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terça-feira, 25 de julho de 2017

O que temos agora e para 2018

Fernando Brito *

Estamos a 14 meses de um processo eleitoral – se é que este processo, a esta altura, se possa considerar fora de riscos – e com o país em frangalhos.

Na economia, o único projeto imaginado, discutido e nitidamente fracassado – é como tapar os buracos fiscais. Primeiro cortando tudo, depois aumentando impostos sobre o consumo.

Nos investimentos em infraestrutura, a discussão é apenas o que eliminar de projetos, o que paralisar e o que vender.

Em matéria de serviços públicos, o que desmanchar, o que precarizar e o que, simplesmente, deixar á míngua de recursos mínimos.

Direitos sociais? Bem, neste caso o projeto é cortá-los, mutila-los e, fora de questão, negá-los às novas gerações, porque, afinal, isto aqui é uma Dinamarca tropical, onde aposentados, pessoas com deficiência e com invalidez vivam à tripa forra.

E o mesmo com os trabalhistas, com estes indolentes que chacoalham hora e meia para ir e outra para voltar do trabalho, onde fingem que fazem alguma coisa? Corte-lhes a hora de almoço, as garantias, ponham-se num banco para trabalhar (e receber) só naqueles momentos em que se precisar deles!

O povo brasileiro terá de olhar estas eleições como a continuidade ou a reversão deste quadro.

E quem são os nomes postos ao desafio de fazer frente a esta situação, além de Lula?

Jair Bolsonaro, um elemento tão primário que é capaz de dizer, em entrevista á Veja, que a crise econômica é fruto da crise de violência, porque “muitas pessoas compram relógio e tênis nas feiras do Paraguai porque serão assaltadas”?

Pois “seu” Jair nem sequer percebe que o desvio “ostentação” é tão ao contrário que centenas de jovens passam a noite numa calçada para comprar um tênis “de grife”, a R$ 1.200, ali pertinho dos moradores de rua? Nem que a banalização das armas, que generalizou o uso de fuzis em detrimento das ações de inteligência e a cumplicidade policial com o crime nos levou ao que estamos vivendo no Rio de Janeiro, em outras partes do país e logo, por toda parte?

Marina Silva, que nunca administrou coisa alguma senão a própria vaidade, que pratica a política com o some-aparece-some da conveniência e com o ódio e a inveja que a falsa candura não esconde? Para quem todos devem explicações e tratamento duro por suas alianças, menos ela, metida numa desastrosa aventura aeronáutica abastecida com o dinheiro fedorento da corrupção?

Geraldo Alckmin – agora que aparentemente enquadrada a gula de seu pupilo Doria – com o seu marcante sabor de chuchu, seus sombrios negócios metroferroviários e sua luzidia obra de implantar pedágios? Um homem cuja visão nacional é tão grande quanto a dos seus heróis de 1932 e cujo olhar mal passa das divisas do estado e dos subdomínios ideológicos da elite paulista no Paraná e no Mato Grosso do Sul?

Como diria Fernando Henrique Cardoso, “é o que temos”.

Exceto Lula e por isso é imprescindível que ele não possa concorrer.

Para que o povo não acabe respondendo à pergunta sobre o que de bom lhe veio dos doutores engomadinhos de Curitiba, senão crise, recessão, desemprego, carências…

O povão, apesar de toda a máquina de propaganda, não é tolo como certa parcela da classe média, a quem sobraram o “Santo” da lista da Odebrecht, a “Santinha” na Natura e o “São Jorge” que bufa como dragão e é um capadócio?

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-que-temos-agora-e-para-2018/

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segunda-feira, 27 de março de 2017

Os países mais poluídos do mundo

VERGONHA, a imbecilidade publicada no Yahoo:
Reprodução do texto:
Este mapa revela quais são os países mais tóxicos do mundo, demonstrando a magnitude impactante e letal que a poluição atmosférica alcançou.
https://br.noticias.yahoo.com/o-efeito-letal-da-polui%C3%A7%C3%A3o-slideshow-wp-091552702.html
O The Eco Experts desenhou o mapa com base nos dados das mortes causadas pela poluição do ar, e das emissões globais de dióxido de carbono em todo o mundo.

Os resultados incluíram 135 países, e entre os 10 primeiros estão as nações com os maiores recursos petrolíferos do planeta.

O Reino Unido ficou com a 81ª posição em relação à contaminação, e em 37º no que diz respeito às emissões de dióxido de carbono no mundo.

Oficialmente, 2016 foi o ano mais quente já registrado. No verão passado uma fenda enorme se formou na barreira de gelo Larsen C, na Antártida.

Os dados da pesquisa foram oferecidos pela Agência Internacional de Energia e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A classificação de cada país foi definida levando em conta cinco fatores: o consumo de energia per capita, as emissões de dióxido de carbono resultantes da combustão de carburantes per capita, a poluição do ar, as mortes atribuídas à poluição atmosférica para cada 100.000 habitantes, e a produção de energia renovável.

John Whitling, do The Eco Experts, explicou que o mapa é uma forma de “nomear e envergonhar os piores infratores do mundo” e demonstrar os perigos aos quais estamos nos expondo.

A OMS revelou que em 2012, cerca de 7 milhões de pessoas morreram em consequência da exposição à poluição atmosférica; ou seja, uma em cada oito mortes a nível mundial.


COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:

Absolutamente maluco, parcial e inconsistente esse mapa. O próprio texto confunde poluição com "emissão de gases de efeito estufa", e até coloca os países produtores de petróleo como os mais poluentes, apesar de informar que estão também os emissores de CO2, e ainda afirma "que 2016 foi o ano mais quente já registrado", o que é outra enorme mentira de "jornalismo engajado" ambientalista, pra não dizer que é absolutamente mentiroso, mas é, aliás, é as duas coisas.

Os EUA aparecem no mapa como poluidores de terceira categoria (é mentira, são os maiores poluidores!), e o Brasil é "verde"(o que é verdade!), apesar de a mídia nacional discordar frontalmente dessa realidade.

A nota no Yahoo comete outras barbaridades, e comenta da fenda aberta na barreira de gelo Larsen C, na Antártida, mas se esquece de registrar que a área de gelo do Polo Sul aumentou em área equivalente ao estado de Minas Gerais nos últimos 15 anos. Que aquecimento seletivo é esse? Esquenta no Polo Norte e esfria no Polo Sul? Será que esses especialistas desconhecem o nome da Groelândia (Green Land = Terra Verde), onde os vikings fizeram agricultura há 800 anos?

Então, que "aquecimento" seletivo é esse? Misturar poluição com aquecimento ou mudanças climáticas? O que tem a ver o urubu com as garças?
O The Ecco Experts, fonte do Yahoo, esqueceu-se também de informar que os EUA são os maiores produtores de petróleo do mundo, e nem citam a extração do gás de xisto, cujo nível de poluição é de 3 a 5 vezes maior do que a do petróleo convencional.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Cidadania, uma hipocrisia que vive de preconceitos

Egydio Schwade *
A sociedade que promove a “cidadania” vive cheia de preconceitos e a maioria das ações do cidadão são ações contra a “Mãe-Terra”.
Aquele que traz a comida à mesa do cidadão ao longo dos séculos, não é ele o objeto de expressões de desprezo como: “jeca-tatu” ou “vá plantar batatas”?

 
Não é a nossa “Mãe-Terra” apenas “sujeira” que deve ser enxotada pela vassoura e ser coberta pelo asfalto e pelo cimento-cidadão? Quem busca a cidade não busca logo a “cidadania”, isto é, (des)envolvimento, que significa cobrir a terra com asfalto, o chão da casa e o pátio com cimento, para não mais se envolver com a Terra?

 
Não é melhor pago aquele que vive fora desta “sujeira” da “Mãe-terra” e quanto mais longe dela melhor pagamento “merece”? Tem alguma razão séria para dar um salário de mais de R$ 30 mil reais a um membro do Supremo Tribunal Federal e nem se preocupar pelo salário do “plantador de batatas” que traz a comida à mesa?

 
O Estado não deve ser governado por um cidadão (des)envolvido da terra? Um “jeca-tatu”, um “plantador de batatas” candidato a Presidente, nem pensar! Desde o tempo dos romanos todo o governo é comandado por cidadãos e no Ocidente por cidadãos cristãos, cujos contrários são sintomaticamente “pagãos”.

 
Existe preconceito maior do que aquele usado contra os povos que não desejam cidade alguma, de cujos territórios, desde 1500, Governo e latifundiários se apropriam como se fossem “vazios demográficos”? O agronegócio, a mineração, projetos hidrelétricos, instalados em seu lugar, devastam a floresta, envenenam a Terra, saqueiam os recursos naturais e consomem a maior fatia do PIB – Produto Interno Bruto, não são eles cria do cidadão e apenas comida para o Estado-cidadão?

 
A cidadania está montada sobre preconceitos. O conceito de cidadania como objetivo da humanidade, deve ser banido, não fomentado. Ele fomenta, não a Economia, mas a Crematística, a queima dos recursos naturais, o aliciamento, ou a expulsão do homem do campo, a depredação do meio ambiente, a burocracia inútil e inerte... Enquanto os cidadãos não se derem conta de sua realidade de “micróbios”, causadores das doenças e chagas incuráveis que assolam o Planeta e dela não abdicarem, a Mãe-Terra e seus recursos serão saqueados, os agricultores familiares serão prejudicados para beneficiar latifundiários que contaminam a comida, não praticam agricultura, mas apenas negoceiam, escondidos em escritórios urbanos.

 
O cidadão vive em quadriláteros. Aprofunda-se na “ciência” de seus quadriláteros e, talvez, por isso julga-se mais sábio do que o homem do campo, que se defronta incessantemente com esta imensa variedade de desenhos geográficos em meio a qual se sente humildemente um ignorante.

Que sentido tem nomear uma pessoa que passou a sua vida inteira em gabinetes ou em escolas urbanas, Ministro da Agricultura, dirigente do IBAMA, ou de qualquer órgão que tem como função zelar e apoiar a vida na Terra? Não passa de fomento ao preconceito contra os agricultores?

 
Aqui no município de Presidente Figueiredo, há uma comunidade, Terra Santa, que contra todas as leis do país está sendo despejada de seus direitos e terras, assim como o foram os indígenas que até 50 anos atrás eram os donos deste território e ate 500 anos atrás, de toda a terra brasileira. Há cinco anos, os dirigentes de pelo menos uma dezena de órgãos públicos, existentes para solucionar a situação da Terra Santa, sabem onde está sua obrigação. Não fazem justiça porque trancados em seus escritórios cidadãos, não sentem a aflição e a injustiça do povo pagão e por isso apenas “monitoram” à distancia. Quem aflige a comunidade é um madeireiro, fora da lei, que saqueia a floresta e impune prossegue em sua ação criminosa, protegido pelos interesses dos cidadãos que comandam os órgãos da justiça de plantão. E não faltam escritórios cheios de especialistas, mas com medo de mudar de lugar para enxergarem a realidade que devem julgar. Assim a Terra Santa aguarda há seis anos a justiça apenas “manipulada”, “monitorada” e adiada pelo cidadão...

 
Recentemente, no Baixo Tapajós, junto com um amigo engenheiro ambiental, contamos 40 pequenas embarcações, abastecendo 3 navios pesqueiros. Uma evidente infração à vida do rio e dos recursos necessários para filhos e netos dos “pagãos” da região. Questionado, um agente do IBAMA justificava a sua inércia diante da situação de depredação: “infelizmente, eles tem autorização!” E quem forneceu este documento de autorização criminosa? Um cidadão que não tem compromisso com as necessidades presentes e futuras das pessoas do interior. Ele é um cidadão e só por isso é o único que “sabe e decide”.

 
Está aí Manaus, a Zona Franca, um Grande Projeto da Ditadura Militar que desocupou o interior da Amazônia, deixando-o livre para o saque das riquezas naturais.

 
O cidadão é essencialmente arrogante diante da Mãe-Terra. Quer vê-la sob o cimento ou sob o asfalto. É essencialmente depredador da natureza, preconceituoso contra quem vive da terra e na terra. Monitora os prejuízos, faz de conta que se interessa, mas não os soluciona. Vive de fazer belos projetos sobre a Terra, projetos para fazer dinheiro, ou transformar a Terra em cinza, como se os seus recursos não tivessem fim. É a Crematística, a “Economia” do Estado.

 
Enquanto houver metrópoles nunca se irá às causas ultimas dos males que afligem o planeta Terra. Sempre haverá depredação do meio ambiente, produtos químicos na mesa. O preconceito, o consumismo e o (des)envolvimento reinarão sobre o “pagão”. Porque a metrópole é inimiga essencial da Terra.

 
Quem vai banhar na Corredeira do Urubuí, em Presidente Figueiredo/AM, pare um pouco antes da ponte sobre o rio. Ali onde estava a caixa de lixo. Num só golpe de vista, sobre 10 metros de distância, tem a visão do resultado de três modelos, ou paradigmas, da atividade humana sobre a Mãe-Terra. Lá no fundo, a “terra-preta”, resultado do paradigma do “envolvimento”, de quem se envolveu com a terra, projetando o Bem-Viver sobre ela, numa perspectiva de gerações sem fim. No meio, o paradigma do “consumo”, a lixeira avançando sobre a Terra, inclusive sobre a “terra-preta”. Cá e lá ainda permite a vida de uma fruteira: um pé de ingá, um teimoso mamoeiro, ou um pé de girimum... Finalmente, onde estamos parados, observando tudo, o paradigma do (des)envolvimento, o asfalto cobrindo tudo. Onde nada mais cresce e vive. O objetivo último do cidadão é a metrópole, a nossa Casa Comum transformada em lixeira, ou na infertilidade ou ausência total de vida.

Finalmente, fica o Feliz Natal de Paulo Apóstolo aos cristãos:

“Nós somos a merda do mundo, o lixo de todos (ICor.4,13). O que há de louco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos sábios e o que há de fraco no mundo, Deus o escolheu para fazer vergonha aos fortes. O que há de mais ordinário no mundo, o menosprezado, o que não existe, Deus o escolheu para reduzir a nada o que existe! (I Cor.1.26-28)”. (Tradução do historiador Eduardo Hoornaert em ”As Origens do Cristianismo” pg. 50).

 
* o autor é padre pertencente à ordem religiosa dos Jesuítas, indigenista, ambientalista, fundador da ONG Amazônia Nativa, e apicultor em Presidente Figueiredo/AM.

Outros textos do autor, em Casa da Cultura do Urubuí – Cacuí - http://www.urubui.blogspot.com/

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Concordo em gênero, número e (parcialmente) grau com o autor, a quem não conheço pessoalmente, mas temos afinidades familiares, pois é sogro de uma de minhas filhas. Como este é um blog de debate, e por achar interessante o texto, publico o mesmo exercendo meu entendimento nas letras abaixo:

O que ocorre na nossa Amazônia é fruto da desmesurada necessidade humana da acumulação de bens e patrimônios, apontada pelo autor como a Crematística, já identificada pelos filósofos gregos aristotélicos como algo prazeroso. Se a Crematística já era um problema naquela época, 3 mil anos atrás, quando a população mundial não chegava a 30 milhões de habitantes, imaginemos hoje, com 7,4 bilhões.

O ser humano é o único integrante da natureza que tem o vício da acumulação, com a notável exceção à regra das formigas e abelhas. Afora esse quesito, um mero detalhe, e da filosofia à parte de Epicuro (que explico abaixo), a humanidade explodiu o crescimento demográfico a partir do século XVIII, quando atingiu seu primeiro bilhão de habitantes, e não parou mais, apoiada pelo incentivo Divino dito a Moisés, de "Crescei e multiplicai-vos", com aval da Igreja Católica Apostólica Romana, que considera um dogma a proibição de uso de anticoncepcionais. Com o consumismo dos atuais 7,4 bilhões de bocas (excluídos cerca de 1 bilhão que passam fome), mais a corrupção dos agentes de governo e empresários, chegamos ao limite do planeta nos seus serviços ambientais. Vamos precisar de um outro planeta para alimentar essa sociedade extra que está chegando.

Tenho sempre em mente um pensamento de Epicuro:


Epicuro foi o fundador do hedonismo, pensamento que está essencialmente ligado às necessidades e aos prazeres dos humanos. Destacava ele que existem três coisas naturais, sendo que a primeira é natural e essencial, sem o qual morremos, como água e alimento; a segunda é natural e não essencial, como sexo e alimento (inclusive bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja) que nos trazem prazeres, mas sobrevivemos se eles não existirem.

E a terceira é não natural (mas é humana) e não essencial, como drogas alucinógenas (como meio de fuga da realidade) e posses de bens materiais, que redundam no consumismo, causa da grande maioria das frustrações humanas, pois é impossível possuirmos tudo o que queremos e desejamos.

O consumismo possui uma denominação contemporânea eufemística, que é chamada de supérfluo.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Acabar com as criancinhas para desaquecer o planeta?

Luis Dufaur *
Foto 1
Tubarões assassinos, crocodilos perigosos, javalis predadores ou lobos devoradores de gado: todos eles são espécies protegidas pela estranha religião “verde” ainda que causem danos ao homem e a outros animais.

Mas os homens têm que ser reduzidos em número, em direitos, em condições de vida, segundo decreto dessa mesma religião! Têm que ficar insustentáveis nesta terra!

Eles são os únicos seres que não podem nem devem cumprir o preceito ecológico de se auto-sustentar.

O jornal “The Washington Post” trouxe esclarecedora matéria a respeito. Militantes contra o “aquecimento global” se mobilizaram para cortar a taxa de nascimentos de crianças nos EUA.

O sofisma arguido, com muito sabor de luta de classe de pobres contra ricos, diz que os países ricos deveriam desencorajar as pessoas que querem ter filhos.

A causa? Para protegê-los contra os danos – fictícios ou montados artificiosamente – do “aquecimento global” num século venturo e também para reduzir emissões que não explicam claramente.

Travis Rieder, diretor do Instituo Berman de Bioética na Universidade Johns Hopkins, disse à National Public Radio (NPR) que derrubar a fertilidade humana global a meio filho por mulher “poderia ser a coisa que vai nos salvar”.

“Eis um pensamento estimulante: talvez nós salvaremos nossos filhos não os tendo”, disse.
Foto 2
Ele propôs desanimar a procriação com novos impostos impedindo que os pobres tenham crianças, e impondo penalidades tributárias aos ricos. Algo assim como uma ‘taxa carbono aplicada contra os filhos’.

Rieder acrescentou que essas punições funcionariam melhor contra os ricos. Por sua vez os países ricos dariam o exemplo aos pobres de não ter filhos.
A proposta é mais radical que a “política do filho único” – pois seria só “meio filho” – e ficou registrada no livro “Population Engineering and the Fight Against Climate Change” (“Engenharia Populacional e o Combate contra a Mudança Climática”) que Rieder escreveu com mais dois professores da Universidade de Georgetown.

A ONG “Futuro concebível” de New Hampshire também adota como premissa a disparatada tese de que “a crise do clima é uma crise reprodutiva”, escreveu o “Washington Times”.

Os extremistas ambientalistas tentaram logo dissimular o fundo totalitário de suas propostas, alegando que não propunham medidas coercitivas, nem leis despóticas como fez a China com a famigerada e fracassada “política do filho único”.

Porém, Marc Morano, diretor do site Climate’s Depot especializado em denunciar as fraudes do ambientalismo radical, observou que as normas ditatoriais que esses ativistas negam com a língua, na prática seriam logicamente inevitáveis se se aprovam suas antinaturais premissas.

Morano também observou que os grupos que se dizem contra a “mudança climática” agora insistem que os homens deveriam ter menos contatos sexuais para conseguir um planeta menos cálido, e também para diminuir a natalidade.

“Os aquecimentistas já cansaram de combater as lâmpadas elétricas, as termoelétricas a carvão, os carros 4X4, e agora se assanham para ficar controlando o tamanho das famílias dos outros”.

Rieder anunciou o livro “Toward a Small Family Ethic: How Overpopulation and Climate Change are Affecting the Morality of Procreation” (“Rumo à ética da família pequena: como a superpopulação e a Mudança Climática estão afetando a moralidade da procriação”).

O disparate anticristão e antinatural salta aos olhos.


Legendas
Foto 1: Para combater a "mudança climática", ONGs ecologistas pedem reduzir nascimentos de crianças até uma média estatística de "meio filho" por casal (sic!).
Foto 2: Enfermeira cuida de recém-nascidos em hospital de Jamestown, EUA.
 

Publicado originalmente em http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2016/09/acabar-com-as-criancinhas-para.html
* o autor é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs.



COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Publiquei o artigo acima com o único objetivo de provocar debates sobre o polêmico e encardido assunto da redução na velocidade do crescimento demográfico.
Lamentavelmente, a questão tem sido abordada com diversas deturpações econômicas, políticas, ideológicas e moralistas.

Abordei o assunto, sob diversas óticas, em meus quatro livros já publicados, desde 1992, e especialmente em meu mais recente livro, "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?".

Veja o leitor, portanto, que discordo da opinião do autor (Dufaur) da matéria acima, e concordo com a proposta e opinião dos ambientalistas americanos, apesar de concordar com o autor (Dufaur) no ceticismo ao aquecimento e ao mesmo tempo ser frontalmente contra ele sobre as causas apontadas de que todos os ambientalistas são "comunistas verdes".

Desta forma, pelo menos em minhas propostas, não existem alinhamentos ideológicos, muito menos moralismos a serem discutidos.

Há, em minha opinião, que se estabelecer um debate em profundidade sobre se é um fato que a superpopulação planetária é a causa principal, ou não, como considero, de todos os problemas sociais, econômicos, ambientais (poluição) e até mesmo ideológicos da humanidade. Diante das constatações que se possa chegar, poderíamos propor então soluções para a redução dos índice de crescimento demográfico, ou da redução do consumismo, pois precisamos hoje de cerca de 2 planetas para alimentar e prover 7,4 bilhões de pessoas, sem o que esgotaremos a nossa casa. 

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

O homem capitalista, poluidor e consumista

Richard Jakubaszko 
Escrevi o livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde contei com a brilhante participação do físico Luiz Carlos Baldicero Molion, e do também físico José Carlos Parente de Oliveira, entre outros cientistas. No livro se destacam críticas aos 7,4 bilhões de seres humanos poluidores e predadores do planeta, mas que não são responsáveis pelas mudanças climáticas, o vídeo abaixo retrata bem essa situação, mas desvirtua para a acusação de que os seres humanos são os responsáveis por um inexistente aquecimento.

Para adquirir o livro, clique na capa do livro, aí na aba lateral direita deste blog, ou envie e-mail para co2clima@gmail.com para receber instruções de como efetuar o pagamento e recebimento do livro.
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quarta-feira, 2 de março de 2016

A história das coisas da natureza: o que acontece com tudo que consumimos.

Richard Jakubaszko
Um internauta de nome Daniel resolveu criticar meu depoimento gravado em vídeo postado no Youtube sobre a questão do aquecimento e das mudanças climáticas (clique no link a seguir para assistir o depoimento) http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2015/10/a-cop21-vem-ai-e-com-ela-agencia.html
e enviou e-mail, furioso, colocando no dito cujo o link do vídeo abaixo. Respondi o e-mail, além de publicar o vídeo, por não ter medo de debates. Fora o fato de que, como ambientalista que também sou, e desconsiderando a questão de ser um cético do aquecimento, fato que nada tem a ver com o livro, mas compartilho algumas das mesmas opiniões e críticas registradas no vídeo.

Recebi:

Sinceramente Nunca vi Uma Opinião tão mau formada Igual á do vídeo em que Vocês Vendem seu Livrinho, Assista esse vídeo no Link Acima. POR FAVOR Vamos Salvar O Planeta.

Respondi:
Daniel,
com 50 anos de jornalismo técnico, saiba que levei 8 anos estudando o assunto ambiental e do “aquecimento e mudanças climáticas”, inclusos nesse tempo 4 anos para escrever o “livrinho”, como vc qualifica meu quarto livro. Curioso é que você ainda nem aprendeu a escrever direito, e não leu o livro, mas se julga no direito e com suficiente competência para tentar desqualificar a obra, em nome de uma opinião errática que colocaram na sua cabeça. Como diria a diarista lá de casa, é um “sem noção”.
Pois saiba que muitas das coisas e verdades contadas no vídeo que vc encaminhou, foram analisadas e comentadas no livro, questões com as quais concordo plenamente. Portanto, se vc critica o livro, deveria criticar o vídeo também. Aliás, acabei de publicar o vídeo em meu blog... veja lá: http://richardjakubaszko.blogspot.com
 
Para vc não ter ideias terceirizadas, aceite minha sugestão, compre e leia o livro, faço preço especial pra vc. É minha contribuição para vc sair da escuridão.
Depois que vc ler o livro, aí sim, poderemos “trocar ideias”, tá bom assim? Como questiona o título do livro, se “estão nos enganando?”, não tenho dúvida alguma, estão, sim...
Para ter o livro em casa, autografado pelo autor, deposite...
sds


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Pass the salt

Richard Jakubaszko 
Curta-metragem norte-americano, de 1 minuto e meio, que andou ganhando prêmios pela objetividade e bom humor da liguagem cinematográfica ao expressar a falta de comunicação verbal entre membros de uma mesma família, problema exacerbado pelo excessivo uso dos smartphones.
Enviado pelo amigo do blog, engenheiro agrônomo Hélio Casale.

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domingo, 17 de agosto de 2014

A imbecilidade do consumismo

Richard Jakubaszko 
Barro sintético: imbecilidade consumista.
Como revela o aforismo sobre a imbecilidade dos humanos consumistas: "não há nada que esteja ruim que não se possa piorar". Ou seja, já não bastava os consumidores comprarem calças rasgadas, ou desfiadas, especialmente jeans, pagando muito mais caro por isso, pois agora existe uma nova ameaça para aperfeiçoar essa caminhada humana em busca do ápice e da perfeição da imbecilidade: daqui
Quem usa é "despojado" de inteligência?
pra frente você poderá comprar tênis Adidas que já vêm "sujos" de barro. A novidade foi lançada na Inglaterra este mês, e vai custar a bagatela de R$ 500,00 o par. Devia custar isso por pé...


O problema é que essa turminha vota! Tanto lá na Inglaterra, como nos EUA, e também por aqui...
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terça-feira, 15 de julho de 2014

Alimentação saudável, procure uma listonista...

Richard Jakubaszko 
Ana Paula, mamífera humana com 2 aninhos e alguns meses, dá lição de vida e uma aula de comunicação; é uma doutorinha em simpatia; honesta em suas recomendações de que as pessoas tenham uma alimentação saudável.
O vídeo é notável! Ana Paula é lindinha! Por isso, procure uma listonista, ou seja lá o que isso for...


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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ela está viva, linda e finita...

Richard Jakubaszko  
A Terra ainda está viva e linda, mas é finita e tem milhões de problemas em decorrência do excesso demográfico. Em consequência do consumismo exacerbado há previsões entre alguns geógrafos de que o fim da humanidade deve acontecer no máximo dentro de um ou dois séculos.

O vídeo abaixo, ancorado no Youtube, tem pouco mais de 4 minutos, e mostra as belezas no planeta em confronto com sua destruição. Foi enviado pela doutorinha lá de casa, a Daniela Jakubaszko.
Boa reflexão, após assistir ao vídeo.

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terça-feira, 15 de outubro de 2013

A humanidade e a utopia de Mujica

Richard Jakubaszko  
Um dos discursos mais lúcidos que já li ou ouvi, verdadeira poesia de humanismo. 
Lindo, e ao mesmo tempo utópico, lamentavelmente. Humano, inegavelmente, mas tornar-se-á uma espécie de antevisão do fim, ou, exemplo de aviso prévio para a humanidade, que caminha para o precipício de forma coletiva, em vista do crescimento populacional, que não apenas polui, mas que esgota e consome todos os recursos disponíveis do planeta.
Transcrevo abaixo.

Discurso de José Mujica, na ONU.
Presidente uruguaio criticou o capitalismo e o individualismo em discurso que empolgou nas Nações Unidas
Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de mudanças funestas, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.

Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — porque, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.
Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferenças e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.
A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até auto exclusão.
O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.

Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.
O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.
Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.
Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.

A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.

O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.

Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.
Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.

Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fóruns e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e nada transforma em decisões...

Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pelo enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos "reclamáveis", que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.

Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegando a nossos limites biológicos.

Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

A cobiça, tão negativa e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.

Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é "tudo", essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.

Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.

Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os governos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra quando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.
Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então, cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.

As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.

Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.
A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.

Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.

Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.

Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.

Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos nas causas profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso "nós".
Obrigado.

Tradução: Fernanda Grabauska
Publicado em Zero Hora, Porto Alegre, 26/9/2013.


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