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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Telecom BR - OI, – merda no ventilador ou criação de alternativa própria?


Richard Jakubaszko
O kit desgraça pode ser
composto por celulares
da TIM, da OI, Claro, à
vontade do freguês...

Recebi por e-mail a reclamação do contumaz comentarista deste blog, Gerson Machado, e reproduzo a sua justa reclamação contra a OI, mais uma operadora de telefonia que não cumpre as normas e as leis como concessionária de serviços, fruto do controvertido e mal feito processo de privatização do sistema de telefonia no Brasil. As reclamações são generalizadas, e isto é uma vergonha para todos os brasileiros que aceitam isso passivamente.
Eu aplico a minha prerrogativa de consumidor, não uso telefonia celular. Ao Gerson manifesto minha solidariedade, e espero que tornar pública a reclamação ajude a resolver o seu problema e de muitos outros usuários, mas particularmente duvido que venha a acontecer algo.

Por Gerson Machado
Estive estudando o caso do atendimento da Oi e de seu absoluto descaso com os clientes a julgar pela minha experiência, esperando 6 semanas apenas para entregarem um modem de Internet (depois de 10 anos em lista de espera pelo Velox), processo que gastou mais de 80 telefonemas, alguns com duração de até 3h, visitas marcadas e não cumpridas, e um total desrespeito com o cliente, seguido de contas erradas constantemente.

Descobri ao revisar vários sites de reclamação no Brasil, que tudo fica do mesmo tamanho, não estou sozinho mas as reclamações são tantas e o escalonamento para Anatel tão frequente (sem resolução), que fico até' pensando se faz sentido reclamar.
Se houvesse opção de competição, poderia contratar serviços de outra, mas como quase sempre no BR, as "competidoras" estão desenvolvendo mercado por territórios diferentes. Por exemplo, em Belo Vale, MG, só a TIM tem 3G, em Moeda, cidade vizinha, só a Claro, e assim vai. Dei sorte de conseguir um sinal 3G da Vivo para uma mineradora, usando antenas de altíssimo ganho para buscar o sinal. Agora, para outro choque, a Vivo manda duas contas diferentes por mês para o mesmo serviço para o mesmo número, adicionou dependentes de voz que não tenho e colocou diferentes planos de assinatura para o mesmo número, enviados numa mesma conta que pelo segundo mês chega com erro.

Sem falar que, como comprei vários serviços juntos e já tinha os equipamentos próprios, e não precisava dos telefones ou modems da operadora, foi prometido (verbalmente e com anotação no folheto de preços deles), um desconto que nunca se materializou e agora o vendedor diz que não pode fazer o desconto prometido - o que me dá direito de nulificar o contrato e contestar a penalidade. Ficar reclamando em sites que não são lidos por ninguém, ou até na Anatel, que aparenta não resolver nada, dado o volume de reclamações diárias, não parece ser boa estratégia (e maior gasto de tempo), então restam as opções de cancelar, pois até para entrar no tribunal de pequenas causas há um custo grande de tempo que nunca é ressarcido.

Espero que, de tanto abusar da população, um dia um grupo de cidadãos irá organizar algo com fins apenas de conectividade social, nos moldes dos movimentos iniciados na Europa, onde comunidades inteiras tomaram o descaso de seus governos e telecoms nas próprias mãos, criando empresas auto gerenciadas de propriedade própria para gerir acesso via fibra com serviços de ótima qualidade e baixo custo.
Exemplos são:
http://www.folketshub.com/     mais de 100mil km de fibra ótica rural
broadband ruralnorth   http://b4rn.org.uk/
GM
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Universidade dos Pés Descalços (India)

Richard Jakubaszko
Fantástica a palestra do indiano Bunker Roy (15 minutos), que se pode assistir no vídeo abaixo, legendado. Em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural - a maioria analfabetos - a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas próprias aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy, explica como funciona.

Solução criativa para quem não tinha recursos financeiros, mas tinha urgências e necessidades. Se aplicada ao nosso Nordeste algum projeto como esse da Universidade dos Pés Descalços, com certeza muitas soluções criativas iriam aparecer.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carta aberta aos cooperativistas: só o associativismo salva!


Richard Jakubaszko
O cooperativismo não será capaz de enfrentar sozinho o que vem aí pela frente, pois será uma verdadeira guerra mundial, e sangrenta, ninguém tenha dúvida disso. Teremos uma crise de restrição de alimentos – e de fome – em muitos países, pois os preços tendem a se elevar ainda mais dos que os praticados hoje, agora catapultados não apenas por uma seca nos EUA, mas também pelo aumento de demanda asiático e por causa da especulação financeira que transformou alimentos como soja e milho em prosaicos “derivativos”, levando neste pacote a avicultura e a suinocultura.

Esse panorama, num primeiro momento, pode prenunciar bons lucros aos produtores de grãos. Os bons lucros, entretanto, vão se reduzir na medida em que os insumos subam de preços, bem como o transporte, o armazenamento e o custo da terra. Como os estoques mundiais andam muito baixos, isto vai provocar guerras, rebeliões e migrações, governos democráticos serão depostos, assim, como outras ditaduras. 

O tabuleiro de xadrez onde se desenrola esta guerra, encontra os agricultores brasileiros, especialmente eles, desprotegidos de toda sorte de políticas públicas, onde se destaca o seguro agrícola, um dos temas abordados nas páginas da Agro DBO 38, de outubro 2012, em circulação desde o início deste mês, e que poderá ser lida através do nosso site: www.agrodbo.com.br

Nesta Carta Aberta nos dirigimos a todas as cooperativas brasileiras produtoras de grãos, e seus respectivos presidentes, e, em especial às maiores do setor:

CAROL – José Oswaldo Galvão Junqueira
COAMO – José Aroldo Galassini
COCAMAR – Luiz Lourenço
COMIGO – Antônio Chavaglia
COOPAVEL - Dilvo Groli
COTRIJAL – Nei Mânica

Só o associativismo salva os produtores brasileiros, especialmente os pequenos e médios. Como os agricultores não têm representatividade política em nível nacional, quem vai atuar em nome deles e de seus interesses? O que vimos na aprovação legislativa sobre o Código Florestal é uma pequena amostra grátis do que vem aí pela frente face às discussões que vão ocorrer pela sociedade urbana quando os preços dos alimentos subirem: se subir é porque há perigo de faltar, e, na sequência, surgirão propostas de confisco dos alimentos, até mesmo taxas sobre exportação, para garantir o abastecimento interno, multas e prisão para quem estiver mantendo estoque dos grãos, enfim, não é difícil imaginar as dificuldades que possam surgir se os preços subirem acima do suportável, pelos governos e pela população.

Somente o associativismo pode salvar os produtores de grãos brasileiros, especialmente os pequenos e médios.

Preços cada vez mais altos
O mais recente relatório divulgado em setembro último pela FAO, o órgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, revela que a elevação no preço dos alimentos chegou a níveis críticos, principalmente para os países pobres que necessitam importar alimentos para dar de comer às suas populações.

Segundo os dados da FAO, nos últimos meses os preços do trigo registraram alta estratosférica de até 80%. O milho, um aumento de 40%. Uma perversa combinação entre crescimento de demanda, especulação financeira, secas, e produção de energia a qualquer custo, está entre os fatores causadores dessas altas. Afinal, as quebras nas safras de dois gigantes na produção de grãos, EUA e Rússia, ocorreram em virtude dos efeitos de secas prolongadas. O relatório da FAO afirma que 22 países já enfrentam uma crise prolongada com altos índices de fome mesmo antes dessa forte alta. Portanto, além do agravamento da situação desses que já enfrentam uma crise alimentar, deve-se esperar que novos países se juntem ao contigente de esfomeados.

Mesmo assim, o preço desses alimentos tem estado em constante alta, pois além do prato dos humanos, essas commodities alimentam animais e os veículos abastecidos por biocombustíveis.

Outro problema apontado por economistas da FAO é a especulação orquestrada pelos mercados futuros. “A financeirização por meio de manobras especulativas contribui para elevar os preços dos alimentos”, afirma a entidade.

Nesse clima, fica a pergunta: de que forma as cooperativas poderiam atuar na defesa de seus interesses e dos seus cooperados? De nenhuma forma, respondemos nós. Nem na grande mídia haveria defensores dos agricultores, pois representam a opinião dos urbanos, e estes, como sabemos, andam com inédita antipatia pelo agronegócio. Assim, prevemos que nem mesmo a Frente Parlamentar Agropecuária, de cunho essencialmente político, mostraria a cara para defender os produtores, na hipótese de subida desmedida dos preços pela ameaça de faltar alimentos.

Só o associativismo, com forte atuação política, seria capaz de apresentar a defesa dos agricultores em situação como estas. De outro lado, enquanto esse prognóstico não se confirma, existem muitas batalhas e demandas de interesses dos produtores que estão sendo perdidas pela falta de interlocutores preparados, ou por atores que não possuem representatividade, mas falam em nome dos produtores, diariamente, nos meios de comunicação.

Outro exemplo gritante das diferenças e problemas enfrentados pelos agricultores está expresso em artigos da edição 38 da Agro DBO, dos colunistas Daniel Glat e Rogério Arioli, ambos agrônomos e produtores rurais, quando relatam a tranquilidade dos agricultores americanos diante de uma seca perversa que, se ocorresse no Brasil, jogaria milhares de agricultores em negociação de dívidas ou quebraria a quase todos. Lá existe seguro (de renda) rural aos produtores, enquanto aqui no Brasil temos um seguro que garante apenas aos bancos de receberem o que emprestaram. Em outro artigo, também na edição 38 da Agro DBO, o cafeicultor Luiz Hafers já se antecipa no alerta sobre cotas e impostos, ou melhor, confiscos.

A questão é que a ganância estúpida do mercado nos tempos modernos busca colocar o consumidor em sua condição de “pagante”. Só assim dá para entender a inversão de prioridades ao se colocar em limitação o uso de novas áreas na futura produção dos alimentos, tal como prevê o Código Florestal.

O fato é que se deixarem as coisas como estão pode-se esperar o registro de novas revoltas ao redor do mundo, semelhantes as que têm ocorrido cada vez com maior frequência em diferentes regiões do planeta, em destaque o mundo árabe, mas também na Ásia e na África. Muitas das manifestações entre os árabes tinham também como motivação a escassez ou a alta no preço dos alimentos, mas o agravamento da situação atual não será bom conselheiro na hora de pedir calma aos revoltosos. Afinal, se não for possível comprar comida para colocar no prato das famílias, não haverá bom senso e bons argumentos capazes de evitar atitudes não civilizadas.

A união só pode vir através das cooperativas
É tempo de as cooperativas liderarem a instalação de uma associação nacional, de cunho técnico, com atuação política, que seja representativa, que seja forte, e que expresse os verdadeiros interesses da agricultura. Para defender os agricultores dos futuros e breves ataques, que surgirão de todos os lados. Para buscar equilíbrio nas decisões de governo que se destinam a regular o mercado, sempre em favor dos consumidores, nunca beneficiando os produtores. Para que se evolua com o seguro rural. Para que se tenha uma lei de CLT (Consolidação da Lei Trabalhista) ajustada ao meio rural, que é diferente do urbano. Para que se obtenha segurança jurídica na posse da terra e nas relações com os mercadistas. Ou as cooperativas, e seus líderes, acreditam que poderão defender os seus cooperados sob o manto das cooperativas? Nem antes, nem hoje e nem no futuro. Não é essa a função do cooperativismo, mas apenas de um associativismo.

Que se estabeleça o associativismo, sob as bençãos e liderança do cooperativismo, para dar sustentabilidade aos agricultores. Não há outro caminho: só o associativismo salva a agricultura. Só o cooperativismo tem recursos suficientes para essa empreitada, e só o cooperativismo pode provocar o senso gregário dos produtores rurais, hoje inexistente no Brasil, ao contrário do que se verifica nos EUA e Europa.
Aos cooperados que concordam com nossa proposição sugerimos conversar com os presidentes de suas cooperativas, pedindo que pensem a respeito.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

quinta-feira, 15 de abril de 2010

“Quem é o representante dos produtores de trigo?"


Richard Jakubaszko
O artigo abaixo foi publicado na edição março/abril/2010 da DBO Agrotecnologia, na série "Marketing da Terra". Mais um, e que adverte sobre a falta de união dos produtores rurais, problema que parece insolúvel.

“Quem é o representante dos produtores de trigo? E o dos produtores de milho, de arroz, feijão e tomate?”.
Quem fez esta impertinente e inquietante pergunta, diante de uma estupefata plateia de produtores e líderes sindicais rurais, no Estado do Paraná, foi o próprio (e então...) ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em janeiro último. A plateia ficou calada. E ele mesmo respondeu: “Eu, normalmente, não sei quem é. Agora, eu sei quem é o representante dos compradores de trigo, dos exportadores de carne e de soja. É, muitas vezes, um ex-ministro, um ex-embaixador, uma pessoa que faz um lobby extremamente elevado. Mas quem é o representante dos produtores?”. 
Novamente a plateia se calou.

Dá para entender o agora ex-ministro, cumpre seu papel como político, está em plena campanha para se reeleger deputado federal, e coloca-se, frente aos produtores e eleitores do seu estado, como defensor das principais bandeiras da agropecuária. Stephanes desincompatibilizou-se em final de março, e adiantou que alguns pleitos dos produtores, como a revisão do Código Florestal e o fim da dependência dos fertilizantes importados, são também alguns itens de sua disputa no presente momento.
O que se deve perceber é que Stephanes até poderá defender os direitos dos paranaenses, mas como ficam os produtores dos demais estados?

Ora, se o próprio ministro da Agricultura, que seria o principal interlocutor dos produtores, admite que não conhece quem são os representantes dos produtores...
O ex-ministro diagnosticou que os produtores carecem de representatividade em Brasília. Os chamados "líderes", autonomeados representantes do agronegócio, não passam de representantes autonomeados, com interesses políticos e comerciais de outra natureza, que não é o de defender os interesses dos produtores. E nisso se inclui até mesmo a chamada bancada ruralista.

Já escrevemos exaustivamente sobre este assunto, aqui nesta mesma página. Da falta de união entre os produtores, e esse é o “X” do problema.

O ex-ministro diz que os diversos setores do agronegócio devem defender uma agenda comum, e ele tem toda a razão. Arrisca opinar, por exemplo, que mandados de reintegração de posse da Justiça em audiências públicas é inconstitucional. Esclarece que essa agenda comum do agronegócio deve analisar ainda a pesquisa científica aplicada ao desenvolvimento de novas tecnologias de produção para preparar a agricultura para o futuro, e que isso não pode partir só do governo, e é preciso outros investimentos na área para que a pesquisa avance e se torne mais eficiente. 

O ministro-candidato defende que a defesa sanitária (animal e vegetal) seja estratégica para o progresso da agropecuária. “O mundo está cada vez mais exigente e rigoroso em termos de qualidade do produto que vai consumir”. Ele lembrou que as questões sanitárias podem causar prejuízo econômico a um país exportador, citando o caso da febre aftosa no Mato Grosso do Sul, em 2005. “Perdemos vários mercados e, mesmo com a recuperação de alguns deles, ainda não conseguimos abrir outros grandes, como o Japão”, lamentou.

Enfim, existem agendas amplas, para que o agricultor possa melhorar a renda. O ex-ministro diz ainda que “o agricultor brasileiro é eficiente da porteira para dentro, quando se sai pra fora há distâncias enormes para transportar soja com perda de renda por falta de infraestrutura adequada”, apontando como mais um item que pretende defender. Mas não foi direto ao ponto de interesse real do produtor.

Qual é o ponto?
É que, por falta de representatividade, por falta de líderes reais para cada área específica, as questões dos produtores estão sempre sem respostas. Nestas incluem-se o que plantar, ou não plantar, na próxima safra. Quando vender a safra, se parcial ou total. Qual seria o momento de antecipar (ou não) a compra de insumos, de fazer financiamentos para a aquisição de máquinas, se seria melhor adquirir ou arrendar terra pra plantio, entre muitos outros exemplos. Quais reivindicações coletivas devem ser feitas ao Governo Federal, ou aos estaduais.

Os agricultores devem ter consciência de que, enquanto são representados por políticos, ou por líderes autonomeados, nada irão obter para dar segurança na atividade que exercem.

O Brasil tem poucos exemplos de associações de produtores que efetivamente trabalham com agendas de interesse direto do produtor. Já citamos, neste espaço e na DBO Agrotecnologia, o exemplo da UNICA, União Nacional da Indústria Canavieira, como paradigma de eficiência na defesa dos interesses diretos dos seus associados. 
Há alguns raros exemplos, como a Aprosoja – Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, apesar de sua limitação como entidade regional; existe ainda a Associação dos Produtores de Banana do Norte de Minas Gerais, a Associação dos Produtores de Algodão, a ABBA - Associação dos Bataticultores do Brasil.

Mas cadê as associações de milho, de soja, de tomate, de arroz, de feijão, de trigo? Não é só o ministro que não conhece seus representantes, nós aqui na DBO Agrotecnologia também não conhecemos. E sem isso fica difícil a ajuda aos produtores.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Kátia Abreu, a rainha do latifúndio improdutivo


Richard Jakubaszko
A falta de lideranças no agronegócio leva o setor a navegar como um barco sem rumo.  As lideranças que aparecem, empossadas por interesses políticos, não apenas em nada ajudam a agropecuária, como chegam a denegrir ainda mais a imagem já negativa do setor perante a sociedade, por causa de distorções midiáticas, como as queimadas na Amazônia e o aquecimento do planeta, a poluição ambiental, a contaminação dos alimentos, etc., etc., etc.
Vejam se isso é notícia que qualquer outro setor produtivo do país suportaria ler sobre um líder do segmento, sem ao menos pedir providências, ou quem sabe até mesmo exigir o afastamento dessa liderança. A notícia foi publicada em 25 de novembro último, e até agora não vi ninguém do agronegócio reclamar de absolutamente nada.
Serei eu o errado?

por Nivaldo Manzano, jornalista.
“Kátia Abreu, a rainha do latifúndio improdutivo”
Em matéria publicada na revista CartaCapital sob o título “Kátia Abreu, a rainha do latifúndio improdutivo”, o repórter Leandro Fortes descreve como a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, “com a espada da lei nas mãos e a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, tem se dedicado a investir contra trabalhadores sem-terra”, na verdade em causa própria.
Beneficiária de um esquema de favores, por parte das autoridades locais, a senadora, de discurso aparentemente modernizador e legalista, é investigada pelo Ministério Público Federal por ter conseguido transformar terras antes produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Na prática, a musa do agronegócio, diz a reportagem, estaria agindo como os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.
A história tem início em 1999, quando amigos do governador Siqueira Campos, entre eles a senadora, o irmão dela e demais da entourage, 47 ao todo, foram contemplados com a distribuição de 105 mil hectares, declarados de “utilidade pública” pelo Executivo, por suposta improdutividade. Os felizardos, inscritos na lista da federação de agricultura do Estado, cuja presidência era então ocupada por Kátia Abreu, pagaram pela benesse o preço simbólico de R$ 8,00 por hectare, o que permitiu à senadora apropriar-se de cerca de 1,2 mil hectares.
Ocorre que em partes das terras cedidas por Siqueira Campos a Kátia Abreu, no município de Campos Lindos, vivia o agricultor Juarez Vieira Reis, que embora tivesse nascido no local e lá trabalhado por 50 anos no cultivo da terra, foi dela expulso num ato classificado pelo Ministério Público Federal do Tocantins de “grilagem pública”.
Deu-se, assim, uma revolução agrária às avessas, ou seja, a terra antes cultivada por Reis com arroz, feijão, milho, mandioca, melancia e abacaxi, converteu-se, em mãos de Kátia Abreu, num latifúndio improdutivo, uma vez que nos 1,2 mil hectares declarados de sua propriedade não há o menor sinal de atividade agrícola ou pecuária.
Reis não se deu por vencido. Tinha a favor dele documentos de propriedade, um deles datado de 6 de setembro de 1958 e originário da Fazenda de Goiás, antes da divisão do Estado. O documento reconhece as terras da família em nome do pai, Mateus Reis, a partir dos recibos dos impostos territoriais de então. De posse dos papéis, Reis tentou barrar a desapropriação na Justiça.
Foi quando a senadora, apoiada na oligarquia local, partiu para a ofensiva. Ignorando a ação de usucapião em andamento desde o ano 2000, que dava respaldo legal à permanência de Reis na área, ela entrou com uma ação de reintegração de posse e, sem surpresa para ninguém, teve seu pedido deferido.
Reis foi expulso sem direito à indenização por qualquer das benfeitorias que construiu ao longo de cinco décadas de ocupação da terra, aí incluída a casa onde vivia com a família, cisternas, culturas, árvores frutíferas, pastagens, galinhas, jumentos e porcos.
Há cinco meses, Reis luta para convencer o Tribunal de Justiça de Tocantins a julgar tanto a ação de usucapião quanto o pedido de liminar impetrado há seis anos, para assegurar a volta da família à sua terra.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A encrenca está feita, e não tem associação pra defender a soja.

Richard Jakubaszko 
Recebi em 16 de setembro último o press release da Secretaria da Agricultura de São Paulo. 
O título é bombástico, tenho de reconhecer. 
Ficou bem ao gosto da grande mídia sensacionalista, cujo objetivo parece ser apenas o de vender jornal e gerar audiência: 

(Veja parte do release, os negritos são meus)

Título: "ITAL detecta compostos cancerígenos em óleo de soja". "Pesquisa do Instituto de Tecnologia de Alimentos, ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Ital/Apta/SAA), verificou a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) - compostos orgânicos cancerígenos e que podem provocar mudanças no material genético das células - em óleos de soja encontrados no mercado. As análises apontaram a contaminação de todas as amostras coletadas, que pertenciam a diferentes marcas. O ITAL é a única instituição no Brasil a realizar testes de detecção dos HPAs em alimentos”.

O texto esclarecia ainda que "No caso do óleo de soja, os resultados obtidos pela pesquisa - que avaliou 42 amostras coletadas ao longo de um ano - eram esperados. Os HPAs são formados, nesse caso, durante a secagem da soja, pois, no Brasil, ainda se utiliza a secagem pela queima da madeira. Eles se depositam no grão e passam para o óleo bruto. Durante o processamento, ocorre certa diminuição, mas não perde 100%”, diz a coordenadora do trabalho, Mônica Rojo de Camargo. A conscientização e a mudança de postura devem partir da indústria, já que o consumidor não tem como se proteger. Uma das alternativas é substituir o processo de secagem”.

Para complementar a informação havia um detalhe importante: "Os HPAs são gerados na queima incompleta de material orgânico. Essa importante classe de carcinogênicos (compostos cancerígenos) faz parte do dia-a-dia do homem, já que está presente na poluição ambiental e em muitos alimentos e bebidas, tais como hortaliças, carnes, café, chá, óleos e gorduras e grãos. Como conseqüência, sua presença em produtos alimentícios tem sido objeto de preocupação nos últimos anos. Eles oferecem risco à saúde caso sejam inalados, ingeridos ou se houver contato com a pele. Pára o baile! Desejam-se explicações... 

Quer dizer que agora até o óleo de soja está na mira? Sim, está e estará! Sabe por que vai continuar? Porque não tem ninguém pra defender a soja. 
Se houvesse uma associação de produtores de soja, mas representativa dos produtores, haveria uma defesa.

A explicação de toda essa questão feita pelo ITAL, assunto que nem polêmico é, pois está justificado no próprio press release
Lembro aos leitores que apliquei os grifos e coloquei uma cor em cima da própria justificativa dada pela Secretaria da Agricultura. 
Houve exagero da Secretaria da Agricultura? Nem tanto, mas talvez, isso sim, não se tenha dado relevância política, apenas relevância técnica para a notícia, que é espalhafatosa e dramática, até porque a soja deve estar lá pelo 10º lugar no Estado de São Paulo em termos de importância como lavoura plantada. 

Defender interesses técnicos, econômicos e políticos dos produtores de soja seria uma das muitas tarefas de uma associação dos produtores de soja como sugeri nos artigos anteriores (Está tudo errado no agronegócio!), disponíveis aqui neste blog: http://richardjakubaszko.blogspot.com/ 

Enquanto os dirigentes de cooperativas se mantiverem calados – e se fingindo de mortos, pois acham que o assunto não é com eles – a situação vai continuar do jeito que está. A única coisa que podem fazer neste momento, isolada ou coletivamente, é calcular os prejuízos que poderiam advir se houver alguma ação dos consumidores em rejeitar o consumo de óleo de soja por conter os tais compostos carcinogênicos. 

A grande imprensa nem deu bola para o assunto, saiu uma ou outra notinha de rodapé de página, ficou mais como notícia e clipping da grande maioria dos sites ligados ao segmento agropecuário e a um ou outro site ligado aos setores de alimentação. Uma busca no santo Google com as palavras “óleo de soja – carcinogênico – Ital”, me revelou que menos de 30 sites e blogs divulgaram a má notícia, o que já seria motivo para uma associação de produtores de soja vir a público e dar as devidas explicações. 

Não vai ter explicações sobre o problema do óleo de soja porque não tem associação. Mas pergunto: e se fosse algo realmente importante, algo como uma contaminação conforme aconteceu recentemente com o leite e com outros alimentos? O leitor consegue calcular os prejuízos? 

Para fazer uma associação precisa ter união dos produtores, e o caminho é fazer com que as cooperativas o representem, e através das cooperativas se estabeleçam associações, seja de soja ou de milho, para defender os interesses dos produtores, nesses e noutros assuntos relevantes. 
Rezar e reclamar depois do leite derramado sempre dá muito mais prejuízo.
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domingo, 2 de março de 2008

Cooperativismo ou associativismo?

Richard Jakubaszko
A pergunta é relevante e oportuna. Isto porque agricultores desunidos estão sempre em dificuldades. Vemos que os sojicultores intensificaram vendas antecipadas da maior parte da produção da safra 2007/08. Em Mato Grosso cerca de 60% da safra foi comprometida com esse tipo de negociação, enquanto em igual período de 2007 as vendas naquele estado representavam 40%, conforme pesquisas do Cepea. Lembramos que na safra anterior os preços eram normais, mas o produtor estava em crise, ainda por causa da defasagem cambial.
Considerando que nesta safra a soja atingiu os maiores preços da história, o sojicultor vendeu para pagar dívidas ou fazer caixa. Entretanto, já havia comprometido parte da colheita antecipadamente, antes de plantar, a valores bem abaixo dos atuais. Em média recebeu entre US$ 6 e US$ 8 o bushel, sendo que hoje o bushel vale US$ 14 na bolsa de Chicago. É o maior preço já registrado na história dessa commodity.
Muitos produtores perderam grandes chances de recuperar perdas anteriores. Na próxima safra muita gente vai antecipar menos vendas. Esta não é uma avaliação, é uma análise histórica do que ocorre, safra após safra.
O mercado para soja é altamente promissor até 2010, os estoques de passagem e as previsões de colheita para esta safra e a próxima safra americana não indicam alterações significativas. A demanda ainda supera a oferta. Vejam o artigo “O que será do agronegócio daqui a alguns anos”, escrito em 15 de agosto último, onde rascunhei a previsão de que tudo isso aconteceria.
Nesta safra o campo não teve prejuízo, mas existe um sentimento de que se poderia ter feito o dobro de dinheiro na mesma safra. O Centro-Oeste em especial tem um passivo gigantesco a quitar, e desde 2004 o produtor não conseguia negociar preços acima de R$ 30 a saca (60 quilos), valor alcançado em junho do ano passado. Hoje o mercado remunera R$ 40 a saca. Em 2005, esse limite estava em R$ 20 a saca.
Apesar de lamentar as perdas nos ganhos alguns produtores concordam com a estratégia de fixar preço no cedo, e garantem que continuarão com o mesmo comportamento. Não devemos chorar sobre o leite derramado, é verdade. Entretanto, como se poderiam corrigir essas distorções?
Simples: organizando-se e unindo-se os agricultores teriam condições de maior segurança para enfrentar o mercado consumidor. Se vende antecipado, se aumenta área de plantio ou reduz. O melhor caminho para isso são as associações de produtores. A soja tem a APROSOJA, com sede em Cuiabá-MT, e talvez pela localização da sede enfrenta resistência para conquistar novos associados em outros estados, principalmente do Sul e Centro-Sul. O milho tem a partir de 2007 a ABRAMILHO, com sede em Brasília, e seu presidente Odacir Klein promete dinamismo e trabalho para congregar os produtores. Todavia, falta “cultura” e tradição entre os produtores rurais brasileiros em se filiar a uma associação.
O curioso, conforme relatam alguns diretores de associações como a APROSOJA, é que os produtores gostam de participar das reuniões, principalmente se a mesma terminar num churrasco, mas são resistentes a pagar uma taxa anual, mesmo que proporcional à sua área de produção. Nem mesmo chegam a perguntar quais os propósitos e objetivos da associação, perguntam antes em quanto custará a filiação.
É importante informar que uma associação abriga especialistas e estes trabalham com dedicação integral. Estarão atentos a tudo o que acontece no mercado internacional, em termos econômicos, sociais e políticos. Com isso podem recomendar, ou não, a venda antecipada, a redução ou aumento da área plantada, e evitar prejuízos ou perdas de lucros como observamos na presente safra. Adicionalmente as associações podem também detectar tendências no mercado consumidor, enfim, nas entressafras planejariam novos usos e conquista de novos mercados. Para isso deve haver dinheiro, investimento do próprio produtor, uma pequena parte de cada um, para que a associação possa investir, de forma organizada e planejada, e beneficiar o próprio produtor, independentemente da região onde planta.
Há uma série de outros aspectos na questão entre cooperativismo ou associativismo. Por exemplo, já não há dúvidas de que o futuro nos obrigará a estabelecer novos paradigmas para a necessária produção de alimentos. Ao mesmo tempo em que as ciências agrárias desenvolvem tecnologias inovadoras para o aumento da produtividade os consumidores exigem a “sustentabilidade” do meio ambiente, os europeus com maior ênfase. As discussões que assistimos pela mídia, sobre as barreiras alfandegárias impostas às nossas exportações de carne bovina, em breve devem atingir grãos, frutas e até mesmo os biocombustíveis. Esses consumidores exigem a “sustentabilidade”, com visão e ótica urbana, é verdade, mas temos de reconhecer que muitos agricultores e pecuaristas brasileiros têm negligenciado as terras de lavoura, devido ao fator abundância. Há que se preservar o nosso maior valor, além da fartura de água e energia solar: o solo fértil desta terra pátria-mãe Brasil.
E quem faz isso? Quem defenderia o produtor rural nos entreveros que irão ocorrer no futuro breve? As cooperativas?
Se o produtor ficar na espera da cooperativa nada obterá, até porque essas não são funções de cooperativas, e elas são centenas, espalhadas Brasil adentro. Do governo menos ainda. As soluções devem sair de dentro dos seus principais interessados, os agricultores. Caso contrário, ano a ano, safra após safra, assistiremos sempre as notícias de perdas dos agricultores, seja pelo mercado, seja pelo clima, seja pela vontade dos compradores.
Este é um hábito e uma mania que o agricultor brasileiro deve repensar, pois a união faz a força. Sozinho o agricultor pode, no máximo, aumentar a produtividade, mas os ganhos obtidos com os investimentos em tecnologia vão parar nas mãos dos consumidores, porque não há união entre os interessados. É assim que vemos o custo da cesta básica para os consumidores urbanos, cada vez mais baixos.
Não é bom parar e pensar nesse assunto?