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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Energias alternativas escureceram Espanha, Portugal e sul da França

Luis Dufaur *

Blackout na Espanha
Meses antes de iniciar a COP30, o ambientalismo nos forneceu mais uma escura mensagem da crise em que quer jogar a civilização.

A Red Eléctrica Espanhola (REE) empresa pública operadora única do sistema elétrico espanhol, reconheceu que o “colapso total” do sistema elétrico que pôs em pânico a Espanha e o vizinho Portugal foi causado pelas fontes de energia alternativa, registrou “El Mundo”.

Em abril a mesma empresa garantia que em caso algum haveria uma interrupção nacional no fornecimento de energia.

Ela recusava o risco da perda de estabilidade do sistema, em consequência do fechamento das centrais nucleares espanholas. Semanas depois a Espanha entrou em pânico em virtude de um apagão inesperado que não podia acontecer.

O presidente da empresa os descartava e o governo socialista também o fazia enfaticamente.

Depois tudo mudou. Relatório da mesma operadora da rede elétrica reconheceu que havia riscos “graves” de cortes de energia ligados à “alta penetração de energia renovável” no país.

A causa do risco foi a muito alta dependência das “energias alternativas”, especialmente as eólicas.

A Redeia, havia alertado seus investidores no relatório financeiro de 2024, para cortes que “podem se tornar graves afetando significativamente o fornecimento de eletricidade, a curto e médio prazo”, registrou a AFP.

Em breves termos as fontes de “energia alternativas” são intermitentes porque dependem do sol, vento, chuvas, que são imprescindíveis.

E se essas fontes começam a ligar e desligar podem levar a um curto do sistema todo e provocar blackouts.

A “perda de produção firme” foi apontada por Redeia como podendo causar um “impacto no fornecimento” que poderia “afetar à Espanha toda”.

A empresa vinha alertando há cinco anos do perigo sendo ignorada e até abafada pelo fanatismo ecológico instalado no governo e na grande mídia.

Os relatórios eram conclusivos: a integração massiva de fontes energias renováveis ameaçava a estabilidade da rede na Espanha, escreveu, a posteriori “El Mundo”.

Blackout também afetou Portugal e sul da França
Os técnicos da empresa pública pediam medidas “essenciais” para evitar desequilíbrios “inaceitáveis”.

Afinal aconteceu. Cinco anos depois do primeiro brado de alerta, essa foi a causa do apagão histórico que atingiu também Portugal e o sul da França.

As medidas pedidas não foram implementadas ou a um ritmo lento, enquanto se acelerava a geração de energias “renováveis” causantes do desequilíbrio. Até que o sistema elétrico nacional ficou incapaz de amortecê-los.

A Redeia alertava aos investidores o “risco de curto prazo” de “desconexões de geração devido à alta penetração de energias renováveis”.

O relatório também advertia que o fechamento de usinas de convencionais, como as movidas a carvão, gás natural e nucleares, em decorrência de decisões políticas, “implicava na redução da capacidade firme e das capacidades de equilíbrio do sistema elétrico, bem como de sua robustez e inércia”.

A Redeia atribuiu o enorme blackout a um desligamento massivo de usinas fotovoltaicas. Essas geraram oscilações anômalas que causaram o apagão, “desconcertando o setor”.

Nos dias prévios ao apagão, as situações de alta instabilidade levaram a um alto funcionário do setor, a advertir que a Espanha “estava à beira de um apagão”.

O fanatismo ambientalista fez ouvidos surdos... e aconteceu, mas continua igualmente fanático!!!

* Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, e webmaster de diversos blogs.

Publicado originalmente em https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2025/11/energias-alternativas-escureceram.html  

ET. Todos os inconvenientes de usos de energias alternativas foram abordados em profundidade no livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", autoria deste blogueiro, veja na aba deste blog como obter o livro.

 

 

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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Europa desaba sob a tirania das energias alternativas

Luis Dufaur *

'O Reich Verde': um livro denúncia
da autodestruição da Alemanha
O jurista e filósofo, diretor do PAN Medias Group e autor do livro “The Green Reich – Global Warming to the Green Tyranny” (“O Reich Verde – Do aquecimento global à tirania verde”, Texquis, 2020; Armada) Drieu Godefridi começou apontando que a dependência de fontes de energia não confiáveis (eólica, solar), combinada com a apressada eliminação da energia nuclear, fez da energia elétrica da Alemanha a mais cara da Europa.

O quadro geral alemão compromete a autonomia energética do país, e, em última análise, do continente europeu, escreveu na página do reputado “Gatestone Institute”. 

As condições climáticas caem drasticamente em diversos períodos que ocorrem todos os anos. A produção de energia não pode se basear nos caprichos do sol (quase ausente no inverno alemão) e nos sopros de Eolo.

A submissão a esses caprichos apresenta repercussões econômicas e ambientais de longo alcance, transtornando a política energética baseada em energias intermitentes. Essas verdades diretamente ligadas à natureza não interessam aos arautos ecologistas salvadores da própria natureza.

A Alemanha passou a ser uma das maiores emissoras de carbono e consome a energia elétrica mais cara da Europa que, aliás, é insuficiente para sua indústria que caiu no vermelho.

O país perdeu a sua autonomia energética, que equivale a um homem ficar sem oxigênio para sobreviver.

Nos últimos quinze anos, investiu maciçamente em energia solar e eólica, e enlouquecidamente sabotou suas usinas nucleares. Em 2023, as energias renováveis representavam 55% da produção de eletricidade do país. Em 2022, eram 48%.

A energia eólica tem 31% da produção total e a energia solar 12%, biomassa 8% e outras fontes renováveis, como a hidroeletricidade os 3,4% restantes.

No primeiro semestre de 2024, a energia renovável forneceu quase 60% da eletricidade alemã. Porém, com momentos de crise no fornecimento como o “Dunkelflaute”.

Governo aprovou a extinção das usinas nucleares
Essa palavra dura para ouvidos brasileiros se traduz por “calmaria branda e escura”, quer dizer a falta de vento e de sol no inverno quando a demanda atinge o ápice. O “Dunkelflaute” então pode durar alguns dias a várias semanas quando a produção eólica e solar despenca para menos de 20% de sua capacidade, chegando às vezes a zero.

Em 12 de dezembro de 2024, a produção alemã de energia elétrica oriunda da energia eólica e solar ao atendia a 1/30 da demanda.

As políticas renováveis seriam aceitáveis se fossem estáveis, como a energia nuclear. Mas, desde 2011, na onda midiática entorno do desastre de Fukushima, o país decidiu fulminar a energia nuclear e fechou usinas em pleno funcionamento.

Extinguiu a energia elétrica estável e previsível ficando penosamente vulnerável às flutuações das energias renováveis.

Em suma, quando não há vento nem sol na Alemanha, há apagão, acrescenta o prof. Godefridi.

A Alemanha ficou incapaz de se mover com energia, especialmente durante o “Dunkelflaute”. Então entra na correria para importar energia elétrica da França, da Dinamarca e da Polônia, e multiplica o consumo dos famigerados carvão e linhito para termoelétricas poluidoras.

Com mais um resultado absurdo: aumentos colossais nos preços da energia elétrica que são realmente impressionantes. Em 2024, uma família teve que pagar o preço mais alto da Europa: € 400/MWh, com picos de € 900/MWh durante o sinistramente cômico “Dunkelflaute”.

O preço médio na França e na Finlândia foi de € 250/MWh no mesmo período (2024), a metade portanto, porque depende de reatores nucleares. Nos EUA, as taxas são 30% mais baixas do que na França.

Intensa propaganda 'verde' baniu a energia nuclear e pôs em crise a Alemanha

Viva! Entramos no maravilhoso mundo para afundar “sustentavelmente” a Europa no precipício da carência e da desgraça. O modelo “sustentável para o planeta”,

Em vez de líder contra o CO2 como pretextado, a Alemanha foi o segundo maior emissor de CO2 por unidade de energia produzida na Europa: dez vezes mais que a França.

Os altos preços estão levando à relocação das indústrias alemãs que procuram localidades mais acessíveis economicamente. Como os produtos alemães podem ser competitivos quando se paga três vezes mais pela energia elétrica do que a concorrência? (O gás natural é cinco vezes mais caro que na Europa e nos EUA.

Colapsam Setores inteiros da orgulhosa indústria alemã. Primeiro as grandes empresas, VW, BASF, Mercedes-Benz, mas essas desaparecem ou encolhm leva junto um monte de pequenas e médias empresas para o buraco.

 
Demissões em massa na Volkswagen gerou terremoto social  

Os altos preços da energia alemã geram cada vez mais frustração.

O famigerado “Dunkelflaute” não é um mero problema econômico: por trás há o assalto de uma ideologia autoritária e irracional.

Há anos este blog vem ecoando cientistas e analistas que julgavam que a Alemanha parecia ter ficado louca. Terá soado exagerado. Agora a realidade arromba as portas de lares e empresas germânicas.

A Alemanha perdeu a autonomia energética, e, em última análise, alastra o continente a um precipício. As consequências estão sendo das mais variadas: os vizinhos estão fartos de uma tão estúpida falência energética, em virtude de um diktats irracional.

O gigantesco passo em falso da Alemanha provoca uma catástrofe europeia e em última análise, da civilização ocidental ex-cristã.

* o autor é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs.

Publicado originalmente no blog: https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2025/08/europa-desaba-sob-tirania-das-energias.html

 

 

 

 

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terça-feira, 9 de junho de 2020

O lado obscuro das energias alternativas

Luis Dufaur

Linfen na China ganhou o título de cidade mais poluída do mundo.
Na China, para atender às exigências de desenvolvimento do Partido Comunista ela consumia tanto carvão, que se dizia da poluição de seu ar que se podia mastigá-lo, segundo noticiou o jornal "La Nación".

O regime anunciou uma ambiciosa transformação industrial rumo às energias renováveis e limpas.

Elas exigem os chamados metais e terras raras, que não são extraídos pelos países ocidentais devido ao formidável efeito poluidor de suas minas.


Mas a China, que se arvora em líder da revolução verde e digital, pouco se interessa por isso.

Em volta dela, buracos gigantescos, putrefatos lagos e cidades do câncer são abafados por uma mídia que se inflama no Ocidente contra os combustíveis fósseis tradicionais incomparavelmente menos danosos.

É impossível se aproximar de tais minas. Os guardas barram os jornalistas e os expulsam com ameaças pouco dissimuladas, tornando-se violentos se veem câmeras. Não faltam as minas ilegais.

Baotou, Mongólia Interior, paraíso das terras raras: recordes de contaminação.
O insensível governo socialista calcula em 5,5 bilhões de dólares o custo de   recuperação pelos danos ambientais causados à província meridional de Jiangxi.

O jornalista francês Guillaume Pitron dedicou cinco anos para revelar o lado obscuro do “comunismo verde” chinês, que esconde tudo o que intoxica e se arvora como líder das energias limpas.

Painéis solares e veículos elétricos não contaminam, mas os materiais usados na sua produção destroem a ecologia dos lugares onde são extraídos, mais do que os demonizados carvão e petróleo.

“Poderíamos ter essas minas na Europa, mas não as queremos pela contaminação que provocam. Então transferimos essa poluição para o outro lado do mundo aonde ninguém vai, e escondemos os males que as ‘energias limpas” trazem, disse Pitron a “El País”.

Laura Villadiego, jornalista ativista, também censura o “alto custo ambiental” das energias limpas.

Ambos concordam que esses minerais são recicláveis, mas que o processo não é economicamente viável.

Lago Baotou, 'Silicon Valley' das 'terras raras', energias alternativas
Pitron acha que o mundo se jogou nas “fauces do dragão chinês”. Alguns países, como o Japão, a França e os EUA, querem reabrir suas respectivas minas para garantir sua independência.

Mas o futuro se apresenta tenebroso. “As pessoas querem consumir irrefletidamente”, sentencia Pitron.

Porém, ele não vê o essencial: o abandono da virtude da sabedoria causa esses desajustes e bloqueia a possibilidade de progredir a longo prazo.

* o autor é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, e webmaster de diversos blogs.

Publicado em https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2020/06/o-lado-obscuro-das-energias-alternativas.html 


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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Veículos elétricos na Alemanha emitem mais dióxido de carbono do que veículos a diesel

Richard Jakubaszko   
Reproduzo abaixo artigo que achei interessante dentro do ponto de vista de desmistificar os carros elétricos. O modismo dos elétricos está crescendo e gera enormes expectativas em todos os países. De toda forma, apesar da discussão paralela sobre os níveis de emissão de GEE entre os elétricos versus os movidos a diesel, como esse texto abaixo demonstra, não vi ainda nenhuma projeção de quanto será necessário o volume de crescimento na produção de energia elétrica para abastecer milhões de automóveis elétricos mundo afora.

Veículos elétricos na Alemanha emitem mais dióxido de carbono do que veículos a diesel
Um estudo do instituto de pesquisas IFO, em Munique, descobriu que os veículos elétricos na Alemanha emitem de 11% a 28% mais dióxido de carbono do que seus equivalentes a diesel. O estudo considerou a produção de baterias, assim como o mix de eletricidade da Alemanha, para fazer essa determinação. A Alemanha gastou milhões de euros em subsídios de carros elétricos por veículo para colocar um milhão de veículos elétricos na estrada, mas esses subsídios não fizeram nada para atingir as metas de emissões de gases de efeito estufa do país (GEE). Este é apenas o mais recente exemplo de programas governamentais esperando um resultado e obtendo outro completamente diferente. Para alguns, é irônico; para os outros é engraçado. No IER, acreditamos que seja triste, pois é um desperdício de tempo e dinheiro que poderia ser melhor usado para resolver problemas reais.

Os pesquisadores compararam a produção de dióxido de carbono para um Tesla Model 3 (elétrico) e um Mercedes C220d sedan (diesel). A Mercedes libera cerca de 141 gramas de dióxido de carbono por quilômetro percorrido, incluindo o carbono emitido para perfurar, refinar e transportar seu combustível. O Tesla libera entre 156 e 181 gramas, incluindo a produção de baterias. Mineração e processamento de lítio, cobalto e manganês usados em baterias consomem muita energia. Uma bateria do Tesla Model 3, por exemplo, representa entre 11 e 15 toneladas métricas de dióxido de carbono. Dada uma vida útil da bateria de 10 anos e uma distância de viagem anual de 15.000 quilômetros, 73 a 98 gramas de dióxido de carbono são emitidos por quilômetro.

A crescente confiança da Alemanha no carvão para geração de eletricidade também foi considerada no estudo. O país depende do carvão quando o vento não está soprando e o sol não está brilhando. Como resultado, a cobrança de um Tesla na Bavária libera cerca de 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado.

A União Europeia também oferece benefícios para os fabricantes de veículos elétricos, permitindo-lhes reivindicar emissões zero sob seus rígidos limites de emissões. Nem todos os países europeus podem emitir mais dióxido de carbono de veículos elétricos do que de veículos a diesel ou a gasolina. Na França, por exemplo, os veículos elétricos podem emitir menos dióxido de carbono do que os veículos a diesel porque a França obtém a maior parte de sua eletricidade vem da energia nuclear. Mas em muitos outros países europeus, esse certamente não é o caso.

Outras alternativas
De acordo com os pesquisadores alemães, a meta da União Europeia de 59 gramas de dióxido de carbono por quilômetro até 2030 corresponde a um consumo "tecnicamente irreal" de 2,2 litros de diesel ou 2,6 litros de gasolina por 100 quilômetros. Os pesquisadores acreditam que seria preferível olhar para outras fontes de energia para automóveis - por exemplo, motores de metano, "cujas emissões são um terço menores que as dos motores a diesel".

Outros estudos
Um estudo realizado em 2017 por pesquisadores da Universidade de Michigan descobriu que a quantidade de dióxido de carbono emitido por carros elétricos variava muito de país para país. O estudo descobriu que um carro elétrico recarregado por uma usina a carvão produz tanto dióxido de carbono quanto um carro movido a gasolina que chega a 29 milhas por galão, o que é uma eficiência ligeiramente maior do que as 25,2 milhas por galão que é a média de todos os carros, SUVs, vans e caminhões leves vendidos nos EUA no ano passado. Se a eletricidade vem de uma usina de gás natural, a recarga de um veículo elétrico plug-in é semelhante a dirigir um carro que faz 58 milhas por galão.

Usando a mistura de eletricidade dos EUA, que é gerada principalmente por combustíveis fósseis (cerca de 64%), os pesquisadores da Universidade de Michigan descobriram que o veículo plug-in médio produz tanto dióxido de carbono quanto um carro convencional que obtém 55,4 milhas por galão. Na China, que vem impulsionando a adoção generalizada de veículos elétricos, os carros emitem tanto dióxido de carbono quanto um carro que chega a 40 milhas por galão, devido em grande parte à sua forte dependência do carvão.

Observe que as descobertas acima são otimistas para veículos elétricos porque os pesquisadores da Universidade de Michigan não levaram em conta as emissões substanciais adicionais de dióxido de carbono na fabricação de baterias, como fez o estudo alemão.

Um estudo diferente da Union of Concerned Scientists descobriu que, dependendo do tipo de plug-in sendo construído, a fabricação de um carro movido a bateria gera 15% a 68% mais emissões de dióxido de carbono do que um carro movido a gasolina convencional por causa da energia na intensidade de fabricação de baterias.

Conclusão
Os estudos acima indicam que a terminologia "emissão zero" é um equívoco quando se refere a veículos elétricos. Além disso, os legisladores devem ser cautelosos quanto ao subsídio de veículos elétricos quando sua eletricidade é gerada principalmente por combustíveis fósseis, porque eles não estão diminuindo as emissões de dióxido de carbono dos automóveis ao fazê-lo. O velho ditado que diz que "o caminho para o inferno é pavimentado com boas intenções" pode muito bem ser aplicado a muitos dos truques e soluções recomendadas por qualquer grupo que seja popular com uma elite política e da mídia em um dado momento. As lições da Alemanha deveriam ser um estudo de caso para os líderes políticos em todos os lugares.

10/06/19
Fonte: IER


Reproduzido da newsletter da UDOP: https://www.udop.com.br/index.php?cod=1180904&item=noticias&utm_campaign=clipping_diario_-_230719&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Ilhas Marshall são 10 vezes mais radioativas do que Chernobyl devido a testes nucleares dos EUA

Richard Jakubaszko  
Mais de 50 anos após o governo americano ter cessado os testes de armas nucleares, várias das ilhas Marshall ainda são muito radioativas e inadequadas para habitação, de acordo com um novo relatório científico.

No período entre 1946 e 1958, após a Segunda Guerra Mundial, Washington testou 67 armas nucleares em diferentes zonas das ilhas Marshall - uma cadeia de ilhas vulcânicas e atóis no oceano Pacífico central, entre o Havaí e as Filipinas.

Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Columbia descobriu que partes das ilhas continham muito mais radiação do que a terra contaminada pelo desastre de Chernobyl.

Os atóis de Bikini e Enewetak foram usados para testes nucleares, resultando em uma "contaminação ambiental sem precedentes" e efeitos adversos para a saúde dos povos indígenas que vivem nas ilhas, de acordo com o estudo feito por pesquisadores da Universidade de Columbia (EUA).

Além disso, as pessoas que viviam nos atóis Rongelap e Utirik também experimentaram efeitos negativos para a saúde devido à precipitação radioativa do teste nuclear Bravo, realizado pelos EUA em 1º de março de 1954.

No total, foram testadas amostras de solo de nove ilhas para verificar os níveis de radiação, além de também terem sido analisadas as concentrações de elementos químicos radioativos, incluindo amerício-241, césio-137, plutônio-238 e plutônio-239.240 no solo de 11 ilhas.

Os resultados, publicados na segunda-feira (15) na revista PNAS, revelam que há níveis elevados de radiação gama na ilha de Enjebi, e uma das duas amostras de solo coletadas na ilha tinha altas concentrações de elementos químicos radioativos, com os níveis de césio-137 e plutônio-238 sendo superiores aos limites de segurança. A ilha de Runit também possui "níveis significativos" de concentrações de elementos químicos radioativos.
Preocupação real

"Nossos resultados sugerem que as pessoas que vivem atualmente no sul de Enewetak não são susceptíveis a uma exposição significativa à radiação nuclear. No entanto, a presença de isótopos radioativos na ilha de Runit é uma preocupação real, e os moradores devem ser alertados contra qualquer uso da ilha", observa o estudo. 


Teste de bomba atômica subaquática realizado pelos EUA no atol Bikini em 1946, nas Ilhas Marshall, Micronésia.
FOTO: MARINHA DO GOVERNO DOS EU
Ao testar o solo em busca de plutônio-239 e -240, os pesquisadores descobriram que algumas das ilhas tinham níveis entre 10 e 1.000 vezes superiores aos de Fukushima (onde um terremoto e tsunami levaram ao vazamento de radiação da planta nuclear) e cerca de 10 vezes superiores aos níveis da zona de exclusão de Chernobyl.

Os cientistas também revelaram ter encontrado "níveis de radiação gama muito elevados" e "concentrações elevadas" de amerício-241, césio-137 e plutônio-239,240 na ilha de Bikini – níveis considerados até três vezes maiores do que em amostras de solo da reserva da Polésia, na Bielorrússia (reserva criada para abranger o território da Bielorrússia mais afetado pela precipitação radioativa da catástrofe de Chernobyl), e até 150 vezes maior do que amostras de solo do Rocky Flats Environmental Technology Site, no Colorado (área criada como parte do complexo nacional de armas nucleares americanas para fabricar componentes de armamento radioativo).


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