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quinta-feira, 29 de maio de 2025

OMSA reconhece o Brasil como zona livre de Febre Aftosa sem vacinação

Richard Jakubaszko

A Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) reconheceu nesta quinta-feira, dia 29 de maio, em cerimônia realizada em Paris, na França, o Brasil, incluindo o Estado de São Paulo, como zona livre de Febre Aftosa sem vacinação. O anúncio aconteceu hoje durante a 92º Assembleia Geral dos Delegados Nacionais da OMSA, evento que reuniu representantes de organizações internacionais, nacionais, do setor privado e público, incluindo a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).

O reconhecimento é o resultado de anos de trabalho dedicados à sanidade do rebanho brasileiro e do sistema de vigilância veterinária, indústrias de insumos, governo e pecuaristas.

Acompanhei essa história desde 1965 quando participei, no RS, da primeira reunião do lançamento da campanha nacional de vacinação. Acompanhei durante todo esse tempo ainda a luta do veterinário Sebastião da Costa Guedes, que foi um trabalhador e líder incansável para que o Brasil conquistasse agora essa notável realidade, e foi uma verdadeira epopeia.



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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Adeus ao vírus - História do combate à febre aftosa é contada em livro

Richard Jakubaszko 
  
Doença de maior impacto econômico da pecuária mobilizou gerações de profissionais e produtores rurais numa cruzada épica

Mato Grosso está às vésperas da retirada da vacinação contra a febre aftosa em todo seu território, depois de 26 anos sem nenhum registro da doença. Não poderia haver, portanto, momento mais oportuno para o lançamento do livro “Adeus ao vírus – Erradicação da febre aftosa: a participação de Mato Grosso na maior epopeia veterinária das Américas”, de autoria dos jornalistas Martha Baptista e Sérgio de Oliveira.

Com base em depoimentos de pesquisadores, médicos-veterinários, pecuaristas e outros representantes da cadeia produtiva, os autores registram em mais de 300 páginas a longa batalha para a erradicação da febre aftosa em Mato Grosso, no Brasil e no continente sul-americano, com destaque para a parceria desenvolvida com a Bolívia.

O livro conta como o vírus da aftosa foi identificado no século XVI, na Itália, chegando às Américas no século XIX, e como foi sua erradicação em países como os Estados Unidos, onde não circula desde 1929. Conta também a traumática experiência de quem lidou com a doença quando ainda não havia disponibilidade de vacinas no país, passando pela fundação de entidades como o Panaftosa, estruturação dos serviços veterinários estaduais, criação dos Fundos Emergenciais privados, produção das primeiras vacinas a serem utilizadas em campanhas e a impressionante evolução desses imunizantes – um dos fatores primordiais para a erradicação da doença em nosso país. O Brasil foi declarado, em 2018, livre de aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

“Adeus ao vírus” traz ainda um panorama da situação atual no continente sul-americano, onde apenas a Venezuela registra casos da doença, e abre espaço para a discussão do momento: se o Brasil está realmente preparado para retirar a vacinação.

O combate à aftosa foi, nas palavras de um dos entrevistados, “a maior epopeia veterinária das Américas”, e é essa história que o leitor encontrará nas páginas de “Adeus ao vírus”, contada por seus protagonistas. A publicação tem o patrocínio do Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (Fesa-MT).

“Tendo como referência as dificuldades enfrentadas num passado recente e as lições aprendidas, estamos certos de que continuaremos a trilhar esta estrada, alcançando nossa meta num futuro muito próximo: ter Mato Grosso inteiro livre de febre aftosa sem vacinação – o coroamento desta história de sucesso” - afirma o presidente do Fesa-MT Antonio Carlos Carvalho de Sousa na apresentação do livro, que será lançado no dia 16 de dezembro, no Auditório da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), com as presenças de vários especialistas que contribuíram para a elaboração da obra.

Serviço
O que: Lançamento do livro “Adeus ao vírus – Erradicação da febre aftosa: a participação de Mato Grosso na maior epopeia veterinária das Américas” (Entrelinhas Editora, 2021).

Onde: Auditório da Famato, na Rua Eng. Edgard Prado Arze, s/nº, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá - MT

Quando: 16 de dezembro de 2021 (quinta-feira), às 9h


 

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Exportações de carne aos EUA: CNPC diz que parar de vacinar é a solução.

Richard Jakubaszko 
Recebi agora há pouco o comunicado abaixo, da assessoria de imprensa do CNPC, presidido pelo veterinário Sebastião Costa Guedes.
 


Para o CNPC -Conselho Nacional da Pecuária de Corte, solução para os problemas da carne depende da melhoria da vacina contra aftosa e de sua futura retirada.

Segundo levantamento, hoje o Brasil possui um rebanho de 118 milhões de cabeças, distribuídas em 12 Estados e no Distrito Federal, que não apresentam focos da doença há mais de 20 anos

Para o CNPC, o problema gerado com a suspensão das compras de carne bovina in natura, por parte dos EUA pode começar a ser resolvido com algumas medidas simples por parte do Mapa: proibição da vacinação contra febre aftosa por via intramuscular, proibição da adição de saponina na vacina, e investimentos na extensão rural. Além disso, a redução do volume da dose de 5 para 2 ml, e a realização de testes sobre as substâncias usadas pelos fabricantes de vacinas. Todas essas ações o CNPC e outras entidades ligadas aos pecuaristas solicitam há muito tempo.

No entender do CNPC, esses seriam os primeiros passos, mas devemos continuar com o programa de retirada da vacina contra aftosa no nosso país. Para boa parte dos pecuaristas brasileiros, os argumentos para retirada da vacina são fortes: o Brasil já possui um rebanho de 118 milhões de cabeças que não apresenta focos da doença entre 20 anos e 24 anos. Outros estados, entre 15 anos e 20 anos sem focos atingem 41 milhões de cabeças. Além disso, o PANAFTOSA afirma que após 4 ou 5 anos sem focos pode-se prescindir da vacina.

Trabalhos recentes feitos pelo PANAFTOSA mostraram perdas da ordem 2 quilos de peso morto por animal, o que corresponde a 4 quilos de peso vivo que ocorre em milhões de cabeças. Alguns criadores relatam perdas ainda maiores.

Tais perdas de peso decorrem de reações inflamatórias resultantes de vacina ou da vacinação, que são provocadas por diferentes fatores e que precisam ser pesquisados. Há também a necessidade de se fazer um investimento, por parte dos laboratórios, em extensão rural, visando orientar melhor quem faz as aplicações.

Inúmeros contatos do CNPC e de outras entidades da pecuária com os laboratórios foram infrutíferos. Desde 2013, foram feitas cinco reuniões com pecuaristas, principalmente do Mato Grosso do Sul, com representantes do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal – Sindan, dos fabricantes de vacinas e também da Embrapa Gado de Corte. Nesses encontros discutiu-se o problema e ficou acertado que seriam conduzidos testes a respeito do assunto, mas nada aconteceu até agora.

Ante esse quadro, que já causou grandes prejuízos aos criadores e frigoríficos brasileiros, e que agora também afeta nossas exportações para o mercado norte-americano, o CNPC espera que a tão almejada retirada da vacinação realmente aconteça.


ATENÇÃO:
Alguns minutos após publicar o texto acima, do CNPC, recebi da assessoria de imprensa do Sindan o seguinte informe:

Boa tarde Richard,
Falo com você como assessor de imprensa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Recebi o seu e-mail e gostaria de te repassar alguns dados adicionais sobre o embargo dos EUA à carne in natura brasileira a título de contribuir para correta informação ao mercado.

Para começar, peço sua atenção ao link https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/06/23/eua-encontraram-ossos-coagulos-e-bacteria-em-carne-brasileira-diz-agencia.htm

Trata-se de divulgação da Agência Bloomberg, tendo como fonte o FSIS, órgão de segurança alimentar do USDA.

Especificamente em relação ao texto publicado no seu blog, seguem algumas considerações para sua análise:
. A Colômbia estava desde 2009 sem foco de aftosa e, apesar de ter programa de vacinação semelhando ao Brasil, foi atingida por surto na semana passada em localidade a 100 km da fronteira da Venezuela – país que não tem programa de vacinação regular.
. O Brasil tem mais de 17 mil km de fronteiras secas, sendo mais de 4 mil km com Paraguai e Bolívia, países que também vacinam o gado. Dessa forma, parar de vacinar significa ficar à mercê da correta vacinação nos países vizinhos. Como ocorreu agora na Colômbia, isso pode ser um risco ao país.
. Sobre o trecho “Tais perdas de peso decorrem de reações inflamatórias resultantes de vacina ou da vacinação...”: em determinados animais, a vacina contra aftosa pode provocar edemas, que desaparecem com o tempo, nunca reações inflamatórias. Se isso ocorre é por infecção provocada no ato da vacinação ou posteriormente. Ou seja, sem relação com a qualidade da vacina.
Espero ter contribuído.
Aproveito a oportunidade para te encaminhar posicionamento do SINDAN em relação ao tema.

É IMPROVÁVEL QUE A VACINA SEJA RESPONSÁVEL PELA SUSPENSÃO DAS EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA IN NATURA PARA OS ESTADOS UNIDOS
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) entende que é pouco provável que a vacina contra a febre aftosa seja responsável pelo embargo norte-americano para a carne brasileira. A vacina brasileira tem qualidade, segurança e eficácia reconhecidas pelas autoridades, produtores, indústria e instituições internacionais de saúde animal. O processo de fabricação é longo, extremamente rígido e inclui duplo controle dos processos – pela indústria e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) –, além de seguir todas as normas, produção, colheita, armazenamento e distribuição definidas pelas autoridades governamentais, sendo este processo 100% rastreado, o que garante aos pecuaristas e todos os demais envolvidos a maior segurança existente tratando de um produto biológico.
Eventuais reações provocadas pela vacina nos bovinos ocorrem por uma série de fatores, que vão da base oleosa e adjuvantes utilizados até sensibilidade e estresse animal, processo de vacinação em si, com agulhas mal esterilizadas e/ou inadequadas, e aplicação em locais inadequados. No entanto, a vacina não causa abcessos purulentos.
O Brasil fabrica vacinas contra febre aftosa desde a década de 1960, tendo, portanto, larga experiência nessa área. Além disso, a indústria veterinária investe constantemente em pesquisa e desenvolvimento, com o compromisso de colocar no mercado vacinas cada vez mais eficientes, inclusive sem proteínas estruturais, o que permitiu atingirmos o status atual de exportador, com base no reconhecimento de livre da aftosa com vacinação.
A vacina e o processo de vacinação em massa são indispensáveis para o sucesso do PNEFA (Programa Nacional de Erradicação e Vacinação contra a Febre Aftosa) no reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa, sendo, inclusive, ferramentas citadas nos manuais da FAO.
O parque industrial brasileiro é moderno e tem capacidade para produção de mais de 500 milhões de doses de vacinas trivalentes contra aftosa por ano, volume que atende perfeitamente às necessidades da pecuária nacional (cerca de 350 milhões de doses/ano), manutenção de estoque de emergência de mais de 60 a 80 milhões de doses e exportação aos países vizinhos, especialmente aqueles com os quais temos fronteira seca – este um importante risco de novos surtos no rebanho brasileiro.
Em relação à suspensão das exportações de carne in natura brasileira aos Estados Unidos, o próprio MAPA reconhece que tal decisão está ligada a uma série de fatores, que incluem abcessos na carne até processos de limpeza dos cortes nos frigoríficos. Esse último tópico, aliás, levou à suspensão de cinco plantas exportadores na semana passada pelo Ministério.
A indústria de saúde animal renova o seu compromisso com o país, com as autoridades e com a cadeia produtiva da carne bovina para trabalhar ainda com mais afinco para a solução de não-conformidades que prejudicam a imagem do produto brasileiro no exterior.
Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan)
Abraço,
Altair Albuquerque
Texto Comunicação Corporativa
Telefones (11) 3039-4100 / (11) 99935-1705

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sábado, 10 de junho de 2017

Se político fosse boi...

Richard Jakubaszko   
Tenho alguns políticos como amigos, alguns são honestíssimos, outros nem tanto, mas se fossem como bois, conforme o mineiro aí embaixo, a gente arresolvia, fácil, fácil... É que não adianta mais vacinar...

 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Denúncia: aftosa exótica ameaça pecuária brasileira.

Richard Jakubaszko
Almocei ontem com o meu amigo Sebastião Guedes, veterinário, um veterano idealista, e que desde tempos imemoriais luta pela erradicação da febre aftosa, não apenas no Brasil, mas em todo o território latino-americano. Fomos almoçar, ironicamente, no quase centenário restaurante Moraes, Rei do filé, ali no largo Júlio Mesquita, no centro de São Paulo, onde se come o melhor filé com alho de todo o mundo, podem crer.
A conversa girou em torno da pecuária, e Guedes mostrou-me umas fotos que estão circulando no mercado, feitas em Taiwan, de autoria não identificada, e que comprovam a existência de um perigo iminente contra a pecuária brasileira, ou seja, uma possível presença, ou retorno, da febre aftosa no Brasil, porém com uma agravante, seria agora um vírus exótico - o O1 Taiwan - que anda sendo manipulado na Argentina, vacina que está sendo importada pelo Brasil. 
Pedi ao Guedes um artigo sobre o assunto, e ele me enviou um manifesto, uma denúncia estarrecedora que merece ser divulgada aos quatro ventos. Aqui no blog disponibilizo aos leitores, juntamente com as citadas fotos das embalagens das vacinas, comprovando a fraude dos argentinos.

ELIMINAR RISCOS NA IMPORTAÇÃO DE VACINAS CONTRA AFTOSA É MEDIDA ESSENCIAL PARA PROTEÇÃO DA PECUÁRIA BRASILEIRA
Sebastião da Costa Guedes *

“O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes.” Roberto de Oliveira Campos.

A pecuária brasileira tem enorme dimensão no mercado global, onde lideramos as exportações desde 2003. Esta liderança exige responsabilidade e competência para ampliar ao máximo os parâmetros de nossa segurança sanitária. Estamos em constante luta contra barreiras injustas que os importadores nos impõem. Qualquer dúvida ou achado diferenciado se transforma rapidamente em restrição às nossas exportações.

Temos um grande mercado de insumos para saúde animal. Isto nos permite eliminar com muita segurança  fatores desnecessários de risco. Somos favoráveis à competição no mercado, porém com a imprescindível obediência às regras estabelecidas para defender o interesse da pecuária nacional e até mesmo continental.

Não podemos ser  tolerantes com fornecedores que desrespeitam ou procuram desvios de pobre criatividade para fugir de resoluções nacionais ou continentais aprovadas após infindáveis análises, repetitivas discussões em fóruns técnicos específicos de notória credibilidade.

Um exemplo que exige rigor na análise é a proibição de manipulação de vírus de aftosa exóticos ao continente. Não podemos mais ignorar ou fazer vista grossa ao assunto. Riscos existem e não são poucos! Vão desde à possibilidade de escape desta cepa, com consequências desastrosas, até à  contaminação de partidas de vacinas destinadas ao Brasil com este antígeno exótico, o que exigirá onerosos investimentos para provar que “focinho de porco não é tomada” em caso de futura sorologia apontar eventual presença de anticorpos específicos.

Resoluções continentais aprovadas há 10 anos na Comissão Sul Americana de Luta contra a Febre Aftosa - COSALFA e discutidas muitas vezes no âmbito deste grêmio foram muito claras pela quase unanimidade dos países, que recomendavam a destruição de tais cepas.

Se o  fabricante  argentino em questão deseja continuar com esta atividade de risco é decisão dele, mas impedir que nos exportem vacina manuseada na referida unidade é nosso dever. Dois milhões e seiscentos mil proprietários de bovinos no Brasil não merecem  correr os graves riscos desta manipulação comercial  de agentes extra continentais.
O Brasil tem hoje 5 grandes fabricantes desta vacina, com uma capacidade instalada superior a 700 milhões de doses anuais, o que nos dá uma margem de segurança de 100% sobre a atual demanda nacional.

Diante deste quadro o Brasil tem todo o direito e as condições para impor restrições às importações que nos trazem riscos. Se exportadores desejam participar do nosso mercado que sigam as resoluções continentais defendidas e aprovadas nas COSALFAs desde 2001.

Cabe às autoridades brasileiras, reguladoras da fabricação e venda de produtos veterinários, fazer valer esta resolução e também exigir o cumprimento do compromisso oficial deste fabricante argentino, que, por ocasião do registro no Brasil, se comprometeu a não manipular cepas exóticas ao continente. Sabe-se que esta arriscada prática prossegue com exportações de vacinas com vírus O1 Taiwan à China. Temos, pela segunda vez, informações concretas reveladoras desta perigosa produção para aquele país asiático, o que vem sendo feito há anos e a partida mais recente foi elaborada em outubro de 2010, conforme mostram as fotos exibidas neste blog, obtidas em Taiwan.

Solicitamos às autoridades de registro e controle de produtos veterinários do MAPA que encerrem esta caridosa e incompreensível tolerância e iniciem a era da eficiente competência para a maior tranquilidade do criador brasileiro. O Ministério da Agricultura tem agora a oportunidade de impedir novas importações e reter os estoques desta vacina ainda não liberados, devolvendo-os ao país de origem. Comunicar ainda a este fabricante que somente  após a destruição inspecionada desta cepa exótica, poderão voltar a produzir novas partidas destinadas ao mercado brasileiro.

* Sebastião Costa Guedes, médico-veterinário, membro do Grupo Inter americano para Erradicação da Febre Aftosa – GIEFA e ex-presidente do CNPC. 

IMPORTANTE = URGENTE!
COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO:
Recebi em 25 de abril 2011 e-mail da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, assinado por seu presidente, Josélio Andrade Moura, anexando ao mesmo uma Nota Técnica do seguinte teor:


FEBRE AFTOSA: REAÇÃO PÓS-VACINAL À SOROLOGIA

NOTA TÉCNICA
A Febre Aftosa é a enfermidade animal que causa o maior dispêndio de recursos público e também do setor privado em todo o mundo.  A aplicação dessa vultosa soma de recursos nos programas de erradicação, ou mesmo da vigilância da Febre Aftosa, é motivada pela importância das implicações sócio-econômicas e o reflexo no mercado internacional de carnes e seus derivados e de outros produtos agropecuários.
Por esse motivo o Programa Nacional e o Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa estabeleceram metas para tornar o Brasil e o Continente livre dessa enfermidade (com e sem vacinação) de acordo com suas especificidades.
A Febre Aftosa é causada por um pequeno vírus da família Picornaviridae (o prefixo PICO significa muito pequeno e RNA – ácido ribonucléico genômico), com uma cápside protéica, tornando-o de alta complexidade estrutural.
Por essa razão as autoridades oficiais brasileiras estabeleceram padrões para as vacinas oleosas contra a Febre Aftosa que devem ser produzidas sem proteínas não estruturais, para tornar mais seguros os inquéritos soro epidemiológicos, bem como os diagnósticos de rotina.
Com efeito, cabe aos órgãos oficiais de controle de vacinas e de programas específicos, através dos laboratórios especializados, auditar adequadamente, para que as modernas técnicas de produção da Vacina Anti-aftosa, sejam aplicadas para preservar as características de imunogenicidade do produto e que estejam isentos das indesejáveis proteínas não estruturais.
O Setor Privado Brasileiro, maior financiador do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa necessita dessa garantia.
Caso específico, empresário Dr. Evandro Reis da Silva Filho, médico, proprietário da Fazenda Araçá, localizada no Município de Corrente, no Estado do Piauí, selecionador de alta linhagem de Nelore Mocho, vacinou contra a Febre Aftosa, 1.197 fêmeas e 238 machos, em total de 1.435 cabeças. Utilizou para tanto a Vacina AFTOGEN 50DS BIOGENESIS, Lote 002/09, com validade até 30/07/11, quantidade de 32 frascos.  O produto foi adquirido na AGROMARLOS – Saúde Animal e Vegetal, Nota Fiscal 0001233. 
O Empresário há mais de 10 anos segue religiosamente o calendário de vacinação especificado.  Utilizando anteriormente vacinas da Intervet, Merial e Vallée.
O Dr. Evandro pretende transportar animais dessa fazenda para outra, também de sua propriedade localizada no Município de Formosa – GO e para tanto, solicitou os serviços da ADAPI – Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí, para coleta de sangue de 100 cabeças no dia 29 de março de 2011, cujo resultado da sorologia apresentou reagentes indeterminados e positivos para 46 animais. 
Ressalte-se que dos 100 animais acima mencionados, 97 animais foram examinados sorologicamente em novembro de 2010 (portanto antes do uso da Vacina AFTOGEN BIOGENESIS) e os resultados foram NEGATIVOS.
No Município de Corrente-PI, bem como na aérea de controle anti-aftosa, não há evidência epidemiológica de circulação viral e o último foco naquele Estado foi há mais de 10 anos.  Esse fato induz que o resultado da sorologia indica que a reação apresentada tem seguramente a influência da vacina.
Isto posto é recomendável aos órgãos governamentais de controle, a realização de uma diligente auditoria específica para avaliar o grau de eficiência da vacina e o nível de pureza frente às proteínas não estruturais.
A Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, entidade de caráter científico e de representação, continua vigilante sobre esse e outros temas importantes que tem afetado a pecuária nacional.  Durante a reunião da COSALFA, realizada em Assunção no Paraguai, foi evidenciada a manipulação de vírus e cepas exóticas ao Continente Americano, cuja dúvida ainda persiste.
Josélio Andrade Moura
Presidente 
Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária

Comentario do blogueiro: recebi na primeira semana de maio 2011 cópia de carta do CNPC, encaminhada ao ministro da Agricultura Wagner Rossi, com o seguinte teor:


PROBLEMAS SOROLÓGICOS RELATADOS PELA SMBV - CNPC SOLICITA ESCLARECIMENTOS RÁPIDOS
Na inauguração da Expozebu, Sebastião Costa Guedes, Diretor de Sanidade Animal, entregou ao ministro Wagner Rossi a correspondência abaixo:

São Paulo, 29 de Abril de 2011

Excelentíssimo
Ministro Wagner Gonçalves Rossi
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Brasília-DF.

Ref.: Problemas Relacionados com Vacina Anti-Aftosa Importada.

Excelência,
O governo brasileiro deve assegurar que a manipulação de vírus exóticos ou de seus antígenos seja efetivamente interrompida no continente.

Até hoje nosso conselho não recebeu qualquer informação conclusiva a respeito da anunciada auditoria no fabricante em questão no país vizinho.

Agora, no dia 25 de Abril surgiu um novo fato.

A Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária pelo seu presidente relatou problemas na sorologia, realizada sob orientação da ADAPI, em animais do nelorista Dr. Evandro Reis da Silva Filho, em sua propriedade no Piauí.

Na última vacinação foi usada a vacina AFTOGEN, e a sorologia apresentou positividade em 46 dos 97 animais analisados. Este resultado extremamente alto necessita de urgente esclarecimento, pois a fazenda e a região da mesma não registram ocorrência de aftosa há mais de 10 anos.

Este resultado pode indicar problemas com proteínas não estruturais na vacina.

O criador usou anteriormente vacinas de outros três fornecedores sem problemas.

A ocorrência pode prejudicar o programa nacional de erradicação - PNEFA.

Estados nordestinos investindo na erradicação da aftosa podem sofrer conseqüências pelo não esclarecimento do episódio.

A adoção de temporária restrição à comercialização da vacina em questão até que se esclareça a origem desta positividade seria medida de bom senso.

Este assunto pelos seus reflexos epidemiológicos necessita do envolvimento do DFIP, do DSA, da CGAL e eventualmente do PANAFTOSA.

A cadeia da pecuária de corte solicita a interferência de Vossa Excelência para que haja rápido e efetivo esclarecimento do episódio.

Atenciosamente
Tirso de Salles Meirelles
Presidente

Sebastião Costa Guedes
Diretor de Sanidade Animal
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