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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Nada nos aproxima mais da verdade que confronto de ideias

Richard Jakubaszko 

Li com profundo interesse o artigo de Luiz Frias na Folha-UOL, "Nada nos aproxima mais da verdade que confronto de ideias: Conhecimento humano avança com choque de opiniões propiciado por liberdade de expressão ampla", cujo link disponibilizo ao final deste texto, mas sinto-me obrigado a fazer alguns comentários sobre o teor do texto.

Na teoria a mensagem de Frias é irretocável. Na prática me pareceu uma narrativa parcial, mais próxima de uma mensagem publicitária do que um texto jornalístico. Na verdade o texto é uma compilação de uma palestra do autor em uma universidade paulista, e, no resumo apresentado pode-se verificar que existem diferenças sensíveis entre a teoria demonstrada e a prática relatada, que abraça especialmente questões e ideologias políticas, esquecendo-se de outros temas tão ou mais importantes. Refiro-me às questões das mudanças climáticas e do aquecimento planetário, onde o jornal tem forte e inarredável opinião que o emparelha às ideias do grupo do IPCC/ONU, onde a  Folha de SP/UOL não exerce o pluralismo, e muito menos pratica o debate, pois não faz o confronto de ideias, e dessa forma defende a sua verdade. Não existem duas verdades sr Luiz Frias. Temos, portanto, a minha verdade, e a verdade do seu jornal, que está engajada, provavelmente sem saber, a interesses econômicos escusos e inconfessáveis.

Em 2015, depois de estudar o tema "aquecimento" por mais de 8 anos, 4 deles escrevendo, publiquei a 1ª edição do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde, ao lado de diversos cientistas nacionais e internacionais, apresentamos ideias para serem debatidas sobre as falaciosas afirmações e acusações feitas pelo IPCC e também por cientistas brasileiros, de que o planeta tem em curso "mudanças climáticas" que irão provocar o aquecimento, por conta de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Folha de SP/UOL continua a afirmar que as mudanças climáticas e o aquecimento são um consenso entre 97% dos cientistas, o que está longe da verdade. Ora, o livro tem considerável sucesso de vendas, especialmente na Amazon.com e está entrando agora em junho próximo na sua 4ª edição, fora a versão traduzida para o inglês, lançada em novembro de 2023. Uma consulta na Amazon.com mostra a opinião de mais de uma centena de leitores do livro: https://www.amazon.com.br/Aquecimento-Mudan%C3%A7as-Clim%C3%A1ticas-Est%C3%A3o-Enganando/dp/8569495005/ref=zg_bs_g_7874341011_d_sccl_37/131-5737661-3349009?psc=1

Enfim, por falta de debate, a versão do IPCC, que se alinha com a "verdade" que acredita a Folha de SP/UOL, permanece e nos leva para o "consenso". Lembro aqui palavras de Walter Lipmann, de que "Onde todos pensam igual é porque ninguém está pensando".

Aqui, no link a seguir, a palestra de Frias, do qual espero uma revisão sobre essa história de debate e confronto, pois na questão "mudanças climáticas" prevalece a opinião do jornal, sem nenhum debate científico. É urgente e necessário que a Folha de SP/UOL revise seu posicionamento, no mínimo para o lado da neutralidade.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luiz-frias/2025/05/nada-nos-aproxima-mais-da-verdade-que-confronto-de-ideias.shtml 

 

 

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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Saiu a 3ª edição do livro CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?

Richard Jakubaszko 

Sem pompa e circunstância, e nem fogos de artifício, saiu de gráfica neste mês de maio a 3ª edição do livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?". Por si só isso já é uma alegria, considerando que um livro ser publicado no Brasil já é algo extraordinário, e mais ainda quando o mesmo tenha uma 2ª edição, imagine então chegar à 3ª edição.

Há muito a ser conquistado, entretanto. A proposta inicial na primeira edição (de 2015) foi a de provocar um debate nacional entre cientistas. Isso não aconteceu, mas provocou um certo ti-ti-ti entre muita gente, dentro e fora dos meios científicos.

Em 2019 a 2ª edição foi ampliada e revisada, e provocou alguns debates, restritos a certos segmentos, mas ainda insuficientes para despertar interesse da grande mídia. Mas já havia a presença forte da Amazon.com na venda online do exemplar físico e impresso do livro. Mais de uma centena de leitores do livro atribuíram notas de 4 e 5 estrelas ao conteúdo do livro, que anda com 4,7 estrelas na média de avaliação, dentro de um máximo de 5, fato extraordinário, considerando o lado polêmico do livro de apontar a questão do aquecimento como "a maior mentira do século XXI". Agora saiu a 3ª edição, com 410 páginas (a 1ª edição teve 288 pg, a segunda chegou a 380 pg). Alguns capítulos foram repetidos, mas quase todos foram atualizados, alguns foram deixados de lado, e novos foram acrescentados.

Assim, o professor e Dr Luiz Carlos Baldicero Molion atualizou alguns capítulos, e manteve a hipótese de apontar causas do El Niño e La Niña como causadores de secas e enchentes. E ainda escreveu um novo capítulo onde prevê invernos muito mais frios nos próximos 15 anos, nos dois hemisférios do planeta, o Sul e o Norte.

O biólogo Jamil Soni Neto, jovem observador da biodiversidade, recorre a teorias e hipóteses de grandes monstros internacionais da biologia para afirmar que as previsões aterrorizantes dos ambientalistas de reduções drásticas da biodiversidade não é assunto sério ou que preocupe aos cientistas da biologia. Ou seja, a mudança na biodiversidade está fora de perigo, afirma ele.

Outro técnico novo que comparece no livro é o experiente engenheiro agrônomo e pecuarista Eduardo Penteado Cardoso, que escreveu o bem humorado capítulo intitulado "e o boi está virando bode", para explicar e comprovar que a acusação contra o boi, da emissão de metano, é muito mal engendrada, se é que o leitor me entende.

Tenho vários novos capítulos na 3ª edição, sendo o principal deles a denúncia contra o grupo que é o maior financiador da mentira do aquecimento, responsável pelo assassinato de reputação do CO2, e que são os construtores de usinas nucleares. No capítulo "Fukushima (e Chernobyl), a maior imbecilidade humana de todos os tempos" mostro as terríveis consequências, com fotos, dos dois conhecidos acidentes que tiveram vazamentos de radioatividade.

O livro ainda tem muitas outras novidades, como o posfácio do amigo Roberto Rodrigues, engenheiro agrônomo e professor aposentado da UNESP, ex-ministro da agricultura no primeiro governo de Lula, e que, como acadêmico, sugere um debate entre os cientistas sobre a proposta do livro. A necessidade é debater o assunto, pois hoje em dia há muito mais censura prévia do que debate. O patrulhamento exercido nas redes sociais e na mídia em geral, é o de calar os céticos como eu e muitos cientistas, acusados que somos de sermos negacionistas, como se a gente negasse a eficiência das vacinas, ou porque eles acham que consideramos que a terra é plana, o que são acusações infantis de gente que não conhece ciência. Tenho afirmado, com toda a convicção, que "onde todos pensam igual, é porque ninguém está pensando" (Walter Lippmann), então, está na hora de fazermos um debate a sério, colocando um basta nas ameaças de que o fim do mundo está próximo, ou de que resta pouco tempo para salvarmos o planeta e a humanidade, pois é a última oportunidade.

Qual é o cientista que se mostra com coragem de debater esse assunto para esclarecer a sociedade, e reduzir o estresse da nossa juventude, que hoje em dia perdeu a esperança em tudo? Poucos cientistas, mas são desqualificados, desacreditados e difamados, pela mídia e pelos ambientalistas, os donos da verdade no mundo contemporâneo. Ninguém acredita em mais nada. Hannah Arendt escreveu que "Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança. Em nome de interesses pessoais, muitos abdicam do pensamento crítico, engolem abusos e sorriem para quem desprezam. Abdicar de pensar também é crime. Além de ser omissão.

Para os interessados em adquirir e ler o livro, enviem mensagem ao e-mail co2clima@gmail.com que informaremos procedimentos para depósito de compra do livro e recebimento de exemplar autografado pelo autor. O livro custa R$ 50,00 incluso as despesas de postagem para qualquer ponto do Brasil.


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quarta-feira, 30 de março de 2022

Para Carta Capital, revista de esquerda e engajada na mentira

De Richard Jakubaszko
29/03/2022

Tomei conhecimento somente hoje da matéria da revista Carta Capital, de autor(a) anônimo(a) (https://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/youtube-ganha-dinheiro-e-desobedece-as-proprias-regras-com-negacionismo-climatico/ ), sobre o tema aquecimento global, em que sou citado algumas vezes e qualificado genericamente como negacionista. Peço, como jornalista e escritor, com a devida vênia, a resposta abaixo da matéria injuriosa e engajada, e dos equívocos nela apontados. Parece que nos novos tempos, o novo normal, nos revela e nos traz preconceitos radicais, só pela simples razão de que pensar diferente do outro é algo abjeto e odioso. Chegamos aos tempos de perguntar o que seria do amarelo se todos fossem vermelhos. Nada mais bolsonarista do que isso, que é aterrador para quem pensa. E sofre, por causa da perseguição e patrulhamento, até mesmo de uma revista de esquerda, como Carta Capital, que reproduziu matéria da Agência Pública. Se vocês têm certeza do aquecimento, por que não me ouviram, para tentar derrubar minhas ideias?

Sou cético, não um negacionista, pois acredito em Deus, acredito nas vacinas (todas elas), tenho comprovações científicas de que o planeta é um globo de terra quase esférico que orbita ao redor do sol, e de que os seres humanos nascem em dois gêneros, ou é feminino ou é masculino. O resto é mentira, seja ideológica ou não.

Sim, sou o autor, conforme cita Carta Capital, do livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, que a partir de abril de 2022 entra em 3ª edição ampliada e atualizada, com 410 pg, onde tenho a companhia de diversos cientistas brasileiros e internacionais que são também céticos do aquecimento e de que este seja provocado pelo homo sapiens. Claro, mudanças climáticas sempre existiram, a mentira é só do aquecimento. Entre os brasileiros está Odo Primavesi, engenheiro agrônomo, ex-pesquisador da Embrapa, signatário do Relatório IV do IPCC de 2007, e que pediu para seu nome ser retirado como tal, pois não apenas o relatório final (mais de 4 mil pg) distorce fatos, assim como a sua sinopse (cerca de 40 pg). Da mesma forma, presente em meu livro, Richard Lindzen, meteorologista e professor emérito (isso não é pouca coisa) do MIT – Massachusetts Institute of Tecnology, que precisou entrar na Justiça americana para ter seu nome retirado dos chamados signatários do relatório do IPCC, daquilo que ficou conhecido como “a maior mentira do século XXI”, o famigerado aquecimento global.

Se o autor da matéria da Agência Pública, reproduzida na Carta Capital tivesse tido a curiosidade profissional de ler meu livro, ou de me ouvir, saberia do fato acima apontado. Saberia também que essa questão nada tem de ideológica, mas envolve interesses comerciais, políticos e, especialmente, objetivos geopolíticos. Porque o mundo quer roubar a nossa Amazônia.

O que os autores do livro buscam é um debate. Isso tem sido negado de várias formas. No livro mostro uma polêmica provocada pelo jornal O Estado de SP, na seção Estadão verifica, conteúdo que contestamos, mas o jornalão não teve a dignidade profissional de publicar minha carta, escrita junto ao professor Ricardo Felício. Este sim, um perseguido, e sabem por que não dá mais aulas na USP? Porque cortaram 90% do salário dele, corte feito pelo pessoal aquecimentista, e essas perseguições não acontecem somente no Brasil. Isso mostra a maioria dos cientistas absolutamente calada, com medo de represálias, e com receios de ter verbas cortadas para pesquisas que não sejam para confirmar o interesse de seus financiadores.

Simplesmente porque em ciência não há “consenso” como opina de forma unilateral e equivocadamente Carta Capital e a Agência Pública. Ciência é debate, ciência é evolução, é contraditório, é somatório de crescimento intelectual, científico e cultural. A questão do aquecimento é um milenarismo que poderíamos, no máximo, qualificar como hipótese, degrau inferior ao status da teoria, em se tratando de ciência. Vejam que a teoria da Relatividade (Einstein) ainda é uma teoria, bem como a da Evolução das Espécies (Darwin), e são tratadas como tal pelos cientistas, sobre elas não há consenso, nunca houve, mas a hipótese do aquecimento, que nem é teoria, atinge na revista Carta Capital, e em toda a mídia engajada, o status de lei, como a Lei de Newton sobre Gravidade. Por isso, e só por isso, a matéria de Carta Capital tem a autoria de um jornalista engajado, e que não disfarça essa parcialidade, fato que, em jornalismo, como sabemos, é vital para se obter credibilidade. Não apenas engajado, mas ignorante de várias questões da ciência. Sou jornalista há 55 anos, e dedicado estudioso do tema ambiental desde 2007.

Em meu livro, que demorei 4 anos escrevendo, solicito, com procuração de minha única neta: cadê as provas, ou melhor, que nos apresentem uma única prova científica de que esteja acontecendo o aquecimento. Basta de mentiras, chega de falsificações como as confessadas pelos cientistas da Universidade de East Anglia (Inglaterra), ou admitidas pela Austrália, que falsificaram dados primários de medição de temperatura para comprovar o falso aquecimento. Isso redundou no famoso e malfadado gráfico apelidado Taco de Hóquei, mostrado por Al Gore em suas Verdades inconvenientes (e mentirosas...). Consenso científico é mentira. Consenso é coisa de políticos mal-intencionados e de mafiosos. Como está em meu livro, o IPCC convidou cerca de 2.500 cientistas em todo o mundo, no início dos anos 2 mil, de todas as áreas do conhecimento humano, médicos, advogados, agrônomos, sociólogos, jornalistas, físicos, economistas, e lamentavelmente apenas 3% deles eram meteorologistas ou climatologistas. Esses “cientistas” estudaram os dados durante mais de 3 anos, contestaram as conclusões do IPCC. E hoje, cerca de 90% daqueles cientistas, pediram a retirada de seus nomes, por discordar das ações e do discurso do IPCC. A imprensa, engajada na questão ambiental, nada fala sobre isso. O ex-diretor geral do IPCC, Rajendra Pachauri, morto há alguns anos, foi processado em seu país, a Índia, como corrupto e também como estuprador, mas a mídia dava apenas notinhas a respeito, ignorando e menosprezando o fato de como uma pessoa com esse curriculum pudesse ter tido tão alto cargo.

Sim, o CO2 é o gás da vida. Sem ele não haveria vida no planeta, Trata-se de uma imbecilidade (imbecilidade é termo médico que indica um adulto que pensa igual a um garoto de 12 anos) humana contestar isso e afirmar a busca do zero carbono. CO2 não é poluente, ele é a base para a fotossíntese. 97% do carbono existente no planeta é emitido pela natureza (vulcões, algas marinhas) e apenas 3% pelas atividades humanas (automóveis, fábricas, queimadas, navios). Nada vai mudar, meus caros não cientistas da Carta Capital, se reduzirem a zero a atividade humana emissora de CO2. O Brasil e o mundo precisam de mais cientistas, e de menos jornalistas engajados, sejam eles de esquerda ou de direita.

Disponho-me a debater, a confrontar ideias, com quaisquer cientistas e com qualquer colega da Carta Capital, em debate aberto, sério, científico, para comprovar de N maneiras a grande mentira do século XXI, a do aquecimento, que só trará energia elétrica e aquecimento de ambientes gerada através da energia nuclear, a única que pode substituir a eletricidade eficiente e barata das hidrelétricas, pois a solar e a eólica ainda são ineficientes e muito caras. Estas são as patrocinadoras da grande mentira, apoiadas desde Ronald Reagan e Margareth Thatcher, ícones da extrema direita americana e europeia, conforme relato em meu livro, obra que tem 89% de 4 e 5 estrelas de aprovação entre os leitores e compradores da Amazon. Meu livro não é o 41º livro mais vendido, a posição é randômica e muda de hora em hora. Tivesse o repórter de Carta Capital voltado por lá algumas horas depois, o livro poderia estar em 1º ou 5º lugar como mais vendido.

Vocês não sabem, mas foi Thatcher, a dama de ferro, quem cometeu assassinato de reputação com o CO2 e com os carvoeiros do UK, pois todo pré-inverno entravam em greve por melhores salários, porque os donos das minas incentivavam a greve para subir os preços do carvão. Thatcher e Reagan iam para a marca do pênalti, mas ganhavam dinheiro das usinas nucleares para financiar suas campanhas políticas de reeleições.

Então, o que entende Carta Capital de esquerda ou de direita? Eu era um moleque da esquerda, há 50 anos, quando vi Cuba ser amaldiçoada por Kennedy e seus sucessores, e Fidel por falta de opção se aliou aos soviéticos, e estes chegaram a Cuba para instalar mísseis e foram rechaçados sob ameaça nuclear pelos americanos, nada diferente do que a Otan e EUA fazem hoje contra Putin e a Rússia, na guerra contra a Ucrânia, e estes que nem defendem o tal do comunismo, pois João Paulo II, que era da terra de meu pai, a Cracóvia, derrubou os muros da cortina de ferro com um simples sopro.

Como Carta Capital, que se considera de esquerda, explica que Al Gore, ex-vice-presidente americano, neoliberal, bilionário, acionista da AES americana, ex-dona da nossa Eletropaulo, seja do grupo dos ambientalistas? Ele dividiu o Nobel da Paz, com o IPCC, ganhou Oscar de melhor documentário, e ainda comprou uma nada desprezível mansão de US$ 7,5 milhões dólares à beira-mar em Malpacito, Califórnia. Ele, que anunciou a elevação de 7 metros no nível dos mares, não acredita nas mentiras dos biodesagradáveis.

Nem podia, faz mais de 40 anos que essa mentira roda por aí, de jornal em jornal, de revista em revista, de TV em TV. A direita acusa a esquerda de ser ambientalista, ecochata e biodesagradável. A esquerda acusa a direita de ser do agronegócio, quando foi a direita que plantou a fake news do ambientalismo através de James Lovelock, em 2006; Lovelock, hoje com mais de 100 anos, já se desmentiu, em 2015, pediu desculpas, mas ninguém, inclusive Carta Capital, noticiou isso. E o meio ambiente, que é defendido pela esquerda, no final das contas uma hipótese não científica e não comprovada, inventada pela direita para conquistar votos, poderes políticos e ganhar dinheiro. Vocês sabem por que estão brigando? Acho que os seres humanos deveriam abominar esses rótulos de esquerda e direita e procurar conhecer a verdade, ela não está no meio, não, ela está fora das imbecilidades e dos padrões moralistas de julgamento que ambos, esquerda e direita usam a seu próprio favor, num Fla-flu ou Gre-nal, de importância medíocre.

Desafio Carta Capital para que escale alguém com bom senso para ler meu livro e depois aplauda ou desminta o seu conteúdo. Isso é debate construtivo, positivo, o resto é politicalha esquerdopata ou direita neurotizada. Será que é isso que vai prevalecer no novo normal? Quanta mediocridade!

 

ET. Fui obrigado a responder e contestar neste espaço sobre a matéria da Carta Capital, pois em seu site não há espaço para comentários ou debates, muito menos para contestações. Os jornais Estadão e Folha de S.Paulo agem da mesma forma.

 

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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Não olhe para cima é fake news

Richard Jakubaszko   

O filme "Não olhe para cima" (baseado em possíveis fatos reais), além de ser fake news, porque não é uma ficção científica, só pode ser uma enorme de uma gozação do diretor e do roteirista, dos produtores e atores com os filmes catástrofes. Polemizar, como a mídia tem feito, de que o filme envolve uma mensagem profunda e mostra uma crítica à sociedade, bem como desobediência às ciências, comparando a questão do meteoro do filme que irá destruir o planeta em relação com as mudanças climáticas, porque existem negacionistas, é excesso de preciosismo.

O filme não faz nada disso, em nenhum momento, e nem tem essa pretensão, exceto a de ser pretensioso em si mesmo, porque é uma produção caça-níquel, sem qualquer qualidade como filme (entretenimento) ou como mais uma produção cinematográfica das belas artes, porque é um dos filmes mais medíocres de todos os tempos, seja como ficção ou como comédia de costumes. Minha mulher, minhas duas filhas e a neta, nem conseguiram assistir o filme além dos seus 15 primeiros minutos. Curioso, e teimoso, acabei por assistir até o fim, mas apenas confirmei o gosto feminino das mulheres lá de casa, pois o filme é uma enorme porcaria do cinema americano. Os 15 minutos suportados por elas mostra que a bunda é o melhor crítico de um filme ou peça de teatro. Quando a bunda dói, ninguém suporta ir até o fim, só os imbecis.

Sem exagerar, como crítica, posso "aliviar" o propósito dos diretores e roteiristas, encarando a comédia de costumes como crítica social ao comportamento de políticos, das TVs, das redes sociais e até mesmo de cientistas medíocres. O que mais se destaca no filme são programas de entrevistas nas TVs com os cientistas anunciando a vinda do meteoro, e os âncoras e comentaristas interessados em mostrar humor através de comentários idiotizados, pois assim é a TV americana, que não tem qualidade alguma, nem profundidade, exceto em alguns programas noticiosos ou séries de filmes produzidas para TV. Enfim, pode-se considerar uma crítica social do filme sobre a superficialidade da mídia quando aborda assuntos sérios e importantes. O filme, talvez por isso mesmo, em nenhum momento mostra programas jornalísticos abordando a tragédia anunciada pelos cientistas. Os raros momentos e abordagens mais sérios e responsáveis de todo o filme são aqueles onde os cientistas (Jennifer Lawrence e Leonardo DiCáprio, este sofrível na interpretação do cientista-astrônomo) estão em conversa entre si. 

Desde a descoberta da futura hecatombe por uma cientista, até o final do filme, passam-se 6 meses de tempo real, e nesse meio tempo são mostradas duas entrevistas na TV, dois encontros com a presidente dos EUA (interpretada sem nenhum talento por uma ausente Meryl Streep, que fez 4 ou 5 pontas no filme) no salão oval da Casa Branca, em momentos totalmente imbecilizados, todos com piadinhas medíocres, seja da presidente ou de seu principal assessor e chefe de gabinete, e depois de um mega-empresário americano, que lembra Bill Gates, porque fabricante de celulares, mostrado como o segundo homem mais rico do mundo em todos os tempos, além de principal financiador da campanha da presidente. O mega empresário muda os anunciados planos militares e científicos na Nasa e do Pentágono, para desviar o meteoro de sua rota de colisão com o planeta, para um plano maluco e irreal dele e do deptº de engenharia de sua empresa, de tomar posse do meteoro, ou seja, sequestrar o dito cujo, depois de fragmentá-lo, e explorar suas riquezas minerais calculadas em trilhões de dólares.

O non sense das soluções científicas no filme predomina, e fica claro que não é um filme de ficção científica, pois nada do que as ciências projetaram fazer é seguido. Seguem em frente as propostas políticas do empresário financista da presidente política, lembrando trapalhadas de Bolsonaro e Luciano Hang. Fica então o filme reduzido a revelar-se uma comédia medíocre, uma autêntica chanchada americana em todos os sentidos, abaixo de qualquer crítica, e deixa os espectadores bem intencionados na esperança de que apareçam críticas sociais importantes sobre a imbecilização da população americana, ou do comportamento leviano, vazio, taxa zero de cultura ou intelectualidade mostrada pela mídia. Nesses aspectos o não olhe para cima merece com galhardia de sobra o prêmio framboesa de pior filme da década que se inicia.

Mas o filme foi produzido e está aí em exibição na Netflix, pintado pelos seus imbecis e obedientes publicitários como uma ficção científica criativa, e também como uma comédia de costumes muito legal, e que apresenta propostas para um debate interessante sobre desobediência civil em relação aos enunciados pelos cientistas. Não é verdade, nada disso está no filme, que é sofrível, medíocre, e mostra o quanto a teoria de Darwin está incorreta sobre a evolução das espécies. Darwin esqueceu-se de dizer que há também involução nessa trajetória, pois é isso o que acontece com a inteligência da humanidade atualmente. O filme "Não olhe para cima", dessa forma, é objetivo e importante, porque nos mostra a realidade nua e crua de que a mediocridade e a imbecilidade* tomaram conta de tudo a partir dos tempos atuais de predomínio de Trump e Bolsonaro, e isso não é fake news.

Nota do blogueiro:
O termo imbecilidade utilizado neste post refere-se, no seu sentido lato, como termo médico, que imbecil é o sujeito adulto de mais de 30 anos de idade, que pensa como um garoto de 10 anos.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Amazônia em debate, vale a pena assistir

Richard Jakubaszko   

Recebi do pesquisador Zander Navarro, da Embrapa, a informação sobre o debate online a ser realizado em 8 de outubro próximo, às 11 horas. Quem desejar participar, no cartaz abaixo há um e-mail para enviar perguntas. 



 

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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Eleumérios do Atriscaitãn e outras estrofes da criação

Carlos Eduardo Florence
Deu-se nos tempos devidos, aberto cerimoniosamente e com consenso o evento ecumênico aguardado, muito discreto, sem arroubos ou pretensões, na grata finalidade de desmistificar pontos obscuros sobre o conflito milenar, na realidade fictícia. Tal não poderia deixar de ser reforçado pelos liberais bem intencionados, sobre os suportes históricos e reais à civilização, da sinergia milenar entre religião e ciência.

A teologia e as teorias científicas, engajadas e articulada
s pelos homens de mentes e corações amplos, despidos de preconceitos, tanto como de radicalismos, os quais convergiram sempre no princípio inabalável da criação do universo por Mãos supremas, na coerência das interações indiscutíveis.

 
Deus, portanto, criou o abstrato e o concreto, antes de impregnar os ungidos existenciais com múltiplas e adequadas composições alternativas de pragmatismo. Calibrou-os com exatas porções de espírito, alma e cérebro, dosagens perfeitas, indispensáveis, com aptidões específicas, dando-lhes plena autonomia nos procedimentos, livre arbítrio, dentro dos seus contextos singulares, como melhor lhes aprouvesse.

 
Estes detalhes são fundamentais para o entendimento da dimensão da criação sublime. E é neste complexo que a centopeia, mesmo incrédula, recebe discernimento sustentável para movimentar cem minúsculas pernas e não tropeçar, no entanto não consegue calcular o resultado de dois mais dois e nem se preocupar com a necessidade destas excentricidades inúteis. Em contrapartida, Deus gratificou ao homem com o imenso poder de aprender as verdades bíblicas, calcular a velocidade da luz, compor a oitava sinfonia, escrever Grandes Sertões e Veredas, constatar a teoria da relatividade, mas não o agraciou com leveza apropriada para confrontar a gravidade e muito menos despregar-se do solo raso como proveu, aleatoriamente, favorecer ao condor, de forma tão bela e independente.

 
Estas alternâncias são um só complexo indivisível, mesclando nesta melodia sutil da natureza, simples e lógica, que nos amaina, toda a dimensão incomensurável do Criador, reverenciada pelos verdadeiros sábios. Tais esplendores de integrações não caberiam desunirem-se, nos ritmos e modos como Deus criou o perfeito e o incomensurável. Não assim fosse, a harmonia se esfacelaria entropicamente e o caos prevaleceria sobre a ordem, o destino e o cosmos.

 
Solvido este mero introito das composições indiscutíveis e apaziguadas acima, passa a ser nosso objetivo recuperar dados antropológicos e teológicos obtidos em escavações nas áreas centrais desérticas do Atriscaitãn. Os reduzidos e quase exterminados nativos desta região extremamente árida, os Eleumérios, oriundos de Eva e Adão após o casal ter sido desalojado de um paraíso fantástico, do qual não sobrou referência ou detalhe e inclusive os descendentes evitam memorar detalhes desconfortáveis, por motivos morais, éticos e atávicos. Constatou-se serem os herdeiros detentores únicos destes fatos indiscutíveis, após a transformação divina do nada em ser.

 
Portanto, é o primeiro clã eleito, escolhido pelo criador. Estes conhecimentos confirmados, respeitados e seguidos pela religião e ciência são irrefutáveis, pois nascem dos legados do primevo casal. Deus deu, a saber, a estes privilegiados, que antes de lapidar os contornos e acabamentos caprichosos nas criaturas e nos relevos todos dos aléns e escolher a terra como fruto simbólico do seu imenso amor por ela e seus ocupantes de todas as naturezas, experimentou várias formas, anteriores, primitivas e diferentes de complexidades alternadas, primárias, embrionárias e provisórias.

 
Apesar de toda a onisciência, Deus no início, ainda principiante na arte criativa, entrelaçou varias substâncias, embora imaginadas e criadas sós por ele, etéreas e desuniformes, cujos resultados pragmáticos não o agradavam. Com tenacidade eterna e divina recomeçava outra vez sempre e sistematicamente.

 
Estes detalhes, levantados, ocorreram muito antes daqueles quinze bilhões de anos humanoides do referido Big-Bang, com os quais o Criador não comunga nas fantasias descritivas dos conceitos atuais. Tanto assim que as desaprova, a bem da verdade, sorrindo benevolente, pois milenares medidas perdidas em tempos divinos são completamente diferenciadas das astrologias temporais arbitrárias, pagãs e primitivas dos homens, que mal se suportam em razão das deturpações tópicas, com suas ficções barrocas ou rococós, mistificações tempestivas desmerecendo os astros, buracos negros, anos luzes, galáxias, os sois, estrelas e coisas que tais.

 
Imaginações ingênuas dos mortais medíocres, descrentes, limítrofes, que não possuem alternativas mais criativas. Os sete dias da criação do cosmos, modestamente admitidos como espaço e dilação suficiente para a criação do incomensurável existir, jamais refletem, pela complexidade criativa divina, o banal acender e apagar do sol que delimita o transcorrer do dia pobre e antropológico. O proceder de esta epopeia ímpar e suprema é meticulosamente medido em espaços de milagrosas luzes atemporais, tanto que cada micro de átimo tempestivo Divino se respalda em concentrações inconstantes de metamorfoses, fruto de reflexos-reflexivos irrequietos organicamente, resistentes a tridimensionalidade e aos movimentos estacionados. São padrões impraticáveis de constatação dos mortais dada as limitações a estes impostas, mas confirmadas empiricamente pelo simples fato de existirem e se contemplarem em todos os seres, inclusive o homem.

 
Estas metamorfoses atemporais são subdivididas em desejos próprios da sensibilidade momentânea do Criador, que se estendem, aleatoriamente entre o nada, partindo do invisível, juntamente com o inimaginável, respaldado no pretérito e sem nenhum conflito com o porvir. Fundamental estes conceitos, pois partem desde os milionésimos de milagretes insipientes, subdivisão de nanoelocubrações concretas, mas sempre instáveis divinamente, até infinitesimais super-escalas inatingíveis pelos cógitos mentais convencionais.

 
Os Eleumérios, escolhidos descendentes de Eva e Adão, detiveram, por muito curto período, o privilégio de decodificar estes calendários e tomar ciência das combinações com as quais Deus dosava e media as matérias primas produzidas para suas experiências pré-cosmológicas. Mas, por precaução e receio, os Eleumérios esconderam estes tesouros dos conhecimentos sagrados ontológicos em profundas cavernas nos rincões dos Inconcebíveis, ao fundo inacabado do deserto de Atriscaitãn, para não caírem em mãos desconhecidas e indefinidas. Estes estranhos usurpadores intentavam, ao que se colheu dos imemoriais, com as argamassas e amalgamas extemporâneas divinas, criar outro evento existencial paralelo, competitivo e materialista. O Senhor inventou, habilidosamente como sempre, o esquecimento e impregnou-o sabiamente na mente ingênua dos Eleumérios, como precaução.

 
Os fatos acima não são detalhes, nem questões de somenos. Como se acompanhou, infelizmente, destes ensaios anteriores restou micro sinais e muitas desinformações esparsas. A bem da verdade muito mais se especula sobre os mesmos do que se pode constatar. A maior dificuldade de restauração dos fatos, concretudes ou abstrações, destas comunicações pretéritas dos seres de Artochoi Orum, como Deus denominou o seu complexo anterior experimental, são os conflitos de então entre o paradoxo, o subjetivo e a fantasia desconhecidos pelos videntes, clérigos e cientistas atuais. Mas algo diminuto sobreviveu e outro tanto é suposto.


Deus não consolidara ainda o termo universo e nem o homem então, portanto, não se permitiu denominar a provisória Artochoi e seus atributos com estes substantivos próprios. Nesta experiência divina, extinta, a comunicação dos entes era intelectiva. Realmente se interligavam estes seres pré-universo, então criados com partes espirituais e outros tantos complementos materiais, proporcionais a cada criatura, desde as mais primitivas, até as mais desenvolvidas e sofisticadas, através de ondas cerebrinas.
 
Os inanimados, neste complexo anterior e experimental, emitiam por mini-sensores mentais mensagens objetivas, capazes de descodificarem as subjetividades e os concretos, intercalados dos signos dos seus propósitos corpóreos para afetarem os correspondentes usuários. Não correspondiam, estas oscilações comunicantes, aos limitados efeitos ofertados aos seres vivos em nosso universo como o calor, fala, visão, cor, cheiro, paladar, sabor, perspectiva, olfato, reflexo, mas agiam diretamente no imaginário dos cógitos dos seres para os atraírem, repelirem, agradarem, subsidiarem, imantarem ou convencê-los.

 
Os próprios inanimados, neste contexto, possuíam a capacidade reprodutiva (como uma convencional pedra, por exemplo, parir pedregulhos sutis e delicados que cresciam e se ofereciam, reprodutivamente, aos consumidores ou uma amêndoa que devidamente devorada, multiplicava-se em várias castanhas mimosas).


Assim se invertia a dialética, quanto mais eram absorvidos pelos seres animados, os inanimados se proliferavam e os primeiros se volatilizavam pelo além para se transformarem em contemplativos adoradores. Passavam em júbilos desmaterializados a contemplarem o esplendor infinito do nada ao lado do Criador. Os espíritos mais adiantados e soberbos se postavam orgulhosamente a montante do Silêncio Soberano e mais próximos da Paixão infinita, em contrapartida, quanto mais primitivo, maior a distância do Eterno. Este privilégio de ladear o Senhor se estendia por graúdos nacos enormes existenciais de átimos milagrosos enrolados em faixas enormes de nada delicadas.
 
Aqueles seres então possuíam sua dimensão material e o respectivo e adequado complemento espiritual, alma ou mente expressiva comunicante. O original da espécie apresentava a habilidade de as matrizes sólidas, o corpo, liberar a substância volátil, a alma, para esta ao bel prazer tresandar alhures como bem lhe aprouvesse. Seria como atualmente o intelecto ou espirito humano passear pelos arredores deixando o corpo entretido em outros detalhes existenciais.

 
Um dos problemas recorrentes neste contexto moto-tresandante, articulado por Deus aos indivíduos, era que em certas circunstâncias acidentais, elas se desorientavam nos espaços desconexos ao intentarem regressar a sua própria matriz corpórea deixada ao dará. Não era incomum se confundirem as almas espirituais circulando pelos aleatórios e, desorientadas e perdidas, as vagantes desajustadas ocuparem espaços físicos alheios vazios.


Estes desatinos provocavam atritos de locação, além de problemas sérios de sexualidade, transexualidade, ciúmes, anseios e infiltrações conflitivas. Também ocorriam acidentes, não incomuns, de uma única matéria corporativa receber dois afetos espirituais simultaneamente e disputando a mesma vaga. Ou outra ficar, neste contexto, carente de vivência espiritual. Foi quando Deus, observador e atento, descobriu a esquizofrenia, achou este propósito material didático, interessante, e deteve restolhos apropriados para encarnar em um futuro indefinido.
 
Outra experiência desta antologia cosmológica primeira, que frustrou o Senhor nesta sua fase experimental foi a irrelevância atribuída por Ele à gravidade naquele contexto anterior. O aforismo atual que: “matéria atrai matéria na razão direta proporcional à massa e inversamente proporcional ao quadrado das distâncias que os separa”, considerou o Criador desnecessário e preferiu não introduzir em Ortochoi Orum.

 
Depois de lançar os compostos todos criados no contexto de então e passar a observá-los como agiam sob o despautério da ausência de gravidade, pasmou-se dos detalhes paradoxais. O que poderia parecer facilitar a locomoção e transporte se tornava exaustivo, pois se imaginara que poderiam ser utilizados contrapesos específicos para os objetos se atraírem e se movimentarem. Mas também estes se espargiam aleatoriamente ao sabor da densidade do nada, não tinham como retornar aos destinos e passaram todas as espécies, desde os mais evoluídos seres aos mais primitivos, a sofrer de depressão e agorafobia.

 
Exausto, pensativo, contrariado, Deus, por último, se pôs em meditações divinas profundas, por uma série interminável de átimos milagrosos indeterminados e contemplativos. Muitos infindáveis milagretes posteriores, sem mais devaneios, desmantelou os restolhos de Ortochoi, desfez peça por peça, anotando os resquícios do evento, na maioria das vezes, em sua memória privilegiada somente. Com parcimônia, retrocedeu tudo cuidadosamente ao nada, tomando a decisão divina de salvaguardar somente algumas mudas de substâncias esquisitas e raras em Ortochoi para, eventualmente, em algum além-desconhecido usá-las para enxerto, semente ou procriação.

 
Conta-se, portanto, nos alfarrábios escondidos dos Eleumérios na caverna dos Inconcebíveis, que escapou no cesto divinal do infinito atemporal, resíduos de migalhas de amor, mínimos desejos em botão, uma cunha cheia de mentiras, pitadas de desafetos em bons estados de conservação, um chorrilho de ciúmes para contrabalançar amor excessivo, inveja em doses razoáveis, ambição pouca para não se tornar desmedida, duas cabaças rasas de preguiça e meia de sono, um desafeto urinando ainda em suas fraldas e outras malvadezas de pouca utilidade, mas em bons estados de uso, para, com estes restados, se O aprazasse, praticar novas experiências em algum talvez esquecido e distante, após infinitesimais átimos de milagres quaisquer de futuros imprevistos e incertos.

 
Derradeiro e magnífico, desiludido pelos conflitivos paradoxos de Ortochoi, embora muito antes de elucubrar seu próximo e último arrependimento, o universo atual, sem trauma algum, recostou-se sobre uma extensão serena e confortável do mais macio nada. Escolhera este além entre as indefinições aleatórias, onde se sentia tranquilo, e atentou os ouvidos eternos para espairecer, merecidamente, com o choro angelical, distante, de trompetes e flautas que o repousava tanto.


Enquanto isto lançava, Ele, aos horizontes ocultos suas profecias, prevendo achegarem cansados pelos caminhos desconhecidos o futuro e a incerteza para recompô-los em atualidades presentes e realidades concretas. Tudo se dava pelos cantos dos infindáveis ruídos dos silêncios, pois só Deus poderia antever que a angústia seria criada por Ele próprio e assim transmudar o imenso nada abundante em céu, terra e, caprichosamente, inventar o homem para aprender a sofrer e merecer, no fim, a usufruir da extrema alegria angustiante da morte.

* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.

Publicado em: http://carloseduardoflorence.blogspot.com/2019/11/eleumerios-doatriscaitan-e-outras.html


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