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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Notas torpes sobre um quase adeus ou até breve ao GGN

Armando Coelho Neto *
Não há luta entre esquerda e direita, mas sim luta da civilização contra a barbárie.

Quando comecei a escrever neste espaço não trouxe grandes novidades, exceto quanto mergulhava um pouco nas entranhas da Polícia Federal, sobre o desserviço dela à Nação, seu papel de capitã do mato nos golpes de 1964 e 2016, e, mais recentemente na vergonhosa formação de seus novos jagunços… “Mito mito! ”

Minhas palavras geraram revolta dentro da PF e seus calhordas, enquanto os policiais sérios quedavam amordaçados sujeitos a um regime jurídico decadente, com regras de valas comuns nos quais seus servidores são enquadrados, conforme humores administrativos. Aos inimigos a lei é a regra número zero.

Por conta delas (minhas palavras), sofri interpelações, já que para a PF é mais fácil conviver com mentiras e hipocrisia do que com a verdade. Ela nega até mesmo os bons préstimos da gestão petista em seu favor e que lhe deram projeção. Entre eles, mais autonomia, instrumentos legais, recursos materiais e humanos (1).

Segui o desafio de dizer algo às segundas-feiras, quando já se havia dito tudo sobre tudo, e com muita propriedade, na verve de jornalistas, juristas, cientistas políticos… a respeito das escrotices promovidas pela elite sabuja, com a proteção do Supremo Tribunal Federal e das covardes Forças Armadas – pátria amada raio que o parta!

Ao começar a escrever nos primórdios do golpe de 2016, tinha ilusão de mostrar o reduzido contingente na PF ávido por justiça social, honesto, preocupado com direitos humanos. Gente séria para quem direitos humanos protegem o cidadão contra a tirania do Estado. Mas, para a maioria é mesmo proteção de bandidos.

Para se ter ideia, a unidade que trata do meio ambiente é chamada de “Delebambi” (2). A ambientalista mirim Greta Thunberg só perde para Lula em termos de ironias. Isso mostra o sentimento retrógrado sobre uma importante questão mundial. É coisa para inglês ver, com as ressalvas obrigatórias quanto às honrosas exceções.

Assim era, assim é, mas era preciso dizer que havia gente refletindo na instituição. Desse modo, à exceção das particularidades da PF, tudo o quanto mais registrei neste GGN repercutia muito mais em razão de quem (um delegado federal) estava dizendo, escrevendo, do que mesmo pelo ineditismo ou contribuição ao debate.

É como se um delegado federal dizendo “é golpe, foi golpe” fizesse alguma diferença. Sempre chamei de Farsa Jato a maior tramoia jurídica da história, urdida por entreguistas, corruptos, por capitães do mato da elite do atraso. Parecia fazer a diferença chamar o herói da TV Globo de Zé Roela, hoje a serviço de corruptos.

Se fez ou não fez diferença, não se sabe. Mas, já deu. Bateu o cansaço, parecido com o de Álvaro de Campos (“O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo; Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço… infecundo, cansaço; Um supremíssimo cansaço, Íssimo, íssimo, íssimo”).

Ocupar nossa precária massa cefálica com histrionices, macaquices, pouca vergonha, com a horda de assassinos e ladrões da gangue do Planalto é demais. Chega de reverberar a hemorroida do Bozo, o pinto mal lavado dos adolescentes, gripezinha, ambientalistas maricas, e daí (?), não sou coveiro, jacaré…

Basta de o … da tua mãe, enfia no… fdp, ela quer dar o furo, chicletes, leite Moça, alfafa, o compromisso diário com a podridão aplaudida por insanos. Às favas o culto ao ódio, à família nepotista, o processo de imbecilização de uma sociedade doente, programada para sê-la, por que a alienação é a galinha dos ovos de ouro deles.

Não há luta entre esquerda e direita, mas sim luta da civilização contra a barbárie. Esquerda, já o disse, é concessão da direita para que ela, a direita, apareça limpinha e cheirosa na fita, como quem dá direito de defesa num processo aberto para condenar. O “golpichimam” de Dilma e o justiçamento de Lula falam por si (3).

A imprensa bate de mentirinha no Bozo, pois sabe que vitimizando Bozo ele ganha apoio popular. Enquanto reverbera sandices e maldades do Bozo, Paulo Guedes passa a boiada. Alimenta o embate futuro entre Bozo e Dória (o cocô puro contra o cocô com chantili) com Supremo, FFAA, Transparência Internacional et caterva.

A rigor, cansei de falso “Brazil quebrado”, de ver ladrão chamando Lula de ladrão, farsas jurídicas no Supremo, bandidos julgando inocentes (como a gangue de Eduardo Cunha), juízes larápios com “juridiquês” empolado livrando a barra das elites, com autoridades querendo furar a fila da vacina. Vão todos às favas!

Sob silêncio sepulcral das exceções, grassa a covardia e sabujice das Forças Armadas sempre a serviço do sistema, e que só apareceram na história para derrubar governos populares e pintar meio-fio. Aos quintos dos infernos também!

Acho que já deu. Por certo farei como Adriana Calcanhoto, e escreverei “cartas pra ninguém”, já que o inverno no Leblon é quase glacial.

Aliás, não só no Leblon. Na Praça Roosevelt também, onde a inútil e assassina Polícia Militar de S. Paulo, na cara de pau, cínica e autoritariamente rouba centímetro a centímetro o espaço público, com a cumplicidade de sua omissa “corregedoria” e do Ministério Público.

São essas minhas notas torpes de um quase adeus ou até breve ao GGN. É possível que eventualmente, reapareça por aqui, talvez em razão do que se diz ou se possa dizer, e, não mais em razão de quem diz… É possível que me dedique a um livro ou a uma saudade intensa que dói, dói, dói por que ser nervo exposto é fo…

* Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-representante da Interpol em São Paulo.

Publicado no Jornal GGN: https://jornalggn.com.br/artigos/notas-torpes-sobre-um-quase-adeus-ou-ate-breve-ao-ggn-por-armando-coelho-neto/

Referências citadas pelo autor:

1- https://jornalggn.com.br/artigos/desculpas-delegados-da-pf-mas-foi-dilma-quem-fortaleceu-voces-por-armando-coelho-neto/
2- https://www.youtube.com/watch?v=hI2WnEPXAFY
3- https://jornalggn.com.br/crise/e-o-golpe-da-maconha-intrujada-lewandowski-por-armando-coelho-neto/

 

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Para onde querem levar o Brasil?

Richard Jakubaszko 
Pela leitura on line dos principais jornais, a situação anda de mal a pior. Caminhamos a passos acelerados para o caos total, de forma irresponsável.
Não há governo, não há liderança, não há nenhum sinal e nada visível de que o governo caminhe em direção de uma solução do problema da greve dos caminhoneiros, que já afeta a todos os brasileiros. O Estadão de hoje pergunta em sua principal manchete: "O que mais eles querem?"
Respondo: querem fora Temer, querem uma mídia honesta e verdadeira, ao lado do povo, querem eleições livres e democráticas.


O governo Temer age como uma barata tonta, com declarações estapafúrdias de que vai prender os líderes da greve dos caminhoneiros, de que vai colocar o exército nas estradas, e de que entre os caminhoneiros há acusações de infiltrações no movimento, gente radical que impede a dispersão dos caminhões, desde que tiveram atendidas as reivindicações pelo governo federal, mas a greve vai se estendendo, e completamos o 8º dia de paralisação. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ver nota abaixo), na tentativa de defender seus associados, informa a mortandade de animais, especialmente aves, por fome, já que a ração não chega aos avicultores. Lá se foram mais de 70 milhões de aves, e há o perigo de se atingir 1 bilhão de galinhas nesse processo de bloqueio das estradas, e que já atinge níveis insuportáveis. Prejuízo de produtores rurais, de todos os tamanhos, que não serão jamais ressarcidos. Vai faltar carne de frango e ovos.

Os caminhoneiros até hoje tinham o apoio da população, inclusive de entidades associativas de todas as áreas atingidas, mas o movimento de greve derivou para um viés político com pitadas de radicalização insana. Aparentemente essa radicalização impede o fim da greve. Quem sabe o que está acontecendo? Sem informações reais, pois a mídia sonega a realidade, estamos em guerra, e nesta, como sabemos, a primeira vítima é a verdade. Os desencontros de notícias geram desinformação, e até mesmo a Polícia Rodoviária Federal se omite, simplesmente parou de registrar informações para a mídia.


O governo federal mostra toda a sua incompetência para gerir a crise, desde o início isso ficou evidente. Agora, politicamente, o governo Temer está de joelhos, nem o exército atendeu a ordem presidencial de intervir e liberar as estradas. O caos vai crescendo.

Levaremos semanas, ou meses, em alguns segmentos, para recolocar a vida em ordem. Prejuízos imensos, de produtores, cooperativas agrícolas, atacadistas, comércio em geral, postos de gasolina, prenunciando uma apoteótica quebradeira de muita gente. Na sequência, depois que a poeira abaixar, continuaremos com o desabastecimento, inflação com recessão, e mais crise econômica. Tudo isso em um ano eleitoral que se pronunciava tumultuado, e que promete muito mais emoções em termos de malvadezas. Os radicais, grevistas e não grevistas, já pedem ensandecidos intervenção militar, como se isso fosse resolver qualquer dos problemas em andamento ou os que estão a caminho.

Aturdidos, vários segmentes urbanos (universidades, escolas, correios) e mesmo de propriedades rurais começam a paralisar atividades, pela impossibilidade de reunir os trabalhadores nos seus locais de trabalho, devido à falta de combustíveis que sufoca o transporte público. Vai ser um trabalho hercúleo recompor a normalidade do país. E falta pouco para começarem os assaltos famélicos, espero que nem comecem, pois meu otimismo deseja acreditar que as fofocas midiatizadas de que o movimento dos caminhoneiros começa a arrefecer. Não sei, tenho dúvidas, e o caos está chegando...

Espero que o bom senso volte a prevalecer. Não há condições mínimas de a sociedade voltar à normalidade diante dos radicalismos e omissões. Os aproveitadores e oportunistas, tanto do ponto de vista político como econômico, começam a mostrar suas garras. O mercadismo não pode prevalecer sobre o bom senso.

Alguém aí deseja ver o Brasil normal e com o povo em paz? Mas, para onde querem levar o Brasil desta vez? Fora Temer, parece ser um bom começo... Logo estaremos gritando "Fora Maia", mas o Temer, nesse caso, já terá ido embora, levando com ele o tucano Pedro Parente, rolabosta causador dessa merda que presenciamos.

COMUNICADO DA ABPA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que os bloqueios dos caminhoneiros seguem impedindo o fluxo de produtos, aves e ração para a avicultura e a suinocultura do Brasil.

Segundo levantamento feito pela entidade junto a seus associados, caminhões com rações, insumos para a produção da alimentação animal (como milho e soja) e outros produtos são impedidos de circular em mais de 300 pontos de 22 estados pelo País.

Além dos bloqueios, há relatos de ameaças a motoristas que querem deixar a paralisação.

A mortandade continua crescendo nos polos de produção pelo país. Desde o início da greve, são quase 70 milhões de aves mortas. Volumes próximos de 120 mil toneladas de carne de frango e de carne suína deixaram de ser exportados desde o início da greve.

Os animais mortos são colocados em composteiras nas próprias propriedades, mas o sistema já está no limite. O risco ambiental e de saúde pública é crescente.

Cerca de 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos ainda estão em risco de morte como consequência direta dos bloqueios.

Todos os esforços estão sendo realizados por avicultores, técnicos do setor, colaboradores da cadeia produtiva (inclusive motoristas que não concordam com a continuidade da greve) para diminuir os graves impactos causados pela paralisação. A situação é alarmante para todo o setor. A continuação dos bloqueios para produtos alimentícios rações e animais são um grave risco ao País e exigem uma ação forte e imediata do governo. Não é mais possível esperar.

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Singer: “ação contra universidades é orquestrada”

Fernando Brito *

Embora com platitude e delicadeza exageradas, diante da monstruosidade que está ocorrendo, vale a leitura do artigo de André Singer, ontem, na Folha, sobre a perseguição criminosa da Polícia Federal e do Judiciário contra as universidades públicas. A frase, do dramaturgo alemão Hanns Johst, acabou “virando”, por identidade, como sendo de Herman Göring, chefe da Gestapo. Começamos, infelizmente, a entrar neste terreno.

É hora de defender a universidade
André Singer, na Folha de SP

Na quarta (6), três meses depois do episódio que levou o então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ao suicídio, a Polícia Federal (PF) resolveu repetir a dose com o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O procedimento foi o mesmo. Agentes chegam de surpresa à casa da vítima, que nunca fora intimada a depor, cedo de manhã, e a levam, sob vara, para alguma instalação policial.

O engenheiro Jaime Arturo Ramirez teve mais sorte do que o advogado catarinense Luiz Carlos Cancellier, sendo liberado após algumas horas. O segundo, submetido à humilhação de algemas, correntes nos pés, desnudamento, revista íntima, uniforme de presidiário e a cela onde teve que dormir, matou-se 15 dias mais tarde.

Ao deixar as dependências da PF, Ramirez, levado ao mesmo tempo que outros seis quadros da UFMG, fez uma declaração sucinta: “Fomos conduzidos de forma coercitiva e abusiva para um depoimento à Polícia Federal. Se tivéssemos sido intimados antes, evidentemente teríamos ido de livre e espontânea vontade”. Alguém duvida?

Segundo os documentos disponíveis, o Ministério Público foi contrário à condução coercitiva. Mas a PF insistiu, e a juíza encarregada acatou a demanda, alegando “possibilitar que sejam ouvidos concomitantemente todos os investigados, (…) impedir a articulação de artifícios e a subtração de provas”. Sem qualquer justificativa consistente, a direção da universidade, tal como havia ocorrido em setembro na UFSC, foi tratada como uma quadrilha de assaltantes, justificando o aparato — 84 policiais — destinado a capturá-los.

Na realidade, de acordo com o reitor de uma instituição congênere, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a onda de criminalização dos campi começou no final de 2016, quando “a Polícia Federal irrompeu na UFRGS [a federal do Rio Grande do Sul], em vista de uma suspeita de fraude em um programa de extensão”. Em fevereiro de 2016, a própria UFPR foi atingida: 180 agentes cumpriram vários mandados de prisão e oito conduções coercitivas. Depois veio a prisão de Cancellier, a condução de Ramirez e, para cúmulo, mais uma incursão semelhante, na quinta, de novo na UFSC.

Reparem nos nomes das operações sequenciais da PF: “Research”, “PhD”, “Ouvidos moucos”, “Esperança equilibrista” e “Torre de Marfim”. É óbvio que estamos diante de uma ação orquestrada e arbitrária, usando os mecanismos de exceção abertos pela conjuntura política, com o objetivo de desmoralizar o sistema público de ensino superior no Brasil.

Se a sociedade civil não for capaz de superar divergências e se unir na defesa da universidade, teremos perdas irreparáveis. Não só na educação como na democracia.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado no: http://www.tijolaco.com.br/blog/singer-acao-contra-universidades-e-orquestrada/

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Policial “anônimo” ameaça na Globo possível novo diretor da PF

Fernando Brito *

Veja como nossas instituições “estão funcionando”.

A jornalista Natuza Nery, no Jornal das Dez da Globonews leu uma mensagem de, segundo ela, um policial federal – anônimo, é claro – que disse que se o governo nomear um novo diretor para a Polícia Federal que queira interferir na ação dos delegados que investigam a Lava Jato, ele será “o primeiro diretor da PF preso no cargo”

Inacreditável: a imprensa trata com naturalidade dominical um agente policial ameaçar de prisão seus eventuais chefes não por atos, mas por supostas intenções.

Antigamente, em tempos idos, julgava-se que, nas instituições armadas, hierarquia e disciplina eram essenciais.

Nestes dias presentes, onde há generais ansiosos por receber ordens de um ex-capitão tresloucado, já não digo mais nada.

* jornalista e editor do Tijolaço
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/policial-anonimo-ameaca-na-globo-possivel-novo-diretor-da-pf/


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Governo Temer desmonta Lava Jato

Miguel do Rosário *
O governo Temer cortou quase metade da verba da Polícia Federal, inviabilizando novas operações de grande porte.

A Polícia Rodoviária Federal já avisou que fechou as portas: não tem dinheiro nem pra gasolina.

E agora acabou de vez com a equipe da Lava Jato. A reportagem da Época fala que, na verdade, desde o início do governo Temer há um processo de asfixia e redução de estrutura da força-tarefa. Mas agora a mudança foi definitiva e abrangente. Os delegados e agentes que cuidavam da operação terão de cuidar de outros assuntos.

Há uma justiça poética nisso. Dá vontade falar: bem feito.

A PF se suicidou. Tornou-se um puxadinho da Globo, mas esqueceu que não é a Globo que paga suas contas, e sim o governo.

O governo depende dos impostos. Os impostos, por sua vez, são pagos pelas empresas e pelos trabalhadores. Se a PF ajuda os almofadinhas de Curitiba a quebrarem as empresas e a destruir os postos de trabalho, a PF fica, automaticamente, sem dinheiro.

O MPF e o Judiciário ainda mantêm a pose por um tempo, porque o governo não pode (nem tem coragem para tal) cortar sua verba.

A PF, portanto, é a primeira vítima de um golpe idiota, do qual ela mesmo participou com ações espetaculares, planejadas em linha com um timing político e uma dobradinha com a mídia, milimetricamente calculados, para derrubar o governo que mais investiu na… PF.

Ajudaram o golpe e botaram no Planalto um governo que toma a decisão de desmontar a Polícia Federal.

Novamente: bem feito.Por isso a tese do Dallagnol e do Carlos Lima é tão delirante. Eles chamam o PT de “organização criminosa”, acusam o Lula de “comandante máximo”, mas esquecem que foi o PT e o Lula que investiram na Polícia Federal, na transparência, na autonomia do MPF.

Que raios de criminosos são esses que investem tanto na polícia federal e no combate à corrupção?

Os criminosos são esses que aí estão, hoje, ocupando o Planalto. E prova maior é o desmonte das instituições que combatem a corrupção. Bandido que é bandido não ajuda a polícia, não é?

Aí a revista Época (fac-símile abaixo), da Globo, noticia o desmonte da Lava Jato, assim como de toda a Polícia Federal, e ao invés de acusar o responsável por essa decisão, o presidente Michel Temer e seu ministro da Justiça, menciona… Lula e Dilma.

Os outros investigados não são nominalmente citados: estão protegidos pela simpática expressão “dezenas de outros”.

Bem, se os criminosos estão no Planalto, o “comandante máximo” deles ainda é quem controla as notícias…

* o autor é jornalista, editor do blog O Cafezinho.
Publicado originalmente no http://www.ocafezinho.com/2017/07/06/governo-temer-desmonta-lava-jato/

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sábado, 20 de maio de 2017

Crime de Temer é assombrosamente explícito

Richard Jakubaszko  
Nos comentários do jornalista Ricardo Boechat, na rádio Band, um resumo da estratégia de sobrevivência de Temer diante das denúncias da JBS.
Ao mesmo tempo, suscita questionar as razões da demora do judiciário em denunciar esse escândalo, porque faz mais de 2 meses que a Polícia Federal tem a gravação, e por que o STF demorou a tomar uma decisão da denúncia? Difícil entender isso.
De toda forma, que Temer renuncie o quanto antes. O Brasil não suporta mais!
E vamos para eleições diretas, já! 
Não devemos permitir as eleições indiretas, por esse Congresso sem representatividade, pois eles podem eleger o atual ex-quase ministro da Fazenda, também ex-presidente do conselho da JBS, para terminar as "reformas" do Temer...

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Juiz responsável pela operação Carne Fraca diz que não há comprovação de carnes impróprias para consumo


Richard Jakubaszko 
Amigos, é estarrecedora a notícia que republico abaixo. Mostra a irresponsabilidade do judiciário e da Polícia Federal para com o país e com as atividades produtivas. O ministro Blairo Maggi tem de tomar conhecimento dessa notícia, ele que anda como um Dom Quixote, desesperado, tentando defender as atividades produtivas do país e da honestidade da grande maioria dos fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a Globo publica uma notícia dessa magnitude e importância no site G1 do Paraná? Cadê o destaque que a reportagem deveria ter no Jornal Nacional, ou na manchete principal de O Globo? Conivência da mídia para com a Polícia Federal?

Por que ninguém ainda processou o delegado Moscardi Grillo? Ou mandou prender o delegado? Quem sabe, uma camisa de força ficaria melhor no vestuário do leviano delegado?

O link para essa matéria está no rodapé deste post. A notícia foi publicada agora a noite, 19h01 de hoje, 24/03/2017.

Os grifos em azul e negrito são deste blogueiro. Observe se não são pertinentes.
 
Juiz responsável pela operação Carne Fraca diz que não há comprovação de carnes impróprias para consumo
Por Erick Gimenes e Marcelo Rocha, RPC, Curitiba
24/03/2017 19h01

Segundo Marcos Josegrei, foco da investigação federal sempre foi a corrupção; ele ressalta que, até este momento, não é possível dizer que os produtos brasileiros possam fazer mal à saúde.

O juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela operação Carne Fraca, afirmou nesta sexta-feira (24) que as investigações não tiveram como foco a qualidade dos produtos vendidos no Brasil, mas sim a apuração de crimes como corrupção, associação criminosa e extorsão, supostamente cometidos por agentes públicos e funcionários de empresárias do ramo.

"A investigação teve como finalidade a apuração de corrupção de um determinado grupo de fiscais inicialmente no estado do Paraná, que alegadamente não cumpririam com seu dever como manda a lei. Em determinada circunstância, portanto, cometiam crimes contra a administração publica, tais como a corrupção", disse.

O magistrado ressaltou que, até este momento, não se pode afirmar que os produtos comercializados pelas empresas investigadas possam fazer mal à saúde.

"Não se pode afirmar que nenhuma dessas empresas está colocando no mercado produtos impróprios para o consumo. Essa afirmação seria uma generalização temerária neste momento. O que se pode afirmar é que há indícios suficientes de que representantes de diversas empresas estavam com uma relação muito próxima com fiscais agropecuários e isso causava problemas de corrupção", disse o juiz.

Josegrei defendeu a qualidade da carne brasileira e disse que o problema, a princípio, é burocrático. "As empresas muitas vezes se associavam com os fiscais para romper barreiras burocráticas. Isso fazia com que procedimentos fossem agilizados, processos andassem mais rápidos do que deveriam, tinham acesso indevido a sistemas internos do Mapa [Ministério da Agricultura]. Não se pode dizer que as carnes ou os produtos exportados e consumidos no mercado interno por essas empresas não têm qualidade".

Segundo o juiz, os laudos apresentados pelo fiscal Daniel Gouvêa Teixeira, que deram origem à operação, não mencionam carnes estragadas.

"A PF [Polícia Federal] obteve dois laudos: um no que diz respeito aos produtos de um dos frigoríficos [Souza Ramos, em Colombo, no Paraná] e o outro do outro frigorífico [Peccin, em Curitiba]. Com esses laudos, a PF identificou que havia alguma impropriedade nos produtos que eram vendidos. Veja: eu não estou dizendo que esses produtos faziam mal à saúde, que causavam doenças. Eu estou dizendo que, de acordo com esses laudos, eles não tinham a propriedades que o rótulo dizia que e deveriam ter", explicou. Ambos frigoríficos negam problemas em seus produtos.

Josegrei reforçou que a prática de corrupção entre os fiscais é minoria entre os profissionais brasileiros. "É importante registrar que a maior parte dos fiscais é composta de gente correta, honesta, e que faz o seu trabalho diariamente".

Carne Fraca
Considerada a maior operação da Polícia Federal, quando se fala em números, a Carne Fraca soma 309 mandados, sendo 37 de prisão. Do total, 36 suspeitos foram presos e apenas um continua foragido. Veja quem são todos os alvos.

A PF aponta um esquema de fraude na produção e comercialização de carne. Além de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e produtores, a investigação encontrou indícios de adulteração de produtos e venda de carne vencida e estragada. Das 21 fábricas investigadas, 18 ficam no Paraná.
Há ainda a suspeita de que partidos políticos tenham sido beneficiados com o pagamento de propina.

Publicado no G1: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/juiz-responsavel-pela-operacao-carne-fraca-diz-que-nunca-houve-indicios-de-carnes-improprias-para-consumo.ghtml


COMENTÁRIO FINAL DO BLOGUEIRO:
Nessas horas, dá vergonha de afirmarmos que somos brasileiros.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

CNPC, ABPA e ABIEC defendem setor de proteína animal, em que o Brasil é exemplo mundial

Richard Jakubaszko
Recebi por e-mail declarações da Abiec, Abpa e Cnpc, sobre a campanha da Polícia Federal a respeito da Carne fraca, que transcrevo abaixo. Como coloquei no post anterior, são posicionamentos "politicamente corretos", pouco contribuem para que o setor saia do roteiro dessa novela de terror. Há que se tomar uma posição de enfrentamento, não à Polícia Federal, mas ao delegado Moscardi Grillo responsável por essa patacoada, processando-o por abuso do poder no exercício de cargo público. Aliás, não é a primeira vez que esse delegado da PF, que atua na Lava Jato, toma atitudes midiáticas, pelas quais já foi criticado por outros colegas da PF.


Não será com declarações elegantes como essas (que transcrevo abaixo por amizade e respeito aos líderes que as assinam), que vão fazer o delegado tirar o pé do acelerador de sua cruzada de acabar com a corrupção no Brasil. O problema da denúncia é político, traz embutido interesses escusos e inconfessáveis, conforme coloquei no post anterior.

ABPA e ABIEC defendem setor de proteína animal, em que o Brasil é exemplo mundial
Entidades reforçam qualidade das carnes bovina, suína e de aves e confiança no sistema de inspeção federal; setor emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras

São Paulo, 20 de março de 2017 – A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) realizaram nesta segunda-feira (20), às 11h, uma coletiva conjunta de imprensa para esclarecer as generalizações decorrentes da operação da Polícia Federal (PF), ocorrida na última sexta-feira (17). Durante a coletiva, o presidente-executivo da ABPA, Francisco Sérgio Turra, e o presidente da ABIEC, Antônio Jorge Camardelli, enfatizaram que os padrões sanitários da indústria de proteína animal – seja ela bovina, suína ou avícola – são um modelo internacional.

Segundo a ABPA e ABIEC, os eventuais desvios de conduta nas fábricas nacionais representam uma fração mínima da produção brasileira de proteína animal, devendo ser repudiados e combatidos. Para as entidades, a luta pela excelência em qualidade é contínua e não se pode contaminar a imagem do setor em razão de exceções isoladas.

“A comunicação da operação policial ensejou generalizações, que tanto o governo federal quanto as entidades do setor estão esclarecendo aos consumidores brasileiros e mercado internacional. Mas não fomos ontem (19) à Brasília protestar contra a PF e nem estamos hoje falando contra ninguém. Nossa preocupação é com mais de 6 milhões de trabalhadores brasileiros, que atuam nesta cadeia de produção de carnes bovina, suína e de aves. Estamos em uma missão patriótica, em defesa da indústria de proteína animal, que embarca anualmente 262 mil containers para 160 países, gerando uma receita que representa 15% do total das exportações brasileiras”, afirmou Turra, presidente da ABPA, entidade que representa as indústrias brasileiras de carnes suína e de aves.

De acordo com comunicado conjunto da ABPA e da ABIEC, publicado nesta segunda-feira (20) nos principais jornais, é irresponsável colocar dúvidas sobre a qualidade da carne brasileira, tanto em âmbito nacional como mundial. “Estamos aqui, ABPA e ABIEC, juntas, para solidificar aos consumidores do Brasil e países importadores a orientação que podem consumir com segurança sanitária as carnes produzidas em nosso País”, disse Camardelli, presidente da ABIEC.

Para Camardelli, há uma grande tarefa conjunta de ambas as entidades, frente – nas suas palavras – a “esta crise desnecessária”. O dirigente da entidade cujas empresas representam 91% das exportações brasileiras de carne bovina ressaltou que foi determinante a rápida atitude da Presidência da República e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para dirimir as implicações da operação policial para os mercados interno e externo de carnes brasileiras. “Governo federal, entidades do setor e indústria de proteína animal brasileira, juntos, vamos superar esta situação com a verdade e a transparência”, complementou Turra.

Atualmente, o Brasil é líder global em exportação de carne de frango, bovina e suína, exportando para países e regiões com elevado padrão de exigências como Estados Unidos, Japão e União Europeia, que regularmente fazem visitas de inspeção dos rígidos sistemas de produção da indústria de proteína animal brasileira. “As associações representativas da indústria de proteína seguirão firmes na defesa de um setor em que o Brasil é exemplo global. As carnes são fonte de proteína segura. As entidades garantem a confiabilidade perante o consumidor”, afirmaram em comunicado conjunto as entidades. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, até 2020, a produção nacional de carne bovina deve suprir 44,5% da demanda mundial, enquanto a carne de frango terá 48,1%, e a suína, 14,2%. “Nenhum outro setor nacional tem números como esses”, ressalta o comunicado.

Para os dirigentes, foram necessárias décadas para que o Brasil construísse sua reputação internacional como grande produtor e exportador de carne de frango, bovina e suína. “A abertura de mercados foi lenta, país a país, uma conquista de todos os brasileiros. Hoje, as empresas brasileiras detêm as melhores certificações internacionais de excelência”, disse Camardelli. “Eventuais restrições à importação de carne brasileira, além de representarem um retrocesso de muitos anos, impactarão a economia e resultarão em perda de empregos e renda. O setor de proteínas de frango, bovina e suína emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras”, adicionou Turra.


Manifestação do CNPC sobre a operação “Carne Fraca” da Política Federal
O CNPC avalia efeitos da corrupção para a cadeia da pecuária de corte

A corrupção identificada está sendo averiguada com a devida profundidade e os envolvidos devem ser punidos com severidade, pois causam enormes prejuízos a todos os segmentos da cadeia da pecuária de corte, desde os pecuaristas até os consumidores. Esta é posição da diretoria do CNPC – Conselho Nacional da Pecuária de Corte

Conforme já anunciado pelo Presidente da República Michel Temer e pelo Ministro Blairo Maggi o problema foi identificado em apenas 21 empresas, dentro de um universo superior a 4.700 e são apenas 33 os funcionários investigados entre os 11.000 colaboradores do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Tais dados representam uma ínfima minoria.

O SIF - Serviço de Inspeção Federal, executado com seriedade e competência pela esmagadora maioria dos médicos veterinários e funcionários do DIPOA do MAPA, desenvolve um trabalho altamente eficiente e confiável, não só para o mercado interno, mas também nas exportações.

O Brasil é reconhecido, hoje, por sua infraestrutura e evolução do seu rebanho como detentor dos mais avançados níveis tecnológicos e padrões de qualidade no mercado global.

Além do mais, as fraudes já identificadas não envolveram a carne bovina, segmento no qual o Brasil ostenta o honroso título de maior exportador mundial.

O Ministro Blairo Maggi, que vem tendo excelente atuação, conta com o total apoio de nossa entidade para punir os envolvidos e assegurar a confiança dos brasileiros e dos clientes internacionais na qualidade das nossas carnes.


Conselho Nacional da Pecuária de Corte
Sebastião Costa Guedes
Presidente em Exercício

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Quem vai processar o delegado da PF?

Richard Jakubaszko 

Processar o delegado, esta é a pergunta que não quer calar, e que estou me fazendo desde a última sexta-feira, 17/3, quando o delegado midiático da Polícia Federal (PF), Mauricio Moscardi Grillo, foi aos holofotes denunciar o que considera um escândalo nacional de os frigoríficos venderam carne podre, adulterada, vencida, misturada com papelão e coberta de ácido ascórbico, acusado mentirosamente de ser cancerígeno.

Ora, que provas o delegado e seus mais de 900 agentes apresentaram? Três ou quatro conversas telefônicas, das quais tiraram ilações estapafúrdias. Numa delas, envolveram o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, muito provavelmente o objetivo principal dessa desastrada operação Carne Fraca, para enfraquecer o político nomeado por Temer, porque ele teria a função, determinada pelo presidente e seus parceiros peemedebistas, de um lado, para desconstruir a Lava Jato, da qual faz parte o delegado Moscardi Grillo. De outro, a intenção de desmoralizar o ministro, que já andava comentando a futura troca do atual comandante da PF, coisa que os delegados não desejam.

A ação da PF é um crime lesa-pátria, pela leviandade, por demorar 2 anos numa operação, classificada como a maior de todos os tempos da PF, e que não apresenta nada conclusivo, apenas ilações e convicções, como parece ser o modismo entre procuradores e policiais, e que judicializaram o país. O exemplo maior dessa patacoada é a mistura de papelão em carnes, um absurdo de entendimento. Por que demorou 2 anos para vir a público?

Então, que se processe judicialmente esse delegado, por abuso de poder no exercício de um cargo público. Que se afaste esse delegado dessa operação, que não é verdadeira e nem ameaça a saúde pública, e que o Ministério da Agricultura faça a lição de casa. Que se processe esse delegado pela conduta midiática, escandalosa, e por colocar em risco a balança comercial brasileira, a imagem do país nessa área de alimentos, produção que nos concedeu o privilégio de ficarmos de fora da crise que se abateu no planeta desde 2008, quando o sistema financeiro americano quase implodiu o mundo.

Para os brasileiros vai ficar a imagem, por algum tempo, de que comemos carne podre, misturada com ácido ascórbico e papelão. Não vai adiantar muita coisa o presidente Temer ter convidado os embaixadores para uma churrascaria, as redes sociais ridicularizam essas atitudes. O ministro Blairo Maggi vai ter muito trabalho para desmontar essa trapalhada da PF, as empresas JBS, Seara, Marfrig e BRF não possuem forças para desmentir sozinhas as mentiras, e nem a grande mídia quer saber disso, pois não vai abrir espaço para desmentidos. O que a mídia deseja é a grana para pagar espaços publicitários dessas empresas, para custear as futuras operações escandalosas.

Neste exato momento em que publico este post, realiza-se a coletiva da Abiec e da Associação de Proteínas, em São Paulo, para esclarecer fatos do setor. Não será suficiente, os importadores europeus e chineses já começaram a pressão, e pedem para trancar as importações de carnes brasileiras. O Brasil vai perder.

O Brasil vai perder ainda com as ações midiáticas e judiciais dos veganos e ambientalistas; o Brasil vai perder com as ações de advogados americanos que vão processar na justiça americana a JBS e a BRF para obter compensações pelas perdas dos seus clientes no mercado acionário. E lá essas indenizações podem quebrar qualquer empresa que já esteja fragilizada.

Então, que se processe o irresponsável que fez esta merda toda! É a minha opinião, como brasileiro e cidadão. Tudo isso, porque acredito que praticar cidadania não é exercer a plena hipocrisia. Com a prática de mais de 50 anos de jornalismo no agronegócio, tenho minhas convicções, também.

Entrevistas para gerar fatos e frases de efeito para alguns jornalistas da mídia repercutirem não vai adiantar nada. Precisa-se de punição exemplar dos delegados aproveitadores de plantão, que abusam de seu cargo e função pública.

 
TEMER: "ESSA NÃO, ESSA CARNE É FRIBOI, QUE É DO LULINHA..."

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domingo, 19 de março de 2017

A carne é fraca II

Richard Jakubaszko

Recebi do amigo Maurílio Biagi Filho o e-mail abaixo, sobre a operação carne fraca e da postagem que fiz ontem aqui no blog. Pela importância da abordagem publico como um post, e não como comentário. Diz Maurílio:


Prezado Richard,
Parabéns pelo belo artigo.
Recebi do meu amigo ex-Ministro da Agricultura Antonio Cabrera a mensagem abaixo que achei muito apropriada e pertinente.

Na sexta-feira, lembrei-me do livro “Mauá, Empresário do Império”, do Jorge Caldeira.

Veio também a lembrança de que em 1989 o DNC (Departamento Nacional de Combustíveis) provocou falta de álcool com comprovados 300 milhões de litros em estoque (muito à época) só na região de Ribeirão Preto.


Coincidência: 98% dos carros vendidos eram a álcool, fato que incomodava em função da diminuição da venda de gasolina e da dificuldade do craqueamento nas refinarias.


O que aconteceu?

Quebrou a espinha dorsal do maior programa mundial de Energia Renovável.

De 98% caiu para ZERO alguns anos depois. À época, a omissão dos produtores que não escrevemos nenhuma linha a respeito disso, nenhum comunicado, não pressionamos... foi fatal.

Nesse momento, quero lembrar Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

Abaixo segue o texto do Cabrera.

Abraço,
Maurilio Biagi Filho
Maubisa
Presidente


O papelão dessa história das carnes
Por Antonio Cabrera, ex-Ministro da Agricultura

Como veterinário e tendo estado à frente do Ministério de Agricultura fiquei impressionado com o episódio das carnes: a maior operação da Polícia Federal e realizada simultaneamente em 6 estados.

Não só pela questão da qualidade de nossos alimentos, mas pelo estrago incalculável feito no difícil mercado internacional conquistado palmo a palmo de mais de 150 países onde estamos presentes.

A pecuária brasileira tem dimensões impressionantes, como a maior área de pastagem tropical do mundo, ocupando mais de 170 milhões de hectares e é responsável pela geração da maior parte da riqueza no campo.

Somos detentores do maior rebanho comercial do mundo, gerando mais de 7 milhões de empregos e a única atividade que está praticamente em 100% dos municípios. Se fechar, encerra as atividades de 49 diferentes segmentos industriais.

E agora?

Dois pontos importantes: sim, o primeiro é punir os responsáveis, sejam do setor público ou privado.

Mas é preciso entender que mais importante do que o combate a corrupção (que é essencial), é descobrir a razão desta praga que se espalha pelo Brasil. É hoje pior do que a febre aftosa foi em nossos rebanhos no passado.

Para entender este raciocínio, veja antes este vídeo, que faz uma pergunta fundamental:

Quem fiscaliza os fiscalizadores?

Como hoje temos um esforço para regular as pessoas desde o berço até o túmulo, este triste episódio da “Carne Fraca” já foi explicada por uma tese vencedora de um Premio Nobel,
a public choice:

Ela rompe a crença ingênua e romântica de que o cidadão que troca sua vida civil por um cargo público se transforma de demônio em santo. É como aceitar que um veterinário do setor privado é um monstro e um veterinário do setor público é um vestal.

Dito isto, por que não pensar no Brasil em certificadoras de qualidade privadas? Se uma certificadora privada fosse flagrada em suborno como este, ela não teria chance alguma de estar operando mais.

Já um órgão estatal monopolista não possui nenhum mecanismo forte como este para ser criterioso, e pior, a sua reserva de mercado continuará intacta.

Sim, passado este furacão, o mesmo serviço público continuará fiscalizando os nossos frigoríficos. Pelo contrário, confira se daqui a pouco o governo não anunciará mais recursos para a fiscalização pública dos alimentos!

Mas se o governo está realmente interessado no bem estar da população, por que não permitir a proliferação de certificadoras privadas concorrendo no livre mercado?

Isto possibilitaria uma regulação genuinamente concorrencial, na qual certificadoras privadas concorrendo entre si e com o serviço público (para aqueles que gostam do governo). A escolha soberana será do consumidor!

Por fim, este desastre reforçou o uso indevido dos recursos públicos formando as “campeãs nacionais”, que na realidade foram campeãs de doações eleitorais: em um mercado regulado pelo estado, só vence quem tem bons contatos na burocracia ou conhece pessoas poderosas.

Você se lembra do pequeno açougue da esquina? Hoje, é só Friboi, Seara...

Não tenha dúvida, a carne é fraca quando o Estado é forte.
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sábado, 18 de março de 2017

Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca


Richard Jakubaszko 
Desde ontem, 17/3/2017, sexta-feira, quando explodiram as manchetes na mídia sobre a Operação Carne Fraca, debatemos na DBO Editores as circunstâncias técnicas, sociais, econômicas e políticas dessa nova denúncia da Polícia Federal (PF).


As evidências apresentadas pela Polícia Federal demonstram-se fracas e distantes da realidade. Os argumentos e exemplos citados pela PF e repetidos pela mídia são, de um lado, inconsistentes, e, de outro, utilizam-se de pré julgamentos moralistas em nome de defender a saúde pública. As acusações genéricas feitas pela PF estabelecem o pânico entre a população, e devem trazer prejuízos - no mercado interno e até na exportação - enormes para as indústrias processadoras de carnes (da pecuária bovina, que nada tem a ver com as denúncias, conforme indica a Nota Oficial da Abiec - Associação Brasileira da Indústria de Exportação de Carnes, abaixo transcrita), mas especialmente os abatedouros de aves e suínos.
Por tabela, jogam na lata do lixo a credibilidade dos fiscais federais do Mapa (Ministério da Agricultura).

Ao mesmo tempo, a Operação Carne Fraca deixa transparecer interesses políticos inconfessáveis, de fortalecer a instituição da PF diante de um novo ministro da Justiça, indicado por Temer, a quem a PF acusa de forma lateral inconsistente de "possível de estar indiretamente envolvido no escândalo", mas ressalva que não existiriam provas. A ideia seria enfraquecer o novo ministro, e impedir a pretendida troca da diretoria da PF, para hipoteticamente enfraquecer a Lava-Jato.

Se for isso, demonstra a mediocridade reinante em Brasília, pois exercer a cidadania requer doses cada vez mais elevadas de hipocrisia. Chegamos à sofisticação extrema na era dos assassinatos de reputação.


Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca
18 de março de 2017

Em relação à Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, nesta sexta-feira (17 de março), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) ressalta que nenhuma planta de carne bovina dos seus 29 associados está citada na denúncia de esquema entre frigoríficos e fiscais agropecuários federais para comercialização de alimentos adulterados.

 
As indústrias associadas a ABIEC seguem rígidas normas e padrões nacionais e internacionais de segurança para a produção e comercialização de carne bovina destinada tanto ao mercado interno quanto aos mais de 133 países para os quais exportamos.

 
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e é reconhecido pela qualidade e status sanitário de seu produto, que conta com auditoria dos órgãos brasileiros responsáveis, bem como das autoridades sanitárias das nações que importam a carne bovina brasileira.

 
A ABIEC ressalta que os casos que vieram a público por meio da Operação Carne Fraca são isolados e não representam a imensa cadeia produtiva de carne bovina no Brasil.

 
A Associação repudia veementemente a adoção de práticas que não condizem com a garantia da qualidade do produto nacional e da credibilidade da indústria brasileira. E reitera sua confiança na atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), bem como nos parâmetros seguidos pelo S.I.F. - Serviço de Inspeção Federal.

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