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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

POR QUE O ANO COMEÇA À MEIA NOITE DE 1 DE JANEIRO?

Evaristo de Miranda  


Uma das contribuições mais significativas da civilização cristã e ocidental à humanidade é a contagem do tempo e o atual calendário. Foram séculos até o Ocidente criar e adotar o calendário atual. No início do cristianismo, havia três calendários: judaico, romano e litúrgico. Nenhum satisfatório.

O calendário judaico era essencialmente lunar. Os nomes dos meses são de origem assiro-babilônica, assimilados no exílio na Babilônia, no século IV a.C.. São necessários ajustes complexos para encaixar-se no ano solar e para a Páscoa acontecer sempre na primavera. Os anos são contados desde a “criação do mundo”, 5.784 anos atrás. Um planeta bem rejuvenescido.

O calendário romano ou juliano era solar e herdado dos sacerdotes egípcios. Eles estabeleceram um ano de 365 dias, por volta do ano 2800 a.C. Os anos eram contados a partir da fundação de Roma, o ano 753 a.C. A data de início de cada ano era fixa, no primeiro dia de março. Passou por evoluções. Ainda é utilizado pelos cristãos ortodoxos, como calendário religioso.

Nos primeiros séculos, a referência principal do calendário litúrgico cristão era a Páscoa, data da morte de Jesus. Com as divergências entre o calendário judaico e o romano, havia várias datas para o início do ano e a Páscoa.

No século V, o Papa João I decidiu dar fim às “querelas pascais”. Para ajustar o calendário litúrgico, o lunar judaico e o solar romano, ele designou o monge Dionísio, um erudito, canonista, tradutor, astrônomo e matemático.

No ano 525, ele sugeriu ao Papa a revisão completa da divisão do tempo e sua contagem não mais na morte, mas no nascimento de Cristo. E tomou essa data como início da Era Cristã: 25 de dezembro do ano 753 do calendário romano. Encerrou a Era dos Césares. O conceito do Ano do Senhor, Anno Domini (A.D.) está em vigor até hoje. Agora, A.D. 2025.

A Igreja Católica arbitrou e definiu para início do ano, 1 de janeiro e não 25 de dezembro, por razões religiosas. A vinculação oficial de Jesus ao seu povo e a Deus ocorreu no dia da circuncisão, da apresentação no templo, de sua primeira manifestação pública e quando recebeu seu nome.

Só por esse deslocamento de data, Jesus já teria nascido um ano antes do ano 1 da Era Cristã. Não havia ano zero no cálculo. O ano 1 a.C. foi sucedido pelo ano 1 d.C.. O primeiro século da Era Cristã teve 99 anos. Esse e outros fatores levaram Dionísio a um pequeno erro. Jesus nasceu entre os anos 3 e 6, antes da Era Cristã. O Papa Bento XVI mostrou esse erro na obra “A Infância de Jesus”.

Sob o calendário juliano, com imprecisões e deriva temporal, os equinócios se distanciaram da data real em 10 dias no século XVI. Por determinação do papa Gregório XIII, matemáticos e astrônomos jesuítas das universidades de Salamanca e Coimbra trabalharam nas bases de um novo calendário. Em 24 de fevereiro de 1582, pela bula Inter gravíssimas, o papa lançou o Calendário Gregoriano, adotado em Portugal, Espanha e Estados Pontifícios. Logo nos países protestantes e, hoje, no planeta.

O calendário gregoriano é o padrão internacional de registrar o tempo, reconhecido pela ONU e pela União Postal Universal, tanto pelo peso da tradição ocidental, quanto por sua precisão astronômica. Ele estabeleceu até uma ISO específica para se datar: a ISO 8601.

Existe um discurso Woke, politicamente correto, associado à cultura do cancelamento e da censura, onipresente na Internet, sobre o calendário e a marcação do tempo. Ele busca eliminar as referências a Cristo no calendário. Anacrônicos, esses canceladores e censores ideológicos apontam as datas estabelecidas pela Igreja ao longo de séculos como arbitrárias.

As datas do atual calendário foram arbitradas, e não arbitrárias, com os melhores critérios em seu contexto histórico. Inúmeras questões necessitam de arbítrio. Não há livre arbítrio no calendário. Nem há receita bíblica para calcular o tempo. Ele foi arbitrado várias vezes, com recurso aos melhores cientistas de cada época, por uma das maiores autoridades temporais, a Igreja. O Tempo Ocidental se impôs aos do Oriente e alhures.

O calendário universal é Ocidental. Na vida civil e civilizada, ele substituiu outros calendários (muçulmano, judaico, chinês, juliano...), limitados hoje a usos religiosos e tradicionais. Quem regula voos de aviões, satélites, tratados internacionais, GPS de máquinas agrícolas, pagamento de boletos e o cotidiano de bilhões de pessoas é o calendário cristão e romano, criado e estabelecido progressiva e cientificamente pela Igreja.

 

 

 

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Adeus Pelé, você foi o maior de todos

Richard Jakubaszko     


Há dias eu acompanhava pela internet a agonia de Pelé, que hoje chegou ao fim. Pensei que fosse acontecer o desenlace durante a Copa do Mundo, mas Pelé resistiu bravamente, o câncer principal no intestino não o venceu, nem as metástases no rim e no coração. O fim chegou com a falência múltipla dos órgãos. Seria preciso muita coisa como barreira para a vida, caso contrário Pelé iria driblar todas, como fez com milhares de zagueiros no mundo. Pelé chegou a parar uma guerra entre países africanos, que queriam vê-lo jogar. Foi uma glória, que Pelé sempre encarou com humildade, assim como com todas as suas conquistas.

A mídia no mundo inteiro exibe hoje seus gols e suas brilhantes jogadas, mostrando aos mais jovens quem foi você, Pelé, e como era grande o seu gigantesco e inigualável talento. Por favor, dá um abraço no Garrincha, no Nilton Santos, Maradona, Telê, outro no João Saldanha, Gilmar, e até no Nelson Rodrigues, que achava você um gênio.

RIP, Pelé. 

 

 

 

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sábado, 3 de dezembro de 2022

A Copa de Futebol 2022 e o mundo que nos aflige

Richard Jakubaszko
Tristes e ao mesmo tempo curiosos estes momentos contemporâneos que vivemos, e isso não é saudosismo de quem já se aposentou como eu. É que as notícias, as fake news e os eventos, do jeito que chegam se vão numa rapidez estúpida, a ponto de não permitir uma reflexão sobre a importância em si do que acabamos de ver e ouvir, e que já amanhã ninguém mais vai lembrar. A profusão, o excesso de coisas sem importância que se acumulam diante de nós nas manchetes na internet nos dão a certeza desse mundo passageiro e efêmero que vivemos e sem nos dar tempo de apreciar aquilo que é mais importante.

Me pego pensando sobre o que é este mundo digital que vivenciamos. Quase tudo é manchete na web e ao mesmo tempo será deletado, seja dos “famosos” digitalmente fabricados, das personalidades reais, até ao mundo que se nos apresenta corrente ao fluxo de expectativas que respiramos, seja na copa de futebol do Catar, seja no país que habitamos.

Dito assim, de forma genérica, a questão fica clara para o nosso desejo maior de conquistar o hexa, que parece cada vez mais distante, não apenas por conta de uma derrota exótica da seleção brasileira para a fraca seleção de Camarões, mas até porque outras seleções já perderam a invencibilidade precocemente ainda na fase de grupos, como França, Espanha, Portugal, sem contar Argentina, mas as poderosas desclassificadas Alemanha e Bélgica que já tomaram avião de volta. Umas perderam por conveniência pragmática, outras porque apenas arriscaram a sorte de jogar com reservas para manter os titulares descansados, porque o mata-mata vem aí a partir de hoje, sábado. Sim, isso já se foi, Holanda e Argentina passaram...

Outras perderam por pura soberba e inconfessável incompetência, ao não perceberem as mudanças que estão ocorrendo nesse mundo cada vez mais maluco (e Japão, Marrocos, Arábia Saudita, Coreia do Sul, ou Austrália nas oitavas não é maluquice?), onde nos é possível verificar se houve ou não o gol, o impedimento, a falta, se a bola saiu ou não, através de múltiplas câmeras espalhadas por todos os ambientes. Uma delas, num instante fugaz, terá gravado a realidade, seja o gol verdadeiro, seja o imbecil impedimento do cotovelo do atacante, alguns milímetros adiante do calcanhar do zagueiro, tecnicalidades conforme registra o implacável VAR, instrumento de tortura dos torcedores e sobre o qual nenhum juiz filho da puta como sempre foram todos os juízes de futebol, terá a coragem de contrariar.

Mal comparando, precisamos de um VAR no dia a dia da nossa vida política e no país, porque a bruxa anda solta faz um tempo danado e ninguém entende mais nada. Vejam que o filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro voou para o Catar, com mulher, família e amigos, para distribuir a rodo pendrives, estranhos artefatos muito utilizados até os anos 2010, contendo informações agudas sobre o comunismo presente no Brasil e denunciando aos donos dos camelos saarianos outros arbítrios inconfessáveis aos brasileiros. Ao mesmo tempo, seu papai anda desalentado, meio distraído e abobado da vida, talvez tenha broxado depois de se autoafirmar imbroxável, o que era só uma mentirinha, mas preocupa seus amigos e correligionários, e ele já deixou claro que não irá à transmissão de posse do cargo ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, e nem irá entregar a faixa presidencial, ato que deve ser cumprido pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão. Este, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, já avisou que essa história não é com ele, e tirou o corpo fora. Ou seja, cadê o VAR? Tá certo que passar a faixa é um ato simbólico, mas pôrra, nem isso o Jair respeita? E o filho 03, alguém gravou ele pra conferir no VAR depois? O que é que tem nos pendrives, gente?

Vai ficar que nem a mamadeira de piroca, os estupradores da Damares, o kit gay, as rachadinhas dos filhos, a compra dos 105 imóveis com dinheiro vivo, o US$ 1 dólar por cada vacina, nada disso era jogo ou cena importante, não tinha VAR e amanhã ninguém se lembra de mais nada. 

Triste curioso mundo novo sem memória que não aprende nada de importante, porque vive de "likes", e não consegue iluminar seu próprio futuro.

 

 

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terça-feira, 25 de outubro de 2022

Adivinhe quem era o candidato

Richard Jakubaszko  
Será que isso era a verdade? Ou seria mais uma fake news? Julgue vc mesmo! Pode ser uma simples coincidência?
  



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terça-feira, 20 de setembro de 2022

A rainha malvada

Daniel Strutenskey de Macedo *

Segunda feira morreu a rainha Elizabeth do Reino Unido. No mesmo dia todos os jornais, tvs e rádios deram prioridade ao assunto. Não apenas prioridade. Cobriram a personagem de honras e elogios. Por quê? Qual a razão da personagem receber honras e elogios? Ela foi a rainha de um reino de países que invadiram, sufocaram, escravizaram e exploraram vários países da África. A Inglaterra submeteu e explorou criminosamente a Índia. Até a Primeira Grande Guerra de 1939 a 1945 a moeda internacional era a libra esterlina e através dela o Reino Unido comprava barato e vendia caro, pois era ele que emitia o dinheiro, que emprestava, que ganhava juros, que estabelecia um padrão menor de valor para a moeda de uma porção de países, principalmente os da Ásia, África e América Central e do Sul. A rainha era, portanto, uma chefe de estado a serviço da exploração da humanidade ao ocupar e extrair as riquezas de outras nações utilizando sua força militar.

O porquê não pode ser respondido pela razão. Não há razão que justifique as atrocidades cometidas pelo Reino Unido pela bisavó da rainha, pelo seu avô, pelo seu pai e por ela no comando de importante grupo político (o conservador) que comandou por tanto tempo as ações econômicas, políticas e militares da nação inglesa.

O que responde à questão é a ignorância sentimentalista de grande parte do povo, o qual é envolvido e enganado através de histórias heroicas, românticas, todas repletas de emoções, elogios e grandiosidades com o objetivo político de formar uma imagem honrada de reis e rainhas.

Ignorância estúpida, pois ignora que foi após os combates aos reis e início das instalações das repúblicas que a humanidade conseguiu acabar com a servidão na Europa e escrever um documento nas Nações Unidas que defende a igualdade e os direitos das pessoas, a DECLARAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS.

Ignorância ainda mais estúpida que ignora que foram preciso muitos sacrifícios e muitas mortes para que as repúblicas conseguissem se instalar.

Estupidez que ignora que os condes e reis se tornaram capitalistas e aceitaram os parlamentos depois de se associarem aos que detém grande poder econômico e político e desta forma conseguiram manter ainda uma parte do poder.

Estupidez que ignora que os capitalistas republicanos concordaram em manter casas reais em vários países da Europa porque os reis e as rainhas passaram a ser importantes na facilitação de negócios em setores conservadores e em países ainda sob domínio de casas reais, como é o caso de vários países de cultura árabe.

Uma estupidez incapaz de ser explicada quando vemos jornalistas que se consideram cultos, que se dizem democratas e republicanos se emocionarem com as demonstrações românticas e heroicas (falsas) dos eventos da rainha malvada.

Quanto tempo será ainda preciso para aprendermos, para agir consubstanciados pela razão, pela liberdade, pelos direitos universais declarados na Carta Magna?

E você, como se sente? 

* o autor é publicitário

 
 
 
 
 
 
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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Plymouth Rock simbolizava uma coisa, hoje também é simbolo de outra coisa

Richard Jakubaszko  

Monumento histórico que marca a chegada dos ingleses à América foi danificado com spray em 2020.
A jornalista americana Alana Sousa publicou em 18 de fevereiro de 2020 que o
monumento histórico Plymouth Rock foi alvo de vandalismo na semana anterior. A pedra, localizada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, simboliza a chegada de William Bradford e dos Peregrinos de Mayflower, responsáveis por fundar a Colônia de Plymouth, em 1620.

As autoridades não obtiveram pistas dos suspeitos pelo crime. Os infratores invadiram o local onde a rocha está em exibição pública, no Memorial Park Pilgrim.
  “O Departamento das equipes de Conservação e Recreação estão lavando o Plymouth Rock”, informou uma jornalista que estava cobrindo o caso. Será necessário um trabalho minucioso para recuperar a pedra sem causar estragos maiores.

A Plymouth Rock (acima) foi grafitada com uma tinta vermelha, podem-se observar palavras e números, que ainda não foram decifrados.
   
Plymouth Rock (acima) antes do vandalismo, onde é possível ver a data da chegada dos colonos 

Curiosidade e história à parte, perceba o leitor que a Plymouth Rock passa a simbolizar uma questão importante em nossos dias. Como ela está à beira mar, em Massachusetts, hoje cercada por um muro e grade de proteção, mas ao alcance das marés alta e baixa, ela comprova que os ambientalistas mentem ao afirmar que o nível dos mares subiu 50 cm nos últimos 80 anos. A Plymouth Rock é a prova cabal de que isso não aconteceu.

Para você, que não entende como essa história de elevação do nível dos mares é um assunto pra lá de importante, recomendo a leitura de meu livro, o "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde analiso, critico e desnudo essa história do aquecimento, que classifico como a maior mentira do século XXI, caminhando para ser a maior mentira de todos os tempos.

O livro custa R$ 50,00 inclusas as taxas de correios. Escreva para o e-mail co2clima@gmail.com que a gente explica como fazer o depósito, para vc receber o livro em casa, autografado pelo autor.

 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Quais foram as maiores pandemias da história?

Richard Jakubaszko
As maiores pandemias da história da humanidade, conforme vários estudiosos, foram a peste negra (1350, com 200 milhões de mortes = 51% da população), transmitida pela mordida da pulga dos ratos, e a peste Justiniana (40 milhões de mortes), e esta também com a mesma causa, mas que ocorreu em 540 d.C., quase mil anos antes da peste negra. O quadro abaixo mostra bem isso. A varíola, no período da Renascença (1520, com 56 milhões de mortes = 2,50% da população) foi a segunda maior pandemia. A epidemia do coronavírus ainda é a menor de todas, inferior mesmo a da Aids (30 milhões mortes) , apesar dessas duas apresentarem altíssimo índice de erros estatísticos.

Mas todas as epidemias tiveram erros e distorções, não tenhamos dúvida disso. O cólera, por exemplo, matou milhões em toda a Ásia, especialmente na Índia, com baixo índice de registro. Uma coisa a considerar é a população da época de cada pandemia. A gripe espanhola, em 1918-1919, com 45 milhões de mortos, matou percentualmente menos que a varíola.



sábado, 18 de dezembro de 2021

Justiça Federal afasta presidente do IPHAN

Richard Jakubaszko   

A Justiça Federal afastou hoje a ainda presidente do Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Larissa Peixoto Dutra.

Lembrando que Bolsonaro, semana passada, provocou gargalhas de empresários, ao dizer que trocou parte da direção do Iphan depois de receber reclamações do empresário Luciano Hang, após a descoberta de peças históricas coloniais de indígenas em um canteiro de obras de uma nova loja do empresário na cidade de Rio Grande, no RS. Como a obra foi paralisada pelo Iphan, Bolsonaro demitiu o presidente e colocou em seu lugar Larissa Peixoto Dutra, agora demitida pela Justiça, e que havia autorizado o andamento das obras.

A determinação foi da juíza federal substituta Mariana Cunha, da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

Depois da ação da Anvisa, nesta semana, de desobediência civil às ordens tresloucadas de Bolsonaro, espero que o Brasil caia na real.

Bolsonaro precisa entender que não é rei do Brasil, que é apenas um presidente comum e que não pode tudo que passa pela tresloucada cabeça dele, e menos ainda seus filhotes, de 01 a 04 não são príncipes e nunca serão seus sucessores.


 

domingo, 11 de julho de 2021

Bolsonaro na história

Richard Jakubaszko 
Alguém aí tem ideia de como Bolsonaro vai aparecer nos livros de história? É só analisar as frases ditas pelos antecessores dele, e o que ficou marcado na passagem de cada um na Presidência da República. 

Olha só um exemplo:



 

 

 

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sábado, 7 de novembro de 2020

Bodas de Ouro

Richard Jakubaszko  

Comemoramos hoje, 7 de novembro de 2020, Maria da Graça e eu, Bodas de Ouro de casamento. Longa história, mas ainda me parece que foi breve demais. Como é um fato relativamente raro nos dias de hoje, compartilho algumas poucas imagens, significativas para nós.

Comemoramos, vamos jantar em lugar especial, mas de acordo com os protocolos sociais nesse tempo de pandemia viral. Festa nem pensar. Também por isso, nem a missa dos 50 anos foi possível rezar, adiada involuntariamente.

Por tudo, muito obrigado, Maria da Graça.

7 de novembr0 de 1970, parece que foi ontem.
 
Assinado e sacramentado
 
Poucos anos depois, nossos dois amores, Andrea e Daniela
 

Mais um tempo chegou Beatriz, a única e querida neta, sobremesa da vida









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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A revolução silenciosa do transporte de cargas agrícolas


Marcos Sawaya Jank *
Corrigindo um erro de nove décadas, ferrovias estão chegando com força ao Centro-Oeste.

Será o fim dos gargalos?
O Brasil adentra ao século XXI

Inaugurada por dom Pedro II, em 1854, a primeira operação intermodal de cargas do Brasil foi a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, um ousado empreendimento do incrível barão de Mauá, o maior empresário do Império.

De 1854 a 1930 o Brasil construiu 30 mil km de estradas de ferro cobrindo a região litorânea do País, com destaque para as malhas das regiões do sul e do sudeste. Nesse período acompanhamos pari passu o exemplo de grandes nações que investiam em ferrovias e hidrovias de longa distância, como Rússia, Índia, Canadá, Austrália e Estados Unidos.

Lamentavelmente, tomamos a direção errada a partir da Presidência de Washington Luís, quando o lema passou a ser “governar é abrir estradas”. Desde então, sucessivos governos passaram a privilegiar longas rodovias e caminhões, em detrimento de soluções multimodais.

Felizmente, esse enorme erro estratégico começa a ser corrigido. Na década de 1970 o Brasil foi o berço da principal revolução tropical agrícola do planeta, que combinou tecnologias inovadoras com empreendedorismo de agricultores arrojados que migraram para os cerrados do Centro-Oeste. Mas a logística de transporte ferroviário não seguiu as novas fronteiras da agricultura e continuou sendo majoritariamente litorânea e estruturalmente precária nas ligações rodoviárias de longa distância do País.

Nos últimos anos, particularmente no governo atual com a excepcional gestão de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério da Infraestrutura, as novas opções multimodais estão produzindo uma “revolução silenciosa” no transporte de cargas agrícolas do Brasil.

O principal beneficiário da mudança de modais é Mato Grosso, Estado que lidera a produção agropecuária nacional – com destaque para soja, milho, algodão e pecuária de corte – e se caracteriza como a área que forma o preço marginal da soja no mundo. Situado a mais de 2 mil km dos principais portos, Mato Grosso foi altamente prejudicado pela precariedade das estradas e pelo alto custo do frete rodoviário, que representa entre 15% e 45% do valor da soja no mercado internacional.

Agora as ferrovias estão chegando com força ao Centro-Oeste. A Rumo já carrega em seus trens o equivalente a 1.700 caminhões por dia na Malha Norte (volume de Mato Grosso), que levam menos de 85 horas para descer até Santos, o principal porto agrícola do País. Até o ano que vem a companhia vai operar trens de 120 vagões. Cada trem desses retira 240 caminhões bitrem das estradas.

Após mais de 30 anos de espera, a Ferrovia Norte-Sul, agora operada pela Rumo e pela VLI, estará operacional no segundo semestre de 2021, interligando os portos de Itaqui (MA) e de Santos (SP).

Em paralelo, a conclusão da rodovia BR-163 permitiu a concretização da saída bimodal pelo Arco do Norte, com os grãos do Centro-Oeste sendo enviados por caminhão até o porto fluvial de Miritituba, no Pará, e em seguida por barcaças até os portos próximos a Belém. Essa saída segue o pioneirismo da hidrovia do Rio Madeira, que há mais de 20 anos liga Porto Velho (RO) ao Oceano Atlântico. As novas opções multimodais já permitiram uma redução de 15% nos fretes de cargas agrícolas de Mato Grosso.

O próximo passo da “revolução silenciosa” é a chegada das ferrovias ao coração da produção de soja, milho e algodão de Mato Grosso. Três projetos estão sendo propostos nesse momento: 1) a extensão de 650 km da Ferronorte entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, que será construída pela Rumo para movimentar cargas até o porto de Santos; 2) a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que vai na direção oeste-leste, podendo futuramente chegar ao porto de Ilhéus; e 3) a Ferrogrão, que pretende alcançar os portos do Arco do Norte, complementando a saída pela BR-163.

Três ferrovias levando grãos do Centro Oeste para o norte, o leste e o sudeste do País constituem um novo paradigma inimaginável de desenvolvimento para a agricultura brasileira. É hora de concretizá-lo, sem pestanejar, pois só depende de leilões ou aprovações do governo.

Vale lembrar que entre granel e contêineres essas ferrovias transportam grãos, açúcar, fertilizantes, etanol, algodão, celulose, café, carnes e muitas outras commodities. Ademais, a opção pelos modais ferroviário e hidroviário traz muitos outros benefícios para o País, se comparados à alternativa rodoviária de longa distância: redução de emissões de gases de efeito estufa e de poluição atmosférica, maior eficiência energética, menor consumo de diesel por quilômetro percorrido, maior segurança e redução de desgastes e acidentes nas estradas, gerando economias importantes para a saúde pública e o meio ambiente.

Temos de aproveitar essa chance de realizar grandes investimentos privados em sistemas multimodais que demandam apenas concessões e autorizações do poder público. Em tempos de tantas notícias ruins por causa da pandemia global, poder corrigir nove décadas de dependência exclusiva e arriscada do transporte rodoviário em apenas uma década é uma oportunidade fantástica. Ela vai beneficiar não apenas o produtor rural brasileiro, mas, principalmente, o consumidor global.


 * o autor é professor de agronegócio global do Insper.

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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Os 100 anos de Florestan Fernandes (1920-2020)


Rodrigo Augusto Prando *

Florestan Fernandes completaria, em 2020, 100 anos. Faleceu, precocemente em 1995, por um erro médico. Portanto, a vida - sua trajetória acadêmica e política - e sua obra são, agora, rememorados e, por isso, dão a dimensão de sua grandeza, o maior cientista social brasileiro até hoje e um dos grandes autores da Sociologia contemporânea. Ressalto, de antemão, que, na brevidade de um artigo, é impossível captar sua figura ímpar, deixando, ao final, recomendações de leituras.


Florestan foi criança pobre na cidade de São Paulo nos de 1920 e 30. Sua mãe lavava roupa e trabalhava como empregada doméstica na casa de uma família da elite paulistana. A patroa de sua mãe, sua madrinha, não o chamava de Florestan, pois acreditava ser um nome deveras pomposo para filho de pobre; assim, chamava-o de Vicente. Tal fato sempre chamou minha atenção pela violência simbólica da elite, que, no caso, cerceava o direito do menino ao seu nome próprio. Florestan - Vicente - foi engraxate, garçom e representante farmacêutico. Na condição de garçom, entre servir uma mesa e outra, era, sempre, visto, nos cantos, com um livro nas mãos. Assim, clientes do bar onde trabalhava o estimularam ao prosseguimento dos estudos e, após fazer o curso de Madureza (supletivo) ingressou na Universidade de São Paulo, no curso de Ciências Sociais. Na USP, foi aluno dos mestres franceses - fundadores da universidade - e, ainda na Graduação, chamou atenção de seus professores pela sua qualidade intelectual e disposição para leitura e pesquisa de campo. Foi, ainda enquanto aluno, capaz de conjugar conhecimento teórico profundo e habilidades da pesquisa empírica.


Sua trajetória acadêmica foi meteórica e, rapidamente, estava ao lado de seus professores realizando pesquisas em parceria. Sua disposição para a leitura foi, muitas vezes, lembrada por Antonio Cândido, bem como sua produção intelectual: livros, artigos científicos, artigos de opinião, palestras, conferências, etc. Realizou, com seu antigo professor, Roger Bastide, a pedido da ONU, uma pesquisa para investigar as relações raciais no Brasil, objetivando-se comprovar que éramos uma sociedade que havia conseguido avançar na direção de uma "democracia racial". As conclusões de Florestan, todavia, fez desmoronar o discurso da democracia racial, especialmente, apontando a não integração do negro na sociedade de classes. Estudou, também, o folclore; os índios Tupinambá; as brincadeiras infantis e sua sociabilidade; a metodologia no bojo das Ciências Sociais; o capitalismo dependente e a revolução burguesa no Brasil; as revoluções (dentro e fora da ordem); as tensões entre o intelectual, o cientista e o militante; a república brasileira; enfim, uma ampla gama de temas fundamentais para a formação e desenvolvimento das Ciências Sociais. Foi, na USP, professor Catedrático da Cadeira de Sociologia e teve Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni como primeiro e segundo assistentes, respectivamente. Não foi apenas professor e pesquisador, mas orientou e formou uma geração de cientistas. Sua postura crítica incomodou os poderosos, mormente durante o Regime Militar, levando-o ao exílio após sua perseguição política a aposentadoria compulsória.


Politicamente, esteve, desde a juventude, ligado aos ideais socialistas. No entanto, na condição de professor e pesquisador foi rigoroso metodologicamente e não submeteu a ciência à ideologia e à militância política. Fez, obviamente, política - sem ligação partidária - ao se debruçar sobre temas atinentes à vida do homem simples, dos humilhados, "dos de baixo", dos negros, indígenas. Foi intelectual público de presença constante nos jornais, publicando artigos de análises estruturais e conjunturais, bem como concedendo entrevistas aos variados veículos de comunicação nacionais e estrangeiros. Participou de movimentos de defesa da escola pública e, nos estudos sobre os negros e o racismo, dialogou com o movimento negro. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e foi eleito deputado constituinte e, posteriormente, eleito deputado federal.


Afirmaram, alhures, que se Florestan tivesse publicado em inglês, francês ou espanhol, por exemplo, estaria, certamente, ao lado dos nomes mais expressivos das Ciências Sociais contemporâneas como Anthony Giddens, Boaventura de Sousa Santos, Manuel Castells e Pierre Bourdieu. Não tenho dúvidas. Florestan Fernandes agigantou-se no ambiente acadêmico de uma sociedade periférica. Sua linguagem, densa, conceitualmente profunda, era - e é ainda hoje - de difícil acesso. Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), minha cidade natal, está seu acervo, muito bem cuidado e preservando sua biblioteca, fichas de leitura e outros materiais que compõem a seção de Coleção Especiais, na Biblioteca Comunitária. Ainda como estudante de Graduação e já no mestrado passava o dia inteiro no acervo lendo, fichando e pegando, a esmo, livros nas estantes para ler os comentários de Florestan acerca de suas leituras, já que ele fazia anotações às margens dos livros. Vale muito a pena, para quem se interessa por histórica intelectual, conhecer esse espaço dedicado a ele.


Por fim, deixo, aqui, o registro de enorme gratidão por tudo aquilo que Florestan Fernandes fez pelas Ciências Sociais e por tudo o que aprendi lendo seus livros e artigos. E, à guisa de sugestão, alguns títulos para os que quiserem conhecer mais sobre ele:


ARRUDA, M. A. do N.; GARCIA, S.G. Florestan Fernandes: mestre da sociologia moderna. Brasília: Parelelo 15, 2003.
CANDIDO, A. Florestan Fernandes. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.
D’INCAO, M. A. (Org.). O saber militante. Ensaios sobre Florestan Fernandes. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra/Unesp, 1987.
FERNANDES, F. A Sociologia numa era de revolução social. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976.
FERNANDES, F. O Brasil de Florestan. Belo Horizonte/São Paulo: Autêntica Editora/Editora Fundação Perseu Abramo, 2018.
IANNI, O. (Org.). Florestan Fernandes: sociologia crítica e militante. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2004.
MARTINS, J. de S. Florestan: Sociologia e consciência social no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.
MARTINS FILHO, J. R. (Org.). Florestan Fernandes: a força do argumento. São Carlos: EDUFSCar, 1997.
RODRIGUES, L. S. Florestan Fernandes - Interlúdio (1969-1983). São Paulo: Hucitec/FAPESP, 2010.

SEREZA, H. C. Florestan: a inteligência militante. São Paulo: Boitempo, 2005.
 
* o autor é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.


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