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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Depois do Estadão, agora é a Folha: “Flávio não tem a menor condição de ser presidente”

Do blog O Cafezinho 

Quatro dias depois de o Estadão classificar Flávio Bolsonaro (PL) como candidato em “falência ética”, a Folha de S.Paulo publicou, nesta terça-feira (16), editorial com conclusão igualmente dura: o senador “não tem a menor condição” de ocupar a Presidência da República. É o segundo grande jornal de referência do país a chegar à mesma sentença em menos de uma semana, um alinhamento editorial que, mesmo entre veículos historicamente mais próximos do establishment liberal do que do campo progressista, já não trata a candidatura de Flávio como mera alternativa política legítima, mas como risco institucional a ser publicamente sinalizado ao eleitor.

O editorial parte de um dado revelador sobre a própria origem da candidatura: segundo a Folha, a escolha de Flávio pelo pai, Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, surpreendeu setores da direita não alinhados ao bolsonarismo raiz, que preferiam um nome com maior experiência administrativa, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), hoje relegado a apoio de bastidor. Mesmo sem entusiasmo do chamado centrão, o jornal reconhece que a polarização acirrada tornou Flávio competitivo, com pesquisas recentes e já documentadas por este site em múltiplos institutos, mostrando empate técnico com Lula no segundo turno.

É justamente essa competitividade, argumenta o editorial, que torna mais urgente o escrutínio: crescer nas pesquisas não resolve as dúvidas sobre preparo, apenas aumenta a necessidade de examiná-las. A Folha reconhece que Flávio acumula mais de duas décadas de mandatos eletivos como deputado estadual pelo Rio aos 21 anos, quatro mandatos na Alerj, senador desde 2018, mas argumenta que extensão de carreira não equivale a preparo administrativo, já que o senador nunca comandou pasta executiva ou governo.

O ponto central da crítica, porém, é político, não curricular: a candidatura se apresenta explicitamente como continuação do “projeto nacional” de Jair Bolsonaro, incluindo a promessa declarada de indulto ao pai em caso de vitória. Para a Folha, a questão não é responsabilizar Flávio por atos de terceiros, o jornal faz questão de reconhecer isso, mas cobrar posição inequívoca sobre limites constitucionais ao poder, algo que o editorial considera não resolvido enquanto o discurso de confronto institucional seguir sendo parte da identidade da campanha.

O ângulo que mais distingue este editorial do já publicado pelo Estadão é a crítica ao alinhamento com Donald Trump em temas de soberania nacional como tarifas comerciais, terras raras e política climática, todos eixos que este site vem documentando ao longo do ano como parte central do embate entre os dois campos presidenciais. A Folha classifica essa proximidade como “postura de subserviência diante de interesses estrangeiros”, argumento que ecoa diretamente o discurso de soberania que Lula vem repetindo desde o pronunciamento de 7 de Setembro, também já registrado por este site.

O editorial resgata ainda um episódio biográfico específico e pouco lembrado: quando deputado estadual, Flávio concedeu a mais alta honraria da Alerj a um policial que na época já respondia por homicídio e que depois seria identificado como integrante de milícia. Somado à menção às “rachadinhas” no antigo gabinete parlamentar e ao “diálogo amistoso” com Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, saga que este site acompanha desde maio, com pelo menos uma dezena de matérias sobre delações, editoriais e desdobramentos judiciais, o jornal constrói um quadro de padrão de relacionamentos problemáticos ao longo de toda a trajetória pública do senador, e não apenas um episódio isolado.

Mesmo reconhecendo, como o próprio texto ressalva, que nenhum desses elementos “autoriza atribuir ao senador crimes que não tenham sido comprovados”, a Folha conclui que a soma de dúvidas sobre experiência administrativa, compromisso democrático e vínculos políticos exige que Flávio “demonstre preparo” e “reconheça, sem ambiguidades, os limites estabelecidos pela Constituição”, uma cobrança que, lida ao lado do editorial do Estadão da semana anterior, sugere que o núcleo mais influente da imprensa brasileira tradicional está, de forma coordenada ainda que não combinada, elevando o padrão de exigência sobre a candidatura mais competitiva da oposição a menos de três semanas do primeiro turno.


Publicado originalmente no blog O Cafezinho:

https://www.ocafezinho.com/2026/09/16/depois-do-estadao-agora-e-a-folha-flavio-nao-tem-a-menor-condicao-de-ser-presidente/

 

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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

A anistia que não deve ser

Ricardo Viveiros *

Existe a proposta de anistiar aqueles que, em 8 de janeiro de 2023, vandalizaram os prédios dos três poderes em Brasília. Tal movimento em busca de perdão para terroristas é não apenas equivocado, mas um verdadeiro atentado ao estado democrático de direito. A Constituição Federal, no artigo 5º, inciso XLIII, é clara: “[…] a prática do terrorismo não é passível de anistia.”. Essa premissa deve ser defendida com tenacidade, pois a anistia que se articula pode abrir perigoso precedente. Além do que, no “passar o pano”, está a intenção de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, indiciado e inelegível.

Em uma democracia, a legitimidade do poder emana do respeito às instituições e à ordem constitucional. Ao conceder perdão a baderneiros, que atacaram símbolos da nossa república, corre-se o risco de legitimar uma cultura de impunidade. A ideia de que ações violentas de golpistas podem ser relevadas afronta àqueles que lutam pela democracia. Seria um incentivo ao desrespeito às instituições, no qual a desestabilização se torna estratégia viável para aqueles que não aceitam o legítimo resultado das urnas.

A polarização política que permeia nosso país é evidente e danosa. Entretanto, o diálogo e a negociação são sempre preferíveis à violência. A anistia a atos terroristas não apenas deslegitimaria os esforços de pacificação e reconciliação, mas também incentivaria a ocorrência de novos episódios de vandalismo e desrespeito à Constituição. Afinal, se os autores de ações criminosas se sentirem seguros de que não haverá consequências, o ciclo de violência poderá gerar novos eventos, como o recente ataque com bombas ao STF.

O que se espera de um Estado democrático é a proteção de suas instituições, e isso passa pela responsabilização de quem comete crimes. A anistia, portanto, não representa um gesto de paz, mas sim uma capitulação diante de atos ao arrepio da lei. Não podemos nos esquecer de que o uso da força para derrubar a ordem estabelecida deve ser tratado com rigor, e a impunidade não pode ser a resposta.

É importante criar um ambiente em que as divergências sejam resolvidas por meio do diálogo e da política, e não pela destruição do patrimônio público em nítido recado de repúdio à democracia. Alguns argumentam que a anistia é um caminho para a reconciliação. No entanto, essa abordagem ignora a gravidade dos atos cometidos e o impacto que tiveram sobre a sociedade. A reconciliação verdadeira se baseia no reconhecimento dos erros, na busca pela justiça e na reparação das vítimas. O castigo pune, o arrependimento educa.

A sociedade brasileira precisa ser capaz de distinguir o legítimo exercício da liberdade de opinião do ódio manifestado em nome dela. A anistia a terroristas não é apenas uma questão legal; é uma questão moral. Devemos nos lembrar das lições do passado e dos riscos que corremos ao minimizar a gravidade de atos irresponsáveis.

O momento é de reafirmar nosso compromisso com a democracia e com a justiça, não apenas em palavras, mas em ações. O respeito às instituições e à lei deve ser inegociável. A anistia não é a resposta; a responsabilidade, sim. Vamos construir um futuro em que a violência não seja a solução, mas, sim e em especial, o respeito mútuo e a efetiva busca pelo desenvolvimento sob o princípio da paz.

* O autor é jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura; autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Justiça seja feita e Memórias de um tempo obscuro.

 

 

 

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump, o chantagista

Richard Jakubaszko
A iniciativa trumpista de taxar em 50% os produtos brasileiros exportados para os EUA vai dar com os burros n'água. Nenhuma das anunciadas taxações das importações americanas contra países como China, Índia, Rússia ou Europeus se concretizaram até o momento, estão todas em negociação, canceladas por acordos bilaterais ou proteladas pela Justiça americana.

Ontem e hoje a mídia brasileira fez um estardalhaço sobre o tema, abordando questões econômicas, políticas, jurídicas, diplomáticas, ideológicas e comerciais sobre a ameaça de Trump, com asneiras a granel. E raras inserções de brilhantismo.


Vejamos algumas das questões do problema:

1 - A carta de Trump para Lula é um pacote de acusações disparatadas e com abordagens e citações de cunho impreciso, além de algumas serem distorcidas ou mentirosas. Não é verdade que a balança comercial Brasil-EUA seja favorável ao Brasil, pelo contrário, o Brasil tem déficit nesse fluxo, de centenas de milhões de dólares. Trump está muito mal informado pela sua assessoria. Ou distorce fatos de acordo com sua conveniência.

2 - Trump cita na carta a "falta de democracia" brasileira, onde se faz censura, segundo ele, especialmente por parte da Justiça do STF, ao proibir e mandar retirar das plataformas de algumas redes sociais de origem americana conteúdos mentirosos, as chamadas fakenews, como responsável pela taxação dos produtos brasileiros. Pode isso? Não, não pode, mas Trump age como garoto mimado e birrento, e recorre a outra faceta, a de acusar o Brasil de "caça às bruxas" com o desenrolar do processo que o STF move contra Jair Bolsonaro, na opinião dele "um líder internacional" (pausa para gargalhadas...). Com certeza Trump se espelha na situação de Bolsonaro, pois foi também acusado na Justiça americana pelos mesmos atos, ação que foi protelada para prosseguir depois que terminar o mandato dele, pois um Presidente dos EUA não pode ter ações na Justiça enquanto exerce o cargo.

3 - Trump ameaça o Brasil de atribuir novas (e iguais) taxas aos produtos brasileiros se o Brasil usar da clássica e tradicional reciprocidade de taxar produtos americanos importados. Uma simples questão de chantagem comercial que a OMC (Organização Mundial do Comércio) pode arbitrar se o Brasil efetuar uma queixa formal. Apesar de lembrarmos que esses julgamentos demoram meses ou anos. O comportamento de Trump não se sustenta, seria interessante alguém desvendar qual o objetivo real de Trump nessa patacoada.

4 - Na mídia o foco tem sido o de apontar agronegócio como o setor mais prejudicado. Não é verdade. O agro será prejudicado, sem dúvida, mas não esqueçam que o Brasil é exportador de petróleo bruto para os EUA, o item maior de nossas exportações e importa diesel e gasolina, pagando por serviços de refinaria, e as taxas do Trump impactariam o preço desses produtos no Brasil, a partir de agosto, a não ser que a Petrobras desenvolva nesse meio tempo um novo prestador de serviços de refino de petróleo em outro país, no curto prazo. Quem diria, a danada da Dilma teve a visão de fazer a Petrobras comprar uma refinaria em Pasadena, mas deu no deu, e agora podemos ficar com a calça nas mãos...

5 - Dentro do agro brasileiro o produto mais exportado são as madeiras (US$ 7,4 bilhões por ano) e seus subprodutos, como celulose, por exemplo. Isso é boa notícia para os ambientalistas, pois reduziria a pressão por mais desmatamento na Amazônia. Madeira é mais do que o dobro do segundo lugar, que é o café, com US$ 2,3 bilhões dólares anuais. O   terceiro lugar da nossa pauta é o suco de laranja, do qual o Brasil é o maior produtor e exportador do mundo. Trump vai ter de obrigar os americanos a mudar o breakfast deles, ao retirar café e suco de laranja com uma canetada só, afora os ovos brasileiros que têm sido exportados para lá por causa da gripe aviária que grassa nos EUA há uma década. Ou seja, sem café, suco de laranja e (quase) sem ovos, como será que vai ficar o desjejum dos gringos? Só vai ter umas fatias de bacon, cereais e pão torrado... Não esqueçamos das carnes brasileiras exportadas, principalmente dianteiros, que proporcionam o hambúrguer americano. Isso é uma perda de ativo político de Trump com seus eleitores, mas acho que ele não atentou para isso quando decidiu de forma imperial taxar os produtos brasileiros. Vai acelerar a inflação dos EUA.

6 - O que não aparece na carta de Trump são os objetivos anunciados pelo BRICS, de criar uma moeda forte para substituir o dólar nas transações comercias internacionais que não envolvam os EUA. E o BRICS não está longe disso. No início, uns 16 anos atrás, quando era apenas a sigla inicial (de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tornar viável esse sonho era distante, mas o BRICS cresceu e incorporou Arábia Saudita, Indonésia, Uruguai, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, um total provisório de 12 membros que representam quase 40% do PIB do planeta. Reparem que não há nenhum país europeu nessa história. Se entrar, entra o bloco inteiro, e chegam a mais de 65% do PIB internacional. Trump, evidentemente, sabe disso, e os EUA têm brigado feio e violentamente contra vários membros do BRICS, agora chegou a vez do Brasil.

7 - A questão das big techs é periférica no contexto comercial, mas Trump tem interesse pessoal nisso, pois uma de suas empresas (Trump Mídia) está com problemas na Justiça brasileira por publicar conteúdos falsos e difamatórios, e por não ter um representante legal no Brasil para responder judicialmente. Além de ficar proibida de publicar conteúdo no Brasil vem aí uma multa salgada que Trump não tem nenhum interesse em pagar.

8 - Para comprovar que tudo é uma farsa, hoje apareceu na mídia um entrevista de Steve Bannon, um ex-assessor de marketeiro de Trump, dizendo que se o Brasil derrubar o processo contra Jair Bolsonaro os EUA também anulam as taxas de nossas exportações. Chantagem na cara dura, mais uma, como se isso fosse importante, ou pior, como se isso fosse possível, de o Executivo ou Legislativo chegarem ao STF e dizerem, "ei, Xandão, cancela o Jair pra salvar o Brasil". Uma piada, né não?

9 - No mundo inteiro, de líderes europeus, até mesmo o americano Paul Krugman, Nobel de Economia, caíram a pauladas em cima de Donald Trump, por causa da desatinada decisão.

10 - Lula sai forte dessa briga (aconteça o que acontecer) toda para enfrentar a reeleição em 2026, se é que ele vai querer mesmo isso. O bolsonarismo perde, porque será acusado de irresponsável por aplaudir essa inaudita palhaçada de Trump.

ET: Resta saber se, ao citar Bolsonaro na referida carta, Trump abre as portas da Embaixada americana em Brasília para um pedido de asilo diplomático por perseguição política...

Em todo caso, o Xandão já colocou tornozeleiras no Jair Bolsonaro, para tentar impedir um pedido de asilo de tal ordem. Ficou no ar uma polêmica de mártir e injustiçado, mas o celular do Jair foi confiscado, e pode ter novidade pela frente... O Eduardo, coitado, agora tá enrolado até os cabelos, e o cancelamento dos vistos de entrada nos EUA do Xandão e de outros 7 ministros do STF, além do Gonet, Procurador Geral, vai provocar muita fervura no caldeirão.

Nunca vi na minha longa vida desaforos dessa natureza proporcionados por um país como os EUA, que deveria ter um certo decoro diplomático. Mas o mundo moderno anda maluco mesmo...

De toda forma, em agosto, um Tribunal de Apelação Federal negou que Trump tenha poderes, como presidente, para estabelecer taxas a outros países, pois isso é uma atribuição do Congresso americano. Até 14 de outubro próximo as taxas do Trump vão vigorar, e depois caem, a não ser que ele recorra da decisão junto à Suprema Corte, o que é bem provável, fazendo com que as estapafúrdias taxas adotadas  persistam por mais tempo.



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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Imbrochável e inelegível

Richard Jakubaszko 

O TSE cravou notável 5 x 2 nos votos dos ministros e tornou o Bozo inelegível, que já era imbrochável e continua sendo imprestável, imperdoável e insuportável, além de ter inteligência impenetrável.

Mais do que isso o TSE despromoveu o ex-capitão, que agora é cabo, ou seja, cabo eleitoral...

 

 

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quarta-feira, 3 de maio de 2023

Descobriram a senha do celular do Bozo

Richard Jakubaszko  
A Polícia Federal descobriu a senha do celular do Bozo, hoje, quarta-feira, 3 de maio, e as descobertas prometem muitas emoções:
  



 

 

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Luciano, das lojas Havan, agora é lulista desde criancinha

Richard Jakubaszko  

Que delícia de guerra (política)! A boa notícia da semana é a declaração do véio da Havan, de que agora ele é fã do Lula, de que não apoia as depredações feitas pelos bolsonaristas, e que, sendo Lula o comandante do avião Brasil, e ele Hang um simples passageiro, vai fazer todo o possível para ter um bom voo.

Objetivo e pragmático? Ou mero oportunista e homem de visão como puxa-saco?

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

O malandro e os manés

Richard Jakubaszko  
Os malandros da vida são esses Eduardos, vão assistir a Copa do Mundo, hospedados em hotéis de alto luxo, enquanto incentivam os manés brasileiros a continuar o 3º turno das eleições 2022, tumultuando a vida política, em protestos debaixo de chuva na frente de quartéis, bloqueando estradas, ou ofendendo personalidades em eventos públicos, sem contar a enxurrada de declarações disparatadas de seus adeptos, pedidos jurídicos despropositados de anulação de urnas etc. etc. 

Levam o troco, sem dúvida, como o dono de pizzaria, brasileiro em visita ao Katar, ou o vice-presidente, eleito senador pelos gaúchos, apelidado no Twitter de "paquita" do golpe, adepto do xuxonaro...

Quase esquecia de informar que o malandro aí embaixo pediu cidadania italiana, junto com seus irmãos, talvez pretenda migrar para a Itália a partir de janeiro próximo. Vai abandonar os manés brasileiros, sem dó nem piedade...



 

 

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sábado, 12 de novembro de 2022

Intervenção alienígena já!

Richard Jakubaszko 
Já que a agora nova oposição brasileira exige intervenção, seja federal ou militar, melhor a intervenção alienígena para acabar com o festival de besteiras que assola o país, um pedido, aliás, feito pelos próprios opositores. Não tenho nada contra...



 

 

 

 

 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

DOCUMENTÁRIO Xadrez da ultradireita mundial à ameaça eleitoral

Richard Jakubaszko   
O vídeo abaixo é um documentário preparado pelo Jornal GGN, editado e narrado pelo jornalista Luís Nassif, sobre como a ultradireita mundial foi preparada e se torna uma ameaça às democracias. É um trabalho de fôlego do jornalismo independente.

 

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domingo, 21 de agosto de 2022

Brasil necessita urgente de uma reforma política madura

Richard Jakubaszko

A estabilidade sonhada pelos brasileiros seja ela econômica e social, ou política, e tudo que o Brasil necessita, somente será alcançada através da reforma política. Esse joguinho irresponsável e leviano de esquerda x direita, ou de progressistas x neoliberais, é populismo de ambas as correntes políticas.

De nada adianta a proposição de novas leis se existe o Centrão na Câmara dos Deputados. Nem tampouco o Senado, como órgão de referendo. O Centrão, como regra histórica, aprovará as propostas que forem do interesse dos donos de partidos políticos, e de seus financiadores, e isso sempre foi assim em nosso Legislativo desde a proclamação da república em 1889. Quando a situação aperta um golpe acontece.

No momento, desde a Constituição de 1988, os nossos legisladores direcionam para a manutenção de um status quo perverso onde o que interessa é “levar vantagem” pessoal ou para o seu partido. É por isso que o Brasil tem hoje mais de 30 partidos políticos, e os donos dessas agremiações não possuem nenhum objetivo de trabalhar pelo bem do país. Chegaram nessa legislatura ao finérrimo humor do "orçamento secreto", uma peça singular de delírio ditatorial público, tudo isso aprovado pelo Centrão e aceito pelo presidente que nos desgoverna.

A explicação para tudo isso é muito simples: os nossos legisladores não são representativos dos eleitores, e não têm com eles nenhum compromisso público. Permanece em vigor a proporcionalidade, ou seja, um partido nanico escolhe como candidato um cidadão de notória fama em sua atividade, com notável imagem pública entre a população pobre. Esse candidato, um Tiririca, por exemplo, elege-se com vários milhões de votos, e puxa para seu partido a condição de empossar meia dúzia de deputados federais que tiveram em São Paulo, por exemplo, 5 ou 10 mi votos, enquanto candidatos a deputados com 80 mil votos no mesmo estado ficam de fora pela regra da proporcionalidade. É justo isso? Tem lógica essa gambiarra? É claro que não, mas a Lei Eleitoral é assim, foi votada na Câmara dos Deputados pelo Centrão de legislatura anterior e assim é feita a posse. E a bagunça é generalizada. Vemos isso acontecer hoje, no desgoverno de Bolsonaro, foi assim no governo Sarney, e no de Itamar, quando o Centrão assumiu após o impeachment de Collor. Dos 513 deputados federais hoje empossados, segundo os especialistas, cerca de 90% não tiveram votos em 2018 suficientes para serem eleitos, mas eles estão lá por conta da regra da proporcionalidade. O fenômeno atinge todos os estados em virtude da regra matemática malandra e extremamente complexa que foi engendrada, e a cada eleição tende a piorar ainda mais.

Então, a mais importante reforma é a política, para corrigir essa distorção, e a segunda reforma, é a do Senado, que deveria ser extinto. Por que precisamos de uma câmara de referendo? Não há necessidade, basta uma câmara, a dos Deputados, e tudo vai se agilizar e funcionar melhor, com representatividade da vontade popular, reduzindo custos e despesas para o Tesouro Nacional. Um Senado como temos hoje, que não representa os votos dos cidadãos. Basta ver que cada estado possui 3 senadores, e não é possível entender que isso seja justo ou equilibrado se estados como Acre, Alagoas, Amapá, Rondônia, Roraima, Sergipe, com densidade populacional pequena tenham o mesmo número de votos no Senado se comparados a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, por exemplo, com nível populacional muito maior. Do jeito que está um senador do Acre tem o mesmo peso em seu voto do que um senador de São Paulo. É justo isso? É evidente que não! Para piorar, no Senado existe a figura do suplente, invariavelmente um riquíssimo financiador eleitoral da candidatura do pretendente a ser Senador. Se eleito, o senador titular será indicado a alguma função ministerial, e o suplente assume... Ou, nos 8 anos de seu período eleito, tira uma licença para tratar de assuntos pessoais ou de saúde. Ora, tem algum trampo nesse negócio, não é? Suplentes de Senadores que votam temas nacionais relevantes no Congresso, mas que não tiveram nenhum voto? Se contarmos isso para algum ET ou estrangeiro eles darão muitas gargalhadas em nossa cara.

Há, ainda, a questão da representatividade no Senado, Basta verificar que um Senador por São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais, necessita de no mínimo 3 ou 4 milhões de votos para ser eleito, enquanto que nos estados de menor população bastam 100 mil votos e o candidato se elege.

Como o Senado é desnecessário, menos ainda são necessários 3 senadores por estado, Esta é uma herança da ditadura militar que inventou o Senador biônico para poder controlar votos no Senado. O Senador biônico não era eleito, era indicado pelo general de plantão, mas o terceiro senador ficou e ninguém contesta. As consequências perversas da política continuarão enquanto o voto representativo não for o mais importante.

Portanto, devemos votar a reforma política em caráter prioritário, finalize-se a eleição de deputados pela regra da proporcionalidade, e fechemos o Senado, não temos necessidade dessa anomalia. Se 513 deputados não votarem certo, não serão 81 senadores comprometidos, quase metade deles suplentes, ou representantes de poucos eleitores, que vão corrigir essa distorção. A chamada câmara superior (Senado) foi uma gambiarra inventada pela nobreza inglesa (A Câmara dos Lordes) negociada quando a monarquia deixou o poder, e permanece até hoje, absolutamente inútil, mas eficiente pra inglês ver, com se diz no jargão popular. Os EUA copiaram a malandragem do Reino Unido, mas pelo menos cada Estado americano tem apenas um Senador, e não 3, como no Brasil.

Quem vota tudo isso? O atual Congresso? Não, essa reforma que corta na carne dos políticos jamais seria aprovada por legisladores eleitos pela proporcionalidade em qualquer tempo. Ela precisaria ser feita por representantes eleitos especificamente para uma Assembleia Nacional Constituinte que iria votar a reforma política. Em eleições convocadas pelo STF. Desde já deixo a sugestão de que apenas sexagenários notáveis poderiam se candidatar, todos com histórico de reputação civil e criminal ilibada. Então, entre esses constitucionalistas poderemos ter também, por que não, humoristas, jogadores de futebol e artistas de TV ou de circo.

 

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sexta-feira, 24 de junho de 2022

O cara foi ao fogo e queimou-se

Richard Jakubaszko   

Agora mais do que nunca ficou claro que somos como peixes, morremos pela boca. O exemplo vem do ex-capitão, que quase foi expulso, e depois aposentado compulsoriamente do exército, mas que o povo imbecilizado acreditou que ele se sairia melhor como presidente do que como tenente unabomber. Pois Bolsonaro afirmou em uma de suas lives que colocava a cara no fogo pelo ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Queimou-se, evidentemente, sem precisar ser profético, e o passar do tempo neste mundo imenso da Via Láctea vai confirmando que o Brasil continua o mesmo de sempre: preso ontem, libertado no dia seguinte, pois forças estranhas movimentaram-se em Brasília na calada da noite para liberar o ex-ministro e também os pastores presos, antes que começassem a falar demais. Melhor uma CPI do que uma denúncia premiada em ano de eleições.

No mesmo dia da liberação do ex-ministro, aparecem procuradores do Ministério Público e delegados da Polícia Federal denunciando as manobras apócrifas à investigação e das ordens secretas de interferência nas ações do processo policial.

É por essas e outras que o tal do poder é tão bão... Mas o lado curioso e objetivo dessa história é o que as pesquisas eleitorais vão confirmando, que provavelmente teremos apenas primeiro turno nas eleições de 2022. Será?




 

 

 

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quarta-feira, 22 de junho de 2022

Segura peão!!!

Richard Jakubaszko  

É mais ou menos isso que os integrantes do desgoverno Bolsonaro andam gritando uns para os outros enquanto as eleições de 2022 não chegam. 

Milton Ribeiro, o advogado e ex-ministro da Educação de Bolsonaro foi preso hoje em sua residência em Santos, e em outras cidades foram presos também alguns dos pastores evangélicos que andaram vendendo bíblias a prefeitos amigos com pagamento em barras de ouro, em troca de liberar verbas do ministério da Educação, com apoio desses pastores, todos amigos de Bolsonaro, e a quem visitaram mais de 30 vezes nos últimos 12 meses. Curioso é que Milton Ribeiro autorizou a impressão das bíblias com inserção de foto colorida do ministro, mas ele não havia autorizado a distribuição. Doce e inocente criatura...

Em gravação que as TVs andam exibindo o ex-ministro da Educação afirmava a amigos que tinha prioridade na liberação das verbas para prefeituras com urgência e na sequência aos prefeitos indicados pelos pastores evangélicos amigos de Bolsonaro. Amanhã o ex-ministro terá audiência com a Justiça para saber se continua preso ou se será liberado para responder ao processo em liberdade. Em Brasília a torcida tranca o berro do "segura peão!", e prende a respiração, pois se o ministro falar demais pode dar uma merda muito maior do que já está.

Tem muito mais coisa rolando nesse entrevero, até amanhã a cobra vai fumar e Bolsonaro pode chutar o pau da barraca, o cara tá doidão e voltará a soltar suas feras. quem viver verá. Cai mais uma vez o pano do teatro bolsonarista de que em seu desgoverno não tem corrupção.

 

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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Brasil - qual é a tua cara?

Richard Jakubaszko

                       Bolsonaro tira uma soneca ao lado de Biden,                                                    
Somos um país de contrastes, e de muitas imbecilidades. Em verdade, os últimos anos têm sido mais de multiplicação das imbecilidades do que os contrastes e diferenças, sociais ou econômicas, especialmente o abismo cultural, e sempre foi assim.

Fico me perguntando, invariavelmente sem encontrar respostas, quando houve a ruptura, quando que esse elo foi quebrado. Talvez isso esteja dentro da gente, pois quando bem jovem a gente não tem a percepção clara das brutais diferenças existentes, e que só a idade e a experiência tornam tudo isso mais evidente.

Vejam só o caso do sumiço do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, lá na Amazônia. Meu Deus do céu!!! Quanta imbecilidade está sendo dita e repetida pela mídia, repercutindo as chamadas autoridades, inclusive o estrupício do Bolsonaro, com suas maldades, e até mesmo nossa então invicta (de imbecilidades) área da diplomacia, que embarcou fundo nas medíocres fake news bolsonarianas e anda pedindo perdão por informes falsos e indevidos, e também não esclarecidos. Nenhuma TV, ou jornal, ninguém mandou repórter competente lá no oeste da Amazônia pra saber o que de fato acontece de verdade. Passaram-se 11 dias, contando hoje, que a dupla está desaparecida, e nada foi esclarecido, seja pelos jornalistas, pela polícia, indigenistas, governo local ou federal. A cobertura jornalística é absolutamente medíocre.

Mas a mídia, afinal, é culpada de tudo o que acontece? Tenho minhas suspeitas de que sim, a mídia é culpada, porque é engajada e parcial. Há assuntos que durante a pandemia, para ficar num curto espaço de tempo, mas ao mesmo tempo longo e cansativo, pelas repetições, que nunca saem de cartaz. Como os caipiras dizem, não defeca e nem desocupa a moita, e nóis fica da expectativa de que algo definitivo vai acontecer a qualquer momento. Vejamos alguns rápidos exemplos de assuntos abordados diariamente na mídia, que nunca saem das manchetes, e nunca são resolvidos, e que explicam parcialmente porque a sociedade brasileira está mais do que imbecilizada.

1 – as fake news e suas variáveis. O STF ou STJ ou TSE jogam um ping pong legal com o Ministério Público e a PGR a 5 mãos, e pra mídia tudo é informação quente, seja declaração de ministro do judiciário, sentenças, ameaças de bolsominiuns, denúncias e fofocas oficiais. Alguns jornais e TVs criaram seções especializadas em desmentir fake news, como se apenas na vida da internet celulárica existisse fake news.

2 – todas as reformas, e quer seja política, trabalhista, aposentadoria, tributária, sempre tem alguma que vai avançar. Elas estão na pauta dos políticos candidatos a alguma coisa, outra que vai ser rejeitada em definitivo, e depois das eleições teremos um mundo melhor, com a variável de que depois de 100 dias da posse dos eleitos começará a campanha para 2026, mas antes teremos eleições para prefeitos e vereadores em 2024... Esses merdas desses políticos, parece que são sempre os mesmos, a cada 4 anos ficam desempregados e veem pedir votos pra nós.

3 – crise econômica, inflação, desemprego, gente passando fome e frio nas ruas, a mídia parece um bando de comunistinhas radicais, esquerdistas criticando os governos por toda essa desastrosa situação. Se aparecer alguém do governo e afirmar que, “tá certo, vamos arrumar isso tudo, mas precisamos de dinheiro e de mais impostos”, quero ver onde os jornalistas vão meter as suas caras...

4 – mudanças climáticas, esse é um dos temas preferidos nessa cacofonia midiática, e aí vem um pacotaço de coisas ruins, do tipo vai esquentar, o planeta vai derreter, estamos na beira do precipício, tá tudo poluído e nenhum governo faz nada. Quando aparece um maluco como eu que fala que é tudo mentira, afora a poluição, aí chamam o cara de maluco. Se esse cara escreve um livro a respeito, pior ainda, todos da grande mídia ignoram o audacioso, ninguém da mídia entrevista o cara, e ninguém publica sequer uma nota sobre o livro. Pessoas como eu, na opinião dos jornalistas, não deveriam existir, ou deveriam ser jogados do alto de um prédio de 20 andares ou mais, pra parar de encher o saco.

5 – qualquer besteira dita pelo Bolsonaro vira manchete de jornal ou destaque nos telejornais. Aparecem os repórteres pouca prática que repercutem, entrevistam políticos amigos e da oposição, depois veem os analistas e colunistas, uns descem o cacete no Bolsonaro, outros aplaudem, especialmente se forem das engajadas e bem remuneradas Jovem Pan ou CNN, TV Record etc. Enfim, se Bolsonaro da um pitaco sobre vacina, ou fala sobre cloroquina ou vermectina, ou afirma que o indigenista Bruno e o jornalista Dom estavam numa aventura, tudo isso é fake news presidencial, a mídia repercute porque os correligionários vão ler ou assistir, e isso dá audiência, e aí tem mais audiência porque os desafetos de Bolsonaro também querem saber qual foi a última merda presidencial...

6 - a mais cansativa e repetitiva das fake news, e que não sai do ar, é a mentira sobre as urnas eletrônicas, de que seriam facilmente manipuláveis, e permitiriam dessa forma alterar resultados de eleições. Essa mentira, em meu modo de ver, traz uma constatação, a de que STF e TSE deveriam realmente ser fechados por incompetência, porque admitem um absurdo desses e nada fazem. Mandem colocar uma camisa de força nesse maluco que hoje é nosso presidente.

Resumo da ópera, fake news pra Bolsonaro é o “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” dos tempos de Jânio Quadros, Ademar de Barros e Paulo Maluf. O que resume uma triste verdade, a merda é a mesma de sempre, só mudaram as moscas. Mostra que Cazuza tinha razão, quando pedia “Brasil, mostra tua cara”, porque aqui nas paisagens tupiniquins a hipocrisia sempre prevaleceu.

A diferença é que ainda nos tempos de Cazuza, ou antes disso, um presidente brasileiro jamais pediria a um presidente americano, através de tradutores oficiais, para que desse uma ajudazinha nas nossas eleições, pra ele Bolsonaro ganhar as mesmas e que pudesse se reeleger...

 

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