes de ONGs e de empresas concessionárias de distribuição de água e energia elétrica.


Este fato, relativo à “diáspora” dos cientistas em relação ao IPCC desmonta o argumento de que há “consenso” entre os cientistas sobre o aquecimento e as mudanças climáticas, e de que 97% dos cientistas acreditam não apenas no aquecimento como também no fator antropogênico como causa. Curioso é ressaltar que em ciência não há consenso, quem estabelece consenso são os políticos. A ciência sempre preferiu o debate e a discussão do contraditório. Nesse sentido, o aquecimento é uma hipótese que ainda não conquistou o degrau e status de teoria, e jamais subirá ao pódio como lei, que é quando uma teoria se comprova sem questionamentos. Ressalto que a teoria da Relatividade, de Einstein, e também a teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, continuam com o status de teorias, e ainda não são leis. Desse modo, o IPCC e a imprensa promoveram a hipótese do aquecimento ao degrau de teoria, mas tratam a hipótese como se fosse lei.


4 – Mesmo depois da divulgação do Relatório IV, ocorreu a explosão do escândalo que ficou conhecido como Climategate, com episódios referentes à descoberta de e-mails internos entre cientistas, que registravam a confissão das falsificações realizadas por cientistas da Universidade de East Anglia (Inglaterra, 2009) nos números base de temperaturas registradas e que foram computados oficialmente para “comprovar” a tendência do aquecimento planetário.


5 – Sir James Lovelock escreveu o livro Gaia, publicado em 2006, pouco antes da divulgação do Relatório IV do IPCC, e fez prognósticos alarmantes sobre o fim do mundo. O ativista, além de tudo um cientista e médico, tinha experiência com performances midiáticas, pois foi um dos denunciantes da chamada iminência de extinção da camada de Ozônio, nos anos 1980, e dos perigos decorrentes. Em abril de 2012 foi a público para dizer que se arrependia das previsões catastróficas que havia feito, e que elas não aconteceriam. Pediu perdão. Mas a mídia catastrofista não deu espaços para divulgar seus arrependimentos e pedidos de desculpas, e ainda permanecem em vigor os seus devaneios apocalípticos.


Da mesma forma o fundador do Greenpeace, Thomas Moore, seu presidente desde o início, retirou-se da entidade acusando seus dirigentes de apenas se importarem com as receitas proporcionadas por doadores, que ninguém sabe quem são...


O político e ex-presidente americano Al Gore, ganhou o Oscar de documentarista na Academia de Hollywood. Mais do que isso, dividiu o Nobel da Paz de 2007 com o IPCC, e fez num powerpoint a previsão catastrófica do aumento do nível dos mares em 6 a 7 metros, deixando em estado de apoplexia centenas de milhões de jovens. Com os lucros do Nobel da Paz somados aos lucros como acionista de uma empresa de energia elétrica nos EUA (AIE) Al Gore comprou (em 2011) uma casa de US$ 7.5 milhões de dólares em Salsalito, Califórnia, à beira mar, desmentindo suas próprias afirmações climatológicas.


6 – O famoso gráfico apelidado de “Taco de Hóquei”, discutido por inúmeros cientistas, cada vez mais vem sendo apresentado como comprovadamente falso. Num dos episódios mais divulgados na mídia americana e canadense, o criador dessa farsa científica, o cientista Michael Mann, assessor do IPCC, processou outro cientista americano,
o professor Tim Ball, e ficaram por mais de 10 anos discutindo na Justiça canadense, até que o Juiz de Colúmbia encerrou o “debate” entre os mesmos, não deu ganho de causa a ninguém, mas mandou o querelante Mann (o acusador) pagar as custas judiciais, que nos EUA não são baratas, como se sabe. O Juiz ainda afirmou que a corte que presidia não era o palco para discussões científicas.
O que Mann pretendia era censurar seu colega, que o acusava de falsificar os dados primários do gráfico. O réu,
Tim Ball,  insistia que retiraria a pecha de falsificador se Mann demonstrasse quais dados primários havia utilizado para construir o gráfico. Mann não revelou os dados (e fez manobras judiciais para isso durante os 10 anos do processo) e ainda afirmou que eram dados "secretos e privados" dele como cientista (os registros de temperatura...), confundindo elementos de uma estatística que é pública, com dados e elementos secretos de uma hipotética patente de produto com fórmula secreta. Se vc deseja saber mais sobre o processo, leia este divertido post aqui no blog: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2020/02/estadao-publica-fake-news-o-que-dizem.html

7 – Nestes tempos de COP26, a mídia brasileira surtou porque descobriram o metano como GEE que é 24 vezes mais potente como causador do aquecimento. Conforme registrei no livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, há enganos nisso. Na quarta capa da obra mostro um mapa (confeccionado pelo satélite da NOAA - ver abaixo) da emissão de metano no planeta, que é maior na floresta Amazônica e pela floresta subsaariana, pontos em vermelho, em mangues milenares, e mais ainda pelos arrozais irrigados de toda a Ásia. A única emissão antropogênica de metano (além dos arrozais) está nos EUA detectado em gigantescos lixões a céu aberto na confluência de quatro metrópoles americanas, como Nova York, Chicago, Detroit e Washington.

8 Os 220 milhões de bovinos brasileiros não aparecem no mapa, e nem mesmo os 350 milhões de bovinos indianos. Entretanto, na mídia brasileira e americana a conclusão é de que os bovinos brasileiros são os principais emissores de metano, o CH4, sem nenhuma citação aos ruminantes indianos ou aos arrozais irrigados asiáticos. É interessante registrar que a presença de metano em nossa atmosfera permanece a mesma há mais de 200 anos. O CO2 sim, evoluiu de 360 para cerca de 405 ppm (partes por milhão) nesse período. Outra questão é que o metano está presente na composição da nossa atmosfera com insignificantes 0,00015%, ou seja, centenas de vezes menos presente que o CO2 que é 0,035%. Como costumo afirmar, a afirmação da mídia é como procurar pelo em casca de ovo. Ou melhor, é pior que o VAR (Video Assistant Referee), que aponta impedimento do atacante se 1% do nariz do dito cujo estiver além da linha de defensores do time adversário.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisIEK6wS14SFVDi9auMSecWe46XYY96fdxCwxh05Di7yJmn2aqPJZx_QqP97Mjk0cZzdSI_EIbIo57HKaQWLVp-nJtahAM8KOuIYOLqKG0qgE3OE81noKr8pH7FrvTjcaoG8Hgo5Ck-iQ/s1600/co2+em+milhoes+de+anos.png
No período Jurássico o CO2 era 10 vezes mais presente do que é hoje.

9 A presença de CO2 na atmosfera já foi dezenas de vezes mais alta, há milhares de anos, e nem existiam, naquela época, automóveis e fábricas. Se você deseja conhecer outros dados sobre CO2 (% de presença na atmosfera, depósitos de carbono no planeta, curiosidades), leia o artigo "CO2 a unanimidade da mídia é burra!", neste link:  https://richardjakubaszko.blogspot.com/2009/10/co2-unanimidade-da-midia-e-burra.html

10 A teoria do "efeito estufa" e a hipótese do aquecimento global, que não vingou, foi elaborada por Arthenius no fim do século XIX, antes da existência de satélites meteorológicos. A teoria climatológica moderna, dos anticiclones móveis polares, foi elaborada pelo cientista Marcel Leroux (1938-2008). Há um resumo da sua teoria em https://resistir.info/climatologia/impostura.cientifica.html
Mas Arthenius nunca afirmou que o efeito estufa tinha causa antropogênica, essa é uma dedução moderna dos 240 "cientistas" do IPCC, que antes eram 2.500, e 2.260 discordaram dessa teoria conspiratória e se retiraram de lá. Em meu livro abordo essa mentira de forma mais aprofundada, inclusive com exemplos práticos, desconstruindo essa "teoria" enganadora.


No segmento financeiro, a teoria fantasiosa do aquecimento global proporciona bons negócios para o capital financeiro que inventou a venda de direitos de emissão de CO2, o chamado crédito de carbono. Trata-se de algo como as "indulgências para pecar" vendidas pela Igreja Católica, no período da Renascença, contra as quais se revoltou Lutero. Esse negócio dá bons lucros aos banqueiros, mas não beneficia a humanidade. Neste momento já há uma verdadeira indústria do aquecimento global. Mas é um mercado em decadência. Cerca de 5 anos atrás uma tonelada de CO2 "sequestrado" valia mais de US$ 75.00 dólares, e hoje vale US$ 3.00 míseros dólares. Quem emite carbono paga muito menos por essa indulgência. Acredita em efeitos positivos ao meio ambiente quem quiser. As indústrias altamente poluentes de ontem tornaram-se as empresas verdes de hoje.

Para saber mais sobre o meu livro clique aqui.



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sábado, 30 de outubro de 2021

A histeria climática ocidental beneficia a China

Richard Lindzen *  

O PCC (Partido Comunista da China) é de longe o maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. Isso é um problema?

Overlooking-Beijing-Shougang-Industrial-Zone-1
Muitos dos líderes mundiais parecem acreditar que as emissões de dióxido de carbono (CO₂) constituem uma ameaça existencial cujo impacto já é severo e se tornará impossível de lidar em poucos anos. Isso resultou em uma série de acordos internacionais, começando com o Pacto do Rio de 1992 e continuando até os Acordos de Paris de 2016. Apesar desses acordos, o aumento da concentração de CO₂ na atmosfera continua inabalável (ver Figura 1). Ao pesquisar a ciência subjacente, fica claro que o papel desempenhado pela China nesta história é indicativo de um cinismo mais geral inerente a muitas das supostas “soluções” para a mudança climática.


De um mínimo na temperatura por volta de 1960 (basicamente o fim de uma tendência modesta de resfriamento começando por volta de 1939, o que levou a preocupações sobre o resfriamento global) até 1998, a anomalia da temperatura média global (o índice usado para descrever a temperatura da Terra) aumentou cerca de 0,5 graus Celsius. Essa é uma pequena mudança em comparação com a mudança típica entre o café da manhã e o almoço, embora o aumento líquido desde então tenha sido relativamente insignificante (exceto por um grande El Niño em 2014-16) e consideravelmente menos do que o previsto por todos os modelos climáticos. Deve-se notar que o aumento foi pequeno em comparação com o que estava acontecendo em qualquer região, e as temperaturas em qualquer local tinham quase tanta probabilidade de esfriar quanto de aquecimento. Apesar do fato de que os aumentos de CO₂ até agora foram acompanhados pelo maior aumento no bem-estar humano na história, e apesar do fato de que houve grandes aumentos na área de vegetação da Terra em grande parte devido ao aumento do papel do CO₂ na fotossíntese, os governos aparentemente concluíram que outro 0,5C significará a ruína.

Vemos referências frequentes ao acordo de 97% dos cientistas do mundo. No entanto, como apontado por Joseph Bast e Roy Spencer (e eu), essa afirmação é enganosa. Também se vê referências a aumentos em coisas como nível do mar, furacões e outros extremos climáticos, mas como foi amplamente observado, essas alegações são baseadas na escolha ilegítima de datas de início para as tendências. Há também a importante questão de saber o que exatamente constitui uma ameaça existencial. Segundo o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, se continuarmos no caminho atual, usando os modelos atuais que parecem superestimar o aquecimento, haveria em 2100 uma redução do produto interno bruto global de menos de 4% (de um total PIB que seria muito maior do que o que temos hoje). É difícil chamar isso de ameaça existencial.


Vamos ignorar os problemas acima por enquanto e perguntar por que as emissões que presumivelmente levaram ao aumento observado de CO₂ continuaram a aumentar. A Figura 2 abaixo mostra a resposta provável. O aumento das emissões da China, Índia e do resto do mundo em desenvolvimento atrapalha as pequenas reduções na Anglosfera e na União Europeia. Na verdade, se as emissões da Anglosfera e da UE cessassem (o que é obviamente uma impossibilidade), isso faria pouca diferença. De acordo com o Monitor de Energia Global, a China está planejando a adição de 200 GW de capacidade de geração a carvão até 2025. Se assumirmos que este é um período de quatro anos e que uma usina de grande escala tem 1 GW, isso seria cerca de uma planta por semana nos próximos quatro anos. Por que a China perseguiria intencionalmente a suposta destruição da Terra? Além disso, por que a Anglosfera e a UE estão adotando políticas altamente disruptivas, destrutivas e caras com o objetivo de reduzir suas emissões já amplamente irrelevantes?


É provável que a resposta à primeira pergunta seja que a China vê a ameaça da mudança climática como facilmente administrável, independentemente do que se acredita sobre a física subjacente (lembre-se de que os líderes da China, ao contrário dos nossos, tendem a ter formação técnica). Mas eles também reconhecem que a histeria climática no Ocidente leva a políticas que claramente beneficiam a China. Na verdade, a China está na verdade promovendo atividades como o Diálogo Sino-Americano da Juventude sobre mudança climática para promover o alarme climático entre jovens ativistas americanos. Em um anúncio recente enviado aos alunos do MIT, o Comitê de Diálogo Juvenil declarou:

"Com o rápido crescimento da população global e a contínua expansão da economia mundial, as emissões de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram. Desastres extremos induzidos pelo aquecimento global continuam surgindo. O mundo está passando por mudanças climáticas irreversíveis. É responsabilidade de todos proteger o planeta que chamamos de lar. Devemos enfrentar os problemas trazidos à mãe natureza pelas mudanças climáticas e buscar soluções em cooperação, compartilhando responsabilidades como dois grandes países e construindo coletivamente "uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade".

A carta passou a oferecer recompensas em dinheiro modestas para aqueles que apresentassem os argumentos mais “convincentes”. Ao mesmo tempo, os chineses, ao contrário do Banco Mundial, têm prazer em financiar projetos de carvão em países em desenvolvimento. (Será interessante ver como o Partido Comunista implementa a recente promessa do presidente Xi de cessar essa prática.).

A segunda questão é mais preocupante por causa da falta de lógica patente das propostas que pretendem abordar a mudança climática. Confrontado com desastres naturais, é óbvio que as sociedades mais ricas são mais resistentes do que as sociedades mais pobres. Por exemplo, terremotos no Haiti podem resultar em milhares de mortes. Terremotos semelhantes na Califórnia resultam em ordens de magnitude menos mortes. Assim, pareceria que confrontado com o que se afirma ser uma ameaça existencial sobre a qual nós, de fato, quase não temos influência, parece óbvio que a política correta seria aumentar a resiliência contra os desastres. Em vez disso, o Ocidente está propondo fazer exatamente o oposto. É difícil pensar em razões boas ou virtuosas para tal política. Talvez nossos legisladores tenham um desejo pseudo-religioso de expiar o pecado de permitir que pessoas comuns alcancem padrões de vida confortáveis ​​da classe média. O incentivo a tais políticas por parte da China é, sem dúvida, uma das razões; certamente, muitas das respostas ocidentais propostas (carros elétricos, moinhos de vento e painéis solares) envolverão pesados ​​investimentos na China, que domina a indústria solar global e já é o maior mercado mundial de veículos elétricos.

Mas duvido que seja esse o motivo principal. Para ter certeza, a resposta comum dos políticos a qualquer problema alegado é fazer "alguma coisa". Esses “algumas coisas” geralmente envolvem alguns benefícios de curto prazo para os políticos e instituições que apoiam tais políticas. Mas, no caso do alarme climático, é preciso perguntar se os políticos que estão investindo em propriedades à beira-mar estão realmente preocupados com o clima. A rejeição da energia nuclear também não é um indicativo de seriedade.


O debate sobre esta questão foi evitado e até mesmo ativamente suprimido sob a tola alegação de que a ciência está "resolvida". De fato, em 1988, a Newsweek já havia afirmado que todos os cientistas concordavam sobre o assunto, embora nada pudesse estar mais longe da verdade. E a verdade foi enterrada desde então. Como o ex-subsecretário de Ciência de Energia do governo Obama, Steven Koonin, ilustra convincentemente em Não resolvido: o que a ciência do clima nos diz, o que não faz e por que é importante, a questão ainda está longe de ser resolvida. O livro se baseia inteiramente na ciência das avaliações oficiais do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e de relatórios de avaliação oficiais dos EUA semelhantes. Os ataques violentos a Koonin desde o lançamento do livro em maio indicam a ausência de quase qualquer nível de discurso. No entanto, dado o que está em questão, a necessidade de um debate aberto tanto sobre nossa avaliação da ciência do clima quanto sobre as políticas propostas é, de fato, desesperadamente necessária.

* Richard S. Lindzen é Professor Emérito de Ciências Atmosféricas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Ele é membro da National Academy of Science, da American Academy of Arts and Sciences e da Norwegian Academy of Science and Letters, além de membro da American Meteorological Society, da American Geophysical Union e da American Association for the Advancement of Ciência.


Reproduzido do site https://clintel.org/china-benefits-from-western-climate-hysteria/

NOTA DO BLOGUEIRO:
O professor Richard Lindzen concedeu-me a honra de sua presença com um capítulo de sua autoria em meu livro título "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", 2ª edição, 2019, 378 pgs, DBO Editores, à venda aqui neste blog ou na Amazon, onde está sempre entre os mais vendidos na seção de livros do Direito Ambiental. No referido livro tenho ainda vários capítulos assinados por cientistas brasileiros como Luiz Carlos Baldicero Molion, José Carlos Parente de Oliveira, Ângelo Paes de Camargo, Odo Primavesi, Evaristo de Miranda, Ricardo Felício, Fernando Penteado Cardoso, Geraldo Luis Lino, entre muitos outros.



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