Richard Jakubaszko
O poder da arte é também político, altamente crítico, e não possui apenas o objetivo de emocionar ou de nos entreter. Essa poderia ser a sinopse do brilhante documentário da BBC, abaixo em vídeo, em que se registram trechos da vida tempestuosa e da marcante obra de Picasso, especialmente Guernica.
Aqui no blog eu já havia registrado comentários sobre Guernica, e que podem ser lidos no link: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2010/02/guernica-de-picasso.html
Tenho a lamentar, de forma enfática, a hipocrisia repetitiva de verificar que a humanidade contemporânea aderiu em definitivo ao deus dinheiro. No Youtube, conforme o leitor poderá constatar no post sobre Guernica, de fevereiro 2010, no vídeo que publiquei por lá, exibe-se um olhar criativo e analítico em 3 D da obra, detalhando os significados de cada figura da tela; entretanto, o vídeo foi retirado do Youtube sob a manjada e esfarrapada desculpa do "direitos autorais".
Também lamentavelmente, aqui no blog, há inúmeros outros exemplos nesse sentido, de vídeos que descobri no Youtube, depois postei no blog, e em seguida foram retirados. Exemplos disso são alguns vídeos da RAI - Rádio e Televisão Italiana, sobre o programa "Ti Lascio una canzone", e que também foram proibidos no Youtube com essa desculpa. Se eu fosse dado a neuroses persecutórias diria que o mundo está contra mim...
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Guernica, de Picasso
Richard Jakubaszko
A Guernica de Picasso
É um dos quadros mais famosos do século XX, pintado pelo genial espanhol Pablo Picasso. Retrata os horrores das guerras, e, em particular, o covarde ataque aéreo dos nazistas à cidade de Guernica, na região Basca, Espanha, onde matou ou feriu mais de 40% da pequena população indefesa com menos de 7 mil habitantes.
Esteticamente talvez quem melhor captou o sentimento de terror às terríveis consequências das guerras foi Picasso, em 1937. Vivendo em Paris desde o início do século, já era uma celebridade quando o Governo da Frente Popular o procurou para que fizesse algumas telas para arrecadar fundos para a República. A violência e a indignação que causou o bombardeio nazista em Guernica, fez com que ele se concentrasse por 5 meses numa grande tela, quase um mural (350,5 x 782,3 cm). Sua primeira aparição deu-se numa Exposição Internacional sobre a Vida Moderna em Paris, em 4 de junho de 1937. O público virou-lhe as costas.
Não era algo belo de ser visto. Pelo contrário, choca, emociona, aterroriza.
Picasso, para retratar o clima sombrio que envolvia o massacre, utilizou-se da cor negra, do cinza e do branco. Como nunca a máxima de Giulio Argan, segundo a qual a "arte não é efusão lírica, é problema", foi tão bem explicitada, como na composição de Picasso.
O painel encontra-se dominado no alto pela luz de um olho-lâmpada - símbolo da nova e mortífera tecnologia - seguida de duas figuras de animais. No centro um cavalo, apavorado, em disparada, representa as forças irracionais da destruição. À direita dele, impassível, um perfil picassiano de um touro imóvel. Talvez seja o símbolo da Espanha em guerra civil, impotente perante a destruição que a envolvia numa guerra entre irmãos. Logo abaixo do touro, encontramos uma mãe com o filho morto no colo. Ela clama aos céus por uma intervenção. Trata-se da contemporânea pietá de Picasso. Uma figura masculina, geometricamente esquartejada, domina as partes inferiores. À direita, uma mulher grávida, com seios expostos, voltada para a luz, implora pela vida, enquanto outra, incinerada, ergue inutilmente os braços para o vazio, e uma casa arde em chamas. Naquele caos a tecnologia aparece esmagando a vida.
Uma obra-prima do século XX
Foi uma das grandes premonições histórico-estéticas do século. Dois anos depois teria início o martírio das populações de Varsóvia, de Londres, de Berlim, de Hamburgo, de Leningrado, de Dresden, que padeceriam, devido aos bombardeamentos em massa, dos mesmos tormentos das imagens dilaceradas do quadro de Picasso. Exatamente por não ter nenhum signo específico de agressão, nenhuma suástica ou distintivo franquista ou falangista, a composição transcendeu os acontecimentos da infausta Guerra Civil espanhola, tornando-se um manifesto estético dos horrores provocados por uma tecnologia a serviço da desumanização. Picasso pintou a obra-prima do século, onde se misturam as contradições da nossa época: progresso e violência, catástrofe e prosperidade.
A Espanha, durante o século XX, arrisco afirmar, mas tenho minhas razões, foi o país mais rico e o que mais contribuiu em todas as manifestações artísticas da humanidade, em pintura, música, literatura, dança, cinema e arquitetura.
Muitos anos depois da guerra, consta que durante uma exposição em Madri, onde Guernica estava exposta, um líder político alemão perguntou a Picasso, enquanto olhava para o quadro: “Interessante... Foi você que fez?”. Ao que Picasso respondeu: “Não, foram vocês”.
Abaixo o leitor do blog tem duas visões de Guernica. Na primeira, Guernica em plano chapado, uma simples fotografia do quadro.
No seguinte, ancorado no Youtube, uma visão em 3D, onde as particularidades do quadro são reveladas individualmente, em todos os seus horrores e com toda a clareza, nem sempre percebidas pelos mais apressadinhos ou pelos que ignoram as revolucionárias técnicas do cubismo, manifestação artística da qual Picasso foi umas das maiores expressões. Vale a pena analisar, comprova a genialidade (tridimensional) de Picasso. Ele nos esclareceu que "A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade".
A Guernica de Picasso
É um dos quadros mais famosos do século XX, pintado pelo genial espanhol Pablo Picasso. Retrata os horrores das guerras, e, em particular, o covarde ataque aéreo dos nazistas à cidade de Guernica, na região Basca, Espanha, onde matou ou feriu mais de 40% da pequena população indefesa com menos de 7 mil habitantes.
Esteticamente talvez quem melhor captou o sentimento de terror às terríveis consequências das guerras foi Picasso, em 1937. Vivendo em Paris desde o início do século, já era uma celebridade quando o Governo da Frente Popular o procurou para que fizesse algumas telas para arrecadar fundos para a República. A violência e a indignação que causou o bombardeio nazista em Guernica, fez com que ele se concentrasse por 5 meses numa grande tela, quase um mural (350,5 x 782,3 cm). Sua primeira aparição deu-se numa Exposição Internacional sobre a Vida Moderna em Paris, em 4 de junho de 1937. O público virou-lhe as costas.
Não era algo belo de ser visto. Pelo contrário, choca, emociona, aterroriza.
Picasso, para retratar o clima sombrio que envolvia o massacre, utilizou-se da cor negra, do cinza e do branco. Como nunca a máxima de Giulio Argan, segundo a qual a "arte não é efusão lírica, é problema", foi tão bem explicitada, como na composição de Picasso.
O painel encontra-se dominado no alto pela luz de um olho-lâmpada - símbolo da nova e mortífera tecnologia - seguida de duas figuras de animais. No centro um cavalo, apavorado, em disparada, representa as forças irracionais da destruição. À direita dele, impassível, um perfil picassiano de um touro imóvel. Talvez seja o símbolo da Espanha em guerra civil, impotente perante a destruição que a envolvia numa guerra entre irmãos. Logo abaixo do touro, encontramos uma mãe com o filho morto no colo. Ela clama aos céus por uma intervenção. Trata-se da contemporânea pietá de Picasso. Uma figura masculina, geometricamente esquartejada, domina as partes inferiores. À direita, uma mulher grávida, com seios expostos, voltada para a luz, implora pela vida, enquanto outra, incinerada, ergue inutilmente os braços para o vazio, e uma casa arde em chamas. Naquele caos a tecnologia aparece esmagando a vida.
Uma obra-prima do século XX
Foi uma das grandes premonições histórico-estéticas do século. Dois anos depois teria início o martírio das populações de Varsóvia, de Londres, de Berlim, de Hamburgo, de Leningrado, de Dresden, que padeceriam, devido aos bombardeamentos em massa, dos mesmos tormentos das imagens dilaceradas do quadro de Picasso. Exatamente por não ter nenhum signo específico de agressão, nenhuma suástica ou distintivo franquista ou falangista, a composição transcendeu os acontecimentos da infausta Guerra Civil espanhola, tornando-se um manifesto estético dos horrores provocados por uma tecnologia a serviço da desumanização. Picasso pintou a obra-prima do século, onde se misturam as contradições da nossa época: progresso e violência, catástrofe e prosperidade.
A Espanha, durante o século XX, arrisco afirmar, mas tenho minhas razões, foi o país mais rico e o que mais contribuiu em todas as manifestações artísticas da humanidade, em pintura, música, literatura, dança, cinema e arquitetura.
Muitos anos depois da guerra, consta que durante uma exposição em Madri, onde Guernica estava exposta, um líder político alemão perguntou a Picasso, enquanto olhava para o quadro: “Interessante... Foi você que fez?”. Ao que Picasso respondeu: “Não, foram vocês”.
Abaixo o leitor do blog tem duas visões de Guernica. Na primeira, Guernica em plano chapado, uma simples fotografia do quadro.
No seguinte, ancorado no Youtube, uma visão em 3D, onde as particularidades do quadro são reveladas individualmente, em todos os seus horrores e com toda a clareza, nem sempre percebidas pelos mais apressadinhos ou pelos que ignoram as revolucionárias técnicas do cubismo, manifestação artística da qual Picasso foi umas das maiores expressões. Vale a pena analisar, comprova a genialidade (tridimensional) de Picasso. Ele nos esclareceu que "A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade".
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