Mostrando postagens com marcador gás de xisto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gás de xisto. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de setembro de 2017

Forbes prevê fracasso da OPEP quando a Rússia se familiarizar com xisto

Luis Amorim (Portugal)

Forbes prevê fracasso da OPEP quando a Rússia se familiarizar com xisto REUTERS/ Heinz-Peter Bader
Economia
31.08.2017

Quando a Rússia se familiarizar com a tecnologia de extração de petróleo de xisto na Sibéria, os exportadores da OPEP terão os dias contados, disse o analista Kenneth Rapoza da revista Forbes.
 
Ryad Karamdi/AFP


Washington prepara 'uma guerra-relâmpago' petrolífera?
A capacidade dos países da OPEP de influenciar os preços do petróleo acabará nesse momento e, a partir de então, a Rússia e os Estados Unidos determinarão o tom da indústria, disse o especialista.

A formação siberiana de Bazhenov na Sibéria Ocidental possui grandes reservas de hidrocarbonetos, mais do que as jazidas juntas Eagle Ford e Bakken nos EUA e é estimada pelo Departamento de Energia dos EUA como o maior depósito de petróleo e gás de xisto no mundo.

De acordo com a Administração de Informação de Energia (AIE, na sigla em inglês) por causa desse depósito, a Rússia tem a segunda maior reserva de petróleo de xisto no mundo, com 74,6 bilhões de barris em comparação com 78,2 bilhões de barris dos EUA. A China está em terceiro lugar com cerca de 32,2 bilhões de barris.
 
REUTERS/ Laszlo Balogh 

Por que os EUA não poderão substituir o gás russo na Europa?
"Devido às sanções impostas à Rússia pela situação na Ucrânia, as empresas petrolíferas russas não podem se associar a empresas dos EUA para ensiná-las a extrair o petróleo de xisto. A Ucrânia foi um bom pretexto para manter a Rússia controlada, enquanto Washington reforça estar fazendo isso para defender seus novos aliados em Kiev. Mas se os russos puderam enviar cosmonautas ao espaço, ainda mais possuindo uma das maiores empresas petrolíferas do planeta, eles também saberão como extrair petróleo de xisto", disse Rapoza.

 
De acordo com o analista, Bazhenov e a Bacia do Permian no Texas garantem a independência dos EUA e da Rússia no campo da energia por muitos anos.

Ele não tem dúvidas de que a Rússia desenvolverá a tecnologia para extrair o xisto no devido momento. E quando isso acontecer, o confronto entre as três primeiras potências energéticas do mundo, ou seja, a Rússia, EUA e China, alcançará outro nível. 

.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Os 3 maiores problemas da humanidade

Richard Jakubaszko 
Com uma população de 7,4 bilhões de pessoas, o planeta tem 3 problemas críticos para dar solução, e que a cada ano exigem inovação e criatividade na capacidade de gestão e de prover recursos crescentes (sem o aumento da carga tributária), além de uma logística exemplar, nunca dantes imaginada. Não incluo nessa conta, ou lista, a questão da superpopulação, porque é uma questão insolúvel e potencializa os 3 gargalos abaixo. De toda forma, é vital encontrar-se uma solução para a velocidade do crescimento demográfico. Na mídia, o assunto é debatido de forma lateral, apenas quando falta aimento ou água, ou quando há um apagão.

Em suma, os 3 problemas críticos são:
1 - produção de alimentos;
2 - produção de água potável; e
3 - produção de energia elétrica.

Qualquer um deles se estiver em desequilíbrio, com oferta abaixo da demanda, provocará o caos regional, com reflexos em todo o planeta e em todas as atividades humanas.

Alimentos - a disponibilidade de terras aptas para agricultura esgota-se no planeta. Só o Brasil e a África têm terras virgens para produzir mais alimentos. A razão é simples: precisamos produzir cada vez mais, para atender o aumento da demanda. Não basta apenas terra, há necessidade de disponibilidade de água e sol (tecnologia, capital e mão de obra podem ser importadas), e o Brasil é o único país do planeta com essa riqueza natural disponível. Em outras regiões do planeta, há terra, mas ou falta água (chuvas) ou falta sol. Infelizmente, a distribuição e fartura desses recursos não é igual nos diversos continentes. A falta de alimentos provoca, como sempre foi, imigração e guerras. Lembremos que a causa da Queda da Bastilha foi a falta de pão para o povo, que não dispunha de brioches. Maria Antonieta confundiu humor com políticas públicas e deu no que deu, as cabeças rolaram.
As tecnologias das ciências agronômicas têm garantido que as produtividades cresçam, e desmentem as projeções proféticas de Malthus. Um homem com fome é um revoltado, mas um homem com filhos esfomeados é um guerrilheiro.

Água potável - a água não vai acabar, como afirmam setores interessados economicamente no assunto, e a mídia repete acriticamente o assunto. Em alguns países a água mineral vale muito mais do que 1 litro de leite.
O planeta tem 71% de sua superfície em água (deveria chamar-se Água). O ciclo hidrológico encarrega-se de distribuir água pelo planeta afora, exceto nos desertos. O problema está na disponibilidade da água potável para abastecer populações de centros urbanos cada vez maiores, e na redução do desperdício. As fontes e rios urbanos, todos poluídos, degradam-se. Busca-se água limpa cada vez mais distante dos grandes centros urbanos.

Entretanto, cerca de 95% a até 99% do volume de águas de todos os rios chegam aos mares, onde reinicia-se o ciclo hidrológico. Estes 1% a 5% são consumidos pela humanidade nas suas diversas atividades. Fazer barragens, irrigação, hidroelétricas, não interfere no ciclo hidrológico (à exceção da piracema, em barragens hidroelétricas, o que causa um problema ambiental). A gestão da água potável, todavia, é um enorme problema da administração pública, que tem de planejar o estoque e o tratamente de água para abastecer tanta gente. A falta de água, regionalmente, também provoca imigrações e guerras, além de doenças.
Lembre-se, ou saiba que, a briga entre israelenses e palestinos, por exemplo, não é por alguma rixa ancestral, ou atávica, mas pelas águas do rio Jordão.

Energia elétrica - dentre os 3 problemas da humanidade esse é o gargalo maior, no momento e no futuro breve. Sua falta não causaria a morte imediata (ou doenças) de milhões de pessoas, da mesma forma como provocaria a falta de alimentos ou de água potável, mas causaria enormes prejuízos às atividades humanas, com o caos se estabelecendo depois de algumas horas se ela estiver ausente. Ou seja, não podemos ter uma vida de qualidade sem energia elétrica, impossibilitados, sem internet para trabalhar, e, ao mesmo tempo, de conservar alimentos, andar de avião ou de elevador, ou mesmo de metrô. Retornaríamos ao tempo das cavernas. Portanto, temos de investir na capacidade de aumentar a geração e distribuição da energia elétrica. Cada região do planeta tem restrições de algumas fontes de energia, dentre aquelas possíveis, como hidroeletricidade, eólica, solar, nuclear e a mais difundida mundo afora, a termoelétrica, movida por fósseis, seja carvão, derivados do petróleo ou gás.

No Brasil, somos privilegiados pela natureza, pois temos a energia elétrica com base em hidroelétricas, a mais barata e constante (porque pode-se estocar água), e a menos poluente. Devido a acidentes como Chernobyl e Fukushima, com vazamento de radioatividade, a energia nuclear perdeu espaço no crescimento dentre as fontes. Hoje em dia a energia nuclear financia a demonização do CO2 emitido pelas termoelétricas, como forma de garantir seu crescimento no futuro. O assassinato de reputação do CO2 está na base dos argumentos ambientalistas que o acusam, indevidamente, de ser um gás de efeito estufa (GEE), causador do aquecimento e das mudanças climáticas. Como as fontes alternativas (eólica e solar) não conseguem isoladamente suprir a demanda de energia elétrica em grandes centros urbanos consumidores, pois exigem a existência de um "Plano B" (que deve incluir outra fonte, especialmente termoelétrica), a disputa comercial fica entre nuclear, fósseis e hidroeletricidade.

Analisei o problema da energia eletrica, em profundidade, em meu livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", detalhando interesses políticos e econômicos, pois é a causa principal da neurose ambientalista planetária, causada por interesses inconfessáveis que financiam o IPCC e as COPs, como a COP21 que aconteceu em Paris, em dezembro último.

No livro, faço ainda o registro de que a causa principal de todos os problemas sociais, econômicos, políticos e ambientais, é a superpopulação planetária.

Saiba como funciona um sistema integrado de energia elétrica
Vídeo com debate sobre a produção de energia elétrica, com análise da integração do sistema de energias renováveis, feito pelo programa "Palavras cruzadas", na TV Unicamp. Lamentavelmente, os entrevistados arranharam o assunto da energia nuclear, como fonte de energia elétrica. Como acadêmicos, debateram o problema sem nenhuma crítica sobre a estratégia do governo ou da ótica empresarial que vigora no Brasil.

A grande mídia deveria debater esses problemas, é uma de suas funções sociais, mas só o faz com o viés político, defendendo ou atacando os governos.

.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Os EUA como alvo?



Daniel Strutenskey Macedo
Energias alternativas em pane...
Além de ver o sofrimento do Irã, a Arábia Saudita espera obter um segundo dividendo político-econômico com a brusca queda do preço do petróleo: testar a resiliência da produção norte-americana do petróleo de folhelho (shale oil, em inglês), uma rocha sedimentar que é explorada por meio de técnicas conhecidas como fratura hidráulica e perfuração horizontal. Nos últimos anos, essa indústria se desenvolveu de forma impressionante nos EUA.

A revolução do folhelho é um fenômeno que dificilmente ocorreria em outro país que não os Estados Unidos. Graças a um sistema regulatório que permite um investimento rápido e a uma legislação que dá ao dono da terra (e não ao governo) os direitos de mineração, a produção nas formações de folhelho foi acelerada e hoje envolve 6 mil companhias diferentes disputando e aquecendo um mercado abastecido por 4 milhões de poços nos EUA. Neste cenário, a produção norte-americana de petróleo cresceu 60% desde 2008 e, até 2016, o país pode se tornar o maior produtor do mundo, ultrapassando a Arábia Saudita. Há tanto petróleo no mercado dos EUA que o país se tornou autossuficiente e, em junho, pela primeira vez em quatro décadas, o governo autorizou exportações de petróleo cru.

Os privatistas da Petrobras estão alegres...

O folhelho colocou Washington na rota de uma independência energética que preocupa os sauditas, pois poderia minar a antiga parceria entre os dois países, baseada na troca de segurança militar pela segurança energética. Para a Arábia Saudita, o preço baixo do petróleo pode ser um obstáculo para a novata indústria norte-americana, uma vez que a maioria dos milhares de empresários envolvidos na produção tem grandes dívidas, feitas para financiar o início da exploração.


Está claro que a Arábia Saudita resolveu deixar arder um mercado em chamas. Encastelados em reservas gigantescas de petróleo e dólares e com a produção mais barata do mundo, os sauditas vão perder, mas menos do que seus rivais e até aliados. De quebra, vão ver alguns possíveis concorrentes saírem do mercado ou adiarem explorações consideradas demasiado caras, como no Ártico ou em águas profundas – caso do pré-sal da Petrobras, o que ajudar a explicar a queda nas ações da estatal brasileira.

O conforto saudita com a depreciação acelerada do petróleo é tão grande que, em 22 de dezembro, o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, não colocou prazo para acabar com a estratégia de não interferir no mercado. Questionado pela CNN até quando seu governo manteria a produção constante, foi conciso: “para sempre”.
Para sempre, diz a OPEP, mas dou 6 meses...
.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dúvidas sobre fraturamento e xisto

Richard Jakubaszko  
Capturei o texto abaixo, Dúvidas sobre fraturamento e xisto, publicado no site do Greenpeace, ONG que atua no Brasil e no mundo inteiro com interesses econômicos e políticos nunca revelados. Reproduzo o texto, conforme foi publicado, e faço comentários diversos ao longo do mesmo, grafados em vermelho e em itálico, para diferenciar a minha opinião da opinião da Greenpeace, mas que eles publicaram como se fosse uma notícia séria. Que o leitor julgue a tendenciosidade dessa ONG internacional na defesa de seus patéticos postulados.
Ao leitor paraquedista, ou desavisado: este blogueiro, definitivamente, anda cada vez mais sociofóbico, e não aguenta mais tanta hipocrisia, sem contar a incompetência de gente como o pessoal do Greenpeace, que mete o bico em tudo o que vê.

Dúvidas sobre fraturamento e xisto:
ANP permitirá uso da técnica de fraturamento em 12ª Rodada de Licitações sem ter regulamentação ambiental
Legenda da ONG: Estima-se que a construção de gasodutos
dobrou na Pensilvânia, EUA, devido aos
investimentos na exploração do gás de xisto.
Legenda do blogueiro: por que essa ONG é contra
 investimentos, que geram empregos?
Terminou ontem (22/11/2013) a consulta pública (Ao que nos consta a ONG Greenpeace não fez nenhuma intervenção na área da consulta pública, e apenas prefere escandalizar na mídia) realizada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para a resolução que estabelece os critérios para perfuração de poços seguida do emprego do fraturamento hidráulico não convencional. A técnica que consiste na perfuração de rochas de folhelho – mais conhecido como ‘xisto’ – para a extração de gás natural poderá ser utilizada pelas empresas que ganharem a 12ª Rodada de Licitações. Mas o que está sendo pouco discutido (pouco discutido? E o que é uma consulta pública, se não um debate público?) é que esta tecnologia envolve riscos ambientais sem que haja uma regulamentação (regulamentação, não, é mentira, a ONG quer é proibir, né não? É só o que eles sabem fazer. No Brasil a gente devia imitar os russos e mandar prender todos esses ongueiros!) ambiental para o tema.

A ASIBAMA (Associação dos Servidores do Ibama), SINDIPETRO (Sindicato dos Petroleiros) e FIST (Frente Internacional dos Sem-Teto) denunciaram os impactos da fraturação, cobraram mais transparência (querem mais transparência do que a existente numa consulta pública? Mas o que é isso que desejam? Transparência translúcida?) da ANP e pediram diálogo (e a consulta pública o que é, não é diálogo com a sociedade? Ora, cáspita, reclamam de que?) sobre o tema com a sociedade civil. A audiência (onde houve mais debate...) aconteceu às vésperas da 12ª Rodada que acontecerá nos dias 28 e 29 de novembro.

Serão ofertados 240 blocos exploratórios localizados em 13 bacias sedimentares diferentes que poderão ter seus recursos naturais convencionais e não convencionais explorados. Segundo a própria ANP, a resolução “tem como objetivo permitir que a atividade seja realizada de forma segura, resguardando o meio ambiente, sobretudo as formações hídricas.”

No entanto (aqui começam as contrariedades dessa ONG...), diversas organizações ambientais, entre elas o Greenpeace (até parece que são sérios...), identificaram problemas tanto no processo do leilão (que problemas serão esses, ó caras pálidas do Greenpeace?, vocês não dizem, só insinuam, e de forma maledicente...) quanto no uso da tecnologia que será utilizada. “Embora as primeiras experiências com fracking datem da década de 1940, o uso em larga escala desta tecnologia ocorreu apenas nos anos 2000 e seus impactos ainda foram pouco estudados”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenadora (sic) da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. (agora começa a ficar claro, eles são contra o fracking; não sabem o que é, mas "suspeitam" que seja algo ruim... Bom, até pode ser, mas é uma tecnologia dos anos 40, né? Deve ter envelhecido...).

As técnicas utilizadas têm resultado na contaminação de lençóis freáticos (mentira! Até agora se desconhece qualquer contaminação, são apenas suspeitas de que "pode" contaminar; então proíba-se, seguindo o dogma da maledeta da precaução?) devido às substâncias químicas utilizadas – mais de 600 produtos químicos, (quem contou todos esses produtos? Que exagero!) areia (e areia é ruim? Essa é boa...) e outros elementos pouco testados – como bário e arsênio. Além do uso intensivo de água, há também questões relacionadas à proximidade dos blocos exploratórios a conjuntos significativos de territórios tradicionais, indígenas, quilombolas e campesinos (outra mentirinha inocente... É isso que incomoda? Ah! E quem são esses campesinos? No Brasil não existe isso, gente do Greenpeace, aqui é Agricultura Familiar).

“Estas populações não foram consultadas (e a consulta pública é o quê? Nem o Greenpeace e nem essas "populações" foram lá opinar, não é? Agora querem manchetes, criticam e escandalizam. Que vitimosidade é essa?) sobre a instalação destes empreendimentos em seus territórios, agravando os conflitos socioambientais (conflitos que o Greenpeace cria, todo dia inventam uma novidade...) que já existem devido à cadeia de petróleo e gás”, disse Baitelo. Há que se considerar também que a exploração do gás de xisto permite vazamento do gás metano (metano não é gás poluente, é da natureza, existe em vulcões, em lixões, nas florestas tropicais, em arrozais, na flatulência bovina e humana...), colaborando para o aumento das emissões de gases estufa e contribuindo para o aquecimento global (essa é  maior mentira, não há aquecimento global, o ambientalista James Lovelock já admitiu que exagerou, mas o Greenpeace não deu bola e continua mentindo. Qual é o interesse? É que eles só são a favor da energia nuclear, sabia disso leitor?).

O Plano Decenal de Energia publicado prevê o aumento em 40% do gás natural na matriz energética para abastecer as termelétricas. “O gás convencional seria mais do que suficiente (Essa é mais uma opinião do Greenpeace, e ninguém pediu a opinião furada deles) para abastecer a matriz nacional e não há a necessidade de investir em fraturamento, uma tecnologia insegura, desconhecida (ué, mas não é tecnologia velha, existente desde 1940, e ninguém conhece?) e que não conta com regulamentação”, concluiu Baitelo. (ó Baitelo: vai encher o saco dos americanos, quero ver se vocês tem coragem disso.)

No link a seguir o leitor encontrará o post “Desconfie sempre das ONGs” publicado neste blog em 16/4/2011: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2011/04/desconfie-sempre-das-ongs.html
.

domingo, 13 de outubro de 2013

Descréditos de carbono (e o gás de folhelhos)

Richard Jakubaszko
A declaração de amor ao CO2 é
do blogueiro.
Coloco em debate, a relevante questão do gás de xisto, mostrando a visão de dois especialistas respeitados, Evaristo de Miranda, da Embrapa, e Geraldo Lino, geólogo e escritor, cético das apocalípticas e falaciosas questões ambientais, como o aquecimento e mudanças climáticas.
Um autor prenuncia mudanças, e o outro coloca em dúvida a possibilidade dessa mudança radical para dentro em breve, e ambos estão baseados em fatos e notícias.

Como vemos, há uma guerra permanente na economia. Nas guerras, a primeira vítima sempre foi a verdade. E isto deveria ser um axioma para todo jornalista que se preze.
Após a leitura dos dois artigos, que reproduzo abaixo, é vital uma profunda reflexão sobre o tema, além de continuar a acompanhar o assunto, pois não há dúvidas de que teremos desdobramentos profundos daqui para a frente na questão da energia.

Descréditos de carbono
Evaristo Eduardo de Miranda *
O planeta buscava um substituto para o petróleo. Parece ter encontrado: o gás de xisto e o carvão mineral. O crescimento da produção norte-americana do gás de xisto mudou o panorama da geração de energia. Esse gás substitui a cada dia mais carvão, cujo excedente é exportado para a Europa a baixo preço. Isso derrubou o preço do carvão em todo o mundo, principalmente na Ásia. O mundo prepara-se para trocar um combustível fóssil por outro, mais abundante e barato.

As termoelétricas europeias a carvão mineral aumentam seus lucros. Sobra carvão e, com preços tão baixos, empresas como a norueguesa Statkraft, a alemã E·ON, a checa CEZ e a britânica SSE fecham e hibernam centrais a gás, incluindo plantas moderníssimas. Os lucros caíram mais de 90% no primeiro semestre de 2013 em usinas com ciclo combinado de gás. A RWE, a maior geradora da Alemanha, obtém 62% de sua produção do carvão mineral e incrementou a produção em 16% em 2012.

A Xstrata, a maior empresa exportadora de carvão mineral, baixou em 17,3% seus contratos para a geradora japonesa Tohoku. Depois de Fukushima, o Japão substitui a energia elétrica atômica pelo carvão. O adicional de emissões de dióxido de carbono (CO2), tanto no Japão como na Alemanha, pelo fechamento das usinas atômicas, é enorme.

O uso do carvão aumentou as emissões de CO2 na União Europeia (UE), tão engajada no discurso ambiental. Os países europeus não cumpriram as metas de redução de CO2 previstas no Protocolo de Kyoto, apesar da crise econômica e da substituição de sua produção industrial pela China. A importação de carvão estadunidense pela Europa cresceu 23% e atingiu 66,4 milhões de toneladas em 2012. Nos 27 países da UE, a geração de energia a partir de carvão ultrapassou o gás e atingiu seu nível máximo dos últimos 17 anos.

O chamado mercado de carbono, essencialmente europeu, veio abaixo. Sobram cotas de carbono e ninguém se interessa. Em abril o Parlamento Europeu votou uma sentença de morte para o mercado de carbono: rejeitou limitar as autorizações de emissões de CO2 propostas pela Comissão Europeia. Uma tonelada de CO2 valia 30 em 2008. Caiu para 2,75, seu nível histórico mais baixo. Para completar, a European Union Emissions Trading Scheme envolveu-se em escândalos, como roubo de licenças de emissão de CO2 e fraudes fiscais. O descrédito do mercado de carbono freou investimentos em alternativas de geração de energia. A UE aliviou as exigências ambientais para a indústria, em face da crise econômica. Ocorre uma renacionalização da política climática e o abandono da política de bloco.

No futuro os EUA exportarão gás em volume capaz de mudar o panorama mundial. A reserva americana é suficiente para abastecer o mercado por mais de cem anos, segundo cálculos da Administração de Informação de Energia. O avanço tecnológico na extração do gás de xisto prossegue e deve reduzir diversos problemas ambientais, como a contaminação hídrica e as emissões de metano.

As 48 reservas de gás de xisto encontram-se em 28 Estados americanos e 26 estão em exploração. Na Pensilvânia, em Nova York, Ohio e Virgínia Ocidental há 6 mil poços em operação, só na formação geológica de Marcellus. O gás de xisto, menos poluente, deslocará o carvão na geração de energia elétrica nos EUA, onde metade da eletricidade ainda é gerada em térmicas a carvão.

O gás de xisto já substitui o diesel em ônibus e caminhões. São poucos postos com o combustível nos EUA, mas a rede de gasodutos tem 38 mil quilômetros. O gás será um combustível cada vez mais competitivo e, ao levar ao túmulo o mercado de carbono, talvez carregue junto o sonho do etanol como commodity internacional, destinando-o a ser, basicamente, um produto de consumo interno nos países produtores. Se tanto.

Como essa nova realidade interfere na política brasileira de produção de biocombustíveis? E no mercado internacional de etanol? Uma equipe da Embrapa Gestão Territorial estuda seus impactos na agroenergia, mas o alcance da mudança pode ser muito maior. Por causa da produção crescente de gás de xisto nos EUA e de seu baixo preço, companhias brasileiras já suspenderam projetos de construção de hidrelétricas na América Central. Em outras situações, a energia hidrelétrica poderá perder competitividade com a termoelétrica.

O gás de xisto pode afetar o futuro do pré-sal. Já é real a fuga de investimentos produtivos no setor petroquímico do Brasil para os EUA, onde o preço da matéria-prima é menor. Apesar de a Agência Nacional do Petróleo ter marcado o primeiro leilão de blocos de gás de xisto para o fim de outubro, ainda falta o País conhecer e dominar a tecnologia envolvida nessa exploração.

Muitos no agronegócio brasileiro discutem combustíveis renováveis, redução das emissões de CO2, pegadas de carbono, agricultura de baixo carbono e propõem programas ambientais em cenários ultrapassados. A era da energia fóssil está longe de acabar. Esses cenários viraram carvão. O Brasil está destinado a compensar e fixar o carbono emitido pela China e países desenvolvidos? Deve renunciar ao pré-sal e à exploração de suas reservas de gás de xisto? Os carbonários do carbono ignoram os impactos desse gás e das novas tecnologias e mudanças associadas a ele.

A surpreendente emergência do gás de xisto ilustra o quanto é fundamental a inovação tecnológica e desafia o planejamento nacional. Ao ser alertado sobre o possível esgotamento das reservas de petróleo pela intensidade de sua exploração, uma autoridade saudita declarou: "A prioridade é vender as reservas antes da emergência de novas tecnologias". A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra.

* engenheiro agrônomo, doutor em Ecologia, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e membro do Conselho Editorial da revista Agro DBO.


Artigo originalmente publicado na Agro DBO / nº 49 / outubro 2013: www.agrodbo.com.br


Gigantes petroleiras desistem do gás de folhelhos nos EUA
Geraldo Lino *
Em iniciativas que devem servir para arrefecer o entusiasmo com as perspectivas do setor, as empresas petrolíferas Royal Dutch Shell e BP estão encerrando as suas atividades de exploração do gás de folhelhos (shale gas) nos EUA. Os motivos são reservas superestimadas e um rápido esgotamento de muitos poços, devido a problemas da tecnologia de exploração – para não mencionar os graves problemas ambientais (Alerta Científico e Ambiental, 18/07/2013 e 25/07/2013). As consequências foram prejuízos superiores a 3 bilhões de dólares, apenas para as duas gigantes.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o executivo-chefe da Shell, Peter Voser, afirmou que a aposta maciça da empresa nos folhelhos estadunidenses será um dos maiores arrependimentos do seu mandato, que se encerra ao final do ano. Segundo ele, a Shell investiu mais de 24 bilhões de dólares no chamado gás não-convencional na América do Norte, empreitada que, em suas palavras, “não saiu exatamente como planejado”. Em agosto, depois de perfurar quase 200 poços cuja produção não atingiu os níveis esperados, a empresa anunciou uma depreciação de 2,1 bilhões de dólares nos seus ativos de folhelhos. Com isto, a intenção é livrar-se deles o mais rapidamente possível (Financial Times, 6/10/2013).

Por sua vez, a BP e a BP Group anunciaram prejuízos conjuntos de 2,3 bilhões de dólares, enquanto a canadense EcCana Company perdeu 2 bilhões de dólares (The Voice of Russia, 2/10/2013).

O analista-chefe da consultora UNIVER Capital Company, Dmitry Alexandrov, é categórico:

O surto de interesse no gás de folhelhos está claramente encerrado. Devido aos problemas do orçamento nos EUA, as companhias de produção de gás de folhelhos não devem esperar conseguir mais financiamento. Portanto, os depósitos de gás de folhelhos não são mais financeiramente atrativos. E, finalmente, os sítios que tinham custos favoráveis têm sido esgotados. Então, para levar adiante a produção de gás, ou eles têm que recorrer a um monte de perfurações adicionais ou questionar a produção de gás existente.

Se a implementação do orçamento for suave, muito provavelmente, a produção de gás começará a crescer novamente, mas não tão rapidamente que garanta exportações de gás, apenas para abastecer o mercado interno. Eu estou confiante de que os EUA não irão procurar reduzir os preços mundiais do gás nos próximos anos, devido à política estadunidense de reindustrialização. Não há como vender o seu próprio gás de folhelhos barato, seja para a Europa ou a Ásia.

Segundo Alexandrov, a maioria dos especialistas acredita que, na melhor das hipóteses, a produção de gás de folhelhos manterá os níveis do pico atingido em 2011.

Outro especialista, o diretor-geral da Fundação Nacional de Segurança Energética russa, Konstantin Simonov, adverte que países que têm apostado nos folhelhos, como a Polônia e a Ucrânia, deveriam prestar atenção à experiência estadunidense:

A Polônia perfurou um poço de gás de folhelhos no ano passado e o batizou como “Chama de esperança”. Mas a situação do projeto está piorando, em termos comerciais. O projeto não é econômico e as empresas estrangeiras, como a ExxonMobil, já começaram a se retirar dele. A situação é bastante parecida na Ucrânia, que pode, certamente, esperar alguns progressos técnicos, mas o seu projeto de gás de folhelhos, dificilmente, será um sucesso comercial, pelo menos não nos próximos dez anos.

A Ucrânia pretende iniciar a produção de gás de folhelhos em 2015, mas o Ministério de Energia e da Indústria de Carvão do país já anunciou que os custos de produção não serão conhecidos antes de dois anos, o que coloca ainda mais dúvidas sobre as perspectivas de que a produção não-convencional possa vir a contribuir significativamente para a redução da grande dependência das importações de gás da Rússia (expectativa compartilhada pela Polônia).

Curiosamente, o governo ucraniano acaba de anunciar um acordo para a exploração de gás natural convencional na costa do Mar Negro, com um consórcio internacional encabeçado pela Shell e a ExxonMobil (AFP, 26/09/2013).

No início de 2012, outra gigante petrolífera, a Chevron, já havia abandonado a exploração dos folhelhos nos EUA, por motivos semelhantes aos agora alegados pelas suas “irmãs”.

Nesse contexto, é no mínimo curioso que, enquanto as gigantes anglo-americanas (cuja ausência quase total no leilão do campo de Libra do pré-sal brasileiro foi tão lamentada) se retiram do setor, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já fale em licitar a exploração dos folhelhos brasileiros. Em face das circunstâncias, é no mínimo medida de prudência aguardar um pouco mais pelo amadurecimento e a consolidação – ou não – da exploração dos hidrocarbonetos de folhelhos, para se decidir a liberá-la no País.

.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A agricultura tem sede

Richard Jakubaszko  
Agro DBO nº 49, de outubro/13, anda circulando, e firma-se como revista de referência para os agricultores profissionais.

Registrei no "Carta ao leitor":
Mudanças podem ser boas ou ruins. Trazemos informações consistentes na presente edição da Agro DBO que podem ser preocupantes para uns e estimulantes para outros. Trata-se da evolução e entrada no mercado do gás de xisto, a nova e mais barata fonte de energia fóssil, que já provocou perdas nos preços do carvão, ameaça o petróleo no médio prazo, e também o etanol de milho nos EUA, além do nosso etanol de cana. O leitor encontrará detalhes dessas perspectivas no artigo “Descréditos de carbono”, de Evaristo de Miranda e ainda na entrevista exclusiva com o produtor Walter Horita. No 

Como matéria de capa Agro DBO traz uma interessante e profunda análise sobre a irrigação no Brasil, "Estamos com sede", autoria do jornalista José Maria Tomazela, e de como os ambientalistas e órgãos de regulação e fiscalização dessa área andam tratando os agricultores.

Na reportagem do jornalista Ariosto Mesquita, “Hora de diversificar” o leitor encontrará alternativas para o plantio de grãos de inverno, a se pensar na safra em sequência à próxima safra de verão, pois tudo o que se fizer nesta safra poderá direcionar novos caminhos na safrinha.

A jornalista Marianna Peres assina a reportagem "Corrida contra o tempo" sobre as perspectivas de diversos produtores do Brasil Central para a próxima safra de verão, e quais as estratégias de plantio que cada um tem projetado para enfrentar as inúmeras dificuldades, como ataques das pragas e os altos custos de produção.

O jornalista Glauco Meneguethi descobriu e nos reporta que em Roraima começaram a colher a soja agora em setembro, plantada em abril/maio deste ano, pois lá eles se encontram no Hemisfério Norte.

Já o engenheiro agrônomo Hélio Casale nos mostra o “Safra Zero” no café, uma estratégia de poda radical no cafezal para reduzir em termos definitivos as agruras da bienalidade da rubiácea.

Portanto, informação de qualidade e atualidade para o leitor, análise abalizada, “escrita por quem é do ramo”. Conteúdo que o leitor não encontrará em qualquer esquina ou workshop.
Quem desejar ler a revista de forma virtual é só clicar no fac símile da capa, ou ir ao site da revista: www.agrodbo.com.br

No vídeo abaixo dou depoimento de viva-voz e explico didaticamente os problemas que o gás de xisto pode trazer ao agro brasileiro e mundial:

.