sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Verdade ou mentira?

Richard Jakubaszko 
Hoje em dia as coisas degringolaram de vez, cada um tem sua opinião a respeito de cada coisa, seja ciência, ou não, religião, política, história, economia, música ou futebol. O sujeito não tem conhecimento em profundidade para falar 2 minutos sobre um mesmo assunto sem dizer besteira, mas tem opinião formada... O pior de tudo, esse cara vota! Está na sua família, ou é seu vizinho, ou colega de trabalho.

A imbecilidade mais recente vem do Olavão, um dos gurus do presidente Bolsonaro. Olavão acredita que o planeta Terra não faz parte da órbita solar... 
Ou seja, ele acha que "somos autônomos" e, por certo, "independentes"...

Em tempos de imbecilidades, e de fake news, em que se afirma que as Ciências andam se intrometendo em tudo, até mesmo na grade curricular das escolas, onde se ensina sobre a "evolução das espécies" (Darwin), e também acreditam que Jesus Cristo anda trepando em goiabeiras, vejam o que me mandou o jornalista Delfino Araújo, sobre as especialidades de cada profissão:

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Índia, um outro planeta, místico, milenar e exótico.

Marina Salles *

Sou jornalista e estive na Índia (mais especificamente em Mumbai e arredores) entre os dias 5 e 12 de janeiro de 2019 a trabalho – pela DBO Editores, a convite da empresa indiana de pneus BKT. Foi quase como tropeçar depois da ceia de Natal e cair num outro planeta. Que mundo diferente é o indiano, com seus temperos, cheiros, sons, costumes e cores únicas.

O país das especiarias tem muitas nuances e chega a ser difícil descrever a sensação de pisar na Índia pela primeira vez. O aeroporto em si já contrasta com tudo o que se vê do lado de fora, não apenas pelo luxo e imponência da sua arquitetura, mas porque quer ser um dos mais silenciosos do mundo, numa das cidades mais barulhentas que já visitei, e famosas pelo seu trânsito caótico.
Aeroporto Mumbai 
 
Aeroporto - eu, na área interna


Aeroporto Namastê
E que trânsito! É alucinante ver a quantidade de carros e tuk tuks pelas ruas de dia e de noite, ainda que os tradicionais veículos indianos sejam proibidos de circular no centro.

Em Mumbai, as buzinas soam como música para o ouvido dos motoristas, que não perdem a chance de tocar uma nota sequer dessa sinfonia. Mas nas estradas as coisas já estão mudando e não foram poucas as vezes em que vi um pedido legítimo dos caminhoneiros estampado na traseira: "Não buzine, por favor".

Caminhão com mensagem.
 
Tuk-tuk

Do alto de um mirante fui conhecer Mumbai mais de perto. A cidade fica às margens do Oceano Índico e era a principal porta de entrada dos navios vindos da Europa. No sul da península, está o Gateway of India (Portal da Índia), o monumento mais conhecido de Mumbai, uma espécie de Arco do Triunfo construído para receber o rei Jorge V, do Reino Unido, em 1911.
 
Gateway-of-India
 
Gateway

Foi por ali também que visitei o Taj, maravilhoso e caríssimo hotel cinco estrelas (porque o Taj Mahal mesmo fica na capital, Nova Deli)...
 
Taj-hotel

Em Mumbai, andar por aí sozinha não é das coisas mais perigosas. A cidade é considerada segura mesmo à noite para as mulheres e é possível caminhar sem medo. Claro, como em qualquer cidade grande (no caso, gigante, porque Mumbai tem 12 milhões de habitantes) é bom manter a atenção e colocar a bolsa na frente do corpo, algo que faço em todo e qualquer lugar do mundo.

A vestimenta tradicional das mulheres no país é o sari (também se escreve saree) e existem centenas de formas de amarrá-lo ao corpo. Um sari pode ter de 3 a 8 metros! Mesmo olhando de longe, os locais são capazes de reconhecer a religião e a cultura de uma indiana pelas suas roupas e jóias. Eu tentei experimentar um modelo de sari, e até achei o tecido que escolhi bastante leve. Não sei como deve ser usar um no verão, mas a uma temperatura de 27°C, no inverno tropical de Mumbai, foi agradável.
 
Eu dentro de um sari
Também não dá para falar de Índia sem falar de Gandhi, já que essa é uma das figuras mais conhecidas por nós, ocidentais. Como sabemos por aqui, Mahatma Ghandi foi um líder pacifista que capitaneou a independência do país. Foi ele quem disse a famosa frase: "Estou preparado para morrer, mas não há causa pela qual eu esteja preparado para matar".
 
Casa de Gandhi

Com sua filosofia de não violência, Gandhi moveu multidões na batalha para fazer os ingleses deixarem a Índia e unir hindus e muçulmanos. Mas com a independência do país, em 15 de agosto de 1947, a Índia ficou sendo território dos hindus e o Paquistão, dos muçulmanos. Cerca de 12 milhões de pessoas migraram nesta época, para fugir de represálias, e 500.000 morreram. Em 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros em Nova Déli por um radical hindu, contrário aos seus ideais de tolerância religiosa.

Gandhi viveu em Mumbai de 1917 até 1934, na residência Mani Bhavan. Hoje, o lugar virou um museu que tem no primeiro piso uma ampla biblioteca, com livros e documentos históricos.
 
Mahatma Ghandi

 
Biblioteca-Gandhi
No segundo piso, uma galeria de fotos conta a sua trajetória, desde o nascimento até a morte, e pequenas maquetes ilustram como foram as cenas dos momentos mais importantes da sua história (na foto abaixo, cremação de Gandhi).
 
Maquete-morte-Gandhi
 
Sala-galeria
Também no segundo piso, o visitante pode ver como era o quarto do grande líder pacifista, onde estão seus pouquíssimos objetos pessoais, incluindo uma máquina de costura. Enquanto costurava seus próprios trajes, Gandhi se sentia mais perto da realidade das pessoas humildes. 




Quarto-Gandhi 
Máquina de costura de Gandhi
Para encerrar, deixo uma grande lição de Gandhi sobre a democracia:

"Na essência, a democracia deve ser a arte e ciência de mobilizar a totalidade dos recursos físicos, econômicos e espirituais dos diferentes setores da sociedade a serviço do bem comum".
 
Democracia, por Gandhi

* jornalista, repórter da revista DBO.

Outras fotos:

 
 

Boas-vindas-a-uma-fazenda

Dosa-panqueca-de-arroz-e-lentilha

Feira-livre-em-Mumbai

Lavadeiras-beira-rio-no-interior Estado-de-Maharashtra

Matriarca-de-uma-família-de-agricultores

Templo-hindu-Babulnath-em-Mumbai

Vaca-caminhando-na-rua-no-interior



Chai-chá-tradicional-indiano-com-leite
Deusa-Ganesha
Dhobi-Gat-lavanderia-a-céu-aberto-em-Mumbai

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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Frases famosas de Mahatma Gandhi

Richard Jakubaszko

Já li dezenas de biografias e histórias de personalidades históricos da humanidade, pois elas nos ensinam maravilhas sobre o pensamento de líderes, de todos os tipos, sejam estadistas, cientistas, políticos, artistas, intelectuais, de empresários e de religiosos.

Uma das figuras mais impressionantes, em meu modo de ver, é a de Mahatma Gandhi, que, através do pacifismo, mudou a trajetória e a história da Índia, um país milenar, de profunda espiritualidade, e que abriga a segunda maior população do planeta, com mais de 1,2 bilhão de pessoas perdendo por pouco da China (1,3 bilhão de pessoas), e que será ultrapassada pelos indianos em poucos anos.

Não tenho receio em afirmar que Gandhi (o apóstolo da paz) estará sempre entre as 10 principais personalidades históricas de qualquer tipo de lista que se faça, seja das figuras mais importantes, as que mais influenciaram a história humana, maiores líderes etc. Sobre Gandhi, Albert Einstein escreveu que "as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra."

Wikipédia
Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha como um meio de revolução.
Nascimento: 2 de outubro de 1869, Porbandar, Índia
Nome completo: Mohandas Karamchand Gandhi
Assassinato: 30 de janeiro de 1948, Nova Deli, Índia
 


Frase marcantes: 

Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz, está em harmonia.

O futuro depende do que você faz hoje.

Há uma fartura no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ganância.

Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.

O fraco nunca pode perdoar. Perdão é um atributo dos fortes.

O propósito da vida é viver corretamente, pensar corretamente e agir corretamente (princípio de Satyagraha).

Só quando se veem os próprios erros através de uma lente de aumento, e se faz exatamente o contrário com os outros, é que se pode chegar à justa avaliação de uns e de outros.

Você nunca sabe que resultados virão de sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados.

Olho por olho e o mundo acabará cego.

A não-violência requer uma dupla fé: fé em Deus e fé no homem.

Não devemos perder a fé na humanidade. A humanidade é um oceano, se algumas gotas estão sujas, o oceano não se torna sujo.

Onde há amor há vida.

A violência é o medo dos ideais do outro.

O ódio e a intolerância são os inimigos do entendimento perfeito.

A miséria é a pior forma de violência.

Seja a mudança que você gostaria de ver no mundo.

Nenhuma cultura consegue sobreviver se deseja ser exclusiva.

A justiça que o amor traz é a redenção, a justiça que a lei traz é o castigo.

Houve um tempo que liderança significava força física, mas atualmente significa saber lidar com as pessoas.

Um “não” dito com convicção é melhor e mais importante que um “sim” dito meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complicações.

A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita.

Aprendi através da experiência amarga uma suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.

As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?

Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.

É difícil, mas não impossível, gerenciar um negócio com honestidade.

Um líder é inútil quando age contra os impulsos da sua própria consciência.

Se quisermos a verdadeira paz no mundo, precisamos começar com as crianças.

A verdade é, por natureza, algo evidente. Assim que você eliminar as teias de aranha da ignorância que a rodeiam, ela consegue brilhar.


A verdade permanece mesmo que não tenha suporte público.

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domingo, 13 de janeiro de 2019

Bruxos do clima: o Acordo Ambiental de Paris

Richard Jakubaszko  
Participei de mais um hangout com o professor Igor Maquieira, desta feita sobre o Acordo Ambiental da COP21, o acordo de Paris, e dei meus pitacos sobre o tema. A conversa, nesse sentido, é interessante e vale a pena assistir ao vídeo.
 

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Agro DBO, é tempo de despedidas.

Richard Jakubaszko    
Registrei no último editorial da Agro DBO nº 106, de dez-18/jan-19, a seguinte mensagem:

É tempo de despedidas. Mas não são definitivas, esta Carta ao leitor não é um adeus. Agro DBO, em sua versão impressa, tem nesta edição de nº 106 sua derradeira publicação.

Daqui para frente estaremos apenas no digital, através do Portal DBO. Isto porque, mudanças de conjuntura exigem mudanças de estratégias. É um sinal dos tempos, pois os agricultores mais jovens indicam que preferem o ambiente digital, mais rápido, dinâmico, instantâneo, e vibrante.

Não somos os pioneiros, como o leitor já deve ter percebido, eis que tradicionais publicações impressas mundo afora já tomaram decisão idêntica a esta. Evidentemente que foi uma conclusão amadurecida. Não apenas os leitores da revista impressa nos indicavam essa tendência, mas também os publicitários e marqueteiros, pois dão preferências ao mundo digital.

O jornalismo nos levou a consolidar questões como credibilidade naquilo que se publica, mas a internet nos contraria, o mundo digital é um modismo que veio para ficar, apesar das fake news.

Seguiremos no digital, empenhados na busca de caminhos por meio dos quais possamos construir uma nação digna em todos os sentidos e para todos, e de uma agricultura forte, atuante, tecnológica, capaz de alimentar os brasileiros e ainda gerar divisas. Mas precisamos dos leitores e dos anunciantes. Se eles estão no mundo digital é para lá que iremos, conquistar leitores, disputar mercado, participar, e, se possível, descobrir novos caminhos.

Nesta derradeira edição impressa, Agro DBO traz como matéria de capa a reportagem “O bicho vai pegar”, do jornalista Ariosto Mesquita, que aponta as pragas de difícil controle no plantio de grãos.

Entre os destaques da edição, além de nossos vibrantes e apaixonados colunistas, que nos acompanharão na versão digital a partir de janeiro, há um singelo e lúcido texto do centenário engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso sobre o emprego da óbvia palhada, recurso tecnológico tropical que espanta o mundo inteiro e deve sempre ser levado em conta pelos agricultores.

Merece ainda atenção dos leitores reportagem sobre a Eima, feira internacional de máquinas agrícolas que Agro DBO visitou em novembro último, em Bolonha, na Itália, e que aponta tendências futuras do agro.

Recomendamos também a entrevista que Tereza Cristina, a nova ministra da Agricultura, concedeu para Agro DBO, em que revela seus propósitos à frente do Ministério da Agricultura, além da missão que foi dada a ela pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. São novas mudanças que teremos em nosso Brasil, e que poderão exigir alterações nas estratégias dos leitores.

Como brinde aos leitores Agro DBO publica nesta edição a segunda Tabela de (in)Compatibilidades de misturas em tanque de agroquímicos e fertilizantes foliares para as culturas de batata, tomate, hortigranjeiros, café e algodão. O trabalho tem patrocínio das empresas Microquímica, Jacto, FMC e Agrotis, e é uma excepcional ferramenta de trabalho para os agricultores e bibliografia para os engenheiros agrônomos, em trabalho técnico da UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná e da Embrapa Soja.

Venham com a gente para o digital, no www.portaldbo.com.br

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Deus morreu

Richard Jakubaszko   
O dedo de Deus, e Adão, Capela Sistina, obra do gênio Michelangelo
 
A afirmação, ou constatação, foi feita pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), e aparece pela primeira vez no livro A Gaia Ciência, no século XIX, e depois reaparece na principal obra de Nietzsche, “Assim falou Zaratustra”:

“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!”


O estranho, e curioso, é que Nietzsche era ateu.

A história registra que quase todas as religiões têm promessas de paraísos divinos após a morte, mas também a maioria delas inclui em suas profecias a vinda – ou retorno – de um profeta, antecedida por ameaças de um Apocalipse.

Nas religiões cristãs – de maioria ocidental – encontramos o Apocalipse caracterizado nas profecias dos apóstolos em torno dos Quatro Cavaleiros (Guerra, Conquista, Fome e Morte).

Talvez Nietzsche, quando anunciou a morte de Deus, tenha embutido nisso a ideia da busca da Verdade Absoluta, ou, a Verdade da Ciência, eis que, em falta de consensos teológicos, não passaríamos de simples ilusões da verdade, para encobrir a humanidade contraditória em um mundo desprovido de Deus. Com Nietzche, seria o fim da infinita espera pela chegada dos profetas, logo após o Apocalipse, e antes da ressurreição, ou do juízo final, mas o ambientalismo, tal como tem sido acusado, de ser uma nova religião, não foge à regra. Não promete o profeta, mas garante o Apocalipse. Aliás, os ambientalistas são todos profetas...

Um ponto em comum entre todas as religiões, e também no ambientalismo, é que se percebe um moralismo radical, que embute leis ditatoriais, verdadeiros dogmas, proibições de todos os tipos para atingir-se o objetivo final, e promete-se um paraíso, e até mesmo uma vendetta, que pune os maus e premia os de bom comportamento.

Em um mundo onde já não confiamos mais em quase ninguém, nem na mídia, tampouco nas religiões, nos cientistas e governos, nos médicos, afinal, em quem poderíamos confiar, se cada um desses grupos tem uma ideia fixa de se apoderar de algo que possuímos ou daquilo que achamos que somos? Nada, simplesmente estamos sozinhos. Nascemos sozinhos e vamos morrer sozinhos.

Noam Chomsky desnuda e denuncia as estratégias de manipulação midiática, eis que “o meio é a mensagem”, conforme McLuhan. Pior ainda: que os mais jovens saibam que a história da humanidade, como a conhecemos, é mentirosa, cheia de omissões importantes, e recheada de inclusões indevidas, pois a história é escrita pelos vencedores. Mas tenho sonhos e desideratos de que isso se modifique, em contraditórios através da internet e dos livros.

Portanto, a constatação de Nietzsche de que Deus morreu é um argumento filosófico, e rebusca na sociologia argumentos para esse assassinato contemporâneo. De toda forma, serviu para discussões e debates intensos, contra e a favor, desde que foi citada pela primeira vez, e inúmeros tratados filosóficos foram escritos, com interpretações e leituras críticas, algumas com viés tão distante da realidade que mereceriam o rótulo de textos humorísticos, tamanha a imparcialidade despejada de ideias estapafúrdias. Desnecessário, talvez, registrar que sempre houve gente contra e a favor, e que realimentavam a dialética recitando os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, com o “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”, para levantar a bandeira da inutilidade do debate, por uma visão agnóstica do Criador, eis que Aristóteles considerava que a galinha veio primeiro.

A transposição da ideia-chave para o campo dos criacionistas e evolucionistas, outro inconclusivo debate, foi consequência natural, até porque os primeiros humanos habitantes de nosso planeta, antes da descoberta do verbo, fato ocorrido entre 15 e 20 mil anos atrás, tinham a fé, e com esta tentaram e conseguiram impedir parcialmente a ação dos povos bárbaros inimigos. Nos primórdios de nossos antecedentes, então caçadores e coletores, já havia entre eles a noção coletiva da acumulação de bens, especialmente de alimentos, para enfrentar períodos de frio, secas e chuvas, e se havia êxito nesses propósitos os ladrões, assassinos e aproveitadores, estavam a postos para se beneficiarem, e apenas seriam brecados pela ação de Deus, que puniria a todos, conforme já descrevia a tábua de Moisés, que é coisa de cerca de 6 mil anos atrás.

Se Deus criou a humanidade, ou se a humanidade criou Deus, para Nietzsche e outros estudiosos do assunto, pouca importância há, e não faz diferença alguma. O centro da questão é que Deus está lá, em algum lugar, e comanda o espetáculo da caminhada da humanidade, ou melhor, e outorgou o livre arbítrio para decidirmos até quando disporíamos com utilidade de seu nome, seja através de nossos atos, ou das leis humanas complementares aos 10 Mandamentos.

O fato é que, nos tempos contemporâneos, com o aumento da expectativa de vida, e com o advento das tecnologias digitais, ao lado do consumismo impulsionado pelo neoliberalismo, o homo sapiens atinge o patamar de se considerar um semideus, conforme nos alerta Yuval Noah Harari em seus best sellers, Homo Sapiens e Homo Deus, prognosticando o autor, para dentro em breve, uma corrida das ciências para a conquista da imortalidade, visto como algo possível, em comparação a outros tempos, quando isso sempre foi um desiderato coletivo, ou seja, um sonho e desejo utópico. Enquanto a imortalidade não chega os cientistas tentam aumentar a expectativa média de vida, hoje perto dos 80 anos, para algo como 120 anos, porém com qualidade de vida, e com octogenários(as) com aparência de 40 anos de idade.

Essas limitações dos sonhos humanos foram explicadas e alimentadas pelas diversas religiões, em todos os tempos, e determinaram até mesmo períodos de exacerbado poder, no ocidente concentrado na religião cristã, mesmo em períodos pós-dissidentes, por exemplo, quando houve o nascimento do protestantismo através de Martinho Lutero, em plena Europa renascentista. Já nas Américas bem que os espanhóis escarafuncharam a vida de Incas, Maias e Astecas para encontrar a Fonte de Juventude. Depois, com as descobertas dos novos mundos e a evolução das ciências, adentrou a humanidade ao século XX acreditando que as tecnologias seriam o paraíso, apesar de alguns ainda julgarem que será o inferno.

Mas as religiões pentecostais continuam ativas, poderosas e autoritárias, usando e abusando do nome de Deus, e hoje estão nas TVs conquistando fiéis e doadores.

Assim, o que se percebe na chamada grande maioria dos jovens adultos é uma enorme indiferença sobre o que acontece hoje e entre as coisas que poderão nos afetar no futuro, ou aos nossos descendentes.

O egoísmo é a tônica, o fator predominante para a indiferença. Não apenas indiferença, mas o fator do desconhecimento real daquilo que seja realmente importante, o que indicaria um baixo nível cultural diante da má qualidade do ensino básico, que não prepara os jovens para o essencial da vida. Tanto isso é verdade que uma graduação em qualquer faculdade nos dias de hoje não torna o bacharel, como se dizia em outros tempos, um “doutor” na matéria, pois hoje em dia precisa fazer um mestrado e depois um doutorado para atingir o estágio do graduando de ontem.

Contudo, este é um fenômeno internacional, não apenas brasileiro, cuja causa é a superpopulação. Mas também é mera diferença de outros tempos, em que o número de anos numa faculdade e do total de estudos se amplia, mas não garante ao estudante o saber de fato os temas de sua especialidade, diante da realidade e da velocidade do avanço do conhecimento humano, que dobra a cada cinco anos, conforme registram especialistas. A indiferença dos jovens, nesse sentido, tem o aval da falta de conhecimentos e de cultura geral, despreparados na vida acadêmica para enfrentar o mundo real, pois a grande maioria das faculdades não ensina a pensar, elas apenas cumprem de forma burocrática uma extensa e intrincada grade curricular, em que pelo menos um terço das disciplinas poderia ser deixado de lado, sem prejuízo do aprendizado especializado. O tema é vastíssimo, além de polêmico, mas nos permite explicar e até mesmo justificar a indiferença dessa geração de jovens contemporâneos, pois estão indecisas, estão perdidas, atoladas em excessos de informações inúteis e manipuladas, vinculadas a interesses difusos.

Atualmente, com as sucessivas crises, ficou difícil ter. Vivemos o aparentar que temos (comprando carros em suaves prestações de 70 meses), e até aparentar que se tem é difícil. O que gera multidões de frustrados, angustiados e neuróticos. A maioria com altíssimas dívidas nos cartões de crédito e no cheque especial. Se tivéssemos um indicador social de felicidade humana que fosse aceito por todos, não seria difícil medir esse índice de (in)felicidade (tem o FIB – felicidade interna bruta). A questão é que muitas vezes a gente nem percebe, mas existem esses indicadores, chamam-se tóxicos, alguns legalizados, e outros não, pois há bebida alcoólica, crack, cocaína, maconha, LSD, ansiolíticos, calmantes, Prozacs, estes últimos legalizados, e a maconha, agora a pedidos e por passeatas, por legalizar, etc. e etc. E muita neurose.

De outro lado, nos caberia ainda questionar Gramsci, o filósofo e político comunista italiano que escreveu “Odeio os indiferentes”, e que acreditava que “viver significa tomar partido”. Como não ser indiferente diante do mundo contemporâneo, que nos engana, esmaga com mentiras e engodos oficializados, seja da mídia, da Igreja, da Justiça, e especialmente dos governos democraticamente eleitos, mas sempre a serviço dos poderosos e das elites econômicas? Como não ser indiferente diante da hipocrisia politicamente correta, impregnada de moralismos, que policia os comportamentos, monitora os inadaptados, isola os contestadores ou de quem se atreve a levantar a voz ou duvidar de um porta-voz da elite?

Os professores, especialmente no Brasil, a partir da privatização do ensino nos anos 1970, viram-se desprovidos do poder de reprovar os alunos, perderam respeito e importância diante dos alunos. Os alunos passaram a ser “clientes”, e exigem “direitos”, sem a contrapartida do dever de estudar e aprender. O nível e a qualidade do ensino caíram, vale apenas o “ter o diploma”.

A verdade nua e crua é essa, nós humanos não temos um Manual de Instruções para a vida. Vamos aos tropeços, caímos e levantamos o tempo todo. Por vezes, uma queda nos estropia por inteiro, física e espiritualmente, e levamos mais tempo para levantar, mas recuperamos e vamos em frente, porque o show da vida tem de continuar. No coletivo, os humanos sequer aprendem com os erros da história, ou com os erros de outros humanos, e por causa disso repetem-se os mesmos erros. Os adultos preocupam-se pelas leis de seus manuais, mais com o que os outros pensam e fazem ou deixam de fazer.

Particularmente, cá do meu Manual, acho que se todos dedicassem um tempo para aprender sobre o conteúdo ideal que um Manual de Instruções dos humanos deveria ter, e a cuidar do próprio rabo, o mundo seria bem melhor. A vida em si é muito complicada, diferente em cada um, e essa individualidade e diversidade humana já bilionária do planeta hoje talvez seja a explicação para as razões do Criador não nos fornecer o tal Manual de Instruções.
Fico na dúvida sobre a existência ou não do determinismo e do livre arbítrio, ou as duas coisas. Dou créditos a Drummond:

Se procurar bem, você acaba encontrando não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida”.

Posto isto, como acreditar em ONGs, de que devemos proibir a construção de hidrelétricas? Os caminhos alternativos que nos propõem, para não ficarmos no escuro e improdutivos, são soluções paliativas, como as energias eólicas e solares. Ou hipócritas e altamente perigosas, como a energia nuclear, que pode destruir tudo pela simples falha de um bêbado imbecil (como em Chernobyl). Ou por imprevistos acidentes geológicos da caprichosa natureza, como tsunamis.
Como acreditar na ameaça sem provas científicas de um aquecimento e de mudanças climáticas, endossados pelo IPCC?

Como se faz para parar a onda imbecilizante e do patrulhamento politicamente correto do ambientalismo, que ameaça travar o progresso humano? Os ambientalistas não são indiferentes... Eles são participantes, ativos, briguentos e lutadores, é notório isso, e devemos reconhecer essa verdade. Indiferentes são os outros, o “resto” da humanidade, que é a maioria silenciosa, talvez a maioria imbecilizada pela televisão e pela mídia. Gente domesticada, nada mais, a serviço de grupos e de elites gananciosas.

A única luz ao final do túnel, em minha modesta maneira de ver, é reduzir a velocidade dos índices de crescimento demográfico, apesar de estarmos em cima da hora. Mas quem se atreve a isso? Os políticos? Não, eles querem votos! A mídia, ou as empresas? Não, eles representam negócios, lucros, e com mais gente por aí terão mais consumidores! Os religiosos? Não, eles querem mais almas para salvar, e para contribuir aos cofres sagrados que garantem o poder.

É difícil, portanto, caríssimo Gramsci, bem sobreviver no mundo moderno, sem abanar o rabo aos poderosos. Belas e importantíssimas foram as suas palavras, que nos chegaram lá dos idos de 1917, em que afirma: 

"A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca, porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa de fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso."

Lembrete importante: Gramsci dizia odiar os omissos.

Podemos raciocinar sobre essas questões de outra maneira, eis que a família moderna, cada vez mais desestruturada, distancia-se da condição de âncora ou porto seguro da juventude para dar suporte na milenar dúvida humana de acreditar em algo que valha a pena, seja na vida terrena, seja em nada no pós-morte, seja o paraíso na vida eterna. A juventude contemporânea, que inicia a tomada de poder, nestes tempos em que a mistificação dos objetivos materialistas dos humanos deseja poder, dinheiro, consumismo, fama, está ancorada no ilusório ter, e não no ser, e perde-se em meio a uma enxurrada de informações inúteis jamais vista na história humana através dos meios de comunicação, tornando tudo muito fugaz e extremamente confuso.

O que nos faz relembrar Goebells, em outra frase dele que é significativa e se aplica ao tema: “Não importa o fato, importa a versão do fato”. Ou ainda, a mais famosa de suas criações: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. É por aí que caminha a concretização prognosticada em diversos filmes de ficção científica, de que o pensamento único chegará a passos largos, comandados por grupos econômicos, religiosos e políticos. Sempre foi assim, apenas mudaram os meios de comunicação. Nos tempos modernos, primeiro, veio o Google, depois o Facebook, mais recentemente o WhatsApp, e quem não for de uma mesma tribo é inimigo. No meio disso tudo chega a Inteligência Artificial que vai causar enormes ondas de desemprego para milhões de humanos. Estamos em guerra, e a guerra é social, é política, é econômica, e é também militar; e nas guerras a primeira vítima é a verdade. Nesse movimento catártico não há espaço para Deus. Os algoritmos do Google e Facebook sabem tudo sobre nós, conforme Yuval Harari: "eles são hoje os oráculos para tudo, são oniscientes, e eles podem perfeitamente evoluir, e se tornar agentes, e depois soberanos".

Acrescento: sim, homo deuses, sem nenhuma ironia, e é aí que a criatura volta-se contra o Criador.

Com isso, constata-se que Nietzsche tinha razão, Deus Morreu, só falta carimbar o atestado de óbito.


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