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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Herbert Bartz: vai-se o homem, fica o seu legado

Ondino Cleante Bataglia

Nesta madrugada do dia 29 de janeiro de 2021 temos a triste notícia do falecimento de Herbert Bartz em Rolândia, no estado do Paraná.

Herbert foi um pioneiro na adoção do plantio direto no Brasil que, juntamente com outros companheiros naquele Estado do Paraná, muito contribuíram para esse novo tipo de agricultura hoje praticada em grande parte do nosso país. Pessoalmente, ele buscou na Europa e nos EUA as ideias que levariam a solução de seus próprios problemas na agricultura com criatividade e muita dedicação.

Como dizia nosso saudoso Dirceu Gassen no prefácio do livro "O Brasil possível" - a biografia de Herbert Bartz - “A energia de sua alma, que conduzia a força de seu corpo para realizar, pensar diferente, romper a barreira do convencional, das práticas que todos faziam e eram recomendadas, determinou mudanças profundas na conservação de solos e na evolução da agricultura brasileira”.

Herbert Bartz teve em vida o devido reconhecimento por seu esforço de cultivar o solo sem que as chuvas levassem embora seu precioso patrimônio, mantendo resíduos, não revolvendo, cultivando diversas espécies vegetais, enfim, praticando a nova receita chamada de plantio direto. Não será esquecido nunca por tudo isso.

Fora da sua participação no desenvolvimento tecnológico, quem teve o privilégio de conviver com o Bartz vai lembrar sempre de momentos agradáveis com aquele que se auto denominava “alemão louco” que, na verdade, de louco só tinha um pouco. Tinha mesmo é uma alma viva, vibrante, amiga e dominadora por convencimento.

A Agrisus sempre teve uma forte parceria com ele graças à grande interação do dr. Fernando Penteado Cardoso, seu fundador, e de sua família, apoiando as diversas atividades de difusão promovidas por Bartz durante toda a existência da Fundação, o que sempre trouxe grande orgulho para todos nós que participamos dessas ações.

Nossa homenagem ao grande Herbert Bartz. Vai-se o homem, fica o seu legado.

 

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Água sob medida

Richard Jakubaszko   
Circulando a Agro DBO 104, de setembro 2018, com reportagens e artigos supimpas.
No editorial do mês registrei que:


A baderna e o absurdo da novela dos fretes segue o baile, depois que a tabela de preços foi instituída pelo governo federal, aprovada no Congresso, e sancionada pelo Presidente da República, que assim cumpriu o prometido aos caminhoneiros durante as negociações para acabar com a greve em maio último. Temer livrou-se do problema, em bom português, porque a conta terá de ser paga pelas indústrias e produtores rurais que mais utilizam o transporte rodoviário, e no frigir dos ovos será paga pelo consumidor final, pelo reflexo nos índices de inflação.


No fechamento desta edição estava pendente uma decisão do STF, mas, de toda forma, quando esta Agro DBO chegar às mãos dos leitores, nos primeiros dias de setembro, esperamos que o impasse esteja resolvido e que não se tenham postergado as decisões que o bom senso exige, pois estamos às vésperas do plantio da safra. Em agosto, dependendo da distância, ficou mais caro o transporte do que o preço de venda do milho safrinha. As dificuldades e a problemática do frete estão resumidas na entrevista do mês com o diretor executivo da Anda, a partir da página 24 e ainda em artigo de Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Aprosoja Brasil, na página 37.

Enquanto o mundo rural debatia os fretes, nos primeiros dias de agosto uma juíza substituta de primeira instância, da 1ª Vara Federal de Brasília, presenteou os agricultores brasileiros com a proibição surreal de novos registros, e ainda da fabricação e venda do glifosato, e que colocava em xeque a safra 2018/19, tamanha a dependência da produção de grãos a esse tipo de herbicida, utilizado em quase 100% das lavouras que fazem Plantio Direto.
Agosto, mês de cachorro louco, honrou a sua história, e a gritaria foi generalizada.

Detalhes desse drama estão no Ponto de Vista deste mês, à página 8 desta edição. São decisões emocionais, canetaços tresloucados, de juízes inexperientes e mal informados, que têm o poder de levar o país ao caos.
Mas, “notícia boa!”, escreveu o ministro em sua conta oficial no Twitter, em 23 de agosto, “foi cassada a liminar que proibia o uso do glifosato no Brasil”. Mas, ora ora, continuávamos em agosto, aí o ministro anunciou dia 24 que a notícia boa era uma fake news, e pediu desculpas. A suspensão do glifosato continua valendo, e aguarda-se decisão dos desembargadores.

A matéria de capa, “Água sob medida”, traz informações estratégicas e relevantes aos leitores, sobre as novas tecnologias utilizadas em irrigação, em texto do jornalista Ariosto Mesquita, que relata as experiências de produtores de Goiás e Espírito Santo no uso de diferentes sistemas de uso de água, por pivô, aspersão e gotejamento.
PS. Dois dias depois de Agro DBO de setembro/18 estar circulando o desembargador e presidente do TRF-1 cancelou a ordem da inexperiente juíza, e o país agora vive uma esplendorosa fase de tranquilidade judicial e paz social.
 
No vídeo abaixo destaques da edição:
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Glifosato continua suspenso

Richard Jakubaszko  

Hoje, o ministro Blairo Maggi pediu desculpas e disse que a ordem judicial que proíbe o glifosato continua valendo, e que os recursos solicitando a suspensão estão pendentes de análise com os desembargadores do TRF1 em Brasília...
A "boa notícia" de ontem era uma fake news...
Continuamos um país de loucos!!!
Definitivamente, o Brasil não é um país sério.
Mas amanhã, ou segunda, tudo vai mudar, podem crer...
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ao fazer plantio direto me chamaram de louco

Richard Jakubaszko 
O agricultor Franke Dijkstra, 77, um holandês nato, desde pequeno residente no Brasil, tornou-se um ícone da agricultura brasileira a partir de meados dos anos 1970, junto com Herbert Bartz e Nonô Pereira, quando inovaram e revolucionaram ao fazer plantio de soja e milho na palha, sistema conhecido hoje como plantio direto.
Nesta entrevista para Agro DBO, conduzida pelo editor-executivo Richard Jakubaszko, Dijkstra revela de forma direta os objetivos e as dificuldades enfrentadas naquela época, além de opinar sobre outras questões do agronegócio. Adepto de esportes náuticos, Dijkstra gosta de velejar, aprecia futebol, e torce pela seleção brasileira, mas não tem um time do coração. Foi diretor da Batavo por 12 anos, de 1994 a 2006 com intensa atividade no cooperativismo. Hoje, aposentado, e com os filhos cuidando das atividades a que deu início, Dijkstra tem como paixão da vida, além da família, a agricultura e, em especial, o plantio direto, assuntos sobre os quais ele se dispõe a falar durante horas sem se cansar. Para ele, não se faz nada bem-feito na vida sem conhecimento e paixão.


Agro DBO – São 43 anos de plantio direto. Como foi esse aprendizado?
Franke Dijkstra – Foi a salvação da minha atividade, senão terminava tudo, era como uma espécie de matar ou morrer, tínhamos de correr o risco, não havia opção. Mas me chamaram de louco. Demorou para acreditarem na palha.

Agro DBO – Por que isso, a erosão era o único problema?
Franke Dijkstra – Claro, a erosão estava tomando conta da nossa terra. Sabíamos que tínhamos de mudar. A erosão evoluiu em função da desestruturação do solo. O solo estava degradado, em 9 anos de plantio na minha fazenda, na época com 70 hectares, em que a gente tinha terras cada vez mais fracas pela erosão.

Agro DBO – Sua área de plantio, depois disso, cresceu?
Franke Dijkstra – Hoje estou aposentado, mas entre as terras que meus filhos tocam, mais o genro, temos perto de 2 mil hectares em Carambeí (PR), e na região, tudo em plantio direto, onde plantamos soja, milho, trigo, por vezes cevada, além de várias forrageiras para alimentar o gado leiteiro que a gente cria.

Agro DBO – No início não tinha máquinas para plantar e semear. Como foi isso?
Franke Dijkstra – Não tínhamos nada, saímos do zero, primeiro criamos e adaptamos máquinas na fazenda, dentro do que a gente precisava, fomos inventando e melhorando. Mas isso foi só no primeiro ano, depois disso, no segundo ano a Semeato se interessou e passou a desenvolver uma semeadeira-plantadeira, e a gente acompanhou tudo. Resultou em uma máquina que tinha os discos ondulados, cortava a palha e colocava as sementes em seguida.

Agro DBO – Como foi essa descoberta da palha para segurar a erosão, o que foi que lhe acendeu essa luz?
Franke Dijkstra – Foi a necessidade imperiosa de conter a erosão, e esse problema os americanos também tinham, ouvimos falar, fomos lá olhar, e encontramos na palha um paliativo e depois demos soluções definitivas.

Agro DBO – E como o Senhor vê o plantio direto hoje no Brasil?
Franke Dijkstra – Está avançando muito rápido. Acredito que a safrinha é que impulsionou esse avanço, foi uma das razões mais fortes, no meu entendimento. Porque não tinha como a gente preparar a primeira terra para fazer safrinha, e com isso se observou que as plantas continuavam a crescer na palha, e até melhor, o que fez a cabeça de muitos agricultores para adotar o plantio direto. O que facilitou também é que o agricultor brasileiro não tinha uma tradição antiga, como os americanos, de 4 ou 5 gerações, que sempre preparavam o solo com arado e grade. É uma loucura mudar um sistema tradicional arraigado. Para eles, contrariar a lógica assusta, eles fazem o preparo do solo antes do inverno, e depois precisam do calor na terra para haver a germinação. Isso faz com que eles tenham uma necessidade maior de mexer na terra do que aqui no Brasil, onde não temos a necessidade de arar e gradear o solo para quebrar o congelamento do solo que ocorre no inverno. Vi isso agora, recentemente na República Tcheca, onde eles desenvolveram equipamentos para mexer na terra de 5 a 10 cm de profundidade para permitir misturar bem a palha e poder aquecer o solo na primavera para plantar e ter a temperatura ideal para a germinação.

Agro DBO – Como está o plantio direto no Brasil, comparado a americanos e europeus?
Franke Dijkstra – Quem tem paixão pelo assunto e quer fazer bem--feito, vai para toda parte para ver, aprender e melhorar o que faz. Vi lá, recentemente, solos com grandes problemas de compactação e eles fazem máquinas com 12 até 36 metros, com terraços permanentes, trabalham sempre nas mesmas linhas, para evitar a compactação. Isso facilitou o uso do GPS.

Agro DBO – Mas nós estamos muito mais avançados do que eles em plantio direto.
Franke Dijkstra – Concordo, mesmo nos EUA, nós estamos muito mais avançados do que eles. Ouvi em palestras por lá, de gente que conhece o sistema, em que eles dizem que “temos de aprender com o Brasil, porque lá eles sabem fazer plantio direto”, em função das rotações de culturas e também de culturas de inverno. No sul dos EUA, o plantio direto vai bem; no Kentucky também, apesar de o inverno deles ser mais rigoroso do que o nosso aqui no sul do Brasil. Estive lá, com o Nonô e o Bartz, faz uns 3 anos, quando os americanos completaram 50 anos de plantio direto. Fomos oferecer para a Universidade de Lexington, um busto do Faulkner, que foi o pioneiro e que nos ensinou o abc do plantio direto. Eles entendem que superamos os mestres, porque o clima aqui nos ajuda muito.

Agro DBO – E o ‘seo’ Nonô já se foi… Já o Bartz é brasileiro, mas tem um sotaque de alemão muito forte, enquanto o senhor é holandês e nem tem sotaque…
Franke Dijkstra – (risos) É verdade… Bartz não planta mais nada, agora são os filhos. Eu mesmo estou aposentado e meus filhos tocam o negócio. Transformamos a propriedade numa holding, os filhos arrendam uma parte, o genro uma outra parte, um mexe com máquinas o outro com gado, e os netos futuramente podem arrendar uma parte, ou não, aquele que quiser sair da sociedade os outros podem comprar, tudo isso para não dividir a propriedade. A história mostra que nos EUA tem produtor que chega a arrendar 50 pequenas propriedades para poder plantar em área de bom tamanho, porque esses pequenos não viabilizam mais a propriedade como negócio de plantio, eles ganham mais com o arrendamento do que com o plantio, tudo isso em função da dificuldade de adotar tecnologias em áreas pequenas. Por exemplo, fica quase impossível uma propriedade com 50 hectares poder comprar uma colheitadeira. Se não tiver tecnologia é como jogar dinheiro fora.

Agro DBO – O que o brasileiro faz de errado hoje no plantio direto?
Franke Dijkstra – Falta entrar no sistema de produção, fazendo rotação de cultura. É muita monocultura ainda. Só se faz sucessão, de soja e milho. Mas tem gente que só planta soja, e aí é pior. Tem compactação de solo por baixo da palha, mas esse não é o maior problema, o pior é não ter palha, o que permite a erosão pela água.

Agro DBO – O preço da terra no Brasil hoje está praticamente igual ao do primeiro mundo.
Franke Dijkstra – É verdade, o preço da terra em Campos Gerais (PR) está igual lá fora no Corn Belt, aqui estão falando em R$ 200 mil por alqueire ( = R$ 80 mil por ha). É algo fora de qualquer bom senso.

Agro DBO – O que falta evoluir no plantio direto?
Franke Dijkstra – A capacidade de evoluir está entre as orelhas… Já temos bastante informação, é lógico que sempre tem como avançar mais, dá para melhorar sempre. A agricultura é uma coisa dinâmica, muda todo ano, nunca é igual. Novas doenças surgem, novos problemas, tem que acompanhar e atualizar ou se fica para trás.

Agro DBO – Qual a sua produtividade média em soja hoje?
Franke Dijkstra – Em média 4.700 kg por ha (78 sc/ha).

Agro DBO – E no milho?
Franke Dijkstra – Estamos com 15.300 kg por ha, na safra de verão.

Agro DBO – No concurso de produtividade do CESB este ano o ganhador atingiu 120 sc/ha, e ano passado de 149 sc/ha. Mas os 10 primeiros lugares tinham produtividades superiores a 100 sc/ha. É possível chegar nisso?
Franke Dijkstra – Agricultura é dinâmica. Todo ano é diferente, e é sempre um aprendizado. Este ano, as nossas melhores áreas, as mais planas, tiveram produtividade inferior às das áreas que sempre apresentam baixa produtividade, que é terra arenosa e fraca. Tem a ver com vento, chuvas em demasia, e isso a agricultura de precisão não explica, a gente tem de interpretar as causas. Acho que tivemos excesso de água, e encharcou as raízes. As plantas sabem se defender quando há pouca chuva, elas vão buscar água, mas não sabem se proteger quando há excesso. Eu prefiro menos chuva.

Agro DBO – No início da soja, anos 1970, o produtor plantava em outubro e ia para a praia, voltava em fevereiro para colher, não havia inimigos invasores. Hoje temos de tudo, nematoides, lagartas, insetos de todos os tipos, doenças. O que estamos fazendo de errado?
Franke Dijkstra – Bom, o nematoide se resolve com rotação de cultura e matéria orgânica, isso acaba com os problemas de solo. Agora, a ferrugem da China está ligada ao clima, tem de monitorar, essa ferramenta é fundamental; a mesma coisa com insetos, monitorar e ser rápido na decisão. Hoje em dia tem de ter conhecimento, usar tecnologia, caso contrário não se faz agricultura.

A sociedade tem de fazer escolhas. No ambiente urbano, o homem pode escolher se morre intoxicado aos 90 anos ou morre de fome aos 40.

Agro DBO – Antigamente se dizia “meu filho, vai estudar, senão você tem de ficar na roça”. Hoje se diz “meu filho, estuda pra arrumar trabalho e renda na roça”. Mudou, não é?
Franke Dijkstra – É verdade. Uma vez um vizinho foi pra praia e deixou o cunhado dele pra cuidar da soja. O cunhado tinha cerveja na geladeira, abusou dela, e esqueceu-se do resto. Um vizinho avisou “as lagartas já estão no vizinho, estão pedindo carona na beira da estrada”, mas ele não deu bola. Perdeu quase tudo. Na época eu tinha um plantio de milho nas bordas, nem pulverizei, tinha rotação de cultura, e as lagartas da soja não se adaptaram ao novo microclima, e não vingou o ataque das lagartas, porque o microclima era outro. Normalmente, quando está seco, o ataque das lagartas é severo. A lagarta avança na pobreza. Quando a planta está sadia ela resiste melhor aos ataques dos inimigos. E planta bem alimentada se defende melhor ainda. Esse equilíbrio é fundamental.

Agro DBO – Tem uma nova linguagem hoje, a agricultura orgânica. Dá para fazer agricultura orgânica em grãos?
Franke Dijkstra – Dá, não é? Só que vai comprometer o solo. O nosso solo não resiste, é muito frágil. O maior pesticida para as nossas lavouras ainda é o arado, que é um predador do solo. Na economia de escala é impossível. Um ataque de lagartas, num ambiente seco, não se faz controle organicamente disso, só se tiver chuva forte, e tem de ter muito inimigo natural.

Agro DBO – Qual a seria a opção?
Franke Dijkstra – A sociedade humana no ambiente urbano tem de fazer escolhas, pode escolher morrer intoxicado aos 90 anos, ou morrer de fome aos 40. Não há opção. Vai faltar comida, ninguém faz milagre. Hoje temos pelo mundo afora falta de área para plantar.

Agro DBO – Portanto, temos de melhorar o que se faz na agricultura. Qual o combustível para isso?
Franke Dijkstra – Ou se faz isso por dinheiro, para ganhar, ou pela paixão pela agricultura. Ainda acho que o melhor insumo é a paixão pela atividade, para fazer a coisa andar tem de gostar. E tem de dividir com os outros, com os vizinhos, os amigos, sozinhos não fazemos nada. O Nonô já se foi, mas ele sempre dizia um ditado holandês: “ninguém é insubstituível. E os cemitérios estão cheios de insubstituíveis”.


Entrevista publicada originalmente na revista Agro DBO, edição nº 102, agosto 2018. Proibida a reprodução sem a autorização expressa dos editores.
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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Negócio fechado

Richard Jakubaszko   
A matéria de capa da Agro DBO de agosto 2018 traz a reportagem “Negócio fechado”, em texto do jornalista Ariosto Mesquita, que relata a expansão do cooperativismo, especialmente o paranaense, para outros estados onde a agricultura está se consolidando. Assim, vemos que o cooperativismo mostra a força do seu lado capitalista, investindo em outros mercados para fazer crescer a atividade, seja captando novos cooperados, conquistando novos clientes, e obtendo matéria-prima para alavancar novas agroindústrias processadoras de alimentos. De outro lado, o cooperativismo exerce a força máxima da sua filosofia, o “todos por um”, em que o trabalho de todos reverte para benefícios comuns.

O ex-ministro da Agricultura Luís Carlos Guedes Pinto, em artigo nesta edição, desenha uma proposta inédita ao governo e aos líderes do agro, a ideia de zerar o subsídio ao crédito agrícola destinado aos agricultores chamados de profissionais, e com o montante dessa economia proporcionada ao Tesouro Nacional direcionado para alavancar o sistema de seguro agrícola e de renda agrícola. Sistema que ainda é insignificante no Brasil se comparado a outros países com agricultura profissionalizada, onde o seguro de renda existente garante aos produtores rurais a sobrevivência, mesmo em casos de quebra drástica de safra.

O pioneiro do plantio direto, o holando-brasileiro Franke Dijkstra concedeu entrevista exclusiva para Agro DBO e relatou o que foi a epopeia de descobrir e implantar o sistema de plantio na palha. Dijkstra relata que na época foi chamado de louco, mas enfatiza que não havia opção, era dar certo ou morrer como produtor rural. A entrevista é uma narrativa objetiva e direta, um registro histórico que faltava na imprensa brasileira especializada no agro. E se não tivesse dado certo?

O professor de mecanização agrícola da Universidade Federal do Mato Grosso, o agrônomo Thiago Machado, escreveu artigo sob encomenda da redação da Agro DBO para demonstrar que há maneiras paliativas para driblar a ausência de conectividade e mesmo assim usar algumas das facilidades das novas tecnologias embarcadas e da agricultura de precisão.

No horizonte do agro há uma luz amarela, considerando que a crise econômica ainda não chegou, pois a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) divulgou que o Índice de Confiança do Agronegócio caiu 8,6 pontos percentuais no trimestre, fechando em 98,5 pontos, abaixo do índice de 100, considerado o nível de normalidade.

No vídeo abaixo mostramos uma série de destaques da edição 102 da Agro DBO, vale a pena ler a edição impressa.


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