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terça-feira, 8 de agosto de 2023

Mulheres à direita, homens à esquerda!

Richard Jakubaszko   
Machismo ou feminismo? A polêmica está lançada!
Na realidade, é um fato, internacional (de um pub inglês), as fotos comprovam isso:
 




 

 

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sexta-feira, 22 de abril de 2022

A 3ª edição do livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?” segue mudando opiniões.

Richard Jakubaszko

Com 410 páginas o livro continua a provocar debates sobre a maior mentira do século XXI, o propalado aquecimento que nos ameaçam pelas mudanças climáticas. Os seguidores do IPCC – Intergovernmental Panel Climatic Changes agora nos informam da urgência de zerar as emissões de CO2 para permitir uma elevação de no máximo 1,5ºC na média do aquecimento sob pena de o planeta derreter.

Ora, quantas mentiras estão embutidas nas afirmações acima, repetidas por quase todos os repórteres quando fazem qualquer reportagem sobre os problemas causados pela mais recente chuva tropical? Um desabamento de terras em morro com mau uso do solo, ou um alagamento de água em áreas de baixadas provoca escandalosas manchetes, anunciando o início do fim do mundo.

São as seguintes:
1 – aumento de 1,5ºC ou 2ºC na temperatura média não significam nada, pois temperatura média não provoca nenhum problema. Nesta época do ano a temperatura de São Paulo, capital, amanhece com 19ºC e chega no período da tarde a mais de 30ºC, com diferença de 10ºC e nada acontece quando à noite cai para 20ºC.

2 – o CO2 é o gás da vida, pois é o principal elemento da nossa atmosfera que provoca a fotossíntese quando as plantas ficam expostas ao Sol. O CO2 não é poluente, quem polui é o dióxido de Carbono emitido pelos automóveis e fábricas, ou as queimadas.

3 – É uma utopia a pretensão de zerar a emissão de CO2, porque as atividades humanas provocam a emissão de apenas 3% do CO2 existente na atmosfera, e os 97% “restantes” são emissões da própria natureza, como as florestas tropicais, vulcões, e, especialmente, pelas algas marinhas existentes nos mares. Lembro que estes representam 71% da superfície do planeta.

4 – o CO2 não controla o clima, e sem ele a humanidade desapareceria. O CO2 é parte do CHONSP, a fórmula “secreta” da vida (representada na sigla pelas letras iniciais de Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, S de Enxofre e P de Fósforo), que, somados ao Sol, representam o suporte para a vida no planeta. A inexistência de qualquer um desses elementos, mais o Sol, significaria o fim imediato da vida no planeta, na forma como a conhecemos. O CO2 está presente na nossa atmosfera com meros 0,038%, ou 380 ppm – partes por milhão - e um percentual com essa magnitude não altera o todo.

5 – O CO2 é um ridículo e insignificante gás de efeito estufa (GEE), com 10% de importância no aquecimento do ar de uma estufa, pois a água é a grande responsável, com mais de 60% de relevância como causa do aquecimento. Atente-se que GEE é fator relevante dentro de uma estufa, e não é um efeito possível de ser registrado na atmosfera aberta e livre em que vivemos, pois não existem janelas, muros ou paredes para limitar a circulação dos elementos atmosféricos. Há apenas a troca de energia na atmosfera, de calor e frio, fatores que provocam ventos e outras consequências na atmosfera, pois o clima é, por natureza, caótico e incontrolável, apesar de previsível com até uma semana de antecedência. Prever o clima com antecedência de 50 ou 80 anos é piada de mau gosto, sem nenhuma base científica, temperada com interesses econômicos, políticos e geopolíticos.

6 – Outra questão é a impossibilidade física de se aplicar o GEE na atmosfera livre e sem fronteiras em comparação com a atmosfera de uma estufa, limitada pelas paredes fechadas, por plástico ou vidro, que aprisionam o ar interno, aquecido pelo Sol. Daí que houve a necessidade de os agentes e seguidores do IPCC criarem a ameaça das “mudanças climáticas”, pois esta traria o suposto aquecimento. Parece lógico, mas é uma falsa afirmação científica, porque mudanças climáticas acontecem, mas levam décadas ou séculos para serem registradas. E até mesmo para serem reconhecidas. Prova é que nos anos 1970 e 1980 afirmava-se que o planeta estava esfriando, e entre outras coisas provocaram as geadas no Brasil, no Sul e Sudeste, que erradicaram o plantio de café no Paraná e parte de São Paulo. Essas ameaças foram registradas em várias capas da revista Time, num período de 10 anos.
  

7 – ler o livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, confirmará as questões acima, que são inquestionáveis na ciência, e permitirá a existência de debates, hoje inexistentes.

8 - para comprar o livro envie e-mail para co2clima@gmail.com que informaremos como fazer o pagamento de R$ 50,00 (inclusas as taxas postais) e pedimos dados de endereçamento: você receberá o livro em casa, autografado pelo autor.

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terça-feira, 9 de junho de 2020

O arrependimento de The Lancet


Luis Amorim *
(from Portugal) 
A revista científica The Lancet arrependeu-se de ter publicado um estudo não-clínico condenatório da hidroxicloroquina. 
Tantas foram as críticas àquele estudo feito para servir aos interesses da BigPharma que dia 3 de Junho a revista resolveu publicar uma "Nota de preocupação".

Para os monopólios farmacêuticos, a hidroxicloroquina tem o grave defeito de ser um remédio demasiado barato – eles só querem os caros, para faturar muito. Entre a saúde de milhões e os milhões de lucro, o capital opta sempre pelo segundo.

Tradução do texto da nota publicada pelos editores da The Lancet.
Expressão de preocupação: Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem macrolídeo para tratamento de COVID-19: uma análise de registro multinacional (1)
The Lancet Editors

Publicado em 03 de junho de 2020 DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31290-3

Questões científicas importantes foram levantadas sobre os dados relatados no artigo por Mandeep Mehra et al - Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem um macrólido para o tratamento de COVID-19: uma análise de registro multinacional

1 - publicado no The Lancet em 22 de maio de 2020.

Embora uma auditoria independente da procedência e validade dos dados tenha sido encomendada pelos autores não afiliados ao Surgisphere e esteja em andamento, com resultados esperados muito em breve, estamos emitindo uma Manifestação de Preocupação para alertar os leitores sobre o fato de que sérias questões científicas foram trazidas à nossa atenção. Atualizaremos este aviso assim que tivermos mais informações.


Abaixo o texto original publicado em inglês
Expression of concern: Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis
The Lancet Editors

Published: June 03, 2020 DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31290-3

Important scientific questions have been raised about data reported in the paper by Mandeep Mehra et al—Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis

1—published in The Lancet on May 22, 2020.

Although an independent audit of the provenance and validity of the data has been commissioned by the authors not affiliated with Surgisphere and is ongoing, with results expected very shortly, we are issuing an Expression of Concern to alert readers to the fact that serious scientific questions have been brought to our attention. We will update this notice as soon as we have further information.
Reference
1. Mehra MR Desai SS Ruschitzka F Patel AN
Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis.
Lancet. 2020; (published online May 22.) - 10.1016/S0140-6736(20)31180-6
COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Digna de aplausos a ética e, especialmente, a coragem e honestidade dos editores em publicar uma nota de ressalva. Dos 4 autores do artigo apenas um deles recusou-se a reconhecer erros nas conclusões científicas do estudo, por conta da impossibilidade de provar os dados primários.
Em breve, conforme prometem os editores da The Lancet, teremos um estudo com fontes e dados primários confiáveis.

Lamentavelmente, esse não é um fato isolado sobre a conduta indevida de alguns cientistas, que depõem contra a seriedade e imparcialidade que um estudo científico deve ter, e, portanto, contra a própria ciência.

Nas questões ambientais, por exemplo, naquilo que rotulo como a maior mentira científica do século XXI, sobre o aquecimento, há um gigantesco jogo de interesses comerciais e políticos, mais do que impressionante, e tão perverso quanto o utilizado pela BigPharma nas questões de remédios e vacinas. É muito dinheiro envolvido nessas disputas, o que deixa os envolvidos em clima de guerra permanente.
No livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?" esclareço muitas dessas polêmicas entre alguns cientistas.


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domingo, 26 de janeiro de 2020

Índio tá virando gente, não, ele quer apito, ai, ai, ai...

Richard Jakubaszko 
Polêmica das bravas essa do Bolsonaro imbecilizado dizer que índio tá virando gente. Índio, então, era bicho? Ora, entre correntes a favor e contra das imbecilidades presidenciais, o Brasil entra numa discussão estéril. Pra mim, índio é um ser humano. Como foi evangelizado e "civilizado", o índio passou a querer outras coisas como seu "objeto de consumo". Mas continua índio, pelo menos aqueles que permaneceram em suas terras, independentemente de suas posses de modernidades.

De outro lado, as ciências pouco aprenderam com a história dos índios, suas culturas e inteligências, e os saberes deles perdem-se no tempo.



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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Eleumérios do Atriscaitãn e outras estrofes da criação

Carlos Eduardo Florence
Deu-se nos tempos devidos, aberto cerimoniosamente e com consenso o evento ecumênico aguardado, muito discreto, sem arroubos ou pretensões, na grata finalidade de desmistificar pontos obscuros sobre o conflito milenar, na realidade fictícia. Tal não poderia deixar de ser reforçado pelos liberais bem intencionados, sobre os suportes históricos e reais à civilização, da sinergia milenar entre religião e ciência.

A teologia e as teorias científicas, engajadas e articulada
s pelos homens de mentes e corações amplos, despidos de preconceitos, tanto como de radicalismos, os quais convergiram sempre no princípio inabalável da criação do universo por Mãos supremas, na coerência das interações indiscutíveis.

 
Deus, portanto, criou o abstrato e o concreto, antes de impregnar os ungidos existenciais com múltiplas e adequadas composições alternativas de pragmatismo. Calibrou-os com exatas porções de espírito, alma e cérebro, dosagens perfeitas, indispensáveis, com aptidões específicas, dando-lhes plena autonomia nos procedimentos, livre arbítrio, dentro dos seus contextos singulares, como melhor lhes aprouvesse.

 
Estes detalhes são fundamentais para o entendimento da dimensão da criação sublime. E é neste complexo que a centopeia, mesmo incrédula, recebe discernimento sustentável para movimentar cem minúsculas pernas e não tropeçar, no entanto não consegue calcular o resultado de dois mais dois e nem se preocupar com a necessidade destas excentricidades inúteis. Em contrapartida, Deus gratificou ao homem com o imenso poder de aprender as verdades bíblicas, calcular a velocidade da luz, compor a oitava sinfonia, escrever Grandes Sertões e Veredas, constatar a teoria da relatividade, mas não o agraciou com leveza apropriada para confrontar a gravidade e muito menos despregar-se do solo raso como proveu, aleatoriamente, favorecer ao condor, de forma tão bela e independente.

 
Estas alternâncias são um só complexo indivisível, mesclando nesta melodia sutil da natureza, simples e lógica, que nos amaina, toda a dimensão incomensurável do Criador, reverenciada pelos verdadeiros sábios. Tais esplendores de integrações não caberiam desunirem-se, nos ritmos e modos como Deus criou o perfeito e o incomensurável. Não assim fosse, a harmonia se esfacelaria entropicamente e o caos prevaleceria sobre a ordem, o destino e o cosmos.

 
Solvido este mero introito das composições indiscutíveis e apaziguadas acima, passa a ser nosso objetivo recuperar dados antropológicos e teológicos obtidos em escavações nas áreas centrais desérticas do Atriscaitãn. Os reduzidos e quase exterminados nativos desta região extremamente árida, os Eleumérios, oriundos de Eva e Adão após o casal ter sido desalojado de um paraíso fantástico, do qual não sobrou referência ou detalhe e inclusive os descendentes evitam memorar detalhes desconfortáveis, por motivos morais, éticos e atávicos. Constatou-se serem os herdeiros detentores únicos destes fatos indiscutíveis, após a transformação divina do nada em ser.

 
Portanto, é o primeiro clã eleito, escolhido pelo criador. Estes conhecimentos confirmados, respeitados e seguidos pela religião e ciência são irrefutáveis, pois nascem dos legados do primevo casal. Deus deu, a saber, a estes privilegiados, que antes de lapidar os contornos e acabamentos caprichosos nas criaturas e nos relevos todos dos aléns e escolher a terra como fruto simbólico do seu imenso amor por ela e seus ocupantes de todas as naturezas, experimentou várias formas, anteriores, primitivas e diferentes de complexidades alternadas, primárias, embrionárias e provisórias.

 
Apesar de toda a onisciência, Deus no início, ainda principiante na arte criativa, entrelaçou varias substâncias, embora imaginadas e criadas sós por ele, etéreas e desuniformes, cujos resultados pragmáticos não o agradavam. Com tenacidade eterna e divina recomeçava outra vez sempre e sistematicamente.

 
Estes detalhes, levantados, ocorreram muito antes daqueles quinze bilhões de anos humanoides do referido Big-Bang, com os quais o Criador não comunga nas fantasias descritivas dos conceitos atuais. Tanto assim que as desaprova, a bem da verdade, sorrindo benevolente, pois milenares medidas perdidas em tempos divinos são completamente diferenciadas das astrologias temporais arbitrárias, pagãs e primitivas dos homens, que mal se suportam em razão das deturpações tópicas, com suas ficções barrocas ou rococós, mistificações tempestivas desmerecendo os astros, buracos negros, anos luzes, galáxias, os sois, estrelas e coisas que tais.

 
Imaginações ingênuas dos mortais medíocres, descrentes, limítrofes, que não possuem alternativas mais criativas. Os sete dias da criação do cosmos, modestamente admitidos como espaço e dilação suficiente para a criação do incomensurável existir, jamais refletem, pela complexidade criativa divina, o banal acender e apagar do sol que delimita o transcorrer do dia pobre e antropológico. O proceder de esta epopeia ímpar e suprema é meticulosamente medido em espaços de milagrosas luzes atemporais, tanto que cada micro de átimo tempestivo Divino se respalda em concentrações inconstantes de metamorfoses, fruto de reflexos-reflexivos irrequietos organicamente, resistentes a tridimensionalidade e aos movimentos estacionados. São padrões impraticáveis de constatação dos mortais dada as limitações a estes impostas, mas confirmadas empiricamente pelo simples fato de existirem e se contemplarem em todos os seres, inclusive o homem.

 
Estas metamorfoses atemporais são subdivididas em desejos próprios da sensibilidade momentânea do Criador, que se estendem, aleatoriamente entre o nada, partindo do invisível, juntamente com o inimaginável, respaldado no pretérito e sem nenhum conflito com o porvir. Fundamental estes conceitos, pois partem desde os milionésimos de milagretes insipientes, subdivisão de nanoelocubrações concretas, mas sempre instáveis divinamente, até infinitesimais super-escalas inatingíveis pelos cógitos mentais convencionais.

 
Os Eleumérios, escolhidos descendentes de Eva e Adão, detiveram, por muito curto período, o privilégio de decodificar estes calendários e tomar ciência das combinações com as quais Deus dosava e media as matérias primas produzidas para suas experiências pré-cosmológicas. Mas, por precaução e receio, os Eleumérios esconderam estes tesouros dos conhecimentos sagrados ontológicos em profundas cavernas nos rincões dos Inconcebíveis, ao fundo inacabado do deserto de Atriscaitãn, para não caírem em mãos desconhecidas e indefinidas. Estes estranhos usurpadores intentavam, ao que se colheu dos imemoriais, com as argamassas e amalgamas extemporâneas divinas, criar outro evento existencial paralelo, competitivo e materialista. O Senhor inventou, habilidosamente como sempre, o esquecimento e impregnou-o sabiamente na mente ingênua dos Eleumérios, como precaução.

 
Os fatos acima não são detalhes, nem questões de somenos. Como se acompanhou, infelizmente, destes ensaios anteriores restou micro sinais e muitas desinformações esparsas. A bem da verdade muito mais se especula sobre os mesmos do que se pode constatar. A maior dificuldade de restauração dos fatos, concretudes ou abstrações, destas comunicações pretéritas dos seres de Artochoi Orum, como Deus denominou o seu complexo anterior experimental, são os conflitos de então entre o paradoxo, o subjetivo e a fantasia desconhecidos pelos videntes, clérigos e cientistas atuais. Mas algo diminuto sobreviveu e outro tanto é suposto.


Deus não consolidara ainda o termo universo e nem o homem então, portanto, não se permitiu denominar a provisória Artochoi e seus atributos com estes substantivos próprios. Nesta experiência divina, extinta, a comunicação dos entes era intelectiva. Realmente se interligavam estes seres pré-universo, então criados com partes espirituais e outros tantos complementos materiais, proporcionais a cada criatura, desde as mais primitivas, até as mais desenvolvidas e sofisticadas, através de ondas cerebrinas.
 
Os inanimados, neste complexo anterior e experimental, emitiam por mini-sensores mentais mensagens objetivas, capazes de descodificarem as subjetividades e os concretos, intercalados dos signos dos seus propósitos corpóreos para afetarem os correspondentes usuários. Não correspondiam, estas oscilações comunicantes, aos limitados efeitos ofertados aos seres vivos em nosso universo como o calor, fala, visão, cor, cheiro, paladar, sabor, perspectiva, olfato, reflexo, mas agiam diretamente no imaginário dos cógitos dos seres para os atraírem, repelirem, agradarem, subsidiarem, imantarem ou convencê-los.

 
Os próprios inanimados, neste contexto, possuíam a capacidade reprodutiva (como uma convencional pedra, por exemplo, parir pedregulhos sutis e delicados que cresciam e se ofereciam, reprodutivamente, aos consumidores ou uma amêndoa que devidamente devorada, multiplicava-se em várias castanhas mimosas).


Assim se invertia a dialética, quanto mais eram absorvidos pelos seres animados, os inanimados se proliferavam e os primeiros se volatilizavam pelo além para se transformarem em contemplativos adoradores. Passavam em júbilos desmaterializados a contemplarem o esplendor infinito do nada ao lado do Criador. Os espíritos mais adiantados e soberbos se postavam orgulhosamente a montante do Silêncio Soberano e mais próximos da Paixão infinita, em contrapartida, quanto mais primitivo, maior a distância do Eterno. Este privilégio de ladear o Senhor se estendia por graúdos nacos enormes existenciais de átimos milagrosos enrolados em faixas enormes de nada delicadas.
 
Aqueles seres então possuíam sua dimensão material e o respectivo e adequado complemento espiritual, alma ou mente expressiva comunicante. O original da espécie apresentava a habilidade de as matrizes sólidas, o corpo, liberar a substância volátil, a alma, para esta ao bel prazer tresandar alhures como bem lhe aprouvesse. Seria como atualmente o intelecto ou espirito humano passear pelos arredores deixando o corpo entretido em outros detalhes existenciais.

 
Um dos problemas recorrentes neste contexto moto-tresandante, articulado por Deus aos indivíduos, era que em certas circunstâncias acidentais, elas se desorientavam nos espaços desconexos ao intentarem regressar a sua própria matriz corpórea deixada ao dará. Não era incomum se confundirem as almas espirituais circulando pelos aleatórios e, desorientadas e perdidas, as vagantes desajustadas ocuparem espaços físicos alheios vazios.


Estes desatinos provocavam atritos de locação, além de problemas sérios de sexualidade, transexualidade, ciúmes, anseios e infiltrações conflitivas. Também ocorriam acidentes, não incomuns, de uma única matéria corporativa receber dois afetos espirituais simultaneamente e disputando a mesma vaga. Ou outra ficar, neste contexto, carente de vivência espiritual. Foi quando Deus, observador e atento, descobriu a esquizofrenia, achou este propósito material didático, interessante, e deteve restolhos apropriados para encarnar em um futuro indefinido.
 
Outra experiência desta antologia cosmológica primeira, que frustrou o Senhor nesta sua fase experimental foi a irrelevância atribuída por Ele à gravidade naquele contexto anterior. O aforismo atual que: “matéria atrai matéria na razão direta proporcional à massa e inversamente proporcional ao quadrado das distâncias que os separa”, considerou o Criador desnecessário e preferiu não introduzir em Ortochoi Orum.

 
Depois de lançar os compostos todos criados no contexto de então e passar a observá-los como agiam sob o despautério da ausência de gravidade, pasmou-se dos detalhes paradoxais. O que poderia parecer facilitar a locomoção e transporte se tornava exaustivo, pois se imaginara que poderiam ser utilizados contrapesos específicos para os objetos se atraírem e se movimentarem. Mas também estes se espargiam aleatoriamente ao sabor da densidade do nada, não tinham como retornar aos destinos e passaram todas as espécies, desde os mais evoluídos seres aos mais primitivos, a sofrer de depressão e agorafobia.

 
Exausto, pensativo, contrariado, Deus, por último, se pôs em meditações divinas profundas, por uma série interminável de átimos milagrosos indeterminados e contemplativos. Muitos infindáveis milagretes posteriores, sem mais devaneios, desmantelou os restolhos de Ortochoi, desfez peça por peça, anotando os resquícios do evento, na maioria das vezes, em sua memória privilegiada somente. Com parcimônia, retrocedeu tudo cuidadosamente ao nada, tomando a decisão divina de salvaguardar somente algumas mudas de substâncias esquisitas e raras em Ortochoi para, eventualmente, em algum além-desconhecido usá-las para enxerto, semente ou procriação.

 
Conta-se, portanto, nos alfarrábios escondidos dos Eleumérios na caverna dos Inconcebíveis, que escapou no cesto divinal do infinito atemporal, resíduos de migalhas de amor, mínimos desejos em botão, uma cunha cheia de mentiras, pitadas de desafetos em bons estados de conservação, um chorrilho de ciúmes para contrabalançar amor excessivo, inveja em doses razoáveis, ambição pouca para não se tornar desmedida, duas cabaças rasas de preguiça e meia de sono, um desafeto urinando ainda em suas fraldas e outras malvadezas de pouca utilidade, mas em bons estados de uso, para, com estes restados, se O aprazasse, praticar novas experiências em algum talvez esquecido e distante, após infinitesimais átimos de milagres quaisquer de futuros imprevistos e incertos.

 
Derradeiro e magnífico, desiludido pelos conflitivos paradoxos de Ortochoi, embora muito antes de elucubrar seu próximo e último arrependimento, o universo atual, sem trauma algum, recostou-se sobre uma extensão serena e confortável do mais macio nada. Escolhera este além entre as indefinições aleatórias, onde se sentia tranquilo, e atentou os ouvidos eternos para espairecer, merecidamente, com o choro angelical, distante, de trompetes e flautas que o repousava tanto.


Enquanto isto lançava, Ele, aos horizontes ocultos suas profecias, prevendo achegarem cansados pelos caminhos desconhecidos o futuro e a incerteza para recompô-los em atualidades presentes e realidades concretas. Tudo se dava pelos cantos dos infindáveis ruídos dos silêncios, pois só Deus poderia antever que a angústia seria criada por Ele próprio e assim transmudar o imenso nada abundante em céu, terra e, caprichosamente, inventar o homem para aprender a sofrer e merecer, no fim, a usufruir da extrema alegria angustiante da morte.

* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.

Publicado em: http://carloseduardoflorence.blogspot.com/2019/11/eleumerios-doatriscaitan-e-outras.html


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quinta-feira, 23 de maio de 2019

O Chico é coisa nossa, viu Camões?

Richard Jakubaszko    O meme ao lado diz tudo sobre o que pensamos, nós brasileiros e patriotas. Chico é o nosso mito, mas as razões dessas sensações e sentimentos nos chegam lá da terrinha, através do maravilhoso texto do jornalista Pedro Tadeu, publicado ontem no jornal Diário de Notícias, respondendo aos "sem noção" de lá e de cá que polemizavam sobre um prêmio de tamanha importância como o "Camões" ser entregue a Chico Buarque, um compositor, mas que é também músico, cantor, dramaturgo e escritor.

Confira, é uma obra prima de texto e explica a real e íntima sociologia coletiva das emoções humanas:

Chico Buarque ensinou o quê?
Pedro Tadeu * 


Quando recebi no telemóvel o alerta "Chico Buarque ganha o Prémio Camões" senti-me no direito de comemorar uma vitória: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".

Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa".

E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?

Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava "A Banda", a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia "cantando coisas de amor". Chico Buarque impulsionou-me a dança.

Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de "Construção", que "morreu na contramão atrapalhando o sábado". Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.

Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, "Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?". Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.

Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: "E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial". Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.

Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais...), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata "Acorda amor": "Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão". Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.

Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção "O que será (à flor da pele)": "Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido..." Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra "liberdade".

Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir "Mulheres de Atenas", que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: "Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas". Chico Buarque justificou-me o feminismo.

Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de "O Meu Amor". "Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz". Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.

Aos 17 anos comovi-me com "Geni", a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: "Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!". Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.

Aos 18 anos de idade a história de "O Malandro" exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: "O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação". Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.

Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.

Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.

Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.

Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".


* jornalista português
Publicado no jornal Diário de Notícias, acesso em 23/5/19:
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/pedro-tadeu/interior/chico-buarque-ensinou-o-que-10926786.html




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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Moraes do STF desautoriza Dodge e diz que inquérito vai seguir

Fernando Brito
E não demorou nada o capítulo da vergonhosa novela do Judiciário. Alexandre de Moraes “cassou” o arquivamento do inquérito sobre ataques ao STF que fora “decidido” pela Procuradora Geral da República.

Em linguage
m popular, pegou o despacho de Dodge e jogou no lixo, tal como ela fizera com a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de abrir o inquérito.


É evidente que, amanhã, choverão ações no STF pretendendo sustentar o arquivamento “decidido” por Dodge.

E, ao contrário do monolitismo do MP, isso vai trabalhar as rachaduras notórias no Supremo.
Vamos ter o STF “do bem” e o STF “do mal”.


É o que construíram, desde a Lava Jato, que meu professor Nílson Lage, resume em poucas linhas:

Quando as grandes ondas de calúnias impulsionaram o golpe de estado, os  tribunais, a que todos acorreram, olharam para o outro lado, como convinha. Mandaram a Constituição às favas – no caso da prisão em segunda instância, por exemplo, ou em condenações declaradamente “sem provas”. Deixaram correr solto o palavrão, o falso humor, o desrespeito e a pregação de ódio.

Chegamos assim ao impasse em que a calúnia é forma de fazer política e calar as liberdades públicas parece ser a forma de silenciar os insultos que se voltam, agora, contra os que os toleravam.

Nunca se viu uma tradução tão bem apropriada, até pelas togas, do “cria corvos, que lhe arrancarão os olhos”.

* O autor é jornalista e editor do blog Tijolaço
Publicado em: http://www.tijolaco.net/blog/moraes-desautoriza-dodge-e-diz-que-inquerito-vai-seguir/


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