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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Qual é a saída para o Brasil?

Richard Jakubaszko  

A saída é pelo túnel... E o presidente administra as crises econômica, política e sanitária no país como se a saída fosse a luz que ele vê no fim do túnel, que ainda não é uma locomotiva na contramão. Briga pela primazia de quem vai aplicar a primeira vacina contra o coronavírus, se ele ou o governador de São Paulo. Mostra a pequenez da mentalidade do ex-capitão, e de seus seguidores no governo.
Simplesmente medíocre.


 

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sábado, 17 de agosto de 2019

O naufrágio avisado

Fernando Brito *
O Estado brasileiro quebrou, confessa-o o próprio presidente da República.

Está na capa dos maiores sites de notícia, mas não sei se sobreviverão como manchetes até amanhã.

Afinal de contas, o que importa o Estado, este Leviatã maldito que querem nos fazer crer que destrói a prosperidade do país?

 
Que importa que ele seja quem dê escolha à imensa maioria das crianças?

Que importa que seja ele quem forme a imensa maioria dos professores, dos mestres, dos doutores deste país?

Ou que seja quem atenda, examine, cuide, opere e cure a imensa maioria da população.

Ou que pague o mercado, o remédio, o aluguel da multidão de aposentados deste país.

 
Não, ele é um bicho maligno, uma sanguessuga, que fica “no cangote” do empreendedor, do empresário, do madeireiro, do latifundiário, do empreiteiro, exigindo que eles recolham obrigações sociais, que deem banheiro para seus trabalhadores, que não lhes botem a dormir sobre tábuas, nem a beber água suja…

 
Este estado maldito, que faz pagar previdência da empregada, não bastasse o favor que se faz ao deixá-la comer a comida fria, na cozinha…

Importa apenas que não quebre para pagar os credores de suas dívidas. Uma bobagem de R$ 300 bilhões ao ano…

Aí, sim.

Calote, não; morte, sim, fome, sim, abandono também…


Nossos falsos nacionalistas, de camisetas verde-amarelas nos ensolarados domingos praianos jamais entenderiam Castro Alves e seu “antes te houvera roto na batalha que servirdes a um povo de mortalha”.


Vamos nos aproximando, exauridos, de uma imensa crise, como um navio que receberá pela popa o mar revolto e terrível. Não temos velas, não temos lastro, fazemos água por todos os porões.

Mas isto é uma bobagem: afogar-se-ão os das galés, não os das primeiras classes, dos conveses superiores.

Os dos porões não chegam ser bem gente como nós. 


* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/o-naufragio-avisado/


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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

71% dos juízes estão fora da lei, ganhando acima do teto.

Fernando Brito *

Os números pedidos pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, aos tribunais de justiça de todo o país mostra quão estarrecedor é o quadro de supersalários no Judiciário.

71,4% dos juízes – 11,6 mil do total de 16 mil existentes no país – ganha acima do teto de R$ 33,763 por mês que Cármen Lúcia e seus colegas de STF recebem e estão, portanto, com vencimentos fora da lei constitucional.

De acordo com tabulação feita por Marlen Couto, em O Globo , este grupo recebe, em média, R$ 42,5 mil mensais, por cabeça. E 52 ultrapassam R$ 100 mil.

São eles que vão ensinar ao país o que é legalidade e o que é ética?

É claro que uma minoria não está entregue à farra de vantagens, mas 71%, sete em cada dez juízes não tem condições morais em falar de moralidade, ao pedirem – como a “escrava” Luislinda Valois – ou aceitarem, em seu próprio benefício, arranjos e vantagens que os colocam como privilegiados.

Não é muito diferente a situação de seus “parceiros da pureza” do Ministério Público.

São os homens da lei brasileiros, que vergonha!

Que noção podem ter das carências, dos sofrimentos, das privações dos cidadãos a quem julgam, a quem mandam prender, mais de 700 mil deles, atualmente?

E se a D. Cármen Lúcia quiser falar algo, que só fale depois de cobrar ao valente Luiz Fux, o topetudo ministro que sacramentou a indecência do “auxílio-moradia” sem moradia.

Para por ordem na casa dos outros é bom começar na sua própria.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.com.br/blog/71-dos-juizes-sao-foras-da-lei-ganhando-acima-do-teto/
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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Crônica de um país dominado pelo crime

Luís Nassif



O que se tem, nesse exato momento, é um vácuo político amplo no cenário brasileiro.
A grande lambança do impeachment esgotou os templários, que guerrearam na linha de frente. A terra começa a se assentar. E, agora, em cima da terra arrasada, observa-se um saque indiscriminado, com os órgãos de controle inertes, sem condições políticas e institucionais de agirem.
Os principais personagens do impeachment estão no seguinte estágio:

STF
Sem comando, sob a presidência frágil de Carmen Lúcia. Aliás, desde o primeiro momento se sabia da sua fraqueza. Mas a realidade virtual se impôs tanto sobre o mundo real, que a Globo chegou a apostar em Carmen Lúcia como alternativa política.
O STF está sendo agredido por todos os lados. E, internamente, não tem coesão para reagir. A cada dia, mais um Ministro ensaia seus voos solos, liquidando com a ideia de colegiado. Agora, é o inacreditável Alexandre de Moraes que vem se juntar ao onipresente Gilmar Mendes e ao diáfano Luís Roberto Barroso.
O único avanço que ocorreu foi uma pausa nas manipulações dos sorteios, muito mais por dar na vista do que por qualquer medida saneadora.

CNJ
O comando passou às mãos suspeitíssimas do corregedor João Otávio Noronha. Trata-se de um antigo advogado do Banco do Brasil, que chegou ao Superior Tribunal de Justiça por conta de ligações políticas e que coleciona uma enorme fieira de sentenças polêmicas.
Valendo-se da fragilidade de Carmen Lúcia, Noronha deu início a uma campanha macarthista no âmbito do CNJ, contra juízes de pensamento político diferente do seu.
A Ministra que se vangloriava de defender os seus - “onde um juiz for atacado, lá estarei para defendê-lo” - isenta Aécio Neves e permite o ataque aos juízes que não compactuam com o pensamento do corregedor.

Mídia
Perdeu totalmente o rumo. O poder de que se revestiram é proporcional à crise econômica que assola os principais grupos.
Ficaram a reboque da Lava Jato. E valem-se de seu poder de pautar e serem pautados para vender proteção. Hoje em dia, os repórteres estão proibidos de mencionar os problemas de grandes anunciantes. É o que explica o estardalhaço da Operação Acrônimo ter se limitado à Odebrecht, e Gol e CAOA ficarem de fora.

Lava Jato
A perseguição a Lula se tornou escandalosa até para os veículos mais alinhados com o impeachment. Cada martelada na legalidade expõe a parcialidade da Justiça e a impotência do STF.

Governo Temer
À vontade. Uma organização criminosa explícita que expõe, com notável didatismo, a hipocrisia dos sistemas de poder no país. Eliseu Padilha desnuda a alma nacional em toda sua crueza: qual é o preço? Eu pago. E paga com emendas, portarias, leis, vendas de estatais, perdas de direitos.

A vontade nacional
Alguns dos negócios afetarão a vida do país por décadas, mas o país está dividido por corporações em todos os níveis.
Juízes, advogados, procuradores, imprensa se valem da máxima: mexeu com um, mexeu com todos! Em todos os núcleos institucionais, talvez seja a palavra de ordem mais ecoada. E não há uma força sequer para defender interesses nacionais ou interesses dos vulneráveis acima dos interesses corporativos menores.
No CNJ, a Ministra Carmen Lúcia anunciou a recriação de um grupo de trabalho para resguardar a liberdade de imprensa, exclusivamente dos grupos de mídia.
Os setores desorganizados ou vulneráveis ficam expostos a toda sorte de abusos.
Nesse período do impeachment e do pós-impeachment, recaíram ameaças sobre juízes e procuradores que ousaram se manifestar contra o golpe. Enquanto os setores majoritários gozam de liberdade para toda sorte de protagonismo político.

A legitimidade e a política
Por mais selvagem que seja o jogo político, por mais primário que seja o sentimento civilizatório nacional, não há jogo que se mantenha sem uma nesga de legitimidade
É bobagem achar que a falta de reações imediatas seja aceitação dos absurdos que estão sendo cometidos. De escândalo em escândalo, de impotência em impotência vai-se pavimentando a próxima etapa política, na qual inevitavelmente aparecerá um Bonaparte.
A única incógnita é sua extração política, mas será inevitável que o espaço seja ocupado por uma personalidade política autoritária, tais as disfunções do aparelho institucional brasileiro.


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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Supremo enquadrado

Richard Jakubaszko  

O que será que aconteceu?
Supremo enquadrado?
Ou submisso?
Claro que sim.
Leniente, talvez.
Conivente, também.
Medroso, claro.

Antigamente, decisões do Supremo eram cumpridas, sem discussão.
Hoje, são alteradas no plenário.
Com teatrinho.
É o "nóis decide, mas eles fazem o que querem".
Vergonha do judiciário. Do Legislativo, e mais ainda do Executivo não eleito.
E pensar que estamos num país escandalosamente judicializado.
Que exerce o poder de forma engajada, é politicamente partidário.
O Brasil é uma nação injustiçada.
Onde a impunidade venceu, definitivamente.
Imunidade para os amigos do Rei.
Aliás, sempre foi assim.
Minha indignidade é atemporal.
A vergonha é contemporânea.
Desse jeito, o Brasil não tem solução.

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sábado, 15 de julho de 2017

Delação de Cunha dirá que votos do impeachment foram comprados. E o STF?

Fernando Brito *
Disse o Ricardo Noblat que parte da delação premiada de Cunha já foi aceita: a que conta quem foram os deputados – a maioria do PMDB – que receberam dinheiro para votar pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Cunha não se limitou a dar os nomes – a maioria deles do PMDB. Citou as fontes pagadoras e implicou o presidente Michel Temer. Reconheceu que ele mesmo em alguns casos atuou para que os pagamentos fossem feitos.

Então ficamos assim: Michel Temer, cuja ascensão ao governo foi comprada, fica no poder mais algum tempo, até que caia por outras bandalheiras, se os seus companheiro de bandalheira deixarem que caia.

Se cair, entra seu companheiro de bandalheira, eleito presidente da Câmara pelos companheiros de bandalheira que, segundo o super-bandalho Cunha, foram comprados para colocar Temer no Governo anulando o voto popular.

Se a elite brasileira perdeu a vergonha completamente diante do seu povo – a quem considera um estorvo indolente – ao menos pense no vexame internacional que este país passa, solenemente ignorado em qualquer foro sério e, de fora, só atraindo os negócios “espertos”, que eram da China e, agora, são de todos (até da China!) “negócios da china no Brasil”.

Fico pensando nos nossos puros, castos, doutos e moralíssimos juízes, especialmente os empavonados do Supremo.

Se compararmos bem, o Brasil vive a mesma situação que seria aquela em que a Justiça determinasse o pagamento do seguro de vida dos pais assassinados àquela Suzane Richthopfen.

Mas está tudo bem: Lula foi condenado e Bolsonaro sobe nas pesquisas.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/delacao-de-cunha-dira-que-votos-do-impeachment-foram-comprados/

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Não se engane: é primavera no Brasil!

Francisco Carlos Teixeira da Silva *

Muitos brasileiros tinham esperança, ou ao menos expectativas, na atuação da Justiça. Mesmo sabendo que os tribunais brasileiros são lentos, formais e que se expressam num leguleio que poucos entendem – mesmo assim! – esses brasileiros tinham esperanças. Não podíamos crer, materializar, o dito antigo de que a Justiça no Brasil é feita – e com dureza! – apenas para ladrão de galinhas. “Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei!”. Nem muito menos podíamos imaginar que seria através de tribunais brasileiros que interesses estrangeiros declarariam guerra ao Brasil.

Uma guerra de novo tipo: uma guerra sem guerra, ou seja, uma guerra que usa meios não bélicos para destruir, solapar, aniquilar a capacidade do adversário. Assim, utilizando-se de modernos meios tecnológicos – mídias digitais, propaganda massiva, formação de quadros de elite em universidades estrangeiras, sistemas de estágios e bolsas de estudos em centros de treinamentos, etc… arma-se uma elite para atuar a serviço, consciente ou inconscientemente, desse poder estrangeiro.

O Brasil não seria o primeiro alvo. Na verdade Ucrânia, Líbia, Egito, Tunísia, Síria, Geórgia e Turquia foram alvos anteriores desse modelo novo de guerra – uma guerra que não precisava recorrer aos custosos meios tradicionais de luta com canhões, bombardeios e destruição de cidades. Podia-se fazer a guerra a bem dizer… sem guerra. Por outros meios. Não era exatamente uma “guerra híbrida” ainda. A guerra híbrida misturaria meios novos e meios tradicionais. Por enquanto, nas chamadas “primaveras”, a guerra seria “sem guerra”.

Para funcionar a “guerra sem guerra”, precisa-se conhecer bem o ponto fraco do inimigo. No caso brasileiro foi fácil: homens do talho de Victor Nunes Leal e Raymundo Faoro já apontavam para a chaga aberta do país – o caráter patrimonial do Estado brasileiro. O patrimonialismo, no perfeito conceito de Max Weber, permitiu que uma elite parasitária colonizasse o Estado e cooptasse tudo e todos que se apresentem como “o novo”, “o transformador”, “o renovador”. Trata-se do velho “transformismo” das elites, e de seu poder de cooptação, tão bem descrito por Jorge Amado em seu personagem “Doutor Mundinho”, de “Gabriela, cravo e canela”.

Cabia, posto, utilizar-se dos males propiciados pela elite corrompida do país como brecha para iniciar o ataque à soberania nacional. O interessante é que tal ataque a nossa soberania seria feita pela parcela, aparentemente, não corrompida dessa mesma elite. Estrangeirada, imbuída do élan “renovador”, tal elite embora inteiramente colonizada, vestida, como no dizer de Frantz Fanon, com a máscara do colonizador para impor ao seu próprio povo um modelo importado e alienado. A elite “renovadora”, capacitada em centros estrangeiros,em nome de uma pureza que só o “outro perfeito”, “o estrangeiro”, “o espelho” em que devemos nos mirar e, assim, deixar de ser o que somos para ser a cópia mascarada do “Outro” colonizador, renega sua própria gente, sua história e suas tradições.

Com tudo isso destrói as bases da própria soberania nacional.

A Operação Lava-Jato abriu, sim, para muitos, a esperança de que as coisas mudariam, o patrimonialismo de mais de quatro séculos seria arrancado pelas raízes e que o país seria “passado a limpo” – mas, infelizmente, só miravam no espelho do Outro, do estrangeiro. Depois de seus cursos e estágios no exterior se sentiam prontos para a hercúlea tarefa de “limpar” o Estado brasileiro, tomando-a como “missão”. De qualquer ponto que puxassem o fio viria o novelo de pecados da história-pátria: propinas, sinecuras, prebendas, filhotismo, estelionato, favoritismo, peculato, e tanto mais… Contra uma “história feia”, a nossa, a da própria pátria, considerada viciosa, apunham a história virtuosa d´“Outro”, sem saber que a história desse “Outro” é uma pura construção mítica, ideológica, benzida na pia da religião.

Incultos na sua erudição tomaram o mito d´Outro como história.

Iniciaram-se, então, os procedimentos jurídicos, o flanco da “guerra sem guerra”, a primavera do Brasil: afinal poderosos iriam para prisão. E realmente foram. Foram mesmo? Bem, Eduardo Cunha – uma unanimidade nacional, uma espécie de “meu malvado predileto” da Nação – mas, só depois que cumpriu seu papel, o de defenestrar Dilma Rousseff do seu cargo via acusações que seriam nos meses seguintes “fichinha”, “crime” de freira de colégio interno, face ao chorume a vazar do Congresso Nacional nos meses seguintes ao seu impeachment.

Bom, prendeu-se Cunha com seu aspecto melífluo, sua voz dissimulada, suas mãos felinas e seu cabelo oleoso e com aparência de caspa severa – está lá! Condenado a 15 anos de prisão! No entanto, sua esposa – uma jornalista de grande experiência foi considerada inocente, pois não sabia de onde caía o dinheiro no seu generoso cartão de crédito… Há quem mais? Ah, não… Esse está livre; este outro… Fez delação e foi solto; aquele… hum, foi liberado e…. acolá outrem está em prisão domiciliar.

O próprio Cunha é personagem central de tramas noturnas da República e continua sendo personagem central no “esquema” (ou será “organização”, um sinônimo talvez de “quadrilha”) que sustenta com propinas e malas cheias o presidente em exercício. Portanto, é, em verdade, um homem mais livre que a maioria dos 204 milhões de brasileiros que não escolheram seu presidente e com passes de equilibrista esticam seus salários até o mês seguinte!

Ah, temos sim um prisioneiro da Lava-Jato: o Almirante Othon Silva, condenado a 43 anos de reclusão. Um homem que prestou inúmeros serviços à Pátria, que enfrentou terríveis forças internacionais para dotar o país de uma tecnologia única e avançada, resistindo heroicamente às pressões ocultas de grandes potências. Envergonhado, após a prisão, tentou o suicídio. Mostra caráter! Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, qual outro político escreveu sequer uma linha de arrependimento? Nada!

Muito pelo contrário continuam, com recursos escusos, conspirando contra a ordem constitucional da República. No entanto o tribunal entendeu que o homem que dotou o país de alta e exclusiva tecnologia de ponta, um saber estratégico para a Nação, merecia uma pena 3.7 vezes superior ao mago do mal que presidiu o Congresso Nacional, o senhor Eduardo Cunha. Decidiu-se punir um Almirante muito mais do que quaisquer um dos malfeitores que roubam não só o dinheiro, mas principalmente o bem maior do povo, roubam o voto dos cidadãos.

Temos, contudo, como explicar mais esse paradoxo: como permitir que um país com tantas riquezas como o Brasil pudesse se dotar de uma tecnologia nuclear autônoma? Tinha-se que exemplificar em alguém o castigo para parar, deter e nunca mais permitir a ousadia de uma mera colônia neo-extrativista de ser, de fato, um país verdadeiramente soberano.

Como se não bastasse, o mesmo tribunal, aliado a governos estrangeiros, condenam as empresas brasileiras. Isso mesmo, as empresas. Não condenam apenas os executivos responsáveis pelos atos de corrupção, condenam as empresas. Ou seja, em vez de julgar “CPFs”, o tribunal julga “CNPJs”. Condenando as empresas com multas bilionárias a serem pagas a governos estrangeiros, conseguem gerar desemprego massivo, destruição de postos de trabalho, extinção de modernas tecnologias, subdesenvolvimento e a retirada do Brasil de mercados duramente conquistados. E os executivos? Bem, esses são “premiados” e vão para casa! Uma tornozeleira aqui, outra ali; uma retenção de passaporte de um e de outro não… e para outros nenhuma punição! Ou seja, as empresas, os “CNPJs”, são condenadas, caminham para extinção, o desemprego campeia, os trabalhadores sofrem e os executivos – “CEOs”, gostam de dizer! – vivem feliz o resto da história!

Nem as empresas que colaboraram, e mesmo colocaram em funcionamento o Holocausto durante o Terceiro Reich, foram punidas desta forma. A punição recai sobre seus proprietários e executivos e hoje são orgulho da nova Alemanha. Aqui, como se não bastasse a contaminação de valores intangíveis das empresas, devora-se a própria capacidade das empresas sobreviverem. Assim, a engenharia, a pesquisa geológica, a mineral, agropecuária, ferroviária, a engenharia de alimentos, os laboratórios das universidades, transportes e logística passam a ser alvo de uma operação profunda de desmonte.

Enquanto isso, outros produtores/fornecedores internacionais, concorrentes do Brasil, ocupam fatias crescentes de mercados tradicionalmente do país. A capacidade de agregação de valor despenca e cada vez mais nos aproximamos de uma situação de colônia neo-extrativista.

Trava-se, assim, uma “guerra sem guerra” na qual o futuro da soberania nacional está em jogo. E o mais triste de tudo é que o povo brasileiro nada sabe sobre guerras.

* o autor é historiador, ganhador do Prêmio Jabuti, 2014.
Publicidado no Jornal GGN: http://jornalggn.com.br/noticia/nao-se-engane-e-primavera-no-brasil-por-francisco-carlos-teixeira

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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Inventamos o presidencialismo sem presidente. E sob ele navegamos à deriva

Luís Costa Pinto *
Poucas vezes fora da excepcionalidade da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988 assistimos ao Congresso Nacional trabalhar tão intensamente como na semana passada. Raras vezes os parlamentares brasileiros impuseram às Mesas Diretoras das duas Casas Legislativas o ritmo frenético de fazê-las aprovar seis, sete medidas provisórias num único dia em que as comissões temáticas e especiais também funcionaram. Esta semana não será diferente. É provável que os presidentes da Câmara e do Senado, em meio a rol inédito de legislações mais e menos relevantes, aprovem até um novo rito de tramitação de medidas provisórias destinado a impor limites ao Poder Executivo na facilidade com que ocupantes do Palácio do Planalto acionam o dispositivo que deveria ser extraordinário. De quebra, dificultariam a subida de jabutis ao topo das MPs. Dá-se o nome de jabutis a artigos e temas estranhos ao assunto original das medidas, introduzidos por legisladores no curso da tramitação.

Poder não conhece vácuo. Se conhecesse, seu nome seria desordem. Em razão disso, a explicação para o furor legisferante por que passa a Capital da República desde que a divulgação das gravações de Michel Temer com Joesley Batista, dia 17 de maio, promoveu o sequestro da autoridade governamental tornando o chefe de governo refém de fatos que não domina: o poder real se deslocou, em Brasília, para os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e da Procuradoria Geral da República.

Não há mais agenda de reformas “do governo”. Há reformas constitucionais que foram enviadas pela equipe de governo ao Parlamento, como a trabalhista e a da Previdência Social, que a essa altura já foram tão dramaticamente esquadrinhadas e reescritas que não são mais propriedade intelectual de ninguém na Esplanada nem no Palácio do Planalto. Além dessas duas, Câmara e Senado impuseram a Reforma Política e um arremedo de Reforma Tributária. Contra a vontade do Planalto, os presidentes da Câmara e do Senado abriram interlocução direta com governadores e renegociam dívidas estaduais. Esta semana os senadores devem iniciar discussão em torno de um novo modelo de ISS.

Quem selou a sorte do ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio, trocado pelo advogado Torquato Jardim, não foi nenhuma ideia inspiradora do chefe de governo. Ao menos dois parlamentares procuraram Temer entre a noite de sexta-feira, dia 26/5, e a manhã do domingo, dia 28/5, para exigir dele a demissão de Serraglio. O motivo: inapetência para o cargo e incompetência ante os subordinados. Esses mesmos conselheiros, contudo, coraram ao saber da surpreendente decisão de remover o ex-ministro da Justiça para o “ministério da Transparência”, nome pomposo dado à velha Corregedoria Geral da União que sempre funcionou a contento. Informados da troca, resignaram-se a fazer leve advertência de que daria marola. Está dando.

Encurralado pelas denúncias que se avolumam contra si e contra sua equipe, Michel Temer não tem muito tempo para cuidar dos assuntos de governo. A Reforma da Previdência, antes vendida como pedra de toque do redirecionamento da economia, saiu do controle do Executivo. É hoje, muito mais, uma agenda imposta pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ao seu colegiado do que prioridade palaciana. A Reforma Política tem sido tema tratado com maior denodo pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, do que pelo demitido do ministério da Justiça – a quem cabia a condução dos debates iniciais sobre o tema.

Se ao Congresso tem caído bem o protagonismo das ações de governo real, ao Judiciário reserva-se o papel de ator central nos fatos que podem emparedar de vez a gestão de Temer – transformando-o, ou não, em nota ou verbete de enciclopédia de História.

A partir do dia 6 de junho o TSE será dono do cronômetro que demarcará o prazo desse governo. Já nos próximos dias o plenário do Supremo Tribunal Federal decide sobre a manutenção ou a interrupção dos inquéritos contra o chefe de governo. E o Ministério Público tem em mãos um arsenal completo de variados calibres para seguir bombardeando ou estancar o fogo contra o Planalto. Cavada a trincheira na aresta norte da Praça dos Três Poderes, os palacianos só se defendem. Não conseguem ter proatividade nem no flanco judicial, nem no flanco legislativo.

Nação peculiar que contempla um obelisco espetar a paisagem de sua maior metrópole, São Paulo, sabendo-o dedicado a uma derrota – a dos rebeldes constitucionalistas de 1932 –, caso único no mundo em que se ergue tal monumento para celebrar uma revolução perdida, o Brasil tratou de consignar novas bizarrices em sua biografia de Estado singular.

Já tivemos um imperador, Dom Pedro 2º, celebrado no New York Times, ao ser derrubado, como “um monarca democrata” e “o mais republicano dos chefes de Estado da América do Sul” (o Brasil era, como se sabe, a única monarquia do subcontinente). Agora, Osmar Serraglio, investigado na Operação Carne Fraca e gravado pela Polícia Federal que comandava, vira “ministro da Transparência” a fim de segurar no mandato parlamentar (e com o foro privilegiado) o deputado Rodrigo Rocha Loures, flagrado em corrida desabalada com mala contendo R$ 500 mil – depois devolvida à PF com apenas R$ 465 mil. Os fatos mantiveram Serraglio na equipe de governo: na lógica dos palacianos, demiti-lo seria um desastre não para o país, mas para a estratégia de defesa da intrépida trupe.

Se um governante já não expressa suas vontades por meio do governo, se a Nação caminha à revelia daquilo que emana do Palácio, urge concluir que inventamos o Presidencialismo sem presidente e sob ele navegamos à deriva.

* o autor é jornalista.

Publicado originalmente no Poder360: http://www.poder360.com.br/opiniao/opiniao/inventamos-o-presidencialismo-sem-presidente-e-sob-ele-navegamos-a-deriva/
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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Delação premiada: o interrogatório

Richard Jakubaszko
Finalmente, um vídeo que mostra como são feitos os interrogatórios das delações premiadas. Este, em vídeo feito nos Estados Unidos, mostra Noel numa conversa com um procurador, mas no Brasil funciona de forma tupiniquim, num formato muito mais eficiente, confiram como é nos EUA:

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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Avança agenda da privatização da água, no Brasil e no mundo.


Leandro Batista Pereira
Em meio à crise hídrica vivenciada em várias regiões do globo, como no Sudeste do Brasil, diversas propostas de privatização dos recursos hídricos têm avançado, nos últimos anos, geralmente, envolvendo grupos de investimentos transnacionais. O ponto central da agenda é passar a considerar a água como mais uma mera commodity, assim como tais grupos consideram os alimentos, em vez de um direito fundamental de todos os seres humanos.

No México, um escândalo revelado no ano passado proporciona uma visão pedagógica sobre o tema.
Em maio de 2014, o sítio israelense Globes, especializado em assuntos econômicos, noticiou que Natan Eshel, ex-assessor do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, havia construído a sua fortuna pessoal com um acordo entre o governo do México e a estatal de águas israelense Mekorot. Segundo o jornalista mexicano Alfredo Jalife-Rahme, a empresa havia sido expulsa da Argentina sob a acusação de promover um “apartheid da água” contra 4,5 milhões de palestinos nos territórios ocupados por Israel (La Jornada, 11/04/2015).


Eshel teria negociado com David Korenfeld Federman, que presidiu a Comissão Nacional de Água mexicana (Conagua) de 2012 até abril de 2014, quando renunciou devido a pressões por ter utilizado um helicóptero oficial para fins pessoais. Federman teria utilizado a sua influência na Conagua para favorecer o estabelecimento de contratos com a Mekorot, em um esquema de privatização de recursos hídricos do país.


Dentre as negociatas denunciadas pelo Globes, inclui-se um acordo firmado entre Eshel e a Conagua para que a Mekorot assumisse a purificação de fontes de água contaminadas no México. Como intermediário das negociações, Eshel teria arrecadado de 5% a 8% do valor do contrato assinado pelo órgão mexicano.

Outra iniciativa de Federman foi a apresentação do projeto da Lei Geral de Águas, na Câmara de Deputados, em fevereiro de 2014, a qual foi adequadamente batizada “Lei Korenfeld”. A proposta visava uma extensão a todo o país do modelo de privatização dos recursos hídricos que ele mesmo implementou no Estado do México, quando ocupou os cargos de secretário de Águas e Obras Públicas e presidente da Associação Nacional de Empresas de Água e Saneamento do México (ANEAS), de 2007 a 2012, antes de assumir a Conagua, já no governo de Enrique Peña Nieto.

O modelo implementado no Estado do México privilegia a construção de infraestrutura hídrica que, basicamente, privilegia quem paga pela água, promove a concessão de grandes obras hidráulicas no entorno das principais cidades e dá à Conagua o poder de conceder concessões prorrogáveis por até 60 anos para empresas interessadas (SinEmbargo, 6/04/2015).


Críticos do projeto de lei afirmam que ele tende a encarecer o acesso à água, afetando os segmentos mais pobres da população e colocando a soberania hídrica do país nas mãos da iniciativa privada. Além disso, a “Lei Korenfeld” ainda promove uma “criminalização” das pesquisas científicas, determinando em um dos seus artigos uma punição financeira a qualquer pessoa que realize estudos, monitoramento e tratamento dos recursos hídricos mexicanos sem autorização prévia da Conagua. Com isso, nenhum pesquisador universitário ou cidadão poderia, por exemplo, obter informações que questionassem os dados oficiais sem o consentimento do órgão.

O avanço de Wall Street sobre os recursos hídricos
O interesse dos grandes investidores internacionais está longe de restringir-se ao México. De fato, megabancos e grandes grupos de investimentos estão se dedicando a tais investimentos em uma escala sem precedentes, entre eles o Goldman Sachs, JP Morgan Chase, Citigroup, UBS, Deutsche Bank, Crédit Suisse, Macquarie Bank, Barclays Bank, Blackstone Group, Allianz e HSBC. O foco desses investidores tem sido a aquisição de terras com aquíferos, lagos, direitos sobre a exploração comercial de recursos hídricos e a participação em companhias de tecnologia engenharia hidráulica que atuam em âmbito global.


Já em 2008, dando a tônica da ofensiva global pela privatização da água, o Goldman Sachs afirmou que a água seria “o petróleo do século XXI”, assegurando que os investidores que se dedicassem a esse recurso natural teriam grandes lucros. Naquele ano, a indústria mundial da água já movimentava 425 bilhões de dólares em todo o planeta. Em uma conferência sobre “Os Cinco Maiores Riscos” daquele ano, o banco assegurou que uma estiagem de grandes proporções seria uma ameaça muito maior para a humanidade do século XXI do que uma queda na produção de alimentos ou de energia.


O Goldman Sachs tem um profundo conhecimento de causa, quando fala da aquisição de recursos hídricos por grupos privados: desde 2006, o megabanco se tornou um dos maiores investidores em infraestrutura no mundo, incluindo empreendimentos hídricos.

Outros grandes fundos de investimentos em recursos hídricos têm se formado nos últimos anos, entre os quais se destacam: Calvert Global Water Fund (CFWAX); Allianz RCM Global Water Fund (AWTAX); PFW Water Fund (PFWAX); Kinetics Water Infrastructure Advantaged Fund (KWIAX).

Além disso, foram criados diversos índices para investimentos relacionados a recursos hídricos: Crédit Suisse Water Index; HSBC Water, Waste, and Pollution Control Index; Merrill Lynch China Water Index; S&P Global Water Index; First Trust ISE Water Index Fund (FIW); International Securities Exchange’s ISE-B&S Water Index.

Igualmente, há conhecidas figuras internacionais entre os pioneiros dos investimentos em títulos de propriedade e licenças de exploração de recursos hídricos. Um exemplo é o ex-presidente dos EUA George H. W. Bush (1989-1993), que, em 2005, adquiriu 80 mil hectares de terras na região do Chaco Paraguaio, situados sobre o Aquífero Guarani e próximo à Tríplice Fronteira Argentina-Brasil-Paraguai. No ano seguinte, sua neta Jenna Bush ampliou a área em mais 40 mil hectares no ano seguinte, aprofundando a presença de uma das famílias mais ricas e influentes dos EUA no país vizinho.

Para colocar em perspectiva, o Aquífero Guarani é considerado o segundo maior aquífero do mundo (segundo a Wikipedia), com uma área total de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Possui um volume aproximado de 37.000 km³ de água e uma taxa de reposição de 166 km³ por ano. Estima-se que seja capaz de abastecer a população brasileira por 2500 anos e a população mundial por 200 anos, com base nas respectivas taxas atuais de consumo.

Por outro lado, uma ideia da junção dos interesses privados com a agenda geopolítica do Establishment estadunidense pode ser visto no recente anúncio feito pela empresa californiana Tetra Tech, de que obteve um contrato de um bilhão de dólares (o número é esse mesmo, 1 bilhão de dólares) da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), para a obtenção de dados sobre o consumo mundial de água, de modo a elaborar “estratégias para a gestão de recursos hídricos”, em um prazo de cinco anos. Conhecendo-se a trajetória intervencionista da USAID nos países em desenvolvimento, convém prestar muita atenção na nova iniciativa, denominada “Estratégia de Água e Desenvolvimento” (Water and Development Strategy).

No Brasil, “privatização branca” agrava crise hídrica
As experiências brasileiras de privatização da gestão, controle e distribuição da água têm provocado o encarecimento dos serviços e a destinação de grande parte dos valores arrecadados para o pagamento de acionistas das empresas responsáveis por tais serviços. O caso mais emblemático é o da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Transformada em empresa de capital misto em 1994, com o argumento da obtenção de mais recursos para investir em abastecimento de água e tratamento de esgoto, a empresa teve 49,7% de suas ações vendidas a investidores brasileiros (25,5%) e estrangeiros (24,2%). E, embora o seu estatuto limite a concessão de lucros a acionistas a até 25% do lucro líquido anual da empresa, ela nunca realizou pagamentos inferiores a 26,1% desde que entrou na Bolsa de Valores, em 2002 (Jornalggn.com.br, 5/5/2014).

Além disso, estimativas baseadas nos dados divulgados pela empresa, em março de 2014, revelam quem, entre 2003 e 2013, aproximadamente um terço do lucro líquido total foi repassado aos acionistas. Trata-se de um montante da ordem de R$ 4,3 bilhões, o dobro do que a empresa investe por ano em saneamento básico. Entretanto, os índices de desperdício de água ainda beiram os 25% na atualidade, contrariando todas as metas da empresa de redução das perdas de água.

Para completar, a Sabesp conseguiu aprovar um reajuste tarifário de 13,8% para este ano, embora tenha anunciado uma redução de 55% nos investimentos para o tratamento de esgoto, alegando dificuldades financeiras em razão da recente estiagem que castiga São Paulo (O Estado de S. Paulo, 1/04/2015). Ainda assim, a empresa teve caixa suficiente para pagar um bônus de R$ 504 mil a cada um de seus sete diretores, como “prêmio pelo desempenho à frente da companhia” (noticias.uol.com.br, 14/04/2015).

Os casos brasileiro e mexicano são emblemáticos dos sérios problemas que podem advir da privatização da gestão, controle e distribuição da água. Resta saber se os governos nacionais, incluindo o brasileiro, poderão resistir a tal impulso, que pode colocar em risco o acesso de uma considerável parte da população mundial a esse recurso tão básico para a sobrevivência humana (como reconhecido pela própria Organização das Nações Unidas, em 2010).

Publicado originalmente no site Alerta em Rede: http://www.alerta.inf.br/avanca-agenda-da-privatizacao-da-agua-na-america-latina-e-no-mundo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=avanca-agenda-da-privatizacao-da-agua-na-america-latina-e-no-mundo

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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Juros no Brasil, uma vergonha nacional...

Richard Jakubaszko
Não adianta reclamar, o Brasil e os brasileiros somos todos um bando de loucos. A verdade verdadeira é que quem manda nesse país são os banqueiros e o chamado "mercado".
Se não, como explicar a atual taxa Selic, de 12,75% a.a.? Ou pior, os juros praticados no mercado financeiro? Os juros do chamado "cheque especial" andam na casa dos 80% a.a. Os juros dos cartões de crédito já estão acima de 200% a.a.

Dilma Rousseff caiu em desgraça junto ao "mercado" quando a taxa Selic atingiu os inéditos 7% a.a. Os porta-vozes do "mercado", a grande mídia, iniciaram ensandecidos um processo de "assassinato de reputação" nunca dantes visto, nem mesmo comparáveis aos ataques a Getúlio Vargas, que o levaram ao suicídio, pois o golpe, de outra maneira, seria inevitável.

Analisem o gráfico abaixo, a "pizza" mostra o quanto o governo federal gastou no orçamento federal de 2014 em pagamentos da dívida pública por ano: 45,1% !!!
Isso é uma vergonha, uma autêntica pirataria oficializada, apesar de sempre ter sido muito pior. Nos tempos de FHC a Selic bateu em 45% a.a. No final do Plano Cruzado de Sarney chegamos aos 60% a.a. Não há imposto suficiente que suporte esse descalabro. Isto sim, é crime organizado. Mas atente para o tamanho do problema: os 45,11% pagos de juros e amortizações da dívida correspondem aos 12,75% da atual taxa Selic. Se a Selic aumentar, a fatia amarela da pizza aumenta ainda mais.
Acho que o "mercado" chupa o nosso sangue usando um canudinho, tipo vampiro virtual...

Será que é por isso que o "mercado" quer Dilma Rousseff fora do governo, para o qual foi democraticamente eleita?

ORÇAMENTO FEDERAL
O orçamento federal para 2015 destina R$ 266 bilhões para pagamento de juros aos rentistas. É o montante fixado para pagar os juros da dívida pública, considerando a taxa Selic anterior, de 11,75%. Portanto, cada 1% de juros da Selic representam quase R$ 20 bilhões ao ano.
Isto é quase a soma total dos gastos com saúde (R$ 109 bi), educação (R$ 101 bi) obras do PAC e do Minha Casa (R$ 65 bi).
Equivale, ainda, a oito vezes o valor destinado aos programas sociais (R$ 33 bi).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cid Gomes, falou a verdade e demitiu-se.

Richard Jakubaszko
Este país é uma pândega, tenham certeza disso. Cid Gomes, ministro da Educação do governo Dilma Roussef, e ex-governador do Ceará, em dia de Lula, reafirmou que o Congresso tem de 300 achacadores. Lula disse, 12 anos atrás, que seriam 400 picaretas...
Divergiram pouca coisa nos números...

Depois de um rápido debate, excêntrico e exótico pelas insólitas declarações, pois parecia briga de lavadeiras na beira do rio, e pelo fato do deputado que está no plantão da presidência da Câmara dos Deputados ter lhe cortado o microfone, Cid Gomes retirou-se do plenário, foi ao Palácio do Planalto e demitiu-se.
Politicamente não havia outra solução.
Moralmente, a gente sabe como é: no Brasil, se falar a verdade, é demitido...
No vídeo, a apoteose do Cid Gomes, que prefere ser xingado de palhaço a ser qualificado como achacador...
Tô com ele, e não abro!

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Michelle: ”Eu sou Petrobras, você é Globo”.

Uma gentil bofetada na mentira e na hipocrisia
por Fernando Brito, no Tijolaço
Não precisa de qualquer comentário, exceto o de que há dignidade neste mundo, a carta da petroleira Michele Daher Vieira ao jornal O Globo e à repórter Letícia Vieira, autora do texto "Petrobras: a nova rotina do medo e tensão na estatal."

Michele é uma das pessoas que aparecem na foto usada pelo jornal para induzir o leitor a que, de fato, há um clima de terror na empresa, com medo de “de represálias e de investigações”, além de demissões.

A carta de Michelle é um orgulho para os sentimentos de decência humana e uma vergonha para a minha profissão, que deveria ser a de buscadores da verdade e não da construção da mentira.

E a prova de que gente como Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e outros que engordaram roubando a Petrobras são um grão de areia entre milhares e milhares de homens e mulheres de bem, que trabalham ali não só como profissionais corretos e competentes, mas como brasileiros que amam o seu país.

Carta aberta à Leticia Fernandes e ao jornal O Globo
Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria. Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.

Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.

Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas estas experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se vivêssemos a mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal em que ela trabalha, já tendo vários colegas sendo demitidos[1], a rotina de e-mails com represálias e determinando que tipo de informação deve ser publicada ou escondida devem ser rotina em seu trabalho[2], sempre na intenção de desinformar a população e transmitir só o que interessa, mantendo a população refém de informações mentirosas e distorcidas.

Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado. Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. Mas dá para entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido[3] em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.

Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. O único escândalo que me lembro ter ganho as mesma proporção histérica nas páginas deste jornal foi o da AP 470, por que? Por que não revelam as provas escondidas no Inquérito 2474[4] e não foi falado nisto? Por que não leio nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do HSBC[5]? Quem são os protegidos? Por que o silêncio sobre a dívida da sonegação[6] da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos “receberam” da corrupção na Petrobras? Por que não é divulgado que as investigações em torno do helicoca[7] foram paralisadas, abafadas e arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria ser um escândalo, não? E o dinheiro usado para construção de certos aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais [8]? Afinal este dinheiro também veio dos cofres públicos e desviados do povo. Já está tudo esclarecido sobre isto? Por que não se fala mais nada? E o caso Alstom[9], por que as delações não valem? Por que não há um estardalhaço em torno deste assunto uma vez que foi surrupiado dos cofres públicos vultosas quantias em dinheiro? Por que você e seu jornal não se escandalizam com a prescrição e impunidade dos envolvidos no caso do Banestado[10] e a participação do famoso doleiro neste caso? Onde estão as manchetes sobre o desgoverno no Estado do Paraná[11]? Deixo estas perguntas como sugestão e matérias para você escrever já que anda tão sem assunto que precisou dar destaque sobre o cafezinho e o papel higiênico dos funcionários da Petrobras.

A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha, que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil[12], cresceu e chegou onde está graças a este apoio. Ao contrário da Petrobras, a empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil.

Quanto às demissões que estão ocorrendo, é muito triste que tantas pessoas percam seu trabalho, mas são funcionários de empresas prestadoras de serviço e não da Petrobras. Você não pode culpar a Petrobras por todas as mazelas do país, e nem esperar que ela sustente o Brasil, ou você não sabe que não existe estabilidade no trabalho no mundo dos negócios? Não sabe que todo negócio tem seu risco? Você culpa a Petrobras por tanta gente ter aberto negócios próximos onde haveria empreendimentos da empresa, mas a culpa disto é do mal planejamento de quem investiu. Todo planejamento para se abrir um negócio deveria conter os riscos envolvidos bem detalhados, sendo que o maior deles era não ficar pronta a unidade da Petrobras, que só pode ser culpada de ter planejado mal o seu próprio negócio, não o de terceiros. Imputar à Petrobras o fracasso de terceiros é de uma enorme desonestidade intelectual.

Quando fui posar para a foto, que aparece na reportagem, minha intenção não era apenas defender os empregados da injustiça e hostilidades que vem sofrendo sendo questionados sobre sua honestidade, porque quem faz isto só me dá pena pela demonstração de ignorância. Minha intenção era mostrar que a Petrobras é um patrimônio brasileiro, maior que tudo isto que está acontecendo, que não pode ser destruída por bandidos confessos que posam neste jornal como heróis, por juízes que agem por vaidade e estrelismos apoiados pelo estardalhaço e holofotes que vocês dão a eles, pelo mercado que só quer lucrar com especulação e nunca constrói nada de concreto e por um jornal repulsivo como O Globo que não tem compromisso com a verdade nem com o Brasil.

Por fim, digo que cada vez fica ainda mais evidente a necessidade de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a uma diversidade de informação maior à população que atualmente é refém de uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia em prol de seus interesses, no qual tudo que publica praticamente não é contestado por não haver outros veículos que o possa contradizer devido à concentração que hoje existe. Para não perder um poder deste tamanho vocês urram contra a reforma, que se faz cada vez mais urgente, dizendo ser censura ou contra a liberdade de imprensa, mas não é nada além de aplicar o que já está escrito na Constituição Federal[12], sendo a concentração de poder que algumas famílias, como a Marinho detém, totalmente inconstitucional.

Sendo assim, deixo registrado a minha repugnância em relação à matéria por você escrita, utilizando para ilustrá-la uma foto na qual eu estou presente com uma intenção radicalmente oposta a que ela foi utilizada por você.
Michele Daher Vieira

Fontes:
[1] Demissões nas Organizações Globo:
http://www.conexaojornalismo.com.br/…/demissoes-do-globo-es
http://radiodeverdade.com/tag/demissoes-na-radio-globo/
http://www.parana-online.com.br/editor…/almanaque/…/836519/
http://www.portalimprensa.com.br/…/o+globo+faz+cortes+na+re…
http://blogs.odia.ig.com.br/…/globo-inicia-demissoes-no-jo…/


[2] Exemplos de o que deve e não deve ser publicado
http://www.brasildefato.com.br/node/31315
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/globo-ordena-que-no…
http://www.conversaafiada.com.br/…/globo-censura-reporter-…/


[3] Objetivos
http://www.municipiosbaianos.com.br/noticia01.asp…
http://www.aepet.org.br/…/Prezado-a-companheiro-a-da-Petrob…
http://www.viomundo.com.br/…/sordida-campanha-dos-marinho-c…
https://petroleiroanistiado.wordpress.com/…/petrobras-sob-…/
https://fichacorrida.wordpress.com/…/rede-globo-de-corrupc


[4] Inquérito 2474
http://www.cartacapital.com.br/…/em-sigilo-ha-7-anos-inquer
http://www.ocafezinho.com/…/inquerito-2474-ja-esta-na-inte…/
http://www.istoe.com.br/…/…/345927_ERRO+HISTORICO+NA+AP+470+
http://www.brasil247.com/…/Nassif-STF-vai-abrir-segredo-de-


[5] Escândalo do HSBC
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-assombroso-silen…/
http://economia.ig.com.br/…/reino-unido-investiga-hsbc-por-
http://economia.estadao.com.br/…/hsbc-entenda-o-escandalo-…/
http://economia.ig.com.br/…/receita-esta-de-olho-em-corrent…
http://www.brasil247.com/…/Sonega%C3%A7%C3%A3o-no-HSBC-%C3%…


[6] Sonegação Globo
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=4664
http://www.ocafezinho.com/…/os-documentos-da-fraude-da-glo…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/injusto-e-pagar-im…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-o-processo-de…/


[7] Helicoca
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-dcm-apresenta-no…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-papel-cada-vez-m…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/categorias/helicoca/


[8] Aeroportos Mineiros
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-midia-na…/
http://www1.folha.uol.com.br/…/1493571-aecio-neves-a-verdad…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1488587-governo-de-minas-fez…
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/trafico-de-cocaina-…
http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82339
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-nomeou-desem…/


[9] Alstom
http://www1.folha.uol.com.br/…/1281123-brasil-e-unico-que-n…
http://tijolaco.com.br/blog/?p=24684


[10] Banestado
http://www.redebrasilatual.com.br/…/o-caso-banestado-a-petr…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1267100-justica-anula-punica…
http://ultimosegundo.ig.com.br/…/lentidao-da-justica-livrou…


[11] Beto Richa e o Paraná
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/beto-richa-quebrou-…
http://www.redebrasilatual.com.br/…/curitiba-a-pauta-da-reb…


[12] Globo e a Ditadura
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/editorial-globo-cel…
http://www.brasildefato.com.br/node/25869
http://altamiroborges.blogspot.com.br/…/as-diretas-ja-e-o-c…
http://www.viomundo.com.br/…/faz-30-anos-bom-jornalismo-da-…
http://www.viomundo.com.br/…/fabio-venturini-no-golpe-dos-e…
http://www.viomundo.com.br/…/exclusivo-as-entrevistas-feroz…
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/abrir-empresa-em-p…/


[12] CF/88
Diz o artigo 220 da Carta, no inciso II do parágrafo 3°:
II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Já o parágrafo 5° diz:
Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
E o artigo 221. por sua vez, prescreve:
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.


Publicado no Tijolaço: http://tijolaco.com.br/blog/?p=24950

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: afinal, O Globo publicou a carta da Michele? Aposto que não...