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sábado, 21 de novembro de 2020

Bill Gates e a paixão pelos fertilizantes

Valter Casarin
Esse artigo tem como origem em "Por que eu amo os fertilizantes? escrito por Bill Gates e publicado em seu blog ( https://www.gatesnotes.com/Development/Why-I-love-fertilizer ).

Supermercado em Israel
Supermercado em Israel = fartura
 
A percepção das pessoas em relação aos fertilizantes, principalmente aquelas fora do mundo do agronegócio tem se modificado nestes últimos tempos. Paralelamente, a informação de que nos fertilizantes ocorreu a inovação que mais salvaram vidas na história da humanidade. Isso tudo tocou o coração do fundador da Microsoft, Bill Gates. O magnata relata que nunca escondeu sua paixão pelos fertilizantes, relacionando este insumo como uma inovação "mágica", responsável por salvar milhões de vidas daqueles que passam fome, mas sobretudo permitir que outros milhares saiam da condição de pobreza, graças ao aumento da produtividade de muitas culturas que são fontes de alimentos.

Em visita a um armazém instalado na Tanzânia, Bill Gates sentiu enorme satisfação quando presenciou a montanha de fertilizantes armazenada. Cada grama deste insumo representa a transformação de vidas em um continente onde a fome e a desnutrição estão em níveis preocupantes.

Os fertilizantes somente mostram o seu real valor quando chegam até os agricultores, principalmente nos países mais desfavorecidos. Esse tem sido um dos grandes desafios na África, onde o uso de fertilizantes é muito baixo, assim como a produtividade agrícola. Vale ressaltar que a produtividade na África é apenas um quinto da produtividade dos Estados Unidos. Assim, a distribuição, como é o caso do armazém na Tanzânia, é parte fundamental das soluções para as necessidades de fertilizantes para os produtores agrícolas.

A pouca importância no uso de fertilizantes na África é a soma de muitos fatores. Um dos principais fatores é o custo. Isso é resultado da fraca rede de transportes e a generalizada falta de infraestrutura, resultando em um transporte de fertilizantes 25% mais elevado que em outras regiões do mundo. Isso afeta sobremaneira a disponibilidade do insumo, decorrente de sistemas de distribuição pouco desenvolvido em grande parte do continente. Mesmo que haja disponibilidade, a limitação de crédito impede a compra de fertilizantes por parte dos agricultores. O mais agravante desta triste história é a falta de formação e da transferência de tecnologia, que resulta em muitos agricultores sem o entendimento do valor em investir nos fertilizantes ou saber a forma correta de utilizar o insumo.

Tomando como exemplo a Tanzânia, cerca de 80% dos trabalhadores trabalham, direta ou indiretamente, na agricultura. Certamente, produzir uma maior quantidade de alimentos com a aplicação melhor e maior de fertilizantes, poderia ter um enorme impacto no avanço econômico do continente africano.

Aquilo que Bill Gates presenciou na Tanzânia é parte do grande esforço que está sendo feito em muitas regiões da África, de maneira a usar a agricultura como fator de crescimento econômico, visando o desenvolvimento da África nas próximas décadas. O acesso a melhores fertilizantes e variedades de culturas mais produtivas são inovações agrícolas e tecnológicas que possibilitarão os produtores africanos a incrementarem seus rendimentos nos próximos anos. Os excedentes de produção poderão ser comercializados e melhorar a dieta familiar com proteínas de alto valor, como ovos, carnes e leite.

Bill Gates lembra da "Revolução Verde" acontecida na América Latina e sudeste da Ásia durante a década de 60, que permitiu duplicar a produção de alimentos, evitando a fome generalizada. A ajuda aos agricultores para aumentar a produção de alimentos foi possível graças ao avanço genético com melhores variedades e aos fertilizantes agrícolas.

A África está experimentando a sua revolução agrícola, mas deve aprender com a experiência do passado, que teve como consequência da "Revolução Verde" o uso excessivo de fertilizantes, provocando a contaminação de aquíferos e outros impactos ambientais. Esse é o motivo da Fundação Bill & Melinda Gates trabalhar com seus diversos parceiros na tentativa de ajudar e formar os agricultores africanos a utilizar adequadamente os fertilizantes, promovendo o uso nas doses certas, ajudando, desta forma, a melhorar a sustentabilidade ambiental. A Fundação também atua na transformação digital da agricultura por intermédio de uso de mapas e análises de solo, visando oferecer aos agricultores dados agregados de maior valor, que permitam melhorar a saúde do solo, para que este permaneça produtivo para as próximas gerações.

A visita ao armazém é um dos destaques da viagem de Bill Gates à Tanzânia. Momentos antes de continuar com a viagem, ele teve um momento para continuar a observar os trabalhadores carregarem os sacos de fertilizante. Sua emoção estava em pensar nos agricultores que o usariam e no impacto positivo que terão nas próximas colheitas e no futuro dos seus países.

Depois da saúde, em particular a luta contra a malária, a Fundação Bill & Melinda Gates tem um grande interesse na agricultura da África. No Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a Fundação Bill e Melinda Gates anunciou um investimento de US$ 306 milhões dedicado ao desenvolvimento agrícola, especialmente na África.

“Se levamos a sério o fim da fome e da pobreza extrema no mundo, devemos transformar seriamente a agricultura para os pequenos agricultores - a maioria dos quais são mulheres”, disse Bill Gates. Afirmando que "Esses investimentos - desde a melhoria da qualidade das sementes até o desenvolvimento de solos mais férteis ​​e a criação de novos mercados - compensarão não só pelas crianças alimentadas e pelas vidas salvas. Eles podem ter um enorme impacto sobre a redução da pobreza à medida que as famílias geram renda adicional e melhoram suas vidas."

Com objetivo de melhorar a percepção da população em relação às funções e os benefícios dos fertilizantes, foi estabelecida no Brasil, em 2016, a iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV). A NPV possui visão, missão e valores análogos aos da coirmã americana, a Nutrients For Life. Sua principal missão é destacar e informar a respeito da relevância dos fertilizantes para o aumento da qualidade e segurança da produção alimentar, colaborando com melhores quantidades de nutrientes nos alimentos e, consequentemente, com uma melhor nutrição e saúde humana.

* o autor é engenheiro agrônomo e coordenador científico da iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV)

 

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quinta-feira, 4 de junho de 2020

O solo como fonte nutricional

Valter Casarin *

Em tempos de pandemia e de melhorar nosso sistema imunológico, devemos entender que os alimentos saudáveis ​​têm que se originar em algum lugar. O local que dá origem aos alimentos é o solo, porém os alimentos saudáveis ​​e de alto rendimento não podem brotar em qualquer pedaço de terra.

Para muitos, a terra é considerada como “sujeira”, por ser o material que acidentalmente é transportado para dentro de casa em seus sapatos. Por outro lado, é o ecossistema de nutrientes e organismos vivos que existe sob nossos pés.

Um solo saudável e bem conservado é um componente essencial não apenas para o cultivo de fartas colheitas, mas também para proteger o meio ambiente e sustentar a agricultura para as gerações futuras.

Assim, cuidar da “saúde do solo” é uma ação de grande importância para a preservação da vida humana. Da mesma forma que o corpo humano, o solo saudável depende de muitos fatores. É nas camadas mais superficiais do solo que se encontra a parte mais fértil. Perder essa camada significa perder muitos nutrientes, e a consequência é reduzir a capacidade deste solo em produzir alimentos.

Os agricultores são os responsáveis em alimentar o mundo. Sendo assim, qualquer prática que reduza o nível de produtividade do solo afetará o seu sustento e suas receitas. Portanto, os agricultores estarão sempre preocupados em construir e proteger a "saúde do solo" para obter culturas saudáveis e de alto rendimento.

O fertilizante é o caminho mais seguro e barato para devolver ao solo os nutrientes que são perdidos pela erosão, pela exportação dos produtos colhidos, entre outros fatores de perda. É através da aplicação dos fertilizantes que os agricultores equilibram os nutrientes no solo com o objetivo de obter rendimentos de produtos agrícolas em quantidade e qualidade.

O momento é propício para dissipar alguns mitos sobre os fertilizantes. Reconhecer seu papel na alimentação do mundo e ver como eles podem ajudar a agricultura a enfrentar os desafios futuros. Um desses desafios é o crescimento populacional nos próximos anos, onde duas em cada três pessoas viverão em áreas urbanas. Esse crescimento será acompanhado pela maior demanda por alimentos, com estimativa da necessidade de aumentar a produção de alimentos em cerca de 60% nas próximas três décadas.

A previsão é que o aumento da produção de alimentos terá de vir dos países em desenvolvimento por meio de uma intensificação da agricultura, ou seja, um aumento do rendimento por unidade de área. À medida que a urbanização reduz a força de trabalho rural, a agricultura também terá que adotar novas formas de uso intensivo da terra. Esses cenários indicam melhor eficiência no uso de todos os recursos naturais e destacam a necessidade de aumento, embora não proporcional, do uso de fertilizantes.

A Nutrientes Para Vida (NPV) é uma iniciativa que tem por missão informar a população sobre a importância dos nutrientes para as plantas e para os seres humanos. Sua atuação está baseada em informações científicas, de forma a explicar o papel essencial dos fertilizantes na segurança alimentar, tanto na quantidade como na qualidade do alimento produzido. O uso do fertilizante está alicerçado nos aspectos sociais, econômicos e ambientais.

* o autor é engenheiro agrônomo



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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Adubação, saúde e meio ambiente

Valter Casarin *

A carga de pressão que é colocada sobre os fertilizantes minerais, principalmente por tratar esses insumos como um poluente ambiental e prejudicial a saúde, é muito alta. A iniciativa Nutrientes para a Vida tem como principal missão esclarecer e informar a sociedade brasileira, com base em estudos científicos, sobre a importância e os benefícios dos fertilizantes na produção e qualidade dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada. Diante disso, os esclarecimentos sobre a importância e a relação dos fertilizantes com o ambiente e a saúde humana é de grande importância. Neste artigo vamos discutir principalmente sobre os fertilizantes minerais.

Atualmente, a proteção ambiental e a segurança alimentar são duas grandes preocupações da nossa sociedade. É de conhecimento que o uso descuidado de fertilizantes pode ter impacto no meio ambiente. A adubação com critérios e baseada em manejo responsável tem efeitos positivos sobre o meio ambiente, a qualidade dos produtos agrícolas e contribui para o fornecimento de uma dieta variada, saudável e equilibrada.

A agricultura usa energia solar para produzir plantas e fixar dióxido de carbono (CO2), o principal responsável pelo efeito estufa. As plantas formam a base dos alimentos, uma fonte de energia para humanos e animais. Elas também fornecem biomassa, uma fonte de energia térmica, biocombustíveis ou materiais ou fibras de recursos renováveis. A adubação permite produzir mais biomassa e fixar mais energia solar e CO2 por hectare. Seu saldo de uso é claramente positivo; a quantidade de gases de efeito estufa fixada é igual a cinco vezes a emitida pela produção.

A adubação inclui todas as técnicas relacionadas ao fornecimento de materiais destinados a manter ou aumentar a fertilidade do solo. Os fertilizantes são destinados a melhorar a nutrição das culturas. Eles possuem os nutrientes essenciais para as plantas: macronutrientes primários (nitrogênio, fósforo, potássio), macronutrientes secundários (enxofre, magnésio, cálcio), e os micronutrientes (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, níquel, zinco). O fertilizante é corretamente chamado de adubo mineral.

O objetivo principal da fertilização mineral é fornecer os nutrientes necessários a um solo incapaz de garantir por si só uma nutrição da planta, levando a um ótimo rendimento. Trata-se de corrigir o desequilíbrio nutricional que resultaria de um solo pobre em certos elementos.

Na maioria dos solos pobres, a quantidade ideal de fertilizante a ser adicionada a uma safra é geralmente maior que a quantidade "exportada" pela colheita (quantidade de elementos minerais contidos nas plantas colhidas) ou perdida pela lixiviação. Essas práticas de suprimento gradualmente levam as reservas de solo a um nível mais satisfatório, a partir do qual o agricultor pode adotar adubação de manutenção, que compensará o desaparecimento dos nutrientes exportados pelas colheitas, imobilizados por fixação ou eliminado pela lixiviação.

O desafio de aumentar a produção de alimentos de forma economicamente viável, mantendo a integridade ecológica dos sistemas, dos quais depende a agricultura, é a base fundamental da agricultura sustentável. Futuros aumentos na produção de alimentos terão que ocorrer concomitante com a expansão limitada de terra, e isto só poderá ser realizado por meio da intensificação da produção sustentável de culturas. Entende-se isto como o aumento da produção total agrícola em uma mesma unidade de área ou, ainda, a manutenção da produção com uso racional de insumos.

As plantas deixam raízes, caules e folhas no solo após a colheita. Esses materiais são fonte de matéria orgânica para os organismos vivos do solo que se alimentam deles. A matéria orgânica é parcialmente decomposta e depois mineralizada, enquanto a outra parte é transformada em húmus estável, um constituinte importante da fertilidade do solo. Matéria orgânica é alimento para a vida do solo. Promove uma estrutura irregular e arejada e aumenta a reserva de água útil. Finalmente, a matéria orgânica aumenta a capacidade de um solo de armazenar reversivelmente elementos minerais trocáveis, em particular cátions, melhorando o armazenamento de nutrientes como cálcio, potássio e magnésio.

Os fertilizantes minerais causam uma redução no estoque de matéria orgânica do solo? É um equívoco comum que se confunde com o papel do sistema de cultivo. Um sistema que não devolve matéria orgânica suficiente ao solo a partir da fotossíntese leva a uma diminuição no estoque de matéria orgânica. Os fertilizantes ajudam a aumentar a produção das plantas, mas uma quantidade suficiente de resíduo deve ser deixada no solo para nutrir a vida do solo. Assim, nas sucessões e rotações de culturas a quantidade de matéria orgânica pode aumentar ao longo das safras, mesmo com fertilização exclusivamente mineral.

A população mundial continuará a crescer e deverá exceder 9,6 bilhões de pessoas em 2050 (ONU, 2013). Se considerarmos que as terras agrícolas são limitadas e estão ameaçadas pela expansão urbana, o aumento da produtividade é o primeiro fator a reduzir a fome e a pobreza no mundo.

A segurança alimentar é definida por uma quantidade suficiente de alimentos, segura e nutritiva suficiente para uma vida saudável e ativa (FAO, 2009). A adubação faz parte dos dois desafios de quantidade e qualidade dos alimentos.

Nos últimos cinquenta anos, a população mais que dobrou e a produção de cereais triplicou para 2,5 bilhões de toneladas (FAO, 2016). Sem o uso de fertilizantes nitrogenados, a colheita global alcançaria apenas 50% desse nível. O raciocínio da fertilização visa aproveitar o progresso contínuo trazido pelo aprimoramento das variedades, enfatizando a eficiência de todos os insumos nutricionais.

A adubação está relacionada, além dos nutrientes essenciais para as plantas, com o valor nutricional dos alimentos para humanos e animais. Os fertilizantes fornecem nutrientes, além das quantidades naturalmente liberadas pelo solo e pela mineralização dos resíduos orgânicos.

Uma nutrição equilibrada da planta em todos os elementos minerais produz alimentos de bom valor nutricional e alta qualidade organoléptica. A simples deficiência de em um dos nutrientes pode resultar em baixa qualidade e redução no rendimento. Sintomas de deficiência revelam os distúrbios fisiológicos sofridos pelas plantas, ocasionando, em muitos casos, sintomas de doenças. Em muitos casos, os produtos agrícolas de culturas deficientes não são comercializáveis, provocando grande desperdício.

A qualidade é avaliada de acordo com critérios subjetivos: cor, consistência, sabor, aroma. Também por critérios objetivos, que se relacionam com a qualidade tecnológica, o valor nutricional do alimento como açúcar, proteínas e óleos.

A adição de nitrogênio aumenta a quantidade e o teor de proteínas nos cereais. O enxofre também é usado na composição de três aminoácidos essenciais que desempenham um papel na síntese e conformação de proteínas. No trigo, a composição proteica e seu conteúdo são responsáveis ​​pelo valor do cozimento para a produção de pão.

Cálcio, magnésio e potássio estão presentes em sua forma mineral na planta e também são essenciais para os seres humanos. Nas plantas, elas promovem resistência ao estresse físico (seca, geada, calor etc.) e aos ataques de certas pragas. O potássio e o magnésio também promovem a transferência e o acúmulo de açúcares para os produtos colhidos (grãos, sementes, frutos). Assim, a fertilização com potássio e magnésio melhora o teor de açúcar e álcool da cana-de-açúcar, o teor de amido das batatas e proteína da soja. Juntamente com o cálcio, também promove a firmeza, o tamanho e a cor das frutas e legumes e confere melhor valor nutricional a esses alimentos, o que contribui para a ingestão diária desses três elementos minerais na dieta dos homens.

A deficiência de micronutrientes como zinco, ferro, antioxidantes como a vitamina C, afetam grande parte da população mundial quando os alimentos não são diversificados o suficiente. A busca por variedades enriquecidas com esses elementos é um caminho para o progresso, mas a adubação com esses elementos também permite uma melhoria rápida e em larga escala na saúde das populações.

Por isso que dizemos que nutrir o solo é o caminho para nutrir as plantas e, assim, nutrir as pessoas. A nutrição de um povo está intimamente relacionada a qualidade nutricional do solo onde elas estão instaladas. Os fertilizantes são o caminho mais barato e eficiente para aumentar o rendimento das culturas. Antes de pensar em alimentar a população, devemos primeiro pensar em alimentar o nosso solo.


* o autor é engenheiro agrônomo.

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

O que há nos sacos de fertilizantes?


Valter Casarin *
Segundo estimativas da FAO, a população mundial excederá 9 bilhões em 2050. Para atender a essa demanda, a produção mundial de alimentos precisará crescer cerca de 70% em relação ao seu nível atual. Uma solução para aumentar a produção de alimentos poderia ser a abertura de novas terras agrícolas. No entanto, muitos estudos evidenciam os efeitos negativos que poderiam resultar no clima do planeta. Assim, precisamos intensificar a produção por unidade de área para evitar de derrubar florestas. Portanto, será mais prático fazer o melhor uso da terra já utilizada para a agricultura.

Para garantir a segurança alimentar, precisamos desenvolver uma agricultura mais eficiente e uma fertilização mais direcionada, com base na moderna tecnologia das plantas.

As terras agrícolas são destinadas ao cultivo. Os produtos colhidos são removidos da área e, com eles, os nutrientes também são retirados. Os nutrientes podem estar presentes no solo originalmente ou ser adicionados por fertilização. Ao mesmo tempo, os nutrientes também podem ser removidos do solo pela erosão, lixiviação ou volatilização. É por esse motivo que os solos requerem um manejo cuidadoso para preservar suas qualidades e potencial produtivo. A adubação correta faz parte deste manejo.

Os fertilizantes minerais visam melhorar a quantidade e a qualidade dos produtos agrícolas.

Qual a composição dos fertilizantes minerais?

Basicamente, os fertilizantes contêm sais de elementos que são nutrientes de plantas e de animais, inclusive nós. Note que fertilizante e adubo são sinônimos e neste texto usamos ambos com o mesmo sentido.

Existe um grande mito em torno dos fertilizantes, principalmente por considerar esse insumo como sendo tóxico. Para um melhor entendimento sobre esse tema, precisamos entender a composição química dos fertilizantes, como sendo a forma mais correta para identificarmos a importância para as plantas, mas também para os animais e humanos.

Para avaliar essa importância, um primeiro passo é conhecer quais são os nutrientes que são essenciais para as plantas e animais. A essencialidade significa que esses nutrientes não podem faltar, pois eles fazem parte de processos vitais e sua carência irá acarretar sintomas sérios para o desenvolvimento das plantas e dos animais.

Nutriente de Plantas: C, H, O, N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Ni e Zn

Nutriente de Seres Humanos: C, H, O, N, P, K, Ca, Mg, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Zn, Na, Co, Si, As, Se, I, V e Cr

Podemos verificar que grande parte dos nutrientes essenciais para o ser humano, também são essenciais para as plantas. Isto permite entender que a falta do nutriente para as plantas irá afetar seu fornecimento para o ser humano. Ao mesmo tempo, devemos entender que o fornecimento de nutrientes para as plantas é feito pelo solo. Isto nos remete a afirmar que o nutriente contido no solo será responsável pela boa nutrição do ser humano. Vamos exemplificar falando de alguns tipos de fertilizantes.

Fertilizantes Nitrogenados
O nitrogênio (N) é o componente das proteínas dos nossos músculos e enzimas que fazem nosso organismo funcionar. As plantas produzem proteínas a partir de formas minerais naturais de N que absorvem do solo. Mas de onde vem o nitrogênio que está sacos de adubo? Do ar! O N compõe cerca de 78% do ar que respiramos e constitui um estoque ilimitado de nitrogênio. Mas, o N no ar está na forma de um gás inerte que as plantas não podem assimilar. Para produzir fertilizantes nitrogenados, é preciso extrair nitrogênio do ar e transformá-lo em amônia, combinando-o com hidrogênio, em um processo industrial descoberto no início do século passado. A amônia é processada e transformada em diversos sais fertilizantes que são absorvidos pelas plantas. Assim, a indústria de fertilizantes e as plantas transformam ar em proteínas que compõem nosso corpo.

A história é um pouco mais longa. Algumas plantas – por exemplo a soja - se associam com bactérias que conseguem capturar o N do ar, como a indústria faz. Há também pequenos depósitos naturais de sais de nitrogênio, de pouca importância no comércio de fertilizantes. Mas, a maior parte do N usado na agricultura é na forma de fertilizante, produzido a partir do ar, como contado acima.

Fertilizantes Fosfatados
Presente em todas as células vivas, o fósforo (P) é um elemento essencial para a vida. O fósforo é encontrado em toda parte do corpo, mas em quantidades mais concentradas nos dentes e ossos. As plantas absorvem o fósforo de sais presentes no solo e os transformam em compostos que nosso organismo utiliza. Os fertilizantes repõem ao solo o fósforo que as plantas retiram. Mas, como o P vai parar no saco de adubo? O que entra na composição dos fertilizantes vem de rochas fosfatadas, encontradas na natureza. Parte dessas rochas é apenas concentrada e usada in natura. Parte a indústria processa para produzir sais de mais alta solubilidade para facilitar sua absorção pelas plantas. Os maiores depósitos de fosfato são encontrados no norte da África, nos Estados Unidos e China. O Brasil também tem jazidas de fósforo. São depósitos naturais formados e acumulados em nosso planeta durante milhões de anos.

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Um pouco de história dos adubos fosfatados: você sabia que no passado os adubos fosfatados, com a fórmula química que ainda hoje empregamos, era feita a partir de ossos?

Fertilizantes Potássicos

O potássio (K) também é encontrado em todos os lugares da natureza e, nos humanos, nos músculos, na pele e no trato digestivo. Para se manter saudável, precisamos de uma ingestão suficiente de potássio; no caso das plantas, essa contribuição vem dos fertilizantes potássicos. Nas plantas, o potássio é usado para fotossíntese, formação de proteínas e uso de água.

O potássio é extraído de corpos minerais naturais por evaporação da água do mar. O potássio é encontrado em minerais que contêm misturas de vários sais, como cloreto de potássio, cloreto de sódio, sais de magnésio. Estes depósitos contêm uma mistura de cristais de cloreto de potássio e cloreto de sódio, também conhecido como sal de cozinha. Após sua extração e separação da mistura, o cloreto de potássio é usado como fertilizante. A maioria dos depósitos de potássio está localizada no Canadá, Rússia, Bielorrússia, Alemanha e Estados Unidos. O Brasil também tem reservas de potássio, mas, elas são pequenas.

O cloreto de potássio, obtido por processos físicos, é um sal praticamente puro contendo alta concentração de potássio. O cloreto de potássio é adequado para todos os solos e para a maioria das culturas.

Assim, o material que está nos sacos de adubo é oriundo de fontes naturais, que por transformações, dão origem aos fertilizantes.

Você sabia que os médicos receitam compostos que algumas pessoas precisam tomar como suplemento mineral e que têm exatamente as mesmas fórmulas dos adubos? Se você examinar os sacos de adubo você verá que eles contêm produtos como ureia, nitrato de amônio, fosfato de cálcio, sulfato de cálcio, cloreto de potássio, sulfato de zinco e por aí. Na próxima vez que você for à farmácia, dê uma olhada na composição dos suplementos minerais nas suas embalagens ou nas bulas. Você vai se surpreender ao achar lá muitos dos compostos químicos que estão nos sacos de adubos. Podemos exagerar e dizer que as pessoas praticamente comem fertilizantes! Não só comem, como passam na pele. Olhe também a composição de alguns cremes que você usa e não se surpreenda se encontrar ureia na lista de ingredientes – exatamente a mesma ureia dos fertilizantes.

Mas, não vá se entusiasmar e comer adubos. Deixe-os para as plantas. Ao contrário dos adubos, os suplementos das farmácias são purificados para consumo humano.

Com objetivo de melhorar a percepção da população em relação às funções e os benefícios dos fertilizantes, foi estabelecida no Brasil, em 2016, a iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV). A NPV possui visão, missão e valores análogos aos da coirmã americana, a Nutrients For Life. Sua principal missão é destacar e informar a respeito da relevância dos fertilizantes para o aumento da qualidade e segurança da produção alimentar, colaborando com melhores quantidades de nutrientes nos alimentos e, consequentemente, com uma melhor nutrição e saúde humana.

As informações divulgadas pela NPV são baseadas em dados científicos, tanto que a iniciativa tem a participação de renomados cientistas e pesquisadores de importantes centros de pesquisa brasileiro.


* o autor é engenheiro agrônomo.




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quarta-feira, 25 de março de 2020

Plantas saudáveis para a mesa e sua relação com o nitrogênio



O nitrogênio é o nutriente mineral normalmente absorvido em maiores quantidades pelas plantas. Ele faz parte de muitas moléculas importantes para a estrutura e a fisiologia vegetal, como aminoácidos, proteínas e enzimas, entre outras. Seu papel é insubstituível na produção agrícola. Grãos com alto valor proteico, como soja e feijão, ou culturas com maior produção de biomassa requerem maiores quantidades de nitrogênio.

No manejo da adubação, recomenda-se a aplicação parcelada do nitrogênio. Por se tratar de um elemento muito dinâmico no ambiente, o nitrogênio pode ser perdido por várias formas. Em uma cultura anual, por exemplo, aplica-se o fertilizante nitrogenado de forma parcelada, uma primeira aplicação na semeadura e o restante de 20 a 40 dias após a primeira aplicação. O parcelamento deve considerar as necessidades das plantas, mas também as características do solo e o clima.

“Em culturas perenes, como laranja, café e banana, a dose de nitrogênio é calculada para suprir as necessidades das plantas durante o ano todo. Nessas culturas o parcelamento do nitrogênio pode ser dividido em 3 a 5 aplicações, favorecendo a eficiência de uso do nutriente pelas plantas e reduzindo as chances de perdas para o ambiente”, explica Dr. Heitor Cantarella, diretor do Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico de Campinas e Coordenador Geral da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV).

Os fertilizantes nitrogenados proporcionam benefícios que se estendem à saúde humana através da produção de plantas saudáveis, ricas em proteínas. Lavouras adequadamente adubadas com nitrogênio produzem grãos com maior teor de proteína, essencial para a alimentação humana e animal. Pastagens com altas concentrações de proteína não só elevam a produção de carne, leite e outros produtos de origem animal, mas também melhoram seu valor alimentício.

“Estima-se que, atualmente, 40% da população mundial tenham sua subsistência alimentar associada ao desenvolvimento do processo para a síntese da amônia (NH3), matéria prima utilizada para a produção dos fertilizantes nitrogenados a partir do nitrogênio presente no ar”, comenta Dr. Cantarella. Pouca gente sabe que a maior parte do nitrogênio, que constitui essa classe de adubo, provém do ar que respiramos. A síntese de amônia, desenvolvida por Haber-Bosch, proporcionou a produção em escala mundial de fertilizantes nitrogenados, aumentando a produtividade da agricultura em grande parte do planeta. Atribui-se a ela um aumento de 30 a 50% na produção agrícola.

O nitrogênio, a despeito dos seus muitos benefícios à produção agrícola e à qualidade dos alimentos, pode trazer consequências preocupantes se for mal manejado. Quando o N se perde do solo por lixiviação, volatilização ou se transfere para os corpos d’água, por exemplo, há prejuízo econômico para o agricultor e prejuízo para o ambiente, pois o N, quando em excesso na bacia hidrográfica, pode ter potencial poluidor. “Por isso, para maximizar os benefícios dos adubos nitrogenados, é importante utilizá-los de acordo com as técnicas agronômicas recomendadas”, conclui Dr. Cantarella.

Sobre a NPV
A Nutrientes Para Vida (NPV) é uma iniciativa inovadora com a missão de informar a população sobre a relevância dos fertilizantes (o alimento das plantas), para o aumento da qualidade e segurança da produção de alimentos. As informações são baseadas em dados científicos. Com Visão, Missão e Valores análogos à coirmã americana, a Nutrients For Life, que já colhe importantes frutos em outros países, como Estados Unidos, onde nasceu, Canadá, México e Colômbia.


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sábado, 29 de fevereiro de 2020

O que a ureia tem a ver com a sua saúde


   A ureia é uma das moléculas mais simples, com os quatro elementos essenciais, hidrogênio, carbono, nitrogênio e oxigênio. Está presente na urina de todos os mamíferos. Trata-se de uma molécula onipresente, indispensável para os organismos dos reinos animal e vegetal e naturalmente para nós, humanos.

Fonte de amônia, a ureia também está na alimentação animal, mas apenas de ruminantes. De fato, os microrganismos presentes no rúmen são capazes de utilizar essa fonte de nitrogênio para sintetizar aminoácidos utilizados pelos ruminantes. Seu uso é particularmente interessante como complemento de forragens com baixo teor de nitrogênio.

Já nos seres humanos, o manejo da ureia pelos rins é uma parte vital do metabolismo. Além de seu papel como transportador de nitrogênio residual, a ureia também atua como um sistema de troca de contracorrente nos néfrons, o que permite a possível recuperação de água e íons essenciais da urina excretada.

Este mecanismo, que é controlado pelo hormônio antidiurético, previne a perda de água, mantém a pressão sanguínea e a concentração de cátions de sódio no plasma sanguíneo.

Histórico
Composto orgânico com a fórmula química CO(NH2)2, foi descoberta em 1773 pelo farmacêutico Hilaire Rouelle. Formada em ciclo que se inicia no fígado, a partir de amônia que provém da degradação de três aminoácidos (arginina, citrulina e ornitina), a ureia natural é eliminada ao nível dos rins pela urina.

Antes desta experiência, era considerado que as moléculas "orgânicas" só poderiam ser oriundas de constituintes ou derivados de organismos vivos. Quando o homem consegue realizar a produção de ureia, fica demonstrado que a química mineral e a química "orgânica" estão ligadas.

A síntese da ureia permitiu produzir a ureia fertilizante, que é um fertilizante sólido concentrado em nitrogênio (46%). Esse fertilizante tem produção mais barata e facilidade de transporte e armazenamento. Estima-se que mais de 60% do nitrogênio mineral utilizado como fertilizante no mundo é aplicado na forma de ureia.

Os fertilizantes nitrogenados são feitos a partir de amônia (NH3), obtida pela combinação de nitrogênio do ar e hidrogênio (H2) do gás natural. O ar atmosférico é constituído por 78% de N2, sendo o nitrogênio um recurso que está presente em qualquer ponto do planeta em quantidade quase ilimitada.

A amônia é a matéria-prima básica para toda a indústria de fertilizantes nitrogenados. Cerca de 80% do custo de produção de amônia está relacionado ao uso de gás natural (metano). A ureia é obtida pela combinação de amônia e dióxido de carbono (CO2), formado durante a síntese de amônia.

Com o teor de nitrogênio de 46%, a ureia granular é o fertilizante nitrogenado mais concentrado. O nitrogênio está presente na forma de ureia. No solo, esse nitrogênio da ureia é sucessivamente transformado em nitrogênio amoniacal e nítrico. A ureia granulada pode ser usada em muitas culturas, especialmente em culturas com altas exigências de nitrogênio, como o milho. A sua formulação em grânulos garante a homogeneidade da sua aplicação.

Conforme o engenheiro agrônomo Valter Casarin, da Iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV), agronomicamente é uma formulação interessante porque a sua mineralização progressiva é induzida pela presença das bactérias do solo.

Sobre o NPV
A Nutrientes Para Vida (NPV) tem como missão esclarecer e informar a sociedade, sobre os benefícios dos fertilizantes (ou adubos) na produção dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada.
Atua somente com informações embasadas cientificamente, de modo a explicar claramente o papel essencial dos diversos tipos de fertilizantes na segurança alimentar e nutricional, além de seu efeito multiplicador na produtividade de culturas.

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