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sexta-feira, 24 de junho de 2016

APTA rebate críticas de pesquisadores da APqC

Richard Jakubaszko

O engenheiro agrônomo Orlando Mello de Castro, coordenador da APTA – Agência Paulista de Tecnologia Agropecuária, concedeu entrevista ao Portal DBO para rebater as críticas do presidente da APqC – Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, o pesquisador do IAC Joaquim Azevedo Filho, de que faltam pesquisadores nos institutos de pesquisa agropecuária e também sobre a venda de parte das estações experimentais.

O assunto da venda das estações experimentais está em discussão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e desde esta semana foi paralisado por força de uma liminar judicial impetrada pelos procuradores do estado.

Confira a entrevista no vídeo:


No Portal DBO divulgamos também esse vídeo, disponível no link
http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Super-manchete/APTA-contesta-as-criticas-da-ApqC-e-diz-que-a-pesquisa-paulista-vai-evoluir/17012

Neste link você encontra a entrevista no Portal DBO com o presidente da APqC: http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Super-manchete/Pesquisa-cientifica-publica-em-vias-de-extincao-em-Sao-Paulo/16930

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Pesquisa científica em vias de extinção em São Paulo

Richard Jakubaszko 
Não estou exagerando, absolutamente, pois é isso o que pode acabar acontecendo no estado mais rico do país, estamos a poucos passos de extinguir os institutos de pesquisa de São Paulo, na agricultura, saúde e também da área ambiental. Já tínhamos, nos últimos 12 anos, a falta de pesquisadorees científicos.

Agora, o governo do estado está colocando à venda várias estações experimentais, especialmente do IAC e do Instituto de Zootecnia. Essas áreas foram consideradas inservíveis pelo governo.
Na entrevista abaixo, com o pesquisador Joaquim Azevedo, da Apta, e também presidente da APQC - Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, pode-se entender o que está acontecendo.

A entrevista foi realizada para o Portal DBO e está também disponível neste link:  http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Super-manchete/Pesquisa-cientifica-publica-em-vias-de-extincao-em-Sao-Paulo/16930

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sábado, 7 de maio de 2016

Agrisus: 15 anos

Richard Jakubaszko 
Estive lá no IAC para comemorar com o engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, sua família e amigos, os 15 anos de fundação da Agrisus.
A gente tem orgulho de ser contemporâneo desse centenário cidadão brasileiro, às vésperas de completar 102 anos, forte e lúcido.
No Portal DBO reproduzimos mais informações e o vídeo abaixo, com um depoimento sintético e objetivo do Dr. Cardoso.



Fundação Agrisus completa 15 anos
Criada pelo engenheiro agrônomo, entidade financia pesquisas de conservação do solo
Com a presença de lideranças e técnicos da área agrícola como o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, Amauri Dimárzio, Orlando Melo de Castro (coordenador da Apta), Sérgio Carbonell (diretor geral do IAC), Alfonso Adriano Sleutjes presidente da Febrapdp (plantio direto), John Landers, Mário Barbosa (ex-diretor da Bunge), Roberto Cano de Arruda (diretor da SRB), José Peres Romero, Mário Von Zuben (diretor executivo da Andef), muitos professores e pesquisadores dos diversos institutos de pesquisa, comemorou-se na tarde de 5 de maio os 15 anos da Fundação Agrisus. O evento aconteceu no anfiteatro do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Iniciativa da família do engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso e hoje presidida pelo professor da Esalq, doutor Antonio Roque Dechen, a Agrisus – Agricultura Sustentável foi fundada em 24/4/2001. É a única entidade privada que destina recursos próprios a pesquisas de conservação e melhoria da fertilidade do solo.

A missão da Fundação Agrisus (www.agrisus.org.br) é estimular a capacitação e o aperfeiçoamento profissional, bem como incentivar a pesquisa agronômica e a extensão rural, com a finalidade de gerar, desenvolver e difundir tecnologias destinadas a otimizar a fertilidade dos solos de forma sustentável e favorável ao ambiente.

Nesses 15 anos de atividades, recebeu 1.798 projetos, dos quais 795 foram aprovados e receberam recursos para execução. O maior número de solicitações se refere a pedidos de apoio para desenvolvimento de pesquisas agronômicas.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Justiça Divina tarda, mas não falha.

Richard Jakubaszko
A Justiça Divina tarda, mas não falha. Parafraseio o radialista Mendes Ribeiro, em sua mais famosa locução, para dividir com os bataticultores, pesquisadores e amigos, a alegria do amigo José Alberto Caram de Souza Dias, do IAC/Campinas. Eis que ele me enviou, duas horas atrás, o e-mail abaixo, por si só explicativo.

Caro Richard
É com enorme alegria que lhe escrevo para informar que Comissão do Prêmio José de Castro, do CONSEA-SP, classificou a Tecnologia do Broto/Batata-semente em 1° lugar, na categoria de Pesquisa Científica. Prêmio relacionado com Segurança Alimentar e Redução de Desnutrição (combate a fome, gerando renda, sem grandes investimentos).

Você está sendo o primeiro amigo (conhecedor dessa tecnologia) a saber desse resultado.

Richard, por favor, veja que haverá um Cerimonial de Premiação na manhã do dia 16 (próxima sexta-feira). Por favor, se você puder estar presente para prestigiar esse momento, ficarei ainda mais feliz.

Estou preparando (reduzindo o texto – que serviu de base para concorrer a esse Prêmio) para lhe submeter à publicação na sua revista Agro DBO.

Essa premiação vem num momento em que os pesquisadores científicos, dos institutos de pesquisa do Estado de São Paulo, são considerados 50% a 70% inferiores (em teremos de salário) aos professores de universidades desse mesmo Estado. A qualificação e avaliação (a cada 4 anos pela Comissão Permanente de Regime de Tempo Integral) têm revelado que somos e exercemos atividades correlatas (iguais, senão a mais).

Essa premiação chega também no momento preciso e precioso, para reforçar a importância das pesquisas científicas, desenvolvidas e transferidas de forma a contribuir não apenas com o agroeconômico, mas também com o social e ambiental. Demonstra a importância da persistência na ciência. A primeira publicação que fiz sobre os trabalhos de pesquisa relacionada com a Tecnologia do Broto/Batata-semente datam de 1985 (30 anos – Souza-Dias & Costa, 1985. Summa Phytopathologica, 11(1):52-54)

Aproveito para anexar também o pôster que apresentei este ano no Congresso de Proteção de Plantas em Berlim, Alemanha (23 a 30 de Agosto 2015), sobre avanços em direção ao nosso pioneirismo na movimentação (importação – exportação) de “broto”, sem os tubérculos, para servirem como renovação de estoques básicos de batata-semente (livres de vírus). Menos frete internacional e maior segurança (proteção) vegetal (menos risco de movimentar pragas do solo – presentes na epiderme e polpa de tubérculos/batata-semente).

Agradeço sua atenção e amizade.
Abraço
Caram

José Alberto Caram de Souza Dias (Eng. Agr. PhD)
Pesquisador Científico - Virologista
APTA/IAC – CPD Fitossanidade
Campinas, SP


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO: *
Caram, repetindo o que disse a você, há alguns anos: quando os demais humanos nos ignoram em alguma coisa que tenhamos feito ou criado, não nos desesperemos. Quando nos troçam ou tentam nos humilhar, não devemos dar bola. Quando nos combatem, é porque ganhamos. E você, hoje, ganhou, meu amigo, parabéns.
* Adaptação de um pensamento de Mahatma Ghandi.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O IAC começa a virar sucata

Henrique Mazotini *
O texto abaixo é cópia da divulgação feita pelo Correio Popular de Campinas, na edição de domingo 13/setembro!

Referência na área de pesquisa no Brasil e um dos ícones da cidade, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) acaba de perder o seu acervo entomológico com mais de 8,5 mil amostras de insetos e pragas, coletadas ao longo de 80 anos. O material foi transferido para a Capital, mesma cidade para onde também será levado o Herbário nos próximos dias. A coleção de plantas conta com mais de 56 mil amostras e 11 mil espécies catalogadas. Algumas delas são anteriores à própria fundação do IAC, há 128 anos. Segundo a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, a instituição vem enfrentando um processo de desmonte, que passa pela defasagem no quadro de pesquisadores e encerramento de linhas de pesquisas, que pode trazer consequências sérias para a área da agricultura no Estado.



O acervo entomológico do IAC era composto por uma coleção exclusiva no País, totalmente voltada para o benefício da agricultura, por meio de informações acerca das variadas pragas que atacam as lavouras no Estado de São Paulo. O vice-presidente da Associação dos Pesquisadores do Estado de São Paulo (APqC), Carlos Jorge Rosseto, que trabalhou na unidade de Entomologia do IAC de 1961 a 1987, diz que são pesquisas de muitos anos que custaram caro ao Estado e de enorme valor para os agricultores. Mas o valor histórico, científico e monetário não impediram que a coleção fosse transferida quase que na “calada da noite”, na semana da Independência. O material foi alocado dentro do Instituto Biológico. Os próprios pesquisadores foram surpreendidos com a transferência.



A coleção, segundo Rosseto, é um verdadeiro catálogo sobre a ocorrência de insetos relacionados com plantas no Estado de São Paulo, que permitia saber quais insetos já foram observados causando dano a determinada planta nos últimos 80 anos no Estado, bem como que plantas hospedeiras ele foi observado atacando, qual o tipo de dano causado, época e região de ocorrência e seus inimigos naturais. “A coleção do IAC tem um valor maior que outras coleções de insetos do ponto de vista agronômico. A Constituição exige eficiência e, em nome disto, a coleção deveria ser mantida no IAC, pelo menos até a aposentadoria de seu curador.”



A próxima coleção a ser transferida é a do Herbário. “São 56 mil amostras de plantas desidratadas e todo esse acervo vai ser transferido”, afirmou um pesquisador. De acordo com a associação, os pesquisadores do Herbário também ficaram sabendo da notícia por intermédio de colegas do Instituto de Botânica de São Paulo. Além das pesquisas realizadas por cientistas, o acervo é usado por estudantes e pela própria Prefeitura de Campinas, que faz consultas, por meio da Secretaria do Verde. A tentativa de argumentação de que se trata de uma coleção valiosa foi ignorada. “O IAC tem 128 anos de história, de atividade. O Herbário tem 80 anos, mas há amostras anteriores à criação do Próprio IAC”, afirmou um pesquisador. Projetos de pesquisa estão em andamento no herbário.



Joaquim Adelino de Azevedo Filho, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos de São Paulo, afirma que o processo de desmonte do IAC vem ocorrendo há cerca de 20 anos, com a defasagem do quadro de servidores. Um estudo feito em 2012 apontava que o instituto funcionava com 171 pesquisadores, quando deveria ter 311. Na década de 90, o IAC tinha mais de 400 pesquisadores. A defasagem nos quadros técnicos e administrativos ultrapassam 70%. “Já tínhamos esses cargos em vacância desde 2012. Desde lá a situação se agravou porque servidores se aposentaram ou foram trabalhar em outros órgãos e não houve concurso.” O último concurso foi realizado há cerca de dez anos.



Sobre a transferência dos acervos, Azevedo acredita que a medida foi adotada pela diretoria com diretrizes da Secretaria de Agricultura para redução de gastos. “Estão desocupando o prédio para ficar sem uso ou reduzir custos. Acham que esses acervos não são uma missão do IAC. Isso é o que a diretoria está alegando para fazer o desmonte. Mas o material pertence ao IAC e faz parte da história de Campinas. Estão passando por cima de tudo isso. Acham que é um objeto qualquer que pode ser mudado sem nenhum dano”, disse. Segundo Azevedo, o Instituto de Botânica já teria se manifestado que o material do herbário não tem interesse porque não tem relação com a linha de trabalho deles.



Preocupação

O encerramento de linhas de pesquisas com determinadas culturas também preocupa os pesquisadores. O IAC trabalhava com mais de 100 culturas, mas segundo Azevedo esse número deve ser reduzido para oito. “A proposta da diretoria é que se escolha em torno de oito culturas. Aquelas que os pesquisadores já se aposentaram estão sendo encerradas.” Segundo Joaquim, já foram encerradas as pesquisas com trigo, girassol, mamona e arroz, entre outras. A pesquisa com algodão era feita por oito pesquisadores. Hoje conta com apenas três, sendo que dois deles são aposentados e trabalham como voluntários. A falta de pesquisas pode significar pouca diversidade, insegurança alimentar e até desabastecimento alimentar. “No Estado de São Paulo não tem outros institutos que fazem pesquisa com esse material. Exceto a universidade, mas nenhuma delas tem programa forte de melhoramento que é o caso do IAC. Trabalham com pesquisas pontuais. O melhoramento exige uma sequência. Essas culturas anuais gastam no mínimo dez anos para você começar fazer seleção e começar cultivar no ponto do agricultor utilizar”, explicou.



* o autor é engenheiro agrônomo e presidente-executivo da Andav - Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários


sexta-feira, 26 de junho de 2015

A semente da vida está em nosso solo

Antonio Roque Dechen *
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura) denominou o ano de 2015 como Ano Internacional do Solo. Diante disso, as Instituições de Ensino e de Pesquisa do Brasil voltaram sua atenção para este imenso patrimônio que é o nosso solo.

O Instituto Agronômico adotou o tema: “A semente da vida está em nosso solo”, uma feliz escolha para a Instituição Agronômica pioneira em pesquisas sobre solos no Brasil. O IAC foi criado pelo Imperador D. Pedro II em 1887 em virtude de que, naquela época, a região do Estado de São Paulo enfrentava sérios problemas com a exaustão da fertilidade dos solos, posto que o Brasil não tinha acesso a fertilizantes (A primeira referência à importação de fertilizantes é de 1895, realizada por Pereira Barreto).

Entre os anos de 1876 e 1883 foram plantados 105 milhões de pés de café na região de Campinas, fazendo com que a região produzisse, em 1886, o equivalente a 15% de todo o café produzido no Estado. O cultivo continuo de café sem o manejo adequado estava exaurindo a fertilidade dos solos.

O primeiro diretor do Instituto Agronômico foi o alemão Franz Wilhelm Dafert, discípulo de Justus von Liebig (Lei do Mínimo), qual teve a difícil missão de mudar paradigmas e implementar ações com embasamento técnico científico junto aos produtores para assegurar que os solos fossem manejados de forma correta e possibilitassem cultivos sucessivos na mesma área, ou seja, foi o responsável pela ação pioneira de sustentabilidade em solos brasileiros, merecendo destaque também a visão empreendedora e contribuição de D. Pedro II com a implantação de Institutos de Pesquisas Agronômicas em diversas regiões do Brasil e da criação da primeira Escola de Agronomia do Brasil, na Bahia, em 1877.

O Instituto Agronômico e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (fundada em 1901), são pioneiros em estudos dos solos em todas as suas vertentes, e em conjunto com a Embrapa, e as Instituições estaduais de ensino e pesquisas, prestam valiosa colaboração à sociedade brasileira e mundial, já que os solos são a base da nossa produção agrícola. O Brasil tem hoje uma produção agrícola expressiva: neste ano, está ultrapassando a barreira de produção de 200 milhões de toneladas de grãos, fazendo parte de um restrito grupo de países que produzem 1 tonelada de grãos por ano por habitante.

Oportuna a escolha do tema: A semente da vida está em nosso solo, por uma instituição que já lançou 1020 cultivares de plantas das mais variadas espécies e realiza levantamentos detalhados de solos, tem laboratórios de análises químicas e física de solos, de análises de resíduos, todos com ISO 17025, sendo certamente uma das instituições brasileiras que mais contribui para a paz, produzindo alimentos e combatendo a fome. E como já disse John Boyd Orr, primeiro Diretor Geral da FAO, “Não se constrói a paz em estômagos vazios”.

Privilegiado o Estado que tem uma Instituição do porte do Instituto Agronômico, que implantado em Chão Fecundo (Titulo do livro comemorativo do Centenário da Instituição), continua lançando sementes a mãos cheias nos solos brasileiros, e como Instituição Pública tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento do País e qualidade de vida de todos nós.

Parabéns aos Pesquisadores e Funcionários, parabéns Instituto Agronômico por seus 128 anos em pesquisas que vão além dos horizontes do solo.

* o a autor é Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, Presidente da Fundação Agrisus, Presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Membro do Conselho do Agronegócio (Cosag-Fiesp) Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de 1975 a 1981.

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